29/12/2020

LEITURA ESPIRITUAL Dez 29

 

Evangelho

 

Mt XVII 14 – 27; XVIII 1 - 11

 

 

O lunático

 

14 Quando eles chegaram perto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se a seus pés e 15 disse-lhe: «Senhor, tem piedade do meu filho. Ele tem ataques e está muito mal. Cai frequentemente no fogo e muitas vezes na água. 16 Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo.» 17 Disse Jesus: «Geração descrente e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá.» 18 Jesus falou severamente ao demónio, e este saiu do jovem que, a partir desse momento, ficou curado. 19 Então, os discípulos aproximaram- se de Jesus e perguntaram-lhe em particular: «Porque é que nós não fomos capazes de expulsá-lo?» 20 Disse-lhes Ele: «Pela vossa pouca fé. Em verdade vos digo: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: ‘Muda-te daqui para acolá’, e ele há-de mudar-se; e nada vos será impossível. 21 Esta espécie de demónios não se expulsa senão à força de oração e de jejum.»

 

Nova profecia da Paixão

 

22 Estando reunidos na Galileia, Jesus disse-lhes: «O Filho do Homem tem de ser entregue nas mãos dos homens, 23 que o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará.» E eles ficaram profundamente consternados.

 

Paga do tributo para o templo

 

24 Entrando em Cafarnaúm, aproximaram-se de Pedro os cobradores do imposto do templo e disseram-lhe: «O vosso Mestre não paga o imposto?» 25 Ele respondeu: «Paga, sim». Quando chegou a casa, Jesus antecipou-se, dizendo: «Simão, que te parece? De quem recebem os reis da terra impostos e contribuições? Dos seus filhos, ou dos estranhos?» 26 E como ele respondesse: «Dos estranhos», Jesus disse-lhe: «Então, os filhos estão isentos. 27 No entanto, para não os escandalizarmos, vai ao mar, deita o anzol, apanha o primeiro peixe que nele cair, abre-lhe a boca e encontrarás lá um estáter. Toma-o e dá-lho por mim e por ti.»

 

Verdadeira grandeza

 

1 Naquele momento, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: «Quem é o maior no Reino do Céu?» 2 Ele chamou um menino, colocou-o no meio deles 3 e disse: «Em verdade vos digo: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu. 4 Quem, pois, se fizer humilde como este menino será o maior no Reino do Céu. 5 Quem receber um menino como este, em meu nome, é a mim que recebe.» 6 «Mas, se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar.

 

O escândalo

 

7 Ai do mundo, por causa dos escândalos! São inevitáveis, decerto, os escândalos; mas ai do homem por quem vem o escândalo! 8 Se a tua mão ou o teu pé são para ti ocasião de queda, corta-os e lança-os para longe de ti: é melhor para ti entrares na Vida mutilado ou coxo, do que, tendo as duas mãos ou os dois pés, seres lançado no fogo eterno. 9 Se a tua vista é para ti ocasião de queda, arranca-a e lança-a para longe de ti: é melhor para ti entrares com uma só vista na Vida, do que, tendo os dois olhos, seres lançado na Geena do fogo.» 10 «Livrai-vos de desprezar um só destes pequeninos, pois digo-vos que os seus anjos, no Céu, vêem constantemente a face de meu Pai que está no Céu. 11 Porque o Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido.

 



 

  Justiça

  No Antigo Testamento os homens bons são chamados de “justos”.

Isto quer dizer que a justiça é uma virtude importante na consideração que se possa fazer acerca de alguém.

 

Parece que a pessoa justa só pratica actos bons e, quando por deslize pessoal ou qualquer outro motivo, o não faz, é capaz de reconhecer e pedir perdão.

  A justiça começa por si próprio, quer dizer, ninguém poderá ser justo com os outros, a sociedade, se, consigo mesmo não for justo.

Para tal é necessário, como também já vimos a propósito de outro tema, um conhecimento próprio profundo e apurado.

  Justiça é, em suma, a consciência do que se é e do que se faz, do que se pensa e do que se diz, na medida em que os efeitos da acção possam ser aceitáveis e correctos.

  Quem , por exemplo, não é pontual no seu horário de trabalho, não está a ser justo nem para com o empregador nem para com os outros.

Mas também está a ser injusto para consigo porque assumiu um compromisso de um horário de trabalho que não cumpre.

Um estudante que não estuda, ou o faz mal, ou sem dedicação, está a ser injusto, pelo menos, para com os seus pais que esperam dele que estude, para com os professores que se esforçam porque aprenda, para com os seus colegas porque lhes dá um mau exemplo e, claro está, para consigo porque está a desperdiçar uma oportunidade que lhe compete aproveitar.

  Um cristão que não reza como deve, com amor e assiduidade, falta à justiça para com Deus que merece e espera que ele o faça, e consigo também porque foge a um dever que lhe vem do facto de ser cristão.

  A justiça, portanto, vai bastante além do estrito cumprimento das leis humanas.

Não há justiça, só, em cumprir os nossos deveres.

Não roubar, por exemplo, não é um acto de justiça mas um dever, mas devolver o que se tirou e não nos pertence é um acto justo.

  A administração dos bens que nos são confiados é algo particularmente sensível à justiça porque envolve, entre outros, o respeito, a fidelidade, e a confiança de quem entregou os seus bens à nossa guarda ou administração.

Se reparamos no termo empregue – confiados – vemos imediatamente implícita a confiança que em nós outro deposita.

 

Reflexão

 



Tentações “teológicas”.

6

Anjos

  Os Anjos da Guarda formam uma categoria?

  Como humanos somos levados a catalagar e ordenar tudo segundo uma “ordem” que julgamos apropriada. Sabemos, contudo, que “no Céu há várias moradas”, donde não será descabido que também entre os Anjos haja “categorias”.

Pequena agenda do cristão

 


TeRÇa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

Salmo II

Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient. 
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

Exame Pessoal

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.

Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

Noverim me

Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.
   
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.
Faz-me santo, meu Deus, ainda que seja à força.

Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus)




Doutrina

 


Culto das imagens: católicos e protestantes

O CULTO DE VENERAÇÃO OU HIPERDULiA

 

 O Culto que nós os católicos rendemos a Maria a Mãe de Deus designa-se con o nome de Hiperdulia é um Culto de Veneração que está acima do Culto tributado aos Santos, os Mártires em Cristo e os Anjos, porque simplesmente Ela é a Mãe de Deus.

 

Quando os irmãos separados assinalam que nós os católicos adoramos a Virgem Maria temos que encher-nos de caridade primeiramente para saber responder-lhes e ver nisso a grande ignorância que têm para julgar as coisas de Deus, o desconhecimento completo sobre a Igreja Católica e o pouco escrúpulo em discernir sensatamente a Sagrada Escritura. Para estudar e posteriormente analisar a Palavra de Deus é necessário o discernimento do Espírito Santo, seguir normas ou instruções de pessoas preparadas como as que estão no nosso sagrado Magistério e por último desligar-se das paixões e ser objectivo na hora de dar opiniões, considerando antes de mais que a Sagrada Escritura é a Palavra de Deus e o Senhor que é um Deus muito severo e justo diz claramente: Não julgueis para que não sejais julgados.

 

A Veneração da Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus não tem nada que ver com os cultos pagãos reflectidos no Antigo e Novo Testamento, mas antes com o facto de que Deus quis fazer-se homem, nascido de mulher, não foram os cristãos os que escolheram a Virgem Maria como a Mãe de Deus, foi o próprio Deus quem a escolheu para que fosse sua Mãe.

 

Maria não é só Mãe da natureza humana de Jesus, Jesus é uma pessoa divina que tem duas naturezas, natureza humana porque se encarna numa mulher e nasce dela e natureza divina porque é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, é o verbo encarnado. Ao nascer Jesus, não nasce somente a natureza dele, nasce também ele como pessoa, toda a Mãe portanto é Mãe da pessoa a quem esta dando à luz, portanto a Virgem Maria é verdadeira Mãe de Deus de que o Verbo que é Jesus se fez carne.

 

Jesus é o único e verdadeiro Senhor, Rei e Mediador, Ele veio para que todos unidos a Ele como membros do seu Corpo Místico participemos do seu senhorio, do seu reinado e da sua mediação este é o privilégio que recebemos no Sacramento do Baptismo, ora bem, se isto é certo como efectivamente é, que todos somos membros de Cristo, quanto mais a sua Mãe a quem Ele associou de forma única à sua obra de redenção.

 

Não podemos rebaixar a Santíssima Virgem Maria da altura na qual Deus a colocou, ao fazê-la Mãe do seu Filho, pelo que merece ser venerada em atenção Àquele a quem levou no seu seio sagrado, experiencia irrepetível que faz dela uma pessoa diferente. De maneira que a veneração que ela merece é também diferente a que damos aos Santos, aos Mártires em Cristo e aos Anjos, é por isso que essa veneração dada à Virgem Maria a designamos como Hiperdulia que quer dizer por outras palavras que a veneramos como a maior, não a estamos adorando, seria uma grande torpeza igualá-la a Deus, isso sim poder-se-ia então definir como uma idolatria.

Se examinamos objectivamente e sem paixões a Sagrada Escritura encontramos em muitos versículos o lugar que Deus deu à Santíssima Virgem Maria, quem como Deus:

 

Maria é Cheia de Graça (Lucas 1: 28); Maria é Obediente (Lucas 1: 45); Maria é Humilde (Lucas 1: 38); Maria é cumpridora de a Palavra de Deus (Mateus 12: 46-50); Maria é Amiga de Deus (João 2: 1-12); Maria acompanhou a Deus até à Cruz (João 19: 25); Maria acompanhou a os Apóstolos (Actos 1: 12-14); Maria é a Mãe de Deus (Lucas 1: 43)

 

A doutrina protestante omitindo a Palavra de Deus e interpretando-a como melhor lhe parece, ignora todas as citações bíblicas anteriores para confundir os católicos, tentar provar que Maria não é Virgem, não é a Mãe de Deus e não tem qualquer grandeza, heis aqui três citações bíblicas aplicadas por eles na sua forma proselitista de pregar:

A grandeza de Maria não reside de facto na sua virgindade, mas na sua obediência à vontade de Deus. Mas é um facto que foi Virgem antes do parto, no parto e depois do parto, porque para Deus não há nada impossível, é só questão de ler com atenção a Sagrada Escritura e discerni-la à luz do Espírito Santo, rever os documentos marianos dos Santos Padres da Igreja e aprofundar no Documento Marialis Cultus.

Os três textos anteriormente citados não falam dos filhos de Maria falam de os irmãos de Jesus, o que não é o mesmo na linguajem bíblica. Vamos portanto analisar que tipo de irmãos de Jesus são Tiago, José, Simão e Judas.

 

Se Jesus deixa Maria nas mãos de João é porque ela não tem esposo, nem filhos que a pudessem acolher e, para os judeus, era sinal de maldição que uma mulher ficasse sozinha.

Ante a evidência destes textos e a explicação dos mesmos com o raciocínio lógico que temos, cabe a pregunta: Porquê os irmãos separados continuam lendo e interpretando mal a Sagrada Escritura? Tudo tem uma explicação e é que a doutrina protestante como a palavra o diz consiste em protestar todas as verdades da Igreja Católica, os irmãos separados recebem uma preparação que lhes muda a vida, assistem a estudos bíblicos onde se lhes exige aprender de memoria muitos textos bíblicos, se lhes ensina como combater a doutrina católica utilizando a Sagrada Escritura, têm uma disciplina e uma constância que nós não temos, e tudo vem da tese protestante que Martinho Lutero elaborou, considerado como um herege, e na qual nega as verdades católicas que são verdades de fé.

 

A Santíssima Virgem Maria está adornada com muitas virtudes e qualidades como por exemplo: Mãe dos homens, Mãe da Igreja, Avogada nossa, Corredentora, Medianeira de todas as graças e Rainha e Senhora de tudo o criado, além disso a Igreja Católica discerniu, estudou e definiu no seu Sagrado Magistério quatro dogmas que a acompanham, ou melhor dito, quatro verdades de fé: A Maternidade Divina, a Imaculada Conceição, a Virgindade Perpétua e a Assunção aos céus.

 

28/12/2020

É tempo de esperança

 


*É tempo de esperança, e eu vivo desse tesouro. Não é uma frase, Padre; é uma realidade", dizes-me. Então... o mundo inteiro, todos os valores humanos que te atraem com uma força enorme (amizade, arte, ciência, filosofia, teologia, desporto, natureza, cultura, almas...), tudo isso, deposita-o na esperança – na esperança de Cristo. (Sulco, 293)

 

*Vós sabeis por experiência pessoal – e têm-me ouvido repetir com frequência, para evitar desânimos – que a vida interior consiste em começar e recomeçar todos os dias; e notam no vosso coração, como eu noto no meu, que precisamos de lutar continuamente. Terão observado no vosso exame – a mim acontece-me o mesmo: desculpem que faça referências a mim próprio, mas enquanto falo convosco vou pensando com Nosso Senhor nas necessidades da minha alma – que sofrem repetidamente pequenos reveses, que às vezes parecem descomunais, porque revelam uma evidente falta de amor, de entrega, de espírito de sacrifício, de delicadeza. Fomentem as ânsias de reparação, com uma contrição sincera, mas não percam a paz. (Amigos de Deus, 13)

São José


                   CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE 


DO PAPA FRANCISCO

POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO DE SÃO JOSÉ COMO PADROEIRO UNIVERSAL DA IGREJA

 

4. Pai no acolhimento

 

José acolhe Maria, sem colocar condições prévias. Confia nas palavras do anjo. «A nobreza do seu coração fá-lo subordinar à caridade aquilo que aprendera com a lei; e hoje, neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher, José apresenta-se como figura de homem respeitoso, delicado que, mesmo não dispondo de todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria. E, na sua dúvida sobre o melhor a fazer, Deus ajudou-o a escolher iluminando o seu discernimento».[18]

 

Na nossa vida, muitas vezes sucedem coisas, cujo significado não entendemos. E a nossa primeira reação, frequentemente, é de desilusão e revolta. Diversamente, José deixa de lado os seus raciocínios para dar lugar ao que sucede e, por mais misterioso que possa aparecer a seus olhos, acolhe-o, assume a sua responsabilidade e reconcilia-se com a própria história. Se não nos reconciliarmos com a nossa história, não conseguiremos dar nem mais um passo, porque ficaremos sempre reféns das nossas expectativas e consequentes desilusões.

 

A vida espiritual que José nos mostra, não é um caminho que explica, mas um caminho que acolhe. Só a partir deste acolhimento, desta reconciliação, é possível intuir também uma história mais excelsa, um significado mais profundo. Parecem ecoar as palavras inflamadas de Job, quando, desafiado pela esposa a rebelar-se contra todo o mal que lhe está a acontecer, responde: «Se recebemos os bens da mão de Deus, não aceitaremos também os males?» (Job 2, 10).

 

José não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte. O acolhimento é um modo pelo qual se manifesta, na nossa vida, o dom da fortaleza que nos vem do Espírito Santo. Só o Senhor nos pode dar força para acolher a vida como ela é, aceitando até mesmo as suas contradições, imprevistos e desilusões.

 

A vinda de Jesus ao nosso meio é um dom do Pai, para que cada um se reconcilie com a carne da sua história, mesmo quando não a compreende totalmente.

 

O que Deus disse ao nosso Santo – «José, Filho de David, não temas…» (Mt 1, 20) –, parece repeti-lo a nós também: «Não tenhais medo!» É necessário deixar de lado a ira e a desilusão para – movidos não por qualquer resignação mundana, mas com uma fortaleza cheia de esperança – dar lugar àquilo que não escolhemos e, todavia, existe. Acolher a vida desta maneira introduz-nos num significado oculto. A vida de cada um de nós pode recomeçar miraculosamente, se encontrarmos a coragem de a viver segundo aquilo que nos indica o Evangelho. E não importa se tudo parece ter tomado já uma direção errada, e se algumas coisas já são irreversíveis. Deus pode fazer brotar flores no meio das rochas. E mesmo que o nosso coração nos censure de qualquer coisa, Ele «é maior que o nosso coração e conhece tudo» (1 Jo 3, 20).

 

Reaparece aqui o realismo cristão, que não deita fora nada do que existe. A realidade, na sua misteriosa persistência e complexidade, é portadora dum sentido da existência com as suas luzes e sombras. É isto que leva o apóstolo Paulo a dizer: «Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8, 28). E Santo Agostinho acrescenta: tudo, «incluindo aquilo que é chamado mal».[19] Nesta perspetiva global, a fé dá significado a todos os acontecimentos, sejam eles felizes ou tristes.

 

Assim, longe de nós pensar que crer signifique encontrar fáceis soluções consoladoras. Antes, pelo contrário, a fé que Cristo nos ensinou é a que vemos em São José, que não procura atalhos, mas enfrenta de olhos abertos aquilo que lhe acontece, assumindo pessoalmente a responsabilidade por isso.

 

O acolhimento de José convida-nos a receber os outros, sem exclusões, tal como são, reservando uma predileção especial pelos mais frágeis, porque Deus escolhe o que é frágil (cf. 1 Cor 1, 27), é «pai dos órfãos e defensor das viúvas» (Sal 68, 6) e manda amar o forasteiro.[20] Posso imaginar ter sido do procedimento de José que Jesus tirou inspiração para a parábola do filho pródigo e do pai misericordioso (cf. Lc 15, 11-32).

Francisco

 

Notas:

[18] Francisco, Homilia na Santa Missa com Beatificações (Villavicencio – Colômbia, 8 de setembro de 2017): AAS 109 (2017), 1061.

[19] «… etiam illud quod malum dicitur», in Enchiridion de fide, spe et caritate, 3.11: PL 40, 236.

[20] Cf. Deuteronómio 10, 19; Êxodo 22, 20-22; Lucas 10, 29-37.

 

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LEITURA ESPIRITUAL Dez 28

 

Evangelho

 

Mt XVI 21 – 28; XVII 1 – 13

 

Jesus prediz a Sua morte e ressurreição

 

21 Desde então começou Jesus a manifestar a Seus discípulos que devia ir a Jerusalém e padecer muitas coisas dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas, ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. 22 Tomando-O Pedro à parte, começou a repreendê-l'O, dizendo: «Deus tal não permita, Senhor; não Te sucederá isto». 23 Ele, voltando-Se para Pedro, disse-lhe: «Retira-te de Mim, Satanás! Tu serves-Me de escândalo, porque não tens a sabedoria das coisas de Deus, mas dos homens».

 

Necessidade da abnegação

 

24 Então, Jesus disse aos Seus discípulos: «Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. 25 Porque quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a sua vida por amor de Mim, acha-la-á. 26 Pois, que aproveitará a um homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma? Ou que dará um homem em troca da sua alma? 27 Porque o Filho do Homem há-de vir na glória de Seu Pai com os Seus anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras. 28 Em verdade vos digo que, entre aqueles que estão aqui presentes, há alguns que não morrerão antes que vejam vir o Filho do Homem com o Seu reino».

 

Transfiguração

 

1 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e levou-os, só a eles, a um alto monte. 2 Transfigurou-se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. 3 Nisto, apareceram Moisés e Elias a conversar com Ele. 4 Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Senhor, é bom estarmos aqui; se quiseres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» 5 Ainda ele estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma voz dizia da nuvem: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o.» 6 Ao ouvirem isto, os discípulos caíram com a face por terra, muito assustados. 7 Aproximando-se deles, Jesus tocou-lhes, dizendo: «Levantai-vos e não tenhais medo.» 8 Erguendo os olhos, os discípulos apenas viram Jesus e mais ninguém.

 

Elias há-de vir

 

9 Enquanto desciam do monte, Jesus ordenou-lhes: «Não conteis a ninguém o que acabastes de ver, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.» 10 Os discípulos fizeram a Jesus esta pergunta: «Então, porque é que os doutores da Lei dizem que Elias há-de vir primeiro?» 11 Ele respondeu: «Sim, Elias há-de vir e restabelecerá todas as coisas. 12 Eu, porém, digo-vos: Elias já veio, e não o reconheceram; trataram-no como quiseram. Também assim hão-de fazer sofrer o Filho do Homem.» 13 Então, os discípulos compreenderam que se referia a João Baptista.

 

 


Caridade (ou Amor):

 

  A Fé não surge por simples vontade ou desejo do homem.

A Fé depende de Deus que a concederá gratuitamente mas, de facto, para se manter, depende da vontade e desejo humanos, isto porque, como já vimos, Deus não impõe nada, antes respeita a liberdade pessoal do homem.

  Compreende-se que das três virtudes teologais, a Fé é fundamental para que existam as outras duas que são como que o complemento natural dela.

 A Esperança fundamenta-se na Fé, que lhe dá as razões pelas quais existe.

  A Caridade emana da Fé porque, ao acreditar em Deus o homem é conduzido naturalmente para a prática do Mandamento Novo.

  Sendo assim, a Caridade é a mais importante e o fundamento das virtudes.

 

  As virtudes humanas:

  São perfeições estáveis da inteligência e da vontade humanas.

Regulam os actos, ordenam as paixões guiando a conduta humana segundo a razão e a fé. Adquiridas e reforçadas por actos moralmente bons e repetidos, estas virtudes são penetradas pela graça divina que as purifica e eleva.

  Entre as virtudes humanas destacam-se as Virtudes Cardeais, que são consideradas as principais por serem os apoios à volta dos quais giram as demais virtudes humanas:

  Prudência

  Que dispõe a razão para discernir em todas as circunstâncias o verdadeiro bem e a escolher os justos meios para o atingir. Ela conduz a outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida;

 Justiça

  Que é uma constante e firme vontade de dar a Deus e aos outros o que lhes é devido;

  Fortaleza

  Que assegura a firmeza nas dificuldades e a constância na procura do bem;

  Temperança

  Que modera a atracção dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados.

  Podemos ainda considerar muitas outras virtudes que emanam das anteriores, por exemplo:

  Paciência; Fidelidade; Paz; Confiança; Constância; Generosidade; Obediência; Simplicidade; Mansidão; Humildade; Serenidade; Bom Humor; Amizade; Optimismo; Flexibilidade.

  Prudência

  Na Grécia, no frontispício do Oráculo do deus da harmonia, lê-se: “Conhece-te a ti mesmo”!

  Então, pode ter-se como condição “sine qua non” para se ser prudente, o conhecimento próprio. Aliás, se não me conhecer, não posso realmente fazer nada humanamente aceitável, quer dizer, como um acto humano racional.

  As nossas capacidades, virtudes, dons, características únicas, as várias facetas do carácter, têm de ser objecto do nosso conhecimentos pessoal quanto mais profundo e detalhado melhor.

Só este conhecimento nos permitirá agir com verdade seriedade, de forma justa e moderada, com fidelidade e paciência, merecer a confiança dos outros a ser constantes nas nossas acções.

  Esse entrar em nós mesmos – introspecção – com serena preocupação de nos conhecer, é uma tarefa à qual nos dedicaremos toda a nossa vida, desde a idade da razão até ao último momento.

  Porquê?

  Porque naturalmente, evoluímos com o tempo e vamos adquirindo novos contornos, esquinas, arestas que constantemente formatam o nosso carácter.

  Tal pode fazer-se sozinho, sem dúvida, e se se fizer de forma séria obtêm-se resultados; mas, em princípio, ninguém é bom juiz em causa própria, daí que recorrer ao auxílio de alguém em quem possamos confira, dotado de experiência e são critério, é uma excelente medida para levar a cabo essa necessidade.

  A nossa formação pessoal – contínua e permanente – tem muito a ganhar com esta opção na medida em que sendo absolutamente sinceros com quem nos escuta podemos chegar a conclusões que talvez nos escapassem se o fizéssemos sozinhos.

  O nosso – chamemos-lhe assim – director espiritual, está numa posição privilegiada para avaliar o nosso comportamento e sugerir a forma, se for caso disso, de corrigir o que não estiver bem e, também, incentivar evoluções positivas no nosso carácter que nos conduzam a um melhor aproveitamento das nossas qualidades e outras características para nosso próprio bem e dos outros.

Ao contrário do que alguém possa pensar, o director espiritual não está tão empenhado em apontar-nos o que está mal como ajudar-nos a descobrir co que e como devemos fazer para melhorar a prática do bem.

Ou seja, não tem um papel crítico mas de uma acção construtiva e benévola. (…) 

 

 

 

 

 

 

Pequena agenda do cristão

 

 SeGUNDa-Feira



Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?