16/12/2020

Filosofia e Religião

         A pergunta pela Filosofia


De modo algum se pode chamar filósofo a quem não sabe filosofar. O filosofar só se deixa aprender, porém, através do exercício e do emprego próprio da razão.
[1]

Efectivamente, a Filosofia não é apenas uma entidade imediata. A Filosofia é, fundamentalmente, uma mediação, um filosofar, um pensar.

 

José Barata-Moura, Brotéria, Julho 1973



[1] Kant, Logik.

LEITURA ESPIRITUAL Dez 16

 

Evangelho

 

Mt XI, 1 – 19

 

João Baptista envia discípulos a Jesus

 

1 Quando Jesus acabou de dar estas instruções aos doze discípulos, partiu dali, a fim de ir ensinar e pregar nas suas cidades. 2 Ora João, que estava no cárcere, tendo ouvido falar das obras de Cristo, enviou-lhe os seus discípulos 3 com esta pergunta: «És Tu aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?» 4 Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: 5 Os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa-Nova é anunciada aos pobres. 6 E bem-aventurado aquele que não encontra em mim ocasião de escândalo.»

 

Elogio do Precursor

 

7 Depois de eles terem partido, Jesus começou a falar às multidões a respeito de João: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? 8 Então que fostes ver? Um homem vestido de roupas luxuosas? Mas aqueles que usam roupas luxuosas encontram-se nos palácios dos reis. 9 Que fostes, então, ver? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais que um profeta. 10 É aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro diante de ti, para te preparar o caminho. 11 Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista; e, no entanto, o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele. 12 Desde o tempo de João Baptista até agora, o Reino do Céu tem sido objecto de violência e os violentos apoderam-se dele à força. 13 Porque todos os Profetas e a Lei anunciaram isto até João. 14 E, quer acrediteis ou não, ele é o Elias que estava para vir. 15 Quem tem ouvidos, oiça!»

 

Incredulidade dos judeus

 

16 «Com quem poderei comparar esta geração? É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, 17 dizendo: ‘Tocámos flauta para vós e não dançastes; entoámos lamentações e não batestes no peito!’ 18 Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: ‘Está possesso!’ 19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!’ Mas a sabedoria foi justificada pelas suas próprias obras.»




 

JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

 

Iniciação à Cristologia

 

Capítulo V

 

CRISTO ENQUANTO HOMEM CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE

 

 

4. A auto-consciência de Cristo

 

b) A auto-consciência e o «Eu» de Cristo

 

    A auto-consciência de Cristo. Jesus na sua consciência humana tinha um claro e verdadeiro conhecimento de si, sabia quem era: o Filho de Deus que veio a este mundo e se fez homem para nos salvar[1]. Os Evangelhos mostram-nos sempre que, essa auto-consciência, era rectilínea e clara desde as suas primeiras palavras quando tinha doze anos: «Porque me procuráveis? Não sabeis que eu devia estar em casa de meu Pai?» (Lc 2,49). Neste ponto também poderíamos trazer à colação os textos da escritura que já vimos nos quais Jesus expressa a consciência da sua identidade quando se designa como Filho de Deus, ou afirma a sua pré-existência ao mundo, ou diz que é igual ao Pai, etc.

 

    A unidade psicológica de Cristo: o único «Eu» de Cristo. Se nos fixamos na palavra «eu» nos lábios de Jesus (palavra que expressa a sua auto-consciência, comprovaremos que nos Evangelhos nunca aparece um eu humano de Jesus e outro eu do Filho de Deus: nunca se sente e se mostra como um homem diferente do Filho de Deus. Pelo contrário, na Escrituras aparece um único Eu que expressa a sua unidade psicológica, que deriva da unidade ontológica da sua pessoa: Ele é e sabe-se um só sujeito, o Filho de Deus feito homem. P. ex.: «Agora, Pai, glorifica-me ao teu lado (na minha humanidade), com a glória que eu tinha junto de ti (como Filho eterno de Deus) antes que o mundo existisse» (Jo 17,5).

    Assim é muito significativa a expressão «Eu sou» utilizada por Jesus, que recorda a resposta dada por Deus a Moisés: «Eu sou o que sou (…) assim responderás aos filhos de Israel: Eu sou vos manda» (Ex 3,14). Por exemplo: «Se não acreditardes que Eu sou, morrereis nos vossos pecados» (Jo 8,24); e também: «Quando levantardes ao alto o Filho do homem, então conhecereis que Eu sou» (Jo 8,28), onde Cristo fala da sua «elevação» mediante a cruz e a sucessiva Ressurreição: então se manifestará claramente ante todos os homens quem é, que é deus.

 

    Ora bem, no intento de explicar «como» se podia formar essa auto-consciência n’Ele, a opinião mais provável para os teólogos é que Jesus se sabia não só homem mas também ao mesmo tempo Filho de Deus mediante o conhecimento de visão beatífica, pela qual o seu intelecto humano gozava de um imediato conhecimento do Verbo.

 

Vicente Ferrer Barriendos

 

(Tradução do castelhano por ama)

 

 



[1] COMISIÓN TEOLÓGICA INTERNACIONAL, La conciencia que Jesus tenia de si mismo y de su misión, em Documentos 1969-1996, BAC 587, p. 382-384.

Reflexão

 



Santidade

 

Se dissesse santo como santificador e não necessitado de ninguém que me santificasse, seria soberbo e mentiroso. Mas, se entendo por santo o santificado, segundo aquilo que se lê no Levítico: “sede santos, porque Eu, Deus, sou santo”, então também o corpo de Cristo, até ao último homem situado nos confins da Terra, poderá dizer ousadamente, unido à Sua Cabeça e a ela subordinado: sou santo.

 

(Santo Agostinho)

Pequena agenda do cristão

 


Quarta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Não queiras ser grande. – Criança, criança sempre

 


*Não queiras ser grande. – Criança, criança sempre, ainda que morras de velho. – Quando um menino tropeça e cai, ninguém estranha...; seu pai apressa-se a levantá-lo. Quando quem tropeça e cai é adulto, o primeiro movimento é de riso. – Às vezes, passado esse primeiro ímpeto, o ridículo cede o lugar à piedade. – Mas os adultos têm de se levantar sozinhos. A tua triste experiência quotidiana está cheia de tropeços e de quedas. Que seria de ti se não fosses cada vez mais pequeno? Não queiras ser grande, mas menino. Para que, quando tropeçares, te levante a mão de teu Pai-Deus. (Caminho, 870)

 

*A piedade que nasce da filiação divina é uma atitude profunda da alma, que acaba por informar toda a existência: está presente em todos os pensamentos, em todos os desejos, em todos os afectos. Não tendes visto como, nas famílias, os filhos, mesmo sem repararem, imitam os pais: repetem os seus gestos, seguem os seus costumes, se parecem com eles em tantos modos de comportar-se?

Pois o mesmo acontece na conduta de um bom filho de Deus. Chega-se também, sem se saber como nem por que caminho, a esse endeusamento maravilhoso que nos ajuda a olhar os acontecimentos com o relevo sobrenatural da fé; amam-se todos os homens como o nosso Pai do Céu os ama e – isto é o que mais importa – consegue-se um brio novo no esforço quotidiano para nos aproximarmos do Senhor. As misérias não têm importância, insisto, porque aí estão ao nosso lado os braços amorosos do nosso Pai Deus para nos levantar. (Amigos de Deus, 146)

 

15/12/2020

Perguntas e respostas

HOMOSSEXUALIDADE

C. PREGUNTAS FREQUENTES

3. A homossexualidade é um defeito?

 

A homossexualidade é uma inclinação oposta ao natural na sexualidade humana, portanto, defeituosa. Qualquer pessoa possui qualidades e defeitos variados, de modo que ter falhas é normal; mas os defeitos são defeitos, não habilidades.

LEITURA ESPIRITUAL Dez 15

         Evangelho

 

Mt X, 16 – 42

 

Oposição prevista

 

16 «Envio-vos como ovelhas para o meio dos lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17 Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas suas sinagogas; 18 sereis levados perante governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e dos pagãos. 19 Mas, quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer. 20 Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós. 21 O irmão entregará o seu irmão à morte, e o pai, o seu filho; os filhos hão-de erguer-se contra os pais e hão-de causar-lhes a morte. 22 E vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo. 23 Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo: Não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes de vir o Filho do Homem.» 24 «O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do senhor. 25 Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo ser como o senhor. Se ao dono da casa chamaram Belzebu, o que não chamarão eles aos familiares!

 

Falar sem medo

 

26 Não os temais, portanto, pois não há nada encoberto que não venha a ser conhecido. 27 O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços. 28 Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode fazer perecer na Geena o corpo e a alma. 29 Não se vendem dois pássaros por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai! 30 Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados! 31 Não temais, pois valeis mais do que muitos pássaros.» 32 «Todo aquele que se declarar por mim, diante dos homens, também me declararei por ele diante do meu Pai que está no Céu. 33 Mas aquele que me negar diante dos homens, também o hei-de negar diante do meu Pai que está no Céu. 34 Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. 35 Porque vim separar o filho do seu pai, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra; 36 de tal modo que os inimigos do homem serão os seus familiares. 37 Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38 Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. 39 Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua vida por causa de mim, há-de salvá-la.» 40 «Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41 Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá recompensa de profeta; e quem recebe um justo, por ele ser justo, receberá recompensa de justo. 42 E quem der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa.»

 



JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

 

Iniciação à Cristologia

 

Capítulo V

 

CRISTO ENQUANTO HOMEM CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE

 

4. A auto-consciência de Cristo

 

a) A auto-consciência de Cristo segundo algumas teorias subjectivistas recentes.

 

    A partir do século XX a cristologia mostrou um especial interesse pela consciência que Jesus tinha de si mesmo: se se sabia Filho de Deus e Messias. Sem dúvida, esta tendência está relacionada com a evolução do pensamento filosófico moderno para com a subjectividade, que reduz a realidade pessoal de Cristo á sua auto-consciência.

    Esta concepção leva não só a pôr em Cristo um centro de consciência humano diferente do Verbo, como a imaginar que essa consciência se reduz aos fenómenos psíquicos humanos. Então, como poderia Jesus chegar a conhecer a sua identidade de Filho de Deus?

    Alguns autores respondem negando que Jesus tivesse consciência da sua divindade. E outros sustentam que Jesus, des uma ignorância inicial pela qual se considerava como um simples galileu, iria pouco a pouco tomando consciência de ser o Filho de Deus e o Salvador do mundo (processo que não explicam satisfatoriamente). De qualquer forma, esta consciência de Jesus nunca chegaria a ser clara, nem sequer no final da sua vida na cruz, onde o vêm cheio de dúvidas e de perplexa obscuridade sobre o sentido da sua vida e da sua morte.

    Apesar de que nada proíba que se façam indagações mais profundas acerca da humanidade de Cristo com métodos psicológicos, estas teorias afastam-se da verdade pois levam a cabo uma transposição unívoca da nossa psicologia para Cristo, o que não é legítimo pois Ele não é um simples homem, mas Deus e homem, que, além do mais, na sua humanidade possuía a visão de Deus. Deste modo, contradizem o que nos diz a fé sobre a plenitude do conhecimento de Cristo, no qual não cabe a ignorância, e chocam com o ensinamento da Escritura sobre a consciência de Jesus acerca da sua divindade.

 

(Tradução do castelhano por ama)

 

 

 

Reflexão

 


Caminho para Deus

 

Foi a ponderação das coisas no coração o que fez com que, ao compasso do tempo, a Virgem Maria fosse crescendo na Compreensão do mistério, em santidade, em união com Deus. Nossa Senhora, contrariamente à impressão habitual que existe entre nós, não encontrou tudo feito no seu caminho para Deus, pois foram-Lhe exigidos esforços e foi submetida a provas que ninguém nascido de mulher - excepto o seu Filho - teria podido atravessar.

 

(F. Suarez, La Virgen Nuestra Señora, nr. 198-199)

Pequena agenda do cristão

 





TeRÇa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

Salmo II

Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient. 
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

Exame Pessoal

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.

Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

Noverim me

Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.
   
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.
Faz-me santo, meu Deus, ainda que seja à força.

Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus)




Doutrina





Culto das imagens: católicos e protestantes

Antes de começar a definir os tipos de cultos existentes na Igreja Católica e esclarecidos ante todo o exposto anteriormente torna-se necessário concretizar o seguinte: Os cristãos de todas as denominações adoram somente em Espírito e Verdade a Deus Todo-Poderoso, Ele é o verdadeiro Deus, Ele não aceita nenhum tipo de concorrência, já que Ele é único e muito ciumento, perante isto devemos ter claro para que não haja titubeios nem nenhum tipo de dúvidas. Ora bem, nós os católicos, somos uma denominação cristã e adoramos da mesma maneira O Único Deus verdadeiro, para nós é um Deus Trino, que é Deus Pai criador do Universo, Deus Filho Redentor e Salvador do mundo e Deus Espírito Santo que é o amor que brota do Pai e do Filho, porem outras palavras a Santa Trindade.

 

O CULTO DE ADORAÇÂO OU LATRIA

 

Está reservado única e exclusivamente a Deus Trino, quer dizer, a Deus Padre, a Deus Filho e a Deus Espírito Santo, três Pessoas e um só Deus, isto inclui a Hóstia Consagrada que é o próprio Cristo com todo seu Corpo, Sangre, Alma e Divindade, sob as espécies do pão e do vinho, mistério grande, que conhecemos também como o Dogma de a Transubstanciação.

 

Este Culto de Adoração o Latria inclui reconhecer a Deus como Único Deus, como Único Salvador, como Único Redentor na pessoa do seu Filho Cristo Jesus, como o Único que é Infinito, como o Único que é Perfeito, como o Único que é Caminho, Verdade e Vida, como o Único que é o Alfa e Omega, ou seja, Principio e Fim de tudo, como o Único que é Omnisciente  como o más grande que ha sido, é e será, como o Único Omnipresente, como a Única fonte de amor, de paz e de bondade, como o Único a que lhe devemos amor por cima de tudo, como o Único que se entrego voluntariamente na Cruz por ti e por mim, como o Único que merece submissão absoluta e total de pensamento, palavra e obra, como o Único em o que tudo tem a sua origem e sem o qual não há nada, de onde vimos e a Quem regressaremos. Portanto todo aquele que renda Culto de Adoração a qualquer que não seja este Deus, está caindo na idolatria.

 

14/12/2020

São José


 CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE 



DO PAPA FRANCISCO

POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO DE SÃO JOSÉ COMO PADROEIRO UNIVERSAL DA IGREJA

Com coração de pai: assim José amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como «o filho de José».[1]

 

Os dois evangelistas que puseram em relevo a sua figura, Mateus e Lucas, narram pouco, mas o suficiente para fazer compreender o género de pai que era e a missão que a Providência lhe confiou.

 

Sabemos que era um humilde carpinteiro (cf. Mt 13, 55), desposado com Maria (cf. Mt 1, 18; Lc 1, 27); um «homem justo» (Mt 1, 19), sempre pronto a cumprir a vontade de Deus manifestada na sua Lei (cf. Lc 2, 22.27.39) e através de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Depois duma viagem longa e cansativa de Nazaré a Belém, viu o Messias nascer num estábulo, «por não haver lugar para eles» (Lc 2, 7) noutro sítio. Foi testemunha da adoração dos pastores (cf. Lc 2, 8-20) e dos Magos (cf. Mt 2, 1-12), que representavam respetivamente o povo de Israel e os povos pagãos.

 

Teve a coragem de assumir a paternidade legal de Jesus, a quem deu o nome revelado pelo anjo: dar-Lhe-ás «o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mt 1, 21). Entre os povos antigos, como se sabe, dar o nome a uma pessoa ou a uma coisa significava conseguir um título de pertença, como fez Adão na narração do Génesis (cf. 2, 19-20).

 

No Templo, quarenta dias depois do nascimento, José – juntamente com a mãe – ofereceu o Menino ao Senhor e ouviu, surpreendido, a profecia que Simeão fez a respeito de Jesus e Maria (cf. Lc 2, 22-35). Para defender Jesus de Herodes, residiu como forasteiro no Egito (cf. Mt 2, 13-18). Regressado à pátria, viveu no recôndito da pequena e ignorada cidade de Nazaré, na Galileia – donde (dizia-se) «não sairá nenhum profeta» (Jo 7, 52), nem «poderá vir alguma coisa boa» (Jo 1, 46) –, longe de Belém, a sua cidade natal, e de Jerusalém, onde se erguia o Templo. Foi precisamente durante uma peregrinação a Jerusalém que perderam Jesus (tinha ele doze anos) e José e Maria, angustiados, andaram à sua procura, acabando por encontrá-Lo três dias mais tarde no Templo discutindo com os doutores da Lei (cf. Lc 2, 41-50).

 

Depois de Maria, a Mãe de Deus, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como José, seu esposo. Os meus antecessores aprofundaram a mensagem contida nos poucos dados transmitidos pelos Evangelhos para realçar ainda mais o seu papel central na história da salvação: o Beato Pio IX declarou-o «Padroeiro da Igreja Católica»,[2] o Venerável Pio XII apresentou-o como «Padroeiro dos operários»;[3] e São João Paulo II, como «Guardião do Redentor».[4] O povo invoca-o como «padroeiro da boa morte».[5]

 

Assim ao completarem-se 150 anos da sua declaração como Padroeiro da Igreja Católica, feita pelo Beato Pio IX a 8 de dezembro de 1870, gostaria de deixar «a boca – como diz Jesus – falar da abundância do coração» (Mt 12, 34), para partilhar convosco algumas reflexões pessoais sobre esta figura extraordinária, tão próxima da condição humana de cada um de nós. Tal desejo foi crescendo ao longo destes meses de pandemia em que pudemos experimentar, no meio da crise que nos afeta, que «as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiras e enfermeiros, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. (…) Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos».[6] Todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade. São José lembra-nos que todos aqueles que estão, aparentemente, escondidos ou em segundo plano, têm um protagonismo sem paralelo na história da salvação. A todos eles, dirijo uma palavra de reconhecimento e gratidão.

 

Francisco

 

Notas:

[1] Lucas 4, 22; João 6, 42; cf. Mateus 13, 55; Marcos 6, 3.

[2] Sacra Congr. dos Ritos, Quemadmodum Deus (8 de dezembro de 1870): ASS 6 (1870-71), 194.

[3] Cf. Discurso às Associações Cristãs dos Trabalhadores Italianos (ACLI) por ocasião da Solenidade de São José Operário (1 de maio de 1955): AAS 47 (1955), 406.

[4] Cf. Exort. ap. Redemptoris custos (15 de agosto de 1989): AAS 82 (1990), 5-34.

[5] Catecismo da Igreja Católica, 1014.

[6] Francisco, Meditação em tempo de pandemia (27 de março de 2020): L’Osservatore Romano (29/III/2020), 10.

[7] Homiliæ in Matthæum, V, 3: PG 57, 58.

 

 

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