18/11/2020

Novíssimos

 



JUÍZO FINAL

 

Contemplar o mistério

 

"Conheço algumas e alguns que não têm sequer força para pedir socorro", dizes-me desgostoso e cheio de pena. Não passes por eles de largo; a tua vontade de te salvares e de os salvares pode ser o ponto de partida da sua conversão. Além disso, se reconsiderares, notarás que a ti também te estenderam a mão. 

 

Adoro-te aumenta-me a fé

 


Quando o receberes, diz-lhe: – Senhor, espero em Ti; adoro-te, amo-te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas. (Forja, 832)

 

Assistindo à Santa Missa, aprenderemos a falar, a privar com cada uma das Pessoas divinas: com o Pai, que gera o Filho, que é gerado pelo Pai; e com o Espírito Santo, que procede dos dois. Habituando-nos a privar intimamente com qualquer uma das três Pessoas, privaremos com um único Deus. E se falarmos com as três, com a Trindade, privaremos também com um só Deus, único e verdadeiro. Amai a Santa Missa, meus filhos, amai a Santa Missa! E que cada um de vós comungue com ardor, mesmo que se sinta gelado, mesmo que não haja correspondência por parte da emotividade. Comungai com fé, com esperança e com caridade inflamada.

Não ama Cristo quem não ama a Santa Missa e quem não se esforça no sentido de a viver com serenidade e sossego, com devoção e com carinho. 0 amor transforma aqueles que estão apaixonados em pessoas de sensibilidade fina e delicada. Leva-os a descobrir, para que se não esqueçam de os pôr em prática, pormenores que são por vezes mínimos, mas que trazem a marca de um coração apaixonado. É assim que devemos assistir à Santa Missa. Por este motivo, sempre pensei que aqueles que querem ouvir uma missa rápida e atabalhoada demonstram com essa atitude, já de si pouco elegante, que não conseguiram aperceber-se do significado do Sacrifício do altar.

O amor a Cristo, que se oferece por nós, anima-nos a saber encontrar, uma vez terminada a Santa Missa, alguns minutos de acção de graças pessoal e íntima, que prolonguem no silêncio do coração essa outra acção de graças que é a Eucaristia. (Cristo que passa, 91–92) expulsá-lo. (Amigos de Deus, 187-188)

Leitura espiritual 18 Novembro

 


Evangelho

 

Jo XIII, 1-17

 

Jesus lava os pés aos Seus discípulos

 

1 Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo. 2 O diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a decisão de o entregar. 3 Enquanto celebravam a ceia, Jesus, sabendo perfeitamente que o Pai tudo lhe pusera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, 4 levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. 5 Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura. 6 Chegou, pois, a Simão Pedro. Este disse-lhe: «Senhor, Tu é que me lavas os pés?» 7 Jesus respondeu-lhe: «O que Eu estou a fazer tu não o entendes por agora, mas hás-de compreendê-lo depois.» 8 Disse-lhe Pedro: «Não! Tu nunca me hás-de lavar os pés!» Replicou-lhe Jesus: «Se Eu não te lavar, nada terás a haver comigo.» 9 Disse-lhe, então, Simão Pedro: «Ó Senhor! Não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!» 10 Respondeu-lhe Jesus: «Quem tomou banho não precisa de lavar senão os pés, pois está todo limpo. E vós estais limpos, mas não todos.» 11 Ele bem sabia quem o ia entregar; por isso é que lhe disse: ‘Nem todos estais limpos’. 12 Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: 13 «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou. 14 Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15 Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também. 16 Em verdade, em verdade vos digo, não é o servo mais do que o seu Senhor, nem o enviado mais do que aquele que o envia. 17 Uma vez que sabeis isto, sereis felizes se o puserdes em prática.

 


Amar a Igreja

 

21

        

É a fé que os cristãos sempre confessaram.

Ouçam comigo estas palavras de Santo Agostinho: “e desde então Cristo está formado pela cabeça e pelo corpo”, verdade que, não duvido, conheceis bem.

A cabeça é o nosso próprio Salvador, que padeceu sob Pôncio Pilatos e agora, depois de ressuscitar de entre os mortos, está sentado à direita do Pai.

E o Seu corpo é a Igreja.

Não esta ou aquela igreja, mas a que se encontra espalhada por todo o mundo.

Nem sequer é apenas a que existe entre os homens actuais, uma vez que a ela pertencem também os que viveram antes de nós e os que hão-de existir depois, até ao fim do mundo.

Assim, toda a Igreja, formada pela reunião dos fiéis - e porque todos os fiéis são membros de Cristo-, possui Cristo como Cabeça, que governa do Céu o Seu corpo.

E, embora esta Cabeça se encontre fora da vista do corpo, está unida pelo amor.

 

 

22

        

Agora compreendem porque não se pode separar a Igreja visível da Igreja invisível.

A Igreja é, simultaneamente, corpo místico e corpo jurídico.

Pelo próprio facto de ser corpo, a Igreja distingue-se com os olhos, ensinou Leão XIII.

No corpo visível da Igreja - no comportamento dos homens que dela fazemos parte aqui na terra - aparecem misérias, vacilações, traições.

Mas a Igreja não se esgota aí, nem se confunde com essas condutas erradas: pelo contrário, não faltam, aqui e agora, generosidades, afirmações heróicas, vidas de santidade que não fazem barulho, que se consomem com alegria no serviço dos irmãos na fé e de todas as almas.

 

Considerem também que, se as claudicações superassem numericamente as atitudes corajosas ficaria ainda essa realidade mística - clara, inegável, embora a não percebamos com os sentidos - que é o Corpo de Cristo, o próprio Senhor Nosso, a acção do Espírito Santo, a presença amorosa do Pai.

 

A Igreja é, por conseguinte, inseparavelmente humana e divina. É sociedade divina pela sua origem, sobrenatural pelo seu fim e pelos meios que se ordenam proximamente a esse fim; mas, na medida em que se compõe de homens, é uma comunidade humana.

Vive e actua no mundo, mas o seu fim e a sua força não estão na terra, mas no Céu.

 

Enganar-se-iam gravemente aqueles que procurassem separar uma Igreja carismática - que seria a verdadeiramente fundada por Cristo-, doutra jurídica ou institucional, que seria obra dos homens e simples efeito de contingências históricas.

Só há uma Igreja.

Cristo fundou uma única Igreja: visível e invisível, com um corpo hierárquico e organizado, com uma estrutura fundamental de direito divino e uma íntima vida sobrenatural que a anima, sustenta e vivifica.

 

E não é possível deixar de recordar que Nosso Senhor, ao instituir a Sua Igreja, não a concebeu nem formou de modo a compreender uma pluralidade de comunidades semelhantes no seu género, embora diferentes, e não ligadas por aqueles vínculos que tornam a Igreja indivisível e única...

Por isso, quando Jesus fala deste místico edifício, refere-se apenas a uma Igreja a que chama Sua: «edificarei a Minha Igreja» (Mat. XVI, 18). Qualquer outra que se imagine fora desta, em virtude de não ter sido fundada por Ele, não pode ser a Sua verdadeira Igreja.

 

Fé, repito; aumentemos a nossa Fé; pedindo-a à Santíssima Trindade, cuja festa hoje celebramos.

Poderá acontecer tudo, excepto que o Deus três vezes Santo abandone a Sua Esposa.

 

23

 

O fim da Igreja

 

São Paulo, no primeiro capítulo da Epístola aos Efésios, afirma que “o mistério de Deus, anunciado por Cristo, se realiza na Igreja. Deus Pai pôs debaixo dos pés de Cristo todas as coisas, e constituiu-O cabeça de toda a Igreja, que é o Seu corpo e o complemento d'Aquele que cumpre tudo em todos. O mistério de Deus é, uma vez chegada a plenitude dos tempos, restaurar em Cristo todas as coisas, assim as que há no céu, como as que há na terra. Um mistério insondável, de pura gratuitidade de amor: porque Ele mesmo nos escolheu antes da criação do mundo, por amor, para sermos santos e imaculados diante d'Ele”.

 

O amor de Deus não tem limites: o próprio São Paulo anuncia que “o Nosso Salvador quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”.

 

Este, e não outro, é o fim da Igreja: a salvação das almas, uma a uma.

 

«Para isso o Pai enviou o Filho, e Eu envio-vos também a vós.

Daí o mandato de dar a conhecer a doutrina e de baptizar, para que, pela graça, a Santíssima Trindade habite na alma: foi-Me dado todo o poder no Céu e na terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei; e eis que Eu estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos

 

São as palavras simples e sublimes do final do Evangelho de São Mateus.

 

Aí se assinala a obrigação de pregar as verdades de fé, a urgência da vida sacramental, a promessa da contínua assistência de Cristo à Sua Igreja.

Não se é fiel a Nosso Senhor se se passa por cima destas realidades sobrenaturais: a instrução na fé e na moral cristãs, a prática dos sacramentos.

 

Com este mandato Cristo funda a Sua Igreja.

 

Tudo o resto é secundário.

 

 

24

 

Na Igreja está a nossa salvação

 

Não podemos esquecer que a Igreja é muito mais do que um caminho de salvação: é o único caminho.

 

Ora isto não foi inventado pelos homens, mas foi Cristo quem assim dispôs: «o que crer e for baptizado, será salvo; o que, porém, não crer, será condenado

 

 

Por isso se afirma que a Igreja é necessária, com necessidade de meio, para nos salvarmos.

 

Já no século II Orígenes escrevia: “se alguém quer salvar-se, venha a esta casa, para que possa consegui-lo... que ninguém se engane a si mesmo: fora desta casa, isto é, fora da Igreja, ninguém se salva.”

 

E São Cipriano: ”Se alguém tivesse escapado (do dilúvio) fora da arca de Noé, então poderíamos admitir que quem abandona a Igreja pode escapar da condenação.

 

Extra Ecclesiam, nulla salus.

 

Admite Santo Agostinho: ”fora da Igreja católica pode encontrar-se tudo - - menos a salvação. Pode ter-se honra, pode haver Sacramentos, pode cantar-se o "aleluia", pode responder-se "ámen", pode defender-se o Evangelho, pode ter-se fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo e, inclusivamente, até pregá-la. Mas nunca, se não for na Igreja católica, pode encontrar-se a salvação.” É o aviso contínuo dos Padres

 

No entanto, como se lamentava São Pio XII há pouco mais de vinte anos, “alguns reduzem a uma fórmula vã a necessidade de pertencer à Igreja verdadeira para alcançar a salvação eterna”.

 

Este dogma de fé integra a base da actividade corredentora da Igreja, é o fundamento da grave responsabilidade apostólica dos cristãos. Entre os mandatos expressos de Cristo determina-se categoricamente o de nos incorporarmos no Seu Corpo Místico pelo Baptismo.

 

E o nosso Salvador não só promulgou o mandamento de que todos entrassem na Igreja, mas estabeleceu também que a Igreja fosse meio de salvação, sem a qual ninguém pode chegar ao reino da glória celestial.

 

É de fé que quem não pertence à Igreja não se salva; e que quem se não baptiza não ingressa na Igreja.

 

A justificação, depois da promulgação do Evangelho, não pode verificar-se sem o lavacro da regeneração ou o seu desejo”, estabelece o Concilio de Trento.

 

 

Pequena agenda do cristão

 


Quarta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Reflexão

 


Ser cristão

 

O cristão, como a criança pequena, não se ira se é insultado (…), não se vinga se é maltratado.

 

Mais ainda: o Senhor exige-Lhe que ore pelos seus inimigos, que deixe a túnica e o manto aos que lhos levam, que apresente a outra face a quem o esbofeteia.

 

(São Máximo de Turim, Homília, 58)

Virtudes

 


Caridade 1

Crer no amor de Deus

Temos fé por dom de Deus e por ela sabemos que Deus é amor e que esse amor se manifestou ao máximo no amor de Jesus, que morreu por cada um de nós, entrega-Se-nos na Eucaristia e acompanha-nos, em todo momento, como amigo e irmão. Por isso, verdadeiramente, podemos dizer com São Josemaria essas três palavras que condensam um pensamento de São Paulo: omnia in bonum! (cf. Rm 8,28), pois queremos amar a Deus e para os que O amam todas as coisas cooperam de algum modo para o bem, ainda que nem sempre o entendamos. Crer no amor de Deus é tão fundamental que São João resume assim a experiência dos Apóstolos no trato com Jesus Cristo: «nós conhecemos e acreditamos no amor que Deus nos tem» (1 Jo 4, 16). A fé cristã é, portanto, fé no Amor pleno, no seu poder eficaz, na sua capacidade de transformar o mundo e iluminar o tempo(Francisco, Lumen Fidei, 15). O rosto desse Amor manifesta-se-nos em Jesus Cristo, na Sua entrega por nós, para a nossa salvação. O Papa Francisco, falando de São Pedro, comenta que, talvez, a maior tentação do demónio era insinuar nele a ideia de não se considerar digno de ser amigo de Jesus Cristo, porque o tinha traído. Mas o Senhor é fiel. A amizade possui essa graça: um amigo que é mais fiel pode, com a sua fidelidade, fazer fiel o outro, que talvez não o seja tanto. E se se trata de Jesus, Ele tem, mais do que ninguém, o poder de fazer fiéis os seus amigos(Francisco, Discurso, 2-III-2017).

Nada move tanto a amar como o saber-se amado por esse Deus que nos quer fazer entrar na corrente trinitária do seu Amor.

São Josemaria unia essa segurança do amor divino com o profundo sentido da filiação divina: que confiança, que descanso e que otimismo vos dará, no meio das dificuldades, sentir-vos filhos de um Pai, que tudo sabe e que tudo pode (São Josemaria, Carta 9-I-1959, 60). No entanto, acreditando nisto, tantas vezes ficamos nervosos, inquietamo-nos diante das dificuldades, diante das nossas falhas e limitações, diante das contrariedades, diante das incompreensões. Isto é humanamente lógico, mas é sinal de que ainda não acreditamos plenamente que, em todo momento, Deus nos acompanha com um amor infinito, que sabe tudo e que tudo pode: Ele é interior intimo meo (Santo Agostinho, Confissões, III, 6), mais íntimo a mim do que eu próprio. Viver da fé: essas palavras que foram depois tantas vezes tema de meditação para o apóstolo Paulo, vêm-se realizadas amplamente em São José. O seu cumprimento da vontade de Deus não é rotineiro nem formalista, mas espontâneo e profundo. A lei que todo o judeu praticante vivia não foi para ele um simples código nem uma recompilação fria de preceitos, mas expressão da vontade de Deus vivo. Por isso soube reconhecer a voz do Senhor quando se lhe manifestou inesperada, surpreendente (Cristo que passa, 41). Se nos inquietamos demasiado, significa que, no fundo, a segurança e a paz – que todos naturalmente desejamos – a pomos de facto, em certa medida, ainda em nós próprios: em que as coisas nos corram bem, em que a saúde seja boa, no trabalho que nos convém, no apreço dos outros... mesmo no apostolado. E Jesus Cristo? Ainda temos esse pecado de que só o Espírito Santo nos pode, primeiro, ‘convencer’ (arguir), e depois curar mediante a perfeição da caridade: assim acreditaremos plenamente no amor do Senhor.

Santo Agostinho comenta as palavras do Senhor no evangelho de São João afirmando que Deus porá em nós o amor de que necessitamos: [Jesus] disse: Ele [o Espírito Santo] arguirá o mundo”, como se dissesse: Ele derramará a caridade em vossos corações (Santo Agostínho, In Ioannis Evangelium tractatus, 95, 1). A plenitude da caridade é a santidade, a que apenas chegaremos no Céu. Com a graça do Espírito Santo e a nossa generosa correspondência, já nesta vida podemos crescer cada vez mais na fé que age mediante a caridade. Para este crescimento, é preciso ancorar toda a nossa segurança no amor de Deus.

17/11/2020

LEITURA ESPIRITUAL Dez 15

 

Evangelho

 

Mt X, 16 – 42

 

Oposição prevista

 

16 «Envio-vos como ovelhas para o meio dos lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17 Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas suas sinagogas; 18 sereis levados perante governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e dos pagãos. 19 Mas, quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer. 20 Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós. 21 O irmão entregará o seu irmão à morte, e o pai, o seu filho; os filhos hão-de erguer-se contra os pais e hão-de causar-lhes a morte. 22 E vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo. 23 Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo: Não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes de vir o Filho do Homem.» 24 «O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do senhor. 25 Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo ser como o senhor. Se ao dono da casa chamaram Belzebu, o que não chamarão eles aos familiares!

 

Falar sem medo

 

26 Não os temais, portanto, pois não há nada encoberto que não venha a ser conhecido. 27 O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços. 28 Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode fazer perecer na Geena o corpo e a alma. 29 Não se vendem dois pássaros por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai! 30 Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados! 31 Não temais, pois valeis mais do que muitos pássaros.» 32 «Todo aquele que se declarar por mim, diante dos homens, também me declararei por ele diante do meu Pai que está no Céu. 33 Mas aquele que me negar diante dos homens, também o hei-de negar diante do meu Pai que está no Céu. 34 Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. 35 Porque vim separar o filho do seu pai, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra; 36 de tal modo que os inimigos do homem serão os seus familiares. 37 Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38 Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. 39 Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua vida por causa de mim, há-de salvá-la.» 40 «Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41 Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá recompensa de profeta; e quem recebe um justo, por ele ser justo, receberá recompensa de justo. 42 E quem der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa.»




 

JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

 

Iniciação à Cristologia

 

Capítulo V

 

CRISTO ENQUANTO HOMEM CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE

 

 

4. A auto-consciência de Cristo

 

a) A auto-consciência de Cristo segundo algumas teorias subjectivistas recentes.

 

    A partir do século XX a cristologia mostrou um especial interesse pela consciência que Jesus tinha de si mesmo: se se sabia Filho de Deus e Messias. Sem dúvida, esta tendência está relacionada com a evolução do pensamento filosófico moderno para com a subjectividade, que reduz a realidade pessoal de Cristo á sua auto-consciência.

    Esta concepção leva não só a pôr em Cristo um centro de consciência humano diferente do Verbo, como a imaginar que essa consciência se reduz aos fenómenos psíquicos humanos. Então, como poderia Jesus chegar a conhecer a sua identidade de Filho de Deus?

    Alguns autores respondem negando que Jesus tivesse consciência da sua divindade. E outros sustentam que Jesus, des uma ignorância inicial pela qual se considerava como um simples galileu, iria pouco a pouco tomando consciência de ser o Filho de Deus e o Salvador do mundo (processo que não explicam satisfatoriamente). De qualquer forma, esta consciência de Jesus nunca chegaria a ser clara, nem sequer no final da sua vida na cruz, onde o vêm cheio de dúvidas e de perplexa obscuridade sobre o sentido da sua vida e da sua morte.

    Apesar de que nada proíba que se façam indagações mais profundas acerca da humanidade de Cristo com métodos psicológicos, estas teorias afastam-se da verdade pois levam a cabo uma transposição unívoca da nossa psicologia para Cristo, o que não é legítimo pois Ele não é um simples homem, mas Deus e homem, que, além do mais, na sua humanidade possuía a visão de Deus. Deste modo, contradizem o que nos diz a fé sobre a plenitude do conhecimento de Cristo, no qual não cabe a ignorância, e chocam com o ensinamento da Escritura sobre a consciência de Jesus acerca da sua divindade.

 

(Tradução do castelhano por ama)

 

 

 

Novíssimos

 



JUÍZO FINAL

 

Contemplar o mistério

 

Quando pensares na morte, não tenhas medo, apesar dos teus pecados. Porque Ele já sabe que O amas... e de que massa és feito. Se tu O procurares, Ele acolher-te-á como o pai ao filho pródigo. Mas tens de O procurar! 

Amar com todo o coração a pobreza

 


Se estamos perto de Cristo e seguimos as suas pegadas, temos de amar com todo o coração a pobreza, o desprendimento dos bens terrenos, as privações. (Forja, 997)

 

Como imaginas tu o porte de Nosso Senhor? Já pensaste com que dignidade vestiria aquela túnica inconsútil, que provavelmente terá sido tecida pelas mãos de Santa Maria? Não te lembras de como em casa de Simão se lamenta por não lhe haverem oferecido água para se lavar, antes de se sentar à mesa?

Com certeza que o Senhor trouxe à baila essa falta de urbanidade, para realçar com tal facto o ensinamento de que é nos pormenores que se mostra o amor. Mas procura também deixar claro que se atém aos usos sociais do ambiente. Portanto, tu e eu esforçar-nos-emos por estar desapegados dos bens e das comodidades da terra, mas sem destoar e sem fazer coisas estranhas.

Para mim, uma manifestação de que nos sentimos senhores do mundo, administradores fiéis de Deus, é cuidar das coisas que usamos, com interesse em conservá-las, em fazê-las durar, em mantê-las impecáveis e em fazê-las servir o mais tempo possível para o seu fim, de maneira a não haver desperdício. (Amigos de Deus, 122)

 

Leitura espiritual 17 Novembro

 

Evangelho

 

Jo XVII, 27-50

 

Pedido de alguns pagãos

 

27 Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de Eu dizer? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente para esta hora é que Eu vim! 28 Pai, manifesta a tua glória!» Veio, então, uma voz do Céu: «Já a manifestei e voltarei a manifestá-la!» 29 Entre as pessoas presentes, que escutaram, uns diziam que tinha sido um trovão; outros diziam: «Foi um Anjo que lhe falou!» 30 Jesus respondeu: «Esta voz não veio por causa de mim, mas por amor de vós. 31 Agora é o julgamento deste mundo; agora é que o dominador deste mundo vai ser lançado fora. 32 E Eu, quando for erguido da terra, atrairei todos a mim.» 33 Dizia isto dando a entender de que espécie de morte havia de morrer. 34 Aquela gente replicou-lhe: «Nós aprendemos na nossa Lei que o Messias permanece vivo para sempre. Como afirmas Tu que o Filho do Homem tem de ser erguido? Mas quem é, afinal, esse tal Filho do Homem?» 35 Jesus respondeu-lhes: «Por um pouco de tempo ainda, a Luz está no meio de vós. Caminhai enquanto tendes a Luz, de modo que as trevas não vos apanhem, pois quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. 36 Enquanto tendes a Luz, crede na Luz, para vos tornardes filhos da Luz.» Jesus disse estas coisas, foi-se embora e ocultou-se deles.

 

Incredulidade dos judeus

 

37 Embora Jesus tivesse realizado diante deles tantos sinais portentosos, não criam nele, 38 de modo a cumprirem-se as palavras do profeta Isaías, que dissera: Senhor, quem acreditou no que ouviu de nós? E a quem foi revelado o poder do Senhor? 39 Realmente não eram capazes de crer; por isso Isaías também dissera: 40 Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para não verem com os olhos e não entenderem com o coração e não se converterem e Eu ter de os curar. 41 Isto disse Isaías falando dele, porque tinha visto a sua glória. 42 Apesar disso, até entre os chefes, muitos creram nele, mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da Sinagoga, 43 pois amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus. 44 Jesus levantou a voz e disse: «Quem crê em mim não é em mim que crê, mas sim naquele que me enviou; 45 e quem me vê a mim vê aquele que me enviou. 46 Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em mim não fique nas trevas. 47 Se alguém ouve as minhas palavras e não as cumpre, não sou Eu que o julgo, pois não vim para condenar o mundo, mas sim para o salvar. 48 Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras tem quem o julgue: a palavra que Eu anunciei, essa é que o há-de julgar no último dia; 49 porque Eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, é que me encarregou do que devo dizer e anunciar. 50 E Eu bem sei que este seu mandato traz consigo a vida eterna; por isso, as coisas que Eu anuncio, anuncio-as tal como o Pai as disse a mim.»

 


Amar a Igreja

 

17

        

Para começar, gostaria de vos recordar umas palavras de São Cipriano:

A Igreja universal apresenta-se-nos como um povo cuja unidade é obtida a partir da unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

 

Não estranhem, portanto, que nesta festa da Santíssima Trindade a homilia trate da Igreja, tanto mais que a Igreja tem as suas raízes no mistério fundamental da nossa fé católica: o de Deus uno em essência e trino em pessoas.

 

A Igreja centrada na Trindade: eis como sempre a consideraram os Padres.

 

Reparem como são claras as palavras de Santo Agostinho: “Deus habita no seu templo; não apenas o Espírito Santo, mas igualmente o Pai e o Filho... Por isso, a Santa Igreja é o templo de Deus, ou seja, de toda a Trindade”.

 

Ao reunirmo-nos de novo no próximo Domingo, consideraremos outro dos aspectos maravilhosos da Santa Igreja: essas notas que recitaremos dentro de pouco, no Credo, depois de cantar a nossa fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo.

 

Et in Spiritum Sanctum, dizemos.

 

 

E, logo a seguir, et unam, sanctam catholicam et apostolicam Ecclesiam, confessamos que há uma só Igreja, Santa, Católica e Apostólica.

 

Todos aqueles que amaram verdadeiramente a Igreja souberam relacionar estas quatro notas com o mais inefável mistério da nossa santa religião: a Santíssima Trindade.

 

Nós cremos na Igreja de Deus, Una, Santa, Católica e Apostólica, na qual recebemos a doutrina; conhecemos o Pai, o Filho e o Espírito Santo e somos baptizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

 

18

        

Momentos difíceis

 

É necessário meditarmos frequentemente, para não corrermos o risco de nos esquecermos, que a Igreja é um mistério grande, profundo. Nunca poderá ser abarcado nesta terra.

 

Se a razão tentasse explicá-lo por si só, veria apenas a reunião de pessoas que cumprem certos preceitos, que pensam de forma parecida. Mas isso não seria a Santa Igreja.

 

Na Santa Igreja os católicos encontramos a nossa fé, as nossas normas de conduta, a nossa oração, o sentido de fraternidade, a comunhão com todos os irmãos que já desapareceram e que estão a purificar-se no Purgatório - Igreja padecente-, ou com os que já gozam da visão beatífica - Igreja triunfante-, amando eternamente Deus, três vezes Santo.

 

É a Igreja que permanece aqui e, ao mesmo tempo, transcende a história.

 

A Igreja que nasceu sob o manto de Santa Maria e continua a louvá-la como Mãe na terra e no céu.

 

Confirmemos em nós mesmos o carácter sobrenatural da Igreja; confessemo-lo aos gritos, se for preciso, porque nestes momentos são muitos aqueles que - embora fisicamente dentro da Igreja, e até em altas posições - se esqueceram destas verdades capitais e pretendem apresentar uma imagem da Igreja que não é Santa, que não é Una, que não pode ser Apostólica porque não se apoia na rocha de Pedro, que não é Católica porque está sulcada por particularismos ilegítimos, por caprichos de homens.

 

Não é novidade.

 

Desde que Jesus Cristo fundou a Santa Igreja, esta Mãe, que é nossa Mãe, sofreu uma perseguição constante.

Talvez noutras épocas as agressões se organizassem abertamente; agora, em muitos casos, trata-se de uma perseguição camuflada.

Seja como for, hoje, como ontem, há quem continue a combater a Igreja.

 

Repetirei mais uma vez que não sou pessimista, nem por temperamento nem por hábito.

 

Como é possível ser pessimista se Nosso Senhor prometeu que estará connosco até ao fim dos séculos?

 

A efusão do Espírito Santo plasmou, na reunião dos discípulos no Cenáculo, a primeira manifestação pública da Igreja.

 

O nosso Pai Deus - conforme nos diz a Escritura com uma expressão tão gráfica, para podermos perceber: “Pai amoroso que cuida de nós como da menina dos olhos, - não cessa de santificar, pelo Espírito Santo, a Igreja fundada pelo Seu Filho muito amado”.

 

Mas a Igreja vive actualmente dias difíceis: são anos de grande desconcerto para as almas.

 

O clamor da confusão levanta-se por toda a parte e renascem com estrondo todos os erros que houve ao longo dos séculos.

 

 

19

        

Fé.

Precisamos de fé.

Se olharmos com olhos de fé, descobrimos que a Igreja contém em si mesma e difunde à sua volta a sua própria apologia.

Quem a contempla, quem a estuda com olhos de amor à verdade, deve reconhecer que ela, independentemente dos homens que a compõem, e das modalidades práticas com que se apresenta, leva em si mesma uma mensagem de luz universal e única, libertadora e necessária, divina.

 

Quando ouvimos vozes de heresia - porque são exactamente isso, nunca me agradaram os eufemismos-, quando observamos que se ataca impunemente a santidade do matrimónio e do sacerdócio; a concepção imaculada da Nossa Mãe Santa Maria e a sua virgindade perpétua, com todos os restantes privilégios e excelências com que Deus a adornou; o milagre perene da presença real de Jesus Cristo na Sagrada Eucaristia, o primado de Pedro, a própria Ressurreição de Nosso Senhor, como não sentir a alma cheia de tristeza?

Mas tenham confiança: a Santa Igreja é incorruptível.

A Igreja vacilará se o seu fundamento vacilar, mas poderá Cristo vacilar?

Enquanto Cristo não vacilar, a Igreja jamais fraquejará até ao fim dos tempos.

 

20

        

O humano e o divino na Igreja

 

Assim como em Cristo há duas naturezas - a humana e a divina - também, por analogia, podemos referir-nos à existência na Igreja de um elemento humano e de um elemento divino.

A ninguém passa despercebida a evidência dessa parte humana.

A Igreja, neste mundo, está composta por homens e para homens, e dizer homem é falar da liberdade, da possibilidade de actos grandes e de actos mesquinhos, de heroísmos e de claudicações.

 

Se só admitíssemos essa parte humana da Igreja nunca conseguiríamos compreendê-la, pois não teríamos chegado à porta do mistério. A Sagrada Escritura utiliza muitos termos - tirados da experiência terrena - para os aplicar ao Reino de Deus e à sua presença entre nós, na Igreja.

Compara-a ao redil, ao rebanho, à casa, à semente, à vinha, ao campo onde Deus planta ou edifica.

Mas destaca uma expressão que compendia tudo: “a Igreja é o Corpo de Cristo”.

 

E Ele a uns constituiu Apóstolos, a outros profetas, a outros evangelistas, a outros pastores e doutores, para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do Corpo de Cristo. São Paulo escreve também que “somos um só corpo em Cristo, e cada um de nós membros uns dos outros”.

Como é luminosa a nossa fé! Todos somos em Cristo, porque Ele é a Cabeça do corpo da Igreja.