Purgatório
A
menor pena do Purgatório excede a maior pena desta vida.
(São
Tomás de Aquino, Scriptum super libros Sententiarum, Dist. 21, quet. 1,
art. 1, sol. 3 III, 46, 6, 3)
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
Purgatório
A
menor pena do Purgatório excede a maior pena desta vida.
(São
Tomás de Aquino, Scriptum super libros Sententiarum, Dist. 21, quet. 1,
art. 1, sol. 3 III, 46, 6, 3)
Lembra-te
que o fundamento, o eixo da perfeição é a caridade; quem vive na caridade, vive
em Deus, porque Deus É caridade, como disse o Apóstolo.
(365
dias com o Santo Pio de Peltrecina, O Grande Amor de Deus)
Meditação: tempo fixo e a hora
fixa. Se não, adapta-se à nossa comodidade; e isso é falta de mortificação. E a
oração sem mortificação é pouco eficaz. (Sulco, 446)
Vencei, se por acaso disso vos
apercebeis, a preguiça, o falso critério segundo o qual a oração pode esperar.
Nunca atrasemos esta fonte de graças para amanhã. Agora é o tempo oportuno.
Deus, que é amoroso espectador de todo o nosso dia, preside à nossa íntima
prece. E tu e eu – volto a assegurar – temos de nos confiar a Ele como se
confia num irmão, num amigo, num pai. Diz-lhe – eu faço assim – que Ele é toda
a Grandeza, toda a Bondade, toda a Misericórdia. E acrescenta: por isso, quero
apaixonar-me por Ti, apesar da rudeza das minhas maneiras, destas minhas pobres
mãos, marcadas e maltratadas pelo pó das veredas da terra. (…) Que não faltem
no nosso dia alguns momentos dedicados especialmente a travar intimidade com
Deus, elevando até Ele o nosso pensamento, sem que as palavras tenham
necessidade de vir aos lábios, porque cantam no coração. Dediquemos a esta
norma de piedade um tempo suficiente, a hora fixa, se possível. Ao lado do
Sacrário, acompanhando Aquele que ali ficou por Amor. Se não houver outro
remédio, em qualquer lugar, porque o nosso Deus está de modo inefável na nossa
alma em graça. (Amigos de Deus, nn. 246. 249)
Evangelho segundo São João
Jo VII 6-53
Origens de Cristo
25 Então, alguns de
Jerusalém comentavam: ‘Não é este a quem procuravam, para o matar? 26 Vede como
Ele fala livremente e ninguém lhe diz nada! Será que realmente as autoridades
se convenceram de que Ele é o Messias? 27 Mas nós sabemos donde Ele é, ao passo
que, quando chegar o Messias, ninguém saberá donde vem. 28 Entretanto, Jesus,
ensinando no templo, bradava: Então sabeis quem Eu sou e sabeis donde venho?!
Pois Eu não venho de mim mesmo; há um outro, verdadeiro, que me enviou, e que
vós não conheceis. 29 Eu é que o conheço, porque procedo dele e foi Ele que me
enviou. 30 Procuravam, então, prendê-lo, mas ninguém lhe deitou a mão, pois a
sua hora ainda não tinha chegado. 31 Porém, dentre o povo, muitos creram nele e
comentavam: ‘Quando vier o Messias, será que há-de realizar mais sinais
miraculosos do que este?’ 32 Tal comentário do povo a respeito dele chegou aos
ouvidos dos fariseus. Então, os sumos sacerdotes e os fariseus mandaram guardas
para prenderem Jesus. 33 Entretanto, Jesus começou a dizer: Já pouco tempo vou
ficar convosco, pois irei para aquele que me enviou. 34 Haveis de procurar-me,
mas não me encontrareis, e não podereis ir para o lugar onde Eu estiver. 35 Os
judeus, por isso, disseram entre si: ‘Para onde tenciona Ele ir, que não o
possamos encontrar? Tenciona ir até aos que estão dispersos entre os gregos
para pregar aos gregos? 36 Que significam estas palavras que Ele disse: Haveis
de procurar-me, mas não me encontrareis, e não podereis ir para o lugar onde Eu
estiver?’
Jesus ensina no
último dia da festa
37 No último dia, o
mais solene da festa, Jesus, de pé, bradou: Se alguém tem sede, venha a mim; e
quem crê em mim que sacie a sua sede! 38 Como diz a Escritura, hão-de correr do
seu coração rios de água viva. 39 Ora Ele disse isto, referindo-se ao Espírito
que iam receber os que nele acreditassem; com efeito, ainda não tinham o
Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado. 40 Então, entre a
multidão de pessoas que escutaram estas palavras, dizia-se: ‘Ele é realmente o
Profeta.’ 41 Diziam outros: ‘É o Messias.’ Outros, porém, replicavam: ‘Mas pode
lá ser que o Messias venha da Galileia?! 42 Não diz a Escritura que o Messias
vem da descendência de David e da cidade de Belém, donde era David? 43 Deste
modo, estabeleceu-se um desacordo entre a multidão, por sua causa. 44 Alguns
deles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe deitou a mão. 45 Depois os guardas
voltaram aos sumos sacerdotes e aos fariseus, que lhes perguntaram: ‘Porque é
que não o trouxestes?’ 46 Os guardas responderam: ‘Nunca nenhum homem falou
assim!’ 47 Replicaram-lhes os fariseus: ‘Será que também vós ficastes
seduzidos? 48Po rventura acreditou nele algum dos chefes, ou dos fariseus? 49 Mas
essa multidão, que não conhece a Lei, é gente maldita!’
Nicodemos defende
Jesus
50 Nicodemos, aquele
que antes fora ter com Jesus e que era um deles, disse-lhes: 51 ‘Porventura
permite a nossa Lei julgar um homem, sem antes o ouvir e sem averiguar o que
ele anda a fazer?’ 52 Responderam-lhe eles: ‘Também tu és galileu? Investiga e
verás que da Galileia não sairá nenhum profeta.’ 53 E cada um foi para sua
casa.
Cristo
que passa
133
Entre
os dons do Espírito Santo, eu diria que há um de que todos nós, cristãos, temos
especial necessidade: o dom da Sabedoria, que, fazendo-nos conhecer a Deus e
tomar-Lhe o sabor, nos coloca em condições de poder julgar com verdade as
situações e as coisas da vida presente.
Se
fôssemos consequentes com a nossa fé, quando olhássemos à nossa volta e
contemplássemos o espectáculo da História e do Mundo, não poderíamos deixar de
sentir crescer nos nossos corações os mesmos sentimentos que animaram o de
Jesus Cristo: «ao ver aquelas multidões, compadeceu-se delas, porque estavam
maltratadas e fatigadas e como ovelhas sem pastor».
Não
é que o cristão não veja todo o bem que há na Humanidade, não aprecie as
alegrias puras, não participe dos anseios e dos ideais terrenos.
Pelo
contrário, sente tudo isso desde o mais recôndito da alma e compartilha-o e
vive-o com especial intensidade, pois conhece melhor do que ninguém os arcanos
do espírito humano.
A fé
cristã não nos torna pusilânimes nem cerceia os impulsos nobres da alma, pois é
ela que os engrandece, ao revelar o seu verdadeiro e mais autêntico sentido:
não estamos destinados a uma felicidade qualquer, porque fomos chamados à
intimidade divina, a conhecer e amar Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo
e, na Trindade e na Unidade de Deus, todos os anjos e todos os homens.
Essa
é a grande ousadia da fé cristã: proclamar o valor e a dignidade da natureza
humana e afirmar que, mediante a graça que nos eleva à ordem sobrenatural,
fomos criados para alcançar a dignidade de filhos de Deus.
Ousadia
certamente incrível, se não se baseasse no desígnio salvador de Deus Pai e não
houvesse sido confirmada pelo Sangue de Cristo e reafirmada e tornada possível
pela acção constante do Espírito Santo.
Temos
de viver de Fé, crescer na Fé, até poder dizer de cada um de nós, de cada
cristão, o que há muitos séculos escreveu um dos grandes Doutores da Igreja
Oriental: “Da mesma maneira que os corpos transparentes e límpidos, quando
recebem os raios luminosos, se tornam resplandecentes e irradiam brilho, assim
as almas que são conduzidas e iluminadas pelo Espírito Santo se tornam também
espirituais e levam às outras a luz da graça. Do Espírito Santo procede o
conhecimento das coisas futuras, a inteligência dos mistérios, a compreensão
das verdades ocultas, a distribuição dos dons, a cidadania celeste, a
conversação com os Anjos. D'Ele, a alegria que nunca termina, a perseverança em
Deus, a semelhança com Deus e - a coisa mais sublime que pode ser pensada - a
transformação em Deus”.
A
consciência da grandeza da dignidade humana - de um modo eminente e inefável,
pois fomos, pela acção da graça, constituídos filhos de Deus - é no cristão uma
só coisa com a humildade, visto que não são as nossas forças que nos salvam e
nos dão a vida, mas o favor divino.
É uma
verdade que não se pode esquecer, porque senão pervertia-se o nosso
endeusamento, convertendo-se em presunção, em soberba e, mais cedo ou mais
tarde, em ruína espiritual perante a experiência da nossa fraqueza e miséria.
Perguntava
a si mesmo Santo Agostinho:”Atrever-me-ei a dizer que sou santo? Se dissesse
santo como santificador e não necessitado de ninguém que me santificasse, seria
soberbo e mentiroso. Mas, se entendo por santo o santificado, segundo aquilo
que se lê no Levítico: sede santos, porque Eu, Deus, sou santo, então também o
corpo de Cristo, até ao último homem situado nos confins da Terra, poderá dizer
ousadamente, unido à sua Cabeça e a ela subordinado: sou santo”.
Amemos
a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade; escutemos na intimidade do nosso ser
as moções divinas - alentos, censuras - ; caminhemos sobre a Terra dentro da
luz derramada na nossa alma; e o Deus da esperança nos encherá de todas as
formas de paz, para que essa esperança vá crescendo em nós cada vez mais, pela
virtude do Espírito Santo.
134
Amizade
com o Espírito Santo
Viver
segundo o Espírito Santo é viver de Fé, de Esperança, de Caridade; é deixar que
Deus tome posse de nós e mude os nossos corações desde a raiz, para os fazer à
sua medida.
Uma
vida cristã madura, profunda e firme não é coisa que se improvise, porque é
fruto do crescimento em nós da graça de Deus.
Nos
Actos dos Apóstolos, descreve-se a situação da primitiva comunidade cristã numa
frase breve, mas cheia de sentido: “perseveravam todos na doutrina dos
Apóstolos e na comum fracção do pão e nas orações”.
Assim
viveram os primeiros cristãos e assim devemos viver nós: a meditação da
doutrina da Fé, de modo assimilá-la, o encontro com Cristo na Eucaristia, o
diálogo pessoal - a oração sem anonimato - face a face com Deus, hão-de constituir
como que a substância última da nossa vida. Se isso faltar, talvez haja
reflexão erudita, actividade mais ou menos intensa, devoções e práticas
piedosas.
Não
haverá, porém, existência cristã autêntica, porque faltará a compenetração com
Cristo, a participação real e vivida na obra divina da salvação.
A
qualquer cristão se aplica esta doutrina, porque todos estamos igualmente
chamados à santidade.
Não
há cristãos de segunda classe, obrigados a pôr em prática apenas uma versão
reduzida do Evangelho: todos recebemos o mesmo baptismo e, embora exista uma
ampla diversidade de carismas e de situações humanas, um mesmo é o Espírito que
distribui os dons divinos, uma mesma a Fé, uma só a Esperança, uma só a
Caridade.
Podemos,
pois, ter por dirigida a nós mesmos a pergunta do Apóstolo: “não sabeis que
sois templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós? e recebê-la como um
convite a um trato mais pessoal e directo com Deus”.
Infelizmente,
o Paráclito é para alguns cristãos o Grande Desconhecido, um nome que se
pronuncia, mas que não é Alguém - uma das Três Pessoas do Único Deus - com Quem
se fala e de Quem Se vive.
Ora
é indispensável ter com Ele familiaridade e confiança, cheia de simplicidade
como nos ensina a Igreja através da Liturgia.
Assim
conheceremos melhor Nosso Senhor e ao mesmo tempo compreenderemos melhor o
imenso dom que significa ser cristão; veremos como é grande e verdadeiro o
"endeusamento", a participação na vida divina a que atrás me referi.
Porque
o Espírito Santo não é um artista que desenha em nós a divina substância, como
se lhe fosse alheio; não é assim que nos conduz à semelhança divina: “é Ele
mesmo, que é Deus e de Deus procede, que Se imprime nos corações que O recebem,
à maneira de selo sobre a cera, e é assim, por comunicação de si mesmo e pela
semelhança, que restabelece a natureza segundo a beleza do modelo divino e
restitui ao homem a imagem de Deus”.
135
Para
pôr em prática, ainda que seja de um modo muito genérico, um estilo de vida que
nos anime a conviver com o Espírito Santo - e, ao mesmo tempo com o Pai e o
Filho - numa verdadeira intimidade com o Paráclito, devemos firmar-nos em três
realidades fundamentais: docilidade - digo-o mais uma vez - vida de oração,
união com a Cruz.
Em
primeiro lugar, docilidade - porque é o Espírito Santo que, com as Suas
inspirações, vai dando tom sobrenatural aos nossos pensamentos, desejos e
obras.
É
Ele que nos impele a aderir à doutrina de Cristo e a assimilá-la em
profundidade; que nos dá luz para tomar consciência da nossa vocação pessoal e
força para realizar tudo o que Deus espera de nós.
Se
formos dóceis ao Espírito Santo, a imagem de Cristo ir-se-á formando, cada vez
mais nítida, em nós e assim nos iremos aproximando cada vez mais de Deus Pai.
“Os
que são conduzidos pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus”.
Se
nos deixarmos guiar por esse princípio de vida, presente em nós, que é o
Espírito Santo, a nossa vitalidade espiritual irá crescendo e
abandonar-nos-emos nas mãos do nosso Pai Deus, com a mesma espontaneidade e
confiança com que um menino se lança nos braços do pai.
«Se
não vos tornardes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus», disse o
Senhor.
É
este o antigo e sempre actual caminho da infância espiritual, que não é sentimentalismo
nem falta de maturidade humana, mas sim maioridade sobrenatural, que nos leva a
aprofundar as maravilhas do amor divino, reconhecer a nossa pequenez e a
identificar plenamente a nossa vontade com a de Deus.
136
Em
segundo lugar, vida de oração, porque a entrega, a obediência, a mansidão do
cristão nascem do amor e para o amor caminham.
E o
amor conduz ao convívio, à conversação, à intimidade.
A
vida cristã requer um diálogo constante com Deus Uno e Trino, e é a essa
intimidade que o Espírito Santo nos conduz.
Quem
conhece as coisas que são do homem, senão o espírito do homem, que está nele?
Assim
também as coisas que são de Deus, ninguém as conhece senão o Espírito de Deus.
Se
tivermos assídua relação com o Espírito Santo, também nós nos faremos espirituais,
nos sentiremos irmãos de Cristo e filhos de Deus, a Quem não teremos dúvida de
invocar como Pai nosso que É.
Acostumemo-nos
a conviver com o Espírito Santo, que é quem nos há-de santificar; a confiar
n'Ele, a pedir a Sua ajuda, a senti-Lo ao pé de nós.
Assim
se irá tornando maior o nosso pobre coração, e teremos mais desejos de amar a
Deus e, por Ele, a todas as criaturas.
E
nas nossas vidas reproduzir-se-á a visão com que termina o Apocalipse: o
Espírito e a Esposa, o Espírito Santo e a Igreja - e cada um dos cristãos -
dirigem-se a Jesus Cristo, pedindo-Lhe que venha, que esteja connosco para
sempre.
137
Por
último, união com a Cruz.
Porque,
na vida de Cristo, o Calvário precedeu a Ressurreição e o Pentecostes, e esse
mesmo processo deve reproduzir-se na vida de cada cristão: Diz-nos São Paulo: “Somos
co-herdeiros de Cristo; mas isto, se sofrermos com Ele, para sermos com Ele
glorificados”.
O
Espírito Santo é o fruto da Cruz, da entrega total a Deus, de buscarmos
exclusivamente a Sua glória e de renunciarmos completamente a nós mesmos.
Só
quando o homem, sendo fiel à graça, se decide a colocar no centro da sua alma a
Cruz, negando-se a si mesmo por amor de Deus, estando realmente desapegado do
egoísmo e de toda a falsa segurança humana, quer dizer, só quando vive
verdadeiramente de Fé, é que recebe com plenitude o grande fogo, a grande luz,
a grande consolação do Espírito Santo.
É
então que vêm à alma essa paz e essa liberdade que Cristo ganhou para nós e que
se nos comunicam com a graça do Espírito Santo.
Os
frutos do Espírito Santo são caridade, alegria, paz, paciência, benignidade,
bondade, longanimidade, mansidão, fé, modéstia, continência, castidade; e onde
está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.
Getsemani
Apresentaram-se
com todo o relevo ante Jesus as atrocidades brutais da humanidade, que eram
inconcebíveis pela Sua natureza perfeita, mas não é atrevido sustentar que – na
Sua inteligência e na Sua delicadeza – as nossas ingratidões, activas e
passivas, Lhe pesaram mais que o sofrimento físico, sendo este, como foi, um
tormento aterrador.
(Javier
Echevarria, Getsemani, Planeta, 3ª Ed. Cap. II, 4)
O Céu
Contemplar o mistério
Os homens mentem quando dizem "para sempre" em coisas temporais. Só é verdade, com uma verdade total, o "para sempre" da eternidade. - E assim tens de viver tu, com uma fé que te faça sentir sabores de mel, doçuras de céu, ao pensar nessa eternidade que, essa sim, é para sempre! [1]
Pensa quão grato é a Deus Nosso Senhor o incenso que se queima em sua honra; pensa também no pouco que valem as coisas da terra, que mal começam logo acabam... Pelo contrário, um grande Amor te espera no Céu: sem traições, sem enganos: todo o amor, toda a beleza, toda a grandeza, toda a ciência...! E sem enfastiar: saciar-te-á sem saciar. [2]
Se transformarmos os projetos temporais em metas absolutas, suprimindo do horizonte a morada eterna e o fim para que fomos criados - amar e louvar o Senhor e possuí-lo depois no Céu - os intentos mais brilhantes transformam-se em traições e inclusive em instrumento para envilecer as criaturas. Recordai a sincera e famosa exclamação de Santo Agostinho, que tinha experimentado tantas amarguras enquanto não conhecia Deus e procurava fora d'Ele a felicidade: fizeste-nos, Senhor, para Ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansa em Ti! [3]
Na vida espiritual, muitas vezes, é preciso saber perder, de um ponto de vista terreno, para ganhar no Céu. Assim ganha-se sempre. [4]
[1] São Josemaria, Forja, 999[2] São Josemaria, Forja, 995
[3] São Josemaria, Amigos de Deus, 208
[4] São Josemaria, Amigos de Deus, 998
Morte
Contemplar o mistério
Tudo tem remédio, menos a morte... E a morte remedeia
tudo. [1]
Diante da morte, sereno! Quero-te assim. Não com o
estoicismo frio do pagão, mas com o fervor do filho de Deus, que sabe que a
vida muda, mas não acaba. - Morrer?... - Viver! [2]
Não faças da morte uma tragédia, porque o não é! Só filhos
sem coração não se entusiasmam com o encontro com os pais! [3]
O verdadeiro cristão está sempre preparado para comparecer
diante de Deus. Porque, se luta por viver como homem de Cristo, está sempre
disposto a cumprir o seu dever. [4]
"Achei graça ao ouvi-lo falar na 'conta' que lhe
pedirá Nosso Senhor. Não, para vós não será Juiz - no sentido austero da
palavra - mas simplesmente Jesus". - Esta frase, escrita por um Bispo
santo, que consolou mais de um coração atribulado, bem pode consolar o teu. [5]
A caridade é a rainha das virtudes.
Assim
como as pérolas são mantidas juntas num fio, assim também as outras virtudes
estão presas à caridade.
Se o
fio se parte, as pérolas soltam-se; se a caridade diminui, ou se rompe, as
outras virudes dispersam-se.
(365
dias com o Santo Padre Pio de Peltrecina, O Grande Amor de Deus)
Fidelidade 4
A nossa fidelidade
apoia-se na fidelidade de Deus
Os cristãos mantêm
firme a confissão da sua esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa (Cfr. Hb 10,23;
11,11) e nos
chamou: “O que vos chama é fiel e, por isso, a cumprirá. Ele é o fundamento
da nossa fidelidade” (1 Ts 5,24). São Paulo não duvida em aplicar essa fidelidade divina à de Jesus Cristo:
“mas Deus é fiel: Ele vos confirmará e guardará do Maligno” (2 Ts 3,3). Afirmamos que
Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre: “Iesus Christus heri et hodie
idem, et in sæcula!” (Hb 13, 8).
A nossa vida nem
sempre é fácil, não é um caminho de rosas. Deus conta com o sofrimento como
parte de toda a fidelidade; São Pedro ensina-o: “mesmo os que tenham que
sofrer de acordo com a vontade de Deus, que encomendem as suas almas ao Criador,
que é fiel, mediante a prática do bem”» (1 Pe 4,19). Estamos marcados pelas consequências do pecado original. A nossa
fidelidade constrói-se em particular a partir da aceitação das nossas culpas e
da nossa petição de perdão: “se confessamos os nossos pecados, fiel e justo
é Ele para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a iniquidade” (1 Jo 1,9). Isto é essencial
na nossa vida: para ser fiel é necessário reconhecer as faltas pessoais, pois
necessitamos de uma purificação do coração. Se ao aproximarmo-nos do Senhor não
começássemos a dizer “mea culpa”, como fazemos na Santa Misa, não
chegaríamos a lado nenhum.
A nossa fidelidade
constrói-se em particular a partir da aceitação das nossas culpas e da nossa
petição de perdão. A nossa fidelidade é resposta a uma chamada de Deus, que é
fiel e nos quer divinizar dando-nos o Espírito Santo. São Paulo expressa muito
bem como o sentido vocacional da nossa existência se desenvolve a partir dessa
fidelidade divina: “fiel é Deus, por quem fostes chamados à união com o seu
Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Cor 1,9; 10,13). De Deus não nos virá nunca a desilusão. Só Ele merece um amor absoluto,
pois esse amor vai para além da morte.
Evangelho segundo São João
Incredulidade dos parentes de Jesus
1 Depois disto, Jesus
continuava pela Galileia, pois não queria andar pela Judeia, visto que os
judeus procuravam matá-lo. 2 Estava próxima a festa judaica das Tendas. 3 Disseram-lhe
então os seus irmãos: ‘Vai para a Judeia, a fim de os teus discípulos verem as
obras que fazes. 4 Pois ninguém faz nada às escondidas, se pretende tornar-se
conhecido. Se fazes coisas destas, mostra-te ao mundo.’ 5 Com efeito, nem
sequer os seus irmãos criam nele. 6 E Jesus disse-lhes: Para mim ainda não
chegou o momento oportuno; mas, para vós, qualquer oportunidade é boa. 7 O
mundo não pode odiar-vos; a mim, porém, odeia-me, porque sou testemunha de que
as suas obras são más. 8 Ide vós à festa. Eu é que não vou a essa festa, porque
o tempo que me está marcado ainda não se completou. 9 Depois de dizer isto,
continuou na Galileia. 10 Contudo, depois de os seus irmãos partirem para a
festa, Ele partiu também, não publicamente, mas quase em segredo.
Comentários do povo
11 Por isso, durante
a festa, os judeus procuravam-no e perguntavam: ‘Onde é que Ele está?’ 12 E
havia entre o povo grande murmuração a seu respeito. Uns diziam: ‘É um homem de
bem’. Outros, porém, afirmavam: ‘Não; o que Ele anda é a desencaminhar o povo!’
13 No entanto, ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus.
Jesus ensina no
templo
14 Já a festa ia a
meio, quando Jesus subiu ao templo e se pôs a ensinar. 15 Os judeus
assombravam-se e diziam: ‘Como é que este é letrado, se não estudou?’ 16 Então,
Jesus respondeu-lhes, dizendo: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me
enviou. 17 Se alguém está disposto a fazer a vontade dele, é capaz de ajuizar
se a doutrina procede de Deus, ou se Eu falo por minha conta. 18 Quem fala por
sua conta procura a sua glória pessoal; mas, quem procura a glória daquele que
o enviou, esse é verdadeiro e nele não há impostura. 19 Porventura Moisés não
vos deu a Lei? No entanto, nenhum de vós cumpre a Lei. Porque me quereis matar?
20 Respondeu aquela gente: ‘Tu tens o demónio. Quem é que te quer matar?’ 21 Jesus
replicou-lhes: Eu realizei uma única obra e todos estão assombrados. 22 Porque
Moisés vos deu a lei da circuncisão - não é que ela venha de Moisés, mas dos
Patriarcas - circuncidais um homem mesmo ao sábado. 23 Se um homem recebe a
circuncisão ao sábado, para não ser violada a Lei de Moisés, podereis
indignar-vos comigo por ter curado completamente um homem ao sábado? 24 Não
julgueis pelas aparências; julgai com um juízo recto.
Cristo
que passa
129
Permiti-me
narrar um facto da minha vida pessoal, ocorrido já há muitos anos.
Certo
dia, um amigo de bom coração, mas que não tinha fé, disse-me, indicando um
mapa-mundi:
-
Ora veja, de norte a sul e de leste a oeste.
-
Que queres que eu veja?
- O
fracasso de Cristo.
Tantos
séculos a procurar meter na vida dos homens a Sua doutrina, e veja os
resultados.
Num
primeiro momento, enchi-me de tristeza: é uma grande dor, efectivamente,
considerar que são muitos os que ainda não conhecem O Senhor e que, entre
aqueles que O conhecem, são muitos também os que vivem como se O não
conhecessem.
Mas
essa impressão durou apenas um instante, para logo dar lugar ao amor e à acção
de graças, porque Jesus quis que cada um dos homens fosse cooperador livre da Sua
obra redentora.
Cristo
não fracassou: a Sua doutrina está continuamente a fecundar o Mundo.
A
redenção realizada por Ele é suficiente e superabundante.
Deus
não quer escravos, mas sim filhos e, portanto, respeita a nossa liberdade.
A
salvação continua e nós participamos dela: é vontade de Cristo que - segundo as
palavras fortes de São Paulo – “cumpramos na nossa carne, na nossa vida, o
que falta à Sua Paixão, pro Corpore eius, quod est Ecclesia, em benefício do
seu corpo, que é a Igreja”.
Vale
a pena jogar a vida, entregar-se por inteiro, para corresponder ao amor e à
confiança que Deus deposita em nós.
Vale
a pena, acima de tudo, que nos decidamos a tomar a sério a nossa fé cristã.
Quando
recitamos o Credo, professamos crer em Deus Pai Todo-Poderoso, em Seu Filho
Jesus Cristo que morreu e foi ressuscitado, no Espírito Santo, Senhor que dá a
vida.
Confessamos
que a Igreja una, santa, católica e apostólica, é o corpo de Cristo, animado
pelo Espírito Santo.
Alegramo-nos
com a remissão dos nossos pecados e com a esperança da futura ressurreição.
Mas,
essas verdades penetrarão até ao fundo do coração ou ficarão apenas nos lábios?
A
mensagem divina de vitória, alegria e paz do Pentecostes deve ser o fundamento
inquebrantável do modo de pensar, de reagir e de viver de todo o cristão.
130
Força
de Deus e fraqueza humana
Non
est abbreviata manus Domini, a mão de Deus não diminuiu; Deus não é
menos poderoso hoje do que em outras épocas, nem é menos verdadeiro o Seu amor
pelos homens.
A
nossa fé ensina-nos que a criação inteira, o movimento da Terra e dos astros,
as acções rectas das criaturas e tudo quando há de positivo no decurso da
História, tudo, numa palavra, veio de Deus e a Deus se ordena.
A
acção do Espírito Santo pode passar-nos despercebida, porque Deus não nos dá a
conhecer os Seus planos e porque o pecado do Homem turva e obscurece os dons
divinos.
Mas
a Fé recorda-nos que o Senhor age constantemente:
Ele
é que nos criou e nos conserva no ser; Ele, com a Sua graça, conduz a criação
inteira para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
Por
isso, a Tradição cristã resumiu a atitude que devemos adoptar para com o
Espírito Santo num só conceito: docilidade.
Sermos
sensíveis àquilo que o Espírito divino promove à nossa volta e em nós mesmos:
aos carismas que distribui, aos movimentos e instituições que suscita, aos
efeitos e decisões que faz nascer nos nossos corações...
O
Espírito Santo realiza no Mundo as obras de Deus. Como diz o hino litúrgico, é
dador das graças, luz dos corações, hóspede da alma, descanso no trabalho,
consolo no pranto.
Sem
a Sua ajuda nada há no homem que seja inocente e valioso, pois é Ele que lava o
que está sujo, que cura o que está doente, que aquece o que está frio, que corrige
o extraviado, que conduz os homens ao porto da salvação e do gozo eterno.
Mas
esta nossa fé no Espírito Santo deve ser plena e completa. Não é uma crença
vaga na Sua presença no mundo; é uma aceitação agradecida dos sinais e
realidades a que quis vincular a Sua força de um modo especial.
Anunciou
Jesus: «Quando vier o Espírito de Verdade Ele Me glorificará, porque
receberá do que é meu e vo-lo anunciará».
O
Espírito Santo é o Espírito enviado por Cristo, para operar em nós a
santificação que Ele nos mereceu para nós na Terra.
É
por isso que não pode haver fé no Espírito Santo, se não houver fé em Cristo,
na doutrina de Cristo, nos sacramentos de Cristo, na Igreja de Cristo.
Não
é coerente com a fé cristã, não crê verdadeiramente no Espírito Santo, quem não
ama a Igreja, quem não tem confiança nela, quem se compraz apenas em mostrar as
deficiências e limitações dos que a representam, quem a julga por fora e é
incapaz de se sentir seu filho.
E
sou levado a considerar até que ponto será extraordinariamente importante e
abundantíssima a acção do Divino Paráclito enquanto o sacerdote renova o
sacrifício do Calvário, quando celebra a Santa Missa nos nossos altares.
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Nós,
os cristãos, trazemos em vasos de barro os grandes tesouros da graça:
Deus
confiou os Seus dons à frágil e débil liberdade humana e, embora a Sua força
certamente nos assista, a nossa concupiscência, o nosso comodismo e o nosso
orgulho repelem-na por vezes e levam-nos a cair em pecado.
Em
muitas ocasiões, de há mais de um quarto de século para cá, ao recitar o Credo
e ao afirmar a minha fé na divindade da Igreja, una, santa, católica e
apostólica, costumo acrescentar: apesar dos pesares.
Quando
alguma vez me acontece comentar este costume e alguém me pergunta a que quero
referir-me, respondo: aos teus pecados e aos meus.
Tudo
isto é certo, mas não autoriza de maneira nenhuma a julgar a Igreja por
critérios humanos, sem fé teologal, atendendo apenas ao maior ou menor valor de
certos eclesiásticos ou de certos cristãos. Proceder assim é ficar à
superfície.
O
mais importante na Igreja não é ver como correspondemos nós, os homens, mas sim
o que Deus realiza.
A
Igreja é isto mesmo: Cristo presente entre nós; Deus que vem até à humanidade
para a salvar, chamando-nos com a sua revelação, santificando-nos com a Sua
graça, sustentando-nos com a Sua ajuda constante, nos pequenos e grandes
combates da vida de todos os dias.
Podemos
chegar a desconfiar dos homens, e cada um está obrigado a desconfiar
pessoalmente de si mesmo e a concluir cada um dos seus dias com um mea culpa,
com um acto de contrição profundo e sincero. Mas não temos o direito de duvidar
de Deus.
E
duvidar da Igreja, da sua origem divina, da eficácia salvífica da sua pregação
e dos seus sacramentos, é duvidar do próprio Deus; é não acreditar plenamente
na realidade da vinda do Espírito Santo.
Escreve
São João Crisóstomo: “Antes de Cristo ser crucificado, - - não havia nenhuma
reconciliação. E, enquanto não houve reconciliação, não foi enviado o Espírito
Santo”.
A
ausência do Espírito Santo era sinal da ira divina.
Agora
que O vês enviado em plenitude, não duvides da reconciliação. Mas, se
perguntarem: onde está agora O Espírito Santo?
Falar
da Sua presença quando se davam milagres, quando eram ressuscitados os mortos e
curados os leprosos, era possível; mas como saber, agora, que está deveras
presente?
“Não
vos preocupeis. Hei-de demonstrar-vos que o Espírito Santo está também agora
entre nós...
Se
não existisse o Espírito Santo, não poderíamos dizer Senhor, Jesus, pois
ninguém pode invocar Jesus como Senhor senão no Espírito Santo” (I
Cor. 12,3).
Se
não existisse o Espírito Santo, não poderíamos orar com confiança, porque ao
rezar dizemos Pai Nosso, que estais nos Céus (Mat.
6,9).
Se
não existisse o Espírito Santo, não poderíamos chamar Pai a Deus. Como sabemos
isso?
É
porque o Apóstolo nos ensina: “E, porque somos filhos, Deus mandou aos
nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba Pai” (Gal,
4,6).
Portanto,
quando invocares Deus Pai, recorda-te de que foi o Espírito Santo que, ao mover
a tua alma, te deu essa oração.
Se
não existisse o Espírito Santo, não haveria na Igreja palavra alguma de
sabedoria ou de ciência, pois está escrito: “Porque... a um é dada pelo
Espírito a palavra da sabedoria” (I Cor, 12, 8)...
“Se
o Espírito Santo não estivesse presente, a Igreja não existiria. Mas, se a
Igreja existe, é certo que o Espírito Santo não falta”.
Acima
das deficiências e limitações humanas, repito, a Igreja é isto: sinal e, de
certo modo - não no sentido estrito em que dogmaticamente se definiu a essência
dos sete sacramentos da Nova Aliança - o sacramento universal da presença de
Deus no Mundo.
Ser
cristão é ter sido regenerado por Deus e enviado aos homens para lhes anunciar
a salvação. Se tivéssemos fé firme e viva e déssemos a conhecer Cristo com
audácia, veríamos que ante os nossos olhos se realizariam milagres como os da
era apostólica.
Porque
a verdade é que também agora se dá vista aos cegos, que tinham perdido a capacidade
de olhar para o Céu e de contemplar as maravilhas de Deus; também agora se dá
liberdade a coxos e entrevados, que se encontravam tolhidos pelas próprias
paixões e cujo coração já não sabia amar; também agora se dá ouvido aos surdos,
que não desejavam o conhecimento de Deus, e se consegue que falem os mudos, que
tinham amordaçada a língua por não quererem confessar as suas derrotas; também
agora se ressuscitam mortos, em que o pecado destruíra a vida.
Mais
uma vez se verifica que a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do
que qualquer espada de dois gumes.
E,
como os primeiros fiéis cristãos, também nós nos alegramos ao admirar a força
do Espírito Santo e a sua acção na inteligência e na vontade das suas
criaturas.
132
Dar
a conhecer a Cristo
Todos
os acontecimentos da vida - os de cada existência individual e, de algum modo,
os das grandes encruzilhadas da História - vejo-os como outros tantos
chamamentos que Deus faz aos homens para olharem de frente a verdade e como
ocasiões oferecidas a nós, cristãos, para anunciarmos com as nossas obras e as
nossas palavras, auxiliados pela graça, o Espírito a que pertencemos.
Cada
geração de cristãos deve redimir e santificar o seu tempo: para tanto, precisa
de compreender e de compartilhar os anseios dos homens, seus iguais, a fim de
lhes dar a conhecer, com dom de línguas, como corresponder à acção do Espírito
Santo, à efusão permanente das riquezas do Coração divino.
A
nós, cristãos, compete anunciar nestes dias, ao mundo a que pertencemos e em
que vivemos, a antiga e sempre nova mensagem do Evangelho.
Não
é verdade que toda a gente de hoje - assim, em geral ou em bloco - esteja
fechada ou permaneça indiferente ao que a fé cristã ensina sobre o destino e o
ser do Homem.
Não
é certo que os homens do nosso tempo se ocupem só das coisas da Terra e se
desinteressem de olhar para o Céu.
Embora
não faltem ideologias - e pessoas para as sustentarem - que estão fechadas, na
nossa época não há apenas atitudes rasteiras, mas também altos ideais; não há
apenas cobardia, mas heroísmo, e ao lado das desilusões permanecem grandes
aspirações.
Há
pessoas que sonham com um mundo novo, mais justo e mais humano, enquanto
outras, talvez decepcionadas diante do fracasso dos seus primeiros ideais, se
refugiam no egoísmo de buscarem a sua própria tranquilidade ou de se deixarem
ficar mergulhadas no erro.
A
todos os homens e todas as mulheres, estejam onde estiverem, em momentos de
exaltação ou de crise ou de derrota, devemos fazer chegar o anúncio solene e claro
de São Pedro, durante os dias que se seguiram ao Pentecostes: “Jesus é a
pedra angular, o Redentor, tudo da nossa vida, pois fora d'Ele não foi dado
outro nome, aos homens, debaixo do céu, pelo qual possamos ser salvos”.