Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
01/05/2020
Santo Rosário
Rezar com São João Paulo II:
SANTO ROSÁRIO - Ladainha de Nossa Senhora
LEITURA ESPIRITUAL
São Lucas
Cap. III
1 No décimo quinto ano do reinado do
imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes,
tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da Traconítide, e
Lisânias, tetrarca de Abilena, 2 sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra
de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto. 3 Começou a
percorrer toda a região do Jordão, pregando um baptismo de penitência para
remissão dos pecados, 4 como está escrito no livro dos oráculos do profeta
Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor e endireitai
as suas veredas. 5 Toda a ravina será preenchida, todo o monte e colina serão
abatidos; os caminhos tortuosos ficarão direitos e os escabrosos tornar-se-ão
planos. 6 E toda a criatura verá a salvação de Deus.’» 7 João dizia, então, às
multidões que acorriam para serem baptizadas por ele: «Raça de víboras, quem
vos ensinou a fugir da cólera que está para chegar? 8 Produzi frutos de sincero
arrependimento e não comeceis a dizer para convosco: ‘Nós temos Abraão como
pai’; pois eu vos digo que Deus pode, destas pedras, suscitar filhos a Abraão.
9 O machado já se encontra à raiz das árvores; por isso, toda a árvore que não
der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.» 10 E as multidões
perguntavam-lhe: «Que devemos, então, fazer?» 11 Respondia-lhes: «Quem tem duas
túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo.»
12 Vieram também alguns cobradores de impostos, para serem baptizados e disseram-lhe:
«Mestre, que havemos de fazer?» 13 Respondeu-lhes: «Nada exijais além do que
vos foi estabelecido.» 14 Por sua vez, os soldados perguntavam-lhe: «E nós, que
devemos fazer?» Respondeu-lhes: «Não exerçais violência sobre ninguém, não
denuncieis injustamente e contentai-vos com o vosso soldo.» 15 Estando o povo
na expectativa e pensando intimamente se ele não seria o Messias, 16 João disse
a todos: «Eu baptizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a
quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de baptizar-vos
no Espírito Santo e no fogo. 17 Tem na mão a pá de joeirar, para limpar a sua
eira e recolher o trigo no seu celeiro; mas queimará a palha num fogo
inextinguível.» 18 E, com estas e muitas outras exortações, anunciava a
Boa-Nova ao povo. 19 Mas Herodes, o tetrarca, a quem João censurava por causa
de Herodíade, mulher de seu irmão, e por todas as más acções que tinha
praticado, 20 acrescentou a todas as más acções, mais esta: encerrou João na
prisão. 21 Todo o povo tinha sido baptizado; tendo Jesus sido baptizado também,
e estando em oração, o Céu rasgou-se 22 e o Espírito Santo desceu sobre Ele em
forma corpórea, como uma pomba. E do Céu veio uma voz: «Tu és o meu Filho muito
amado; em ti pus todo o meu agrado.» 23 Ao iniciar o seu ministério, Jesus
tinha cerca de trinta anos. Supunha-se que era filho de José; e este de Eli, 24
e assim sucessivamente: de Matat, de Levi, de Melqui, de Janai, de José, 25 de
Matatias, de Amós, de Naum, de Esli, de Nagaí, 26 de Maat, de Matatias, de
Chimei, de Josec, de Jodá, 27 de Joanan, de Ressa, de Zorobabel, de Salatiel,
de Neri, 28de Melqui, de Adi, de Cosam, de Elmadam, de Er, 29 de Jesua, de
Eliézer, de Jorim, de Matat, de Levi, 30 de Simeão, de Judá, de José, de Jonam,
de Eliaquim, 31 de Meleá, de Mená, de Matatá, de Natan, de David, 32 de Jessé,
de Obed, de Booz, de Salá, de Nachon, 33 de Aminadab, de Admin, de Arni, de
Hesron, de Peres, de Judá, 34 de Jacob, de Isaac, de Abraão, de Tera, de Naor,
35 de Serug, de Ragau, de Péleg, de Éber, de Chela, 36 de Quenan, de Arfaxad,
de Sem, de Noé, de Lamec, 37 de Matusalém, de Henoc, de Jared, de Maleleel, de
Quenan, 38de Enós, de Set, de Adão, de Deus.
Comentários:
1-6 -
A
profecia de Isaías é bem clara: «todo o homem verá a salvação de Deus». O Reino de Deus está destinado a todos os homens como não
podia deixar de ser: criados à imagem e semelhança de Deus que outro destino
poderíamos ter? E, a redenção que João nos anuncia está a chegar com o
Nascimento do Salvador. Ele vem para nos confirmar na Fé e dar-nos os meios de
atingirmos o nosso fim.
Diz S. Lucas que «o Senhor falou a
João, filho de Zacarias, no deserto». Daqui se conclui que, João sabia intimamente
que tinha uma missão a cumprir, algo grande e muitíssimo importante, por isso
mesmo, se retira para o deserto esperando a revelação do que o Senhor queria
que fizesse. Não foi, portanto, uma decisão sua como se “algo lhe tivesse
passado pela cabeça” sem mais. As coisas grandes são assim mesmo: Grandes! Por
isso além de a necessária preparação pessoal deve esperar-se – e pedir – que o
Senhor indique o que quer que façamos. São Josemaria passou por algo semelhante
porque, desde muito novo, sabendo que o Senhor desejava alguma coisa muito
especial da sua pessoa, resolveu entrar no Seminário e ordenar-se Sacerdote,
repetindo contínuamente os seus pedidos de luz concreta e iniludível sobre o
que devia fazer. Só depois, quando a obtém essa certeza, lança ombros ao que
Deus lhe pede: o OPUS DEI! Nós, pessoas comuns, não temos porque ter especiais
revelações de Deus porque, também, o que se nos pede pode não ser assim tão
excepcional, mas, como sabemos, é-nos reservada uma missão apostólica bem
definida no mandato de Cristo. Por isso,
pondo-nos nas mãos de Deus, pedindo ao Espírito Santo que nos ilumine,
recorramos à Direcção Espiritual para obter a ajuda necessária para fazermos o
que temos de fazer.
Com a “precisão” que lhe é
característica, S. Lucas identifica e situa perfeitamente os a acontecimentos
que narra. O Evangelho é, de facto, uma história, a HISTÓRIA DA SALVAÇÃO, que
Jesus Cristo trouxe ao mundo e, como tal não poderia ser proposta às gentes que
não de uma forma absolutamente credível e “verificável”. São acontecimentos
relevantes que nos vão levando, passo a passo, a acompanhar a vida de Jesus
entre nós, as circunstâncias em que disse e fez as suas obras, os milagres, os
conselhos, advertências, avisos. Devemos lê-los e, com certeza o faremos
diariamente, uma e outra vez, fugindo à tentação de pensar: ‘isto já conheço!’.
A experiência de muitas vidas longas e cheias diz-nos que sempre se descobre
algo novo num trecho do Evangelho que lemos pela enésima vez. Talvez uma
palavra, uma expressão ou gesto que ressalta como autêntica novidade. Seria uma
pena se desperdiçássemos tamanha ventura!
10-18 -
São Lucas escreve uma página do Evangelho a
falar de João Baptista? Não deveria cingir-se a Jesus Cristo e à Sua vida entre
nós? De facto não se pode dissociar a figura do Percursor da Pessoa do
Salvador. Estão intimamente ligadas de tal forma que João é a principal e mais
importante testemunha de Jesus Cristo, da Sua missão, realeza, divindade. João
existe por Jesus, a sua vida é toda dedicada a preparar a Sua vinda, o seu
papel é, antes de mais, levar os homens ao encontro do Messias.
As pessoas fazem perguntas concretas sobre temas
concretos. É a única forma de se ser elucidado. Ter a humildade de perguntar
quando se não sabe a alguém que nos possa responder com são critério e segurança
doutrinal. Por isso a direcção espiritual é tão importante na vida do cristão
que deseja – como deve ser – fazer em tudo a Vontade de Deus.
Por aqui se pode ver que João é considerado como alguém
a quem recorrer pelas pessoas desejosas de levar uma vida correcta, fazer o que
está certo e, com isso, alcançarem as graças de Deus. Pessoas de todas as
condições sociais e com os mais variados misteres que, mais tarde, Jesus há-de
considerar como «ovelhas perdidas e sem
pastor», encontram em João as respostas às suas dúvidas e incertezas. A Lei
de Deus tal como era conduzida e imposta pelos chefes do povo, os Príncipes dos
Sacerdotes e os anciãos que se consideravam a eles próprios como os legítimos
detentores da verdade de Lei, tinha chegado a um ponto tal de exageros e
prescrições que se tornara uma «carga
insuportável» para os judeus de boa cepa. E, o Baptista, não deixa a
ninguém sem resposta, uma orientação, um conselho e, também, um aviso a levar
muito a sério: preparar o caminho, as almas, os corações para a vinda eminente
do Salvador arrependendo-se e mudando de vida.
João não é ‘apenas’ o Percussor, ou, por o ser, dá
as mesmas respostas de Jesus a perguntas semelhantes. Nem seria possível ser de
outra forma já que o caminho de salvação anunciado pelo Baptista é o caminho
que Jesus virá a confirmar como o adequado à salvação eterna. O Baptista não
tem outro objectivo que não seja a salvação dos homens e, sabe, que essa
salvação só pode vir do próprio Jesus Cristo. A sua postura solidamente humilde
– se assim se pode dizer – manifesta-se continuamente dizendo que não é ele,
João, mas sim Jesus Cristo quem devem ouvir e seguir. Sabe muito bem, e
repete-o constantemente, que o seu papel é anunciar e preparar a vinda do
Salvador, que a sua pessoa pouca relevância tem mas que a sua missão é de
capital importância – mesmo determinante – para o Reino de Deus entre os
homens. A partir dele, ninguém mais poderá dizer que não foi avisado e urgido a
preparar-se.
15-16 -
O que significam as palavras do Evangelista: «rasgou-se o céu»? Não é única esta referência. Também
o próprio Jesus Cristo afirmou: «Vereis o
céu aberto» Penso que se trata de algo que terá que ver com a capacidade de
ver os sinais de Deus. Por vezes, para confirmar os Seus filhos na Fé, o Senhor
tem como que estes “gestos” de carinho. Estarão na mesma linha as aparições
visíveis de Anjos, Santos, da Santíssima Virgem, do próprio Jesus Cristo.
O Baptismo é o Sacramento da
iniciação cristã. Abre a porta para o Reino de Deus e transforma-nos de simples
criaturas em Filhos de Deus. Torna-se assim clara a obrigação grave dos
responsáveis pela criança de a baptizar o mais cedo possível para não correr o
risco de perder tão grande bem.
Nada do que Jesus Cristo faz
é ocasional ou sem um sentido próprio. De facto, ao querer ser baptizado, com o
Baptismo da água, o Mestre quis, em primeiro lugar, instituir este acto como o
Sacramento indispensável para a introdução, por assim dizer, dos homens na Sua
Igreja. Mais tarde confirmá-lo-á esclarecendo as palavras rituais: «Ide, pois, ensinai todas as gentes,
baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo»
(AMA, 2018)
Memórias de Fátima
Começo
com:
1
- História verdadeira
Com
4/5 anos de idade, o sexto filho de uma família nessa altura com 7 irmãos, mais
tarde seriam 10, apareceu com uma doença, na época, pelos anos 1944/45,
estranha ou, pelo menos, pouco divulgada: Leucemia.
Não
havia, então, grandes meios, nem de diagnóstico e, muito menos de tratamento.
As análises semanais eram feitas e enviadas para Alemanha, em Portugal, não
havia recursos para tal. Os resultados revelavam sempre o agravamento da
doença.
Os
Pais, não desistiam de aplicar todos os meios, embora escassos, para lutar pela
saúde do seu filho e, sobretudo, todos os dias 13 de cada Mês, levavam-no a
Fátima onde participava na Missa dos peregrinos e recebia a Bênção dos Doentes.
O
miúdo olhava para a Mãe ao seu lado, vestida de Servita – Servita desde 1932,
com 22 anos de idade - e via nos seus olhos doces, fixando a Custódia, um
brilho de lágrimas incontidas.
Passados
talvez 2 anos e meio, num dia 13 de Maio, mais uma vez ali estiveram.
No
dia seguinte mais uma análise, desta vez com colheita de gânglios linfáticos
que se avolumavam no pescoço do rapazinho. Uns dias depois, talvez uma semana,
vieram os resultados do laboratório alemão:
-
Não havia vestígios de Leucemia!
As
análises continuaram, cada vez mais espaçadas e, os resultados mantinham-se.
O
rapazinho recuperou totalmente a saúde, foi para o colégio em Lisboa e fazia,
normalmente, a vida que todos os rapazes da sua idade faziam.
Passados
3 anos, em Fevereiro, nova e terrível doença:
-
Meningite no seu estado mais grave!
Não
havia ainda medicamentos apropriados (como a Estreptomicina que só apareceria
no mercado em Abril desse ano e por um preço astronómico). As punções lombares
cada dois dias eram um tormento indescritível e as dores de cabeça eram tais
que o Pai do menino pediu ao porteiro do prédio que desse uma moeda a cada
tocador de guitarra, acordeão etc., que então abundavam nas ruas de Lisboa, com
a recomendação de se afastarem do local.
Não
havia possibilidades de o levar a Fátima, tal a prostração e debilidade
crescentes, mas, a sua Mãe colocou-lhe debaixo da almofada da sua cama de quase
moribundo, um cravo que tinha colhido do andor de Nossa Senhora, em Fátima,
depois da “procissão do Adeus” num dia 13 também de Maio.
Passadas
poucas semanas, voltou para o colégio, são e salvo!
Naquela
família existiu – existe – sempre a convicção profunda que Jesus, por
intercessão da Sua Santíssima Mãe, tinha, mais uma vez, operado um milagre.
O
rapazinho viveu.
Tem,
hoje 80 anos!
A
Deus nada é impossível… e atende sempre a Sua Santíssima Mãe!
(AMA,
Memórias de Fátima)
Orações de Maio
Neste teu mês, Mãe, desejo meditar, diariamente, sobre ti, algo que te diga respeito.
Hoje celebramos o dia da Mãe e, eu, ao falar contigo, Mãe do Céu, lembro a minha Mãe que, agora, também está no Céu.
Cheio de gratidão por tudo quanto me ensinou, pelo amor que me deu, o carinho e ternura que me dispensou. Sei que Nosso Senhor, a tem junto de Si e, por isso, sei que não deixa agora, como sempre fez nesta terra, de velar e interceder por mim junto daquele que tudo pode.
Queridas Mães: obrigado
Do vosso filho, muito amigo
António
(AMA, Orações pessoais, 2010)
O mês de Nossa Senhora
"O
mês de Maio estimula-nos a pensar e a falar d'Ela de um modo particular. Este é
o seu mês. Assim, pois, o período do ano litúrgico [Páscoa], e o mês actual
chamam e convidam os nossos corações a abrir-se de uma maneira singular a
Maria." (João Paulo II, Audiência Geral, 2-V-1979)
Como
gostam os homens de que lhes recordem o seu parentesco com personagens da
literatura, da política, do exército, da Igreja!... - Canta diante da Virgem
Imaculada, recordando-Lhe: Ave, Maria, Filha de Deus Pai; Ave, Maria, Mãe de
Deus Filho; Ave, Maria, Esposa de Deus Espírito Santo... Mais do que tu, só
Deus! (Caminho,
496)
De
uma maneira espontânea, natural, surge em nós o desejo de conviver com a Mãe de
Deus, que é também nossa mãe; de conviver com Ela como se convive com uma
pessoa viva, porque sobre Ela não triunfou a morte; está em corpo e alma junto
a Deus Pai, junto a seu Filho, junto ao Espírito Santo.
Para
compreendermos o papel que Maria desempenha na vida cristã, para nos sentirmos
atraídos por Ela, para desejar a sua amável companhia com filial afecto, não
são precisas grandes especulações, embora o mistério da Maternidade divina
tenha uma riqueza de conteúdo sobre a qual nunca reflectiremos bastante.
A
fé católica soube reconhecer em Maria um sinal privilegiado do amor de Deus.
Deus chama-nos, já agora, seus amigos; a sua graça actua em nós, regenera-nos
do pecado, dá-nos forças para que, entre as fraquezas próprias de quem é pó e
miséria, possamos reflectir de algum modo o rosto de Cristo. Não somos apenas
náufragos que Deus prometeu salvar; essa salvação já actua em nós. A nossa
relação com Deus não é a de um cego que anseia pela luz mas que geme entre as
angústias da obscuridade; é a de um filho que se sabe amado por seu Pai.
Dessa
cordialidade, dessa confiança, dessa segurança, nos fala Maria. Por isso o seu
nome vai tão direito aos nossos corações. A relação de cada um de nós com a
nossa própria mãe pode servir-nos de modelo e de pauta para a nossa intimidade
com a Senhora do Doce Nome, Maria. Temos de amar a Deus com o mesmo coração com
que amamos os nossos pais, os nossos irmãos, os outros membros da nossa
família, os nossos amigos ou amigas. Não temos outro coração. E com esse mesmo
coração havemos de querer a Maria.
Como
se comporta um filho ou uma filha normal com a sua Mãe? De mil maneiras, mas
sempre com carinho e confiança. Com um carinho que se manifestará em cada caso
de determinadas formas, nascidas da própria vida, e que nunca são algo de frio,
mas costumes muito íntimos de família, pequenos pormenores diários que o filho
precisa de ter com a sua mãe e de que a mãe sente falta, se o filho alguma vez
os esquece: um beijo ou uma carícia ao sair ou ao voltar a casa, uma pequena
delicadeza, umas palavras expressivas...
Nas
nossas relações com a nossa Mãe do Céu, existem também essas normas de piedade
filial, que são modelo do nosso comportamento habitual com Ela. Muitos cristãos
tornam seu o antigo costume do escapulário; ou adquirem o hábito de saudar (não
são precisas palavras; o pensamento basta) as imagens de Maria que há em
qualquer lar cristão ou que adornam as ruas de tantas cidades; ou dão vida a
essa oração maravilhosa que é o Terço, em que a alma não se cansa de dizer
sempre as mesmas coisas, como não se cansam os enamorados, e em que se aprende
a reviver os momentos centrais da vida do Senhor; ou então habituam-se a
dedicar à Senhora um dia da semana - precisamente este em que estamos reunidos:
o sábado - oferecendo-lhe alguma pequena delicadeza e meditando mais
especialmente na sua maternidade. (Cristo que passa, 142)
Maria
Santíssima, Mãe de Deus, passa despercebida, como uma qualquer, entre as
mulheres do seu povo.
Aprende
d'Ela a viver com «naturalidade». (Caminho, 499)
Temas para reflectir e meditar
Ser fortes de ânimo ajuda a suportar as dificuldades e
superar nossos limites. Para os cristãos, Cristo é o exemplo para viver uma virtude
que abre a porta a muitas outras.
1. “Per aspera
ad astra!”
“Através das dificuldades, chega-se às estrelas”. Esta
conhecida frase de Séneca exprime de modo gráfico a experiência humana de que,
para conseguir o melhor, há que esforçar-se, de que “o que vale, custa”, de que
é preciso lutar para vencer os obstáculos e arestas que se vão apresentando ao
longo da vida, para poder alcançar os bens mais altos.
Muitas obras literárias de diversas culturas exaltam a
figura do herói, que encarna de algum modo as palavras da sabedoria latina, que
qualquer pessoa desejaria também para si: nil
difficile volenti, nada é difícil para aquele que quer.
Assim pois, a nível humano, a fortaleza é valorizada e
admirada. Essa virtude, que anda de mãos dadas com a capacidade de sacrificar-se,
tinha entre os antigos um contorno bem definido. O pensamento grego considerava
a “andreia” como uma das virtudes cardeais [i], que modera os
sentimentos de combate próprios do apetite irascível, e assim dá vigor ao homem
para procurar o bem, mesmo que seja difícil e árduo, sem que o medo o detenha.
[i] Cf. Ángel Rodríguez Luño, Scelti in
Cristo per esssere santi. III. Morale
speciale, EDUSC, Roma 2008, pp. 284 e 289.
Dia do trabalhador
São
José operário
São José, meu Pai e Senhor, peço-te por todos os que procuram trabalho e não o
conseguem encontrar.
(AMA,
2010.05.01)
FILOSOFIA E RELIGIÃO
CRISTO E O DESTINO DO HOMEM
“O homem aspira a ser Deus, e nisso não há
mal nenhum, pois foi o próprio Deus Quem assim nos fez e o quis assim. E, se
assim nos fez, para alguma coisa foi. O absurdo não está em o homem querer ser
Deus mas, em querer ser Deus, sem Deus ou contra Deus”.[1]
(A.
Veloso, Cristo e o destino do homem, Brotéria, Julho 1952, p.15)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Contenção; alguma privação; ser humilde.
Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.
Lembrar-me:
Filiação divina.
Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
30/04/2020
Amemos a direcção espiritual!
Abriste sinceramente o teu coração ao teu Director, falando na
presença de Deus... E foi maravilhoso verificar como tu ias encontrando sozinho.
a resposta adequada às tuas próprias tentativas de evasão. Amemos a direcção
espiritual! (Sulco, 152)
Conhecem muito bem as obrigações do vosso caminho de cristãos, que
os hão-de levar sem parar e com calma à santidade; também estão precavidos
contra as dificuldades, praticamente contra todas, porque já se vislumbram
desde o princípio do caminho. Agora insisto em que se deixem ajudar e guiar por
um director de almas, a quem confiem todos os entusiasmos santos, os problemas
diários que afectarem a vida interior, as derrotas que sofrerem e as vitórias.
Nessa direcção espiritual mostrem-se sempre muito sinceros: não
deixem nada por dizer, abram completamente a alma, sem medo e sem vergonha.
Olhem que, se não, esse caminho tão plano e tão fácil de andar complica-se e o
que ao princípio não era nada acaba por se converter num nó que sufoca.
(...) Lembram-se da história do cigano que se foi confessar? Não
passa de uma história, de uma historieta, porque da confissão nunca se fala e,
além disso, estimo muito os ciganos. Coitadinho! Estava realmente arrependido:
Senhor Padre, acuso-me de ter roubado uma arreata... – pouca coisa, não é? – e
atrás vinha uma burra...; e depois outra arreata...; e outra burra... e assim
até vinte. Meus filhos, o mesmo acontece no nosso comportamento: quando cedemos
na arreata, depois vem o resto, a seguir vem uma série de más inclinações, de
misérias que aviltam e envergonham; e acontece o mesmo na convivência:
começa-se com uma pequena falta de delicadeza e acaba-se a viver de costas uns
para os outros, no meio da indiferença mais gelada. (Amigos de Deus, 15)
LEITURA ESPIRITUAL
São Lucas
Cap. II
1 Visto que muitos empreenderam compor
uma narração dos factos que entre nós se consumaram, 2 como no-los transmitiram
os que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram
"Servidores da Palavra", 3 resolvi eu também, depois de tudo ter investigado
cuidadosamente desde a origem, expô-los a ti por escrito e pela sua ordem,
caríssimo Teófilo, 4 a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído.
5 No tempo de Herodes, rei da Judeia, havia um
sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era da descendência
de Aarão e se chamava Isabel. 6 Ambos eram justos diante de Deus, cumprindo
irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor. 7 Não tinham
filhos, pois Isabel era estéril, e os dois eram de idade avançada. 8 Ora,
estando Zacarias no exercício das funções sacerdotais diante de Deus, na ordem
da sua classe, 9 coube-lhe, segundo o costume sacerdotal, entrar no santuário
do Senhor para queimar o incenso. 10 Todo o povo estava da parte de fora em
oração, à hora do incenso. 11 Então, apareceu-lhe o anjo do Senhor, de pé, à
direita do altar do incenso. 12 Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se
de temor. 13 Mas o anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias: a tua súplica foi
atendida. Isabel, tua esposa, vai dar-te um filho e tu vais chamar-lhe João. 14
Será para ti motivo de regozijo e de júbilo, e muitos se alegrarão com o seu
nascimento. 15 Pois ele será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem
bebida alcoólica; será cheio do Espírito Santo já desde o ventre da sua mãe 16 e
reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. 17 Irá à frente,
diante do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os
corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de
proporcionar ao Senhor um povo com boas disposições.» 18 Zacarias disse ao
anjo: «Como hei-de verificar isso, se estou velho e a minha esposa é de idade avançada?»
19 O anjo respondeu: «Eu sou Gabriel, aquele que está diante de Deus, e fui
enviado para te falar e anunciar esta Boa-Nova. 20 Vais ficar mudo, sem poder
falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas
minhas palavras, que se cumprirão na altura própria.» 21 O povo, entretanto,
aguardava Zacarias e admirava-se por ele se demorar no santuário. 22 Quando
saiu, não lhes podia falar e eles compreenderam que tinha tido uma visão no
santuário. Fazia-lhes sinais e continuava mudo. 23 Terminados os dias do seu
serviço, regressou a casa. 24 Passados esses dias, sua esposa Isabel concebeu
e, durante cinco meses, permaneceu oculta. 25 Dizia ela: «O Senhor procedeu
assim para comigo, nos dias em que viu a minha ignomínia e a eliminou perante
os homens.» 26 Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi
enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, 27 a uma virgem
desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era
Maria. 28 Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o
Senhor está contigo.» 29 Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria
de si própria o que significava tal saudação. 30 Disse-lhe o anjo: «Maria, não
temas, pois achaste graça diante de Deus. 31 Hás-de conceber no teu seio e dar
à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. 32 Será grande e vai chamar-se
Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, 33 reinará
eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.» 34 Maria disse
ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» 35 O anjo respondeu-lhe: «O
Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua
sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus.
36 Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no
sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, 37 porque nada é impossível a Deus.»
38 Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua
palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela. 39 Por aqueles dias, Maria pôs-se a
caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. 40 Entrou
em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41 Quando Isabel ouviu a saudação de
Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito
Santo. 42 Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito
é o fruto do teu ventre. 43 E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu
Senhor? 44 Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino
saltou de alegria no meu seio. 45 Feliz de ti que acreditaste, porque se vai
cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.» 46 Maria disse, então: «A
minha alma glorifica o Senhor 47 e o meu espírito se alegra em Deus, meu
Salvador. 48Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante,
me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49 O Todo-poderoso fez em mim
maravilhas. Santo é o seu nome. 50 A sua misericórdia se estende de geração em
geração sobre aqueles que o temem. 51 Manifestou o poder do seu braço e
dispersou os soberbos. 52 Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os
humildes. 53 Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias.
54 Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55 como tinha
prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.» 56 Maria
ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa. 57 Entretanto,
chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. 58 Os seus vizinhos
e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia,
rejubilaram com ela. 59 Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam
dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60 Mas, tomando a palavra, a mãe disse: «Não;
há-de chamar-se João.» 61 Disseram-lhe: «Não há ninguém na tua família que
tenha esse nome.» 62 Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele
se chamasse. 63 Pedindo uma placa, o pai escreveu: «O seu nome é João.» E todos
se admiraram. 64 Imediatamente a sua boca abriu-se, a língua desprendeu-se-lhe
e começou a falar, bendizendo a Deus. 65 O temor apoderou-se de todos os seus
vizinhos, e por toda a montanha da Judeia se divulgaram aqueles factos. 66 Quantos
os ouviam retinham-nos na memória e diziam para si próprios: «Quem virá a ser
este menino?» Na verdade, a mão do Senhor estava com ele. 67 Então, seu pai, Zacarias, ficou cheio do
Espírito Santo e profetizou com estas palavras: 68 «Bendito o Senhor, Deus de
Israel, que visitou e redimiu o seu povo 69e nos deu um Salvador poderoso na
casa de David, seu servo, 70 conforme prometeu pela boca dos seus santos, os
profetas dos tempos antigos; 71 para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos
de todos os que nos odeiam, 72 para mostrar a sua misericórdia a favor dos
nossos pais, recordando a sua sagrada aliança; 73 e o juramento que fizera a
Abraão, nosso pai, que nos havia de conceder esta graça: 74 de o servirmos um
dia, sem temor, livres das mãos dos nossos inimigos, 75 em santidade e justiça,
na sua presença, todos os dias da nossa vida. 76 E tu, menino, serás chamado
profeta do Altíssimo, porque irás à sua frente a preparar os seus caminhos, 77 para
dar a conhecer ao seu povo a salvação pela remissão dos seus pecados, 78 graças
ao coração misericordioso do nosso Deus, que das alturas nos visita como sol
nascente, 79 para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e
dirigir os nossos passos no caminho da paz.» 80 Entretanto, o menino crescia, o
seu espírito robustecia-se, e vivia em lugares desertos, até ao dia da sua
apresentação a Israel.
Comentários:
5-25 –
No
início da história da salvação da humanidade os Santos Anjos têm três missões
de suma importância: Anunciar a José a maternidade de Maria; Anunciar a
Zacarias o nascimento de João Baptista e, finalmente, o anúncio à Santíssima
Virgem que iria ser Mãe do Salvador. O primeiro não faz qualquer pergunta
depois do sonho em que o Anjo lhe transmitiu a vontade de Deus. Faz
imediatamente como lhe é ordenado. O segundo faz perguntas, fica surpreendido,
não tem a certeza se deve ou não acreditar. O terceiro anúncio também provoca
perguntas naturais, simples que, uma vez esclarecidas resolvem qualquer
hesitação. De certo modo fica bem claro que os corações puros e as almas simples
– que não quer dizer ingénuas – estão predispostos a receber e aceitar o que
Deus manda.
Não podemos comparar as duas “anunciações”: a
Nossa Senhora e a Zacarias. Ambas contêm notícias de suma importância enviadas
por Deus por meio dos Seus Anjos mas, as pessoas que as recebem são diferentes.
A Santíssima Virgem está admirada e surpreendida e, por isso, faz uma pergunta.
A resposta é concludente para ela porque sabe muito bem o que consta nas
Escrituras. Por isso, humildemente, se declara a “escrava do Senhor” e se
dispõe a aceitar sem mais oque lhe é anunciado. Zacarias não tem – não pode ter
– a mesma candura e pureza de coração da Virgem Maria e por isso “se fica” num
abismo de incredulidade talvez por não se considerar digno de tal anúncio que
lhe é feito. Os Santos Anjos são muitas vezes encarregados por Deus de fazer
chegar às criaturas os desígnios da Sua Vontade. Nomeadamente os da guarda de
cada um com insinuações inspiradas e simples. Nós não temos que pôr à prova
coisa nenhuma, sabemos com segurança que estes excelentes seres têm por missão
proteger-nos, guiar-nos e assistir-nos.
26-38
-
A
Mãe do Rei é a Rainha. Rainha do mundo, dos céus e da terra, dos Anjos e dos
homens porque o seu Filho é o Rei Supremo de quanto existe. Assim foi coroada
numa festa celeste que dura permanentemente e assim é venerada pelos seus
súbditos os homens. Com especial relevo por nós portugueses porque, em acto
soleníssimo, como tal foi coroada pelo próprio Rei de Portugal.
E se tivesse dito que não, que o que lhe era
pedido era demais, muito alto, muito grande e que, ela, Maria, não estava à
altura de planos tão grandiosos! Era possível esta resposta? Sim, era e, até de
certo modo, compreensível. Mas, a Virgem, em vez de se reconhecer como não
merecedora de tão extraordinária escolha, o que poderia parecer um acto de
humildade, prefere declarar-se escrava. Ora a atitude da escrava dispensa a
declaração de humildade, mas exige a da obediência total e sem reservas à
vontade do seu Senhor. E, a verdade, é que esta escrava, se converte em Rainha
– cuja festa hoje celebramos – e como tal é coroada nos Céus por Deus Nosso
Senhor, numa festa cuja grandiosidade não podemos imaginar. Vemos os Anjos e
Potestades e os Santos mirando a Sua Rainha com tal amor e admiração que
perdura para todo o sempre.
Quem
é esta «escrava do Senhor»? Nada menos que a verdadeira Mãe de Deus! À maior
dignidade corresponde a maior humildade! Como se pode entender tal coisa? Temos
de fazer um verdadeiro esforço para tentar compreender em toda a sua magnitude
esta extraordinária verdade e, mesmo assim, ficaremos sempre muito longe. É que
a humildade da Santíssima Virgem não colide com a sua magnífica maternidade,
bem ao contrário, quanto mais humilde mais próximo de Deus e, portanto, à maior
proximidade - que a maternidade implica - corresponderá a mais absoluta
humildade. Porque «achou graça diante de Deus» a humilde virgem foi elevada à
mais alta posição de mulher!
A
Liturgia escolheu para este dia de festa – a Imaculada Conceição de Nossa
Senhora – o texto em que São Lucas relata o anúncio da Maternidade de Maria. Aquela
jovem mulher, escolhida por Deus desde o princípio dos tempos, é a criatura
mais perfeita e adornada de virtudes, de facto, a única que poderia ser a Mãe
do Salvador da humanidade. Na sua presença, hoje de modo muito particular,
lembramo-nos que também é nossa Mãe amantíssima, intercessora, refúgio e
protecção, sempre pronta a atender-nos.
No dia em que a Igreja celebra a festa de Nossa
Senhora Rainha este Evangelho é sem dúvida muito apropriado. Temos a mais
excelsa criatura cantando um hino de louvor pelas extraordinárias maravilhas
que o Senhor operou nela pelas quais será louvada por todo o sempre. A Mãe de
Deus não poderia ocupar outro lugar que não fosse o de Rainha dos Céus e da
terra dos anjos e dos homens. O nosso D. João IV assim o reconheceu ao
"oficialmente" com a autoridade régia que era a sua, que a Santíssima
Virgem era a Rainha de Portugal a única que poderia a partir de então usar a
coroa real símbolo maior de grandeza e dignidade que nós portugueses somos o
único povo no mundo a colocar na sua cabeça. Com tão excelsa Senhora como
Rainha que também é nossa Mãe como não sermos felizes e gratos?
Com
este acontecimento extraordinário, que São Lucas nos relata com os detalhes que
deverá ter ouvido da própria Santíssima Virgem, começa, verdadeiramente, a
História da Salvação da Humanidade. Sentimos um misterioso clima de grandiosa
simplicidade – se assim se pode dizer – em que se envolvem uma jovem rapariga e
um Enviado de Deus, num diálogo intenso, de perguntas e respostas, de
estranheza e segurança, de incompreensão e acatamento. Nada falta! Tudo é completo,
grandioso e simples ao mesmo tempo como é sempre o momento em que a Vontade de
Deus é aceite e, naturalmente, se cumpre. Virgem e Mãe! Mãe sempre Virgem! A
Nossa Senhora! A nossa Mãe! «Dum steteris
in conspecto Domine, loquaris pro nos bona!» [i]
A
Liturgia repete este texto de São Lucas precisamente na véspera do dia em que
celebramos o nascimento do Salvador. E, evidentemente, tem uma intenção clara
ao fazê-lo: Que todos os cristãos retenham de forma indelével os acontecimentos
que marcaram para sempre a humanidade. Não podemos senão imaginar esta cena
íntima, reservada, simples e solene ao mesmo tempo. O que foi dito pelo Anjo, o
que a Senhora respondeu; à grandeza do anúncio pergunta como será; obtida a
resposta aceita rendidamente a Vontade de Deus. Mas, e além disso, aquela que
foi escolhida e designada como única entre todas as mulheres declara-se
escrava, humilde e simples e, por isso mesmo não diz ‘quero… aceito’ mas
«faça-se a Sua Vontade».
Ah! Senhora
minha, minha Mãe do Céu! Como eu te admiro e me sinto o mais feliz dos homens
por teres aceite ser a Mãe do Salvador! Sem o teu “fiat” pronto e simples,
tornaste-me, também a mim, teu Filho em que a Bondade e Misericórdia de Jesus,
pendente da Cruz onde dava a vida pela salvação da humanidade, te entregou a
João como sua mãe. De certa forma, Senhora, nasci da Cruz da Redenção e por
isso mesmo me recolhes nos teus braços amorosos para me protegeres e embalares
carinhosamente. Algumas das tuas lágrimas caíram sobre mim e são essas graças
que me permitem viver como vivo, bem agarrado ao teu manto protector. Senhora
minha, minha Querida Mãe: Hoje neste dia tão especial que todos no Céu e na
terra louvam e rejubilam com a tua Imaculada Conceição, atrevo-me a pedir-te –
e tanto… tanto te devo – que me ajudes a seguir as tuas indicações “fazendo
tudo quanto o Teu Filho quiser que faça” e, como em Caná, eu possa ser esse
servo obediente e solícito que desejas que seja. Atrevo-me a pedir-te uma vez
mais que quero ser melhor para poder ganhar esse Céu de onde me abençoas.
Como
num filme cujo realizador é o próprio Deus Todo Poderoso, uma novel actriz desempenha um papel inesquecível! A
cena é entranhável de simplicidade grandiosa e de extraordinária dignidade. O
que é dito pelos intervenientes é o essencial, o que verdadeiramente importa
para a esta primeira cena do filme da Salvação humana.
Este
é um trecho do Evangelho escrito por São Lucas que sabemos – todos os cristãos
– praticamente de cor. E é bom que assim seja porque se trata do relato do
maior e mais importante acontecimento para a humanidade. Deus, Nosso Senhor,
resolve que é chegado o momento de cumprir o prometido e dar início à salvação
dos Seus filhos, os homens e, de maneira completa e definitiva, como que pôr um
“ponto final” nas relações perturbadas pelo pecado dos nossos primeiros Pais. Aquela
que, desde o princípio dos tempos, determinara que seria a Mãe do Salvador está
disposta e disponível para aceitar a Sua Vontade com a simples humildade de uma
escrava que não tem outra vontade que a do seu Senhor. O diálogo breve e
intenso travado entre o Seu mensageiro e a Virgem é profunda e totalmente
esclarecedor, nada fica por dizer, nenhuma dúvida por colocar. Este é o início
da “nossa história” de filhos de Deus; gravemo-la de forma indelével no nosso
coração considerando a grandeza e honra que, sem qualquer mérito da nossa
parte, nos foram concedidas.
O maior
acontecimento da história humana parece - narrado pelo génio literário de S.
Lucas -, uma história simples desprovida de qualquer grandiosidade. E, de
facto, assim é. Deus Nosso Senhor é, Ele próprio, a simplicidade e a Santíssima
Virgem não é mais que uma jovem e simples rapariga da Galileia. Nós, homens,
apreciamos os discursos elaborados, a oratória grandiloquente sem as quais os
acontecimentos não têm relevância. Perdemo-nos nas palavras e esquecemos a
substância. Não nos esqueçamos nunca de agradecer ao Senhor todas as maravilhas
que Ele operou.
29-56
–
Este é um
Evangelho onde pela primeira vez aparece bem marcada a acção do Espírito Santo.
O conhecimento de Santa Isabel sobre a Santíssima Virgem, a
"agitação" do menino no seio de sua mãe, o Magnificat que irrompe
espontaneamente dos lábios da Virgem Santíssima. Estão presentes nesta cena
entranhável as Duas Pessoas da Santíssima Trindade que a partir daqueles
momentos acompanharão para sempre a humanidade: O Jesus Cristo que vem redimir
e salvar e O Paráclito que ficará para consolidar na Fé a mesma
humanidade.
Como é feliz esta jovem mulher a quem foi
revelado o papel de extraordinária relevância que irá desempenhar na história
da humanidade! Feliz não pela honra, o destaque, a distinção mas porque Deus Se
revelou na serva humilíssima como a si mesma se considera. Maria não pensa nela
mas em Deus que nela quis revelar-se porque, de facto, faz o que quer e como
quer. Não consegue manter por mais tempo o que lhe sufoca o peito e, as
palavras de Isabel foram como que a chave que abriu esse cofre e, o seu canto
de louvor, jorra impetuoso, intenso, magnífico.
A
Mãe de Deus dá-nos a sua segunda lição de humildade. A primeira foi quando
declarou a São Gabriel que se considerava a Escrava de Deus. A segunda, agora,
visitando a sua prima Isabel que no sexto mês de gravidez deveria precisar da
sua assistência. Não pensou um instante que ela, que já trazia no seu seio o
próprio Deus, não teria que sujeitar-se a uma deslocação longa e desconfortável
para prestar um serviço. É assim a Senhora Nossa Mãe: sempre pronta e
disponível para assistir a quem precisa. E… todos nós homens – seus filhos –
precisamos dela, constantemente, todos os dias da nossa vida. Que consolação o
sabermos que podemos contar com ela!
Já uma vez comentei que a história da
salvação humana começa como um filme em que as cenas se vão desenrolando
apresentando os protagonistas no momento próprio. E assim é, cabe-nos como
expectadores, prestar a melhor atenção para não perdermos um pormenor, um
detalhe e, naturalmente, guardá-los no nosso coração. O “realizador” – Deus Pai
– envia o Seu “Director de Cena” o Arcanjo Gabriel, para que estas passagens
tão importantes e decisivas tenham o desempenho correcto e ambiente adequado. E
nada falta: A grandiosidade do Anúncio, a aceitação da Virgem, a sua pronta
disponibilidade na assistência a Santa Isabel, o seu hino de louvor e
agradecimento… enfim, um “enredo” apaixonante que nos prende uma e outra vez,
que nos leva a repetir vezes sem conta a leitura destes trechos respeitantes à
“Visitação” de Nossa Senhora que hoje comemoramos. E ficamos sumamente gratos a
São Lucas que nos deixou o precioso “argumento” que nos comove e maravilha.
39-46 -
Ficamos
abismados e sem palavras ao tomar conhecimento desta primeira acção da Mãe de
Deus! Talvez que – poderíamos pensar- depois do Anjo a ter deixado, a Senhor
mergulhasse em oração profunda, íntima e intensa com Deus. Mas, ela
surpreende-nos – sempre nos surpreende – porque o que faz é apressar-se a dar
assistência à sua prima Isabel que, “já entrada em anos”, bem deveria precisar
dela. Os outros! A Senhora pensa nos outros, sempre, muito antes de os outros
lhe pedirem o que for. Está atenta, disponível, amável e carinhosa e, como em
Caná, onde mais uma vez faz o mesmo, não nos diz outra coisa que: «Fazei o que
Ele vos disser»!
O dom especial de São Lucas descreve uma cena
de capital importância como uma história simples, natural absolutamente
“normal”. A jovem Mãe que traz no seu ventre o Salvador não pensa em si e na
“sua grandeza excepcional” mas nos outros, neste caso Isabel que necessita da
sua assistência nos meses que antecedem o parto do filho há muito esperado. E
vai «apressadamente», como sublinha o Evangelista, cheia de ardor solidário e
prestativo pelos árduos caminhos da montanha de Judá. A alegria do encontro
está bem patente no que se segue: a saudação de Isabel e o magnífico hino da
Santíssima Virgem. Este importantíssimo episódio é bem elucidativo do carácter
da Santíssima Mãe de Deus: os outros, sempre os outros! Declara sem rebuço que
sabe muito bem quem é, e conhece os desígnios de Deus a seu respeito mas tudo
–a absolutamente tudo – se deve ao Senhor e aos Seus altos desígnios. Ela será
sempre a escrava do Senhor!
Não é possível
com palavras humanas descrever este momento inolvidável da história da salvação
Humanidade. Parece que estamos na presença de um acontecimento que irreal. A
Mãe de Deus, solta, irreprimível um hino de louvor que ficará para sempre
conhecido por Magnificat e entoado através dos tempos por milhões de crentes. As
Managlia dei são reconhecidas e
apregoadas aos quatro cantos da terra e, quem o fez é a que a ela própria se
considera escrava.
No espaço de poucos dias a Liturgia repete
este trecho do Evangelho de São Lucas. Parece-me muito natural e adequado que o
faça porque a dois dias do Nascimento do Salvador, nunca será demais revivermos
com compunção maravilhada os começos da história da Salvação da Humanidade. Pessoalmente,
o que talvez mais me faça reflectir é a ”simples grandiosidade”, se assim posso
dizer destes acontecimentos que, graças à pena inspirada do Evangelista,
podemos felizmente conhecer e meditar. Parece uma história de gente comum, sem
nenhum privilégio ou grandeza como, de facto será, o Nascimento do Salvador
numa simples gruta de pastores tendo por berço uma prosaica manjedoura de
animais. De maravilha em maravilha, vamos preparando a nossa alma e o nosso
coração com a simplicidade que Deus quer: Simplicidade de Criança!
A jovem mulher de Nazaré sabe que no seu seio
já habita o Rei do Mundo, o seu Filho que se chamará Jesus Cristo. Esta
maravilha grandiosa não a faz hesitar um momento em prestar assistência à sua
parente Isabel arrostando com os incómodos de uma viajem por caminhos duros e
agrestes. A Rainha dos Homens presta o seu primeiro serviço, o seu cuidado e
preocupação pelos homens seus irmãos. Sim, é verdade, ela declarou-se “a escrava
do Senhor”, mas não acrescentou o que sabemos sobejamente: Que é a Nossa Mãe
que nos protege e desvela em cuidados para connosco.
57-66-
Quando
acontecem factos extraordinários que saem do comum é natural haver sentimentos
de temor. O que não se compreende ou não tem uma explicação lógica e evidente,
além surpreender causa sempre esse sentimento de inquietação e perplexidade. É
o que acontece com o nascimento de São João Baptista. Todos sabem de
esterilidade de Isabel e da idade avençada do casal pelo que, a gravidez e o
nascimento do seu filho causa natural surpresa. Acrescenta-se a mudez de
Zacarias e a escolha do nome da criança, algo inusitado nos costumes de então. Como
que um sinal, o nascimento do Baptista decerto ficaria na memória de todos os
que presenciaram ou tomaram conhecimento destes factos extraordinários. É bem
evidente a Vontade de Deus a querer assinalar este novo ser ao qual estava
reservada uma missão de enorme importância.
O nosso nome,
aquele que nos identifica e pelo qual nos conhecem, faz parte integrante da
nossa vida. Mas, por si só, não basta, normalmente, para uma identificação
completa há que juntar os chamados apelidos, nomes de família dos nossos pais
e, assim, fica completa a nossa identificação. Nós, cristãos, para sermos
conhecidos por Deus Nosso Senhor, é suficiente esse recebido no Baptismo,
porque, Ele, nosso Pai, conhece-nos intimamente, individualmente, a cada um de
nós.
Quando
se trata de São João Baptista somos invadidos por um misto de ternura e
admiração. Ternura pela sua figura simples e absolutamente desprendida de bens
ou de afectos. Sabemos que teve numerosos seguidores mas sempre lhes referiu
que seria Outro Quem deveriam seguir. Uma vida austera, frugal de afastamento
voluntário da vida de sociedade. Admiração porque embora sabendo muito bem a
relevância da sua missão como Percursor se considerava como não estar à altura
nem ter dignidade suficiente para tal: «não
sou digno de desatar as correias das sandálias...». Por último, cumprido o seu papel na História
da Salvação da Humidade entrega a sua vida em holocausto total
É
importante o nome que os nossos Pais e Padrinhos escolhem para nós no dia do
nosso Baptismo? Evidentemente que sim e, por isso mesmo, a escolha desse nome -
pelo qual seremos conhecidos pelos homens nossos irmãos e por Deus nosso Pai -,
deverá obedecer a critérios correctos que não se coadunam com subjectividades,
nem “modas” do momento. O Baptismo é um Sacramento cristão logo, a escolha de
um nome cristão é (consoante a nacionalidade do baptizando, sem qualquer
dúvida, o mais adequado.
São
João Baptista é o único santo que a Igreja celebra por duas vezes: O nascimento
e a morte. O primeiro porque está indelevelmente ligado à Redenção, ele foi o
percursor do anúncio da vinda do Reino de Deus, cuja chegada eminente seria
confirmada por Jesus Cristo. O segundo porque foi o último mártir do Antigo
Testamento, como que iniciando a multidão de mártires que dariam – e continuam
a dar – as suas vidas por Cristo e pela Verdade.
67-79 -
Penso em Zacarias e no que deve ter sofrido
no seu silêncio forçado pela dúvida manifestada ao Anjo. Mas, Zacarias, é um
homem de Deus, profundamente crente e não pode mais que deixar expandir o que
lhe vai na alma neste maravilhoso hino que o Espírito Santo lhe insinuou e que,
para sempre, ficará como a expressão da verdadeira fé, do autêntico amor, da
confiança absoluta nas promessas de Deus.
São Lucas apresenta-nos a sua descrição do
Nascimento de Jesus de uma forma “mais completa”, fazendo preceder o
acontecimento fulcral da Salvação da humanidade, da genealogia do Salvador. A
sua intenção é clara: Revelar a identidade completa do Menino para que não
restem dúvidas de Quem È e como Se relaciona com os homens. Depois repete,
também, a descrição da revelação do Anjo a São José. Podemos dizer que, na
véspera do dia em que a Igreja e o mundo celebram o Acontecimento, quer
deixar-nos um relato muito concreto e em detalhe dos acontecimentos que
precederam o grande momento da história da Salvação.
(AMA, 2018)
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