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31/05/2020

As minhas memórias de Fátima


O que me liga a Fátima - ee

Em 11 de Julho de 2012, D. Javier Echevarria, Prelado do Opus Dei, meu querídissimo AMIGO, entregou-me pessoalmente, em Enxomil, a fotografia que publico.


Nela escreveu (em português):


Santa Maria, faz com que sejamos pessoas apostólicas, alegres e fiéis.


Guardo como jóia preciosa este “presente” de um SANTO!




(AMA, Memórias de Fátima)

30/05/2020

As minhas memórias de Fátima


O que me liga a Fátima - dd


Sim, vou a Fátima constantemente, atraído pela Doçura, pela Paz, pelo Amor filial.

E, ali, serenamente, com confiança total de filho pequeno, digo-lhe:

Monstra te esse matrem!
Sim, mostra que és Mãe, minha Mãe.
Como, apesar de tudo quanto não sou e deveria ser, tu és minha Mãe e me queres, e me proteges, e desejas a minha felicidade aqui na terra e, depois, no Céu.
Monstra te esse matrem!
Ajuda-me também a mostrar-me como teu filho, a comportar-me, a conduzir a minha vida como teu filho, e, sobretudo: Recordare Virgo Mater Dei, dum steteris in conspectu Domini et loquaris pro me bona.
Ámen.

(AMA, Memórias de Fátima)

29/05/2020

As minhas memórias de Fátima


O que me liga a Fátima - cc

Repito:

Nesta minha vida de oitenta anos que o Senhor me concedeu viver, Fátima – Nossa Senhora de Fátima -, marcou-me profundamente.

Nem poderia ser de outro modo!

O meu coração, a minha alma vibram com a invocação – constante – da minha Querida Mãe do Céu.

Sem qualquer esforço, vou lá – a Fátima – várias vezes por dia.

Ajoelho-me a seus pés, contemplo a sua Imagem e digo-lhe que a amo com todo o meu ser.

 (AMA, Memórias de Fátima)

28/05/2020

As minhas memórias de Fátima

Mãe, do lado direito

O que me liga a Fátima - bb

A minha querida Mãe foi das primeiras servitas de Fátima.

O primeiro registo fotográfico que possuo data de 13 Outubro de 1932.

A Minha Mãe, tinha vinte dois anos!



(AMA, Memórias de Fátima)

27/05/2020

As minhas memórias de Fátima


O que me liga a Fátima - aa

Quando acabavam as cerimónias dos dias treze – de Maio a Outubro – os SERVITAS rezavam:

Ó Maria, Senhora de Fátima!
Senhora da Imagem do andor,
dos lenços brancos,
dos cantos e das lágrimas.

Senhora do silêncio da Capelinha,
Senhora da Luz das procissões,
Senhora da Esperança dos doentes,
Senhora da Paz dos corações.

Senhora da Penitência,
Senhora da Oração,
Senhora da promessa,
Senhora da Conversão.

És refúgio dos que pecamos,
És Mãe quando sofremos,
És consolo quando choramos,
És presença quando Te queremos.

Diz-nos, é Mãe, que queres de nós Teus Servitas?
Trabalho, doação, serviço,
Caridade, coração, silêncio...
Queres certamente:
Oração, Penitência, Conversão.

Por estes dias ao Teu serviço, obrigado Senhora!
Para os tempos que vivemos, a Tua Luz, Maria!
Para o futuro que nos espera, a Tua bênção ó Mãe!


(AMA, Memórias de Fátima)

26/05/2020

As minhas memórias de Fátima


O que me liga a Fátima - z

Nesta minha vida de oitenta anos que o Senhor me concedeu viver, Fátima – Nossa Senhora de Fátima -, marcou-me profundamente.

Não são só as memórias da juventude mas, também, os dias vividos em “serviço” activo como SERVITA.

Ser SERVITA, foi uma honra, um privilégio.

Sinto-me, ainda, SERVITA!

(AMA, Memórias de Fátima)

25/05/2020

Memórias de Fátima

As minhas memórias de Fátima - 25

O que me liga a Fátima - x

Sinto-me em Fátima, na Capelinha, a olhar para a doce imagem da minha Mãe do Céu e digo-lhe com naturalidade de filho, que desejaria muito estar sempre ali fisicamente já que, no meu espírito, assim é.

E peço-lhe:

Doce Mãe, olha pelas minhas filhas, pelos meus netos, ajuda-me a instilar nos seus corações o imenso, terno, filial amor que sinto por Ti.

(AMA, Memórias de Fátima)

22/05/2020

Memórias de Fátima

As minhas memórias de Fátima - 22

O que me liga a Fátima - v


Sempre que vou a Fátima tenho a sensação de ir a “casa”.

Sim, casa de família onde me sinto muito bem sabendo-me parte importante de uma família de muitos milhões de pessoas.

Mas parece-me - aliás, tenho a certeza - que a Mãe comum só tem olhos para mim como se eu estivesse sozinho, sem mais ninguém.

Na verdade, todos os dias vou a Fátima e mais de uma vez cada dia.

Tenho no meu coração, na minha alma tão nitidamente gravados o ambiente, a imagem, que respiro - o ar que ali de respira -, vibro com a emoção interior que sempre sinto.

E não me canso de olhar para Ela e, embora muitas vezes nem diga nada - Ela sabe, conhece tudo quanto quero dizer-lhe - fico-me na sua agradável companhia tranquilo e feliz.

(AMA, Memórias de Fátima)

21/05/2020

Memórias de Fátima

As minhas memórias de Fátima - 21

O que me liga a Fátima - u

Tínhamos alguns “encargos”, já se vê, por exemplo, ir de manhã à padaria do Heleno buscar o pão para o pequeno almoço. Que pão, senhores!
Muitas vezes, quando chegávamos a casa tínhamos de voltar à padaria porque, pelo caminho, o pão fresco, estaladiço, já tinha “marchado”.

Outro “encargo” era ir ao Carmelo buscar leite fresco.

Levávamos uma jarra de esmalte branco, que colocávamos na “roda” do parlatório e, passados poucos minutos, a “roda” dava a volta e lá vinha a caneca cheia de leite.

(AMA, Memórias de Fátima)

20/05/2020

Memórias de Fátima

As minhas memórias de Fátima - 20

O que me liga a Fátima - t

Os meus amigos perguntavam-me muitas vezes o que é que fazíamos em Fátima, que deveria ser uma maçada de todo o tamanho, se passávamos a vida na Missa ou a rezar o Terço…

Nada disso, respondia sempre, a única “devoção”, por assim dizer, estabelecida, era a visita à noite, depois de jantar à Capelinha.

Mas nós não estávamos sozinhos. Havia pelo menos mais duas famílias com rapazes e raparigas da nossa idade e divertíamo-nos imenso, por exemplo, ir de burro ou de carroça à feira de São Mamede, passeios de bicicleta, jogos de “apanhar”, etc.
Duas dessas famílias eram os Raposo Magalhães e os Roque de Pinho, desta, lembro-me especialmente do Álvaro – conhecido como Álvaro Barreto que foi um homem notável na vida politica – e por isso tínhamos sempre companheiros de brincadeiras e aventuras.



(AMA, Memórias de Fátima)

19/05/2020

Memórias de Fátima

As minhas memórias de Fátima - 19

O que me liga a Fátima - s

Pode dizer-se que nós tínhamos um “Capelão privativo” que era o Cónego Dr. José Gracias, primeiro Pároco da Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa e, depois, secretário privado do Cardeal Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

Era uma pessoa de uma cultura extraordinária que juntava as suas raízes goesas à sua formação académica em Direito e à sua espiritualidade intensamente vivida. Passava quase todo o mês de Setembro connosco.

Foi ele quem me deu a Primeira comunhão e, também aos meus irmãos mais novos.

Estava constantemente a falar de Fátima e de Nossa Senhora. Era um “apaixonado”.

(AMA, Memórias de Fátima)

18/05/2020

Memórias de Fátima


As minhas memórias de Fátima - 18

O que me liga a Fátima - r

Entretanto, eu tinha ido para Angola – em Dezembro de 1962 só regressando em 1965 - e, já só tenho memória do Reitor Dr. Luciano Guerra que exerceu o cargo de Reitor de 1973 a 2008, pessoa que muito estimo e que, sobretudo lembro, pelas “reflexões” que sempre fazia após a “Procissão das Velas” - nos dias 12 à noite - quando a imagem da Senhora regressava à Capelinha, num ambiente de silêncio impressionante em que a sua voz forte e compassada ia directa ao coração dos peregrinos.



A última vez que o vi foi no funeral da minha querida Mãe, em Monte Real, em 2006.



(AMA, Memórias de Fátima)

17/05/2020

Memórias de Fátima

As minhas memórias de Fátima - 17

O que me liga a Fátima - q

Ao Padre Amílcar sucedeu um Sacerdote chamado Joaquim Lourenço – de quem não me lembro – e que exerceu o cargo como Reitor Interino até 1959.

Depois, em 1959 e até 1970, foi nomeado Reitor, Monsenhor Dr. António Antunes Borges, acabado de chegar de Roma onde tinha sido Reitor do Colégio Português naquela cidade.
Era um grande amigo dos meus Pais, um “gentleman”, com um trato agradabilíssimo, sempre com a sua “Leica” a tiracolo com a qual tirava fotografias fantásticas muitas das quais fazem parte dos álbuns da minha família.

(AMA, Memórias de Fátima)

16/05/2020

Memórias de Fátima


As minhas memórias de Fátima - 16

O que me liga a Fátima - p

Lembro-me que este Padre Carlos andava sempre muito bem arranjado, de batina e com faixa. Tinha um trato muito educado.

O Padre Amílcar era mais “sisudo”, talvez pelo peso da responsabilidade que lhe pesava nos ombros, mas, hoje, a esta distância de tantos anos, vejo-o mais como um homem de grande discrição e muito pouco afeito a “dar nas vistas”. [1], [2]

Ambos eram visitas de nossa casa onde iam jantar com frequência.

(Para nós – irmãos – era óptimo, porque significava “refeição melhorada”.)

Está-se a ver… nós os seis – depois nove – irmãos, mais duas empregadas e os amigos que sempre se juntavam, a São (cozinheira da casa durante mais de trinta anos) tinha que dar tratos à imaginação para pôr comida na mesa!

(AMA, Memórias de Fátima)




[1] Os dois Sacerdotes foram depois nomeados Cónegos do Cabido da Sé de Leiria.
[2] O Padre Amílcar foi Reitor até 1957

15/05/2020

Memórias de Fátima


As minhas memórias de Fátima - 15

O que me liga a Fátima - o


O primeiro Reitor do Santuário que tenho memória, chamava-se Amílcar Martins Fontes, que tinha sido nomeado em 1941, porque até ali o Santuário apenas tinha Capelão.

Era coadjuvado pelo Padre Carlos, pessoa muito simpática que tinha o seu quarto no topo da torre sul do primeiro edifício – Hospital – e tinha um canário cuja gaiola tinha a porta sempre aberta.

Era fascinante ver o passarinho – que trinava maravilhosamente – a esvoaçar por todo o quarto e, às vezes, arriscar-se nuns voozitos pelo exterior.

(AMA, Memórias de Fátima)

14/05/2020

Memórias de Fátima


As minhas memórias de Fátima - 14

O que me liga a Fátima – n

Desde as primeiras horas da manhã dezenas de homens abriam nas pedras, os buracos para os cartuchos de dinamite.

Isto era feito “à mão” – não havia máquinas para tal – com uns grossos varões de ferro, num esforço contínuo, ciclópico.



(AMA, Memórias de Fátima)

13/05/2020

Memórias de Fátima

As minhas memórias de Fátima - 13

O que me liga a Fátima - m

Se bem me lembro tudo começava pelas Cinco da Tarde.

Tocavam várias cornetas durante uns minutos. O pessoal recolhia-se para longe. Tudo parava!

Passados uns dez ou quinze minutos era como que um “fim do mundo” com explosões sucessivas durante largos minutos.

(AMA, Memórias de Fátima)

12/05/2020

Memórias de Fátima

As minhas memórias de Fátima - 12

O que me liga a Fátima - l

Um dos “espectáculos”  que me deliciava era o constante voo de milhares de andorinhas que faziam ninho nas cimalhas do edifíco.

Indiferentes ao constante ribombabar dos tiros de dinamite que rebentavam os pedregulhos do recinto, faziam acobracias fantásticas por entre os pedaços de pedra que voavam pelos ares.


(AMA, Memórias de Fátima)

11/05/2020

Memórias de Fátima

As minhas memórias de Fátima 

O que me liga a Fátima - x

O altar do mundo!

Alguém um dia teve esta feliz aclamação referindo-se a Fátima.  [1]
Nome apropriado porque naquele lugar santificado abençoado pela Mãe de Deus que veio pessoalmente entregar a umas simples crianças uma mensagem importante para o mundo inteiro.

Assim aconteceu e assim acontece. De todo o mundo ali acorrem pessoas de todas as idades e condição social atraídas pela presença tão palpável da Mãe do Céu.

Vão pedir, vão agradecer, vão prestar homenagem e louvar.

Respira-se um ambiente de festa solene e respeitosa, há lágrimas e sorrisos, os olhares convergem para a singela imagem da Senhora, guardando cada detalhe, deixando que se imprima nas almas essa paz e tranquilidade que transmite.

(AMA, Memórias de Fátima)



[1] Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, Patriarca de Lisboa

10/05/2020

Memórias de Fátima

As minhas memórias de Fátima

O que me liga a Fátima - j


Visita frequente de nossa casa, muitas vezes para jantar, era o Padre João De Marchi, chegado em 1943, a Fátima para iniciar o percurso da missão da Consolata em Portugal.

Lembro-me muito bem do seu constante sorriso que as barbas pretas não escondiam e de rapidamente começar a falar um português quase perfeito.


O P. De Marchi procedeu a investigações muito completas sobre as Aparições e os Pastorinhos tendo escrito um livro – para mim o mais completo e fidedigno – sobre o assunto que tem por título: “ERA UMA SENHORA MAIS BRILHANTE QUE O SOL”. Julgo que foi o primeiro livro a ser publicado sobre Fátima.


Era um homem encantador e muito jovial e a obra que iniciou está à vista: pujante e viva em vários locais de Portugal.

(AMA, Memórias de Fátima)