10/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 11 de Maio


São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 15 26 16 4, Ernesto Juliá Diaz

AMA - Reflectindo – Pureza


Agenda Segunda-Feira

O que pode ver em NUNC COEPI em 10 Maio


São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 17 11-19, Ernesto Juliá Diaz

A Virgem Maria (Thomas de Saint Laurent), Santíssima Virgem,Thomas de Saint Laurent

Pequena agenda do cristão
Agenda Domingo

Faz o que deves e está no que fazes

Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo. (Caminho, 813)

Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes. (Caminho, 815)

A santidade "grande" consiste em cumprir os "pequenos deveres" de cada instante. (Caminho, 817)

Dizes-me: quando se apresentar a ocasião de fazer algo de grande... então sim! – Então! Pretendes fazer-me crer, e crer tu seriamente, que poderás vencer na Olimpíada sobrenatural, sem a preparação diária, sem treino? (Caminho, 822)

Viste como ergueram aquele edifício de grandeza imponente? – Um tijolo, e outro. Milhares. Mas um a um. – E sacos de cimento, um a um. E blocos de pedra, que pouco representam na mole do conjunto. – E pedaços de ferro. – E operários que trabalham, dia a dia, as mesmas horas... Viste como levantaram aquele edifício de grandeza imponente?... À força de pequenas coisas! (Caminho, 823)

Não tens reparado em que "ninharias" está o amor humano? – Pois também em "ninharias" está o Amor divino. (Caminho, 824)


Evangelho, comentário .L Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana VI da Páscoa

Evangelho: Jo 17 11-19

11 Já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai Santo, guarda em Teu nome aqueles que Me deste para que sejam um, assim como Nós. 12 Quando Eu estava com eles, os guardava em Teu nome. Conservei os que Me deste; nenhum deles se perdeu, excepto o filho da perdição, cumprindo-se a Escritura. 13 Mas agora vou para Ti e digo estas coisas, estando ainda no mundo, para que eles tenham em si mesmos a plenitude da Minha alegria. 14 Dei-lhes a Tua palavra, e o mundo odiou-os, porque não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. 15 Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal. 16 Eles não são do mundo, como Eu também não sou do mundo. 17 Santifica-os na verdade. A Tua palavra é a verdade. 18 Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. 19 Por eles Eu santifico-Me a Mim mesmo, para que também sejam santificados na verdade.

Comentário:

Na história da salvação humana avulta o mistério de Judas Escariotes «o filho da perdição» como Jesus o identifica.

Como se explica a sua escolha, entre tantos, como um dos Doze?

O Senhor, que conhece o coração dos homens e os seus mais recônditos pensamentos e inclinações, não podia ter escolhido outro que não viesse a revelar-se um traidor mesquinho?
Mesquinho não por ter vendido o Mestre por quantia tão escassa - a traição não tem preço - mas por ter enganado até ao último momento, e com um beijo, Aquele que o tinha como amigo.

Cristo podia ter escolhido outro.
Mas, note-se que Judas não foi o único a traí-lo, Pedro também jurou não conhecer o Mestre!

Assim se vêm duas coisas: a primeira que Jesus não faz acepção de pessoas; a segunda que a todos dá iguais oportunidades de perseverar na fidelidade ou no arrependimento.

Talvez por isso, nos escolheu a nós, fracos e pusilânimes, para Seus seguidores e para levar-mos a outros as Suas Palavras de Vida Eterna.

(ama, comentário sobre Jo 17, 11-19, 2012.05.23)

Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE


XII perspectiva da Redenção


A)       a redenção que cristo nos oferece

…/2

O cristão, e já o esclarecemos ao falar da Graça, não vive da recordação de uma gesta gloriosa levada a cabo por Jesus de Nazareth, vive a própria vida de Cristo na terra e num tempo que a Ele corresponde converter em eternidade, usando os anos, os dias que se lhe concederam.
Vivendo a vida de Cristo por e na acção da Graça, o cristão encarna a «redenção objectiva» obtida por Jesus Cristo e, por estes meios, a «redenção objectiva» é chamada a alcançar a plenitude da sua eficácia em cada ser humano até ao fim dos tempos

Vivendo no seu espírito, melhor, na plenitude do seu ser pessoal, a Ressurreição de Cristo, o homem converte o passado em presente e enxerta-se na eternidade.

O Catecismo expressa assim este mistério:

«Quando chegou a sua hora viveu o único acontecimento da história que não passa: Jesus morre, é sepultado, ressuscita de entre os mortos e senta-se à direita do Pai de uma vez por todas.
É um acontecimento real acontecido na nossa história mas absolutamente singular: todos os outros acontecimentos sucedem uma vez e logo passam e são absorvidos pelo passado.
O mistério pascal de Cristo, pelo contrário, não pode permanecer somente no passado pois a sua morte destruiu a morte e tudo o que Cristo é e tudo o que fez e padeceu pelos homens participa da eternidade divina e assim domina todos os tempos e neles se mantem permanentemente presente.
O acontecimento da Cruz e da Ressurreição permanece e atrai tudo à Vida»[i]

A vertente divina da obra redentora de Cristo – dar a Deus toda a glória e tornar possível que a criação possa de novo voltar a  adorar o Criador – tem um lado humano correspondente.

«Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti», recorda-nos Santo Agostinho.
Esta necessária colaboração do homem não se refere, todavia, à simples disponibilidade para ser redimido ou à simples decisão de liberdade humana de acolher a redenção oferecida por Cristo.
Estes passos são necessários mas não suficientes.
Requer-se que o homem viva a própria vida de Cristo, a vida de Deus que Cristo nos traz e nos oferece na sua Encarnação.

B)          a redenção aceite pelo homem

O homem não pode apropriar-se da Redenção e torna-la sua pela sua própria vontade ou por uma simples decisão do seu espírito.
Por outro lado Deus não impõe a Redenção ao homem de forma semelhante a como lhe impõe a vida.
Não podemos dizer que o homem está «obrigado a viver a aceitar a Redenção.
E ao mesmo tempo o homem foi criado e realiza-se plenamente ao aceitar viver a Redenção.

A Redenção não é um prémio que Deus entrega nas mãos dos homens, nem sequer é essa veste branca que autoriza a entrar sem sobressaltos no banquete nupcial.
Já vimos que a Redenção não se limita a libertar-nos externamente do pecado nem a pôr à nossa disposição um caminho, um exemplo, como um ideário de virtudes e de boas acções que tornem a nosaa pessoa mais grata a Deus: Cristo faz-nos partícipes da natureza divina, ao redimir-nos oferece-nos viver a vida de Deus.
E ao fazê-lo coloca a sua esperança em que a aceitemos e vivamos por Ele, com Ele e nele.

A Redenção que Cristo nos oferece não é portanto uma simples libertação do pecado e da morte.
É viver com Ele a sua Cruz redentora e a sua Ressurreição gloriosa para que a nossa vida na Sua e com a Sua seja redenção – co-redenção – ao mesmo tempo que nos convertemos em testemunhas da Sua Ressurreição.
É a vida de Cristo em nós o que nos faz ser gratos a Deus.

Cristo quis ser um com cada um de nós [ii] e assim converter-nos em «novas criaturas». Fazer-nos portadores dele, viver a nossa aventura humana e divina connosco e, ao mesmo tempo, manifestar-se ao mundo em cada um de nós já convertidos em «filhos de Deus em Cristo Jesus».

Como pode o homem viver a vida de Deus?

Cristo dá-nos a sua vida e uma vez recebida em nós o Espírito Santo fá-la frutificar se não pomos o obstáculo do pecado.
Cristo transmite-nos a vida divina nos Sacramentos e assim torna possível que a Sua presença pessoal na Graça comunique a cada a cada cristão a sua Redenção.
A Igreja é o garante de que esses sacramentos – o tesouro da vida de Cristo, o próprio Cristo feito vida e alimento para a nossa vida cristã – cheguem íntegros e possam ser participados por todos  os que creem em Cristo e acreditaram no Filho de Deus feito homem até ao final dos tempos.

O homem aceita pessoalmente mediante um acto de fé a Redenção que Cristo lhe oferece.
Esse acto de Fé  livre – ainda que o conteúdo desse acto de Fé naõ seja de todo claro e determinado, se o fosse não seria realmente um acto de fé – o homem vincula-se com o mistério de Deus que vislumbra em Cristo e no qual anseia viver.

O acto de fé do homem une-se ao desejo de Deus de contar de novo com a criatura feita à sua imagem e semelhança e se manifesta aberto aos planos redentores e santificadores do Senhor.
Na Fé o homem recupera toda a confiança no Criador, confiança perdida no pecado no paraíso.
E amando com a Caridade a Quem sem conhecer plenamente vislumbra na Fé aceita a nova vida que Deus lhe oferece.
Nessa aceitação Deus faz-se familiar do homem e o homem descobre em Deus o sentido de todas as suas obras: o mundo adquire um significado e todas as palavras de Deus transmitem ao homem a plenitude do sentido da sua vida.

Este breve resumo pretende ser uma visão que corresponda à estrutura constituída da vida cristã do homem, da sua história salvífica: criação, redenção, santificação.
Criação do homem, encarnação de Deus, acto redentor de Cristo (morte e ressurreição), manifestação do Espírito Santo.

A Graça enxerta-se na alma e faz germinar nas nossas faculdades humanas as virtudes teologais infusas: a Fé na inteligência, abrindo-a definitivamente à Verdade plena nesse raio de luz pelo qual se conhece a Deus, a Esperança na memória, no viver temporal histórico do homem abrindo o horizonte da perspectiva humana para a vida eterna; e a Caridade na vontade que permite ao homem amar em toda a criação a obra de Deus como Deus a ama.

Deus põe um raio do amor com o qual Ele se ama e o homem pode amar a Deus de forma semelhante a como Deus se ama a Si próprio.
A Graça engendra na vida cristã que se manifesta na Fé, na Esperança e na Caridade e que se desenvolve ao ritmo dos Dez Mandamentos vividos segundo o espírito das Bem-Aventuranças que consideraremos a seguir.

Adianto somente que na perspectiva da vida cristã que estamos seguindo temos de ver estes Mandamentos principalmente não como um conjunto de regras e de leis mas como oq verdadeiramente são: um canal pelo qual transcorre sereno e tranquilo o viver cristão no meio de conversões, de lutas e de alegrias, de quedas e de ressurreições.

A vinda de Deus à alma anunciada por Cristo: «viremos a ele e faremos nele morada» [iii] é a introdução do ser humano na vida da eternidade de Deus para a qual foi criado, da eternidade no tempo, como Cristo viveu, e ao mesmo tempo, é o cumprimento da espera no tempo para voltar a tomar posse do que desde a origem lhe pertence.

A Redenção enxerta-se na história pessoal de cada homem de tal forma que todo o interior desse enxerto perde sentido e significado.
São Paulo não cessa de o recordar em quase todas as suas cartas:

«Porque nem a circuncisão nem a incircuncisão são algo mas a nova criação» [iv]
«Porquanto se alguém está em Cristo é nova criação. O velho passou. Olhai, tudo fica renovado. E tudo é obra de Deus o qual nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação»[v]
«Ao passo que com os impulsos do Espírito Santo vos renovais na vossa mente e vos revestis do homem novo, o que é segundo Deus, criado em justiça, em verdade e em santidade»[vi]
«Não mintais uns aos outros. Despojai-vos do homem velho com as suas obras. Revesti-vos do homem novo que se vai renovando até alcançar um conhecimento perfeito segundo a imagem do seu Criador, porque não há grego e judeu, circuncisão ou incircuncisão, bárbaro, escita, escravo, liberto mas sim Cristo que é tudo e em todos».[vii]

       
(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[i] Catecismo n. 1085
[ii] Cfr. Gaudium et spes, 22
[iii] Jo 14, 23
[iv] Ga 6, 15
[v] 2 Co 5, 17-18
[vi] Ef 4, 23-24
[vii] Col 3, 10-11

Meditações de Maio 10

Salve Rainha

Mãe de misericórdia
Vida e doçura
Esperança nossa
A vós bradamos
Degredados filhos de Eva
A vós suspiramos
Gemendo e chorando
Neste vale de lágrimas.
Eia pois advogada nossa,

Não temos outra nem melhor, mais sábia ou disponível.

Advogada pro bono porque nada cobras ou exiges.


(ama, meditações de Maio, Salve Rainha, 2015)

Temas para meditar - 443

Santíssima Virgem




Enquanto Nosso Senhor não manifestar a Sua vontade clara e durante tempo considerável, ninguém tem o direito de se julgar chamado a provações excepcio­nais.


(thomas de saint laurent, A Virgem Maria, ISBN: 972-26-1287-5, nr. 38)

09/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 09 de Maio


Que a tua vida não seja uma vida estéril
São Josemaria – Textos
AMA - Meditações de Maio – 2015
A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 15 18-21, Ernesto Juliá Diaz
Suma Teológica - Tratado do Verbo Encarnado - Quest 26- Art 1, São Tomás de Aquino
A Virgem Nossa Senhora (Federico Suarez), Federico Suarez, Humildade
Agenda Sábado

Que a tua vida não seja uma vida estéril

Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina, com o resplendor da tua fé e do teu amor. Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da Terra com o fogo de Cristo que levas no coração. (Caminho, 1)

Se cedesses à tentação de perguntar a ti mesmo: quem me manda a mim meter-me nisto? teria de responder-te: manda-to, pede-to o próprio Cristo. A messe é grande e os operários são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. Não digas, comodamente: eu para isto não sirvo; para isto já há outros; não estou feito para isto... Não. Para isto não há outros. Se tu pudesses falar assim, todos podiam dizer a mesma coisa. O pedido de Cristo dirige-se a todos e cada um dos cristãos. Ninguém está dispensado: nem por razões de idade, nem de saúde, nem de ocupação. Não há desculpas de nenhum género. Ou produzimos frutos de apostolado ou a nossa fé será estéril.


Além disso, quem disse que para falar de Cristo, para difundir a sua doutrina, era preciso fazer coisas especiais, fora do comum? Faz a tua vida normal; trabalha onde estás a trabalhar, procurando cumprir os deveres do teu estado, acabar bem o que é próprio da tua profissão ou do teu ofício, superando-te, melhorando-te dia-a-dia. Sê leal, compreensivo com os outros e exigente contigo mesmo. Sê mortificado e alegre. Será esse o teu apostolado. E, sem saberes porquê, tendo perfeita consciência das tuas misérias, os que te rodeiam virão ter contigo e, numa conversa natural, simples – à saída do trabalho, numa reunião familiar, no autocarro, ao dar um passeio, em qualquer parte – falareis de inquietações que em todas as almas existem, embora às vezes alguns não queiram dar por isso. Mas cada vez as perceberão melhor, desde que comecem a procurar Deus a sério. (Amigos de Deus, 272–273)

Pequena agenda do cristão


SÁBADO


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Evangelho, comentário L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana V da Páscoa

Evangelho: Jo 15 18-21

18 «Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim. 19 Se fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos aborrece. 20 Lembrai-vos da palavra que Eu vos disse: Não é o servo maior do que o senhor. Se eles Me perseguiram a Mim, também vos hão-de perseguir a vós; se guardaram a Minha palavra, também hão-de guardar a vossa. 21 Mas tudo isto vos farão por causa do Meu nome, porque não conhecem Aquele que Me enviou.

Comentário:

A “herança” que Jesus Cristo deixa aos Seus discípulos parece – e de facto é – bastante pesada.

Mas o discípulo não é maior que o Mestre e, por isso quando tenta, com todas as suas forças, imitá-lo tem de esperar ser tratado como Ele o foi e, também, vir a ganhar o que Ele prometeu a quem o seguisse sem condições: a vitória final, a conquista definitiva do Reino de Deus, a Salvação Eterna.

(ama, comentário sobre Jo 15, 18-21, 2014.05.24)


Leitura espiritual


a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE



XI. OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

…/25
O cristão sob a acção do Dom de Temor de Deus, toma como próprias todas as ofensas que nós os homens fazemos a Deus e oferece-se por elas em reparação redentora.
Movido pela acção do Dom, desperta na sua alma o anseio de amar a Deus pelos que O não amam, como uma Mãe que deseja amar a Deus pelos seus filhos que se afastam dele.
E, no amor, encontra a fortaleza necessária para se abandonar na Cruz com Cristo, sem sequer considerar a união definitiva com Cristo na Ressurreição que já se iniciou na sua própria alma.

Sem fazer expressa referência ao Dom de Temor de Deus, São Paulo deixa bem manifesto a acção do Espírito Santo no sentido que vimos assinalando, entre outros, nestes dois textos:

«Levamos sempre nos nossos corpos por todos os lugares o morrer de Jesus, a fim de que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo.»[i]

«Porque se nos fizemos uma mesma coisa com Ele por uma morte semelhante à Sua, também o seremos por uma ressurreição semelhante.»[ii]

Em resumo, podemos dizer que o Dom de Temor de Deus não se reduz a um certo medo a Deus nem a um temor de O ofender.
Tampouco esgota o seu significado num certo aninhar-se ante a majestade de Deus nem se identifica com a pena de não corresponder às Suas graças nem de não O amar como gostaríamos de o fazer.

Sendo o Dom de Temor, como já recordámos, « o princípio da sabedoria» e sendo a sabedoria a união da nossa mente com a inteligência divina, o «Temor de Deus» requer como primeiro fundamento o adentrar-se no insondável mistério do coração de Deus, bem conscientes que « nem o olho viu nem o ouvido ouviu nem veio à mente do homem o que Deus preparou para os que O amam.»[iii]

        Uma vez imerso no coração de Deus, descobre-se que amar com Deus e em Deus é sempre amar em «Temor de Deus».
        Deus ama com «temor» de não poder dar-nos todo o amor que deseja dar-nos.
Esse «temor» engendra a «pena» da falta de gozo das criaturas ao não receber o amor de Deus.
Partilhar com Deus essa «pena» é viver o «temor de Deus» na perspectiva e na dimensão que uma criatura pode em verdade fazê-lo.

Definitivamente, o «temor de Deus» é «viver» com Deus o «peso» do seu Amor aos homens.

Concluímos este capítulo, assinalando que o facto de relacionar cada Dom com uma das três virtudes teologais, a Fé, a Esperança, a Caridade, verdadeiros mananciais que alimentam a vida cristã, não é obstáculo para dizer, sem medo de enganar-nos, que cada um dos Dons e os sete no seu conjunto, participam activamente no actuar de cada uma das virtudes e na totalidade das acções do crente.

Como já assinalámos, recordamos uma vez mais que as virtudes e os Dons são como canais pelos quais transcorre a acção da Graça santificante vivendo em nós e sempre sob o influxo imediato do Espírito Santo, quem, com fé, convence o mundo – o homem - «no referente ao pecado» ao permitir-lhe conhecer o amor de Deus e reconhecer o seu próprio pecado; com a Esperança, convence o mundo – o homem - «no referente ao juízo, porque o príncipe deste mundo (o pecado) «já está condenado», e abre-se ao homem a perspectiva da vida eterna; com a Caridade, convence o mundo «no referente à justiça», a tornar possível que descubra o perdão de Deus e o Seu Coração infinitamente misericordioso.

A contrassenha, a chave do universo é o amor: «Deus é amor».

O amor de Deus está latente em todos e cada um dos lugares do mundo.

O homem chegará a descobrir as leis que regulam as forças do Universo, conseguirão penetrar nos mistérios da criação no macro e no micro universo.

Jamais poderá amar como Deus ama.

Bento XVI escreve:
«A fé, que leva a tomar consciência do amor de Deus revelado no coração de Jesus trespassado na cruz, suscita por sua vez o amor:
O amor é uma luz – no fundo a única – que ilumina constantemente um mundo obscuro e nos dá a força para viver e actuar.
O amor é possível e nós podemos pô-lo em prática porque fomos criados à imagem de Deus.
Viver o amor e assim levar a cruz de Deus ao mundo: a isto queria convidar com esta Encíclica».[iv]


XII perspectiva da Redenção


        Impõe-se agora uma pequena paragem nas nossas considerações.

        Estudámos a Criação, a primeira relação de Deus Pai com o homem: a Criação; relação que nem se apagou nem ficou absorvida pelo pecado nem pela Redenção.

Assinalámos depois a realidade da Redenção, fruto da Encarnação, segunda relação de Deus Filho com o homem.
E a nova vida do homem, que se converte em «cristão» ao receber a Redenção, por obra da Graça nele.

O desenvolvimento da Redenção comporta a terceira relação de Deus Espírito Santo com o homem.

Por acção dos Dons do Espírito Santo, desenvolvendo as virtudes da Fé, da Esperança e da Caridade, tem lugar a santificação: o crescimento da Graça nas potências do ser humano que vai tornado possível ao ser humano chegar a dizer com São Paulo:

«Vivo, mas já não sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim.»[v]

Antes de continuar na tentativa de descobrir e na medida possível compreender os sinais certos da conversão do cristão em santo – que encontraremos no viver dos Mandamentos com o espírito das Bem-Aventuranças e no crescimentos do Frutos do Espírito Santo na alma do cristão – parece oportuno reflectir brevemente sobre o conteúdo da Redenção, ainda que com o perigo de voltar a coisas já ditas.
Fazemo-lo na esperança de que essas afirmações adquiram uma nova luz ao ser apresentadas numa nova perspectiva.

Sim, desde o começo da pregação apostólica, foi muito importante que cada convertido a Cristo descobrisse a grandeza e a beleza de ser cristão, nestes tempos, essa conveniência tornou-se peremptória e assim será até ao fim da história do homem.

Dividimos este resumo em duas partes:

a)   A Redenção que Cristo nos oferece (redenção objectiva).
b)   A Redenção aceite pelo homem (redenção subjectiva).

A)       a redenção que cristo nos oferece

A Redenção de Cristo é a vitória definitiva sobre o pecado sobre a morte, fruto da Encarnação do Filho de Deus e da plena disponibilidade da liberdade do Filho de Deus em serviço do homens que culmina no mistério pascal com a Paixão, Morte gloriosa Ressurreição.
É um facto que se cumpre uma vez no tempo, se integra na história do homem e continua vivo em Cristo ressuscitado.

Como acontece com a Ressurreição, a Redenção é um acontecimento histórico, humano e divino, que teve lugar mais expressamente no Calvário e durante toda a vida na terra de Jesus Cristo e que é, ao mesmo tempo, vivido na sua plenitude divina-humana no seio da Trindade Beatíssima, ao ser Jesus Cristo «perfeito Deus e perfeito homem».

A Redenção ocorrida num preciso instante do transcorrer do tempo na história d humanidade, é, ao mesmo tempo e desde a sua origem, uma realidade permanente.
Sai fora do ciclo vida-morte que preside e rege o viver humano.
E assim podemos dizer que a «Redenção de Cristo não é um acontecimento cumprido uma vez e que já pertence à história, mas uma realidade permanente.
É força e vida, eterna regeneração e reconciliação».

Cristo ressuscitado, todavia, passa apenas quarenta dias na terra antes de ascender definitivamente ao Céu em corpo e alma.
A Ascensão de Cristo significa o seu afastamento dos avatares da terra, da sorte do homem na sua história?
Leva consigo que a obra redentora iniciada com a Encarnação do Filho de Deus já está concluída?

A resposta a estas perguntas é Não.

Se o Filho de Deus ao encarnar-se, no seio da Virgem Maria, se diz que, de um certo modo, quis ao mesmo tempo unir-se a cada um de nós e continuar vivendo em cada ser humano até ao fim dos tempos, de forma semelhante podemos dizer que Cristo, realizada a redenção do mundo e a Criação libertada do pecado, deseja redimir cada homem, libertar cada um dos seus irmãos os homens da escravidão do pecado e da morte, abrindo-lhe as portas da vida eterna.


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)




[i] 2 Cor 4, 10
[ii] Rom 6, 5
[iii] 1 Cor 2, 9
[iv] Bento XVI, Deus caritas est, n. 39
[v] Ga 2, 20