Sinto o meu coração em pedaços, ao saber dos vossos sofrimentos e não sei o que fazer para aliviá-los. No entanto, porque vos agitais tanto, porquê tanta aflição? Sabei, meus filhos, que nunca vi Jesus dar-vos tantos presentes como agora. Nunca vos senti tão amados por Ele. Então, porquê tantos temores, Tantas preocupações? Assemelham-se aos de uma criança, nos braços da mãe: Os temores e as preocupações são inúteis.
A ansiedade é a maior traidora da verdadeira virtude e da verdadeira piedade. Finge aquecer-se no Bem, mas não o faz senão para se resfriar. Só nos faz correr para tropeçar-mos. Portanto, devemos resguardar-nos da ansiedade, em todas as ocasiões, principalmente na oração. E para nos defendermos, no momento da oração, é sempre bom lembrar que a graça e o gosto pela oração não são deste mundo mas sim do Céu. É necessário, porém, que procuremos rezar bem, empenhando-nos constantemente nisso com toda a nossa diligência, sempre humildes e tranquilos.
Lembrai-vos que sou inimigo das aspirações inúteis,perigosa e más. Mesmo que as nossas aspirações e os nossos desejos sejam bons,há sempre uma parte de ansiedade,de sofreguidão, de exigência da nossa parte que não agrada a Deus. Deus não quer, para nós, esta espécie de Bem, misturado com outros sentimentos perniciosas à nossa alma. Ele quer um Bem que nos obrigue a exercitarmo-nos na virtude.
Precisamos resguardar-nos da ansiedade e das inquietações. Isso impede-nos de progredir no caminho da perfeição. Coloca o teu coração docemente nas Chagas de Nosso Senhor, e nunca à força. Tem uma grande confiança ma Misericórdia e na Bondade do Senhor, que Ele jamais te abandonará.
Não encontro motivos para te censurar, a não ser quanto à agitação que te amargura o coração e te impede de apreciar todo o encanto da Cruz. Se procurares corrigir-te disso e continuares a agir como sempre agiste até hoje, estarás agindo bem.
O impetuoso desejo de estar na paz eterna, na paz de Deus, é muito louvável e muito santo. Mas é preciso moderá-lo contrabalançado-o com uma completa resignação aos desejos divinos. É melhor fazer a Vontade de Deus na terra e cumprir os Seus desígnios, do que gozar o Paraíso. "Sofrer e não morrer", eram palavras, ou melhor, era o lema de Santa Teresa. É doce o Purgatório (neste mundo), quando se sofre por amor a Deus.
Caminhai com simplicidade na senda do Senhor e não atormenteis o espírito. É preciso odiar os próprios defeitos, mas com tranquilidade, com paciência, sem preocupações excessivas e sem inquietação, aproveitando a oportunidade de pôr em prática uma santa humildade. Se não tiverdes paciência, as imperfeições, em vez de diminuírem, aumentarão cada vez mais, pois não há coisa que mais alimente os nossos defeitos do que a excessiva preocupação e ansiedade em afastá-los e eliminá-los.
Há uma coisa que definitivamente não consigo suportar: se sou eu que devo chamar a atenção de alguém ou repreender alguém, estou sempre pronto. Mas ver uma outra pessoa fazê-lo, não aguento o sofrimento, não suporto ver uma pessoa humilhada e mortificada.
Amo os meus filhos espirituais como a minha própria alma e até mais. Reconciliei-os com Jesus, regenerei-os na dor e no amor. Posso esquecer-me de mim mesmo, mas nunca dos meus filhos espirituais.Asseguro que quando o Senhor me chamar deste mundo, eu Lhe direi: 'Senhor, ficarei à portado Paraíso; entrarei depois de ver entrar o último dos meus filhos espirituais'. Sofro muito por não poder levar todos os meus irmãos para Deus. Em certos momentos, fico a ponto de morrer, com o aperto que sinto no coração, ao ver tantas almas sofredoras, sem poder aliviá-las, e tantos irmãos aliados com satanás.
Tu, que és responsável por outras almas, demonstra amor, muito amor, exercendo essa responsabilidade. É preciso fazê-lo com todo o amor. Esgota o amor! E se perceberes que tudo isso é inútil, sê severo,pois Jesus, que é o nosso modelo, ensinou-nos a agir assim,criando o paraíso, mas também o inferno.
Amor e temor devem andar sempre juntos. O amor sem temor torna-se vil. O amor sem temor, torna-se presunção. Quando há amor sem temor, o amor corre sem prudência e sem freios, sem se importar para onde vai. Depois, surgem funestas consequências.
Eu
não sou como o Senhor me fez, mas sinto que tenho de me esforçar muito mais
para cometer um acto de soberba que um acto de humildade. Isto porque a
humildade é a verdade e a verdade é que eu sou nada. Tudo o que de bom existe em mim, tudo o que possuo é de Deus.
E mesmo sabendo isso, quantas vezes desperdiçamos ou estragamos até o que o
bom Deus colocou em nós?!