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21/07/2022

Publicações em Julho 21

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mc XI...)

 

Falavam os discípulos entre eles sobre a oração e isto, a mim que os escutava, parecia-me pertinente porque as orações que ouviam aos Escribas e Sacerdotes eram praticamente incompreensíveis, alongavam-se interminavelmente, num como que amontoado disforme de citações de Salmos e outros textos da Escritura, repletas de gestos rituais como bater no peito, levantar as mãos ao céu, etc.

Para eles, Deus era particularmente cioso e irredutível na Sua magestade todo poderosa, não admitiria outras formas de os seres humanos se dirigirem a Ele.

Nas suas "orações" não pediam nada nem por ninguém, limitavam-se a infindáveis palavras sobre como eram bons, irrepreensíveis, cumpridores da Lei.

O povo ignaro e submisso não entendia nada, não compreendia nada de tal modo que pura e simplesmente pensava que não lhe competia orar uma vez que não saberia como.

Já tínhamos assistido por diversas vezes a momentos de oração de Jesus e podíamos constatar a serenidade, a ausência de gestos e até, muitas vezes ausência de palavras. Quando as pronunciava, eu pelo menos percebia, era para nos instruir, dar exemplo de como orar.

O que fui retendo e guardo é a conclusão de que Orar é falar com Deus, numa conversa normal, sincera, aberta, sem manifestações desnecessárias. Nessa conversa falamos dos outros, todos os outros que nos são familiares, próximos ou meramente os que se vão cruzando connosco nos caminhos da vida.

Também, claro está, falamos de nós próprios contando o que nos acontece e o que desejamos nos acontecesse

Qualquer lugar ou circunstância servem para essa conversa desde que, evidentemente, consigamos o recolhimento interior indispensável a uma conversa com o nosso Deus e Senhor.

Não me interessa avaliar se o que agora digo ou peço é a milionésima vez que o faço, Ele Próprio recomendou que insistisse com perseverança e sem desfalecimentos.

Para mim, basta-me conhecer e acreditar nas palavras de Jesus:

 

«Tudo quanto pedirdes na oração, crede que o havereis de conseguir e o obtereis».

 

Reflexão

 

Por vezes penso que me seria conveniente ser invizual, cego.

Pelos olhos dentro surgem coisas, imagens, cenas que me incomodam, excitam os sentidos, provocam desconforto.

Se não pudesse ver seria tudo muito mais fácil...

Porém, reflicto que os olhos do corpo não têm forçosamente que ver como os "olhos da alma" e, sendo assim, peço ao Senhor que os olhos da minha alma fiquem imunes, protegidos com carapaça inviolável, dessas imagens.

Não consentir, não contemplar e, se o Senhor me ajudar, como estou seguro me ajudará, todo esse lixo não passará de imagens fugases que não deixarão qualquer lastro.

 

Links sugeridos:

 

Opus Dei

Evangelho/Biblia

Santa Sé

Religión en Libertad

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

25/06/2022

Publicações em Junho 25

 


 

Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc II)

Personagem

Sou um pastor e passo muitos dias e noites nos campos com o meu rebanho conduzindo-o para onde sei que os pastos são mais viçosos e abundantes. Sei muito bem que do meu cuidado e dedicação dependerá muito a saúde das ovelhas que me estão confiadas.
Hoje afastei-me um pouco do rebanho porque uns Anjos apareceram no Céu rodeados de luz iridiscente dizendo: Nasceu-vos um Salvador! E descreviam os sinais com que haveríamos de encontrá-Lo. Eu e outros pastores fomos em busca desse Salvador e encontramos tudo como eles nos anunciaram.

Juntamente com outros que já lá estavam, ajoelhei-me aos pés de uma manjedoura onde um recém-nascido, envolto em panos, agitava os braços e sorria em redor. A Mãe estava ao lado, debruçada sobre o Filho; um sorriso lindo iluminava o seu belo rosto; mais atrás um homem, seria o Pai, contemplava embevecido a Mãe e o Filho; percebia-se que o estábulo tinha sido limpo, a palha renovada, uma candeia acesa. Na verdade, a candeia não era necessária porque a estrela por cima do estábulo emitia uma luz que tudo iluminava. Eu sou um pobre homem sem grande instrução estava misturado com outras pessoas que,aliás, não cessavam de chegar,  cujo aspecto e trajar diziam bem ser de condição social muito superior à minha. A simplicidade do quadro que todos contemplavamos induzia-nos ao silêncio contemplativo.

Compreendo que o silêncio, a ausência de palavras, é necessário para que o coração e a alma possam contemplar melhor o que os olhos vêm. No silêncio interior as imagens surgem mais nítidas e compreendemos melhor, muito melhor, o que vemos.

 

Reflexão

 

Olhar e reparar

 

São duas atitudes diferentes.

Olhar pode ser um acto automático que não tem que ser nem mau nem bom. Faz parte da nossa condição humana, dos nossos sentidos, da forma como percorremos a vida de todos os dias.

Reparar é diferente. É deter o olhar em algo que nos desperta a curiosidade e pretendemos avaliar – ou ver mais detidamente – os pormenores, os detalhes. E isto pode ser mau porque, de certa forma alia-se ao reparar a curiosidade e, esta, é sempre má.

Trata-se, pois, de guardar a vista e não se pense que é fácil porque não é. Constantemente, somos confrontados com autênticas “agressões visuais” e há que ter a prontidão de seguir em frente e deixar o assunto.

A vista é a porta da alma!

 

 

Links sugeridos:

 

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Evangelho/Biblia

Santa Sé

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02/03/2012

Olha-me com os Seus Olhos! 3

Sou consciente da minha pequenez e da minha fragilidade. Também, leitor, da tua pequenez e da tua fragilidade. Essa descoberta mudou o meu olhar. Não esqueço de pedir ao Pai que me permita ver através dos Seus olhos, sobretudo quando alguém me produz uma especial antipatia. Não falha. Consigo sempre ver mais além e, ainda que me custe, termino por olhar essa pessoa de forma mais amorosa. Quando não o consigo, sei que o problema é meu e não do outro. Então, observo-me, analiso-me, até encontrar a causa que me impede olhar com olhos limpos. O importante é a atitude.

Querido leitor, olhemos os outros com esse olhar divino, peçamos a Jesus que nos permita olhar, como Ele, para essa pessoa que tanta rejeição ou antipatia nos produz. Pratiquemos pois esse olhar. Ele nos ajudará. Fá-lo sempre.

guillermo urbizu, [1], trad ama


[1] O escritor e poeta Guillermo Urbizu, é um leigo comprometido, estudou Letras na Universidad de Zaragoza e é membro supranumerário da prelatura do Opus Dei. Trabalha no Colegio Mayor Universitario Miraflores de Zaragoza. Entre as suas obras literárias destacam-se: «Almateria», «Ser algo más» e «Entre dos infinitos», assim como «Vía crucis para niños (e non tan niños)».

01/03/2012

Olha-me com os Seus Olhos! 2

Na realidade, basta observar como olhamos os que amamos de verdade. Queremos-lhes tal e como são. Não esperamos que mudem, aceitamos as suas limitações (ainda que por vezes nos aborreçam) porque sabemos que também estas os definem. Não nos custa perdoar (e ainda que nos custe, em algum momento acabamos por o fazer) porque sabemos e compreendemos.

Agora penso no Senhor. Ele, que é AMOR, que sabe tudo a nosso respeito, e portanto, tudo compreende, como irá olhar-nos senão com um imenso amor? Mas claro, querido leitor, eu não sei tudo a respeito de ti, e tu não sabes nada de mim. Então, como olhar-te com os Seus olhos? Não julgo que seja tão difícil, e de facto não é. 
Trata-se de olhar a pessoa que temos à nossa frente como se fossemos nós próprios. 
Porque todos, homens e mulheres, estamos cheios de limitações. 

guillermo urbizu, [1], trad ama


[1] O escritor e poeta Guillermo Urbizu, é um leigo comprometido, estudou Letras na Universidad de Zaragoza e é membro supranumerário da prelatura do Opus Dei. Trabalha no Colegio Mayor Universitario Miraflores de Zaragoza. Entre as suas obras literárias destacam-se: «Almateria», «Ser algo más» e «Entre dos infinitos», assim como «Vía crucis para niños (e não tan niños)».

29/02/2012

Olha-me com os Seus Olhos! 1

Há algum tempo que me prolongo ver os outros com os olhos do Senhor. Ao princípio, custava-me um pouco, reconheço-o, mas, como tudo, é questão de amor e de empenho. O melhor é pedir a Jesus que nos esvazie de nós mesmos e nos encha dele que faça dos nossos olhos os seus, e que nos ensine a olhar como Ele o faz.

Porque o olhar do Senhor é espectacular, fascinante. Eu sei como me olha, conheço bem a carícia para alma que esse olhar supõe E, ainda que tenha demorado tempo em acreditar nisso, sei que se fixa muitíssimo mais nas minhas qualidades que nos meus defeitos, no bom e no mau. De facto, sinto amiúde que os ditos defeitos lhe produzem una enorme ternura, e que não é raro que se ria com misericórdia dos meus erros. Olha-me com imenso carinho, como qualquer bom pai o faz com os seus filhos, como um irmão mais velho pendente do mais novo da família, como esse Amigo fiel, sempre amoroso, compreensivo e leal. Sim, eu noto as carícias do seu Olhar, e sei que se não fosse assim considerar-me-ia por um ser humano inútil e sem valor. (Quando esqueço como me olha, é assim como me sinto).

guillermo urbizu, [1], trad ama


[1] O escritor e poeta Guillermo Urbizu, é um leigo comprometido, estudou Letras na Universidad de Zaragoza e é membro supranumerário da prelatura do Opus Dei. Trabalha no Colegio Mayor Universitario Miraflores de Zaragoza. Entre as suas obras literárias destacam-se: «Almateria», «Ser algo más» e «Entre dos infinitos», assim como «Vía crucis para niños (e não tan niños)».