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08/10/2019

Temas para meditar e reflectir

Juízo



De pouco serve lavar as mãos por fora e dissimular as más obras com boas palavras, porque vamos ser julgados por aquele Senhor que faz pouco caso das palavras e julga segundo as obras.



(Luís de La Palma, A Paixão do Senhor, Éfeso, 1991, pg. 202)




20/01/2019

Temas para reflectir e meditar

Novíssimos



As nossas obras são parte integrante da nossa salvação, mas serão a matéria do nosso juízo.




(scott hahnA Festa do Cordeiro, O Dia do Juízo, DIEL)


10/07/2014

Temas para meditar - 171

Juízo


Quando chegarmos à presença de Deus, perguntar-nos-ão duas coisas: se estávamos na Igreja e se trabalhávamos na Igreja. Tudo o resto não tem valor. Se fomos ricos ou pobres, se fomos felizes ou desgraçados, se estivemos doentes ou de saúde, se tivemos bom ou mau nome.


(Card. J. H. NewmanSermão para o Dom. de Septuagésima: O juízo)

19/11/2011

Novíssimos - Juízo Particular 11

Custódio - empregado de mesa. [i]

Ainda não era meio-dia e a sala do restaurante estava quase cheia.

Custódio andava de mesa e mesa recolhendo os pedidos dos clientes, numa azáfama redobrada que a falta de dois dos seus colegas de trabalho exigia.
Não era fácil. Enquanto uns sabiam exactamente o que desejavam para o almoço havia outros que o chamavam constantemente com perguntas sobre a confecção de um prato, como era o molho, se tinha batatas fritas…
Outros queriam o bife “mal-passado”, outros “mais-ou-menos”, e outros para informar que já não queriam o que tinham pedido mas outra coisa completamente diferente.

Sim… não era fácil sobretudo manter a afabilidade… uma boa cara.

O pior, porém, passava-se na lá dentro.

O cozinheiro de péssimo feitio, protestava sempre que lhe trazia as alterações pedidas pelos clientes. Como se ele tivesse alguma culpa!
O sujeito era verdadeiramente intratável chegando às vezes a uma agressividade que metia medo.

Quando lhe comunicou que um cliente “daqueles” alterara o pedido pela terceira vez, o homem explodiu: com um palavrão soês atirou ao pobre do Custódio uma panela com água a ferver.

Tentando evitar o súbito ataque, o rapaz recuou precipitadamente e, tropeçando num banco que por ali estava, caiu desamparado para trás batendo com a nuca na esquina de uma mesa de aço onde se cortavam as carnes.

Um fio de sangue escorria-lhe do ouvido direito e, em breves segundos, expirava.

Afectado pela descrição de tão macabra cena, o “Ser” esplendoroso suspendeu a narração.

O Juiz, sensível como era ao sofrimento humano, soltou um profundo suspiro.

O Anjo prosseguiu:

“O Custódio era o sustento da família, aliás, o único sustento, com o pai na prisão por roubo qualificado e a mãe praticamente entrevada, era ele quem cuidava dela e da pequena irmã de apenas dez anos e assegurava com enorme dificuldade o pagamento das despesas correntes e, ainda, os gastos consideráveis na farmácia de que a mãe gastava com crescente frequência.”

O Juiz, interrompeu:

“Sim, o Custódio era, de facto um bom rapaz, trabalhador e dedicado à família, mas… isso é um dever, uma obrigação de qualquer um. O que temos mais de relevante, de bom, de recomendável para a sentença? Frequentava a Igreja, rezava? ...”

Uma sereníssima voz de tonalidade tão doce e meiga como uma suave brisa de fim de tarde, fez-se ouvir:

“Tenho algo a dizer:

Num prédio antigo, mesmo em frente do restaurante onde o Custódio trabalhava, há uma pequena imagem minha colocada num nicho na parede.
Várias vezes ao dia, sobretudo quando o trabalho mais apertava e o cozinheiro fazia alarde do seu constante mau-humor, o Custódio assomava à porta do restaurante e olhava para a minha imagem. Nunca me disse nada… apenas olhava…”

O Juiz disse então:

"Como em Caná da Galileia fiz o que me pediu, faça-se agora como a Minha Mãe desejar".





[i] Levanta-se a questão da vida para além da morte. É uma das grandes interrogações que alguma vez durante a sua vida o homem se coloca.
É natural porque o ser humano é dotado de espírito, alma, que tem preocupações mais para além do imediatamente sensível.
Para os cristãos a segurança da Fé fá-los compreender que está destinado à eternidade, ou seja, embora o corpo pereça e acabe a vida terrena, a sua alma não morrerá jamais e, naturalmente, tende a voltar para o seu Criador, Deus.
Sim... a lógica propõe o que a fé garante, porque não se concebe o Criador abandonar a criatura a um desaparecimento puro e simples.
O restante do problema é o que se refere ao "destino" da alma e que é "marcado" na conclusão do juízo a que é sujeita pelo próprio Criador, logo que, após a separação do corpo, se apresenta perante Si.
No imaginário livro da vida, ao contrário do que que é mais comum, não existem colunas de "deve" e "haver" onde é feita uma espécie de contabilidade, não! O que existe é uma lista completa dos bens recebidos em vida, os dons, graças, auxílios, inspirações e meios com que o Senhor foi dotando cada um de forma especial e única.
Cada ser humano recebe um "pacote" específico, para si em exclusivo.
Deus Nosso Senhor não dispensa os Seus benefícios adrede ou de uma forma sistemática ou mecânica. Cada ser humano é objecto de atenção exclusiva e única por parte do Criador que lhe concede os Seus dons e benefícios conforme a Sua Soberana Vontade determina.
Esta misteriosa magnitude de Deus tem uma razão de ser.
O homem não é capaz por si mesmo de evoluir, de melhorar sem que um estímulo o leve a tal.
Este estímulo surge exactamente no estreitamento das suas relações com Deus.
Quanto mais se relaciona mais recebe e, quanto mais se recebe mais se deseja intimar com Deus.
Por isso no Evangelho consta «àquele que tem, lhe será dado; e ao que não tem, ainda aquilo mesmo que julga ter, lhe será tirado» Lc 8, 16-18.

Para chegar a Deus, o caminho seguro, é Maria Sua e nossa Mãe! 

Sancta Maria iter para tutum! (Santa Maria, prepara-me um caminho seguro)

17/11/2011

Novíssimos - Juízo Particular 10

Julgamento de Carlos – médico [i]

Na Urgência do grande hospital reinava uma azáfama muito próxima do caos.
As ambulâncias com os feridos, quase todos com queimaduras extensas, não paravam de chegar. Os breves relatos eram aterradores, um incêndio no metro estava a mobilizar todas as capacidades de intervenção da grande cidade.

Carlos estava de "banco" nesse dia. A sua especialidade, obstetrícia, não era requisitada mas não podia deixar de secundar os colegas no esforço colectivo naquelas circunstâncias excepcionais.

Uma enfermeira agarrou-lhe no braço:

"Doutor Carlos, temos ali alguém para os seus serviços urgentes".

Seguiu a enfermeira através da confusão de macas, camas, suportes de soro, máquinas várias até uma maca onde se deteve.
Embora habituado a cenas dantescas sobretudo nas "urgências" teve dificuldade em conter uma reacção de horror. Na maca jazia uma jovem sem feições. O rosto estava inteiramente queimado, a própria carne solta aos bocados, o cabelo e sobrancelhas um emaranhado crestado pelo fogo, os olhos invisíveis sob as pálpebras tumefactas...
Uma barriga enorme avultava naquele destroço humano.
Carlos colocou o estetoscópio e começou, sem grande convicção, a procurar sinais de vida. Olhou a enfermeira com uma expressão de espanto:

“Está viva, a criança está viva!!!”

Procedendo a um rápido exame, acrescentou:

"Já está posicionada para nascer... Dado o estado crítico da mãe, não me arrisco a fazer o parto aqui..."

A rapariga pareceu ouvir o que dissera porque com uma mão quase descarnada tentou afastar a máscara que lhe fornecia oxigénio.Carlos impediu-a dizendo:

“Não se preocupe. Vai correr tudo bem.”

Rapidamente transportaram-na para o bloco cirúrgico de obstetrícia.
Carlos deitou a bata suja de sangue para a roupa suja, lavou-se com abundante água e sabão, esfregou mãos e braços com desinfectante, vestiu uma bata, calçou luvas esterilizadas e entrou no bloco.
Na balbúrdia da urgência não tinha reparado bem na rapariga, agora, livre dos trapos queimados que a cobriam pôde aperceber-se de quão jovem era. Teria uns dezoito anos... vinte no máximo. As extensas queimaduras por todo o corpo eram de gravidade semelhante às do rosto. De facto era um milagre estar ainda viva.
A enfermeira notando a sua reacção disse-lhe com voz calma:

"Então, doutor? Vamos lá... O senhor é capaz..."

Carlos "deitou mãos à obra" e passados pouquíssimos minutos sem quase nenhum esforço, o bebé nascia e, nesse preciso momento, a jovem mãe, dava o último suspiro.
A enfermeira seguiu os procedimentos habituais, Carlos saiu do bloco operatório, e deixou-se cair numa cadeira.

Pensou na ironia - trágica ironia - da sua vida de obstetra. De facto, nos últimos anos este fora o único parto em que tinha intervindo, até então só praticara abortos...

Mais de três horas depois destes acontecimentos, Carlos dirigia-se para o automóvel no parque de estacionamento parcamente iluminado. Absorto nos seus pensamentos sobressaltou-se com o aparecimento súbito do homem à sua frente apontando-lhe uma pistola.

"Carteira, rápido”, disse o sujeito.

Carlos deu dois passos para trás atrás.
O outro, não esperou um momento e desfechou-lhe dois tiros no peito.
A sua última percepção foi sentir a mão do homem a tirar-lhe a carteira do bolso interior do casaco.
Numa golfada de sangue expirou.

O Juiz falou:

"Quantos crimes cometeu este pobre homem que jurou salvar vidas e o que fez foi eliminar sem piedade seres humanos ainda por nascer". O tom de voz do Juiz era de profunda, inaudita pena.

O Ser esplendoroso ia recomeçar a falar quando uma voz suave e cálida se fez ouvir:

"Quero dizer algo:
As três horas que decorreram entre o parto da pobre jovem e a sua morte, passou-as o Carlos na capela do hospital em frente de uma Imagem minha. Por entre um choro convulsivo disse-me quanto estava arrependido de todos actos horríveis que tinha praticado. Assumiu o compromisso de nunca mais, em circunstância alguma praticar um aborto e, por fim, quando já mais calmo se ia embora, voltou para trás e disse-me que iria seguir de perto a criança que ajudara a vir ao mundo e, até que, se não tivesse família, iria adoptá-la."

O Juiz disse então:

"Como em Caná da Galileia fiz o que me pediu, faça-se agora como a Minha Mãe desejar".


[i] Levanta-se a questão da vida para além da morte. É uma das grandes interrogações que alguma vez durante a sua vida o homem se coloca.
É natural porque o ser humano é dotado de espírito, alma, que tem preocupações mais para além do imediatamente sensível.
Para os cristãos a segurança da Fé fá-los compreender que está destinado à eternidade, ou seja, embora o corpo pereça e acabe a vida terrena, a sua alma não morrerá jamais e, naturalmente, tende a voltar para o seu Criador, Deus.
Sim... a lógica propõe o que a fé garante, porque não se concebe o Criador abandonar a criatura a um desaparecimento puro e simples.
O restante do problema é o que se refere ao "destino" da alma e que é "marcado" na conclusão do juízo a que é sujeita pelo próprio Criador, logo que, após a separação do corpo, se apresenta perante Si.
No imaginário livro da vida, ao contrário do que que é mais comum, não existem colunas de "deve" e "haver" onde é feita uma espécie de contabilidade, não! O que existe é uma lista completa dos bens recebidos em vida, os dons, graças, auxílios, inspirações e meios com que o Senhor foi dotando cada um de forma especial e única.
Cada ser humano recebe um "pacote" específico, para si em exclusivo.
Deus Nosso Senhor não dispensa os Seus benefícios adrede ou de uma forma sistemática ou mecânica. Cada ser humano é objecto de atenção exclusiva e única por parte do Criador que lhe concede os Seus dons e benefícios conforme a Sua Soberana Vontade determina.
Esta misteriosa magnitude de Deus tem uma razão de ser.
O homem não é capaz por si mesmo de evoluir, de melhorar sem que um estímulo o leve a tal.
Este estímulo surge exactamente no estreitamento das suas relações com Deus.
Quanto mais se relaciona mais recebe e, quanto mais se recebe mais se deseja intimar com Deus.
Por isso no Evangelho consta «àquele que tem, lhe será dado; e ao que não tem, ainda aquilo mesmo que julga ter, lhe será tirado» Lc 8, 16-18.

Para chegar a Deus, o caminho seguro, é Maria Sua e nossa Mãe! 

Sancta Maria iter para tutum! (Santa Maria, prepara-me um caminho seguro)

15/11/2011

Novíssimos - Juízo Particular 9

Julgamento de Fernando – sacerdote [i]

Não obstante todos os avisos de Jácome o sacristão, Fernando resolvera subir à torre sineira para ver qual era o problema com o grande sino que, ultimamente, soava de um modo estranho.
Até chegar ao último patamar da escada em caracol os sucessivos lanços tinham sido ultrapassados sem grande dificuldade.

Agora os seus quase oitenta anos faziam-se sentir no cansaço e, sobretudo, nas dores nas pernas.

Olhou para cima para o que faltava subir até às grossas vigas de madeira que suportavam o carrilhão e pensou que, talvez, fosse melhor desistir. É que o acesso embora de uns escassos quatro ou cinco metros era feito por uma escada de madeira, tipo escada de pedreiro, sem qualquer protecção lateral.

Mas o Padre Fernando era teimoso e como também não queria dar uma satisfação ao sacristão, tão teimoso como ele, decidiu-se a trepar por ali acima.

Devagar e com precaução redobrada lá foi subindo a custo até conseguir chegar ao vigamento.
Dali via bem o grande sino e percebeu logo a causa do tal som estranho: uma massa de paus, musgo, folhas e penas estavam agarradas ao olhal onde o sino se pendurava no grande gancho pendente numa grossa viga de madeira.

Claro! Uma coruja resolvera fazer ali o ninho! Como era possível!

A coisa parecia fácil de resolver e, em equilíbrio instável lá caminhou pelo vigamento até ao grande sino.
Com uma ripa de madeira que ali esta abandonada deu uma pancada forte no ninho da coruja para o derrubar.

A coruja estava no ninho - pois claro, era dia - e ao sentir o "assalto" ao seu lugar privativo lançou-se num voo picado soltando um pio lancinante.
Apanhado de surpresa o Sacerdote desequilibrou-se e despencou por ali abaixo.

A alma de Fernando sabia muito bem que o extraordinário Ser que estivera a relatar os derradeiros momentos da sua vida era o seu Anjo da Guarda.
Imaginara-o tantas vezes e, agora, face a face, reconhecia que nunca tivera sequer uma pálida imagem da maravilha que contemplava.

O Anjo prosseguia:

"O Fernando foi um Sacerdote muito zeloso do seu ministério, construiu um Centro de Dia para os idosos da sua paróquia, um Dispensário para os doentes pobres, uma Creche infantil, uma capela mortuária condigna, fez melhoramentos de vulto na Igreja, fundou um grupo de Escuteiros e uma Conferência de Vicentinos, criou um grupo coral de gabarito...

O Juiz interrompeu:

"Sim, tudo obras e mais obras de carácter social, sem dúvida meritórias…
Mas...
O seu munus sacerdotal?
Quanto tempo dedicava por dia... por semana ou... mensalmente ao confessionário?
E a atender espiritualmente os jovens que o procuravam?
E quanto tempo dedicava à oração diária?
E o estudo ou mesmo simples leitura dos Textos Sagrados e do Magistério?
E as mortificações sobretudo na comida e bebida?
Sim... parece que o Meu Sacerdote Fernando foi muito activo em obras sociais e um excelente gestor mas..."

Antes que o Anjo pudesse responder uma voz claríssima, cristalina, suave e terna que Fernando atribuiu imediatamente à Santíssima Virgem, fez-se ouvir:

"Todos os anos o Fernando organizava e dirigia uma peregrinação da sua paróquia a Fátima."

O Juiz disse então:

"Como em Caná da Galileia fiz o que me pediu, faça-se agora como a Minha Mãe desejar".
ama, Novíssimos 2011.11.15


[i] Levanta-se a questão da vida para além da morte. É uma das grandes interrogações que alguma vez durante a sua vida o homem se coloca.
É natural porque o ser humano é dotado de espírito, alma, que tem preocupações mais para além do imediatamente sensível.
Para os cristãos a segurança da Fé fá-los compreender que está destinado à eternidade, ou seja, embora o corpo pereça e acabe a vida terrena, a sua alma não morrerá jamais e, naturalmente, tende a voltar para o seu Criador, Deus.
Sim... a lógica propõe o que a fé garante, porque não se concebe o Criador abandonar a criatura a um desaparecimento puro e simples.
O restante do problema é o que se refere ao "destino" da alma e que é "marcado" na conclusão do juízo a que é sujeita pelo próprio Criador, logo que, após a separação do corpo, se apresenta perante Si.
No imaginário livro da vida, ao contrário do que que é mais comum, não existem colunas de "deve" e "haver" onde é feita uma espécie de contabilidade, não! O que existe é uma lista completa dos bens recebidos em vida, os dons, graças, auxílios, inspirações e meios com que o Senhor foi dotando cada um de forma especial e única.
Cada ser humano recebe um "pacote" específico, para si em exclusivo.
Deus Nosso Senhor não dispensa os Seus benefícios adrede ou de uma forma sistemática ou mecânica. Cada ser humano é objecto de atenção exclusiva e única por parte do Criador que lhe concede os Seus dons e benefícios conforme a Sua Soberana Vontade determina.
Esta misteriosa magnitude de Deus tem uma razão de ser.
O homem não é capaz por si mesmo de evoluir, de melhorar sem que um estímulo o leve a tal.
Este estímulo surge exactamente no estreitamento das suas relações com Deus.
Quanto mais se relaciona mais recebe e, quanto mais se recebe mais se deseja intimar com Deus.
Por isso no Evangelho consta «àquele que tem, lhe será dado; e ao que não tem, ainda aquilo mesmo que julga ter, lhe será tirado» Lc 8, 16-18.

Para chegar a Deus, o caminho seguro, é Maria Sua e nossa Mãe! 

Sancta Maria iter para tutum! (Santa Maria, prepara-me um caminho seguro)

13/11/2011

Novíssimos - Juízo Particular 8

Julgamento de Telmo - jovem estudante [i]

A motoreta ziguezagueava como louca por entre o trânsito compacto. Algumas businadelas irritantes atestavam a imprudente condução mas, Telmo, seguia imperturbável a sua vertiginosa carreira.
Estava atrasadíssimo para a primeira aula e não queria, mais uma vez, receber uma falta não justificada.

Tinha este problema com o levantar da cama a horas. O despertador bem tocava mas decidia sempre ficar “só mais um minuto” no aconchego dos lençóis. Quase sempre era o pai que com um safanão o fazia levantar-se.

“És um preguiçoso! Mandrião! Deitas-te a desoras e depois é isto!”

Era o “seu sermão” matinal!

Fazia propósitos e mais propósitos de corrigir a coisa mas, a verdade é que… nunca passava… dos propósitos.

O autocarro não lhe deu qualquer hipótese.
Foi só um pequeno toque na roda traseira mas o suficiente para o projectar pelos ares. O pobre sujeito que conduzia a camioneta carregada de fruta bem tentou evitar passar-lhe por cima mas… não conseguiu.
A morte foi imediata!

“O Telmo sempre foi um bom estudante desde menino. Muito aplicado, sempre com boas classificações, entrou na faculdade sem qualquer problema. No segundo ano é que as coisas se complicaram. Começou a sair à noite com uns amigos e o que principiara com umas saídas de fim-de-semana normais em rapazes da sua idade, passou a ser um hábito diário. O pior foi que começara a beber por vezes descontroladamente e a regressar a casa em muito más condições físicas. Tudo começou a mudar na sua vida a começar pelo aproveitamento nos estudos que passou de suficiente a menos de medíocre, as suas relações com os pais reagindo com brusquidão às repetidas chamadas de atenção dos progenitores cada vez mais preocupados com o que se estava a passar.”

O Ser resplandecente ia continuar mas…

O Juiz interrompeu:

“Como é triste ver um jovem como o Telmo seguir por tais caminhos depois de uma infância e adolescência tão promissoras… Há alguma referência a prática religiosa, participação nalgum organismo de solidariedade social?”

Uma voz quente e terna como um suspiro de Mãe fez ouvir:

“Tenho algo a dizer:
Os pais do Telmo não se preocuparam em proporcionar-lhe educação religiosa, infelizmente. Ele, na verdade, não tem culpa de ter vivido sempre sem preocupações de ordem espiritual.
Mas, uma vez, foi com um grupo da escola onde andava, numa excursão a Fátima. Lembro-me muito bem da sua admiração por tudo quanto pôde constatar. Por fim, enquanto todos os outros foram comer o farnel que traziam ele ficou, mais de uma hora, sentado na minha Capelinha, fixando a minha imagem e disse-me:

“Gosto de estar aqui”…

O Juiz disse então:

"Como em Caná da Galileia fiz o que me pediu, faça-se agora como a Minha Mãe desejar".


[i] Levanta-se a questão da vida para além da morte. É uma das grandes interrogações que alguma vez durante a sua vida o homem se coloca.
É natural porque o ser humano é dotado de espírito, alma, que tem preocupações mais para além do imediatamente sensível.
Para os cristãos a segurança da Fé fá-los compreender que está destinado à eternidade, ou seja, embora o corpo pereça e acabe a vida terrena, a sua alma não morrerá jamais e, naturalmente, tende a voltar para o seu Criador, Deus.
Sim... a lógica propõe o que a fé garante, porque não se concebe o Criador abandonar a criatura a um desaparecimento puro e simples.
O restante do problema é o que se refere ao "destino" da alma e que é "marcado" na conclusão do juízo a que é sujeita pelo próprio Criador, logo que, após a separação do corpo, se apresenta perante Si.
No imaginário livro da vida, ao contrário do que que é mais comum, não existem colunas de "deve" e "haver" onde é feita uma espécie de contabilidade, não! O que existe é uma lista completa dos bens recebidos em vida, os dons, graças, auxílios, inspirações e meios com que o Senhor foi dotando cada um de forma especial e única.
Cada ser humano recebe um "pacote" específico, para si em exclusivo.
Deus Nosso Senhor não dispensa os Seus benefícios adrede ou de uma forma sistemática ou mecânica. Cada ser humano é objecto de atenção exclusiva e única por parte do Criador que lhe concede os Seus dons e benefícios conforme a Sua Soberana Vontade determina.
Esta misteriosa magnitude de Deus tem uma razão de ser.
O homem não é capaz por si mesmo de evoluir, de melhorar sem que um estímulo o leve a tal.
Este estímulo surge exactamente no estreitamento das suas relações com Deus.
Quanto mais se relaciona mais recebe e, quanto mais se recebe mais se deseja intimar com Deus.
Por isso no Evangelho consta «àquele que tem, lhe será dado; e ao que não tem, ainda aquilo mesmo que julga ter, lhe será tirado» Lc 8, 16-18.

Para chegar a Deus, o caminho seguro, é Maria Sua e nossa Mãe! 

Sancta Maria iter para tutum! (Santa Maria, prepara-me um caminho seguro)

11/11/2011

Novíssimos - Juízo Particular 7

Julgamento de Gualter - profissional de futebol. [i]

A baliza parecia-lhe muito pequena e o guarda-redes desmesuradamente grande como que ocupando todo o espaço disponível. Não entendia o que se estava a passar consigo. Sentia como que um peso tremendo que quase o esmagava.

Mas… não podia falhar! Este golo no derradeiro minuto do desafio era a porta para o triunfo no campeonato.
Tomou balanço, com os trejeitos do costume, e avançou para a bola com a calam costumada.

Já não viu a bola a entrar na baliza nem ouviu a gritaria da multidão de adeptos entusiasmados festejando o golo.
Jazia caído no chão derrubado por um AVC fulminante.

Desde miúdo que Gualter revelara um especial jeito para a bola, na escola, os estudos não eram o seu forte mas no recreio não havia quem se lhe comparasse na habilidade no futebol.
Todos os momentos livres – e eram muitos – passava-os na rua em frente da modesta casa dos pais a jogar futebol com uma bola de trapos com os outros miúdos da aldeia.

Com doze anos feitos e, finalmente, a “primária” concluída apareceu lá em casa um sujeito muito bem-falante que se demorou mais de hora e meia a conversar com o pai.
Este não resistiu às aliciantes propostas do homem e o Gualter lá embarcou no flamante automóvel a caminho da cidade.

Na secção juvenil do grande clube deu logo nas vistas e, muito rapidamente, assim que a idade permitiu, entrou no primeiro desafio da equipa principal.
Como tivesse marcado um golo o seu lugar ficou instantaneamente assegurado e, a partir daí, foi um sucessivo acumular de desafios, dribles fantásticos, golos memoráveis.
Os media começaram a falar dele com frequência e não passou um ano que não fosse aliciado por um famoso clube estrangeiro com um ordenado de príncipe das arábias.

A sua vida era um conto de fadas, o dinheiro acumulava-se no banco não só fruto dos salários fabulosos mas também dos principescos proventos de publicidade que iam desde marcas de roupas caríssimas, cosméticos, automóveis…

O Juiz falou:
“O que se acaba de ouvir não serve para nada…”

Gualter admirava-se de o Ser resplandecente que estivera a relatar a sua vida não tivesse mencionado os prémios, as taças, as medalhas que enchiam toda uma divisão da sua luxuosa mansão.

Mas, o Juiz, prosseguia:

“Não consta uma obra de caridade, um auxílio solidário, uma preocupação com alguém…”

“Tenho de dizer algo - ouviu-se numa voz tão suave que parecia uma brisa sussurrante – o Gualter teve uma filha e quis que fosse baptizada.
A sua família queria pôr-lhe um desses nomes que parecem estar de moda mas ele insistiu – e impôs – que lhe fosse dado o meu nome…”

O Juiz disse então:

"Como em Caná da Galileia fiz o que me pediu, faça-se agora como a Minha Mãe desejar".


[i] Levanta-se a questão da vida para além da morte. É uma das grandes interrogações que alguma vez durante a sua vida o homem se coloca.
É natural porque o ser humano é dotado de espírito, alma, que tem preocupações mais para além do imediatamente sensível.
Para os cristãos a segurança da Fé fá-los compreender que está destinado à eternidade, ou seja, embora o corpo pereça e acabe a vida terrena, a sua alma não morrerá jamais e, naturalmente, tende a voltar para o seu Criador, Deus.
Sim... a lógica propõe o que a fé garante, porque não se concebe o Criador abandonar a criatura a um desaparecimento puro e simples.
O restante do problema é o que se refere ao "destino" da alma e que é "marcado" na conclusão do juízo a que é sujeita pelo próprio Criador, logo que, após a separação do corpo, se apresenta perante Si.
No imaginário livro da vida, ao contrário do que que é mais comum, não existem colunas de "deve" e "haver" onde é feita uma espécie de contabilidade, não! O que existe é uma lista completa dos bens recebidos em vida, os dons, graças, auxílios, inspirações e meios com que o Senhor foi dotando cada um de forma especial e única.
Cada ser humano recebe um "pacote" específico, para si em exclusivo.
Deus Nosso Senhor não dispensa os Seus benefícios adrede ou de uma forma sistemática ou mecânica. Cada ser humano é objecto de atenção exclusiva e única por parte do Criador que lhe concede os Seus dons e benefícios conforme a Sua Soberana Vontade determina.
Esta misteriosa magnitude de Deus tem uma razão de ser.
O homem não é capaz por si mesmo de evoluir, de melhorar sem que um estímulo o leve a tal.
Este estímulo surge exactamente no estreitamento das suas relações com Deus.
Quanto mais se relaciona mais recebe e, quanto mais se recebe mais se deseja intimar com Deus.
Por isso no Evangelho consta «àquele que tem, lhe será dado; e ao que não tem, ainda aquilo mesmo que julga ter, lhe será tirado» Lc 8, 16-18.

Para chegar a Deus, o caminho seguro, é Maria Sua e nossa Mãe! 

Sancta Maria iter para tutum! (Santa Maria, prepara-me um caminho seguro)