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20/02/2016

Doutrina - 61

Eucaristia

…/18

3. A celebração litúrgica da Eucaristia

3.1. A estrutura fundamental da celebração

A assembleia eucarística

A constituição do signo sacramental

Os elementos essenciais e necessários para constituir o signo sacramental da Eucaristia são: por um lado, o pão de farinha de trigo [i] e o vinho [ii] de uvas; e, por outro lado, as palavras consecratórias, que o celebrante pronuncia in persona Christi, no contexto da «Oração Eucarística».

Graças à virtude das palavras do Senhor e à potência do Espírito Santo, o pão e o vinho convertem-se em signos eficazes, com plenitude ontológica e não apenas de significado, da presença do “Corpo entregue” e do “Sangue derramado” de Cristo, ou seja, da sua Pessoa e do seu sacrifício redentor [iii].

ángel garcia ibáñez

(Revisão da versão portuguesa por ama)

Bibliografia Básica:
Catecismo da Igreja Católica, 1322-1355.
João Paulo II II, Enc. Ecclesia de Eucharistia, 17-IV-2003, nn. 11-20; 47-52.
Bento XVI, Ex. ap. Sacramentum Caritatis, 22-II-2007, nn. 6-13; 16-29; 34-65.
Congregação para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos, Instrução Redemptionis Sacramentum, 25-III-2004, nn. 48-79.



[i] Cf. Missal Romano, Instituto generalis, n. 320. No rito latino deve ser pão ázimo, isto é, não fermentado; cf. Ibidem.
[ii] Cf. Missal Romano, Instituto generalis, n. 319. Na Igreja latina, ao vinho acrescenta-se um pouco de água; cf. Ibidem. As palavras que o sacerdote pronuncia ao deitar água no vinho, manifestam o sentido deste rito: «Pelo mistério desta água e deste vinho sejamos participantes da divindade d’Aquele que assumiu a nossa humanidade» (missal Romano, Ofertório). Para os Padres da Igreja este rito significa também a união da Igreja com Cristo no sacrifício eucarístico; cf. S. Cipriano, Ep. 63, 13: CSEL 3, 711.
[iii] cf. Catecismo, 1333 e 1375

19/02/2016

Doutrina - 60

Eucaristia

…/17

3. A celebração litúrgica da Eucaristia

3.1. A estrutura fundamental da celebração

A assembleia eucarística

O desenrolar da celebração

A acção do rito memorial desenrola-se, desde as origens da Igreja, em dois grandes momentos, que formam um só acto de culto: a “Liturgia da Palavra” (que compreende a proclamação e a escuta-acolhimento da Palavra de Deus) e a “Liturgia Eucarística” (que compreende a apresentação do pão e do vinho, a anáfora ou oração eucarística – com as palavras da consagração – e a comunhão.
Estas duas partes principais estão delimitadas pelos ritos de introdução e de conclusão [i].

Ninguém pode tirar ou acrescentar a seu bel-prazer nada do que foi estabelecido pela Igreja na Liturgia da Santa Missa [ii].

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] cf. Catecismo, 1349-1355
[ii] Cf. Concílio Vaticano II, Const. Sacrosanctum Concilium, 22; Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instrução Redemptionis Sacramentum, 14-18.

18/02/2016

Doutrina - 59

Eucaristia

…/16

3. A celebração litúrgica da Eucaristia

3.1. A estrutura fundamental da celebração

A assembleia eucarística

O papel do sacerdócio ministerial na celebração da Eucaristia é essencial.
Só o sacerdote validamente ordenado pode consagrar a Santíssima Eucaristia, pronunciando in in persona Christi (quer dizer, na identificação específica sacramental com o Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo), as palavras da consagração [i].

Por outro lado, nenhuma comunidade cristã tem capacidade para se atribuir por si só o ministério ordenado.
«Este é um dom que ela recebe através da sucessão episcopal que remonta aos Apóstolos.
É o Bispo que constitui, pelo sacramento da Ordem, um novo presbítero, conferindo-lhe o poder de consagrar a Eucaristia» [ii].

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] cf. Catecismo, 1369
[ii] João Paulo II, Enc. Ecclesia Eucharistia, 29.

17/02/2016

Doutrina - 58

Eucaristia

…/15

3. A celebração litúrgica da Eucaristia

3.1. A estrutura fundamental da celebração

A assembleia eucarística

Logo nos começos da vida da Igreja, a assembleia cristã que celebra a Eucaristia manifesta-se hierarquicamente estruturada: normalmente é constituída pelo bispo ou por um presbítero (que preside sacerdotalmente à celebração eucarística e actua in persona Christi Capitis Ecclesiae), pelo diácono, por outros ministros e pelos fiéis, unidos pelo vínculo da fé e do baptismo.

Todos os membros desta assembleia são chamados a participar consciente, devota e activamente na liturgia eucarística, cada um segundo o seu modo próprio: o sacerdote celebrante, o diácono, os leitores, «os que trazem as oferendas, os que distribuem a comunhão e todo o povo cujo Ámen manifesta a participação» [i].

Assim, cada um deverá cumprir o que é próprio do seu ministério, sem que haja confusão entre o sacerdócio ministerial, o sacerdócio comum dos fiéis, o ministério do diácono e de outros possíveis ministros.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] Catecismo, 1348

16/02/2016

Doutrina - 57

Eucaristia

…/14

3. A celebração litúrgica da Eucaristia

3.1. A estrutura fundamental da celebração

Fiel ao mandato de Jesus, a Igreja, guiada pelo «Espírito de Verdade» [i], que é o Espírito Santo, quando celebra a Eucaristia não faz outra coisa senão conformar-se com o rito realizado pelo Senhor na Última Ceia.
Os elementos essenciais das sucessivas celebrações eucarísticas não podem ser outros senão os da Eucaristia originária, ou seja:

a) A assembleia dos discípulos de Cristo, por Ele convocada e reunida à sua volta.

b) A realização do novo rito memorial.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] Jo 16, 13

15/02/2016

Doutrina - 56

Eucaristia

…/13

3. A celebração litúrgica da Eucaristia

A Igreja, obediente ao mandato do Senhor, celebrou a seguir a Eucaristia em Jerusalém [i], em Tróade [ii] em Corinto [iii], e em todos os lugares onde haveria de chegar o cristianismo.

«Era sobretudo “no primeiro dia da semana”, isto é, no dia de domingo, dia da ressurreição de Jesus, que os cristãos se reuniam “para partir o pão” [iv].

Desde esses tempos até aos nossos dias, a celebração da Eucaristia perpetuou-se, de maneira que hoje a encontramos em toda a parte na Igreja com a mesma estrutura fundamental» [v].

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] cf. Act 2,42-48
[ii] cf. Act 20,7-11
[iii] cf. 1 Cor 10,14,21; 1 Cor 11, 20-34
[iv] Act 20, 7
[v] Catecismo, 1343

14/02/2016

Doutrina - 55

Eucaristia

…/12

2.3. Significado e conteúdo do mandato do Senhor

Deste modo, Cristo ordenou aos Apóstolos (e neles aos seus sucessores no sacerdócio), que celebrassem um novo “memorial”, que substituísse o da Antiga Páscoa.
Este rito memorial tem uma particular eficácia: não só ajuda a “recordar” à comunidade crente o amor redentor de Cristo, as suas palavras e gestos durante a Última Ceia, mas que, além disso, como sacramento da Nova Lei, torna objectivamente presente a realidade significada: Cristo “Nossa Páscoa” [i], e o seu sacrifício redentor.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] 1 Cor 5, 7

13/02/2016

Doutrina - 54

Eucaristia

…/11

2.3. Significado e conteúdo do mandato do Senhor

O preceito explícito de Jesus: «fazei isto em memória de mim» como meu memorial [i], evidencia o carácter propriamente institucional da Última Ceia.

Com este mandato, pede-nos que correspondamos ao seu dom e que o representemos sacramentalmente (que o voltemos a realizar, que reiteremos a sua presença: a presença do seu Corpo entregue e do seu Sangue derramado, ou seja, do seu sacrifício em remissão dos nossos pecados).

- «Fazei isto».

Deste modo designou aqueles que poderiam celebrar a Eucaristia (os Apóstolos e os seus sucessores no sacerdócio), confiou-lhes a potestade de a celebrar e determinou os elementos fundamentais do rito: os mesmos que Ele empregou.

Assim, na celebração da Eucaristia é necessária a presença do pão e do vinho, da oração de acção de graças e de bênção, da consagração dos dons no Corpo e Sangue do Senhor, da distribuição e comunhão deste Santíssimo Sacramento.

- «Em memória de mim» como meu memorial.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Lc 22, 19; 1Cor 11, 24-25

12/02/2016

Doutrina - 53

Eucaristia

…/10

2. A promessa da Eucaristia e a sua instituição por Jesus Cristo

2.2. A instituição e o seu contexto pascal

Jesus celebrou pois a Última Ceia no contexto da Páscoa judaica, mas a Ceia do Senhor possui uma novidade absoluta: no centro não se encontra o cordeiro da Antiga Páscoa, mas o próprio Cristo, o seu Corpo entregue (oferecido em sacrifício ao Pai, a favor dos homens)… e o seu Sangue derramado por muitos para a remissão dos pecados [i].

Podemos pois dizer que Jesus, mais do que celebrar a Antiga Páscoa, anunciou e realizou – antecipando-a sacramentalmente – a Nova Páscoa.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] cf. Catecismo, 1339

11/02/2016

Doutrina - 52

Eucaristia

…/9

2. A promessa da Eucaristia e a sua instituição por Jesus Cristo

2.2. A instituição e o seu contexto pascal

Jesus Cristo instituiu este sacramento na Última Ceia.
Os três Evangelhos sinópticos [i] e S. Paulo [ii] transmitiram-nos o relato da sua instituição.
Eis aqui a síntese da narração que o Catecismo da Igreja Católica nos oferece:
«Veio o dia dos Ázimos, em que devia imolar-se a Páscoa. Jesus enviou então a Pedro e a João, dizendo:
"Ide preparar-nos a Páscoa, para que a possamos comer"...

Partiram pois,.. e prepararam a Páscoa.

Ao chegar a hora, Jesus tomou lugar à mesa, e os Apóstolos com Ele.

Disse-lhes então:

"Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer.
Pois vos digo que não voltarei a comê-la, até que ela se realize plenamente no Reino de Deus". ...
Depois, tomou o pão e, dando graças, partiu-o, deu-lho e disse-lhes: "Isto é o Meu corpo, que vai ser entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim". No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice e disse: "Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós[iii]).

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] cf. Mt 26,17-30; Mc 14,12-26; Lc 22,7-20
[ii] cf. 1 Cor 11,23-26
[iii] Catecismo, 1339

09/02/2016

Doutrina - 50

Eucaristia

…/7

1.3. A Eucaristia na ordem sacramental da Igreja

Todos os outros sacramentos e todas as obras da Igreja ordenam-se à Eucaristia porque o seu fim é conduzir os fiéis à união com Cristo, presente neste sacramento [i].

Embora contenha Cristo, fonte através da qual a vida divina chega à humanidade, e ainda sendo o fim para o qual se ordenam os outros sacramentos, a Eucaristia não substitui nenhum deles (nem o Baptismo, nem a Confirmação, nem a Penitência, nem a Unção dos Doentes), e só pode ser consagrada por um ministro validamente ordenado.

Cada sacramento tem o seu papel no conjunto sacramental e na vida da própria Igreja.
Neste sentido, a Eucaristia considera-se o terceiro sacramento da iniciação cristã.

Desde os primeiros séculos do cristianismo que o Baptismo e a Confirmação foram considerados como preparação para a participação na Eucaristia, como disposições para se poder entrar em comunhão sacramental com o Corpo de Cristo e o seu sacrifício, e para inserir-se mais vitalmente no mistério de Cristo e da sua Igreja.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] cf. Catecismo, 1324

08/02/2016

Doutrina - 49

Eucaristia

…/6

1.3. A Eucaristia na ordem sacramental da Igreja

Os outros sacramentos, embora possuam uma virtude santificadora que provém de Cristo, não são como a Eucaristia, que torna verdadeiramente presente, real e substancialmente a própria Pessoa de Cristo – o Filho encarnado e glorificado do Pai Eterno –, com a potência salvífica do seu amor redentor, para que os homens possam entrar em comunhão com Ele e vivam por Ele e n’Ele [i].

Além disso, a Eucaristia constitui o cume para o qual convergem todos os outros sacramentos em ordem ao crescimento espiritual de cada um dos crentes e de toda a Igreja.

Neste sentido, o Concílio Vaticano II afirma que a Eucaristia é «fonte e centro de toda a vida cristã», o centro da vida da Igreja [ii].

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] cf. Jo 6, 56, 57
[ii] Cf. Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 11.

07/02/2016

Doutrina - 48

Eucaristia

…/5

1.3. A Eucaristia na ordem sacramental da Igreja

«O amor da Trindade pelos homens faz com que, da presença de Cristo na Eucaristia, nasçam para a Igreja e para a humanidade todas as graças» [i].

A Eucaristia é o sacramento mais excelso, porque nele «está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo» [ii].

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] S. Josemaria, Cristo que Passa, 86.
[ii] Concílio Vaticano II, Presbyterorum Ordinis, 5.

06/02/2016

Doutrina - 47

Eucaristia

…/4

1.2. Os nomes com que se designa este sacramento

e) Outros designam toda a celebração eucarística com o termo que indica, no rito latino, a despedida dos fiéis depois da comunhão: Missa, Santa Missa.

Entre todos estes nomes o termo Eucaristia é o que tem prevalecido cada vez mais na Igreja do Ocidente, até se tornar a expressão comum com que se designa tanto a acção litúrgica da Igreja, que celebra o memorial do Senhor, como o sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo.

No Oriente a celebração eucarística, sobretudo a partir do século X, é designada habitualmente pela expressão Santa e Divina Liturgia.

(cont)


(Revisão da versão portuguesa por ama)

05/02/2016

Doutrina - 46

Eucaristia

…/3

1.2. Os nomes com que se designa este sacramento

b) Outros sublinham o carácter sacrificial da Eucaristia: Santo Sacrifício, Santo Sacrifício da Missa, Sacramento do Altar, Hóstia (=Vítima imolada).

c) Outros tentam expressar a realidade da presença de Cristo sob as espécies consagradas: Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo, Pão do Céu [i], Santíssimo Sacramento (porque contém o Santo dos Santos, a própria santidade de Deus encarnado).

d) Outros referem-se aos efeitos causados pela Eucaristia em cada fiel e em toda a Igreja: Pão da Vida, Pão dos Filhos, Cálice de Salvação, Viático (para que não desfaleçamos no caminho para Casa), Comunhão.

Este último nome indica que mediante a Eucaristia nos unimos a Cristo (comunhão pessoal com Cristo) e a todos os membros do seu Corpo Místico (comunhão eclesial em Jesus Cristo).

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] cf. Jo 6, 32-35; Jo 6, 51-58

04/02/2016

Doutrina - 45

Eucaristia

…/2

1.2. Os nomes com que se designa este sacramento

A Eucaristia é denominada, tanto pela Sagrada Escritura como pela Tradição da Igreja, com diversos nomes, que reflectem os múltiplos aspectos deste sacramento e expressam a sua incomensurável riqueza, mas nenhum esgota o seu sentido. Vejamos os mais significativos:

a) Alguns nomes recordam a origem do rito:

Eucaristia [i],

Fracção do Pão;

Memorial da paixão;

Morte e ressurreição do Senhor;

Ceia do Senhor.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] O termo eucaristia significa acção de graças, e remete para as palavras de Jesus Cristo na Última Ceia: «Tomou, então, o pão e, depois de dar graças quer dizer, pronunciou uma oração eucarística e de louvor a Deus Pai, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo…» (Lc 22, 19; cf. 1 Cor 11, 24).