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28/11/2020

Reflexão

 



Perdão

 

A propósito do Perdão lembro aquela exclamação de São Paulo:

Oh felix culpa!

Referia-se à alegria de ser perdoado pela culpa que se reconhece ter.

 

De facto, quem não tem culpa não precisa de perdão.

 

(AMA, 2020)

25/03/2011

O sentimento de culpa 4

Observando

continuação


A ofensa é como uma ferida, e o perdão é o primeiro passo no caminho da sua cura, que pode ser longa. O perdão não é um atalho para alcançar a felicidade, mas um longo caminho que há que percorrer. Por isso, quando algumas pessoas dizem que não se arrependem de nada e que, se voltasse a nascer, fariam tudo igual, demonstram ser pouco conscientes dos erros que acumularam ao longo da sua vida. 


Se não os advertem, se não se sentem culpáveis de todos esses atropelos e procuram o modo de reparar o dano que fizeram, estão imersos num grave processo de auto-engano que terá um amargo despertar num dia qualquer.


alfonso aguiló, in FLUVIUM, 2011.03.19, trad ama

24/03/2011

O sentimento de culpa 3

Observando

continuação

O sentimento de culpa por algo que fizemos mal é como um aviso, tal como, por exemplo, a dor física, que nos avisa de que algo no nosso corpo não anda bem. É natural e positivo sentir culpabilidade pelo que fazemos mal. Se fizemos algo errado, o lógico é que por causa disso nos sintamos mal, o inclusivamente muito mal. Não devemos então permitir que a memória e a imaginação o revivam continuamente, mas tampouco é solução ignora-lo e amontoar terra por cima. É preciso reconhecer e compreender o erro, e utilizar a vontade para emergir com maior força da experiência passada.


Se se experimenta devidamente a culpa, a primeira reacção é a procura do perdão e o intento de reparar o possível o dano causado. Depois, quando já se foi perdoado e se fez o razoavelmente possível para compensar esse mal, é quando se sente um verdadeiro alivio e é más fácil esquecer.
Cont/
alfonso aguiló, in FLUVIUM, 2011.03.19, trad ama

23/03/2011

O sentimento de culpa 2

Observando

continuação

A mensagem do livro é clara: se em qualquer colectivo humano se perde o sentido de culpa ou a noção do mal, acaba-se por não poder falar do bem. Não pode haver verdadeiro bem se não se compreende a existência do mal. E afogando a culpabilidade da pessoa chega-se a afogar a própria pessoa. Para Torben, o único modo de resolver o seu problema é logrando ser perdoado e, como a falecida já não o pode fazer, procura algo que repare a sua culpa: enquanto não o conseguir, sente-se anulado como pessoa.


Na nossa vida familiar, profissional ou social pode acontecer-nos, salvando as distâncias, algo parecido. Qualquer pessoa comete erros que produzem um dano nos que o rodeiam e em si próprio, e tudo isso costuma levar anexado um sentido de culpa. Se pretendemos desentender-nos da realidade desse dano que produzimos, ou tentássemos projectar sem razão a nossa culpa sobre os outros, então provocaríamos um novo dano, e mais grave, a nós mesmos, porque não pomos remédio a esse mal, antes o ignoramos ou escondemos.
Cont/
alfonso aguiló, in FLUVIUM, 2011.03.19, trad ama

22/03/2011

O sentimento de culpa

Observando

O escritor dinamarquês Henrik Stangerup apresenta na sua novela "O homem que queria ser culpável" uma interessante reflexão sobre o sentido de culpa. O seu protagonista, Torben, cometeu um crime e pretende em vão que os responsáveis pela justiça da sociedade em que vive o reconheçam como tal. Todavia, dizem-lhe que seu acto não foi um assassinato, mas um lamentável acidente provocado pelas circunstâncias. Asseguram-lhe que veio forçado pela sociedade, que é a única verdadeiramente culpável. Tratam-no como um desequilibrado, vítima de um absurdo complexo de culpabilidade. Depois deixam-no em liberdade e tentam fazê-lo esquecer todo a recordação da sua mulher.
Mas ele sabe que matou a sua mulher num acesso de cólera e embriaguez, sente-se culpável e quer pagar por isso. Ao longo da novela, o protagonista irá enlouquecendo de verdade, esmagado pela expropriação que fizeram dos fundamentos da sua responsabilidade pessoal, enquanto tenta sem êxito provar que é culpável dessa morte.
Cont/
alfonso aguiló, in FLUVIUM, 2011.03.19, trad ama