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21/10/2020

Anjo da Guarda


Reflexão: Anjo da Guarda - 3

Posso “abusar” do meu Anjo da Guarda:

Para mim… a questão não se coloca.
Como poderia abusar?
Pedindo demais?
Insistindo?

Pois, se como já disse, tenho com Ele uma familiaridade de “tu a tu”, como a minha insistência ou pedidos, ou o que for podem ser “abuso”?
Como confio – absolutamente – nele, sei que fará o que for melhor e mais conveniente SEMPRE!



[i] Uso este título porque são tentações que podem ocorrer sobre aspectos da nossa Fé.


26/08/2020

Anjos da Guarda


Parece que a todos os homens não são delegados anjos para guardá-los:

1. Com efeito, diz-se de Cristo na Carta aos Filipenses: que se “fez semelhante aos homens e por seu aspecto foi reconhecido como homem(2, 7).
Se, pois, a todos os homens são delegados anjos para guarda-los, também o Cristo deveria ter o seu.
Ora, isso seria pouco conveniente, pois Cristo é maior do que todos os anjos. Logo, os anjos não são delegados a todos os homens.

2. Além disso, Adão foi o primeiro entre os homens. Ora, não lhe cabia ter um anjo da guarda, pelo menos no estado de inocência, pois não era ameaçado por nenhum perigo. Logo, os anjos não são dados a todos como guardas.

3. Ademais, os anjos são delegados à guarda dos homens para conduzi-los à vida eterna, incitá-los à prática do bem e defende-los contra os ataques do demônio. Ora, aqueles que são predestinados à condenação jamais chegarão à vida eterna. Os infiéis, por sua vez, mesmo que por vezes façam boas obras, não as fazem devidamente, por falta de reta intenção, pois no dizer de Agostinho “a fé dirige a intenção”. Enfim, a vinda do Anticristo será por operação de Satanás como diz a segunda Carta aos Tessalonicenses. Logo, não é a todos os homens que os anjos são delegados para guarda-los.

EM SENTIDO CONTRÁRIO, está o texto de Jerónimo acima aduzido que diz: “Cada alma tem um anjo delegado para sua guarda”.

O homem, na vida presente, encontra-se em uma espécie de caminho que deve tender para a pátria. Nesse caminho são muitos os perigos que o ameaçam, dentro e fora: “No caminho pelo qual eu ando, armaram-me uma cilada”, diz o Salmo 142. Por isso, aos homens que andam por caminhos não seguros são dados guardas. Assim também a cada homem em sua peregrinação terrestre é delegado um anjo para sua guarda. Quando chegar ao termo da vida, já não terá tal anjo; mas no céu terá um anjo reinando com ele, e no inferno terá um demônio para puni-lo.

Quanto às objeções iniciais, portanto, deve-se dizer que:

1. O Cristo como homem era dirigido imediatamente pelo Verbo de Deus, não precisando por isso da guarda dos anjos. Em sua alma era bem-aventurado, mas em razão de seu corpo ainda passível estava na vida presente. Mesmo assim, não era de um anjo da guarda que necessitava, mas de um anjo que o servisse como inferior. Daí que se diz no Evangelho de Mateus: «Aproximaram-se anjos e o serviam». (4,11)

2. O homem no estado de inocência não corria nenhum perigo vindo de dentro, pois tudo estava ordenado em seu interior. Mas havia a ameaça de um perigo vindo de fora, devido às ciladas dos demônios, como os factos provaram. Necessitava, portanto, da guarda dos anjos.

3. Assim como os predestinados à condenação, os infiéis e o Anticristo não estão privados do auxílio interior da razão natural, assim também não estão privados do auxílio concedido por Deus a toda natureza humana, a saber, a guarda dos anjos. Mesmo que por ela não sejam ajudados a que, por meio das boas obras, mereçam a vida eterna, a guarda dos anjos ajuda ao menos a que evitem certos natos maus que poderiam ser prejudiciais a si e a outros. Com efeito, os demónios são afastados pelos anjos bons de fazer o mal tanto quanto gostariam. Assim também o Anticristo não poderá fazer todo o mal que quiser.

(São Tomás de Aquino, Suma Teológica I, q. 113, a.4)

12/08/2020

Reflexão: Anjo da Guarda - 2


Tentações teológicas - [ii]

Querer saber a exclusividade do meu Anjo da Guarda:

O Anjo da minha Guarda é “exclusivamente meu”, quer dizer: O Criador designou-o como tal e deu-lhe essa missão específica: Guiar-me e proteger-me em cada momento dos dias da minha vida.
Considerando esta verdade, fico muito feliz e tranquilo porque, tenho a certeza, desempenhará – SEMPRE – essa “missão” com zelo “angélico”.

28/04/2017

Reflectindo - 246

Inquietação


Deixar que a inquietação - seja porque motivo for nos domine o espírito ou até nos tire o sono, não é tão incomum como pode julgar-se.

É difícil combater este estado de espírito e embora todos os conselhos vão no sentido de procurar uma ocupação ou outros pensamentos, nem sempre resulta.

Há, no entanto, algo que resulta: Pedir auxílio ao Anjo da Guarda.

Sei-o, por experiência própria, que resulta!

A "capacidade" do nosso Anjo da Guarda agir para nos proteger de algo que não nos faz bem - nos faz sofrer - sobretudo quando tal se deve ao nosso espírito, está como que "alojado" no nosso coração, é extra­ordinária e muitíssimo rápida.

Há, porém, uma condição: Temos de lho pedir expressando exactamente o que queremos porque o Anjo não sabe, não pode saber, o que vai no nosso íntimo a menos que lho digamos ou façamos saber por sinais inequívocos.


(ama, reflexões, 2016.11.16)


10/12/2015

A morte e o Anjo da Guarda

Notícias / Temas diversos
O que nosso anjo da guarda faz depois da nossa morte?

A missão do seu anjo da guarda não termina quando você morre – e é maravilhoso descobrir o que ele ainda vai fazer por si depois disso

O Catecismo da Igreja Católica, referindo-se aos santos anjos, ensina que, “desde o início até a morte, a vida humana está cercada de sua custódia e intercessão”. [i]

A partir disso, conclui-se que a pessoa conta com a protecção e guarda do seu anjo mesmo no momento da sua morte. Ou seja, os anjos não nos acompanham somente nesta vida, mas sua acção prolonga-se até nossa morte, nossa passagem para a vida eterna.

Para entender a relação que une os anjos às pessoas no momento de sua passagem à outra ida, é preciso compreender que os anjos foram “enviados para todos aqueles que hão-de herdar a salvação” [ii].

Ou seja, a principal missão do anjo da guarda é a salvação do ser humano, é fazer que a pessoa entre na vida de união com Deus. E, nesta missão, encontra-se a assistência que o anjo dá às almas no momento em que se apresentam diante de Deus.

Os Padres da Igreja destacam a especial missão dos anjos de assistir as almas na hora da morte e protegê-las dos últimos ataques dos demónios.

São Luís Gonzaga (1568-1591) ensina que, no momento em que a alma abandona o corpo, esta é acompanhada e consolada pelo seu anjo da guarda para que se apresente com confiança diante do tribunal de Deus.

Segundo o santo, o anjo apresenta os méritos de Cristo, para que neles se apoie a alma no momento do seu juízo particular; e, uma vez pronunciada a sentença pelo Divino Juiz, se a alma é enviada ao purgatório, esta recebe a visita frequente do seu anjo da guarda, que a conforta e consola, levando-lhe as orações que foram feitas por ela e garantindo-lhe a sua futura libertação.

A missão dos anjos da guarda continua até levar a alma à união dom Deus.

No entanto, é necessário levar em consideração que, depois da morte, nos espera um juízo particular, no qual a alma, diante de Deus, pode escolher entre abrir-se ao amor de Deus ou rejeitar definitivamente o seu amor e o seu perdão, renunciando assim, para sempre, à comunhão alegre com ele [iii].

Se a alma decide entrar em comunhão com Deus, seu anjo unir-se-á a ela para louvar eternamente o Deus Uno e Trino.

Se a alma precisa passar pelo purgatório, o seu anjo intercederá por ela diante do trono de Deus e buscar ajuda entre os homens na terra para levar orações ao seu protegido, ajudando-o a sair do purgatório quanto antes.

As almas que decidem rejeitar definitivamente o amor e o perdão de Deus, também rejeitam a amizade eterna do seu anjo da guarda. Neste terrível evento, o anjo louva a justiça e santidade divinas.

Em qualquer um dos três possíveis cenários (céu, purgatório ou inferno), o santo anjo sempre se alegrará com o juízo de Deus, pois ele une-se de maneira perfeita e total à vontade divina.

Nunca nos esqueçamos de que nós podemos nos unir aos anjos dos nossos entes queridos já falecidos, para que eles levem nossas orações diante do trono de Deus, para que o Senhor manifeste sua misericórdia.

luis pérez alcaide 

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Nr. 336
[ii] cf. Hb 1, 14
[iii] cf. São João Paulo II, audiência geral de 4 de Agosto de 1999

22/11/2014

Temas para meditar - 279


Anjo da Guarda


Aproveita considerar que temos o Anjo da Guarda ao nosso lado, e na oração melhor que noutro lugar, porque ali está ele para nos ajudar a levar as nossas orações ao Céu e defender-nos do inimigo.




(são pedro de alcântara, Tratado de la oración y meditación, I, 222, trad ama)

28/07/2011

Uma história real com o Anjo da Guarda

Em 19 de Abril de 1912 o Papa Pio X  recebeu afavelmente Don Orione, [1] que o pôs ao corrente dos progressos conquistados na Vía Apia Nueva, a Patagónia italiana, sugerindo-lhe a necessidade de erigir ali um grande templo. O Pontífice prometeu-lhe criar naquele bairro a Paróquia de Todos os Santos, a qual poria sob a direcção dos Filhos da Divina Providência. Com efeito, em 1920 inaugurou o templo nos arredores de São João de Latrão e Don Orione designou como seu primeiro pároco Don Roberto Rizzi.
Don Orione ao ver a paternal benevolência que o Papa lhe dispensava, animou-se a expressar-lhe o anseio que guardava no seu coração.
- Santo Padre: desejo pedir-lhe uma graça muito grande.
- Vejamos em que consiste esta graça tão grande disse Pio X, sorrindo.
Don Orione expôs-lhe confiadamente os principais fins dos seus institutos e pediu-lhe, que desejando fazer os votos perpétuos, se dignasse recebe-los pessoalmente. Pio X acedeu. Don Orione, pensando que deveria fazê-los noutra audiência, continuou a falar, e ao concluir a sua exposição e dispor-se a sair, perguntou:
- Santo Padre, quando posso vir para fazer os santos votos?
- Pois, agora mesmo! - respondeu o Papa.
Profundamente emocionado, Don Orione ajoelhou-se, abraçando e beijando os pés do venerando pontífice. Tirou do bolso o estatuto dos Pequenos Filhos da Divina Providencia e abriu-o na página assinalada com a fórmula do juramento. Nesse instante solene lembrou-se, consternado, que era necessária a presencia de duas testemunhas, e não havia ali ninguém que pudesse oficiar, pois a audiência era privada. Alzando los ojos, imploró:
- Santo Padre, são necessárias duas testemunhas… a menos que Vossa Santidade se digne dispensá-las…
O Papa olhou com um sorriso beatífico o filho fiel que tinha a seus pés:
- Serão testemunhas o meu anjo da guarda e o teu.
E ali, prostrado ante o vigário de Cristo, Don Orione formulou os seus votos perpétuos”

luis antequera, trad ama



[1] Luigi Orione, conhecido como Don Orione (1872-1940), é um santo italiano canonizado por João Paulo II en 1984 que missionou no Brasil, Uruguay, Argentina e Chile, países em que se lhe professa merecida veneração. Ordenado sacerdote em 1895, é o fundador numerosas ordens missionárias, como a Pequeña Obra de la Divina Providencia,  conhecida também como Obra Don Orione, os Ermitaños de la Divina Providencia, as Pequeñas Hermanas Misioneras de la Caridad, as Hermanas Adoratrices Sacramentinas

29/06/2011

Doutrina, Filosofia, Teologia: Cada homem é guardado por um anjo?

Parece que cada homem não é guardado por um anjo:

1. Com efeito, o anjo é mais poderoso do que o homem. Ora, um só homem basta para a guarda de muitos outros. Logo, com maior razão um anjo pode guardar muitos homens.
2. Além disso, os inferiores são conduzidos a Deus pelos superiores, que se servem de intermediários, como diz Dionísio. Ora, como todos os anjos não são iguais entre si, só há um anjo que não tem intermediário entre si e os homens. Logo, só há um anjo que guarda imediatamente os homens.
3. Ademais, os anjos mais elevados são delegados a funções maiores. Ora, sendo os homens todos iguais por natureza, não é maior função guardar um ou outro. Logo, como entre todos os anjos há apenas um que é maior, segundo diz Dionísio, parece que homens diversos não são guardados por anjos diversos.
EM SENTIDO CONTRÁRIO, temos o comentário de Jerônimo a respeito de Mateus: “Os seus anjos nos céus”. Ele diz: “Grande é a dignidade das almas, pois ao nascer cada uma tem um anjo delegado à sua guarda”.

A cada homem é delgado um anjo para sua guarda. E a razão disso é que a guarda dos anjos é obra da providência divina para com os homens. Esta não se refere do mesmo modo aos homens e às demais criaturas corruptíveis, porque de diverso modo se referem à incorruptibilidade. Os homens são incorruptíveis não só quanto à espécie comum, mas também quanto às formas próprias de cada um, as almas racionais. Não se pode afirmar o mesmo das demais coisas corruptíveis. Ora, é claro que a providência de Deus é principalmente a respeito das coisas que permanecem para sempre. A respeito das coisas que passam, a providência de Deus as ordena para o que é para sempre. Assim a providência de Deus se refere a cada homem como se refere a cada um dos gêneros e espécies das coisas corruptíveis. Ora, segundo Gregório, as diferentes ordens são delegadas a diferentes géneros de coisas. Assim, por exemplo, as Potestades afastam demónios, as Virtudes realizam milagres nas coisas corpóreas. Ademais, é provável que diversos anjos da mesma ordem presidam as diversas espécies das coisas. É pois razoável que a homens diferentes sejam delegados anjos diferentes. [i]

Suma Teológica, I, 113, 2

Quanto às objecções iniciais, portanto, deve-se dizer que:

1. De duas maneiras um homem tem alguém como guarda. Primeiro, enquanto é um homem singular. Assim, a cada homem cabe um guarda e às vezes vários são delegados à guarda de um só. Segundo, enquanto é parte de um grupo: nesse caso um só homem é proposto à guarda de todo o grupo. A ele cabe prover as coisas que se referem a um homem em relação a todo o grupo. Por exemplo, o que se faz exteriormente, a respeito do que alguns se edificam ou se escandalizam. Mas os anjos são delegados para a guarda dos homens também quanto às coisas invisíveis e escondidas que interessam à salvação de cada homem como tal. Por isso, a cada homem é delegado um anjo como guarda.
2. Como se disse, os anjos da primeira hierarquia são todos iluminados imediatamente por Deus em relação a algumas coisas. Mas há algumas coisas a respeito das quais só os superiores são iluminados imediatamente por Deus, e estes comunicam aos inferiores. Nas ordens inferiores deve-se considerar o mesmo. Com efeito, um anjo do último grau é iluminado a respeito de algumas coisas pelo anjo mais elevado, mas a respeito de outras por um anjo que lhe está imediatamente acima. Daí ser bem possível que um anjo ilumine imediatamente o homem, mesmo tendo outros anjos inferiores aos quais também ilumina.
3. Embora os homens sejam iguais por natureza, há desigualdades entre eles, na medida em que pela providência divina a alguns se ordenam grandes coisas e a outros pequenas, conforme o que se diz no livro do Eclesiástico: “O Senhor, porém, em sua grande sabedoria, os distinguiu. Abençoou e axaltou alguns, e a outros amaldiçoou e humilhou(33, 11-12). Assim, é maior função guardar a um homem do que a outro.



[i] A razão pela qual um anjo é dado a cada homem, ao passo que, ao que parece, nos seres corruptíveis apenas a espécie tem o seu, é que cada pessoa humana é um fim em si, possui uma destinação eterna. Conforme mostra a resposta 1, o anjo de cada homem toma cuidado é das “coisas invisíveis e ocultas que dizem respeito à salvação de cada homem”.

02/10/2008

Anjo da Guarda

Senhor, "força-me" a lembrar-me do meu Anjo da Guarda que eu, pobre de mim, desprezo a companhia tão excelente.
Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.
Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente.
Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.
Lembra hoje, ao Anjo da Guarda das pessoas a quem venho pedindo ajuda que o inspire.
(AMA, Orações diárias, 1989)