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09/10/2015

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo comum XXVII Semana


Evangelho: Lc 11, 15-25

15 Mas alguns disseram: «Ele expulsa os demónios pelo poder de Belzebu, príncipe dos demónios». 16 Outros, para O tentarem, pediam-Lhe um prodígio vindo do céu. 17 Ele, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: «Todo o reino dividido contra si mesmo será devastado, e cairá casa sobre casa. 18 Se, pois, Satanás está dividido contra si mesmo, como estará em pé o seu reino? Porque vós dizeis que por virtude de Belzebu é que lanço fora os demónios. 19 Ora, se é pelo poder de Belzebu que Eu expulso os demónios, os vossos filhos pelo poder de quem os expulsam? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. 20 Mas se Eu, pelo dedo de Deus, lanço fora os demónios, certamente chegou a vós o reino de Deus. 21 Quando um, forte e armado, guarda o seu palácio, estão em segurança os bens que possui; 22 porém, se, sobrevindo outro mais forte do que ele, o vencer, tira-lhe as armas em que confiava, e reparte os seus despojos. 23 Quem não é comigo é contra Mim; e quem não colhe comigo desperdiça. 24 «Quando o espírito imundo saiu de um homem, anda por lugares áridos, buscando repouso. Não o encontrando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí. 25 Quando vem, encontra-a varrida e adornada. 26 Então vai, toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, ali se instalam. E o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro».

Comentário:

Raramente o Senhor se detém a falar tanto sobre o demónio e a sua perniciosa actuação na vida corrente das criaturas.
Desta vez é muito explícito e claro expondo com clareza o que pode fazer em prejuízo dos incautos ou pouco avisados.

(ama, comentário sobre Lc 11 15-26, Fátima, 2014.10.10)



Leitura espiritual


São Josemaria Escrivá




Temas actuais do cristianismo

15
                  
pergunta:

Tem-se notado que, embora a primeira versão de “Caminho” tenha sido editada em 1934, contém muitas ideias que então foram consideradas “heréticas” por alguns, e hoje figuram nos textos do Concílio Vaticano II.
Que nos pode dizer sobre isto?
Que pontos são esses?

resposta:

Disto, se mo permite, trataremos devagar noutra ocasião, mais adiante.
Por agora, limito-me a dizer-lhe que dou muitas graças ao Senhor que também se serviu dessas edições de “Caminho”, em tantas línguas e em tantos exemplares - já passam de dois milhões e meio - para inculcar no entendimento e na vida de pessoas de raças e línguas muito diversas, essas verdades cristãs, que haviam de vir a ser confirmadas pelo Concílio Vaticano II, levando a paz e a alegria a milhões de cristãos e não cristãos.

16             

resposta:

Sabemos que, desde há muitos anos, tem uma especial preocupação pela formação espiritual e humana dos sacerdotes, sobretudo do clero diocesano, manifestada, enquanto lhe foi possível, por uma intensa actividade de pregação e de direcção espiritual entre eles.
E também, a partir de determinado momento, pela possibilidade de que - permanecendo plenamente diocesanos e com a mesma dependência dos Ordinários - fizessem parte da Obra aqueles que sentissem esse chamamento.
Interessar-nos-ia saber as circunstâncias da vida eclesiástica que - à parte outras razões - motivaram essa sua preocupação.
E, por outro lado, poderá dizer-nos de que modo essa actividade tem podido e pode ajudar a resolver alguns problemas do clero diocesano ou da vida eclesiástica?

resposta:

As circunstâncias da vida eclesiástica que motivaram e motivam essa minha preocupação e esse trabalho - já institucionalizado - da Obra, não são circunstâncias de carácter mais ou menos acidental ou transitório, mas sim exigências permanentes de ordem espiritual e humana, intimamente unidas à vida e ao trabalho do sacerdote diocesano.
Refiro-me fundamentalmente à necessidade que ele tem de ser ajudado - com espírito e meios que em nada modifiquem a sua condição diocesana - a procurar a sua santificação pessoal no exercício do seu próprio ministério.
Assim poderá corresponder, com espírito sempre jovem e generosidade cada vez maior, à graça da vocação divina que recebeu, e saberá prevenir-se com prudência e prontidão contra as possíveis crises espirituais e humanas a que facilmente podem dar lugar factores diversos: solidão, dificuldades de ambiente, indiferença, aparente falta de eficácia do trabalho, rotina, cansaço, despreocupação por manter e aperfeiçoar a sua formação intelectual, e até - esta é a origem profunda das crises de obediência e de unidade - pouca visão sobrenatural das relações com o Ordinário e inclusivamente com os seus outros irmãos no sacerdócio.

Os sacerdotes diocesanos que - no uso legítimo do direito de associação - se adscrevem à Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz[*], fazem-no única e exclusivamente porque desejam receber essa ajuda espiritual pessoal, de maneira absolutamente compatível com os seus deveres de estado e ministério: doutro modo, essa ajuda não seria ajuda, mas sim complicação, estorvo e desordem.

O espírito do Opus Dei, com efeito, tem como característica essencial o facto de não tirar ninguém do seu lugar - unusquisque, in qua vocatione vocatus est, in ea permaneat [i] - mas, pelo contrário, de levar cada um a cumprir os encargos e deveres do seu próprio estado, da sua missão na Igreja e na sociedade civil, com a maior perfeição possível.
Por isso, quando um sacerdote se adscreve à Obra, não abandona nem modifica em nada a sua vocação diocesana - dedicação ao serviço da Igreja local a que está incardinado, plena dependência do Ordinário próprio, espiritualidade secular, união com os outros sacerdotes, etc.
Pelo contrário, compromete-se a viver essa vocação com plenitude, porque sabe que deve procurar a perfeição precisamente no próprio exercício das suas obrigações sacerdotais, como sacerdote diocesano.

Este princípio tem, na nossa Associação, uma série de aplicações práticas de ordem jurídica e ascética, que seria longo pormenorizar.
Direi só, como exemplo, que - diferentemente de outras Associações nas quais se exige um voto ou promessa de obediência ao Superior interno - a dependência dos sacerdotes diocesanos adscritos ao Opus Dei não é uma dependência de regime, já que não há uma hierarquia interna para eles, nem, portanto, perigo de duplo vínculo de obediência, mas antes uma relação voluntária de ajuda e assistência espiritual.

O que estes sacerdotes encontram no Opus Dei é, sobre tudo, a ajuda ascética continuada que desejam receber, dentro de uma espiritualidade secular e diocesana, e independentemente das mudanças pessoais e circunstanciais que se possam verificar no governo da respectiva Igreja local.
untam assim à direcção espiritual colectiva que o Bispo dá com a sua pregação, as suas cartas pastorais, reuniões, instruções disciplinares, etc., uma direcção espiritual pessoal, solícita e contínua em qualquer lugar onde se encontrem, que completa - respeitando-a sempre, como um dever grave - a direcção comum ministrada pelo próprio Bispo.
Através dessa direcção espiritual pessoal - tão recomendada pelo Concílio Vaticano II e pelo Magistério ordinário - fomenta-se no sacerdote a vida de piedade, a caridade pastoral, a formação doutrinal continuada, o zelo pelos apostolados diocesanos, o amor e a obediência que devem ao Ordinário próprio, a preocupação pelas vocações sacerdotais e pelo seminário, etc.

E para quem são os frutos de todo este trabalho?
São para as Igrejas locais que estes sacerdotes servem.
E com isto se alegra a minha alma de sacerdote diocesano, que tem tido, além disso, repetidas vezes, a consolação de ver com que carinho o Papa e os Bispos abençoam, desejam e favorecem esse trabalho.

A Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz é uma Associação própria, intrínseca e inseparável da Prelatura.
É constituída pelos clérigos incardinados no Opus Dei e por outros sacerdotes ou diáconos, incardinados em diversas dioceses.
Esses sacerdotes e diáconos não formam parte do clero da prelatura, pois pertencem ao presbitério das suas dioceses respectivas e dependem exclusivamente do seu Ordinário como Superior.
Associam-se à Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz para procurar a sua santificação, segundo o espírito e a praxe ascética do Opus Dei. O Prelado do Opus Dei é, ao mesmo tempo, Presidente Geral da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz.

17
                 
pergunta:

Em diversas ocasiões, e ao referir-se ao começo da vida do Opus Dei, tem dito que unicamente possuía “juventude, graça de Deus e bom humor”.
Aliás, na década de vinte a doutrina do laicado ainda não tinha alcançado o desenvolvimento que actualmente presenciamos.
No entanto, o Opus Dei é um fenómeno palpável na vida da Igreja. Poderia explicar-nos como, sendo um sacerdote jovem, pôde ter uma compreensão tal que lhe permitisse realizar este empreendimento?

resposta:

Eu não tive nem tenho outro empenho senão o de cumprir a vontade de Deus: permita-me que não desça a mais pormenores sobre o começo da Obra - que o Amor de Deus me fazia pressentir desde o ano de 1917 -, porque estão intimamente unidos com a história da minha alma e pertencem à minha vida interior.
A única coisa que lhe posso dizer é que actuei, em todos os momentos, com a vénia e com a afectuosa bênção do queridíssimo Bispo de Madrid, onde nasceu o Opus Dei no dia 2 de Outubro de 1928.
Mais tarde, sempre também com o beneplácito e o alento da Santa Sé, e, em cada caso, dos Rev.mos Ordinários dos locais onde trabalhamos.

18             

pergunta:

Há quem, perante a presença de leigos do Opus Dei em lugares influentes da sociedade espanhola, fale da influência do Opus Dei em Espanha.
Poderia explicar-nos qual é essa influência?

resposta:

Incomoda-me profundamente tudo quanto possa parecer auto-elogio. Mas penso que não seria humildade, mas cegueira e ingratidão para com o Senhor - que tão generosamente abençoa o nosso trabalho -, não reconhecer que o Opus Dei tem real influência na sociedade espanhola. No ambiente dos países onde a Obra já trabalha há bastantes anos - em Espanha, concretamente, há trinta e nove, porque foi da vontade de Deus que a nossa Associação aqui nascesse para a vida da Igreja - é lógico que esse influxo já tenha relevância social, paralelamente ao desenvolvimento progressivo do trabalho.

De que natureza é essa influência?
É evidente que, sendo o Opus Dei uma Associação de fins espirituais, apostólicos, a natureza do seu influxo - em Espanha tal como nas outras nações onde trabalhamos - não pode ser senão desse tipo: uma influência espiritual, apostólica.
Tal corno sucede com a totalidade da Igreja - alma do mundo -, o influxo do Opus Dei na sociedade civil não é de carácter temporal - social, político, económico, etc. - embora na realidade venha a ter repercussão nos aspectos éticos de todas as actividades humanas; é, sim, um influxo de ordem diversa e superior, que se exprime com um verbo preciso: santificar

E isto leva-nos ao tema das pessoas do Opus Dei que na sua pergunta classificou de influentes.
Para uma Associação que tenha como fim fazer política, serão influentes aqueles dos seus membros que ocuparem um lugar no parlamento ou no conselho de ministros.
Se a Associação é cultural, há-de considerar influentes os seus membros que forem filósofos de fama, ou prémios nacionais de literatura, etc.
Se a Associação, pelo contrário, se propõe - como é o caso do Opus Dei - santificar o trabalho ordinário dos homens, seja ele material ou intelectual, é evidente que deverão considerar-se influentes todos os membros: porque todos trabalham - o genérico dever humano de trabalhar encontra na Obra especiais ressonâncias disciplinares e ascéticas - e porque todos procuram realizar o seu trabalho - seja ele qual for - santamente, cristãmente, com desejo de perfeição. Por isso, para mim, tão influente - tão importante, tão necessário - é o testemunho de um dos meus filhos que seja mineiro, entre os seus companheiros de trabalho, como o de um que seja reitor de universidade, entre os outros professores do claustro académico.

Entrevista realizada por Pedro Rodríguez, publicada em Palabra (Madrid), Outubro de 1967

(cont)





[i] (1 Cor. 7, 20)

10/10/2014

Evangelho diário e coment. Leit. Espiritual (Enc Principes pastorum (S. João XXIII)

Tempo comum XXII Semana

Evangelho: Lc 11, 15-26

15 Mas alguns disseram: «Ele expulsa os demónios pelo poder de Belzebu, príncipe dos demónios». 16 Outros, para O tentarem, pediam-Lhe um prodígio vindo do céu. 17 Ele, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: «Todo o reino dividido contra si mesmo será devastado, e cairá casa sobre casa. 18 Se, pois, Satanás está dividido contra si mesmo, como estará em pé o seu reino? Porque vós dizeis que por virtude de Belzebu é que lanço fora os demónios. 19 Ora, se é pelo poder de Belzebu que Eu expulso os demónios, os vossos filhos pelo poder de quem os expulsam? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. 20 Mas se Eu, pelo dedo de Deus, lanço fora os demónios, certamente chegou a vós o reino de Deus. 21 Quando um, forte e armado, guarda o seu palácio, estão em segurança os bens que possui; 22 porém, se, sobrevindo outro mais forte do que ele, o vencer, tira-lhe as armas em que confiava, e reparte os seus despojos. 23 Quem não é comigo é contra Mim; e quem não colhe comigo desperdiça. 24 «Quando o espírito imundo saiu de um homem, anda por lugares áridos, buscando repouso. Não o encontrando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí. 25 Quando vem, encontra-a varrida e adornada. 26 Então vai, toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, ali se instalam. E o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro».

Comentário:

Que o demónio não existe, dizem alguns - bastantes, infelizmente, - pois bem, aqui esta uma confirmação insuspeita já que vem dos próprios inimigos de Cristo.
Não obstante a sua má-fé e mentes retorcidas,  fazem uma confissão, um reconhecimento da verdade: o demónio existe!

(ama, comentário sobre Lc 11, 15-26, 2013.10.11)

Leitura espiritual




Documentos do Magistério
CARTA ENCÍCLICA
PRINCEPS PASTORUM
DO SUMO PONTÍFICE PAPA JOÃO XXIII
AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS,
PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS
E AOS OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR
EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA

SOBRE AS MISSÕES CATÓLICAS

A Acção Católica

40. Na nossa primeira encíclica já evocamos os múltiplos motivos graves que impõem hoje, em todos os países do mundo, recrutar os leigos "para o pacífico exército da Acção católica, com o intento de os ter como colaboradores no apostolado da hierarquia eclesiástica". [41] Também manifestamos a nossa satisfação por "tudo o que foi feito no passado, mesmo em terras de missão, por esses preciosos colaboradores dos bispos e dos sacerdotes", [42] e queremos aqui renovar, com toda a urgência da caridade que nos impele (cf. 2 Cor 5, 14), o aviso e o apelo do nosso predecessor Pio XII "sobre a necessidade de que todos os leigos nas missões, afluindo numerosíssimos às fileiras da Ação católica, colaborem activamente no apostolado com a hierarquia eclesiástica". [43] Os Bispos dos países de missão, o clero secular e regular, os fiéis mais generosos e preparados, têm realizado os esforços mais louváveis para traduzirem em acto esta vontade do sumo-pontífice, e pode-se dizer que em toda parte há, já agora, uma floração de iniciativas e de obras. Nunca, porém, se insistirá bastante sobre a necessidade de adaptar convenientemente esta forma de apostolado às condições e exigências locais. Não basta transferir para um país aquilo que foi feito noutro, mas, sob a guia da hierarquia e no espírito da mais alegre obediência aos sagrados pastores, é preciso fazer com que a organização não resulte numa sobrecarga que estorve ou desperdice preciosas energias, com movimentos fragmentários e de excessiva especialização que, necessários noutra parte, poderiam resultar menos úteis em ambientes onde as circunstâncias e as necessidades são completamente diversas. Na nossa primeira encíclica também prometemos voltar com maior amplitude a este assunto da Acção católica, e a seu tempo também os países de missão poderão tirar dela proveito e impulso novo. Nesse ínterim, trabalhem todos em plena concórdia e com espírito sobrenatural, na convicção de que só assim poderão gloriar-se de pôr as suas forças a serviço da causa de Deus, da elevação espiritual e do melhor progresso dos seus povos.

Formação dos dirigentes leigos

41. A Acção católica é uma organização de leigos "com funções executivas próprias e responsáveis", [44] os leigos, portanto, compõem-lhe os quadros directivos. Isto comporta a formação de homens capazes de imprimir às várias associações o impulso apostólico e de lhes assegurar o melhor funcionamento, para isso, homens e mulheres que, por serem dignos de se verem confiar pela hierarquia a direcção central ou periférica das associações, devem fornecer as mais amplas garantias de uma formação cristã intelectual e moral solidíssima, em virtude da qual possam, "transfundir nos outros aquilo que com o auxílio da graça divina, já possuem".c[45]

42. Bem se pode dizer que a sede natural desta formação dos dirigentes leigos de Ação católica é a escola. E a escola cristã justificará a sua razão de ser na medida em que os seus mestres, sacerdotes e leigos, religiosos e seculares, conseguirem formar sólidos cristãos.

43. Ninguém ignora a importância que sempre teve e terá a escola nos países de missão, e quanta energia a Igreja tem empregue na instituição de escolas de toda ordem e grau, e na defesa da sua existência e prosperidade. Mas, como é óbvio, um programa de formação de dirigentes de Acção católica, dificilmente pode achar o seu lugar nos cursos escolares, para os quais as mais das vezes será necessário confiar-se a iniciativas extra-escolares, que reúnam os jovens de melhores esperanças, para instruí-los e formá-los no apostolado. Para isto, os ordinários procurarão estudar a melhor forma para dar vida a escolas de apostolado, cujos métodos educativos obviamente são diferentes dos métodos escolares públicos. Às vezes se tratará também de preservar de falsas doutrinas meninos e jovens que são forçados a frequentar escolas não-católicas, em todo caso será necessário contrabalançar a educação humanística e técnica recebida nas escolas públicas por uma educação espiritual particularmente inteligente e intensa, a fim de que não suceda produzir a instrução indivíduos falsamente evoluídos, cheios de pretensões, e mais nocivos do que úteis à Igreja e aos povos. A sua formação espiritual deve ser proporcional ao seu grau de desenvolvimento intelectual, dirigida a prepará-los para viverem catolicamente no seu ambiente social e profissional, e para, a seu tempo, assumirem o seu lugar na vida católica organizada. Para tal fim, no caso em que jovens cristãos sejam forçados a deixar a sua comunidade para frequentarem em outras cidades as escolas públicas, será oportuno cogitar da instituição de "pensionatos" e lugares de encontro que lhes assegurem um ambiente religioso e moralmente sadio, conveniente e apto para lhes encaminhar as capacidades e energias para os ideais apostólicos. Atribuindo às escolas uma tarefa especial e particularmente eficaz na formação dos dirigentes de Acção católica, certamente não queremos subtrair às famílias a sua parte de responsabilidade, nem negar a sua influência, que pode ser mesmo mais vigorosa e eficaz do que a da escola, em alimentar em seus filhos a chama do apostolado e em cuidar de uma formação cristã sempre mais madura e aberta à acção. A família é, com efeito, uma escola ideal e insubstituível.

A função do laicado autóctone nos vários ambientes

44. O "bom combate" (2 Tm 4,7) pela fé leva-se a efeito não somente no segredo da consciência ou na intimidade do lar, mas também na vida pública em todas as suas formas. Em todos os países do mundo suscitam-se hoje em dia problemas de vária natureza, cujas soluções são procuradas apelando-se, as mais das vezes, só para os recursos humanos, e obedecendo a princípios que nem sempre estão de acordo com as exigências da fé cristã. Além disto, muitos territórios de missão estão atravessando "uma fase de evolução social, econômica e política pejada de consequências para o seu futuro".x[46] Problemas que em outras nações, ou já foram resolvidos ou acham na tradição elementos de solução, impõem-se a outros países com uma urgência que não é isenta de perigos, enquanto poderia aconselhar soluções apressadas e emprestadas, com deplorável leviandade, por doutrinas que não levam em nenhuma conta, ou positivamente contradizem, os interesses religiosos dos indivíduos e dos povos. Para o seu bem particular e para o bem público da Igreja, os católicos não podem nem ignorar tais problemas, nem esperar que a eles sejam dadas soluções prejudiciais que no futuro exigiriam um esforço bem maior de correcção e representariam ulteriores obstáculos à evangelização do mundo.

45. No campo da actividade pública os leigos dos países de missão têm a sua mais directa e preponderante acção, e é necessário providenciar com a máxima oportunidade e urgência para que as comunidades cristãs ofereçam às suas pátrias terrenas, para o seu bem comum, homens que honrem as várias procissões e actividades ao mesmo tempo que honram, com a sua sólida vida cristã, a Igreja que os regenerou para a graça, de modo que os sagrados pastores possam repetir-lhes o louvor que lemos nos escritos de S. Basílio: "Tenho agradecido a Deus Santíssimo pelo fato de que, mesmo estando ocupados nos negócios públicos, não tenhais descurado os negócios da Igreja, ao contrário, cada um de vós tem-se preocupado com eles como se se tratasse de um negócio pessoal do qual depende a sua própria vida".c[47]

46. Em particular no campo dos problemas e da organização da escola, da assistência social organizada, do trabalho, da vida política, a presença de peritos católicos poderá ter a mais feliz e benéfica influência se eles souberem – como é seu preciso dever que não os poderiam descurar sem acusação de traição – inspirar as suas intenções e a sua acção nos princípios cristãos, que uma longuíssima história demonstra eficientes e decisivos para proporcionar o bem comum.

47. Para tal fim, como já exortava o nosso predecessor Pio XII, de feliz memória, não será difícil convencer-se da preciosidade e da importância da ajuda fraterna que as Organizações internacionais católicas poderão prestar ao apostolado leigo nos países de missão, quer no plano científico, com o estudo da solução cristã a dar aos problemas especialmente sociais das novas nações, quer no plano apostólico, sobretudo para a organização do laicado cristão activo. Conhecemos o que já tem sido feito e se vai fazendo por parte de leigos missionários, que escolheram abandonar temporária ou definitivamente a sua pátria para contribuírem com multíplice actividade para o bem social e religioso dos países de missão, e ardentemente rogamos ao Senhor que multiplique as falanges destes generosos e os ampare nas dificuldades e nas fadigas que afrontam com espírito apostólico. Os institutos seculares poderão dar às necessidades do laicado nativo em terra de missão uma ajuda incomparavelmente fecunda se, com o seu exemplo, suscitarem imitadores e puserem à disposição dos ordinários as suas forças para acelerar o processo de madureza das jovens comunidades.

48. O nosso apelo vai também a todos aqueles leigos católicos que por toda parte se destacam nas profissões e na vida pública, a fim de que considerem seriamente a possibilidade de ajudar os seus novos irmãos de fé, mesmo sem abandonarem a sua pátria. O seu conselho, a sua experiência, a sua assistência técnica poderão, sem excessivo trabalho e sem graves incómodos, trazer um contributo às vezes resolutivo. Não faltará aos bons o espírito de iniciativa para traduzir na prática este nosso paternal desejo, fazendo-o conhecer lá onde ele puder ser acolhido, incentivando as boas disposições e fazendo achar o seu melhor emprego.

Os estudantes nativos nos países de missão

49. O nosso imediato predecessor exortou os bispos a que, com espírito de colaboração fraterna e desinteressada, provessem à assistência espiritual dos jovens católicos vindos, de países de missão, para as suas dioceses, afim de realizarem os seus estudos e adquirirem experiências que os coloquem em condições de assumirem funções diretivas no seu próprio país. [48] A que perigos intelectuais e morais estejam eles expostos numa sociedade que não é a sua e que infelizmente, muitas vezes, não é capaz de lhes sustentar a fé e incentivar a virtude, cada um de vós, veneráveis irmãos, perceberá, e, movido pela consciência do dever missionário que incumbe a todos os sagrados pastores, proverá a isso com a mais solícita caridade e pelos meios mais adequados. Não vos será difícil descobrir esses estudantes, confiá-los a sacerdotes e leigos particularmente dotados para esse ministério, assisti-los espiritualmente, fazer-lhes sentir e experimentar a fragrância e os recursos da caridade cristã que nos faz todos irmãos e solícitos um do outro. Aos tantos e tão tangíveis auxílios que dais às missões junte-se este, que vos torna mais imediatamente presente um mundo geograficamente distante, mas espiritualmente também vosso.

50. A esses estudantes, depois, queremos não somente dizer todo o nosso amor, mas também dirigir um premente, afectuoso aviso para que levem por toda parte a fronte erguida, marcada pelo sangue de Cristo e pela unção do sagrado crisma, e para que aproveitem a sua permanência no estrangeiro não só para a sua formação profissional, mas também para a ampliação e o aperfeiçoamento da sua formação religiosa. Poderão achar-se expostos a muitos danos, mas se acham também na boa ocasião de tirarem muitas vantagens espirituais da sua permanência nas nações católicas, visto que todo cristão, qualquer que seja e em qualquer parte da terra tenha nascido, tem sempre o dever do bom exemplo e da mútua educação espiritual.

CONCLUSÃO

51. Depois de vos haver falado, veneráveis irmãos, sobre as necessidades actuais mais características da Igreja nas terras de missão, não podemos deixar de exprimir a nossa comovida gratidão a todos os que se prodigalizam pela causa da propagação da fé até os extremos confins do mundo. Aos caros missionários do clero secular e regular, às religiosas tão exemplarmente generosas e tão preciosas para as várias necessidades das missões, aos leigos missionários prontamente acorridos às fronteiras da fé, asseguramos as nossas particularíssimas e quotidianas preces e qualquer outro auxílio que esteja em nosso poder prestar. O sucesso da vossa obra, visível mesmo na fecundidade espiritual das jovens comunidades cristãs, é o sinal do agrado e da bênção de Deus, e ao mesmo tempo atestam a solércia e a sabedoria com que a S. Congregação "de Propaganda Fide" e a S. Congregação para a Igreja oriental cumprem os dedicados deveres que lhes são confiados.

52. A todos os Bispos, clero e fiéis das dioceses do mundo inteiro que contribuem com suas preces e com suas ofertas para as necessidades espirituais e materiais das missões, dirigimos o incitamento para intensificarem ainda mais esta necessária colaboração. Não obstante e escassez de clero que preocupa os pastores mesmo das mais antigas dioceses, não se tenha a mínima hesitação em incentivar as vocações missionárias e em se privar de excelentes súditos leigos para os colocar à disposição das novas dioceses. Deste sacrifício não se tardará a colher os frutos sobrenaturais. A emulação de generosidade que vê todos os fiéis do mundo assiduamente empenhados nas manifestações de zelo e de tangível caridade em vantagem das Obras que, na dependência da Sagrada Congregação "de Propaganda Fide", encaminham os socorros provenientes de toda parte para as destinações mais úteis e mais urgentes, aumente tanto quanto incessantemente crescem as necessidades. A caridade solícita e concreta dos irmãos incentivará os fiéis das jovens comunidades, e far-lhes-á sentir o calor de um afecto sobrenatural que a graça alimenta no coração.

 53. Muitas dioceses e comunidades cristãs das terras de missão sofrem tormentos e perseguições mesmo sangrentas, aos sagrados pastores que dão aos seus filhos espirituais o exemplo de uma fé que não se deixa dobrar e de uma fidelidade que nunca falta mesmo à custa do sacrifício da vida, aos féis tão duramente provados, mas tão queridos ao Coração de Jesus Cristo, que prometeu a bem-aventurança e uma recompensa copiosa aos que sofrem perseguição por causa da justiça (cf. Mt 5,10-12), endereçamos a nossa exortação para perseverarem na sua santa batalha, visto que o Senhor, sempre misericordioso nos seus desígnios imperscrutáveis, não deixará que lhes falte o socorro das graças mais preciosas e da íntima consolação. Com os perseguidos está, em comunhão de oração e de sofrimentos, toda a Igreja de Deus, segura na sua expectativa de vitória.

54. Invocando com toda a alma, sobre as missões católicas, a eficaz assistência dos seus santos patronos e santos mártires, e de modo especialíssimo a intercessão de Maria santíssima, mãe amorosa de todos nós e rainha das missões, a cada um de vós, veneráveis irmãos, e a todos os que de qualquer maneira colaboram na propagação do reino de Deus, concedemos, com o maior afecto, a bênção apostólica, que seja conciliatória e áuspice das graças do Pai Celeste que se revelou em seu Filho Salvador do mundo e que em todos acenda e multiplique o zelo missionário.

Dada em Roma, junto a S. Pedro, no dia 28 de Novembro de 1959, segundo ano do nosso Pontificado.

JOÃO PP. XXIII

(revisão da versão portuguesa por ama)

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Notas:
[41] Cf. Carta enc. Ad Petri Cathedram: AAS 51(1959), p. 523.
[42] Ibid.
[43] Carta enc. Evangelii praecones: AAS 43(1951), p. 513.
[44] Cf. Pio XII, Ep. de Actione Catholica, do dia 11 de outubro de 1946, AAS 38(1946), p. 422, Discursos e Radiomensagens de S.S. Pio XII, VIII, p. 468.
[45] Carta enc. Ad Petri Cathedram: AAS 51(1959), p. 524, EE 7/62.
[46] Pio XII, Carta enc. Fidei donum, AAS 49(1957), p. 229.
[47] Ep. 288, PG, 32, 855.
[48] Cf. Carta enc. Fidei donum: AAS 49 (1957), p. 245.