29/06/2023

Publicações em Junho 29

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt IX, 3-12)

Matrimónio e Virgindade

Ouvi uns fariseus perguntarem-Lhe, com óbvia intenção  de O tentar... «é lícito a um homem repudiar a sua mulher por qualquer motivo?» (Cfr Mat IX, 3-12). Jesus responde com um discurso algo extenso, para o costumava, talvez, penso eu, porque o assunto era de capital importância; era e continua a ser, quanto mais nos tempos que correm. O Matrimónio cristão, não há outro, as uniões entre duas pessoas podem constar no Registo Civil mas são só isso... registos; é um Sacramento directamente instituído por Jesus Cristo ao abençoar os noivos de Caná. Imprimindo carácter, trata-se de um vínculo estável e válido enquanto, pelo menos um dos dois que o estabeleceram for vivo; só a morte o fará sessar.

Pensando nas palavras de Jesus compreendo bem que o fundamental no Matrimónio é o respeito que os esposos devem nutrir um pelo outro, aliás não há amor sem respeito.

Este respeito não se confina à integridade física do outro mas tem de abranger toda a sua pessoa, o que pensa, o que deseja e, evidentemente, começa pelo respeito próprio.

Quem não se respeita a si mesmo dificílmente respeitará outro.

O respeito implica franqueza absoluta, não guardar nem dúvidas nem questões em suspenso mas, antes, em conversa simples, aberta e franca, olhos nos olhos, discutir e avaliar esses assuntos, daqui nascerá a fortaleza da união matrimonial que, consolidando-se ao longo dos anos será com uma cidade amuralhada contra a qual nada nem ninguém poderá vencer ou destruir.

Reflexão

Querer e poder

 

Quero... então Posso…

Bartimeu respondeu à pergunta Jesus: «Se quiseres podes curar-me».

É uma afirmação de completa e profunda Fé.

«Se posso? A quem acredita tudo é possível», respondeu Jesus.

 

Parece pois claríssimo: Se acredito... posso.

 

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28/06/2023

Publicações em Junho 28

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc XVIII, 18...)

No final de cada dia passo em revista quanto ouvi e presenciei e vou sublinhando o que em mim teve mais impacto; Hoje presenciei algo que me marcou profundamente; um jovem que se afastou triste «abitti tritis» depois de Jesus lhe ter respondido como encontrar o que procurava... «como alcançar a vida eterna»;  o Evangelista continua dizendo a possível razão desta desistência: «Tinha muitos bens, era rico».

Na continuação, vejo o olhar com que Jesus mirou o jovem, com infinita ternura para, depois de ele se afastar, dizer com tristeza: «Como é difícil a um rico entrar no Reino do Céu».

Noto bem que, Jesus, não Se manifesta quanto à riqueza pessoal, pouca ou muita, mas o juízo que faz sobre o que ao apego aos bens pode constituir obstáculo á Salvação.

Ao mesmo tempo, posso advertir nas palavras de Jesus o seguinte: a riqueza pessoal pode, deve ser, um excelente modo de alcançar a Salvação, na medida em que utilizando essa abundância para distribuir algo por quantos possam necessitar ganharei o reconhecimento e gratidão desses mesmos. Que melhor paga! Que extraordinário retorno!

«Estava nu e vestiste-me, tinha fome e sacias-te-me...»!

Que ganho! Os "meus bens" a minha "riqueza" aumentam cada vez que procedo assim.

Sim, repito, a "contabilidade divina" não tem par!

 



Reflexão

Hoje celebro o dia do nascimento do Amor da minha Vida; não posso mais que dizer:

AMOR DA MINHA VIDA, eu bem sei que, estando no Céu, estás sempre comigo mas, não obstante esta certeza, esmagam-me as saudades tuas.

Diria... físicamente: poder fazer-te uma festa, sentir a tua mão a retribuir, um beijo, um sorriso cúmplice.

Sei, tenho a certeza que, como dizias, estavas "pronta" e, por isso o Senhor te chamou para o pé de Si.

Eu, bem sei, não estou "pronto" e por isso Ele me mantém aqui até que esteja.

Peço-te, meu Amor, pede-Lhe que abrevie esta espera.


Dedicatória

 

A ti

dedico

a calma

das horas mortas

e do nascer de sóis.

 

A ti

ofereço

as flores murchas

do meu peito deserto.

 

Por ti

sofro

o dilema

de viver

dia a dia.

 

Para ti,

meu amor,

escrevo

esta elegia.

Lisboa,  62

 

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27/06/2023

Publicações em Junho 27

 


 

Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

          

(Re Mt XVIII)

 

Sentados sobre a erva tenra escutavamos Jesus nas Suas respostas ás perguntas que os circunstantes Lhe faziam, destas, uma pergunta feita por Pedro chamou particularmente a minha atenção:

- "Senhor, até quantas vezes o meu irmão poderá pecar contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? E Jesus respondeu-lhe: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete" (cfr Mt XVIII, 23- 22).

Estranhei a pergunta de Pedro, porquê sete vezes? Desde logo, Pedro é mais generoso que os Rabinos que perdoavam até três vezes e assim ensinavam; mas porquê sete vezes?

Verifico que Jesus entendeu perfeitamente a pergunta e, por isso a Sua resposta encerra definitivamente a questão. Sete vezes é uma expressão vaga, sem grande significado quando se pretende expressar um conceito. Considerar Uma, Duas, Três vezes parecem-me suficientes para decidir eleger uma opção sobre o que fazer, o mais, julgo que será como que um (truque) para evitar escolher.

Quando responde :«não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete», Jesus quer dizer que o perdão não tem limites, deve ser constante. Que seria de mim se o Senhor limitasse o Seu Perdão a sete vezes! Na minha já longa vida, este número estaria há muito esgotado, e... agora... esgotou-se o Perdão de Deus?

A "contabilidade divina" é infinitamente diferente da minha e, por isso, sei, acredito firmemente que Ele nunca Se detém a considerar as vezes que me concedeu o Seu Perdão, se Lho peço do fundo do meu ser... Senhor, perdoa-me , Ele... perdoa e, não só... esquece...!

Volto ao princípio para considerar que à pergunta de Pedro, talvez falte acrescentar: "Quantas vezes posso pecar contra o meu irmão para que ele me perdoe".

Esta hipotética pergunta talvez mereça consideração porque me preocupo mais em ser perdoado que perdoar. De facto, tenho de considerar o que terei eu que perdoar? O que disseram a meu respeito... algo grave, mentira, falssidades, alguém me acusou do que fosse sem nenhuma razão, denegriu intencionalmente o meu carácter, apreciou malévolamente as minhas acções ou atitudes?

Ah... se sim... porque o terá feito? Não terá sido para me "pagar na mesma moeda"? E... que fazer? Eternizar o assunto ou pôr-lhe um ponto final?

Ressentimentos arrastados tempos sem fim só trazem desconforto e mais ressentimentos e tornam-se autênticas obsseções.

A resposta de Jesus parece-me "válida" para as duas perguntas, a de Pedro e a minha "hipotética"; o Perdão Divino não tem nem limites nem tempo, está disponível em qualquer momento quando Lho solicito, além do mais, tem uma qualidade "superior": o perdoado é esquecido.

Ai Senhor! Se todos me perdoassem assim!!!

 

Reflexão

 

Posso amar-Te mais

Na Tua presença no sacrário elevo o meu pensamento e formulo uma pergunta: Como posso amar-Te mais?

Bem sei a resposta: Amar-Te nas grandes coisas como nas de escasso valor.

Deixa essa miragem das grandes coisas, dos momentos marcantes, das ocasiões soberanas.

Vive a vida simples de todos os dias, agradece e segue em frente para lá onde Ele te espera de braços abertos.

Reclina a cabeça no Seu peito e diz-Lhe simplesmente: Senhor ajuda-me a amar-Te mais.

 

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25/06/2023

Publicações em Junho 25

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc II)

Personagem

Sou um pastor e passo muitos dias e noites nos campos com o meu rebanho conduzindo-o para onde sei que os pastos são mais viçosos e abundantes. Sei muito bem que do meu cuidado e dedicação dependerá muito a saúde das ovelhas que me estão confiadas.
Hoje afastei-me um pouco do rebanho porque uns Anjos apareceram no Céu rodeados de luz iridiscente dizendo: «Nasceu-vos um Salvador»! E descreviam os sinais com que haveríamos de encontrá-Lo. Eu e outros pastores fomos em busca desse Salvador e encontramos tudo como eles nos anunciaram.

Juntamente com outros que já lá estavam, ajoelhei-me aos pés de uma manjedoura onde um recém-nascido, envolto em panos, agitava os braços e sorria em redor. A Mãe estava ao lado, debruçada sobre o Filho; um sorriso lindo iluminava o seu belo rosto; mais atrás um homem, seria o Pai, contemplava embevecido a Mãe e o Filho; percebia-se que o estábulo tinha sido limpo, a palha renovada, uma candeia acesa. Na verdade, a candeia não era necessária porque a estrela por cima do estábulo emitia uma luz que tudo iluminava. Eu sou um pobre homem sem grande instrução estava misturado com outras pessoas que,aliás, não cessavam de chegar,  cujo aspecto e trajar diziam bem ser de condição social muito superior à minha. A simplicidade do quadro que todos contemplavamos induzia-nos ao silêncio contemplativo.

Compreendo que o silêncio, a ausência de palavras, é necessário para que o coração e a alma possam contemplar melhor o que os olhos vêm. No silêncio interior as imagens surgem mais nítidas e compreendemos melhor, muito melhor, o que vemos.

 

Reflexão

 

Olhar e reparar

 

São duas atitudes diferentes.

Olhar pode ser um acto automático que não tem que ser nem mau nem bom. Faz parte da nossa condição humana, dos nossos sentidos, da forma como percorremos a vida de todos os dias.

Reparar é diferente. É deter o olhar em algo que nos desperta a curiosidade e pretendemos avaliar – ou ver mais detidamente – os pormenores, os detalhes. E isto pode ser mau porque, de certa forma alia-se ao reparar a curiosidade e, esta, é sempre má.

Trata-se, pois, de guardar a vista e não se pense que é fácil porque não é. Constantemente, somos confrontados com autênticas “agressões visuais” e há que ter a prontidão de seguir em frente e deixar o assunto.

A vista é a porta da alma!

 

 

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24/06/2023

Publicações em Junho 24

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc XVII)

 

Neste episódio ficou particularmente gravada no meu espírito esta "sentença" de Jesus: «onde quer que esteja o corpo, juntar-se-ão aí também as águias».

Dou voltas e mais voltas na minha cabeça procurando um significado para esta, para mim, enigmática mensagem.

Consigo perceber que, na presença de um corpo, as águias procurem alimentar-se do mesmo, faz parte da sua natureza, a águia, não corre riscos, prefere atacar um corpo indefeso, inerme, abandonado. Contemplando Cristo suspenso na Cruz, moribundo, vejo aqueles todos presentes no Calvário à espera do desfecho final.

Estas "águias" desta cena são exactamente as mesmas que ao longo de mais de dois mil anos e, ainda hoje em dia, esperam o momento de se lançarem sobre o cadáver.

A verdade, porém, é que não conseguem o seu intento porque, O Crucificado VIVE RESSUSCITADO.

Vejo as "estas águias" e, ainda bem, porque elas me indicam onde devo procurar O que pende da CRUZ.

Ponho a mão sobre a cruz que trago ao peito e digo: Aqui, Senhor, aqui estás a salvo, eu Te defenderei com todas as minhas forças, com toda a minha vida.

 

Reflexão

 

A minha cruz de todos os dias

 

A minha cruz de todos os dias, aquela que tenho de carregar – quer queira quer não – sobre os meus ombros e que me pesa e causa dor!

Que cruz é esta?

Reflicto e chego à triste conclusão que a maior parte das vezes sou o primeiro e principal responsável pela sua existência.

Poderia chamar-me com toda a propriedade: o carpinteiro das minhas cruzes diárias.

Não me orgulho, bem pelo contrário, desta minha “profissão” na qual me envolvo de forma tão contumaz que me espanta.

Vejo com clareza que não tenho outra “saída” que pedir ao Crucificado que me ajude a transportá-las de forma digna e reparadora.

 

Festa

 

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 

Meu Jesus, dai-me um coração igual ao Teu!

 

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