19/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 19

PLANO DE VIDA;  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço.

 

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Lembrar-me: Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Leitura espiritual 

 

Evangelho

Lc XXIV, 36-53

Aparição em Jerusalém

36 Enquanto isto diziam, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» 37 Dominados pelo espanto e cheios de temor, julgavam ver um espírito. 38 Disse-lhes, então: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações? 39 Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.» 40 Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 E como, na sua alegria, não queriam acreditar de assombrados que estavam, Ele perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa que se coma?» 42 Deram-lhe um bocado de peixe assado; 43 e, tomando-o, comeu diante deles. 44 Depois, disse-lhes: «Estas foram as palavras que vos disse, quando ainda estava convosco: que era necessário que se cumprisse tudo quanto a meu respeito está escrito em Moisés, nos Profetas e nos Salmos.» 45 Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras 46 e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia; 47 que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. 48 Vós sois as testemunhas destas coisas. 49 E Eu vou mandar sobre vós o que meu Pai prometeu. Entretanto, permanecei na cidade até serdes revestidos com a força do Alto.»

 

Ascensão

50 Depois, levou-os até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. 51 Enquanto os abençoava, separou-se deles e elevava-se ao Céu. 52 E eles, depois de se terem prostrado diante dele, voltaram para Jerusalém com grande alegria. 53 E estavam continuamente no templo a bendizer a Deus.

 

Considerações

 

Jesus Cristo Ressuscitado é um verdadeiro Homem em carne e osso, não é meramente um espírito como serão a grande maioria dos “habitantes do Céu”.

Ou seja, pode dizer-se que Jesus Cristo É, depois da Sua Ressurreição gloriosa, o que todos os que tivermos a ventura de alcançar o Céu seremos depois do “final dos tempos” em que os nossos corpos se unirão ás nossas almas para sempre.

Sabemos que não é o único, Elias foi directamente arrebatado ao Céu num carro de fogo, a Santíssima Virgem foi assumpta – verdade de Fé – em corpo e alma e muitos outros.

No Apocalipse São João menciona Pessoas completas – corpo e alma - e Espíritos – almas.

Tudo isto só o conseguimos entender com a insinuação do Espírito Santo na nossa alma, não nos seria possível, só com a nossa inteligência ou entendimento, alcançar esse conhecimento.

Daqui que, uma vez mais, se destaca a verdadeira e imprescindível acção do Divino Espírito Santo nas nossas almas para podermos apaziguar as dúvidas ou “sossegar” as apreensões quanto à Vida Eterna.

Evidentemente que muitas questões nos podem acorrer como, por exemplo, com que corpo nos uniremos ás nossas almas. De homem jovem na força da vida, adulto, no final da vida terrena… ou logo após o nascimento?

Mas… essas sendo interrogações “legítimas” não devem ser consentidas porque, parece evidente, são questões sugeridas pelo tentador para nos desviar do caminho correcto a que nos conduz a Fé nas Verdades que Jesus nos revelou e a Santa Igreja nos ensina.

 

VIRTUDES

Em geral, “a virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem”. (Cf. Catecismo, 1803)

As virtudes teologais referem-se directamente a Deus e dispõem os cristãos para viverem em relação com a Santíssima Trindade. (Cf. Catecismo, 1812).

São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de proceder como filhos seus. (Catecismo, 1813)

As virtudes teologais são três: fé, esperança e caridade (cf. 1 Cor 13, 13).

A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou, e que a santa Igreja nos propõe para acreditarmos. (Cf. Catecismo, 1814) Pela fé o homem entrega-se completa e livremente a Deus, e esforça-se por conhecer e fazer a vontade de Deus (cf. Rm 1, 17).

O discípulo de Cristo, não somente deve guardar a fé e viver dela, como também professá-la, dar testemunho dela e propagá-la. (Cf. Catecismo, 1816; cf. Mt 10, 32-33)

A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos, não nas nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. (Cf. Catecismo 1817).

A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. (Cf. Catecismo, 1822).

 

REFLEXÃO

A minha cruz de todos os dias

 

A minha cruz de todos os dias, aquela que tenho de carregar – quer queira quer não – sobre os meus ombros e que me pesa e causa dor!

Que cruz é esta?

Reflicto e chego à triste conclusão que a maior parte das vezes sou o primeiro e principal responsável pela sua existência.

Poderia aplicar-me com toda a propriedade aquela máxima de São Filipe de Néri: Sou carpinteiro das minhas próprias cruzes.

Não me orgulho, bem pelo contrário, desta minha “profissão” na qual me envolvo de forma tão contumaz que me espanta.

Vejo com clareza que não tenho outra “saída” que pedir ao Crucificado que me ajude a transportá-las de forma digna e meritória.

 

18/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 18

PLANO DE VIDA:  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Lc XXIV, 15-35

Os discípulos de Emaús

13 Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém; 14 e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera. 15 Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; 16 os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer. 17 Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?» Pararam entristecidos. 18 E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias!» 19 Perguntou-lhes Ele: «Que foi?» Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20 como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte e crucificado. 21 Nós esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas. 22 É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada 23 e, não achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia. 24 Então, alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o viram.» 25 Jesus disse-lhes, então: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram! 26 Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?» 27 E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito. 28 Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante. 29 Os outros, porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Entrou para ficar com eles. 30 E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. 31 Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. 32 Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» 33 Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros, 34 que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!» 35 E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão.

 

Considerações

 

Sobre este episódio que São Lucas descreve podem fazer-se várias considerações.

Uma primeira talvez o facto de os dois a caminho de Emaús não reconhecerem o companheiro que se lhes junta na viagem.

Nem sequer as palavras que profere lhes despertam a memória e, seguramente como concluimos, deveriam estar familiarisados com os discursos de Jesus, o tom da Sua voz.

Foi necessário um sinal para que os seus olhos se abrissem.

Jesus deveria ter um modo caracteristíco de o fazer e, depois de distribuir os pedaços.

Vemos aqui uma importante referência à Eucaristia e o valor dos gestos e, assim, compreendem porque Jesus lhes ordenou que fizessem como Ele fez na instituição da Eucaristia.

Uma segunda consideração leva-nos ao zêlo apostólico.

Descoberta a verdade há que comunicá-la sem demora aos outros porque estão carentes dela.

A verdade, quando devidamente testemunhada convence e arrasta e como ninguém pode ser apóstolo sem transmitir a verdade tal qual é o testemunho tem de ser concreto, simples, assertivo.

Não são necessárias muitas palavras, ou discursos elaborados porque com a segurança do próprio testemunho pessoal ela torna-se firme, indiscutível, absolutamente aceitável.

 

 

DOCUMENTOS DO MAGISTÉRIO

 

Mal o homem nasce para a vida, o sacerdote regenerado no Baptis­mo, confere-lhe uma vida mais nobre, mais preciosa, a vida sobrenatural, e tor­na-o filho de Deus e da Igreja de Jesus Cristo.

Para o fortificar e o tornar mais apto para combater generosamente nas lutas espirituais, também um sacerdote, revestido de uma dignidade especial, o torna soldado de Cristo por meio da Confirmação.

Quando ainda criança é capaz de discernir e apreciar o Pão dos Anjos, dom do céu, o sacerdote alimenta-o e fortifica-o com este manjar vivo e vivi­ficante. Se teve a desgraça de cair, o sacerdote levanta-o em nome de Deus e reconciliado com Ele por meio do sacramento da Penitência. Se Deus o chama para formar uma família e para cooperar com Ele na transmissão da Vida Humana no mundo e para aumentar o número de fiéis sobre a terra, e depois, dos eleitos no Céu, o sacerdote está ali para bendizer o seu casamento e o seu amor, nobre. Quando, finalmente, o cristão próximo do desenlace da sua vida mor­tal, necessita de fortaleza, necessita de auxílio para se apresentar perante o Juiz Divino, o ministro de Cristo, inclinando-se sobre os membros doridos dos mo­ribundos, conforta-os e purifica-os com a unção do óleo sagrado. (Pio XI, Encíclica Ad catholici sacerdotii, 20-XII-1935, nr. 15)

 

REFLEXÃO

Pedro e o seu irmão, André «Deixaram tudo»!... diz Mateus.

Como Cristo hão-de entregar também as suas vidas na cruz.

Ambos se consideraram indignos ser crucificados como o Rabi por Quem tinham abandonado tudo, naquele dia, nas margens do mar da Galileia: Pedro quer ser crucificado de cabeça para baixo; André escolhe uma cruz em X.

Quiseram deixar bem claro quem era o Mestre e quem eram os discípulos.

E eu? O que é que eu tenho deixado, ao longo da minha vida, pelo meu Mestre?

Umas coisitas de pouca monta e, mesmo assim, sempre relutante, a contra-gosto.

Fico-me para aqui, agarrado às minhas redes, encostado ao meu barco e não avanço mar dentro à pesca com é meu dever. Ah! Porque o tempo não está favorável; talvez amanhã; porque estou cansado; porque chove; está frio; faz muito calor; não me apetece; ainda ontem fui e não apanhei nada!

Tantas razões sem razão nenhuma!

Vá! Nunc coepi! Agora...agora começo. Com o que tenho, com as minhas misérias e pouca coisa, com os meus enormes defeitos e pequenas virtudes, mas de ouvidos bem atentos à voz de quem chama: Tu...! Vem e segue-me!

 

 

 

 

 

 

 

 

17/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 17


PLANO DE VIDA: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Leitura espiritual

 

Evangelho 

Lc XIII, 50; Lc  XXIV, 1-12

Sepultura de Jesus

50 Um membro do Conselho, chamado José, homem recto e justo, 51 não tinha concordado com a decisão nem com o procedimento dos outros. Era natural de Arimateia, cidade da Judeia, e esperava o Reino de Deus. 52 Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. 53 Descendo-o da cruz, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro talhado na rocha, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. 54 Era o dia da Preparação e já começava o sábado. 55 Entretanto, as mulheres que tinham vindo com Ele da Galileia acompanharam José, observaram o túmulo e viram como o corpo de Jesus fora depositado. 56 Ao regressar, prepararam aromas e perfumes; e, durante o sábado, observaram o descanso, conforme o preceito.

As santas mulheres e Pedro no sepulcro

1 No primeiro dia da semana, ao romper da alva, as mulheres foram ao sepulcro, levando os perfumes que haviam preparado. 2 Encontraram removida a pedra da porta do sepulcro 3 e, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. 4 Estando elas perplexas com o caso, apareceram-lhes dois homens em trajes resplandecentes. 5 Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, eles disseram-lhes: «Porque buscais o Vivente entre os mortos? 6 Não está aqui; ressuscitou! Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia,  7 dizendo que o Filho do Homem havia de ser entregue às mãos dos pecadores, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia.» 8 Recordaram-se, então, das suas palavras. 9 Voltando do sepulcro, foram contar tudo isto aos Onze e a todos os restantes. 10 Eram elas Maria de Magdala, Joana e Maria, mãe de Tiago. Também as outras mulheres que estavam com elas diziam isto aos Apóstolos; 11 mas as suas palavras pareceram-lhes um desvario, e eles não acreditaram nelas. 12 Pedro, no entanto, pôs-se a caminho e correu ao sepulcro. Debruçando-se, apenas viu as ligaduras e voltou para casa, admirado com o sucedido.

 

Considerações

 

Este homem, José de Arimateia tem um lugar de especial importância na história da salvação humana.

Em primeiro lugar é significativo constatar que “era um membro do Conselho”, o que significa, por si só, que era uma pessoa que seguia honestamente o seu próprio critério em vez de, como era comum, se deixar levar pelas opiniões de outros.

Mas, mais, procurou aprofundar as raízes desses critérios pessoais e, assim, procurou junto da própria “fonte” esclarecimentos importantes e, para tal, teve encontros – o Evangelho sugere que terão sido vários – com Jesus para ouvir da Sua própria boca essas explicações que buscava.

Mais, quanto não compreendia perguntava para que não lhe restassem dúvidas, como quando, por exemplo, Jesus lhe diz que, para fazer parte do Reino de Deus, há que «renascer de novo».

Por este comportamento, sério, honesto, recebeu do Senhor um prémio: a honra de Lhe dar sepultura, o que ele fez com dedicação extrema.

Como Jesus não tinha nada de Seu, nem sequer um lugar onde depositar o cadáver, José deu-Lhe um de sua propriedade, e um lençol novo de linho para mortalha, e perfumes e bálsamos em quantidade significativa, generosa, para que o sepultamento tivesse a maior dignidade possível.

Depois São Lucas descreve fotográficamente, como é seu hábito, a primeira referência à Ressurreição do Senhor.

Jesus Cristo terá desejado “premiar” aquelas mulheres que nunca O tinham abandonado em vida e nas amargas horas da Paixão, acompanhado-O na caminhada para o Gólgota, permanecendo firmes junto à Cruz onde agonizava, dando-lhes a honra de serem as primeiras pessoas a testemunharem a Sua Ressurreição gloriosa.

A fidelidade incondicional tem sempre um retorno de igual calibre.

 

 

 

16/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 16

PLANO DE VIDA:  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Pequena mortificação

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Leitura espiritual 

 

Evangelho

Lc XXIII, 33-49

Crucificação

33 Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. 34 Jesus dizia: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.» Depois, deitaram sortes para dividirem entre si as suas vestes. 35 O povo permanecia ali, a observar; e os chefes zombavam, dizendo: «Salvou os outros; salve-se a si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito.» 36 Os soldados também troçavam dele. Aproximando-se para lhe oferecerem vinagre, 37 diziam: «Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!» 38 E por cima dele havia uma inscrição: «Este é o rei dos judeus.»

 

O bom ladrão

39 Ora, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-o, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também.» 40 Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? 41 Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo que as nossas acções mereciam; mas Ele nada praticou de condenável.» 42 E acrescentou: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino.» 43 Ele respondeu-lhe: «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.»

 

Morte de Jesus

44 Por volta do meio-dia, as trevas cobriram toda a região até às três horas da tarde. 45 O Sol tinha-se eclipsado e o véu do templo rasgou-se ao meio. 46 Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» Dito isto, expirou. 47 Ao ver o que se passava, o centurião deu glória a Deus, dizendo: «Verdadeiramente, este homem era justo!» 48 E toda a multidão que se tinha aglomerado para este espectáculo, vendo o que acontecera, regressava batendo no peito. 49 Todos os seus conhecidos e as mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia mantinham-se à distância, observando estas coisas.

 

Considerações

 

O São Lucas dedica o penúltimo capítulo do Evangelho que escreveu à Crucificção e morte de Jesus.

A primeira consideração que me ocorre é o perdão do Crucificado: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.» esclarecendo o motivo pelo qual perdoa: porque não sabiam o que faziam.

Para nós, os cristãos de hoje ou de outro tempo qualquer é consolador saber que a responsabilidade do pecado pessoal cometido por ignorância ou sem o propósito de o cometer não merece condenação.

Uma segunda consideração é o valor do reconhecimento do pecado praticado, assumindo a responsabilidade pessoal pelo mesmo e, depois o arrependimento sincero do que se fez.

Por exemplo alguém com grave deficiência mental, não pode ser responsável pelos actos que comete nem os maus nem os bons porque não tem consciência deles e, o pecado como tal, é sempre um acto da vontade consciente.

Ora, neste caso, Jesus advertia que os que O crucificavam apenas cumpriam ordens e que não tinham como perceber que a crucificação de Jesus teria de ser diferente de numerosas outras como era hábito naqueles tempos.

Vemos bem, pelo que São Lucas descreve, que o perdão ”instantâneo” que Jesus concede ao “bom ladrão” «hoje estarás comigo no Paraíso.» é o prémio da confissão e do arrependimento.

A Confissão Sacramental para ser perfeita tem de conter estas duas condições.

Em terceiro lugar vem o relato da reacção do centurião quando compreende que os fenómenos que se sucedem a seguir à morte de Jesus estão directamente relacionados.

Mais avulta, talvez, ter sido um não judeu, a reconhecer esses “sinais” quando, constantemente ojudeus, o povo e os seus chefes pediam a Jesus sinais que o identificassem como Deus. Nem os numerosos milagres que constataram durante os três anos de vida pública de Jesus - e alguns desses milagres não poderiam nunca ser ignorados como, por exemplo, as multiplicações de pães e peixes com que alimentou milhares de pessoas, ou o instantâneo apasiguamento de tempestades violentas, a cura de paralíticos, cegos de nascença, leprosos… foram bastantes para serem considerados ”sinais” eloquentes da Divindade de Jesus Cristo.

De facto, pior que não enxergar é não querer ver, pior, muito pior que não entender é não procurar perceber.   

  

DOUTRINA (Perguntas e respostas)

O AGNOSTICISMO

 

3. O agnosticismo é apenas uma teoria?

 

Aparentemente, o agnosticismo é apenas uma teoria, mas na realidade tem importantes consequências práticas.

Na prática, é um ateísmo.

 

REFLEXÃO

Igualdade de vida

 

Houve-se com frequência dizer a respeito de alguém: 'É muito honesto'.

Isto é dito como se fosse algo extraordinário, fora do "normal".

Mas, então, o normal não é ser-se honesto!

Aliás, não se é "muito honesto" ou se é ou não!

Por isso penso que esta locução não faz qualquer sentido e que o que realmente se deveria dizer seria: 'Pode confiar-se' (nessa pessoa).

Isto sim é o que realmente queremos pensar a respeito dos outros e que igualmente desejamos que os outros pensem de nós.

Claro que uma pessoa digna de confiança é, por natureza, honesta.

É que parece haver uma tendência para considerar que a honestidade se resume e conclui em não se apropriar do alheio quando, de facto, é muito mais que isso: é viver, pensar e actuar com critérios sãos e estáveis, que não mudam conforme as circunstâncias, o ambiente ou outra coisa qualquer.

Considerar alguém honesto só porque não se apropria do que não lhe pertence é reduzir essa virtude a um mero comportamento, ou dito de outra forma, que essa virtude é a consequência lógica de não ter o defeito.

Mas... não ter um defeito não determina possuir uma virtude.

Por exemplo: Se não me embriago não permite concluir que tenha a virtude da temperança, mas apenas que sou comedido na bebida; Se cumpro as regras de trânsito não quer dizer que sou obediente, mas que respeito as leis; As virtudes - tema já abordado antes -  só se adquirem com os bons hábitos praticados com regularidade e independentemente das circunstâncias.

Por isso mesmo é muito importante a igualdade de vida.

Mas… E o que vem a ser a "igualdade de vida"?

Para os cristãos, é proceder de acordo com a Fé que afirmam professar, sem "intervalos" ou concessões.

Que os actos correspondam ao que se diz, que haja coerência, sintonia, entre o que se pensa e diz e o que se pratica.

Que, em suma, se seja honesto consigo próprio.

Mas, sobretudo, se seja honesto com Deus Nosso Senhor que não pode aceitar nem desculpas nem "justificações" se o nosso comportamento não corresponde integralmente ao que Ele tem todo o direito de esperar.

Ele sabe muito bem se o que fazemos corresponde à Sua Vontade ou aos nossos desejos ou conveniências de momento.

Portanto, pode concluir-se, igualdade de vida é fazer, em tudo, a Vontade de Deus!

 

15/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 15

PLANO DE VIDA: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Participar na Santa Missa.

Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.

O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Evangelho

Lc XXIII, 13-32

Jesus de novo ante Pilatos

13 Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, 14 e disse-lhes: «Trouxestes este homem à minha presença como se andasse a revoltar o povo. Interroguei-o diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais. 15 Herodes tão-pouco, visto que no-lo mandou de novo. Como vedes, Ele nada praticou que mereça a morte. 16 Vou, portanto, libertá-lo, depois de o castigar.»

 

Jesus e Barrabás

17 Ora, em cada festa, Pilatos era obrigado a soltar-lhes um preso. 18 E todos se puseram a gritar: «A esse mata-o e solta-nos Barrabás!» 19 Este último fora metido na prisão por causa de uma insurreição desencadeada na cidade, e por homicídio. 20 De novo, Pilatos dirigiu-lhes a palavra, querendo libertar Jesus. 21 Mas eles gritavam: «Crucifica-o! Crucifica-o!» 22 Pilatos disse-lhes pela terceira vez: «Que mal fez Ele, então? Nada encontrei nele que mereça a morte. Por isso, vou libertá-lo, depois de o castigar.» 23 Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que fosse crucificado, e os seus clamores aumentavam de violência.

 

Considerações

Este personagem – Pilatos – avulta na História da Salvação humana pelos piores motivos.

De facto ele é o primeiro e último responsável pela morte de Jesus.

Detinha o poder absoluto, pertencia-lhe decidir com justiça e razoável certeza mas, optou pelo mais fácil… não dar muita importância ao assunto concedendo o que lhe solicitavam, conquistar amigos entre os judeus, particularmente Herodes como expressamente o Evangelho refere… enfim… livrar-se de um assunto algo complicado, que não compreendia nem queria esmiuçar.

Uma personalidade fraca, dúbia, sem vontade de aplicar a justiça como seria de supor, ignorando factos e evidências.

Confessa que não encontra nenhum motivo para condenar Jesus e, no entanto, condena-O; lava as mãos para simbólicamente evidenciar que considera inocente na Morte de Jesus… como se tal fosse posível!

E, esta é a verdade – que ele próprio não sabe o que é nem se mostra interessado em saber -: Sem a sua concordância Jesus Cristo não teria sido crucificado.

A história já o julgou e guarda como Um homem sinistro, sem consciência ou critério, cobarde… repugnante!

 

Oração pelos Sacerdotes

Meu Senhor Jesus Cristo:

Dai à Vossa Igreja Sacerdotes Santos que se entreguem ao serviço exclusivo da Igreja e das almas, ao anúncio fiel da palavra de Deus, à administração dos Sacramentos, em especial da Eucaristia e da Penitência, obedientes ao Magistério da Igreja e observando amorosamente a Sagrada Liturgia, para exemplo e guia seguro do Povo de Deus. (AMA, 2009)

Com autorização eclesiástica

 

 

 

14/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 14

PLANO DE VIDA: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Simplicidade e modéstia.

Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.

 

Lembrar-me: Do meu Anjo da Guarda.

Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Leitura espiritual

Evangelho

Lc XXII, 63-71; Lc XXIII, 1-12

Jesus é escarnecido

63 Entretanto, os que guardavam Jesus troçavam dele e maltratavam-no. 64 Cobriam-lhe o rosto e perguntavam-lhe: «Adivinha! Quem te bateu?» 65 E proferiam muitos outros insultos contra Ele.

Jesus em presença do Sinédrio

66 Quando amanheceu, reuniu-se o Conselho dos anciãos do povo, sumos sacerdotes e doutores da Lei, que o levaram ao seu tribunal. 67 Disseram-lhe: «Declara-nos se Tu és o Messias.» Ele respondeu-lhes: «Se vo-lo disser, não me acreditareis 68 e, se vos perguntar, não respondereis. 69 Mas doravante, o Filho do Homem vai sentar-se à direita de Deus todo-poderoso.» 70 Disseram todos: «Tu és, então, o Filho de Deus?» Ele respondeu-lhes: «Vós o dizeis; Eu sou.» 71 Então, exclamaram: «Que necessidade temos já de testemunhas? Nós próprios o ouvimos da sua boca.»

 

Jesus diante de Pilatos e de Herodes

1 Levantando-se todos, levaram-no a Pilatos 2 e começaram a acusá-lo, nestes termos: «Encontrámos este homem a sublevar o povo, a impedir que se pagasse tributo a César e a dizer-se Ele próprio o Messias-Rei.» 3 Pilatos interrogou-o: «Tu és o rei dos judeus?» Jesus respondeu: «Tu o dizes.» 4 Pilatos disse, então, aos sumos sacerdotes e à multidão: «Nada encontro de culpável neste homem.» 5 Mas eles insistiram, dizendo: «Ele amotina o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia até aqui.» 6 Ao ouvir isto, Pilatos perguntou se o homem era galileu; 7 e, ao saber que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, que também se encontrava em Jerusalém nesses dias. 8 Ao ver Jesus, Herodes ficou extremamente satisfeito, pois havia bastante tempo que o queria ver, devido ao que ouvia dizer dele, esperando que fizesse algum milagre na sua presença. 9 Fez-lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu. 10 Os sumos sacerdotes e os doutores da Lei, que lá estavam, acusavam-no com veemência. 11 Herodes, com os seus oficiais, tratou-o com desprezo e, por troça, mandou-o cobrir com uma capa vistosa, enviando-o de novo a Pilatos. 12 Nesse dia, Herodes e Pilatos ficaram amigos, pois eram inimigos um do outro.

 

Considerações

 

Pela primeira vez consta no Evangelho a recusa de Jesus em responder a perguntas.

Muitas vezes os chefes do povo e os saduceus fizeram perguntas e colocaram questões  cuja intenção bem visível era ou uma armadilha ou uma falsa questão e, outras vezes simples provocações.

Em nenhum caso Jesus Se recusou dar resposta mesmo até, por exemplo, questões disparatadas como com quem seria casada, vida eterna, a mulher que tinha enviuvado sete vezes .

Compreendemos que as respostas de Jesus não se destinavam tanto a quem perguntava mas mais em benefício dos circunstantes.

Ou seja aproveitava sempre o ensejo de dar doutrina clara e consistente.

O exemplo que nos dá a todos os cristãos é clarissímo: não devemos fugir a qualquer questão sobre  Doutrina Católica seja qual for a intenção por detrás da mesma, sobretudo se houver outras pessoas presentes.

Pode acontecer que não estejamos muito seguros da resposta que devemos dar e, neste caso, com toda a humildade e simplicidade dizê-lo, acrescentando que, se for adequado, se dará uma resposta em tempo futuro.

Nunca emitir uma consideração da “nossa lavra” será um erro tremendo que devemos evitar.

A Doutrina da Igreja Católica está ao dispôr de qualquer um e os cristãos têm por dever conhecê-la em profundidade.

De resto, como admitir uma Doutrina que não se conhece bem?

No acontecimento que estamos a considerar - o silêncio de Jesus perante Herodes – fica também muito claro que não quis declaradamente dar ensejo a troça e blasfémias, o que decerto aconteceria fosse qual fosse a resposta que desse como de resto se comprova no final do versículo 11 «Hero-des, com os seus oficiais, tratou-o com desprezo e, por troça, mandou-o cobrir com uma capa vistosa».

 

SÃO JOSÉ

Ano de São José

A figura de São José no Evangelho

 

Para viver a virtude da castidade não é preciso ser-se velho ou carecer de vigor. A castidade nasce do amor; a força e a alegria da juventude não constituem obstáculo para um amor limpo. Jovem era o coração e o corpo de São José quando contraiu matrimónio com Maria, quando conheceu o mistério da sua Maternidade Divina, quando viveu junto d'Ela respeitando a integridade que Deus lhe queria oferecer ao mundo como mais um sinal da sua vinda às criaturas. Quem não for capaz de compreender um amor assim conhece muito mal o verdadeiro amor e desconhece por completo o sentido cristão da castidade. (São Josemaria, Cristo que passa, 40)

 

 

13/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 13

 

PLANO DE VIDA: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Leitura espiritual 

Evangelho

Lc XII, 39-62

 

Agonia de Jesus em Getzemani

39 Saiu então e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele. 40 Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para que não entreis em tentação.» 41 Depois afastou-se deles, à distância de um tiro de pedra, aproximadamente; e, pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo: 42 «Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.» 43 Então, vindo do Céu, apareceu-lhe um anjo que o confortava. 44 Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. 45 Depois de orar, levantou-se e foi ter com os discípulos, encontrando-os a dormir, devido à tristeza. 46 Disse-lhes: «Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.»

Jesus é preso no horto

47 Ainda Ele estava a falar quando surgiu uma multidão de gente. Um dos Doze, o chamado Judas, caminhava à frente e aproximou-se de Jesus para o beijar. 48 Jesus disse-lhe: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?» 49 Vendo o que ia suceder, aqueles que o cercavam perguntaram-lhe: «Senhor, ferimo-los à espada?» 50 E um deles feriu um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. 51 Mas Jesus interveio, dizendo: «Basta, deixai-os.» E, tocando na orelha do servo, curou-o. 52 Depois, disse aos que tinham vindo contra Ele, aos sumos sacerdotes, aos oficiais do templo e aos anciãos: «Vós saístes com espadas e varapaus, como se fôsseis ao encontro de um salteador! 53 Estando Eu todos os dias convosco no templo, não me deitastes as mãos; mas esta é a vossa hora e o domínio das trevas.»

Pedro nega Jesus três vezes

54 Apoderando-se, então, de Jesus, levaram-no e introduziram-no em casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe. 55 Tendo acendido uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se e Pedro sentou-se no meio deles. 56 Ora, uma criada, ao vê-lo sentado ao lume, fitando-o, disse: «Este também estava com Ele.» 57 Mas Pedro negou-o, dizendo: «Não o conheço, mulher.» 58 Pouco depois, disse outro, ao vê-lo: «Tu também és dos tais.» Mas Pedro disse: «Homem, não sou.» 59 Cerca de uma hora mais tarde, um outro afirmou com insistência: «Com certeza este estava com Ele; além disso, é galileu.» 60 Pedro respondeu: «Homem, não sei o que dizes.» E, no mesmo instante, estando ele ainda a falar, cantou um galo. 61 Voltando-se, o Senhor fixou os olhos em Pedro; e Pedro recordou-se da palavra do Senhor, quando lhe disse: «Hoje, antes de o galo cantar, irás negar-me três vezes.» 62 E, vindo para fora, chorou amargamente.

 

Considerações

 

A Agonia de Jesus no Horto de Getzemani descrita por São Lucas não pode deixar ninguém indiferente de tal forma choca o dramatismo da circunstância.

Parece que Jesus Cristo Se “desmorona” completamente exteriorizando o Seu sofrimento interior de forma tão visível que, talvez por isso mesmo, os três discípulos não o suportam e, esmagados, adormecem.

Não admira, a Última Ceia celebrada pouco antes tinha sido tão densa, tão cheia de coisas novas, o anúncio da traição de Judas o discurso testamentário de Jesus, a instituição da Eucaristia, o Mandamento Novo… enfim, umas duas horas de revelações, exemplos, acções extraordinárias.

Dom Javier Echevarria no seu livro “Getzemani” descreve e contempla com admirável profundidade quanto se passou no Horto.

Detem-se com particular ênfase na intensidade do sofrimento de Cristo naqueles momentos de profunda oração ao Pai.

Lágrimas de sangue revelam o intenso sofrimento que vivia.[1]

Trata-se de um livro para meditar e não apenas para ler. Encerra ilacções importantes sobre o “valor” do sofrimento e da realidade da Paixão de Cristo.

Getzesemani não pode dissociar-se da Paixão da Cruz porque nos dá uma certeza: Jesus Cristo sabia o que O esperava nas horas seguintes e, mesmo assim, com todo o conhecimento do futuro próximo que O aguardava, aceita e submete-Se donde, não podem restar quaisquer dúvidas que aceitou a “Voluntáriamente aceitou a toda a Paixão e a Morte na Cruz.

Deu a Sua Vida porque quis salvar a humanidade convertendo todos em verdadeiros e legítimos Filhos de Deus e Herdeiros da Vida Eterna.

Podemos ter a tentação de pensar que foi “excessiva” esta forma de o levar a cabo, mas, temos de considerar que só o ofendido pode perdoar e o ofensor e o perdão completo e verdadeiro terá de estar de acordo com a gravidade da ofensa.

Ora, concluimos, se o pecado é uma ofensa a Deus, quem mais o poderia perdoar a não ser Ele?

  

CONFISSÃO SACRAMENTAL

Cristo instituiu o sacramento da Penitência oferecendo-nos uma nova possibilidade de nos convertermos e de recuperarmos, depois do Baptismo, a graça da justificação.

“Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores da sua Igreja, antes de mais para aqueles que, depois do Baptismo, caíram em pecado grave e assim perderam a graça baptismal e feriram a comunhão eclesial. É a eles que o sacramento da Penitência oferece uma nova possibilidade de se converterem e de reencontrarem a graça da justificação. Os Padres da Igreja apresentam este sacramento como “a segunda tábua (de salvação), depois do naufrágio que é a perda da graça”.[2]

Foi ao dar o Espírito Santo aos Apóstolos que Cristo ressuscitado lhes transmitiu o Seu próprio poder divino de perdoar os pecados: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”» (Jo 20, 22-23).[3]


REFLEXÃO

Da necessidade de reconvenção

O que se entende, exactamente reconvenção?

De forma sintética quererá significar rever o passado, tornar a andar o já andado.

Porque é necessária? Não dizemos que o passado não interessa mas, sim, o presente?

É verdade, mas também é verdade que o presente começou ontem e tem consigo, digamos, a carga, o efeito, a consequência do feito ontem.

Não podemos voltar a fazer o mesmo que já fizemos?

Podemos, claro, repetir corrigindo o que foi mal ou deficientemente feito.

Podemos e devemos principalmente fazer o que deveríamos ter feito e não fizemos.

Lembremos que para Deus não há tempo tal como o consideramos, mas um presente contínuo, permanente.

Portei-me mal? Pois, peço perdão e corrijo portando-me bem.

Talvez que, na reconvenção, preocupados com o ter feito mal ou não ter cumprido a nossa obrigação, nos esqueçamos de aferir algo muito importante: fomos agradecidos? Demos graças a Deus por tudo - absolutamente - quanto Lhe devemos?

Pois aproveitemos este tempo que nos é concedido para o fazer.

 

 



[1] Hematidrose (Também chamado hematohidrose ou hemidrose ou suor de sangue. Do grego haima/haimatos αἷμα, αἵματος, sangue; hidrōs' ἱδρώς sangue) é uma condição muito rara em que um humano sua sangue.

A hematidrose afecta o rosto, as orelhas, o nariz e os olhos, mas na sua  na origem também está um outro fenómeno: as lágrimas de sangue.

Para já a ciência sabe que este fenómeno do corpo humano está associado a momentos de maior pressão, tensão ou stress.

O medo e o stress emocional intenso podem também impulsionar esta condição, pois estes estados emocionais têm um impacto directo nos micro vasos sanguíneos das glândulas sudoríparas, que explodem' e dão origem à saída de sangue, em simultâneo com o suor.

[2] Catecismo, 1446

[3] Catecismo, 976