Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
24/07/2020
Serenidade. – Por que te zangas?
Serenidade. – Por que te
zangas, se zangando-te ofendes a Deus, incomodas os outros, passas tu mesmo um
mau bocado... e por fim tens de te acalmar? (Caminho, 8)
Isso mesmo que disseste,
di-lo noutro tom, sem ira, e ganhará força o teu raciocínio e, sobretudo não
ofenderás a Deus. (Caminho, 9)
Não repreendas quando sentes
a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo
ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de
repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afectuosa, do que ralhando três
horas. – Modera o teu génio. (Caminho, 10)
Quando realmente te
abandonares no Senhor, aprenderás a contentar-te com o que suceder, e a não
perder a serenidade, se as tarefas – apesar de teres posto todo o teu empenho e
empregado os meios convenientes – não saem a teu gosto... Porque terão
"saído" como convém a Deus que saiam. (Sulco, 860)
Sendo para bem do próximo,
não te cales, mas fala de modo amável, sem destemperança nem aborrecimento. (Forja,
960)
Paciência
Temas para reflectir e meditar
Paciência!
Mas...
o que é a paciência?
Há inúmeras
definições, umas concretas - que mais convêm - outras filosóficas - que podem
interessar - outras... comezinhas que são as que agora me interessam.
Definindo:
Suportar-me
– ter paciência - comigo próprio.
Senão...
como tê-la para o que for!?
(AMA, 2019)
(AMA, 2019)
Leitura espiritual
Romanos
16 Recomendações e saudações –
1 Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que também
é diaconisa na igreja de Cêncreas: 2 recebei-a no Senhor, de um modo digno dos
santos, e assisti-a nas actividades em que precisar de vós. Pois também ela tem
sido uma protectora para muitos e para mim pessoalmente. 3 Saudai Priscila e
Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, 4pessoas que, pela minha vida,
expuseram a sua cabeça. Não sou apenas eu a estar-lhes agradecido, mas todas as
igrejas dos gentios. 5 Saudai também a igreja que se reúne em casa deles. Saudai
o meu querido Epéneto, o primeiro fruto da Ásia para Cristo. 6Saudai Maria, que
tanto se afadigou por vós. 7 Saudai Andrónico e Júnia, meus concidadãos e meus
companheiros de prisão, que tão notáveis são entre os apóstolos e que,
inclusivamente, se tornaram cristãos antes de mim. 8 Saudai Ampliato, que me é
tão querido no Senhor. 9 Saudai Urbano, nosso colaborador em Cristo, e o meu
querido Estáquio. 10 Saudai Apeles, que deu provas do que ele é em Cristo.
Saudai os da casa de Aristóbulo. 11 Saudai Herodião, meu concidadão. Saudai os
da casa de Narciso, que pertencem ao Senhor. 12 Saudai Trifena e Trifosa, que
se afadigam pelo Senhor. Saudai a minha querida Pérside, que tanto se afadigou
pelo Senhor. 13 Saudai Rufo, o eleito no Senhor, e a mãe dele que o é também
para mim. 14 Saudai Assíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e todos os
irmãos que estão com eles. 15 Saudai Filólogo e Júlia, Nereu e sua irmã,
Olímpio e todos os santos que estão com eles. 16 Saudai-vos uns aos outros com
um beijo santo. Saúdam-vos todas as igrejas de Cristo.
Cautela com os hereges –
17 Entretanto, irmãos, exorto-vos a que
tenhais cautela com os que provocam divisões e escândalos contra a doutrina que
aprendestes; desviai-vos deles. 18 É que essa gente não é a Cristo Senhor nosso
que serve, mas ao seu próprio ventre; e com palavras lindas e lisonjeiras
enganam os corações dos ingénuos. 19 De facto, a vossa obediência chegou aos
ouvidos de todos; e por isso me alegro convosco. Mas quero que sejais sábios
quanto ao bem e sem mancha quanto ao mal. 20 O Deus da paz há-de esmagar
Satanás debaixo dos vossos pés, muito em breve. A graça de Jesus, Senhor nosso,
esteja convosco!
Saudação dos colaboradores de Paulo –
21 Saúda-vos o meu colaborador Timóteo, assim
como os meus concidadãos Lúcio, Jasão e Sosípatro. 22 Saúdo-vos eu, Tércio, que
escrevi esta carta, no Senhor. 23 Saúda-vos Gaio, que me recebe como hóspede, assim
como a toda a igreja. Saúda-vos Erasto, o tesoureiro da cidade, e o irmão
Quarto. 24 A graça do Senhor nosso Jesus Cristo esteja com todos vós! Ámen.
Glória a Deus! –
25 Àquele que tem o poder para vos tornar
firmes, de acordo com o Evangelho que anuncio pregando Jesus Cristo, segundo a
revelação de um mistério que foi mantido em silêncio por tempos eternos, 26 mas
agora foi manifestado e, por meio dos escritos proféticos, de acordo com a
determinação do Deus eterno, levado ao conhecimento de todos os gentios, para
os levar à obediência da fé, 27 ao único Deus sábio, por Jesus Cristo, a Ele a
glória pelos séculos! Ámen.
25
Consideremos
agora o momento sublime em que o Arcanjo São Gabriel anuncia a Santa Maria o desígnio
do Altíssimo. A nossa Mãe ouve e interroga para compreender melhor aquilo que
Nosso Senhor lhe pede; depois, surge a resposta firme: Fiat! - faça-se em mim
segundo a tua palavra! -, o fruto da melhor liberdade: a de se decidir por
Deus.
Em
todos os mistérios da nossa fé católica paira esse cântico à liberdade. A
Santíssima Trindade tira do nada o mundo e o homem, num livre esbanjamento de
amor. O Verbo desce do Céu e assume a nossa carne com este selo maravilhoso da
liberdade na submissão: eis que venho, segundo está escrito de mim no princípio
do livro, para fazer, ó Deus, a tua vontade . Quando chega a hora marcada por
Deus para salvar a humanidade da escravidão do pecado, contemplamos Jesus
Cristo em Getsemani, sofrendo terrivelmente até derramar um suor de sangue e
aceitando rendida e espontaneamente o sacrifício que o Pai lhe reclama: como
cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda diante dos tosquiadores. Já o
tinha anunciado aos seus, numa daquelas conversas em que abria o Coração, com a
finalidade de que aqueles que o amam conheçam que Ele é o Caminho - não há
outro - para se aproximarem do Pai: por isso o meu Pai me ama, porque dou a
minha vida para outra vez a assumir. Ninguém ma tira, mas Eu é que a dou por
minha própria vontade e tenho o poder de a dar e o poder de a recobrar.
26
O
sentido da liberdade
Nunca
poderemos entender perfeitamente a liberdade de Jesus Cristo, imensa - infinita
- como o Seu amor. Mas o tesouro preciosíssimo do Seu generoso holocausto deve
levar-nos a pensar: porque me deste, Senhor, este privilégio com que sou capaz
de seguir os teus passos, mas também de Te ofender? Acabamos, assim, por
calibrar o recto uso da liberdade, se se inclina para o bem; e a sua errada
orientação, quando, com essa faculdade, o homem se esquece, se afasta do Amor
dos amores. A liberdade pessoal - que defendo e defenderei sempre com todas as
minhas forças - leva-me a perguntar com uma segurança convicta e também
consciente da minha própria fraqueza: que esperas de mim, Senhor, para o fazer
voluntariamente?
O
próprio Cristo nos responde: Veritas liberabit vos; a verdade far-vos-á livres.
Que verdade é esta, que inicia e consuma o caminho da liberdade em toda a nossa
vida? Resumi-la-ei com a alegria e com a certeza que provêm da relação de Deus
com as suas criaturas: saber que saímos das mãos de Deus, que somos objecto da
predilecção da Santíssima Trindade, que somos filhos de um Pai tão grande. Peço
ao meu Senhor que nos decidamos a apercebermo-nos disso, a saboreá-lo dia após
dia: assim actuaremos como pessoas livres. Não esqueçamos: quem não sabe que é
filho de Deus desconhece a sua verdade mais íntima e carece, na sua actuação,
do domínio e do senhorio próprios dos que amam Nosso Senhor, sobre todas as
coisas.
Persuadamo-nos
de que para ganhar o Céu temos de nos empenhar livremente, com uma decisão
plena, constante e voluntária. Mas a liberdade não se basta a si mesma:
necessita de um norte, de uma orientação. A alma não pode andar sem ninguém que
a dirija; e para isso foi redimida de modo que tenha por Rei Cristo, cujo jugo
é suave e a carga leve (Mt 11, 30), e não o diabo, cujo jugo é pesado.
Não
nos deixemos enganar pelos que se conformam com uma triste vozearia: liberdade!
liberdade! Muitas vezes, nesse mesmo clamor, esconde-se uma trágica servidão:
porque a escolha que prefere o erro não liberta; o único que liberta é Cristo,
pois só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.
27
Perguntemo-nos
de novo, na presença de Deus: Senhor, para que nos deste este poder? Porque
depositaste em nós esta faculdade de Te escolher ou de Te rejeitar? Tu desejas
que usemos acertadamente esta nossa capacidade. Senhor, que queres que eu
faça?. A resposta é diáfana e precisa: amarás o Senhor teu Deus com todo o teu
coração e com toda a tua alma e com toda a tua mente .
Vêem?
A liberdade adquire o seu sentido autêntico quando se exerce ao serviço da
verdade que resgata, quando se gasta a procurar o amor infinito de Deus, que
nos desata de todas as escravidões. Aumentam cada vez mais os meus desejos de
anunciar em altos brados esta insondável riqueza do cristão: a liberdade da
glória dos filhos de Deus! Nisso se resume a boa vontade que nos ensina a
seguir o bem, depois de o distinguir do mal.
Gostaria
que meditássemos num ponto fundamental que nos situa perante a responsabilidade
da nossa consciência. Ninguém pode escolher por nós: eis o grau supremo da
dignidade dos homens: que, por si mesmos e não por outros, se dirijam para o
bem . Muitos de nós herdámos dos nossos pais a fé católica e, por graça de Deus,
quando recém-nascidos recebemos o Baptismo, começou na alma a vida
sobrenatural. Mas temos de renovar ao longo da nossa existência - e mesmo ao
longo de cada dia - a determinação de amar a Deus sobre todas as coisas. É
cristão, digo, verdadeiro cristão, aquele que se submete ao império do único
Verbo de Deus, sem impor condições a esse acatamento, disposto a resistir à
tentação diabólica com a mesma atitude de Cristo: Adorarás o Senhor teu Deus e
só a Ele servirás .
28
Liberdade
e entrega
O
amor de Deus é ciumento; não fica satisfeito, se nos apresentarmos com
condições no encontro marcado: espera com impaciência que nos entreguemos
totalmente, que não guardemos no coração recantos escuros, onde o gozo e a
alegria da graça e dos dons sobrenaturais não consigam chegar. Talvez pensem:
responder sim a esse Amor exclusivo não é, porventura, perder a liberdade?
Com a
ajuda de Nosso Senhor, que preside à nossa oração, com a sua luz, espero que
este tema fique ainda mais definido para vós e para mim. Cada um de nós sabe
por experiência que, algumas vezes, seguir Cristo Nosso Senhor implica dor e
fadiga. Negar esta realidade significaria não se ter encontrado com Deus. A
alma apaixonada sabe que essa dor é uma impressão passageira e bem depressa
descobre que o seu peso é leve e a sua carga suave, porque Ele a leva às
costas, tal como se abraçou ao madeiro quando estava em jogo a nossa felicidade
eterna. Mas há homens que não entendem, que se revoltam contra o Criador - uma
rebelião impotente, mesquinha, triste -, que repetem cegamente a queixa inútil
que o Salmo regista: Quebremos os seus laços! Para longe de nós o seu jugo.
Resistem a realizar, com silêncio heróico, com naturalidade, sem brilho e sem
lamentações, o trabalho duro de cada dia. Não compreendem que a Vontade divina,
mesmo quando se apresenta com matizes de dor, de exigências que ferem, coincide
exactamente com a liberdade, que só reside em Deus e nos seus desígnios.
Virtudes
Jesus Cristo esteve
disponível para todos: sabia dialogar com os seus discípulos, recorrendo a
parábolas, colocando-se ao seu nível – por exemplo, quando soluciona o problema
do imposto a César, não hesita em considerar Pedro como seu igual (cf. Mt 17, 27) . (Cf. Guillaume de
Saint-Thierry, Exposé sur le Cantique des Cantiques, 109, em Sources
Chrétiennes 82, 243) –, com as mulheres, santas ou mais afastadas de Deus, com os fariseus, com
Pilatos. O que interessa é chegar a desprender-se do próprio feitio, para ir ao
encontro dos outros. Desenvolve-se assim, por exemplo, uma certa capacidade de
acomodar-se aos outros, evitando deixar-se levar por obsessões ou manias;
descobrindo em cada pessoa o seu aspecto amável, o fulgor do amor divino;
bastando a cada um ser mais um entre os outros, em correspondência com o que se
está a celebrar na nossa casa ou no nosso país, também à luz do tempo
litúrgico, que marca o ritmo da nossa vida de filhos e filhas de Deus. Quem é
humilde vive atento aos que o rodeiam. Esta atitude é a base da boa educação e
manifesta-se em muitos pormenores, como, por exemplo, não interromper uma
conversa, um almoço ou um jantar, e menos ainda a oração mental, para atender o
telefone, salvo em caso de autêntica urgência. A caridade, finalmente, nasce no
“humus” – terra fértil – da humildade: A caridade é paciente, é
bondosa; a caridade não é invejosa, não é arrogante, não se ensoberbece. (1 Cor 13, 4).
Perguntas e respostas
3.
Pergunto:
Tipos de ideais?
Respondo:
Dependendo do ponto de
vista, há vários modos de agrupar os ideais:
Os ideais são bens e podem
ordenar-se de vários modos. Por exemplo: ideais materiais e espirituais; ideais
efémeros e duradouros; ideais profissionais, sociais, familiares, desportivos,
culturais, afectivos, etc.
Os ideais são bens desejados
e podem ordenar-se pelo modo de desejá-los. Assim se fala de ideais instintivos
e ideias meta. Mas esta classificação é mais própria do amor (amor-sentimento e
amor-caridade), pois o modo de desejar o é mais o modo de amar.
Esses bens desejam-se para
alguém, desta forma os ideais podem-se classificar segundo o destinatário e
assim surge uma classificação simples de três tipos: ideais do amor próprio,
ideais de serviço e amor aos outros e ideais de serviço de serviço e amor a
Deus.
O grande amor de Deus
São Pio de Petrelcina
24 de Julho -
Ama Jesus, ama-O muito mas, por isso mesmo, ama ainda mais o sacrifício.O amor quer ser amargo.
(365 dias com São Pio de Petrelcina)
Doutrina – 536
CAPÍTULO
TERCEIRO
OS
SACRAMENTOS AO SERVIÇO DA COMUNHÃO E DA MISSÃO
O
SACRAMENTO DA ORDEM SACERDOTAL
325.
De quantos graus se compõe o sacramento da Ordem?
Compõe-se
de três graus, que são insubstituíveis para a estrutura orgânica da Igreja: o
episcopado, o presbiterado e o diaconado.
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Contenção; alguma privação; ser humilde.
Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.
Lembrar-me:
Filiação divina.
Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
23/07/2020
O grande amor de Deus
São Pio de Petrelcina
23 de Julho -
Quanto mais amarguras tiveres, mais amor receberás.
(365 dias com São Pio de Petrelcina)
Aprendei a fazer o bem
Quando estiveres com uma pessoa, tens de ver nela uma alma: uma
alma que é preciso ajudar, que é preciso compreender, com quem é preciso
conviver e que é preciso salvar. (Forja, 573)
Agrada-me citar umas palavras que o Espírito Santo nos comunica
pela boca do profeta Isaías: discite benefacere, aprendei a fazer o bem. (...)
A caridade para com o próximo é uma manifestação do amor a Deus.
Por isso, ao esforçarmo-nos por melhorar nesta virtude, não podemos fixar
nenhum limite. Com o Senhor, a única medida é amar sem medida, pois, por um
lado jamais chegaremos a agradecer suficientemente o que Ele tem feito por nós
e, por outro, assim se revela o mesmo amor de Deus às suas criaturas: com
excesso, sem cálculo, sem fronteiras.
A misericórdia não se limita a uma simples atitude de compaixão; a
misericórdia identifica-se com a superabundância da caridade que, ao mesmo
tempo, traz consigo a superabundância da justiça. Misericórdia significa manter
o coração em carne viva, humana e divinamente repassado por um amor rijo,
sacrificado e generoso. (Amigos
de Deus, 232)
Temas para reflectir e meditar
Imaginação
A
imaginação necessita ser controlada quando não acabamos por andar dispersos em
sonhos e memórias.
Santa
Teresa chamava-lhe "a louca da casa" e, sendo assim, não se pode
deixar à solta.
Ao
dominar a minha imaginação estou a conduzir os meus pensamentos para coisas
concretas e reais.
Não
estou a fechar uma porta mas, a abrir uma janela.
(AMA, 2020)
(AMA, 2020)
LEITURA ESPIRITUAL
Romanos
3 Será Deus infiel à sua palavra? –
1
Que vantagem têm então os judeus? Ou que utilidade tem a circuncisão? 2 Muita,
em todos os aspectos! Em primeiro lugar, porque lhes foram confiadas as
palavras de Deus. 3 Que importa, então, se alguns foram infiéis? Irá,
porventura, a infidelidade deles anular a fidelidade de Deus? 4 De maneira
nenhuma! Fique claro que Deus é verdadeiro, mesmo que todo o homem seja falso!
Tal como está escrito: Para que te mostres justo nas tuas palavras e saias
vitorioso no litígio que houver contigo. 5 Mas, se a nossa injustiça faz com
que se manifeste a justiça de Deus, que diremos? Não estará Deus a ser injusto,
ao aplicar-nos a sua ira? Isto digo-o segundo critérios humanos. 6 De maneira
nenhuma! Senão, como poderia Deus julgar o mundo? 7 Mas, se foi devido à minha
falsidade que a verdade de Deus tanto se evidenciou para sua glória, porque
hei-de eu então, ainda por cima, ser condenado como pecador? 8 Não será mesmo
de agir conforme aquilo que certa gente caluniosamente afirma termos dito:
«Façamos o mal, para que venha o bem?» É gente que justamente merece a
condenação.
Todos são pecadores –
9
Afinal qual é a conclusão? Temos ou não vantagem alguma sobre os outros?
Absolutamente nenhuma! Foi exactamente a acusação que acabámos de fazer: judeus
e gregos, todos estão sob o domínio do pecado. 10 Assim está escrito: Não há
justo algum, nem um sequer. 11 Não há quem seja sensato, não há quem procure a
Deus. 12 Todos se extraviaram, todos se corromperam. Não há quem faça o bem,
não há um sequer. 13 Sepulcro aberto é a sua garganta, com a sua língua
espalhavam enganos; há nos seus lábios veneno de serpente. 14 A sua boca está
cheia de maldição e azedume. 15 Velozes são os seus pés para derramar sangue;
16 há devastação e miséria pelos seus caminhos, 17 e o caminho da paz, não o
conheceram. 18 Não há temor de Deus diante dos seus olhos. 19 Ora, nós sabemos
que tudo o que a Lei diz, é dito para os que estão sob a Lei, a fim de que toda
a língua se cale, e todo o mundo se reconheça culpado diante de Deus. 20 Pois,
pelas obras da Lei, ninguém será justificado diante dele. De facto, pela Lei só
se chega ao reconhecimento do pecado.
Deus salva-nos pela morte de Cristo –
21
Mas agora foi sem a Lei que se manifestou a justiça de Deus, testemunhada pela
Lei e pelos Profetas: 22 a justiça que vem para todos os crentes, mediante a fé
em Jesus Cristo. É que não há diferença alguma: 23todos pecaram e estão
privados da glória de Deus. 24 Sem o merecerem, são justificados pela sua
graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus. 25 Deus ofereceu-o
para, nele, pelo seu sangue, se realizar a expiação que actua mediante a fé;
foi assim que ele mostrou a sua justiça, ao perdoar os pecados cometidos
outrora, 26 no tempo da divina paciência. Deus mostra assim a sua justiça no
tempo presente, porque Ele é justo e justifica quem tem fé em Jesus. 27 Onde
está, pois, o motivo para alguém se gloriar? Foi excluído! Por qual lei? Pela
das obras? De modo nenhum! Mas pela lei da fé. 28 Pois estamos convencidos de
que é pela fé que o homem é justificado, independentemente das obras da lei. 29
Será Deus apenas Deus dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, Ele é também
Deus dos gentios, 30 uma vez que há um só Deus. É Ele que há-de justificar pela
fé os circuncidados, e os não-circuncidados, mediante a fé. 31 Quer isso dizer
então que, com a fé, anulamos a Lei? De maneira nenhuma! Pelo contrário,
confirmamos a Lei.
Amigos
de Deus
168
As circunstâncias daquele servo da parábola,
devedor de dez mil talentos, reflectem bem a nossa situação perante Deus:
também nós não temos com que pagar a dívida imensa que contraímos por tantas
bondades divinas e que aumentámos ao ritmo dos nossos próprios pecados.
Embora
lutemos denodadamente, não conseguiremos devolver com equidade o muito que o
Senhor nos perdoou.
Mas
a misericórdia divina supre com abundância a impotência da justiça humana.
Ele
é que pode dar-se por satisfeito e anular a dívida, simplesmente porque é bom e
é infinita a sua misericórdia.
A parábola - lembrais-vos bem - termina com
uma segunda parte, que é como que o contraponto da precedente.
Aquele
servo, a quem acabam de perdoar uma dívida enorme, não se compadece de um
companheiro que lhe devia apenas cem denários. Aí é que se põe de manifesto a
mesquinhez do seu coração.
Estritamente
falando, ninguém lhe negará o direito de exigir o que é seu; no entanto, algo
se revolta dentro de nós e nos diz que essa atitude intolerante se afasta da
verdadeira justiça: não é justo que quem, há apenas um momento, recebeu um
tratamento misericordioso de favor e compreensão, não reaja ao menos com um
pouco de paciência para com o devedor.
Reparai
que a justiça não se manifesta exclusivamente pelo rigoroso respeito de
direitos e deveres, como se se tratasse de problemas aritméticos que se
resolvem com somas e subtracções.
169
A virtude cristã é mais ambiciosa: leva-nos a
mostrar-nos agradecidos, afáveis, generosos; a comportar-nos como amigos leais
e honrados, tanto nos tempos bons como na adversidade; a ser cumpridores das
leis e respeitadores das autoridades legítimas; a rectificar com alegria quando
nos damos conta de que nos enganámos ao encarar uma questão.
Sobretudo,
se somos justos, cumpriremos os nossos compromissos profissionais, familiares,
sociais..., sem espaventos nem alardes, trabalhando com empenho e exercitando
os nossos direitos, que também são deveres.
Não acredito na justiça dos preguiçosos,
porque com o seu dolce far niente -
como dizem na minha querida Itália - faltam, e às vezes gravemente, ao mais
fundamental dos princípios da equidade: o do trabalho.
Não
devemos esquecer que Deus criou o homem ut
operaretur, para trabalhar; e os outros - a nossa família, a nossa nação, a
Humanidade inteira, - dependem também da eficácia do nosso trabalho.
Meus
filhos, que pobre ideia têm da justiça os que a reduzem a uma simples
distribuição de bens materiais!
170
A
justiça e o amor à liberdade e à verdade
Desde a minha infância - desde que tive
ouvidos para ouvir, na expressão da Escritura - tenho ouvido o clamor da
questão social. Não se trata de nada de particular; é um tema antigo, de
sempre.
Talvez
tenha surgido no mesmo instante em que os homens se organizaram de alguma
maneira e se tornaram mais visíveis as diferenças de idade, de inteligência, de
capacidade de trabalho, de interesses, de personalidade.
Não sei se haver classes sociais é coisas irremediável;
aliás, não é do meu ofício falar dessas matérias, e muito menos aqui, neste
oratório, onde nos reunimos para falar de Deus (não desejaria tratar senão
deste tema em toda a minha vida) e para conversar com Deus.
Pensai o que quiserdes em tudo aquilo que a
Providência confiou à livre e legítima discussão dos homens, mas a minha
condição de sacerdote de Cristo impõe-me a necessidade de subir mais alto e de
vos lembrar que, em qualquer caso, nunca podemos deixar de viver a justiça, com
heroísmo, se for necessário.
171
Estamos obrigados a defender a liberdade
pessoal de todos, sabendo que Jesus Cristo foi quem nos conquistou essa
liberdade.
Se
não o fizermos, com que direito reivindicaremos a nossa?
Também
devemos difundir a verdade, porque veritas
liberabit vos, a verdade liberta-nos, enquanto a ignorância escraviza.
Temos
de defender o direito de todos os homens à vida, à posse do necessário para uma
existência digna, ao trabalho e ao descanso, à escolha do seu estado, à
constituição de um lar, a trazer filhos ao mundo dentro do matrimónio e a poder
educá-los, a passar serenamente o tempo da doença ou da velhice, ao acesso à
cultura, à associação com os outros cidadãos para fins lícitos e, em primeiro
lugar, a conhecer e amar Deus com plena liberdade, porque a consciência, sendo
recta, descobre a marca do criador em todas as coisas.
Precisamente por isso, é urgente repetir -
não me meto em política, estou só a expor a doutrina da Igreja - que o marxismo
é incompatível com a fé de Cristo.
Existe
alguma coisa mais oposta à fé do que um sistema que baseia tudo em eliminar da
alma a presença amorosa de Deus?
Gritai
isso com muita força, de modo que se oiça claramente a vossa voz: para praticar
a justiça não precisamos do marxismo para nada. Pelo contrário, esse erro
gravíssimo, pelas suas soluções exclusivamente materialistas que ignoram o Deus
da paz, levanta obstáculos à felicidade e ao entendimento entre os homens.
Dentro do cristianismo achamos a boa luz que
dá sempre resposta a todos os problemas; basta que vos empenheis sinceramente
em ser católicos, non verbo neque lingua,
sed opere et veritate, não com palavras e com a língua, mas com obras e com
verdade.
Afirmai
isto sempre que se vos apresente a ocasião - procurai-a se for preciso - sem
reticências, sem medo.
172
Justiça
e caridade
Lede a Sagrada Escritura.
Meditai
um a um, os episódios da vida do Senhor, os seus ensinamentos.
Considerai
especialmente os conselhos e as advertências com que preparava aquele punhado
de homens que haviam de ser os seus apóstolos, os seus mensageiros até aos
confins da terra.
Qual
é a principal norma que lhes dá?
Não
é o mandamento novo da caridade?
Foi
com amor que abriram caminho naquele mundo pagão e corrupto.
Convencei-vos de que apenas com a justiça
nunca resolvereis os grandes problemas da Humanidade.
Quando
se faz apenas justiça, não é de estranhar que as pessoas se sintam feridas: a
dignidade do homem, que é filho de Deus, pede muito mais do que isso.
A
caridade tem que ir dentro e ao lado, porque dulcifica tudo e tudo deifica:
Deus é amor.
Temos
de actuar sempre por amor de Deus, que torna mais fácil amar o próximo e
purifica e eleva os amores terrenos.
Para se passar da estrita justiça à
abundância da caridade há todo um trajecto a percorrer e não são muitos os que
perseveram até ao fim: alguns conformam-se com chegar apenas aos umbrais:
prescindem da justiça e limitam-se a um pouco de beneficência, a que chamam
caridade, sem cuidarem de que o que fazem representa uma pequena parte do que
estão obrigados a fazer.
E
mostram-se tão satisfeitos consigo mesmos como o fariseu que julgava ter
enchido a medida da lei só por jejuar dois dias por semana e pagar o dízimo de
tudo o que possuía.
173
A caridade, que é como que um transbordar
generoso da justiça, exige em primeiro lugar o cumprimento do dever: começa-se
pelo que é justo; continua-se pelo que é mais equitativo...
Mas
para amar requer-se muita finura, muita delicadeza, muito respeito, muita afabilidade;
numa palavra, seguir aquele conselho do Apóstolo: levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo.
Então,
sim, vivemos plenamente a caridade, realizamos o mandato de Jesus.
Para mim não existe exemplo mais claro dessa
união prática da justiça com a caridade do que o comportamento das mães.
Amam
com idêntico carinho todos os seus filhos e esse amor leva-as precisamente a
tratá-los de modo diferente - com uma justiça desigual - visto que cada um é
diferente dos outros.
Pois também em relação aos nossos semelhantes
a caridade aperfeiçoa e completa a justiça, porque nos leva a proceder de
maneira desigual com os desiguais, adaptando-nos às suas circunstâncias
concretas, a fim de comunicarmos alegria a quem está triste, ciência a quem
carece de formação, afecto a quem se sente só...
A
justiça determina que se dê a cada um o que lhe pertence; ora isto não
significa dar a todos a mesma coisa.
O
igualitarismo utópico é fonte das maiores injustiças.
Para procedermos sempre assim, como essas
boas mães, precisamos de esquecer-nos de nós mesmos e de não aspirar a outra
superioridade senão a de servir os outros, como Jesus Cristo, que afirmava: o
Filho do homem veio, não para ser servido, mas para servir.
Isto
exige a inteireza da submissão da nossa vontade ao modelo divino, trabalhar
para todos, lutar pela felicidade eterna e pelo bem-estar dos outros.
Não
conheço melhor caminho para ser justo do que uma vida de entrega e de serviço.
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Talvez alguns pensem que sou um ingénuo.
Não
me importa. Embora me qualifiquem desse modo, porque continuo a acreditar na
caridade, garanto-vos que sempre acreditarei nela!
E
enquanto o Senhor me conceder vida, continuarei a ocupar-me - como sacerdote de
Cristo - de que haja unidade e paz entre os que são irmãos por serem filhos do
mesmo Pai, Deus; de que a humanidade se compreenda; de que todos compartilhem o
mesmo ideal: o da Fé!
Recorramos a Santa Maria, Virgem prudente e
fiel, e a S. José, seu esposo, modelo acabado de homem justo.
Eles,
que na presença de Jesus, Filho de Deus, viveram as virtudes que contemplámos,
conseguir-nos-ão a graça de que se arreiguem firmemente na nossa alma, para nos
decidirmos a proceder a toda a hora como bons discípulos do Mestre: prudentes, justos,
cheios de caridade.
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