Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
20/07/2020
A oculta maravilha da vida interior
Até agora não tinhas
compreendido a mensagem que nós, os cristãos, trazemos aos outros homens: a
oculta maravilha da vida interior. Que mundo novo lhes estás pondo diante dos
olhos! (Sulco,
654)
Quantas coisas novas
descobriste! No entanto, às vezes és um ingénuo, e pensas que já viste tudo,
que já sabes tudo... Depois, tocas com as tuas mãos a riqueza única e
insondável dos tesouros do Senhor, que sempre te mostrará "coisas
novas" se tu responderes com amor e delicadeza; e então compreendes que
estás no princípio do caminho, porque a santidade consiste na identificação com
Deus, com este nosso Deus, que é infinito, inesgotável! (Sulco,
655)
Deixemos de enganar-nos:
Deus não é uma sombra, um ser longínquo, que nos cria e depois nos abandona;
não é um amo que vai e depois não volta. Ainda que não o percebamos com os
nossos sentidos, a sua existência é muito mais verdadeira que a de todas as
realidades que tocamos e vemos. Deus está aqui connosco, presente, vivo!
Vê-nos, ouve-nos, dirige-nos, e contempla as nossas menores acções, as nossas
intenções mais ocultas.
Acreditamos nisto... mas
vivemos como se Deus não existisse! Porque não temos para Ele um pensamento
sequer, nem uma palavra; porque não Lhe obedecemos, nem procuramos dominar as
nossas paixões; porque não Lhe manifestamos amor, nem O desagravamos...
Havemos de continuar a viver
com uma fé morta? (Sulco, 658)
Temas para reflectir e meditar
5 Mas, o exame é
algo privado, como que secreto?
Privado e pessoal sim, mas
não tem que ser secreto.
Ao contrário, pode muito
bem servir para ajudar outros.
Seria, talvez, motivo de
conversa apostólica levar outros ao hábito do exame pessoal.
O exame dá sempre fruto o
que é óptimo para quem necessita - e somos todos os homens - de se apresentar
ao Senhor com algo para Lhe oferecer.
26.05.2018
Leitura espiritual
Leitura espiritual
Iniciação à Cristologia
SEGUNDA PARTE
A OBRA REDENTORA DE JESUS CRISTO
Capítulo X
A PAIXÃO E MORTE DE CRISTO E A NOSSA REDENÇÃO
1. O desígnio de Deus Pai sobre a paixão e Morte de Cristo
a) O desígnio divino e a Morte de Cristo
A Morte de Jesus pertence ao misterioso desígnio de Deus, como explica São Pedro: «foi entregue segundo determinado desígnio e presciência de Deus» (Act 2,23). E assim também o dizem os primeiros cristãos cheios do Espírito Santo: «Aliaram-se nesta cidade contra o teu santo servo Jesus, que tu ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos com as nações gentias e os povos de Israel (cf. Sal 2,1-2), para levar a cabo quanto o teu poder e a tua sabedoria tinham previsto que ocorresse» (Act 4,27-28).
Na Morte de Jesus, acima das causas históricas imediatas – o Sinédrio, Pilatos, os soldados – há uma causa de nível mais alto que só pode ser conhecida pela revelação: o plano e a disposição de Deus que permitiram os actos nascidos da cegueira dos homens para realizar o desígnio da nossa salvação (cf. Act 3,17-18)[i].
b) Porquê a cruz, nos planos divinos?
Já dissemos que a salvação é uma intervenção do amor misericordioso de Deus na situação humana de pecado, que enviou o seu Filho para nos salvar por meio da sua Paixão e Morte. E porque quis Deus a cruz de Cristo? Ainda que nos seja difícil responder essa pergunta, tentemos ver algum ponto de luz neste mistério.
Deus quer o homem se arrependa do seu pecado e expresse o seu arrependimento interior com obras externas de penitência (como é próprio da condição humana, composta de corpo e alma). Só assim pode tomar parte na Nova Aliança e receber o perdão.
Para demonstrar o amor a Deus e o arrependimento devemos renunciar ao «homem velho», ao desonrado amor por nós mesmos que nos levou a desobedecer a Deus. O homem tem que manifestar este amor penitente com obras de entrega rendida à vontade divina, e em primeiro lugar com a aceitação voluntária das penalidades que Deus permite.
As penas derivadas do pecado ordenam-se à reparação do mesmo. Deus não faz nem quer o mal, nem a morte: «Acaso me comprazo eu na morte do malvado – palavra do Senhor – e não antes que se converta da sua conduta e viva?» (Ez 18,23; cf. Sab 1,13). Deus ama tudo o que criou, e ama o pecador (cf. Rom 5,8; Jo 3,16).
Portanto, se Deus permite que o homem experimente as penalidades derivadas do pecado, estas são remédios e ordenam-se a um bem maior: a vida sobrenatural que é muito mais valiosa que a vida natural[ii]. Essas penas não constituem propriamente um castigo, nem são uma retribuição directa pelo pecado de cada um (cf. Jo 9,2-3; Lc 13,1-5). No plano divino a dor tem lugar para purificar a alma, para tirar o obstáculo da vontade própria que nos afastou de Deus; serve, com a Judá da graça divina, para reparar a desordem do pecado no homem: e isto é o que, em teologia, chama-se «satisfazer»[iii].
Mas nem todas as penas derivadas do pecado servem para a restauração do homem, mas só as que afectam bens temporais e corporais[iv]. E a principal pena satisfatória devida ao pecado comum da humanidade é a morte, á qual se ordenam e em que se consumam todas as penas físicas: «o salário do pecado é a morte» (Rom 6,23)[v].
A reparação plena dos pecados do género humano dá-se pela Paixão e Morte de Cristo. Deus dispôs que a satisfação pelo pecado do género humano fosse completa, enquanto devia tirar o pecado e todas as suas consequências, e enquanto devia afectar todos os homens. Já vimos no capítulo VII que ninguém pode reparar o pecado por si mesmo sem a graça, e ainda que com ela, nenhum homem podia reparar o pecado de toda a humanidade.
Assim pois, Cristo, como novo Adão e Cabeça do género humano, livremente e por amor assumiu o sofrimento derivado do pecado comum até à sua culminação na morte: Ele emendou e substituiu a desobediência de Adão com o seu amor e a sua obediência, e sofreu a morte para reparar a desordem introduzida em todos os homens pelo pecado original.
c) Deus Pai não é causa directa da Morte do seu Filho; somente a permite
Poderia parecer que Deus Pai fora a causa ou o autor da Paixão e Morte de Cristo, já que na revelação divina se afirma que «não pedrou o seu próprio Filho, antes o entregou por nós» (Rom 8,32). Mas realmente o Pai é só a sua causa indirecta ou permissiva: não quer a sua mote, nem muito menos a causa, antes a tolera.
Se a permitiu, ainda que não a causasse, é porque daí proviria um bem maior. Mas é imaginável algo melhor que a vida corporal do seu Filho? A resposta é um mistério que de todo não podemos compreender, sobretudo se o olhamos com uma visão simplesmente humana. Todavia, com a cruz da fé podemos entrever que a glória e a exaltação de Cristo que se seguiu á sua morte são muito mais valiosas que os sofrimentos que padeceu (cf. Lc 24,26; Flp 2,8-11). E também podemos admirar neste mistério o valor imenso que a salvação das almas tem para Deus.
Então, em que sentido se pode dizer que o Pai entregou o seu Filho por nós? Podemos dizer que o Pai entregou Cristo à Paixão e Morte porque segundo a sua eterna vontade dispôs a Paixão para reparar os pecados do género humano; também, enchendo Jesus de caridade, o inspirou a vontade de padecer por nós; e, em terceiro lugar, porque na Paixão não o protegeu, podendo, dos perseguidores.
2. Os autores da Paixão e Morte de Cristo
Os autores da paixão de Cristo – sua causa eficiente – são os que tinham a intenção de o matar e o fizeram sofrer os tormentos que produziram a sua morte[vi]. E estes foram Judas, o Sinédrio, Pilatos, etc. E a Escritura acrescenta que por detrás de todos eles actua Satanás, príncipe das trevas, que é homicida desde o princípio (cf. Jo 8,44).
Os falsos motivos que os judeus aduziam para o rejeitar foram principalmente, como assinala muito bem o Catecismo da Igreja Católica: o valor da Lei de Moisés, o sentido do templo de Jerusalém, e a declaração de Jesus de ser Filho de Deus[vii].
A responsabilidade subjectiva de cada um dos autores da Paixão só Deus a conhece, e, além disso, temos de ter presente que Jesus pediu perdão para eles. Todavia, podemos assinalar algumas situações objectivamente diferentes:
- Judas, o traidor, um dos Doze, um dos amigos íntimos do Mestre, que conhecia bem a sua vida e doutrina e o entregou aos judeus: a sua culpa é gravíssima.
- As autoridades judias, o Sinédrio, tiveram a informação suficiente para saber que Jesus era o Messias prometido e rejeitaram-no[viii]. Certamente alguns deles acreditaram em Cristo (como Nicodemos e José de Arimateia), mas a maioria, por ódio e inveja (cf. Jo 15,24; Mt 27,18), não acreditou n’Ele, declaram-no réu de morte, e forçaram Pilatos para que o crucificasse. Na Escritura reconhece-se que tiveram alguma ignorância, mas também se diz que não tiveram desculpa do seu pecado[ix]: Deus saberá calibrar a sua culpa.
- Pilatos pecou condenando o justo por temor mundano a César (Jo 19,12-16), ainda que como disse Jesus: «Os que me entregaram a ti têm maior pecado» (Jo 19,11). A culpa do Procurador foi menor, pois não conhecia que Jesus era o Messias o Filho de Deus.
-A multidão dos judeus, que pediu a gritos a crucifixão do Senhor (cf. 15,11) e ratificou e aprovou a sua condenação por Pilatos (cf. Mt 27,25), tinha um conhecimento menor que os seus chefes e, além do mais, foi guiada e manipulada pelas autoridades legítimas do seu povo: por isso, a sua culpa, foi menor.
- Todavia, como o Concílio Vaticano II assinala: «Ainda que as autoridades dos judeus com os seus seguidores reclamassem a morte de Cristo o que se perpetuou na sua Paixão não pode ser imputado indistintamente a todos os judeus que viviam então nem aos judeus de hoje (…) Não se há-de assinalar os judeus como reprovados por Deus e malditos como se tal coisa se deduzisse da Sagrada Escritura»[x].
(cont)
Vicente Ferrer Barriendos
(Tradução do castelhano por ama)
[i] Cf. CCE, 599, 600.
[ii] Torna-se sempre difícil encontrar uma resposta para a dor, mas é impossível a quem considera como valores supremos os bens materiais (por exemplo, a saúde e o bem-estar material). Sem uma visão de fé o homem não pode entender que a possessão da vida eterna vale muito mais que ganhar todo o mundo.
[iii] CF. CONC. DE TRENTO, DS, 1690; CCE, 1472, 1459.
[iv] Os defeitos morais, que também drivam do pecado (a privação da graça, a ignorância, a desordem moral, etc.), não servem para reparar ao homem caído mas antes são impedimentos; mais, são parte da desordem que há que eliminar (cf. S. TOMÁS DE AQUINO, S. Th. III,14,1; III,46,4, ad 2; Compendium theologiae, cap 226, nn. 471-474).
[v] Cf. 1 Cor 15,56; CCE, 602; S. TOMÁS DE AQUINO, S. Th. III,14,1; III,46,4, ad 2; Compendium theologiae, cap 227, n. 475).
[vi] Convém ter em conta que quando a Sagrada Escritura diz que Jesus morreu «por nós» ou «por todos» (cf. Rom 5,8; 2 Cor 5,15) ou «pelos nossos pecados» (cf. 1 Cor 15,3; Gal 1,4), expressa o motivo que teve a morte de Cristo, ou seja, a «causa final» da sua Paixão, que é a salvação dos homens e a libertação do pecado, como vimos no capítulo II. E quando diz que padeceu e foi reprovado «pelos judeus» (cf. Lc 9,22; 17,25), expressa quem foram os autores desses padecimentos, quer dizer, a «causa eficiente» da sua Paixão, constituída pelos que o crucificaram, seus executores.
[vii] Cf. CCE, 574-594.
[viii] Cf. A parábola dos vinhateiros infiéis de Lc 20,9-19, ou a proposta de Caifás de Jo 11,49-50.
[ix] Por um lado tiveram ignorância, pois o próprio Jesus disse: «Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34; cf. Act 3,17). Mas por outro lado foram culpados, como também o Senhor assinala: «Não têm desculpa do seu pecado (…) Se não tivesse feito entre eles obras que nenhum outro fez, não teriam pecado; mas agora não só viram, como me aborreceram a mim e a meu Pai» (Jo 15,22-24).
[x] CONC. VATICANOII, Nostra aetate,
Perguntas e respostas
1
Pergunto:
O que é um ideal?
Respondo:
Um ideal é uma meta, um fim.
Um ideal é um bem tão desejado por uma pessoa que para ele orienta toda a sua
vida ou uma boa parte dela. Por exemplo: um refresco pode ser um bem por vezes
muito desejado, mas não tem categoria suficiente para ser um ideal e ninguém
dedica meses da sua vida para o conseguir. No entanto, montar uma empresa de
refrescos já se pode incluir entre os ideais de alguém.
O grande amor de Deus
São Pio de Petrelcina
20 de Julho -
Amor e temor devem andar sempre juntos. O amor sem temor torna-se vil. O amor sem temor, torna-se presunção. Quando há amor sem temor, o amor corre sem prudência e sem freios, sem se importar para onde vai. Depois, surgem funestas consequências.
(365 dias com São Pio de Petrelcina)
19/07/2020
Meditação de Sábado
«A Lei antiga impunha dois preceitos, relativos ao nascimento dos filhos primogénitos: um obrigava a mãe, pois ficava impura, a permanecer retirada na sua casa por um período de quarenta dias, decorridos os quais ia purificar-se no templo; o outro impunha aos pais a obrigação de levar o primogénito ao templo para o oferecer ao Senhor. A Virgem Santíssima quis cumprir nesse dia um e outro preceito.
É verdade que Maria não estava obrigada à lei da purificação por ter permanecido sempre virgem puríssima; mas amava com tão entranhável amor a humildade e a obediência que, como as outras mães, quis apresentar-se no templo para se purificar. Cumpriu também o segundo mandamento da lei apresentando o seu Filho e oferecendo-o ao eterno Pai, como diz São Lucas: cumprido o tempo da purificação da Mãe, segundo a lei de Moisés, levaram o Menino a Jerusalém para O apresentar ao Senhor ( Lc 2, 22). Mas a Virgem Maria ofereceu-O de modo muito diverso do que costumavam fazer as outras mães ao oferecerem os seus filhos.
As outras mães ofereciam os seus filhos, mas sabiam muito bem que esta oblação não passava de uma mera cerimónia legal; pois, uma vez resgatados, recuperavam o direito que tinham sobre eles, sem o temor de os terem depois que oferecer à morte. Maria, pelo contrário, ofereceu realmente o seu Filho à morte e sabia muito bem que o sacrifício que então fazia da vida de Jesus Cristo se havia de consumar um dia na ara da Cruz; de maneira que, oferecendo a vida do seu Filho pelo imenso amor que lhe tinha, Maria fez um perfeito holocausto de si mesma a Deus».
Santo Afonso Maria de Ligório (séc. XVIII)
Tantos anos a lutar...
Surgiram nuvens negras de falta de vontade, de perda de
entusiasmo. Caíram aguaceiros de tristeza, com a clara sensação de te
encontrares atado. E, como remate, vieram os desânimos, que nascem de uma
realidade mais ou menos objectiva: tantos anos a lutar... e ainda estás tão
atrasado, tão longe! Tudo isso é necessário, e Deus conta com isso. Para
conseguirmos o "gaudium cum pace"
– a paz e a alegria verdadeiras – havemos de acrescentar à certeza da nossa
filiação divina, que nos enche de optimismo, o reconhecimento da nossa própria
fraqueza pessoal. (Sulco,
78)
Mesmo nos momentos em que percebemos mais profundamente a nossa
limitação, podemos e devemos olhar para Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito
Santo, sabendo-nos participantes da vida divina. Nunca existe razão suficiente
para voltarmos atrás: o Senhor está ao nosso lado. Temos que ser fiéis, leais,
encarar as nossas obrigações, encontrando em Jesus o amor e o estímulo para
compreender os erros dos outros e superar os nossos próprios erros. Assim, todos
esses desalentos – os teus, os meus, os de todos os homens – servem também de
suporte ao reino de Cristo.
Reconheçamos as nossas fraquezas, mas confessemos o poder de Deus.
O optimismo, a alegria, a convicção firme de que o Senhor quer servir-se de nós
têm de informar a vida cristã. Se nos sentirmos parte dessa Igreja Santa, se
nos considerarmos sustentados pela rocha firme de Pedro e pela acção do
Espírito Santo, decidir-nos-emos a cumprir o pequeno dever de cada instante:
semear todos os dias um pouco. E a colheita fará transbordar os celeiros. (Cristo que passa, 160)
Temas para reflectir e meditar
O grande amor de Deus
São Pio de Petrelcina
19 de Julho -
O amor esquece tudo, perdoa tudo e dá tudo, sem reservas.
(365 dias com São Pio de Petrelcina)
Pequena agendado cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Viver a família.
Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.
Lembrar-me:
Cultivar a Fé
São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
18/07/2020
O Senhor procura o meu pobre coração
Quantos anos a comungar diariamente! – Outro seria santo –
disseste-me – e eu, sempre na mesma! – Filho – respondi-te – continua com a
Comunhão diária, e pensa: que seria de mim, se não tivesse comungado? (Caminho, 534)
Recordai – saboreando, na intimidade da alma, a infinita bondade
divina – que, pelas palavras da Consagração, Cristo vai tornar-se realmente
presente na Hóstia, com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Adorai-O com
reverência e devoção; renovai na sua presença o oferecimento sincero do vosso
amor; dizei-lhe sem medo que Lhe quereis; agradecei-lhe esta prova diária de
misericórdia tão cheia de ternura, e fomentai o desejo de vos aproximardes da
comunhão com confiança. Eu surpreendo-me perante este mistério de Amor: o
Senhor procura como trono o meu pobre coração, para não me abandonar, se eu não
me afastar d'Ele.
Reconfortados pela presença de Cristo, alimentados pelo seu Corpo,
seremos fiéis durante esta vida terrena, e mais tarde no Céu, junto de Jesus e
de Sua Mãe, chamar-nos-emos vencedores. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde
está, ó morte, o teu aguilhão? Demos graças a Deus que nos trouxe a vitória,
pela virtude de Nosso Senhor Jesus Cristo. (Cristo que passa, 161)
Temas para reflectir e meditar
Bom,
poderíamos seguir por aí fora com considerações sobre a solidão e não
encontraríamos, creio, uma conclusão final.
Chegamos
sem dúvida a uma verdade final: a solidão é um problema sério que dificilmente
se ultrapassa sem ajuda especializada.
Contudo, pode haver um aspecto positivo do comportamento da pessoa que vive
sozinha.
E,
este é o amor.
(AMA, reflexões, Carvide, 14.08.2019)
LEITURA ESPIRITUAL
III.
MISSÕES DE PAULO
2.ª
Viagem Missionária –
18 Fundação da igreja de Corinto –
1
Depois disso, Paulo afastou-se de Atenas e foi para Corinto. 2 Encontrou ali um
judeu chamado Áquila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália com
Priscila, sua mulher, porque um édito de Cláudio ordenara que todos os judeus
se afastassem de Roma. Paulo foi procurá-los 3 e, como eram da mesma profissão
- isto é, fabricantes de tendas - ficou em casa deles e começou a trabalhar. 4 Todos
os sábados dissertava na sinagoga e esforçava-se por convencer, tanto a judeus
como a gregos. 5 Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedónia, Paulo
entregou-se à pregação, afirmando e provando aos judeus que Jesus era o
Messias. 6 Mas, perante a oposição e as blasfémias deles, sacudiu as suas
vestes e disse-lhes: «Que o vosso sangue recaia sobre as vossas cabeças. Eu não
sou responsável por isso. De futuro, dirigir-me-ei aos pagãos.» 7 Retirou-se dali
e foi para casa de um certo Tício Justo, homem temente a Deus, cuja casa era
contígua à sinagoga. 8 No entanto, Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no
Senhor, ele e todos os da sua casa; e muitos dos coríntios que ouviam Paulo
pregar abraçavam também a fé e recebiam o Baptismo. 9 Certa noite, o Senhor
disse a Paulo, numa visão: «Nada temas, continua a falar e não te cales, 10 porque
Eu estou contigo e ninguém porá as mãos em ti para te fazer mal, pois tenho um
povo numeroso nesta cidade.» 11 Então, ele ficou lá durante um ano e seis
meses, a ensinar-lhes a palavra de Deus.
Perante o tribunal de Galião –
12
Sendo Galião procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus, de comum acordo,
contra Paulo e levaram-no ao tribunal. 13 «Este homem - disseram eles - induz
as pessoas a prestar culto a Deus de uma forma contrária à Lei.» 14 Paulo ia
abrir a boca, quando Galião disse aos judeus: «Se se tratasse de uma injustiça
ou grave delito, escutaria as vossas queixas, ó judeus, como é meu dever. 15 Mas
como se trata de um conflito doutrinal sobre palavras e nomes e acerca de vossa
própria Lei, o assunto é convosco. Recuso-me a ser juiz em semelhante questão.»
16 E mandou-os sair do tribunal. 17 Então todos se apoderaram de Sóstenes, o
chefe da sinagoga, e puseram-se a bater-lhe diante do tribunal. E Galião não se
importou nada com isso.
Regresso a Antioquia –
18
Depois de se ter demorado ainda algum tempo em Corinto, Paulo despediu-se dos
irmãos e embarcou para a Síria, com Priscila e Áquila, rapando a cabeça em Cêncreas,
por causa de um voto que tinha feito. 19 Chegaram a Éfeso, onde os deixou, e
foi à sinagoga falar com os judeus. 20 Estes pediram que prolongasse a sua
estadia, mas não acedeu. 21 Porém, despedindo-se, disse-lhes: «Voltarei
novamente ter convosco, se Deus quiser.» E partiu de Éfeso. 22 Desembarcou em
Cesareia, subiu para saudar a igreja e desceu a Antioquia.
3.ª
Viagem Missionária -
23
Depois de aí ter passado algum tempo, voltou a partir e percorreu
sucessivamente a Galácia e a Frígia, fortalecendo todos os discípulos.
Pregação de Apolo –
24ntretanto,
chegara a Éfeso um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente
e muito versado nas Escrituras. 25ora instruído na «Via» do Senhor e, com o
espírito cheio de fervor, pregava e ensinava com precisão o que dizia respeito
a Jesus, embora só conhecesse o baptismo de João. 26 Começou a falar
desassombradamente na sinagoga. Priscila e Áquila, que o tinham ouvido,
tomaram-no consigo e expuseram-lhe, com mais precisão, a «Via» do Senhor. 27 Como
ele queria partir para a Acaia, os irmãos encorajaram-no e escreveram aos
discípulos, para que o recebessem amigavelmente. Quando lá chegou, pela graça
de Deus, prestou grande auxílio aos fiéis; 28 pois refutava energicamente os
judeus, em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus era o Messias.
26
O sentido da liberdade
Nunca poderemos entender perfeitamente a
liberdade de Jesus Cristo, imensa - infinita - como o Seu amor.
Mas
o tesouro preciosíssimo do Seu generoso holocausto deve levar-nos a pensar:
porque me deste, Senhor, este privilégio com que sou capaz de seguir os teus
passos, mas também de Te ofender?
Acabamos,
assim, por calibrar o recto uso da liberdade, se se inclina para o bem; e a sua
errada orientação, quando, com essa faculdade, o homem se esquece, se afasta do
Amor dos amores.
A
liberdade pessoal - que defendo e defenderei sempre com todas as minhas forças
- leva-me a perguntar com uma segurança convicta e também consciente da minha
própria fraqueza: que esperas de mim, Senhor, para o fazer voluntariamente?
O próprio Cristo nos responde: Veritas liberabit vos; a verdade
far-vos-á livres.
Que verdade é esta, que inicia e consuma o
caminho da liberdade em toda a nossa vida?
Resumi-la-ei com a alegria e com a certeza
que provêm da relação de Deus com as suas criaturas: saber que saímos das mãos
de Deus, que somos objecto da predilecção da Santíssima Trindade, que somos
filhos de um Pai tão grande.
Peço
ao meu Senhor que nos decidamos a apercebermo-nos disso, a saboreá-lo dia após
dia: assim actuaremos como pessoas livres.
Não
esqueçamos: quem não sabe que é filho de Deus desconhece a sua verdade mais
íntima e carece, na sua actuação, do domínio e do senhorio próprios dos que
amam Nosso Senhor, sobre todas as coisas.
Persuadamo-nos de que para ganhar o Céu temos
de nos empenhar livremente, com uma decisão plena, constante e voluntária.
Mas
a liberdade não se basta a si mesma: necessita de um norte, de uma orientação.
A
alma não pode andar sem ninguém que a dirija; e para isso foi redimida de modo
que tenha por Rei Cristo, cujo jugo é suave e a carga leve (Mt 11, 30), e não o diabo, cujo jugo é
pesado.
Não nos deixemos enganar pelos que se
conformam com uma triste vozearia: liberdade! liberdade!
Muitas vezes, nesse mesmo clamor, esconde-se
uma trágica servidão: porque a escolha que prefere o erro não liberta; o único
que liberta é Cristo, pois só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.
27
Perguntemo-nos de
novo, na presença de Deus: Senhor, para que nos deste este poder?
Porque depositaste em nós esta faculdade de
Te escolher ou de Te rejeitar?
Tu desejas que usemos acertadamente esta
nossa capacidade. Senhor, que queres que eu faça?
A resposta é diáfana e precisa: amarás o
Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma e com toda a tua
mente.
Vêem?
A liberdade adquire o seu sentido autêntico
quando se exerce ao serviço da verdade que resgata, quando se gasta a procurar
o amor infinito de Deus, que nos desata de todas as escravidões. Aumentam cada
vez mais os meus desejos de anunciar em altos brados esta insondável riqueza do
cristão: a liberdade da glória dos filhos de Deus!
Nisso
se resume a boa vontade que nos ensina a seguir o bem, depois de o distinguir
do mal.
Gostaria que meditássemos num ponto
fundamental que nos situa perante a responsabilidade da nossa consciência.
Ninguém
pode escolher por nós: eis o grau supremo da dignidade dos homens: que, por si
mesmos e não por outros, se dirijam para o bem.
Muitos
de nós herdámos dos nossos pais a fé católica e, por graça de Deus, quando
recém-nascidos recebemos o Baptismo, começou na alma a vida sobrenatural.
Mas
temos de renovar ao longo da nossa existência - e mesmo ao longo de cada dia -
a determinação de amar a Deus sobre todas as coisas.
É
cristão, digo, verdadeiro cristão, aquele que se submete ao império do único
Verbo de Deus, sem impor condições a esse acatamento, disposto a resistir à
tentação diabólica com a mesma atitude de Cristo: Adorarás o Senhor teu Deus e
só a Ele servirás.
28
Liberdade e entrega
O amor de Deus é ciumento; não fica
satisfeito, se nos apresentarmos com condições no encontro marcado: espera com
impaciência que nos entreguemos totalmente, que não guardemos no coração
recantos escuros, onde o gozo e a alegria da graça e dos dons sobrenaturais não
consigam chegar.
Talvez pensem: responder sim a esse Amor
exclusivo não é, porventura, perder a liberdade?
Com a ajuda de Nosso Senhor, que preside à
nossa oração, com a sua luz, espero que este tema fique ainda mais definido
para vós e para mim.
Cada
um de nós sabe por experiência que, algumas vezes, seguir Cristo Nosso Senhor
implica dor e fadiga.
Negar
esta realidade significaria não se ter encontrado com Deus.
A
alma apaixonada sabe que essa dor é uma impressão passageira e bem depressa
descobre que o seu peso é leve e a sua carga suave, porque Ele a leva às
costas, tal como se abraçou ao madeiro quando estava em jogo a nossa felicidade
eterna.
Mas
há homens que não entendem, que se revoltam contra o Criador - uma rebelião
impotente, mesquinha, triste -, que repetem cegamente a queixa inútil que o
Salmo regista: Quebremos os seus laços! Para longe de nós o seu jugo.
Resistem
a realizar, com silêncio heróico, com naturalidade, sem brilho e sem
lamentações, o trabalho duro de cada dia.
Não
compreendem que a Vontade divina, mesmo quando se apresenta com matizes de dor,
de exigências que ferem, coincide exactamente com a liberdade, que só reside em
Deus e nos seus desígnios.
29
São almas que fazem
barricadas com a liberdade.
A minha liberdade, a minha liberdade!
Têm-na e não a seguem; olham-na e põem-na
como um ídolo de barro dentro do seu entendimento mesquinho.
É isso liberdade?
Que aproveitam dessa riqueza sem um compromisso
sério, que oriente toda a existência?
Um tal comportamento opõe-se à categoria
própria, à nobreza, da pessoa humana.
Falta
a rota, o caminho claro que oriente os seus passos na terra; essas almas -
decerto já as encontraram, como eu - depressa se deixarão arrastar pela vaidade
pueril, pela presunção egoísta, pela sensualidade.
A sua liberdade mostra-se estéril ou produz
frutos ridículos, mesmo do ponto de vista humano.
Quem
não escolhe - com plena liberdade! - uma norma recta de conduta, ver-se-á
manipulado por outros cedo ou tarde, viverá na indolência - como um parasita -
sujeito ao que os outros determinarem. Prestar-se-á a ser cirandado por
qualquer vento e outros resolverão sempre por ele.
São
nuvens sem água que os ventos levam de um lado para o outro, árvores outonais,
sem fruto; duas vezes mortas, sem raízes, ainda que se encubram, numa contínua
tagarelice, com paliativos que tentam disfarçar a sua falta de carácter, de
valentia e de honradez.
"Mas a mim ninguém me coage!", repetem
obstinadamente.
Ninguém?
Todos coagem essa liberdade ilusória, que não
se arrisca a aceitar com responsabilidade as consequências de actuações livres
e pessoais.
Onde
não há amor de Deus, produz-se um vazio do exercício individual e responsável da
liberdade: apesar das aparências, tudo neles é coacção.
O
indeciso, o irresoluto é como matéria plástica à mercê das circunstâncias;
qualquer pessoa o molda de acordo com o seu capricho e moldam-no também, em
primeiro lugar, as paixões e as piores tendências da natureza ferida pelo
pecado.
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