08/07/2020

Seguir Cristo: é este o segredo


Ao oferecer-te aquela História de Jesus, pus como dedicatória: "Que procures a Cristo. Que encontres a Cristo. Que ames a Cristo". – São três etapas claríssimas. Tentaste, pelo menos, viver a primeira? (Caminho, 382)

Como poderemos superar estes inconvenientes? Como conseguiremos fortalecer-nos nessa decisão que começa a parecer-nos muito pesada? Inspirando-nos no modelo que nos apresenta a Virgem Santíssima, nossa Mãe: uma rota muito ampla, que passa necessariamente através de Jesus.
Neste esforço por nos identificarmos com Cristo, costumo falar de quatro degraus: procurá-lo, encontrá-lo, conhecê-lo, amá-lo. Talvez pareça que estamos na primeira etapa... Procuremo-lo com fome, procuremo-lo dentro de nós com todas as forças! Se o fizermos com este empenho, atrevo-me a garantir que já O encontrámos e que já começámos a conhecê-lo e a amá-lo e a ter a nossa conversa nos céus.
Rogo a Nosso Senhor que nos decidamos a alimentar nas nossas almas a única ambição nobre, a única que merece a pena: ir ter com Jesus Cristo, como fizeram a sua Bendita Mãe e o Santo Patriarca, com ânsia, com abnegação, sem descuidos. Participaremos na dita da amizade divina – num recolhimento interior, compatível com os nossos deveres profissionais e sociais – e agradecer-Lhe-emos a delicadeza e a caridade com que Ele nos ensina a cumprir a Vontade do Nosso Pai que está nos céus.
Seguir Cristo: é este o segredo. Acompanhá-lo tão de perto, que vivamos com Ele, como os primeiros doze; tão de perto, que com Ele nos identifiquemos. Se não levantarmos obstáculos à graça, não tardaremos a afirmar que nos revestimos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso Senhor reflecte-se na nossa conduta como num espelho. Se o espelho for como deve ser, captará o rosto amabilíssimo do nosso Salvador sem o desfigurar, sem caricaturas: e os outros terão a possibilidade de O admirar, de O seguir. (Amigos de Deus, 299–303)

Temas para reflectir e meditar



Num misto de certezas e interrogações, apresento-me ao Senhor, presente no Sacrário, com renovada esperança que Ele tenha piedade de mim e me conceda a graça de uma fé a toda a prova.

(AMA, reflexões, 2017)

LEITURA ESPIRITUAL


ACTOS DOS APÓSTOLOS 

I.            EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM

8 Saulo, o perseguidor –
1 Saulo aprovava também essa morte. No mesmo dia, uma terrível perseguição caiu sobre a igreja de Jerusalém. À excepção dos Apóstolos, todos se dispersaram pelas terras da Judeia e da Samaria. 2 Entretanto, homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram por ele grandes lamentações. 3 Quanto a Saulo, devastava a Igreja: ia de casa em casa, arrastava homens e mulheres e entregava-os à prisão.

Filipe leva o Evangelho à Samaria –
4 Os que tinham sido dispersos foram de aldeia em aldeia, anunciando a palavra da Boa-Nova. 5 Foi assim que Filipe desceu a uma cidade da Samaria e aí começou a pregar Cristo. 6 Ao ouvi-lo falar e ao vê-lo realizar milagres, as multidões aderiam unanimemente à pregação de Filipe. 7 De facto, de muitos possessos saíam espíritos malignos, soltando grandes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados. 8 E houve grande alegria naquela cidade. 9 Encontrava-se na cidade um homem chamado Simão, que praticava a magia e assombrava o povo de Samaria, dizendo ser ele próprio algo de grande. 10 Do mais pequeno ao maior, todos acreditavam nele. «Este homem, diziam, é a Força de Deus, chamada a grande.» 11 Acreditavam nele porque, havia bastante tempo, tinham-se deixado entusiasmar pelas suas habilidades mágicas. 12 Mas, quando acreditaram em Filipe, que lhes anunciava a Boa-Nova do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, homens e mulheres começaram a receber o baptismo. 13 O próprio Simão também acreditou e, depois de baptizado, andava sempre com Filipe; e, ao ver os grandes milagres e portentos que ele fazia, ficava assombrado.

Pedro e João na Samaria –
14 Quando os Apóstolos, que estavam em Jerusalém, tiveram conhecimento de que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. 15 Estes desceram até lá e oraram pelos samaritanos para eles receberem o Espírito Santo. 16 Na verdade, não descera ainda sobre nenhum deles, pois tinham apenas recebido o baptismo em nome do Senhor Jesus. 17 Pedro e João iam, então, impondo as mãos sobre eles, e recebiam o Espírito Santo. 18 Ao ver que o Espírito Santo era dado pela imposição das mãos dos Apóstolos, Simão ofereceu-lhes dinheiro, 19 dizendo: «Dai-me também a mim esse poder, para que aquele a quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo.» 20 Mas Pedro replicou: «Vá contigo o teu dinheiro para a perdição, pois julgaste comprar o Dom de Deus com dinheiro. 21 Neste assunto, não tens parte, nem herança, pois o teu coração não é recto diante de Deus. 22 Arrepende-te, portanto, da tua má intenção e roga ao Senhor que te perdoe - se for possível - o projecto do teu coração. 23 Vejo-te, efectivamente, a transbordar de fel e nos laços da iniquidade.» 24 Simão respondeu: «Intercedei vós mesmos por mim junto do Senhor, para que não me aconteça nada do que acabais de dizer.» 25 Quanto aos Apóstolos, depois de terem dado o seu testemunho e anunciado a palavra do Senhor, regressaram a Jerusalém, proclamando a Boa-Nova a muitas aldeias da Samaria.

Filipe e o eunuco etíope –
26 O Anjo do Senhor falou a Filipe e disse-lhe: «Põe-te a caminho e dirige-te para o Sul, pela estrada que desce de Jerusalém para Gaza, a qual se encontra deserta.» 27 Ele pôs-se a caminho e foi para lá. Ora, um etíope, eunuco e alto funcionário da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus tesouros, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém, 28 regressava, na mesma altura, sentado no seu carro, a ler o profeta Isaías. 29 O Espírito disse a Filipe: «Vai e acompanha aquele carro.» 30 Filipe, acorrendo, ouviu o etíope a ler o profeta Isaías e perguntou-lhe: «Compreendes, verdadeiramente, o que estás a ler?» 31 Respondeu ele: «E como poderei compreender, sem alguém que me oriente?» E convidou Filipe a subir e a sentar-se junto dele. 32 A passagem da Escritura que ele estava a ler era a seguinte: Como ovelha levada ao matadouro, e como cordeiro sem voz diante daquele que o tosquia, assim Ele não abre a sua boca. 33 Na humilhação se consumou o seu julgamento, e quem poderá contar a sua geração? Da face da terra foi tirada a sua vida! 34 Dirigindo-se a Filipe, o eunuco disse-lhe: «Peço-te que me digas: De quem fala o profeta? De si mesmo ou de outra pessoa?» 35 Então, Filipe tomou a palavra e, partindo desta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Boa-Nova de Jesus. 36 Pelo caminho fora, encontraram uma nascente de água, e o eunuco disse: «Está ali água! Que me impede de ser baptizado?» 37 Filipe respondeu: «Se acreditas com todo o coração, isso é possível.» O eunuco respondeu: «Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.» 38 E mandou parar o carro. Ambos desceram à água, Filipe e o eunuco, e Filipe baptizou-o. 39 Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe e o eunuco não o viu mais, seguindo o seu caminho cheio de alegria. 40 Filipe encontrou-se em Azoto e, partindo dali, foi anunciando a Boa-Nova a todas as cidades, até que chegou a Cesareia.


"Christus vivit": Exortação Apostólica aos Jovens
Capítulo II

JESUS CRISTO SEMPRE JOVEM
A sua juventude ilumina-nos
30. Estes aspectos da vida de Jesus podem servir de inspiração a todo o jovem que cresce e se prepara para cumprir a sua missão. Isto implica amadurecer na relação com o Pai, na consciência de ser um dos membros da família e da aldeia, e na disponibilidade para ser cumulado do Espírito e guiado no cumprimento da missão que Deus lhe confia, a sua vocação. Nada disto deveria ser ignorado na pastoral juvenil, para não criar projectos que isolem os jovens da família e do mundo, ou que os transformem numa minoria selecta e preservada de todo o contágio. Precisamos, sim, de projectos que os fortaleçam, acompanhem e lancem para o encontro com os outros, o serviço generoso, a missão.
31. Não é de longe nem de fora que Jesus vos ilumina, a vós jovens, mas a partir da própria juventude que partilha convosco. É muito importante contemplar o Jesus jovem que os Evangelhos nos mostram, porque foi verdadeiramente um de vós e, n’Ele, é possível reconhecer muitos traços dos corações jovens. Vemo-lo, por exemplo, nas seguintes características: «Jesus teve uma confiança incondicional no Pai, cuidou da amizade com os seus discípulos e, até nos momentos de crise, permaneceu fiel a eles. Manifestou uma profunda compaixão pelos mais fracos, especialmente os pobres, os doentes, os pecadores e os excluídos. Teve a coragem de enfrentar as autoridades religiosas e políticas do seu tempo; viveu a experiência de Se sentir incompreendido e descartado; experimentou o medo do sofrimento e conheceu a fragilidade da Paixão; dirigiu o seu olhar para o futuro, colocando-Se nas mãos seguras do Pai e confiando na força do Espírito. Em Jesus, todos os jovens se podem rever»[1].
32. Por outro lado, Jesus ressuscitou e quer fazer-nos participantes da novidade da sua ressurreição. Ele é a verdadeira juventude dum mundo envelhecido, e é também a juventude dum universo que espera, entre «dores de parto» (Rm 8, 22), ser revestido com a sua luz e com a sua vida. Junto d’Ele, podemos beber da verdadeira fonte que mantém vivos os nossos sonhos, projectos e grandes ideais, lançando-nos no anúncio da vida que vale a pena viver. Em dois detalhes interessantes do Evangelho de Marcos, podemos notar a chamada à verdadeira juventude dos ressuscitados: na paixão do Senhor, aparece um jovem medroso que procurava seguir Jesus, mas fugiu nu (cf. 14, 51-52), um jovem que não teve a força de arriscar tudo para seguir o Senhor; enquanto, junto do túmulo vazio, vemos um jovem «vestido com uma túnica branca» (16, 5), que convidava a vencer o medo e anunciava a alegria da ressurreição (cf. 16, 6-7).
33. O Senhor chama-nos a acender estrelas na noite de outros jovens; convida-nos a olhar os verdadeiros astros, ou seja, aqueles sinais tão variados que Ele nos dá para não ficarmos parados, mas imitarmos o semeador que observava as estrelas para poder lavrar o campo. Deus acende estrelas para nós, a fim de podermos continuar a caminhar: «Às estrelas que brilham alegremente nos seus postos, Ele chama-as e elas respondem» (Br 3, 34-35). Mas o próprio Cristo é, para nós, a grande luz de esperança e guia na nossa noite, pois Ele é «a brilhante estrela da manhã» (Ap 22, 16).

A juventude da Igreja
34. Ser jovem, mais do que uma idade, é um estado do coração. Assim, uma instituição antiga como é a Igreja pode renovar-se e voltar a ser jovem em cada uma das várias fases da sua longa história. Com efeito, nos seus momentos mais dramáticos, sente a chamada a retornar ao essencial do primeiro amor. Ao recordar esta verdade, o Concílio Vaticano II afirmava que, «rica de um longo passado sempre vivo, e caminhando para a perfeição humana no tempo e para os destinos últimos da história e da vida, ela é a verdadeira juventude do mundo». Nela, é sempre possível encontrar Cristo, «o companheiro e o amigo dos jovens»[2].

Uma Igreja que se deixa renovar
35. Peçamos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que querem envelhecê-la, ancorá-la ao passado, travá-la, torná-la imóvel. Peçamos também que a livre de outra tentação: acreditar que é jovem porque cede a tudo o que o mundo lhe oferece, acreditar que se renova porque esconde a sua mensagem e mimetiza-se com os outros.
Não! É jovem quando é ela mesma, quando recebe a força sempre nova da Palavra de Deus, da Eucaristia, da presença de Cristo e da força do seu Espírito em cada dia. É jovem quando consegue voltar continuamente à sua fonte.
36. Certamente nós, membros da Igreja, não precisamos parecer sujeitos estranhos. Todos nos devem sentir irmãos e vizinhos, como os Apóstolos que «tinham a simpatia de todo o povo» (At 2, 47; cf. 4, 21.33; 5, 13).
Ao mesmo tempo, porém, devemos ter a coragem de ser diferentes, mostrar outros sonhos que este mundo não oferece, testemunhar a beleza da generosidade, do serviço, da pureza, da fortaleza, do perdão, da fidelidade à própria vocação, da oração, da luta pela justiça e o bem comum, do amor aos pobres, da amizade social.
37. A Igreja de Cristo pode sempre cair na tentação de perder o entusiasmo, porque deixa de escutar o apelo do Senhor ao risco da fé, a dar tudo sem medir os perigos, e volta a procurar falsas seguranças mundanas. São precisamente os jovens que a podem ajudar a permanecer jovem, não cair na corrupção, não parar, não se orgulhar, não se transformar numa seita, ser mais pobre e testemunhal, estar perto dos últimos e descartados, lutar pela justiça, deixar-se interpelar com humildade. Os jovens podem conferir à Igreja a beleza da juventude, quando estimulam a capacidade «de se alegrar com o que começa, de se dar sem nada exigir, de se renovar e de partir para novas conquistas»[3].
38. Quantos de nós já não são jovens precisam de ocasiões em que tenham próxima a voz e o estímulo dos jovens, e «a proximidade cria as condições para que a Igreja seja espaço de diálogo e testemunho de fraternidade que fascina»[4].
Precisamos criar mais espaços onde ressoe a voz dos jovens: «A escuta torna possível um intercâmbio de dons, num contexto de empatia. (…) Ao mesmo tempo, estabelece as condições para um anúncio do Evangelho que alcance verdadeiramente, de modo incisivo e fecundo, o coração»[5].
Uma Igreja atenta aos sinais dos tempos
39. «Enquanto Deus, a religião e a Igreja não passam de palavras vazias para numerosos jovens, os mesmos mostram-se sensíveis à figura de Jesus, quando ela é apresentada de modo atraente e eficaz»[6].
Por isso é necessário que a Igreja não esteja demasiado debruçada sobre si mesma, mas procure sobretudo reflectir Jesus Cristo. Isto implica reconhecer humildemente que algumas coisas concretas devem mudar e, para isso, precisa recolher também a visão e mesmo as críticas dos jovens.
40. No Sínodo, reconheceu-se que «um número consistente de jovens, pelos motivos mais variados, nada pede à Igreja, porque não a consideram significativa para a sua existência. Aliás, alguns pedem-lhe expressamente para ser deixados em paz, uma vez que sentem a sua presença como importuna e até mesmo irritante. Muitas vezes este pedido não nasce dum desprezo acrítico e impulsivo, mas mergulha as raízes mesmo em razões sérias e respeitáveis: os escândalos sexuais e económicos; a falta de preparação dos ministros ordenados, que não sabem reconhecer de maneira adequada a sensibilidade dos jovens; pouco cuidado na preparação da homilia e na apresentação da Palavra de Deus; o papel passivo atribuído aos jovens no seio da comunidade cristã; a dificuldade da Igreja de dar razão das suas posições doutrinais e éticas perante a sociedade actual»[7].
41. Embora haja jovens a quem agrada ver uma Igreja que se manifesta humildemente segura dos seus dons e também capaz de exercer uma crítica leal e fraterna, outros jovens reclamam uma Igreja que escute mais, que não passe o tempo a condenar o mundo. Não querem ver uma Igreja calada e tímida, mas tão-pouco desejam que esteja sempre em guerra por dois ou três assuntos que a obcecam. Para ser credível aos olhos dos jovens, precisa às vezes de recuperar a humildade e simplesmente ouvir, reconhecer, no que os outros dizem, alguma luz que a pode ajudar a descobrir melhor o Evangelho. Uma Igreja na defensiva, que perde a humildade, que deixa de escutar, que não permite ser questionada, perde a juventude e transforma-se num museu. Como poderá uma Igreja assim receber os sonhos dos jovens? Embora possua a verdade do Evangelho, isto não significa que a tenha compreendido plenamente; antes, deve crescer sempre na compreensão deste tesouro inesgotável[8].
42. Por exemplo, uma Igreja demasiado temerosa e estruturada pode ser constantemente crítica de todos os discursos sobre a defesa dos direitos das mulheres, e apontar constantemente os riscos e os possíveis erros dessas reclamações. Ao passo que uma Igreja viva pode reagir prestando atenção às legítimas reivindicações das mulheres, que pedem maior justiça e igualdade; pode repassar a história e reconhecer uma longa trama de autoritarismo por parte dos homens, de sujeição, de várias formas de escravidão, abusos e violência machista. Com este olhar, poderá fazer suas aquelas reclamações de direitos e dará, convictamente, a sua contribuição para uma maior reciprocidade entre homens e mulheres, embora não concorde com tudo o que propõem alguns grupos feministas. Nesta linha, o Sínodo quis renovar o empenho da Igreja «contra toda a discriminação e violência com base no sexo»[9].



Esta é a reacção duma Igreja que se mantém jovem e se deixa interpelar e estimular pela sensibilidade dos jovens.

Franciscus

(Revisão da versão portuguesa por AMA)

[1] DF 63.
[2] Mensagem à humanidade: aos jovens (8 de Dezembro de 1965): AAS 58 (1966), 18.
[3] Ibidem: o. c., 18.
[4] DF 1.
[5] Ibid., 8.
[6] Ibid.,50.
[7] Ibid., 53.
[8] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Revelação divina Dei Verbum, 8.
[9] DF 150.


El reto del amor

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?








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07/07/2020

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LEITURA ESPIRITUAL


ACTOS DOS APÓSTOLOS 

II. EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM

7 Discurso de Estêvão –
1 Depois, o Sumo Sacerdote perguntou-lhe: «Isso é verdade?» 2 Ele respondeu: «Irmãos e pais, escutai! O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando ele estava na Mesopotâmia, antes de se ter estabelecido em Haran, 3 e disse-lhe: 'Deixa a tua terra e a tua parentela e vai para a terra que te hei-de mostrar.' 4 Abandonou, então, o país dos caldeus, e foi estabelecer-se em Haran. Daí, após a morte do pai, Deus fê-lo emigrar para esta terra que habitais agora. 5 Não lhe deu aí propriedade alguma, nem mesmo um palmo de terra, mas prometeu-lhe a posse dela, a ele e, depois, à sua descendência, embora não tivesse sequer um filho. 6 E Deus afirmou-lhe que a sua descendência habitaria em terra estranha, que a reduziriam à escravidão e que seria maltratada, durante quatrocentos anos. 7 'Mas o povo de quem forem escravos, hei-de Eu julgá-lo, disse Deus. Depois disso, hão-de sair e prestar-me culto neste lugar.' 8 Em seguida, deu-lhe a aliança da circuncisão. Foi assim que Abraão gerou Isaac e o circuncidou, ao oitavo dia. E Isaac fez o mesmo a Jacob, e Jacob aos doze patriarcas. 9 Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no, a fim de ser levado para o Egipto. Mas Deus estava com ele: 10 livrou-o de todas as provas e deu-lhe graça e sabedoria diante do faraó, rei do Egipto, que o nomeou governador desse país e de toda a sua casa. 11 Veio depois a fome sobre todo o Egipto e sobre Canaã. A angústia era grande e os nossos pais não encontravam nada para comer. 12 Ouvindo dizer que no Egipto havia trigo, Jacob mandou lá os nossos pais, uma primeira vez. 13 À segunda vez, José deu-se a conhecer a seus irmãos e sua origem foi revelada ao Faraó. 14 José mandou então buscar seu pai Jacob e toda a sua parentela, composta de setenta e cinco pessoas. 15 Jacob desceu ao Egipto e lá morreu, assim como os nossos pais. 16 Os seus corpos foram trasladados para Siquém e depositados no sepulcro que Abraão adquirira, por uma importância em prata, aos filhos de Emor, em Siquém. 17 Enquanto se aproximava o tempo em que deveria realizar-se a promessa feita por Deus a Abraão, o povo cresceu e multiplicou-se no Egipto, 18 até que subiu ao trono do Egipto um novo rei, que não tinha conhecimento de José. 19 Usando de astúcia para com a nossa raça, esse rei perseguiu os nossos pais, até ao ponto de os fazer expor os recém-nascidos, para os privar da vida. 20 Nessa altura nasceu Moisés, que era agradável aos olhos de Deus. Foi criado durante três meses em casa de seu pai. 21Depois, tendo sido exposto, a filha do Faraó recolheu-o e criou-o como seu próprio filho. 22 Moisés foi iniciado em toda a ciência dos egípcios, e era poderoso em palavras e obras. 23Quando completou os quarenta anos, veio-lhe ao espírito a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel. 24 Ao ver um deles maltratado, tomou a sua defesa e vingou o oprimido, matando o egípcio. 25 Pensava que os seus irmãos compreenderiam ser Deus quem, por sua mão, lhes trazia a liberdade, mas não o compreenderam. 26 No dia seguinte, apareceu a dois deles que lutavam, e pretendeu reconciliá-los, dizendo: 'Sendo irmãos, porque vos agredis um ao outro?' 27 Então, aquele que agredia o companheiro repeliu-o, dizendo: 'Quem te nomeou nosso chefe e nosso juiz. 28 Queres matar-me como ontem mataste o egípcio?' 29 A essas palavras, Moisés fugiu e foi residir, como estrangeiro, para a terra de Madian, onde teve dois filhos. 30 Ao fim de quarenta anos, apareceu-lhe um Anjo no deserto do monte Sinai, na chama de uma sarça ardente. 31 Perante essa aparição, Moisés ficou estupefacto e, aproximando-se para observar melhor, fez-se ouvir a voz do Senhor: 32 'Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob.' A tremer, Moisés não ousava erguer os olhos. 33 Então, o Senhor disse-lhe: 'Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa. 34 Eu vi a angústia do meu povo no Egipto, ouvi os seus gemidos e desci para o libertar. E, agora, vem cá, pois vou mandar-te ao Egipto.' 35 Este Moisés, que eles renegaram, dizendo: 'Quem te nomeou chefe e juiz', é este que foi enviado por Deus como chefe e libertador pela mão do anjo que lhe apareceu na sarça. 36 Foi ele que os fez sair do Egipto, realizando prodígios e milagres na terra do Egipto, no Mar Vermelho e no deserto, durante quarenta anos. 37 Foi ele, Moisés, quem disse aos filhos de Israel: 'Deus fará surgir um profeta como eu, entre os vossos irmãos.' 38 Foi ele que, durante a assembleia no deserto, esteve entre o Anjo, que lhe falava no monte Sinai, e os nossos pais; foi ele que recebeu as palavras de vida, para no-las transmitir. 39 Foi a ele que os nossos pais se recusaram a obedecer, antes o repeliram, voltando em seus corações ao Egipto 40 e dizendo a Aarão: 'Faz-nos deuses que marchem à nossa frente, pois desse Moisés que nos fez sair do Egipto, não sabemos o que foi feito dele.' 41 E, nesses dias, construíram um bezerro, ofereceram um sacrifício ao ídolo e festejaram alegremente a obra das suas próprias mãos. 42 Deus, então, afastou-se deles e entregou-os ao culto do exército celeste, como está escrito no Livro dos Profetas: 'Oferecestes-me, porventura, vítimas e sacrifícios durante quarenta anos, no deserto, ó Casa de Israel? 43 Vós transportastes a tenda de Moloc e a estrela do deus Refan, imagens que fizestes para as adorar! Por isso, exilar-vos-ei para além da Babilónia.' 44 Os nossos pais tinham no deserto a tenda do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que a construísse de harmonia com o modelo por ele visto. 45 Foi precisamente essa tenda que os nossos pais receberam e introduziram, sob o comando de Josué, no território conquistado aos povos que Deus expulsou na sua frente, e assim se manteve até aos dias de David. 46 Este achou graça diante de Deus e pediu para edificar uma habitação ao Deus de Jacob. 47 Foi, porém, Salomão quem lhe construiu uma casa. 48 Mas o Altíssimo não habita em casas erguidas pela mão do homem, como diz o profeta: 49 'O Céu é o meu trono e a Terra, estrado dos meus pés. Que casa me haveis de construir, diz o Senhor, e qual será o lugar do meu repouso? 50 Não foi a minha mão que fez todas as coisas?' 51 Homens de cerviz dura, incircuncisos de coração e de ouvidos, sempre vos opondes ao Espírito Santo; como foram os vossos pais, assim sois vós também. 52 Qual foi o profeta que os vossos pais não tenham perseguido? Mataram os que predisseram a vinda do Justo, a quem traístes e assassinastes, 53 vós, que recebestes a Lei pelo ministério dos anjos, mas não a guardastes!»

Martírio de Estêvão –
54 Ao ouvirem tais palavras, encheram-se intimamente de raiva e rangeram os dentes contra Estêvão. 55 Mas este, cheio do Espírito Santo e de olhos fixos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé, à direita de Deus. 56 «Olhai, disse ele, eu vejo o Céu aberto e o Filho do Homem de pé, à direita de Deus.» 57 Eles, então, soltaram um grande grito e taparam os ouvidos; depois, à uma, atiraram-se a ele 58 e, arrastando-o para fora da cidade, começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram as capas aos pés de um jovem chamado Saulo. 59 E, enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito.» 60 Depois, posto de joelhos, bradou com voz forte: «Senhor, não lhes atribuas este pecado.» Dito isto, adormeceu.


"Christus vivit": Exortação Apostólica aos Jovens

Capítulo I

O QUE A PALAVRA DE DEUS DIZ SOBRE OS JOVENS?
No Novo Testamento
12. Conta uma parábola de Jesus (cf. Lc 15, 11-33) que o filho «mais jovem» quis partir da casa paterna para um país distante (cf. 15, 12-13).
Mas, os seus sonhos de autonomia transformaram-se em libertinagem e devassidão (cf. 15, 13), e provou a dureza da solidão e da pobreza (cf. 15, 14-16). Todavia, foi capaz de reconsiderar e começar de novo (cf. 15, 17-19): decidiu levantar-se (cf. 15, 20).
É típico do coração jovem estar disposto a mudar, ser capaz de levantar-se e deixar-se instruir pela vida.
Como não acompanhar o filho nesta nova tentativa?
Mas o irmão mais velho já tinha o coração envelhecido e deixou-se possuir pela ganância, o egoísmo e a inveja (cf. 15, 28-30).
Jesus louva mais o jovem pecador que retoma o bom caminho do que aquele que se julga fiel, mas não vive o espírito do amor e da misericórdia.
13. Jesus, o eternamente jovem, quer dar-nos um coração sempre jovem. Assim no-lo pede a Palavra de Deus: «Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa» (1 Cor 5, 7).
Ao mesmo tempo convida-nos a despojar-nos do «homem velho» para nos revestirmos do «homem novo» (Col 3, 9.10), do homem jovem[1].
E, quando quer explicar o que é revestir-se desta juventude que «não cessa de se renovar» (3, 10), diz que significa ter «sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver razão de queixa contra outro» (3, 12-13).
Isto significa que a verdadeira juventude é ter um coração capaz de amar. Pelo contrário, aquilo que envelhece a alma é tudo o que nos separa dos outros. Por isso mesmo conclui: «Acima de tudo isto, revesti-vos do amor, que é o laço da perfeição» (3, 14).
14. Notemos que Jesus não gostava que os adultos olhassem com desprezo para os mais jovens ou os mantivessem, despoticamente, ao seu serviço. Pelo contrário, pedia: «O que for maior entre vós seja como o menor» (Lc 22, 26).
Para Ele, a idade não estabelecia privilégios; e o facto de alguém ter menos anos não significava que valesse menos ou tivesse menor dignidade.
15. A Palavra de Deus diz que os jovens devem ser tratados «como irmãos» (1 Tm 5, 1), e recomenda aos pais: «Não irriteis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo» (Col 3, 21).
Um jovem não pode estar desanimado; é próprio dele sonhar coisas grandes, buscar horizontes amplos, ousar mais, ter vontade de conquistar o mundo, ser capaz de aceitar propostas desafiadoras e desejar contribuir com o melhor de si mesmo para construir algo superior. Por isso, insisto com os jovens para não deixarem que lhes roubem a esperança, repetindo a cada um: «Ninguém escarneça da tua juventude» (1 Tm 4, 12).
16. Ao mesmo tempo, porém, recomenda-se aos jovens: «Sede submissos aos anciãos» (1 Ped 5, 5).
A Bíblia convida sempre a um respeito profundo pelos idosos, porque abrigam um tesouro de experiência, experimentaram os êxitos e os fracassos, as alegrias e as grandes tribulações da vida, as esperanças e as desilusões, e, no silêncio do seu coração, guardam tantas histórias que nos podem ajudar a não errar nem enganar-nos com falsas miragens. A palavra dum idoso sábio convida a respeitar certos limites e a saber-se dominar a tempo: «Exorta igualmente os jovens a serem moderados» (Tit 2, 6).
Não é bom cair no culto da juventude, nem numa postura juvenil que despreze os outros pelos seus anos ou porque são de outro tempo. Jesus dizia que a pessoa sábia é capaz de tirar do seu tesouro coisas novas e velhas (cf. Mt 13, 52).
Um jovem sábio abre-se ao futuro, mas permanece capaz de valorizar algo da experiência dos outros.
17. No Evangelho de Marcos, aparece uma pessoa que, ao ouvir Jesus recordar-lhe os mandamentos, exclama: «Tenho cumprido tudo isso desde a minha juventude» (10, 20). Já o dizia o Salmo: «Tu és a minha esperança, ó Senhor Deus, e a minha confiança desde a juventude. (...) Instruíste-me, ó Deus, desde a minha juventude e até hoje anunciei sempre as tuas maravilhas» (71/70, 5.17).
Nunca nos arrependeremos de gastar a própria juventude a fazer o bem, abrindo o coração ao Senhor e vivendo contracorrente. De tudo isto, nada nos tira a juventude, antes fortalece-a e renova-a: «É [o Senhor] quem (…) te rejuvenesce como a águia» (Sal 103/102, 5).
Por isso, Santo Agostinho lamentava-se: «Tarde Vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde Vos amei!»[2]
Mas aquele homem rico, que fora fiel a Deus na sua juventude, deixou que os anos lhe roubassem os sonhos, preferindo ficar agarrado aos seus bens (cf. Mc 10, 22).
18. Entretanto, na passagem paralela do Evangelho de Mateus, aparece um jovem (cf. Mt 19, 20.22) que se aproxima de Jesus desejoso de mais (cf. 19, 20), com aquele espírito aberto típico dos jovens, que busca novos horizontes e grandes desafios. Na realidade, o seu espírito já não era assim tão jovem, porque se apegara às riquezas e comodidades. Com a boca, dizia querer algo mais, mas, quando Jesus lhe pede para ser generoso e distribuir os seus bens, deu-se conta de que não era capaz de desprender-se do que possuía. «Ao ouvir isto, o jovem retirou-se contristado» (19, 22). Renunciara à sua juventude.
19. O Evangelho fala-nos também de algumas jovens prudentes que estavam prontas e vigilantes, enquanto outras viviam distraídas e adormentadas (cf. Mt 25, 1-13). Com efeito, é possível transcorrer a própria juventude distraído, planando à superfície da vida, dormindo, incapaz de cultivar relações profundas e entrar no coração da vida; deste modo, porém, prepara-se um futuro pobre, sem substância. Ou, pelo contrário, pode gastar-se a juventude cultivando coisas nobres e grandes e, assim, preparar um futuro cheio de vida e riqueza interior.
20. Se perdeste o vigor interior, os sonhos, o entusiasmo, a esperança e a generosidade, diante de ti está Jesus, como parou diante do filho morto da viúva, e o Senhor, com todo o seu poder de Ressuscitado, exorta-te: «Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!» (Lc 7, 14).
21. Há, sem dúvida, muitos outros textos da Palavra de Deus que nos podem iluminar acerca desta fase da vida. Analisaremos alguns deles nos próximos capítulos.

Capítulo II
JESUS CRISTO SEMPRE JOVEM
22. Jesus é «jovem entre os jovens, para ser o exemplo dos jovens e consagrá-los ao Senhor»[3].
Por isso, o Sínodo disse que «a juventude é um período original e estimulante da vida, que o próprio Jesus viveu, santificando-a»[4].
Que nos refere o Evangelho sobre a juventude de Jesus?
A juventude de Jesus
23. O Senhor «entregou o seu espírito» (Mt 27, 50) numa cruz, quando tinha pouco mais de 30 anos de idade (cf. Lc 3, 23). É importante tomar consciência de que Jesus foi um jovem. Deu a sua vida numa fase que hoje se define como a dum jovem adulto. Em plena juventude, começou a sua missão pública e, assim, brilhou «uma grande luz» (Mt 4, 16), sobretudo quando levou até ao extremo o dom da sua vida. Este final não foi improvisado, mas teve uma preciosa preparação em toda a sua juventude, em cada um dos seus momentos, porque «tudo, na vida de Jesus, é sinal do seu mistério»[5] e «toda a vida de Cristo é mistério de redenção»[6].
24. O Evangelho não fala da meninice de Jesus, mas conta-nos alguns factos da sua adolescência e juventude. Mateus coloca este período da juventude do Senhor entre dois episódios: o regresso da sua família a Nazaré, depois do tempo de exílio, e o seu baptismo no Jordão, onde começou a sua missão pública. As últimas imagens de Jesus menino são a dum pequeno refugiado no Egipto (cf. Mt 2, 14-15) e, depois, a dum repatriado em Nazaré (cf. Mt 2, 19-23). As primeiras imagens de Jesus, jovem adulto, são as que no-Lo apresentam na multidão ao pé do rio Jordão, para ser baptizado pelo primo João Baptista, como qualquer um do seu povo (cf. Mt 3, 13-17).
25. Aquele baptismo não era como o nosso, que nos introduz na vida da graça, mas foi uma consagração antes de começar a grande missão da sua vida. O Evangelho diz que o seu baptismo foi motivo de júbilo e comprazimento do Pai: «Tu és o meu Filho muito amado» (Lc 3, 22). Imediatamente Jesus apareceu cheio do Espírito Santo e foi levado pelo Espírito ao deserto. Assim, estava pronto para ir pregar e fazer prodígios, libertar e curar (cf. Lc 4, 1-14). Cada jovem, quando se sente chamado a cumprir uma missão nesta terra, é convidado a reconhecer dentro de si as mesmas palavras que Deus Pai dissera a Jesus: «Tu és o meu filho muito amado».
26. No intervalo entre estes dois episódios, aparece um que mostra Jesus em plena adolescência: quando regressou para Nazaré com seus pais, depois que estes O perderam e reencontraram no Templo (cf. Lc 2, 41-51). Em Nazaré, diz o texto que Jesus «era-lhes submisso» (Lc 2, 51), pois não tinha rejeitado a sua família. Então Lucas acrescenta que «Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens» (2, 52). Por outras palavras, estava-Se preparando e, naquele período, ia aprofundando a sua relação com o Pai e com os outros. São João Paulo II explicou que não crescia apenas fisicamente, mas «houve em Jesus também um crescimento espiritual», porque «a plenitude de graça em Jesus era relativa à idade: havia sempre plenitude, mas uma plenitude crescente com o crescer da idade»[7].
27. Com base nestes dados evangélicos, podemos afirmar que Jesus, na sua fase juvenil, foi-Se «formando», foi-Se preparando para realizar o projecto que o Pai tinha. A sua adolescência e juventude orientaram-n'O para esta missão suprema.
28. Na adolescência e juventude, a sua relação com o Pai era a do Filho muito amado; atraído pelo Pai, crescia ocupando-Se das coisas d’Ele: «Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» (Lc 2, 49).
Mas não devemos pensar que Jesus fosse um adolescente solitário ou um jovem fechado em si mesmo. A sua relação com as pessoas era a dum jovem que compartilhava a vida inteira duma família bem integrada na aldeia. Aprendera o ofício do pai e, depois, substituiu-o como carpinteiro. Por isso no Evangelho, uma vez, é chamado «o filho do carpinteiro» (Mt 13, 55) e, outra, simplesmente «o carpinteiro» (Mc 6, 3).
Este detalhe mostra que era um rapaz da aldeia como os outros, relacionando-Se com toda a normalidade. Ninguém O considerava um jovem estranho ou separado dos outros. Por isso mesmo, quando Jesus começou a pregar, as pessoas não sabiam explicar donde Lhe vinha aquela sabedoria: «Não é este o filho de José?» (Lc 4, 22).
29. A verdade é que «Jesus também não cresceu numa relação fechada e exclusiva com Maria e José, mas de bom grado movia-Se na família alargada, onde encontrava os parentes e os amigos»[8].
Assim se compreende que, ao regressar da peregrinação a Jerusalém, os pais estivessem tranquilos pensando que aquele adolescente de doze anos (cf. Lc 2, 42) Se movia livremente entre as pessoas a ponto de não O verem durante um dia inteiro: «pensando que Ele Se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem» (Lc 2, 44).
Com certeza - supunham eles -, Jesus estaria lá indo e vindo entre os demais, brincando com os da sua idade, ouvindo as histórias dos adultos e compartilhando as alegrias e tristezas da caravana. Para expressar a «caravana» de peregrinos, Lucas usou o termo grego synodía, que indica precisamente esta «comunidade em caminho», na qual se integrou a sagrada Família. Graças à confiança que n’Ele depositam seus pais, Jesus move-Se livremente e aprende a caminhar com todos os outros.

Franciscus

(Revisão da versão portuguesa por AMA)
[1] O mesmo termo grego que significa «novo», é usado para dizer «jovem».
[2] Confissões, X, 27: PL 32, 795.
[3] Documento Final da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (27/X/2018), 60. A partir de agora, este documento será citado com a sigla DF. É possível consultá-lo no site Vaticano do Sínodo dos Bispos: http://www.vatican.va/
[4] Santo Ireneu, Contra as heresias, II, 22, 4: PG 7, 784.
[5] Catecismo da Igreja Católica, 515
[6] Ibid., 517.
[7] Catequese (Audiência Geral de 27 de Junho de 1990), 2.3: Insegnamenti13,1 (1990), 1680-1681.
[8] Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Amoris laetitia (19 de Março de 2016), 182: AAS 108 (2016), 384.


El reto del amor

Filosofia e religião

Teologia do Sacrosanctum Concilium

Prólogo

A liturgia é uma realidade tão rica que deve ser contemplada de vários e diferentes pontos de vista, de fora e de dentro.
Uma abordagem só de fora não é suficiente, embora a liturgia seja essencialmente uma realidade acessível aos nossos sentidos.
Mas este é apenas um lado da medalha.
As palavras e os ritos, os gestos e os símbolos, tudo que fala aos nossos sentidos, expressa aquilo que é acessível aos olhos da fé: a acção divino-humana que se realiza quando celebramos o mistério de Cristo.
A teologia litúrgica é o estudo da liturgia em sua totalidade.
Através dela conhecemos sobretudo a natureza da liturgia que, por sua vez, tem também diversos aspectos e dimensões.

A nossa tarefa é estudar a teologia da liturgia da constituição do Concílio Vaticano II sobre a liturgia, a “Sacrosanctum Concilium”.
Também este documento conciliar contempla a liturgia na sua integridade e nas suas diferentes dimensões.
Basicamente faz isso logo no primeiro item da primeira parte do seu primeiro capítulo, nos artigos 5 a 8, aos quais o Compêndio do Vaticano II organizado por Boaventura Kloppenburg deu o titulo: “A natureza da liturgia”.
Podemos sem problema considerar estes artigos como a teologia litúrgica do Concílio Vaticano II.
Iremos deter-nos quase exclusivamente nestes artigos da SC, já por causa do limite de tempo que nos é dado, mas sobretudo porque aqui encontramos todo o essencial da compreensão teológica da liturgia da “Sacrosanctum Concilium”.

Realizaremos este estudo em duas grandes partes, seguindo a própria “Sacrosanctum Concilium”: “A liturgia como momento da história da salvação” e “a liturgia como exercício do sacerdócio de Jesus Cristo”.

Estarão integrados e serão acrescentados itens menores que também têm grande importância num estudo da teologia da liturgia, tanto para o documento conciliar quanto para nós.



(P. Gregório Lutz, CSSp)