30/05/2020

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LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS


São Marcos

Cap. VIII




1 Naqueles dias, havia outra vez uma grande multidão e não tinham que comer. Jesus chamou os discípulos e disse: 2 «Tenho compaixão desta multidão. Há já três dias que permanecem junto de mim e não têm que comer. 3 Se os mandar embora em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho, e alguns vieram de longe.» 4 Os discípulos responderam-lhe: «Como poderá alguém saciá-los de pão, aqui no deserto?» 5 Mas Ele perguntou: «Quantos pães tendes?» Disseram: «Sete.» 6 Ordenou que a multidão se sentasse no chão e, tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e dava-os aos seus discípulos para eles os distribuírem à multidão. 7 Havia também alguns peixinhos. Jesus abençoou-os e mandou que os distribuíssem igualmente. 8 Comeram até ficarem satisfeitos, e houve sete cestos de sobras. 9 Ora, eram cerca de quatro mil. Despediu-os 10 e, subindo logo para o barco com os discípulos, foi para os lados de Dalmanuta. 11 Apareceram os fariseus e começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do céu para o pôr à prova. 12 Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta geração.» 13 E, deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem. 14 Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco. 15 Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.» 16 E eles discorriam entre si: «Não temos pão.» 17 Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais a discorrer que não tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido? 18 Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais 19 de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.» 20 «E quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.» 21 Disse-lhes então: «Ainda não compreendeis?» 22 Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe um cego, pedindo-lhe que o tocasse. 23 Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou: «Vês alguma coisa?» 24 Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens; vejo-os como árvores a andar.» 25 Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos sobre os olhos e ele viu perfeitamente; ficou restabelecido e distinguia tudo com nitidez. 26 Jesus mandou-o para casa, dizendo: «Nem sequer entres na aldeia.» 27 Jesus partiu com os discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe. No caminho, fez aos discípulos esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?» 28 Disseram-lhe: «João Baptista; outros, Elias; e outros, que és um dos profetas.» 29 «E vós, quem dizeis que Eu sou?» - perguntou-lhes. Pedro tomou a palavra, e disse: «Tu és o Messias.» 30 Ordenou-lhes, então, que não dissessem isto a ninguém. 31 Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, e ser morto e ressuscitar depois de três dias. 32 E dizia claramente estas coisas. Pedro, desviando-se com Ele um pouco, começou a repreendê-lo. 33 Mas Jesus, voltando-se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo-lhe: «Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens.» 34 Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 35 Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la. 36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? 37 Ou que pode o homem dar em troca da sua vida? 38 Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.»

Comentários:

Mais uma vez falamos de sinais que é – digamos – “a pedra de toque” usada pelos Escribas e Fariseus para, por assim dizer, pôr à prova quanto Jesus Cristo diz e faz. Mas, a verdade, é que nunca chegam a dizer que sinais são esses que pretendem e, isto, porque não sabem que sinais pedir. Ou, talvez, não queiram “arriscar” pedindo um sinal qualquer por mais extraordinário ou complexo que pudesse ser com receio que o Senhor resolva aceitar o que Lhe pedem. Nesse caso, não haveria outra solução que aceitarem de uma vez por todas o que negam com tanta veemência. É lícito, portanto, aduzir que sabem muito bem o poder divino que tudo pode que, de facto, Jesus Cristo detém. Sem o desejarem fazem uma autêntica profissão de fé aparentando, no entanto, que têm sobejas razões para duvidar. Toda esta postura é, no mínimo, desonesta e não se pode aceitar.
Um sinal do céu? Mas o que é um sinal do céu? Não será o próprio céu e tudo quanto nele e sob ele existe? Não vemos a obra de Deus a Criação extraordinária de beleza, ordem, complexidade magistral? Então?
Muitos pedem “sinais” aduzindo que precisam deles para acreditar. Mas… que sinais? Se não conseguem ver os numerosos, abundantes, sinais que Deus vai dando gratuitamente ao longo das nossas vidas, como conseguiriam ver ou distinguir outros quaisquer. Mais: além de tentarem Deus – o que é um pecado grave – mostram uma desonestidade intelectual gritante que nada convencerá ou será alguma vez suficiente para os satisfazer.
Francamente não me apetece comentar este trecho de São Marcos mas não tenho escolha, nem sequer, opção. O Evangelho é, todo ele, para ler (ou ouvir) e meditar e devemos – devo – fugir à tentação de repulsa ou animosidade por estes fariseus que se encarniçam até ao inconcebível contra o Senhor. Era necessário que assim acontecesse até porque estas atitudes davam oportunidade ao Senhor para, com infinita paciência, “pôr as coisas no seu devido lugar” respondendo não para humilhação dos fariseus – que na realidade não estavam interessados nas respostas de Cristo – mas para doutrinar o povo humilde e anónimo que O seguia e ouvia. E, a verdade é que, por várias vezes muitos diziam que nunca tinham ouvido alguém falar assim, com tal autoridade e clareza. Como é tão claro: de um mal aparente, o Senhor tira sempre algo bom!
Será então necessário morrer para ganhar a Vida Eterna? Temos de considerar as palavras de Cristo pelo seu significado e não pelo que traduzem e assim compreenderemos que de facto é necessário morrer não para a vida do mundo, mas para a vida mundana para conseguir alcançar o Reino de Deus. Há de facto uma escolha a fazer: seguir Cristo ou não! Mas, se a escolha for – como deve ser – segui-lo teremos de o fazer com plena consciência e entrega com os pés na terra, sem dúvida, mas com o coração no Céu!
São Marcos refere que Jesus «dizia claramente estas coisas». Mas, além de falar claramente deveria ser, ao mesmo tempo, convincente de tal modo que levou Pedro à reacção que não pôde guardar para si. O amor de Pedro por Jesus não “pode admitir” que aconteça o que Ele lhes anuncia. É um sentimento nobre e expressivo que “choca” com uma realidade que não consegue abarcar. Ele, Pedro, só vê à sua frente a figura de Jesus, não percebe que vê – também – Cristo, o Filho de Deus feito homem! Pode parecer, por momentos, que o Senhor poderia ter sido mais “brando” ou “compreensivo” com este Seu amigo mas, as palavras que profere mantêm-se na linha anterior: «dizia claramente estas coisas». E, aos poucos, Pedro irá guardando no seu coração todas estas coisas e, inevitavelmente, há-de chegar ao ponto de confessar – também claramente – quem é Jesus Cristo.
Neste trecho de São Marcos ficamos a saber algo importante: Jesus confirma duas multiplicações de pães e de peixes. Milagres extraordinários que deveriam ter deixado os discípulos “esmagados” com a prova do poder divino de Jesus. E, no entanto, São Pedro terá insistido com São Marcos para que fizesse constar no Evangelho esta ocorrência que relata e põe a nu a fraqueza da fé dos Apóstolos, as suas dúvidas e insegurança. Como devemos estar gratos ao Príncipe dos Apóstolos e ao Evangelista darem-nos este exemplo de humildade em que se revelam homens comuns – como nós – sem nenhuns predicados nem conhecimentos especiais.
O relato de São Marcos, revela bem a debilidade e falta de discernimento dos Apóstolos. São homens simples e práticos se se atêm às realidades visíveis e se mostram incapazes de “ver mais além”. O Senhor conhece muito bem os que Ele próprio escolheu e que com o passar dos dias na Sua convivência diária, testemunhando milagres e ouvindo a Sua doutrina, acabarão por adquirir uma fé forte, resistente e indestrutível. Quanto ao resto – a compreensão de tudo isto – virá mais tarde com a vinda do Espírito Santo e, a partir daí, as suas mentes ficarão totalmente esclarecidas e solidamente instruídas tornando-os capazes de cumprir a Missão para a qual os destinou: Propagar o Reino de Deus por toda a terra.
Não posso deixar de sentir um carinho muito especial por Pedro. Tão depressa é louvado e bem-dito pelo Senhor como merece a Sua reprovação contundente. Pedro é um homem verdadeiro, com o coração nas mãos, a palavra que não retém, o impulso que o leva a assumir atitudes, por vezes, drásticas – como no Horto das Oliveiras atacando à espada os que vinham prender o Mestre – e, ao mesmo tempo, um homem frágil, medroso – como quando tem medo do mar revolto pelo vento impetuoso e pede ao Senhor que lhe estenda a mão – e, cobarde como quando nega por três vezes, no pátio de Caifás, conhecer Jesus. Em tudo, me parece, que me pareço com Pedro com as minhas dúvidas, hesitações, impulsos de amor e, ao mesmo tempo, negando, mentindo, fugindo. Que me dera parecer-me com o Príncipe dos Apóstolos também no meu serviço total e sem condições e levar para frente – apesar do nada que sou – os planos que o Senhor tem para a minha vida.
Uma e outra vez – sempre – devemos repetir actos de Fé, pedir ao Senhor que a fortaleça a vivifique, que não deixe que ela esmoreça e, eventualmente, se apague, pelas dificuldades e obstáculos que se vão interpondo na nossa vida. Com uma Fé forte, escorreita sem titubeios, teremos uma visão clara do que nos interessa ver e não sombras mais ou menos esfumadas da realidade.
O Senhor tem atitudes que nos suscitam interrogações. Porque é que, neste caso que o Evangelista relata, conduziu o cego para fora da aldeia? Não queria que os circunstantes assistissem ao milagre que estava a ponto de realizar? Talvez procurasse o recato de um encontro a sós com o cego que, sabia, tinha uma fé débil que precisava ser fortalecida. Dar a visão a um cego é, sem dúvida, um milagre extraordinário, mas consolidar a pouca fé que este tinha é um bem incomensuravelmente maior.
«Alguns vieram de longe», diz o Senhor. Para nós que O temos tão perto dá-nos que pensar como tantas vezes cedemos à tentação de não participar na Missa dominical só porque temos de sair do conforto de nossa casa ou porque está a chover ou... E se fizemos algum sacrifício o que tem de mais? Será que O Senhor não o merece?
Este extraordinário - podemos dizer espectacular - milagre, continua a  realizar-se todos os dias, várias vezes, em diferentes lugares desta terra. Na Santa Missa Jesus distribui alimento - que é Ele próprio - a multidões de seres humanos que O procuram famintos de amor e vida. Amor que é o próprio Deus que Se dá; Vida que é o penhor de eternidade na Hóstia consagrada. Não compreendemos, não atingimos a dimensão e a grandeza deste milagre. Veneramos o Corpo do Senhor e recebêmo-lo com toda a compunção, respeito e gratidão que somos, pobres de nós homens fracos e débeis, capazes sabendo que não somos dignos, mas que Ele próprio quer, deseja ardentemente ser o nosso alimento, a nossa força, a nossa vida.
Os Evangelistas diferem nalguns detalhes na descrição deste milagre. Parece, pois, que Jesus deverá ter feito mais que uma vez este prodígio da multiplicação de pães e peixes por numerosas multidões. Seja como for o que se revela de forma claríssima é a compaixão e cuidado do Senhor pelos que O seguem pelos caminhos da Palestina. Claro que, também se evidencia que o desejo, afã, das gentes, em ouvir o que Jesus tem para lhes dizer, é de tal forma absorvente que parece que as preocupações com as mais elementares necessidades – como o alimento – ficam como que em segundo plano. Há no ambiente que cerca o Senhor um “clima” de reverência e confiança e, estes milagres, só vêm “reforçar”, por assim dizer, essa fé e confiança na pessoa de Cristo e no Seu poder divino.
Podemos interrogar-nos como é possível que perante um milagre deste “calibre” ainda restassem alguns que se recusavam a admitir a divindade de Jesus Cristo. Mas é verdade e o mais triste é que ainda hoje é verdade que perante os milagres da vida de todos os dias que o Senhor vai prodigalizando às “mãos cheias” há quem negue e não acredite ou fique indiferente. E perguntamos o que vão fazer a Fátima os milhões de pessoas que todos os anos ali se deslocam? Vão ver o quê? Querem que prova ou benefício em favor próprio ou alheio? E acreditam de facto que, se o Senhor quiser, por instâncias da Sua e nossa Santíssima Mãe, satisfazer esses desejos, atender a essas súplicas o poderá fazer? Não se trata, antes, de uma propaganda bem urdida de modo a levar os incautos a acreditar no impossível? Mas, na verdade, quantos desses que ali vão com esses sentimentos, não regressam como que transformados, “virados do avesso”, como tantos acabam por confessar. E, estejamos certos, estes são os maiores milagres que o Senhor opera nas almas e nos corações.








SANTO ROSÁRIO rezar com São João Paulo II


Rezar com São João Paulo II: 

SANTO ROSÁRIO - Ladainha de Nossa Senhora

PAPA SÃO JOÃO PAULO II



Notas: 
1 - Em Latim
2 - Publicação diária durante Maio

As minhas memórias de Fátima


O que me liga a Fátima - dd


Sim, vou a Fátima constantemente, atraído pela Doçura, pela Paz, pelo Amor filial.

E, ali, serenamente, com confiança total de filho pequeno, digo-lhe:

Monstra te esse matrem!
Sim, mostra que és Mãe, minha Mãe.
Como, apesar de tudo quanto não sou e deveria ser, tu és minha Mãe e me queres, e me proteges, e desejas a minha felicidade aqui na terra e, depois, no Céu.
Monstra te esse matrem!
Ajuda-me também a mostrar-me como teu filho, a comportar-me, a conduzir a minha vida como teu filho, e, sobretudo: Recordare Virgo Mater Dei, dum steteris in conspectu Domini et loquaris pro me bona.
Ámen.

(AMA, Memórias de Fátima)

Pequena agenda do cristão

SÁBADO

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

LEITURA ESPIRITUAL


São João

Cap. VII



1 Depois disto, Jesus continuava pela Galileia, pois não queria andar pela Judeia, visto que os judeus procuravam matá-lo. 2 Estava próxima a festa judaica das Tendas. 3 Disseram-lhe então os seus irmãos: ‘Vai para a Judeia, a fim de os teus discípulos verem as obras que fazes. 4 Pois ninguém faz nada às escondidas, se pretende tornar-se conhecido. Se fazes coisas destas, mostra-te ao mundo.’ 5 Com efeito, nem sequer os seus irmãos criam nele. 6 E Jesus disse-lhes: Para mim ainda não chegou o momento oportuno; mas, para vós, qualquer oportunidade é boa. 7 O mundo não pode odiar-vos; a mim, porém, odeia-me, porque sou testemunha de que as suas obras são más. 8 Ide vós à festa. Eu é que não vou a essa festa, porque o tempo que me está marcado ainda não se completou. 9 Depois de dizer isto, continuou na Galileia. 10 Contudo, depois de os seus irmãos partirem para a festa, Ele partiu também, não publicamente, mas quase em segredo. 11 Por isso, durante a festa, os judeus procuravam-no e perguntavam: ‘Onde é que Ele está?’ 12 E havia entre o povo grande murmuração a seu respeito. Uns diziam: ‘É um homem de bem’. Outros, porém, afirmavam: ‘Não; o que Ele anda é a desencaminhar o povo!’ 13 No entanto, ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus. 14 Já a festa ia a meio, quando Jesus subiu ao templo e se pôs a ensinar. 15 Os judeus assombravam-se e diziam: ‘Como é que este é letrado, se não estudou?’ 16 Então, Jesus respondeu-lhes, dizendo: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. 17 Se alguém está disposto a fazer a vontade dele, é capaz de ajuizar se a doutrina procede de Deus, ou se Eu falo por minha conta. 18 Quem fala por sua conta procura a sua glória pessoal; mas, quem procura a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro e nele não há impostura. 19 Porventura Moisés não vos deu a Lei? No entanto, nenhum de vós cumpre a Lei. Porque me quereis matar? 20 Respondeu aquela gente: ‘Tu tens o demónio. Quem é que te quer matar?’ 21 Jesus replicou-lhes: Eu realizei uma única obra e todos estão assombrados. 22 Porque Moisés vos deu a lei da circuncisão - não é que ela venha de Moisés, mas dos Patriarcas - circuncidais um homem mesmo ao sábado. 23 Se um homem recebe a circuncisão ao sábado, para não ser violada a Lei de Moisés, podereis indignar-vos comigo por ter curado completamente um homem ao sábado? 24 Não julgueis pelas aparências; julgai com um juízo recto. 25 Então, alguns de Jerusalém comentavam: ‘Não é este a quem procuravam, para o matar? 26 Vede como Ele fala livremente e ninguém lhe diz nada! Será que realmente as autoridades se convenceram de que Ele é o Messias? 27 Mas nós sabemos donde Ele é, ao passo que, quando chegar o Messias, ninguém saberá donde vem. 28 Entretanto, Jesus, ensinando no templo, bradava: Então sabeis quem Eu sou e sabeis donde venho?! Pois Eu não venho de mim mesmo; há um outro, verdadeiro, que me enviou, e que vós não conheceis. 29 Eu é que o conheço, porque procedo dele e foi Ele que me enviou. 30 Procuravam, então, prendê-lo, mas ninguém lhe deitou a mão, pois a sua hora ainda não tinha chegado. 31 Porém, dentre o povo, muitos creram nele e comentavam: ‘Quando vier o Messias, será que há-de realizar mais sinais miraculosos do que este?’ 32 Tal comentário do povo a respeito dele chegou aos ouvidos dos fariseus. Então, os sumos sacerdotes e os fariseus mandaram guardas para prenderem Jesus. 33 Entretanto, Jesus começou a dizer: Já pouco tempo vou ficar convosco, pois irei para aquele que me enviou. 34 Haveis de procurar-me, mas não me encontrareis, e não podereis ir para o lugar onde Eu estiver. 35 Os judeus, por isso, disseram entre si: ‘Para onde tenciona Ele ir, que não o possamos encontrar? Tenciona ir até aos que estão dispersos entre os gregos para pregar aos gregos? 36 Que significam estas palavras que Ele disse: Haveis de procurar-me, mas não me encontrareis, e não podereis ir para o lugar onde Eu estiver?’ 37 No último dia, o mais solene da festa, Jesus, de pé, bradou: Se alguém tem sede, venha a mim; e quem crê em mim que sacie a sua sede! 38 Como diz a Escritura, hão-de correr do seu coração rios de água viva. 39 Ora Ele disse isto, referindo-se ao Espírito que iam receber os que nele acreditassem; com efeito, ainda não tinham o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado. 40 Então, entre a multidão de pessoas que escutaram estas palavras, dizia-se: ‘Ele é realmente o Profeta.’ 41 Diziam outros: ‘É o Messias.’ Outros, porém, replicavam: ‘Mas pode lá ser que o Messias venha da Galileia?! 42 Não diz a Escritura que o Messias vem da descendência de David e da cidade de Belém, donde era David? 43 Deste modo, estabeleceu-se um desacordo entre a multidão, por sua causa. 44 Alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe deitou a mão. 45 Depois os guardas voltaram aos sumos sacerdotes e aos fariseus, que lhes perguntaram: ‘Porque é que não o trouxestes?’ 46 Os guardas responderam: ‘Nunca nenhum homem falou assim!’ 47 Replicaram-lhes os fariseus: ‘Será que também vós ficastes seduzidos? 48 Por ventura acreditou nele algum dos chefes, ou dos fariseus? 49 Mas essa multidão, que não conhece a Lei, é gente maldita!’ 50 Nicodemos, aquele que antes fora ter com Jesus e que era um deles, disse-lhes: 51 ‘Porventura permite a nossa Lei julgar um homem, sem antes o ouvir e sem averiguar o que ele anda a fazer?’ 52 Responderam-lhe eles: ‘Também tu és galileu? Investiga e verás que da Galileia não sairá nenhum profeta.’ 53 E cada um foi para sua casa.

Comentários:

         Não se pode comentar textos do Evangelho escrito por São João sem ter como que uma visão de conjunto porque, de facto, o Evangelista, dedica todo um capítulo à última viagem de Jesus a Jerusalém antes da Sua Paixão e Morte. Os discursos de Jesus como que se entrelaçam nas perguntas e respostas que se vão sucedendo, sempre com o objectivo claro de afirmar a Sua origem, a Sua Divindade. Os argumentos - muitas vezes acompanhados de milagres -  sucedem-se num ritmo cada vez mais forte e incisivo, como se o Senhor estivesse a oferecer uma "última oportunidade" aos que não O aceitam ou se fecham em preconceitos e falhas premissas.
         Vamos assistindo ao longo deste Capítulo VII do Evangelho escrito por São João, a como que um “crescendo dramático” do confronto entre Jesus e os chefes do povo. Estes fecham-se obstinadamente nos seus critérios e tradições e recusam qualquer hipótese de avaliar – sequer - se haverá alguma verdade no que Cristo diz e faz. Não é de todo honesto, sobretudo de quem pretende ser dirigente de outros, não estudar, obter todas as informações possíveis sobre algo que se apresenta como novo – talvez insólito – mas que apoiado em obras constatáveis, milagres extraordinários, deveria merecer, pelo menos, alguma atenção. Talvez que, na verdade, soubessem intimamente muito mais do que deixavam transparecer e, portanto, saberiam que a “sua época” estava ultrapassada e que uma “nova ordem” estava a chegar e seria imparável. Motivos políticos? Também, seguramente. Misturar religião e fé com política nunca dá bom resultado: «A Deus o que é de Deus, a César o que é de César».
         Continuará sempre um mistério o motivo que terá levado Jesus a nunca esclarecer a Sua origem, o local do seu nascimento. Parece evidente que o Senhor não queria que acreditassem nele por outros motivos que não fossem uma sã vontade de esclarecer o que não sabiam. A verdade é que sabemos que nem na "sua terra", Nazaré, o acolhimento foi diferente, talvez porque conheciam bem as Suas origens.
A má fé e os preconceitos condicionam sempre as boas disposições interiores. Como quando rezarmos devemos fazê-lo mais para ouvir que para ser ouvidos, ou seja, dispostos a ouvir, compreender, aceitar e pôr em prática o que Deus nos sugere, em vez da nossa vontade, os nossos desejos ou conveniências, o que Ele quer, o que Ele prefere, o que Ele propõe.
         Os chefes do povo fazem uma afirmação terrível considerando o povo comum e anónimo como ‘malditos porque não conhecem a Lei’. E como hão-de conhecê-la com tais mestres? Estes até podem conhecer a Lei, mas como não a praticam de pouco lhes vale. Quem serão, pois, “os malditos”?
         Há uma frase neste texto de São João - «30 Procuravam então prender Jesus, mas ninguém Lhe deitou a mão, porque ainda não chegara a sua hora.» - que deixa bem claro que Jesus Cristo Se entrega à morte por Sua única e exclusiva vontade. Faz o dom da Sua vida para redenção e salvação dos homens. Com respeito a Cristo, nada nem ninguém pode fazer o quer que seja sem o Seu expresso consentimento e por mais que se encarnicem os Seus perseguidores de ontem e de hoje nada conseguirão. Nosso Senhor, que é dono da vida e da morte tem a vontade suprema e final sobre todas as coisas.

         Não há pior conduta que a que se deixa guiar pelos preconceitos. Estes como que impedem o simples raciocínio, claro e honesto, condicionam fortemente e impedem ver e escutar. Quem não raciocina, não vê, nem escuta e nunca poderá conhecer a verdade e, portanto, de acreditar. E muito menos tem qualquer autoridade para ensinar outros o que eles próprios julgam saber.


Auxílio dos cristãos

"Auxilium christianorum!", Auxílio dos cristãos!, reza com plena segurança a ladainha loretana. Já experimentaste repetir essa jaculatória nos teus transes difíceis? Se o fizeres com fé, com ternura de filha ou de filho, verificarás a eficácia da intercessão da tua Mãe Santa Maria, que te levará à vitória. (Sulco, 180)


É a hora de recorreres à tua Mãe bendita do Céu, para que te acolha nos seus braços e te consiga do seu Filho um olhar de misericórdia. E procura depois fazer propósitos concretos: corta de uma vez, ainda que custe, esse pormenor que estorva e que é bem conhecido de Deus e de ti. A soberba, a sensualidade, a falta de sentido sobrenatural aliar-se-ão para te sussurrarem: isso? Mas se se trata de uma circunstância tonta, insignificante! Tu responde, sem dialogar mais com a tentação: entregar-me-ei também nessa exigência divina! E não te faltará razão: o amor demonstra-se especialmente em coisas pequenas. Normalmente, os sacrifícios que o Senhor nos pede, os mais árduos, são minúsculos, mas tão contínuos e valiosos como o bater do coração.


Quantas mães conheceste como protagonistas de um acto heróico, extraordinário? Poucas, muito poucas. E contudo, mães heróicas, verdadeiramente heróicas, que não aparecem como figuras de nada espectacular, que nunca serão notícia - como se diz - tu e eu conhecemos muitas: vivem sacrificando-se a toda a hora, renunciando com alegria aos seus gostos e passatempos pessoais, ao seu tempo, às suas possibilidades de afirmação ou de êxito, para encher de felicidade os dias dos seus filhos. (Amigos de Deus, 134)

Servir, meus filhos, é o que é próprio de nós


No meio do júbilo da festa, em Caná, só Maria nota a falta de vinho... Até aos mais pequenos pormenores de serviço chega a alma quando vive, como Ela, apaixonadamente atenta ao próximo, por Deus. (Sulco, 631)


Servir, servir, filhos meus, é o que é próprio de nós. Sermos criados de todos, para que nos nossos dias o povo fiel aumente em mérito e número.

Olhai para Maria. Nunca criatura alguma se entregou com mais humildade aos desígnios de Deus. A humildade da ancilla Domini, da escrava do Senhor, é a razão que nos leva a invocá-la como causa nostrae laetitiae, causa da nossa alegria. Eva, depois de pecar por querer, na sua loucura, igualar-se a Deus, escondia-se do Senhor e envergonhava-se: estava triste. Maria, ao confessar-se escrava do Senhor, é feita Mãe do Verbo divino e enche-se de alegria. Que este seu júbilo de boa Mãe se nos pegue a todos nós; que saiamos nisto a Ela - a Santa Maria - e assim nos pareceremos mais com Cristo. (Amigos de Deus, 108-109)

Orações de Maio







A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Doutrina – 534


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
Compêndio



O SACRAMENTO DA UNÇÃO DOS ENFERMOS


317. Quem administra este sacramento?


Só pode ser administrado pelos sacerdotes (Bispos ou presbíteros).

29/05/2020

FILOSOFIA E RELIGIÃO



DESÍGNIOS DE DEUS

Desde o momento em que se inteira destes desígnios, o homem começa a ver Deus com outros olhos, Sabendo que Deus é Pai, o homem descobre-se, como filho e objecto das predilecções divinas. E é assim que na medida em que se' eleva a ideia que se faz de Deus, se eleva também o conceito que do homem se deve fazer.
Em primeiro lugar, por ser a esta luz que o homem descobre quanto vale, e, depois, porque, aprendendo que Deus é Pai, se descobre como filho, e se começa a compreender em que sentido Deus quer que nos consideremos irmãos.

A. Veloso, BROTÉRIA, Vol. LVI, Fasc. 4, 1953, pag. 287

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PENTECOSTES


Quem  é o espírito santo

As minhas memórias de Fátima


O que me liga a Fátima - cc

Repito:

Nesta minha vida de oitenta anos que o Senhor me concedeu viver, Fátima – Nossa Senhora de Fátima -, marcou-me profundamente.

Nem poderia ser de outro modo!

O meu coração, a minha alma vibram com a invocação – constante – da minha Querida Mãe do Céu.

Sem qualquer esforço, vou lá – a Fátima – várias vezes por dia.

Ajoelho-me a seus pés, contemplo a sua Imagem e digo-lhe que a amo com todo o meu ser.

 (AMA, Memórias de Fátima)

Maria procura o Filho que se perdeu


Três dias e três noites procura Maria o Filho que se perdeu... Oxalá possamos dizer, tu e eu, que a nossa vontade de encontrar Jesus também não conhece descanso. (Sulco, 794)


Que dor a de sua Mãe e a de São José, porque - no regresso de Jerusalém - não vinha entre os parentes e amigos! E que alegria a sua, quando o vêem, já de longe, doutrinando os mestres de Israel! Mas reparai nas palavras, aparentemente duras, que saem da boca do Filho, ao responder a sua Mãe: por que me buscáveis?.

Não era razoável que o procurassem? As almas que sabem o que é perder Cristo e encontrá-lo podem compreender isto... Por que me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai? Não sabíeis, porventura, que eu devo dedicar totalmente o meu tempo ao meu Pai celestial?

Este é o fruto da oração de hoje: que nos persuadamos de que o nosso caminhar na terra - em todas as circunstâncias e em todos os momentos - é para Deus; que é um tesouro de glória, uma imagem do Céu; que é, nas nossas mãos, uma maravilha que temos de administrar, com sentido de responsabilidade perante os homens e perante Deus, sem necessidade de mudar de estado, no meio da rua, santificando a nossa profissão ou o nosso ofício, a vida de família, as relações sociais e todas as actividades que parecem à primeira vista só terrenas. (Amigos de Deus, 53-54)

Orações de Maio


CHEIA DE GRAÇA!


O Arcanjo continua a saudação e nós também, na esperança que continues a difundir pelos teus filhos essas graças com que o Senhor te cumulou em sumo grau.


(AMA, meditação sobre a Ave Maria, 2010)




SANTO ROSÁRIO rezar com São João Paulo II


Rezar com São João Paulo II: 

SANTO ROSÁRIO - Ladainha de Nossa Senhora

PAPA SÃO JOÃO PAULO II



Notas: 
1 - Em Latim
2 - Publicação diária durante Maio

LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS


São Marcos

Cap. VII





1 Os fariseus e alguns doutores da Lei vindos de Jerusalém reuniram-se à volta de Jesus, 2 e viram que vários dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar. 3 É que os fariseus e todos os judeus em geral não comem sem ter lavado e esfregado bem as mãos, conforme a tradição dos antigos; 4 ao voltar da praça pública, não comem sem se lavar; e há muitos outros costumes que seguem, por tradição: lavagem das taças, dos jarros e das vasilhas de cobre. 5 Perguntaram-lhe, pois, os fariseus e doutores da Lei: «Porque é que os teus discípulos não obedecem à tradição dos antigos e tomam alimento com as mãos impuras?» 6 Respondeu: «Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. 7 Vazio é o culto que me prestam e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos. 8 Descurais o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens.» 9 E acrescentou: «Anulais a vosso bel-prazer o mandamento de Deus, para observardes a vossa tradição. 10 Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e ainda: Quem amaldiçoar o pai ou a mãe seja punido de morte. 11 Vós, porém, dizeis: "Se alguém afirmar ao pai ou à mãe: ‘Declaro Qorban’ - isto é, oferta ao Senhor - aquilo que poderias receber de mim...", 12 nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe, 13 anulando a palavra de Deus com a tradição que tendes transmitido. E fazeis muitas outras coisas do mesmo género.» 14 Chamando de novo a multidão, dizia: «Ouvi-me todos e procurai entender. 15 Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. 16 Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça.» 17 Quando, ao deixar a multidão, regressou a casa, os discípulos interrogaram-no acerca da parábola. 18 Ele respondeu: «Também vós não compreendeis? Não percebeis que nada do que, de fora, entra no homem o pode tornar impuro, 19 porque não penetra no coração mas sim no ventre, e depois é expelido em lugar próprio?» Assim, declarava puros todos os alimentos. 20 E disse: «O que sai do homem, isso é que torna o homem impuro. 21 Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos, as prostituições, roubos, assassínios, 22 adultérios, ambições, perversidade, má fé, devassidão, inveja, maledicência, orgulho, desvarios. 23 Todas estas maldades saem de dentro e tornam o homem impuro.» 24 Partindo dali, Jesus foi para a região de Tiro e de Sídon. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse, mas não pode passar despercebido, 25 porque logo uma mulher que tinha uma filha possessa de um espírito maligno, ouvindo falar dele, veio lançar-se a seus pés. 26 Era gentia, siro-fenícia de origem, e pedia que lhe da filha o demónio. 27 Ele respondeu: «Deixa que os filhos comam primeiro pois não está bem tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos.» 28 Mas ela replicou: «Dizes bem, Senhor, mas até os cachorrinhos comem debaixo da mesa <as migalhas dos filhos.» 29 «Em atenção a essa palavra, vai: o demónio saiu de tua filha.» 30 Ela voltou para casa e encontrou a menina recostada na cama. O demónio tinha-a deixado. 31 Tornando a sair da região de Tiro, veio por Sídon para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. 32 Trouxeram-lhe um surdo tartamudo e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre ele. 33 Afastando-se com ele da multidão, Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos e fez saliva com que lhe tocou a língua. 34 Erguendo depois os olhos ao céu, suspirou dizendo: «Effathá», que quer dizer «abre-te.» 35 Logo os ouvidos se lhe abriram, soltou-se a prisão da língua e falava correctamente. 36 Jesus mandou-lhes que a ninguém revelassem o sucedido; mas quanto mais lho recomendava, mais eles o apregoavam. 37 No auge do assombro, diziam: «Faz tudo bem feito: faz ouvir os surdos e falar os mudos.»

Comentários:

Como se sabe, os Judeus consideravam – e ainda assim é – que alguns alimentos eram impróprios – impuros – e que Deus não desejava que os tomassem para não ficarem eles próprios contaminados. Jesus Cristo vem explicar claramente que a Lei é, assim, mal interpretada porque, se de facto antigamente se recomendava a abstinência de alguns alimentos, tal se devia a evitar excessos de comida e bebida daí, também, se recomendasse o jejum frequente. Uma “medida profilática” dada a um povo rude e violento, transformou-se numa lei de observância rigorosa e, talvez, caricata. A pureza ou impureza não tem a ver com a limpeza do corpo mas com a brancura da alma e do coração. O que se pensa e deseja no íntimo, só o próprio e Deus o sabem e só a Este haverá que dar contas.
        Aqui está bem expresso que o Senhor não faz acepção de pessoas. As Suas palavras aparentemente duras para a mulher que O interpelava de facto não o são já que esta não estranha o tratamento que lhe é dado. Jesus Cristo quis deliberadamente mostrar aos circunstantes que todo o ser humano tem o mesmo valor intrínseco perante Deus Criador e nem o facto de ter dado – por assim dizer – a primazia ao povo judeu no cumprimento da promessa feita a Abraão é motivo para não atender os que O procuram com Fé e Confiança.
        O Evangelista tem a preocupação de que conste neste relato algo singular: Jesus «tomando-o à parte de entre a multidão»… Porquê o Senhor deseja fazer este milagre com a discrição possível, fora dos olhares dos circunstantes? Talvez por um pormenor: «atravessando o território da Decápole» onde como se sabe, não era bem-vindo. Não obstante, alguns pedem-lhe por um pobre surdo-mudo, que o cure e, o Senhor, não resiste aos pedidos justos. Tal como Deus desistiria do castigo de Sodoma e Gomorra por causa dos justos que Abraão invocava, assim Cristo, por um só filho Seu fará o que Se Lhe pedir.
         Também nós, muitas vezes nos sentimos impelidos a soltar este brado:"Effathá», Senhor abre a minha alma o.meu coração para que possa escutar com clareza as Tuas palavras e escutando entenda e entendendo as ponha em prática. Assim poderei como este que curaste do Seu mal possa agradecer como desejo e louvar-Te como devo.
        Por aqui se vê como é conveniente na oração de petição expormos ao Senhor as razões do nosso pedido e o que pode “advogar” em nosso favor para que Ele no-lo conceda. Mas, o Senhor, não o sabe? Claro que sim, Ele sabe tudo e conhece o que nos vai na alma e as intenções do nosso coração mas, gosta de ser urgido como se precisasse de ser convencido pelos nossos argumentos. Esta prática também nos ajuda a pedir melhor e, sobretudo, a pedir o que realmente precisamos que nos conceda.
        «foi lançar-se a Seus pés» esta, a atitude “normal” do súbdito perante o Senhor, da Criatura perante o Criador. Quando alguém vai ter com outrem para lhe pedir algo importante que atitude toma? Não se lança aos pés de quem o ouve, isso está fora de questão, mas toma uma atitude de respeito e deferência. Ou não? Então quando nos dirigimos a Deus para Lhe pedir algo que julgamos indispensável e decisivo para a nossa vida, a postura que adoptamos deve ser diferente? Será que não vamos muitas vezes com a disposição de lembrar ao Senhor que “tem” de nos dar o que pedimos como se fosse uma Sua obrigação que está por cumprir? Claro, somos filhos de Deus e, os filhos, têm à vontade com os Pais mas, esse à vontade, não significa de modo nenhum menos respeito ou deferência.
Jesus Cristo mostra com evidente clareza que as Suas obras - neste caso os milagres - não são algo automático e estereotipado. Cada pessoa humana é um ser individual a quem o Senhor trata de acordo. Uma simples palavra bastaria como tantas vezes fez: 'fica curado do teu mal'. Mas aqui há como que uma "elaboração" do milagre talvez para consolidar a fé do doente e dos circunstantes. Tudo - absolutamente - que o Senhor faz tem um propósito e um objectivo.
        Não tomemos de menos a tradição como uma das fontes da nossa Fé, da nossa Santa Religião Católica. De facto os nossos Pais e responsáveis de educação deram-nos princípios basilares que não nos deixaram indiferentes. Mesmo que o tenham feito apenas para cumprir uma tradição ou costume o seu efeito não se perde e, tarde ou cedo, virão ao de cima esses princípios e conhecimentos que recebemos na infância.
        Os costumes as tradições que se vão transmitindo de geração em geração constituem para os judeus, autênticas obrigações que não podem deixar de ser levadas em conta. Alguns destes costumes e tradições foram até transformados em leis cada vez mais complexas e minuciosas que eram impostas ao povo sem admitir discussão. Claro que havia nestes procedimentos e interesses de classe, o que Jesus não se cansa de denunciar. Por isso mesmo podemos compreender a sua animosidade a Cristo.
        A impureza é uma “carga” terrível da qual muitos infelizmente não conseguem libertar-se. Talvez seja um dos estados de vida que cria mais hábito e, até, rotina. O que se pratica, diz ou vive vai perdendo a sua verdadeira importância e valor e não tarda a cair-se num “deixar andar” em que de certa maneira tudo é permitido, nada faz mal. O Senhor foi muito claro: «Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus».
        Moisés tinha dado ao povo uma completíssima legislação o que se compreende dada a falta de cultura - pouco mais que nómadas selva­gens - do povo israelita. Com base no Decálogo foi construindo esse acervo legislativo que con­tinha os princípios básicos do indispensável para regular a vida social. Com o tempo, os Doutores da Lei e, principalmente os fariseus, foram “misturando” as coisas levando o povo ignaro a considerar que tudo era a Lei de Deus e, como tal, rigorosamente observado. O erro dos chefes e guias é muito grave porque leva outros a errarem. A Deus o que é de Deus, aos homens o que é dos homens.
        Há comportamentos semelhantes hoje em dia. Quantos progenitores não celebram os Baptizados dos filhos com gran­des festas e aparato e, depois, os deixam como que entregues a si próprios o resto das suas infâncias! A Catequese na Igreja e se há possibilidades económicas, algum esta­belecimento de ensino religioso e… fica-se por aqui a sua preocupação com a educação religiosa da criança. É verdade, que em muitos casos, não se sentem muito à vontade por­que como não observam os Mandamentos e, até, à Missa ao Domingo só se vai de vez em quando, o exemplo que dão aos filhos não sustenta o que possam dizer-lhes.
        Preceitos humanos e obrigações para com Deus, regras de convivência social e normas de relação com o nosso Criador e Senhor. Ambas são necessárias e convém observar, mas as segundas são pri­oritárias; tocam-se em muitos pontos mas não se confundem. Evidentemente não se pode ser bom cristão tendo um comportamento social irregular mas tal não altera aquela escala de prioridades. O Quarto Mandamento vai perdendo a sua importância cada dia que passa. Em lugar de exemplo a seguir, a referência a ter em conta, os Pais, sobretudo quando de idade avançada, constituem um estorvo e en­cargo extra. Alguns – infelizmente em número crescente - esquecem tudo o que os Pais fizeram para lhes proporcionar o que desejavam, o seu apoio nas horas mais sombrias, a sua disponibilidade para perdoar as irreverên­cias, as preocupações com a sua saúde, a solicitude com que atende­ram os seus projectos. A ingratidão é, sempre, uma falta muito feia mas assume especial gra­vidade quando se verifica em relação aos progenitores. Infelizmente o que Jesus recrimina aos que O ouvem, continua a veri­ficar-se hoje em dia: filhos que abandonam os pais quando estes se tornam incómodos porque, achacados pela doença ou outras limita­ções, passam a ser um estorvo na sua vida. Todos os anos, principalmente pelas férias de Verão, centenas de pes­soas são literalmente abandonadas nos hospitais pelos familiares mais próximos – os filhos – que querem ir de férias “descansados” e sem maçadas. Estes procedimentos revelam uma frieza de coração e uma total au­sência de carinho ou ternura pelos progenitores que têm direito a elas, uma falta de respeito por eles, como pessoas em primeiro lugar e como pais em segundo. Merecem sem dúvida, as mesmas invectivas que, neste trecho do Evangelho, Jesus faz aos fariseus e aos escribas, precisamente aqueles que deveriam dar, ao povo, o exemplo nas relações dos filhos com os seus pais.
        Honrar Pai e Mãe é um Mandamento da Lei de Deus. Essa honra que é devida aos progenitores não pode limitar-se em as­segurar a sua velhice de forma mais ou menos confortável e digna. Não cabem as desculpas - infelizmente tão frequentes - que 'a vida de hoje não permite outra coisa... E já é muito. A honra tem a ver com o amor, principalmente com o amor. É preciso fazer sacrifícios, renunciar a alguma coisa? Pois faça-se! Renuncie-se! O nosso Pai do Céu está muito atento à forma como tratamos os nossos pais terrenos. Não esqueçamos que a derradeira “preocupação” de Cristo foi para com a Sua Mãe: ''eis aí a tua Mãe!''
        Ao ler este trecho do Evangelho de S. Marcos talvez alguém se sinta tentado a pensar: ‘isto não é para mim nem para agora, passar-se-ia naquele tempo…’ Nada mais falso. Tudo isto se passa nos dias de hoje e, cada vez com maior frequência. As desculpas e falsos motivos para “despojar” os progenitores, enve­lhecidos, doentes e cansados dos seus legítimos direitos são inúmeras e, sempre, motivadas pelo egoísmo e pela falta de amor aos seus. Um Pai ou uma Mãe, atingidos por Alzheimer, que não dizem coisa com coisa nem são capazes de se “governar sozinhos” é, de facto um pro­blema assim tão diferente daquele com que esse mesmo Pai ou essa mesma Mãe se defrontaram quando, durante os primeiros anos da nossa vida, não articulávamos palavra, não tínhamos coerência de pen­samentos e, muito menos, éramos capazes de nos mantermos sozi­nhos? Sim… com infinita paciência e carinho, ensinaram-nos a falar, corrigi­ram os erros, ajudaram-nos nos primeiros passos cambaleantes, nunca nos faltaram com a sua protecção. Tudo isto porquê? Porque nos amavam? Então… o amor não se paga com amor?
        Jesus Cristo continua a desmistificar a interpretação da Lei de Moisés que os chefes do povo, nomeadamente os Príncipes dos Sacerdotes e os Escribas, se foram atribuindo o direito de impor.O que não passava de normas e recomendações de cariz meramente social, de comportamento básico como a higiene e os cuidados a ter com o próprio corpo, passaram, assim, a ser regras rígidas de carácter religioso cuja observância era obrigatória desvirtuando completamente não só o sentido da Lei mas, o que era mais grave, esquecendo o ver­dadeiramente importante a ter em conta
        Às vezes podemos referir que os ensinamentos de Jesus são algo enig­máticos. Teríamos razão se nos apegarmos às palavras, ao texto do discurso e não ao seu sentido.Mas, neste caso, deste trecho do Evangelho, não podemos dizer tal coisa porque, de facto, ele não poderia ser mais claro e conclusivo. Jesus explica com meridiana clareza que quando o homem deixa que seja o coração a mandar na sua vida, a determinar as emoções, senti­mentos e comportamento, sem que a 'cabeça', o entendimento o regule e comande, corre sério risco de pensar e agir de forma inconveniente e reprovável. A pessoa bem formada, com um carácter sólido não se deixa dominar pelos impulsos do coração mas condiciona-os a uma avaliação criteriosa da sua conveniência.
        É bem de ver a qualidade dos homens que seguiam o Senhor, pouco inteligentes, sem grande instrução e débeis de vontade. Mas isso pouco importa porque têm recta intenção e ausência de pre­conceitos e, mais importante talvez, têm a franqueza sincera e humilde de perguntar o que não sabem de pedir esclarecimentos sobre o que não entendem bem. O que Jesus diz não “resvala” por eles, entranha-se no seu espírito e, depois de informados, cria raiz e frutifica.
        Mais uma vez; Jesus fala sobre o verdadeiro critério que as pessoas que se pretendem com boa intenção devem ter. Não ir atrás de falsos conceitos, promessas ou palavras soltas fora do contexto como tanto gostam de fazer alguns chamados “pregadores” de inúmeras “igrejas” que utilizam as palavras da Lei para manipular à vontade – à sua vontade – os pobres incautos que lhes caem na teia. Deus não poderia nunca fazer algo mal, isto é, que fosse mau para o homem. Quando entregou aos nossos primeiros Pais o domínio sobre a terra e que nela se contém não pôs qualquer limitação no seu uso. (Comer ou não carne de porco terá a ver, apenas, com a decisão pes­soal e nunca como uma regra imposta ou mesmo recomendada por Deus.) Neste caso, a profilaxia, é uma tarefa humana.  Seria o mais completo desrespeito pela liberdade do homem, Deus im­por uma selecção de alimentos permitidos e proibidos. Ora, Deus, que respeita a liberdade da criatura, nunca faria tal coisa. Muitos se arvoram em seus "porta-vozes" preconizando e instituindo regras e condutas que o Senhor nunca expôs. E, isto, serve para tudo, para coisas aparentemente boas ou, pelo menos, inócuas, ou para comportamentos reprováveis e até perigosos. Veja-se essas "seitas" e algumas chamadas "igrejas" que proliferam um pouco por todo o lado algumas das quais advogam o sexo livre e indiscriminado e até a imolação (suicídio) colectivo.
        «Tudo fez bem!» Esta afirmação dos circunstantes traduz uma verdade insofismável: Jesus Cristo é o verdadeiro Filho de Deus e, portanto, todas as Suas obras são perfeitas. Repete-se em Jesus Cristo o que a Bíblia nos conta sobre a Criação quando refere que (Deus) «olhou o que tinha feito e achou que tudo era muito bom» (Gen 1, 26-28.31)
        Quantas vezes esperamos que o Senhor nos diga também a nós: abre-te! Sim. Abre o teu coração ao Meu Amor, a tua inteligência à verdadeira Fé, a tua alma às inspirações do Espírito Santo! Abre-te, todo tu, entrega-me tudo o que tens, os teus desejos e aspi­rações nobres, as tuas ânsias de santidade! Abre-te a Mim e, Eu, te encherei de mais graças para seres mais forte, corajoso, perseverante na oração e fiel na tua amizade por Mim!
        Sabendo que nada foi escrito por acaso e que tudo foi inspirado pelo Espírito Santo, por vezes apetece meditar nas palavras e expressões dos evangelistas que parecem “a mais” no texto ou, talvez, sem grande significado ou relevância. São Lucas diz que Jesus «levantando os olhos ao Céu, suspirou».  O que quer isto dizer? Porque que constam aqui nestas pequenas coi­sas. Quantas vezes, perante algo que de qualquer modo nos incomoda, não fazemos exactamente o mesmo: levantamentos os olhos ao Céu e sus­piramos, como quem diz: ‘Que hei-de fazer? Como hei-de suportar isto? Que remédio?’A humanidade de Jesus revela-se igualmente nestas pequenas coisas, nestes gestos e reacções tão tipicamente humanos. Se o surdo-mudo fosse um homem de fé Jesus tê-lo-ia levado aparte, metido os dedos nos ouvidos, tocado com saliva a língua? Muito provavelmente… não. Estes gestos foram necessários para confirmar a pouca fé do pobre homem e, por respeito por este, faz isto afastado da multidão. Quem procura Jesus para ser curado dos seus males obtém, segura­mente essa cura, mas ela depende da sua fé em Cristo e na sua justiça. O caminho para Cristo é Maria, por isso a temos como especial media­neira que nos leva a seu Filho, endireitando o que está enviesado e “compondo” o que pedimos.
        Porque é que Jesus, nas curas que opera, usa formas diferentes de ac­tuar? Umas vezes limita-se a ordenar e, os enfermos ficam curados; outras toca a pessoa ou deixa que esta toque, pelo menos, o Seu manto; ou ainda, como neste caso - meter os dedos nos ouvidos ou ungir os olhos com lama feita com saliva e terra? Não sabemos a verdadeira razão mas podemos imaginar dois motivos; o primeiro depende da fé daquele que pede a cura: uma fé sólida, firme, absoluta tem uma resposta imediata ao passo que a fé mais débil ou hesitante “obriga” a um procedimento mais demorado exac­ta­mente para fortalecer a fé de quem pede. Isto deve servir-nos de lembrança quando pensarmos que o Senhor não atende o que justamente Lhe solicitamos. Talvez á nossa oração falte essa fé firme, inabalável que “leve” o Se­nhor a conceder sem de­mora o que pedimos. Além disso, ter-mos presente que, tal como neste trecho do Evangelho, a nossa fé deve bastar para levarmos os outros, mesmo que a sua fé seja débil, ao encontro com Cristo. Ele saberá o que fazer
        Parece que algumas pessoas - algumas com responsabilidade especí­fica na orientação dos fiéis da Igrejas Católica - têm alguma dificuldade em "lidar" com as curas de Jesus, sobretudo aquelas que opera sobre possessos do demónio como abundantemente se refere nos Evange­lhos. Parece haver falso pudor ou, talvez, medo de chamar as coisas pelo seu nome. É, pois, preciso ter claro que nenhuma palavra dos Evangelhos foi usada por acaso ou com simbolismo. Não! O que se lê no Evangelho é a palavra de Deus e, Ele, é a Verdade, logo não pode haver nem dúvidas nem “interpretações” do que lá consta.
        Jesus Cristo diz sempre as palavras certas, chama as coisas pelo seu verdadeiro nome. Não procura agradar a quem O ouve mas tão só dizer, expor, a verdade tal como ela é. Assim, chama Demónio ao espírito imundo que possuía a jovem, como o Evangelho relata. Logo, o Demónio existe!
        A falsa humildade é, muitas vezes o que nos impede de nos aproximar-mos de Jesus com confiança. É verdade que somos pouca coisa e indignos de falar directamente com Deus mas, ao converter-nos em Seus filhos pela Sua Paixão, Morte e Ressurreição, Cristo deu-nos esse direito e quer que o exerçamos com confiança. Disse-nos com toda a clareza para pedir-mos o que julgar-mos precisar. Ele, na Sua infinita sabedoria, dar-nos-á aquilo que nos convém.
        O pão dos filhos! Claro que, eles, estão em primeiro lugar nas preocupações que por eles sentimos e na assistência que lhes devemos prestar. Mas esta evidência que é natural e legítima não deve nem pode fazer com que desprezemos os outros e que não estejamos igualmente atentos às suas necessidades que está na nossa mão resolver ou, de alguma forma minimizar.
        «Effathá», abre-te! E, a estas palavras, abriram-se os ouvidos do surdo! Muitas vezes esperamos por algo semelhante, a exclamação que nos desperte da nossa modorra, um gesto que nos urja a levantarmo-nos do nosso torpor e a seguir o caminho, enfim, algo que nos entusiasme, nos anime e faça decidir a continuar o caminho traçado. E, algumas vezes, nada disto acontece, ou melhor, não nos damos conta que aconteça, de tal forma estamos absorvidos com os nossos próprios problemas e as soluções que procuramos para os mesmos. Entregamo-nos com ardor e pertinácia na busca dessas soluções, desses remédios e descuramos o que está mesmo à nossa frente, ao nosso alcance. Ele que nos diz, «Effathá», não nos deixa nunca, não se afasta e, quando nos afastamos – porque somos nós que nos afastamos – espera pacientemente que retrocedamos sobre os nossos passos e nos deixemos curar pela Sua ciência de Médico Divino.
        As normas que se referem neste trecho do Evangelho, foram instituídas por Moisés para um povo pouco menos que selvagem e primitivo. Como muitas outras tratavam-se códigos de conduta social destinadas a levar o povo a um patamar mais elevado de educação comportamental. Por conveniência os chefes do povo foram convertendo estes códigos em lei religiosa que tinha de ser estritamente observada. Assim dominavam e exerciam poder sobre os seus concidadãos por quem não tinham outra preocupação motivada pela misericórdia e solidariedade.
        Por várias vezes os comentários sobre estas atitudes dos fariseus e chefes do povo referem  a falta de critério e honradez intelectual de que amiúde davam mostras. Teremos de fazer um esforço para compreender que, apesar de tudo, manifestam coerência. Louva-se a sua atitude? Evidentemente não mas consideremos que embora eles não tenham essa intenção, as reacções e respostas de Jesus a estas manifestações contribuem para o esclarecimento do povo e a afirmação da doutrina verdadeira. E teremos de concluir que, de um “mal” aparente, o Senhor, tira sempre um bem verdadeiro.
        Talvez a hipocrisia seja um dos defeitos que Jesus mais aponta aos Fariseus e Escribas. Porque ama a simplicidade, não sabe o que há-de fazer com men­tes retorcidas, calculistas, preconceituosas. Ser simples – simples como as crianças – é a virtude que Cristo mais sublinha e inúmeras vezes de forma muito radical, diria. Afirma inclusive, que se não formos simples como as crianças não teremos lugar no Reino de Deus. Ouvi muitas vezes o meu querido Pai afirmar: ‘um homem deve ser igual a si mesmo’. Em pequeno, não percebia muito bem o que isto queria dizer, mas hoje sei que, o que quer dizer, é o mesmo que Jesus afirma: Sede homens de sim, sim, não, não. Não podemos ser outra coisa, sob pena de não ser-mos credíveis, sérios, aceites pelos outros e, sobretudo, pelo Senhor que nos quer como filhos autênticos, em quem pode e quer confiar não obstante - e apesar de – todos os nossos defeitos e imperfeições.
        Esta passagem do Evangelho sublinha ainda a repulsa que Jesus sente por tudo quanto é preconceituoso, excessivo, e escrupuloso no cum­primento da Lei divina. Pôr a forma, o conteúdo à frente do coração, do desejo de cumprir. O que O Senhor quer e deseja é Filhos Seus autênticos e verdadeiros, que pratiquem uma fé escorreita e sincera, sem se refugiarem atrás e pormenores que não passam disso mesmo. Alegria, sinceridade, disponibilidade é o que é preciso para cumprir as nossas obrigações de cristãos. Ouve-se por vezes ‘eu cá não vou à Missa no Domingo... pois se eu não sinto nada é melhor não ir do que fingir...’  Falsa razão. Ninguém vai à Missa para "sentir" seja o que for, vai-se à Missa, para participar no Sacramento divino, para, ao cumprir um preceito, dar glória e honra a Deus. A prática da fé não é um sentimento, uma tradição, um hábito... não... a prática da fé é, antes de mais, uma obrigação e uma necessidade; obrigação de, como filhos de Deus, honrar o nosso Pai; uma necessi­dade, porque precisamos do alimento da frequência dos Sacramentos, da vida de piedade, da oração.
        O Quarto Mandamento, que é também de direito natural, requer de todos os homens, mas especialmente daqueles que querem ser bons cristãos, a ajuda abnegada e cheia de carinho aos pais, que se realiza todos os dias em mil pequenos detalhes e ganha particular relevo quando os progenitores são anciãos ou estão mais necessitados. (cfr. Conc. Vat. II, Const. Gadium et spes, 48)