Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
30/05/2020
LEITURA ESPIRITUAL
São Marcos
Cap. VIII
1 Naqueles dias, havia outra vez uma
grande multidão e não tinham que comer. Jesus chamou os discípulos e disse: 2 «Tenho
compaixão desta multidão. Há já três dias que permanecem junto de mim e não têm
que comer. 3 Se os mandar embora em jejum para suas casas, desfalecerão no
caminho, e alguns vieram de longe.» 4 Os discípulos responderam-lhe: «Como
poderá alguém saciá-los de pão, aqui no deserto?» 5 Mas Ele perguntou: «Quantos
pães tendes?» Disseram: «Sete.» 6 Ordenou que a multidão se sentasse no chão e,
tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e dava-os aos seus discípulos para
eles os distribuírem à multidão. 7 Havia também alguns peixinhos. Jesus
abençoou-os e mandou que os distribuíssem igualmente. 8 Comeram até ficarem
satisfeitos, e houve sete cestos de sobras. 9 Ora, eram cerca de quatro mil.
Despediu-os 10 e, subindo logo para o barco com os discípulos, foi para os
lados de Dalmanuta. 11 Apareceram os fariseus e
começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do céu para o pôr à prova. 12
Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em
verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta geração.» 13 E,
deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem. 14 Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só
traziam um pão no barco. 15 Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai
cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.» 16 E eles
discorriam entre si: «Não temos pão.» 17 Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque
estais a discorrer que não tendes pão? Ainda não entendestes nem
compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido? 18 Tendes olhos e não vedes,
tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais 19 de quantos cestos cheios de
pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?»
Responderam: «Doze.» 20 «E quando parti os sete pães para os quatro mil,
quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.» 21 Disse-lhes
então: «Ainda não compreendeis?» 22 Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe um
cego, pedindo-lhe que o tocasse. 23 Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para
fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou:
«Vês alguma coisa?» 24 Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens;
vejo-os como árvores a andar.» 25 Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos
sobre os olhos e ele viu perfeitamente; ficou restabelecido e distinguia tudo
com nitidez. 26 Jesus mandou-o para casa, dizendo: «Nem sequer entres na
aldeia.» 27 Jesus partiu com os discípulos para as aldeias de Cesareia de
Filipe. No caminho, fez aos discípulos esta pergunta: «Quem dizem os homens que
Eu sou?» 28 Disseram-lhe: «João Baptista; outros, Elias; e outros, que és um
dos profetas.» 29 «E vós, quem dizeis que Eu sou?» - perguntou-lhes. Pedro
tomou a palavra, e disse: «Tu és o Messias.» 30 Ordenou-lhes, então, que não
dissessem isto a ninguém. 31 Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do
Homem tinha de sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos
sacerdotes e pelos doutores da Lei, e ser morto e ressuscitar depois de três
dias. 32 E dizia claramente estas coisas. Pedro, desviando-se com Ele um pouco,
começou a repreendê-lo. 33 Mas Jesus, voltando-se e olhando para os discípulos,
repreendeu Pedro, dizendo-lhe: «Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus
pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens.» 34 Chamando a si a
multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após
mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 35 Na verdade, quem quiser
salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim
e do Evangelho, há-de salvá-la. 36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo
inteiro, se perder a sua vida? 37 Ou que pode o homem dar em troca da sua vida?
38 Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração
adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier
na glória de seu Pai, com os santos anjos.»
Comentários:
Mais
uma vez falamos de sinais que é – digamos – “a pedra de toque” usada pelos
Escribas e Fariseus para, por assim dizer, pôr à prova quanto Jesus Cristo diz
e faz. Mas, a verdade, é que nunca chegam a dizer que sinais são esses que
pretendem e, isto, porque não sabem que sinais pedir. Ou, talvez, não queiram
“arriscar” pedindo um sinal qualquer por mais extraordinário ou complexo que
pudesse ser com receio que o Senhor resolva aceitar o que Lhe pedem. Nesse
caso, não haveria outra solução que aceitarem de uma vez por todas o que negam
com tanta veemência. É lícito, portanto, aduzir que sabem muito bem o poder
divino que tudo pode que, de facto, Jesus Cristo detém. Sem o desejarem fazem
uma autêntica profissão de fé aparentando, no entanto, que têm sobejas razões
para duvidar. Toda esta postura é, no mínimo, desonesta e não se pode aceitar.
Um
sinal do céu? Mas o que é um sinal do céu? Não será o próprio céu e tudo quanto
nele e sob ele existe? Não vemos a obra de Deus a Criação extraordinária de
beleza, ordem, complexidade magistral? Então?
Muitos
pedem “sinais” aduzindo que precisam deles para acreditar. Mas… que sinais? Se
não conseguem ver os numerosos, abundantes, sinais que Deus vai dando
gratuitamente ao longo das nossas vidas, como conseguiriam ver ou distinguir
outros quaisquer. Mais: além de tentarem Deus – o que é um pecado grave –
mostram uma desonestidade intelectual gritante que nada convencerá ou será
alguma vez suficiente para os satisfazer.
Francamente
não me apetece comentar este trecho de São Marcos mas não tenho escolha, nem
sequer, opção. O Evangelho é, todo ele, para ler (ou ouvir) e meditar e devemos
– devo – fugir à tentação de repulsa ou animosidade por estes fariseus que se
encarniçam até ao inconcebível contra o Senhor. Era necessário que assim
acontecesse até porque estas atitudes davam oportunidade ao Senhor para, com
infinita paciência, “pôr as coisas no seu devido lugar” respondendo não para
humilhação dos fariseus – que na realidade não estavam interessados nas
respostas de Cristo – mas para doutrinar o povo humilde e anónimo que O seguia
e ouvia. E, a verdade é que, por várias vezes muitos diziam que nunca tinham
ouvido alguém falar assim, com tal autoridade e clareza. Como é tão claro: de
um mal aparente, o Senhor tira sempre algo bom!
Será
então necessário morrer para ganhar a Vida Eterna? Temos de considerar as
palavras de Cristo pelo seu significado e não pelo que traduzem e assim
compreenderemos que de facto é necessário morrer não para a vida do mundo, mas
para a vida mundana para conseguir alcançar o Reino de Deus. Há de facto uma
escolha a fazer: seguir Cristo ou não! Mas, se a escolha for – como deve ser –
segui-lo teremos de o fazer com plena consciência e entrega com os pés na
terra, sem dúvida, mas com o coração no Céu!
São
Marcos refere que Jesus «dizia claramente
estas coisas». Mas, além de falar claramente deveria ser, ao mesmo tempo,
convincente de tal modo que levou Pedro à reacção que não pôde guardar para si.
O amor de Pedro por Jesus não “pode admitir” que aconteça o que Ele lhes
anuncia. É um sentimento nobre e expressivo que “choca” com uma realidade que
não consegue abarcar. Ele, Pedro, só vê à sua frente a figura de Jesus, não
percebe que vê – também – Cristo, o Filho de Deus feito homem! Pode parecer,
por momentos, que o Senhor poderia ter sido mais “brando” ou “compreensivo” com
este Seu amigo mas, as palavras que profere mantêm-se na linha anterior: «dizia claramente estas coisas». E, aos
poucos, Pedro irá guardando no seu coração todas estas coisas e,
inevitavelmente, há-de chegar ao ponto de confessar – também claramente – quem
é Jesus Cristo.
Neste
trecho de São Marcos ficamos a saber algo importante: Jesus confirma duas
multiplicações de pães e de peixes. Milagres extraordinários que deveriam ter
deixado os discípulos “esmagados” com a prova do poder divino de Jesus. E, no
entanto, São Pedro terá insistido com São Marcos para que fizesse constar no
Evangelho esta ocorrência que relata e põe a nu a fraqueza da fé dos Apóstolos,
as suas dúvidas e insegurança. Como devemos estar gratos ao Príncipe dos
Apóstolos e ao Evangelista darem-nos este exemplo de humildade em que se
revelam homens comuns – como nós – sem nenhuns predicados nem conhecimentos
especiais.
O
relato de São Marcos, revela bem a debilidade e falta de discernimento dos
Apóstolos. São homens simples e práticos se se atêm às realidades visíveis e se
mostram incapazes de “ver mais além”. O Senhor conhece muito bem os que Ele
próprio escolheu e que com o passar dos dias na Sua convivência diária,
testemunhando milagres e ouvindo a Sua doutrina, acabarão por adquirir uma fé
forte, resistente e indestrutível. Quanto ao resto – a compreensão de tudo isto
– virá mais tarde com a vinda do Espírito Santo e, a partir daí, as suas mentes
ficarão totalmente esclarecidas e solidamente instruídas tornando-os capazes de
cumprir a Missão para a qual os destinou: Propagar o Reino de Deus por toda a
terra.
Não
posso deixar de sentir um carinho muito especial por Pedro. Tão depressa é
louvado e bem-dito pelo Senhor como merece a Sua reprovação contundente. Pedro
é um homem verdadeiro, com o coração nas mãos, a palavra que não retém, o
impulso que o leva a assumir atitudes, por vezes, drásticas – como no Horto das
Oliveiras atacando à espada os que vinham prender o Mestre – e, ao mesmo tempo,
um homem frágil, medroso – como quando tem medo do mar revolto pelo vento
impetuoso e pede ao Senhor que lhe estenda a mão – e, cobarde como quando nega
por três vezes, no pátio de Caifás, conhecer Jesus. Em tudo, me parece, que me
pareço com Pedro com as minhas dúvidas, hesitações, impulsos de amor e, ao
mesmo tempo, negando, mentindo, fugindo. Que me dera parecer-me com o Príncipe
dos Apóstolos também no meu serviço total e sem condições e levar para frente –
apesar do nada que sou – os planos que o Senhor tem para a minha vida.
Uma e outra vez – sempre – devemos repetir actos de
Fé, pedir ao Senhor que a fortaleça a vivifique, que não deixe que ela esmoreça
e, eventualmente, se apague, pelas dificuldades e obstáculos que se vão
interpondo na nossa vida. Com uma Fé forte, escorreita sem titubeios, teremos
uma visão clara do que nos interessa ver e não sombras mais ou menos esfumadas
da realidade.
O Senhor tem
atitudes que nos suscitam interrogações. Porque é que, neste caso que o
Evangelista relata, conduziu o cego para fora da aldeia? Não queria que os
circunstantes assistissem ao milagre que estava a ponto de realizar? Talvez
procurasse o recato de um encontro a sós com o cego que, sabia, tinha uma fé
débil que precisava ser fortalecida. Dar a visão a um cego é, sem dúvida, um
milagre extraordinário, mas consolidar a pouca fé que este tinha é um bem
incomensuravelmente maior.
«Alguns vieram de longe», diz o Senhor. Para
nós que O temos tão perto dá-nos que pensar como tantas vezes cedemos à
tentação de não participar na Missa dominical só porque temos de sair do
conforto de nossa casa ou porque está a chover ou... E se fizemos algum
sacrifício o que tem de mais? Será que O Senhor não o merece?
Este
extraordinário - podemos dizer espectacular - milagre, continua a realizar-se todos os dias, várias vezes, em
diferentes lugares desta terra. Na Santa Missa Jesus distribui alimento - que é
Ele próprio - a multidões de seres humanos que O procuram famintos de
amor e vida. Amor que é o próprio Deus que Se dá; Vida que é o penhor de
eternidade na Hóstia consagrada. Não compreendemos, não atingimos a dimensão e
a grandeza deste milagre. Veneramos o Corpo do Senhor e recebêmo-lo com toda a
compunção, respeito e gratidão que somos, pobres de nós homens fracos e débeis,
capazes sabendo que não somos dignos, mas que Ele próprio quer, deseja
ardentemente ser o nosso alimento, a nossa força, a nossa vida.
Os
Evangelistas diferem nalguns detalhes na descrição deste milagre. Parece, pois,
que Jesus deverá ter feito mais que uma vez este prodígio da multiplicação de
pães e peixes por numerosas multidões. Seja como for o que se revela de forma
claríssima é a compaixão e cuidado do Senhor pelos que O seguem pelos caminhos
da Palestina. Claro que, também se evidencia que o desejo, afã, das gentes, em
ouvir o que Jesus tem para lhes dizer, é de tal forma absorvente que parece que
as preocupações com as mais elementares necessidades – como o alimento – ficam
como que em segundo plano. Há no ambiente que cerca o Senhor um “clima” de reverência
e confiança e, estes milagres, só vêm “reforçar”, por assim dizer, essa fé e
confiança na pessoa de Cristo e no Seu poder divino.
Podemos
interrogar-nos como é possível que perante um milagre deste “calibre” ainda
restassem alguns que se recusavam a admitir a divindade de Jesus Cristo. Mas é
verdade e o mais triste é que ainda hoje é verdade que perante os milagres da
vida de todos os dias que o Senhor vai prodigalizando às “mãos cheias” há quem
negue e não acredite ou fique indiferente. E perguntamos o que vão fazer a
Fátima os milhões de pessoas que todos os anos ali se deslocam? Vão ver o quê?
Querem que prova ou benefício em favor próprio ou alheio? E acreditam de facto
que, se o Senhor quiser, por instâncias da Sua e nossa Santíssima Mãe,
satisfazer esses desejos, atender a essas súplicas o poderá fazer? Não se
trata, antes, de uma propaganda bem urdida de modo a levar os incautos a
acreditar no impossível? Mas, na verdade, quantos desses que ali vão com esses
sentimentos, não regressam como que transformados, “virados do avesso”, como
tantos acabam por confessar. E, estejamos certos, estes são os maiores milagres
que o Senhor opera nas almas e nos corações.
SANTO ROSÁRIO rezar com São João Paulo II
Rezar com São João Paulo II:
SANTO ROSÁRIO - Ladainha de Nossa Senhora
As minhas memórias de Fátima
Sim, vou a Fátima constantemente, atraído pela Doçura,
pela Paz, pelo Amor filial.
E, ali, serenamente, com confiança total de filho
pequeno, digo-lhe:
Monstra te esse
matrem!
Sim, mostra que és Mãe, minha Mãe.
Como, apesar de tudo quanto não sou e
deveria ser, tu és minha Mãe e me queres, e me proteges, e desejas a minha
felicidade aqui na terra e, depois, no Céu.
Monstra
te esse matrem!
Ajuda-me também a mostrar-me como teu
filho, a comportar-me, a conduzir a minha vida como teu filho, e, sobretudo: Recordare Virgo Mater Dei, dum steteris in
conspectu Domini et loquaris pro me bona.
Ámen.
(AMA,
Memórias de Fátima)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.
Lembrar-me:
Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.
Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Orações sugeridas:
LEITURA ESPIRITUAL
São João
Cap. VII
1 Depois
disto, Jesus continuava pela Galileia, pois não queria andar pela Judeia, visto
que os judeus procuravam matá-lo. 2 Estava próxima a festa judaica das Tendas.
3 Disseram-lhe então os seus irmãos: ‘Vai para a Judeia, a fim de os teus discípulos
verem as obras que fazes. 4 Pois ninguém faz nada às escondidas, se pretende
tornar-se conhecido. Se fazes coisas destas, mostra-te ao mundo.’ 5 Com efeito,
nem sequer os seus irmãos criam nele. 6 E Jesus disse-lhes: Para mim ainda não
chegou o momento oportuno; mas, para vós, qualquer oportunidade é boa. 7 O
mundo não pode odiar-vos; a mim, porém, odeia-me, porque sou testemunha de que
as suas obras são más. 8 Ide vós à festa. Eu é que não vou a essa festa, porque
o tempo que me está marcado ainda não se completou. 9 Depois de dizer isto,
continuou na Galileia. 10 Contudo, depois de os seus irmãos partirem para a
festa, Ele partiu também, não publicamente, mas quase em segredo. 11 Por isso,
durante a festa, os judeus procuravam-no e perguntavam: ‘Onde é que Ele está?’
12 E havia entre o povo grande murmuração a seu respeito. Uns diziam: ‘É um
homem de bem’. Outros, porém, afirmavam: ‘Não; o que Ele anda é a desencaminhar
o povo!’ 13 No entanto, ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus. 14
Já a festa ia a meio, quando Jesus subiu ao templo e se pôs a ensinar. 15 Os
judeus assombravam-se e diziam: ‘Como é que este é letrado, se não estudou?’ 16
Então, Jesus respondeu-lhes, dizendo: A minha doutrina não é minha, mas daquele
que me enviou. 17 Se alguém está disposto a fazer a vontade dele, é capaz de
ajuizar se a doutrina procede de Deus, ou se Eu falo por minha conta. 18 Quem
fala por sua conta procura a sua glória pessoal; mas, quem procura a glória
daquele que o enviou, esse é verdadeiro e nele não há impostura. 19 Porventura
Moisés não vos deu a Lei? No entanto, nenhum de vós cumpre a Lei. Porque me
quereis matar? 20 Respondeu aquela gente: ‘Tu tens o demónio. Quem é que te
quer matar?’ 21 Jesus replicou-lhes: Eu realizei uma única obra e todos estão
assombrados. 22 Porque Moisés vos deu a lei da circuncisão - não é que ela
venha de Moisés, mas dos Patriarcas - circuncidais um homem mesmo ao sábado. 23
Se um homem recebe a circuncisão ao sábado, para não ser violada a Lei de
Moisés, podereis indignar-vos comigo por ter curado completamente um homem ao
sábado? 24 Não julgueis pelas aparências; julgai com um juízo recto. 25 Então,
alguns de Jerusalém comentavam: ‘Não é este a quem procuravam, para o matar? 26
Vede como Ele fala livremente e ninguém lhe diz nada! Será que realmente as
autoridades se convenceram de que Ele é o Messias? 27 Mas nós sabemos donde Ele
é, ao passo que, quando chegar o Messias, ninguém saberá donde vem. 28 Entretanto,
Jesus, ensinando no templo, bradava: Então sabeis quem Eu sou e sabeis donde
venho?! Pois Eu não venho de mim mesmo; há um outro, verdadeiro, que me enviou,
e que vós não conheceis. 29 Eu é que o conheço, porque procedo dele e foi Ele
que me enviou. 30 Procuravam, então, prendê-lo, mas ninguém lhe deitou a mão,
pois a sua hora ainda não tinha chegado. 31 Porém, dentre o povo, muitos creram
nele e comentavam: ‘Quando vier o Messias, será que há-de realizar mais sinais
miraculosos do que este?’ 32 Tal comentário do povo a respeito dele chegou aos ouvidos
dos fariseus. Então, os sumos sacerdotes e os fariseus mandaram guardas para
prenderem Jesus. 33 Entretanto, Jesus começou a dizer: Já pouco tempo vou ficar
convosco, pois irei para aquele que me enviou. 34 Haveis de procurar-me, mas
não me encontrareis, e não podereis ir para o lugar onde Eu estiver. 35 Os
judeus, por isso, disseram entre si: ‘Para onde tenciona Ele ir, que não o
possamos encontrar? Tenciona ir até aos que estão dispersos entre os gregos
para pregar aos gregos? 36 Que significam estas palavras que Ele disse: Haveis
de procurar-me, mas não me encontrareis, e não podereis ir para o lugar onde Eu
estiver?’ 37 No último dia, o mais solene da festa, Jesus, de pé, bradou: Se
alguém tem sede, venha a mim; e quem crê em mim que sacie a sua sede! 38 Como
diz a Escritura, hão-de correr do seu coração rios de água viva. 39 Ora Ele
disse isto, referindo-se ao Espírito que iam receber os que nele acreditassem;
com efeito, ainda não tinham o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido
glorificado. 40 Então, entre a multidão de pessoas que escutaram estas
palavras, dizia-se: ‘Ele é realmente o Profeta.’ 41 Diziam outros: ‘É o Messias.’
Outros, porém, replicavam: ‘Mas pode lá ser que o Messias venha da Galileia?!
42 Não diz a Escritura que o Messias vem da descendência de David e da cidade
de Belém, donde era David? 43 Deste modo, estabeleceu-se um desacordo entre a
multidão, por sua causa. 44 Alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe
deitou a mão. 45 Depois os guardas voltaram aos sumos sacerdotes e aos
fariseus, que lhes perguntaram: ‘Porque é que não o trouxestes?’ 46 Os guardas
responderam: ‘Nunca nenhum homem falou assim!’ 47 Replicaram-lhes os fariseus: ‘Será
que também vós ficastes seduzidos? 48 Por ventura acreditou nele algum dos
chefes, ou dos fariseus? 49 Mas essa multidão, que não conhece a Lei, é gente
maldita!’ 50 Nicodemos, aquele que antes fora ter com Jesus e que era um deles,
disse-lhes: 51 ‘Porventura permite a nossa Lei julgar um homem, sem antes o
ouvir e sem averiguar o que ele anda a fazer?’ 52 Responderam-lhe eles: ‘Também
tu és galileu? Investiga e verás que da Galileia não sairá nenhum profeta.’ 53 E
cada um foi para sua casa.
Comentários:
Não se
pode comentar textos do Evangelho escrito por São João sem ter como que uma
visão de conjunto porque, de facto, o Evangelista, dedica todo um capítulo à
última viagem de Jesus a Jerusalém antes da Sua Paixão e Morte. Os discursos de
Jesus como que se entrelaçam nas perguntas e respostas que se vão sucedendo,
sempre com o objectivo claro de afirmar a Sua origem, a Sua Divindade. Os
argumentos - muitas vezes acompanhados de milagres - sucedem-se num ritmo cada vez mais forte e
incisivo, como se o Senhor estivesse a oferecer uma "última
oportunidade" aos que não O aceitam ou se fecham em preconceitos e falhas
premissas.
Vamos assistindo ao longo deste
Capítulo VII do Evangelho escrito por São João, a como que um “crescendo
dramático” do confronto entre Jesus e os chefes do povo. Estes fecham-se
obstinadamente nos seus critérios e tradições e recusam qualquer hipótese de
avaliar – sequer - se haverá alguma verdade no que Cristo diz e faz. Não é de
todo honesto, sobretudo de quem pretende ser dirigente de outros, não estudar,
obter todas as informações possíveis sobre algo que se apresenta como novo –
talvez insólito – mas que apoiado em obras constatáveis, milagres
extraordinários, deveria merecer, pelo menos, alguma atenção. Talvez que, na
verdade, soubessem intimamente muito mais do que deixavam transparecer e, portanto,
saberiam que a “sua época” estava ultrapassada e que uma “nova ordem” estava a
chegar e seria imparável. Motivos políticos? Também, seguramente. Misturar
religião e fé com política nunca dá bom resultado: «A Deus o que é de Deus, a César o que é de César».
Continuará
sempre um mistério o motivo que terá levado Jesus a nunca esclarecer a Sua
origem, o local do seu nascimento. Parece evidente que o Senhor não queria que
acreditassem nele por outros motivos que não fossem uma sã vontade de esclarecer
o que não sabiam. A verdade é que sabemos que nem na "sua terra",
Nazaré, o acolhimento foi diferente, talvez porque conheciam bem as Suas
origens.
A má fé e os preconceitos condicionam sempre as boas disposições interiores. Como quando rezarmos devemos fazê-lo mais para ouvir que para ser ouvidos, ou seja, dispostos a ouvir, compreender, aceitar e pôr em prática o que Deus nos sugere, em vez da nossa vontade, os nossos desejos ou conveniências, o que Ele quer, o que Ele prefere, o que Ele propõe.
A má fé e os preconceitos condicionam sempre as boas disposições interiores. Como quando rezarmos devemos fazê-lo mais para ouvir que para ser ouvidos, ou seja, dispostos a ouvir, compreender, aceitar e pôr em prática o que Deus nos sugere, em vez da nossa vontade, os nossos desejos ou conveniências, o que Ele quer, o que Ele prefere, o que Ele propõe.
Os
chefes do povo fazem uma afirmação terrível considerando o povo comum e anónimo
como ‘malditos porque não conhecem a Lei’. E como hão-de conhecê-la com tais
mestres? Estes até podem conhecer a Lei, mas como não a praticam de pouco lhes vale.
Quem serão, pois, “os malditos”?
Há uma frase neste texto de São João - «30 Procuravam então prender Jesus, mas ninguém Lhe deitou a mão, porque
ainda não chegara a sua hora.» -
que deixa bem claro que Jesus Cristo Se entrega à morte por Sua única e
exclusiva vontade. Faz o dom da Sua vida para redenção e salvação dos homens. Com
respeito a Cristo, nada nem ninguém pode fazer o quer que seja sem o Seu
expresso consentimento e por mais que se encarnicem os Seus perseguidores de
ontem e de hoje nada conseguirão. Nosso Senhor, que é dono da vida e da morte
tem a vontade suprema e final sobre todas as coisas.
Não há
pior conduta que a que se deixa guiar pelos preconceitos. Estes como que
impedem o simples raciocínio, claro e honesto, condicionam fortemente e impedem
ver e escutar. Quem não raciocina, não vê, nem escuta e nunca poderá conhecer a
verdade e, portanto, de acreditar. E muito menos tem qualquer autoridade para
ensinar outros o que eles próprios julgam saber.
Auxílio dos cristãos
"Auxilium christianorum!", Auxílio
dos cristãos!, reza com plena segurança a ladainha loretana. Já experimentaste
repetir essa jaculatória nos teus transes difíceis? Se o fizeres com fé, com
ternura de filha ou de filho, verificarás a eficácia da intercessão da tua Mãe
Santa Maria, que te levará à vitória. (Sulco,
180)
É a hora de recorreres à tua Mãe bendita do Céu,
para que te acolha nos seus braços e te consiga do seu Filho um olhar de
misericórdia. E procura depois fazer propósitos concretos: corta de uma vez,
ainda que custe, esse pormenor que estorva e que é bem conhecido de Deus e de
ti. A soberba, a sensualidade, a falta de sentido sobrenatural aliar-se-ão para
te sussurrarem: isso? Mas se se trata de uma circunstância tonta,
insignificante! Tu responde, sem dialogar mais com a tentação: entregar-me-ei
também nessa exigência divina! E não te faltará razão: o amor demonstra-se
especialmente em coisas pequenas. Normalmente, os sacrifícios que o Senhor nos
pede, os mais árduos, são minúsculos, mas tão contínuos e valiosos como o bater
do coração.
Quantas mães conheceste como protagonistas de um
acto heróico, extraordinário? Poucas, muito poucas. E contudo, mães heróicas,
verdadeiramente heróicas, que não aparecem como figuras de nada espectacular,
que nunca serão notícia - como se diz - tu e eu conhecemos muitas: vivem
sacrificando-se a toda a hora, renunciando com alegria aos seus gostos e
passatempos pessoais, ao seu tempo, às suas possibilidades de afirmação ou de
êxito, para encher de felicidade os dias dos seus filhos. (Amigos de Deus, 134)
Servir, meus filhos, é o que é próprio de nós
No meio do júbilo da festa, em Caná, só Maria nota a
falta de vinho... Até aos mais pequenos pormenores de serviço chega a alma
quando vive, como Ela, apaixonadamente atenta ao próximo, por Deus. (Sulco, 631)
Servir, servir, filhos meus, é o que é próprio de
nós. Sermos criados de todos, para que nos nossos dias o povo fiel aumente em
mérito e número.
Olhai para Maria. Nunca criatura alguma se entregou
com mais humildade aos desígnios de Deus. A humildade da ancilla Domini, da
escrava do Senhor, é a razão que nos leva a invocá-la como causa nostrae
laetitiae, causa da nossa alegria. Eva, depois de pecar por querer, na sua
loucura, igualar-se a Deus, escondia-se do Senhor e envergonhava-se: estava
triste. Maria, ao confessar-se escrava do Senhor, é feita Mãe do Verbo divino e
enche-se de alegria. Que este seu júbilo de boa Mãe se nos pegue a todos nós;
que saiamos nisto a Ela - a Santa Maria - e assim nos pareceremos mais com
Cristo. (Amigos de Deus, 108-109)
Orações de Maio
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.
Doutrina – 534
Compêndio
O SACRAMENTO DA UNÇÃO DOS
ENFERMOS
317.
Quem administra este sacramento?
Só
pode ser administrado pelos sacerdotes (Bispos ou presbíteros).
29/05/2020
FILOSOFIA E RELIGIÃO
DESÍGNIOS DE DEUS
Desde
o momento em que se inteira destes desígnios, o homem começa a ver Deus com
outros olhos, Sabendo que Deus é Pai, o homem descobre-se, como filho e objecto
das predilecções divinas. E é assim que na medida em que se' eleva a ideia que
se faz de Deus, se eleva também o conceito que do homem se deve fazer.
Em
primeiro lugar, por ser a esta luz que o homem descobre quanto vale, e, depois,
porque, aprendendo que Deus é Pai, se
descobre como filho, e se começa a compreender em que sentido Deus quer que nos
consideremos irmãos.
A. Veloso, BROTÉRIA, Vol.
LVI, Fasc. 4, 1953, pag. 287
As minhas memórias de Fátima
Repito:
Nesta minha vida de oitenta anos que o Senhor me concedeu
viver, Fátima – Nossa Senhora de Fátima -, marcou-me profundamente.
Nem poderia ser de outro modo!
O meu coração, a minha alma vibram com a invocação –
constante – da minha Querida Mãe do Céu.
Sem qualquer esforço, vou lá – a Fátima – várias vezes
por dia.
Ajoelho-me a seus pés, contemplo a sua Imagem e digo-lhe
que a amo com todo o meu ser.
(AMA, Memórias de Fátima)
Maria procura o Filho que se perdeu
Três dias e três noites procura Maria o Filho que se
perdeu... Oxalá possamos dizer, tu e eu, que a nossa vontade de encontrar Jesus
também não conhece descanso. (Sulco, 794)
Que dor a de sua Mãe e a de São José, porque - no
regresso de Jerusalém - não vinha entre os parentes e amigos! E que alegria a
sua, quando o vêem, já de longe, doutrinando os mestres de Israel! Mas reparai
nas palavras, aparentemente duras, que saem da boca do Filho, ao responder a
sua Mãe: por que me buscáveis?.
Não era razoável que o procurassem? As almas que
sabem o que é perder Cristo e encontrá-lo podem compreender isto... Por que me
buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai? Não sabíeis,
porventura, que eu devo dedicar totalmente o meu tempo ao meu Pai celestial?
Este é o fruto da oração de hoje: que nos
persuadamos de que o nosso caminhar na terra - em todas as circunstâncias e em
todos os momentos - é para Deus; que é um tesouro de glória, uma imagem do Céu;
que é, nas nossas mãos, uma maravilha que temos de administrar, com sentido de
responsabilidade perante os homens e perante Deus, sem necessidade de mudar de
estado, no meio da rua, santificando a nossa profissão ou o nosso ofício, a
vida de família, as relações sociais e todas as actividades que parecem à
primeira vista só terrenas. (Amigos de
Deus, 53-54)
Orações de Maio
O Arcanjo continua a saudação e
nós também, na esperança que continues a difundir pelos teus filhos essas
graças com que o Senhor te cumulou em sumo grau.
(AMA, meditação sobre a Ave Maria, 2010)
SANTO ROSÁRIO rezar com São João Paulo II
Rezar com São João Paulo II:
SANTO ROSÁRIO - Ladainha de Nossa Senhora
LEITURA ESPIRITUAL
São Marcos
Cap. VII
1 Os
fariseus e alguns doutores da Lei vindos de Jerusalém reuniram-se à volta de
Jesus, 2 e viram que vários dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras,
isto é, por lavar. 3 É que os fariseus e todos os judeus em geral não comem sem
ter lavado e esfregado bem as mãos, conforme a tradição dos antigos; 4 ao
voltar da praça pública, não comem sem se lavar; e há muitos outros costumes
que seguem, por tradição: lavagem das taças, dos jarros e das vasilhas de
cobre. 5 Perguntaram-lhe, pois, os fariseus e doutores da Lei: «Porque é que os
teus discípulos não obedecem à tradição dos antigos e tomam alimento com as
mãos impuras?» 6 Respondeu: «Bem profetizou Isaías a vosso respeito,
hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu
coração está longe de mim. 7 Vazio é o culto que me prestam e as doutrinas que
ensinam não passam de preceitos humanos. 8 Descurais o mandamento de Deus, para
vos prenderdes à tradição dos homens.» 9 E acrescentou: «Anulais a vosso
bel-prazer o mandamento de Deus, para observardes a vossa tradição. 10 Pois
Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e ainda: Quem amaldiçoar o pai ou a mãe
seja punido de morte. 11 Vós, porém, dizeis: "Se alguém afirmar ao pai ou
à mãe: ‘Declaro Qorban’ - isto é, oferta ao Senhor - aquilo que poderias
receber de mim...", 12 nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua
mãe, 13 anulando a palavra de Deus com a tradição que tendes transmitido. E
fazeis muitas outras coisas do mesmo género.» 14 Chamando de novo a multidão, dizia:
«Ouvi-me todos e procurai entender. 15 Nada há fora do homem que, entrando
nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro.
16 Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça.» 17 Quando, ao deixar a multidão,
regressou a casa, os discípulos interrogaram-no acerca da parábola. 18 Ele
respondeu: «Também vós não compreendeis? Não percebeis que nada do que, de
fora, entra no homem o pode tornar impuro, 19 porque não penetra no coração mas
sim no ventre, e depois é expelido em lugar próprio?» Assim, declarava puros
todos os alimentos. 20 E disse: «O que sai do homem, isso é que torna o homem
impuro. 21 Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus
pensamentos, as prostituições, roubos, assassínios, 22 adultérios, ambições,
perversidade, má fé, devassidão, inveja, maledicência, orgulho, desvarios. 23 Todas
estas maldades saem de dentro e tornam o homem impuro.» 24 Partindo dali, Jesus
foi para a região de Tiro e de Sídon. Entrou numa casa e não queria que ninguém
o soubesse, mas não pode passar despercebido, 25 porque logo uma mulher que
tinha uma filha possessa de um espírito maligno, ouvindo falar dele, veio lançar-se
a seus pés. 26 Era gentia, siro-fenícia de origem, e pedia que lhe da filha o
demónio. 27 Ele respondeu: «Deixa que os filhos comam primeiro pois não está
bem tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos.» 28 Mas ela
replicou: «Dizes bem, Senhor, mas até os cachorrinhos comem debaixo da mesa
<as migalhas dos filhos.» 29 «Em atenção a essa palavra, vai: o demónio saiu
de tua filha.» 30 Ela voltou para casa e encontrou a menina recostada na cama.
O demónio tinha-a deixado. 31 Tornando a sair da região de Tiro, veio por Sídon
para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. 32 Trouxeram-lhe
um surdo tartamudo e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre ele. 33 Afastando-se
com ele da multidão, Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos e fez saliva com que
lhe tocou a língua. 34 Erguendo depois os olhos ao céu, suspirou dizendo:
«Effathá», que quer dizer «abre-te.» 35 Logo os ouvidos se lhe abriram,
soltou-se a prisão da língua e falava correctamente. 36 Jesus mandou-lhes que a
ninguém revelassem o sucedido; mas quanto mais lho recomendava, mais eles o
apregoavam. 37 No auge do assombro, diziam: «Faz tudo bem feito: faz ouvir os
surdos e falar os mudos.»
Comentários:
Como
se sabe, os Judeus consideravam – e ainda assim é – que alguns alimentos eram
impróprios – impuros – e que Deus não desejava que os tomassem para não ficarem
eles próprios contaminados. Jesus Cristo vem explicar claramente que a Lei é,
assim, mal interpretada porque, se de facto antigamente se recomendava a
abstinência de alguns alimentos, tal se devia a evitar excessos de comida e
bebida daí, também, se recomendasse o jejum frequente. Uma “medida profilática”
dada a um povo rude e violento, transformou-se numa lei de observância rigorosa
e, talvez, caricata. A pureza ou impureza não tem a ver com a limpeza do corpo
mas com a brancura da alma e do coração. O que se pensa e deseja no íntimo, só
o próprio e Deus o sabem e só a Este haverá que dar contas.
Aqui
está bem expresso que o Senhor não faz acepção de pessoas. As Suas palavras
aparentemente duras para a mulher que O interpelava de facto não o são já que
esta não estranha o tratamento que lhe é dado. Jesus Cristo quis
deliberadamente mostrar aos circunstantes que todo o ser humano tem o mesmo
valor intrínseco perante Deus Criador e nem o facto de ter dado – por assim
dizer – a primazia ao povo judeu no cumprimento da promessa feita a Abraão é
motivo para não atender os que O procuram com Fé e Confiança.
O Evangelista tem a preocupação de que
conste neste relato algo singular: Jesus «tomando-o à parte de entre a multidão»… Porquê o Senhor
deseja fazer este milagre com a discrição possível, fora dos olhares dos
circunstantes? Talvez por um pormenor: «atravessando o território da
Decápole» onde como se sabe, não era bem-vindo. Não
obstante, alguns pedem-lhe por um pobre surdo-mudo, que o cure e, o Senhor, não
resiste aos pedidos justos. Tal como Deus desistiria do castigo de Sodoma e
Gomorra por causa dos justos que Abraão invocava, assim Cristo, por um só filho
Seu fará o que Se Lhe pedir.
Também nós, muitas vezes nos sentimos
impelidos a soltar este brado:"Effathá», Senhor abre a minha alma
o.meu coração para que possa escutar com clareza as Tuas palavras e escutando
entenda e entendendo as ponha em prática. Assim poderei como este que curaste
do Seu mal possa agradecer como desejo e louvar-Te como devo.
Por
aqui se vê como é conveniente na oração de petição
expormos ao Senhor as razões do nosso pedido e o que pode “advogar” em nosso
favor para que Ele no-lo conceda. Mas, o Senhor, não o sabe? Claro que sim, Ele
sabe tudo e conhece o que nos vai na alma e as intenções do nosso coração mas,
gosta de ser urgido como se precisasse de ser convencido pelos nossos
argumentos. Esta prática também nos ajuda a pedir melhor e, sobretudo, a pedir
o que realmente precisamos que nos conceda.
«foi
lançar-se a Seus pés» esta, a atitude “normal” do súbdito
perante o Senhor, da Criatura perante o Criador. Quando alguém vai ter com
outrem para lhe pedir algo importante que atitude toma? Não se lança aos pés de
quem o ouve, isso está fora de questão, mas toma uma atitude de respeito e
deferência. Ou não? Então quando nos dirigimos a Deus para Lhe pedir algo que
julgamos indispensável e decisivo para a nossa vida, a postura que adoptamos deve
ser diferente? Será que não vamos muitas vezes com a disposição de lembrar ao
Senhor que “tem” de nos dar o que pedimos como se fosse uma Sua obrigação que
está por cumprir? Claro, somos filhos de Deus e, os filhos, têm à vontade com
os Pais mas, esse à vontade, não significa de modo nenhum menos respeito ou
deferência.
Jesus Cristo mostra com evidente clareza que as Suas
obras - neste caso os milagres - não são algo automático e estereotipado. Cada
pessoa humana é um ser individual a quem o Senhor trata de acordo. Uma simples
palavra bastaria como tantas vezes fez: 'fica curado do teu mal'. Mas aqui há
como que uma "elaboração" do milagre talvez para consolidar a fé do
doente e dos circunstantes. Tudo - absolutamente - que o Senhor faz tem um
propósito e um objectivo.
Não tomemos de menos a tradição como
uma das fontes da nossa Fé, da nossa Santa Religião Católica. De facto os
nossos Pais e responsáveis de educação deram-nos princípios basilares que não
nos deixaram indiferentes. Mesmo que o tenham feito apenas para cumprir uma
tradição ou costume o seu efeito não se perde e, tarde ou cedo, virão ao de
cima esses princípios e conhecimentos que recebemos na infância.
Os
costumes as tradições que se vão transmitindo de geração em geração constituem
para os judeus, autênticas obrigações que não podem deixar de ser levadas em
conta. Alguns destes costumes e tradições foram até transformados em leis cada
vez mais complexas e minuciosas que eram impostas ao povo sem admitir
discussão. Claro que havia nestes procedimentos e interesses de classe, o que
Jesus não se cansa de denunciar. Por isso mesmo podemos compreender a sua
animosidade a Cristo.
A impureza é uma “carga” terrível da
qual muitos infelizmente não conseguem libertar-se. Talvez seja um dos estados
de vida que cria mais hábito e, até, rotina. O que se pratica, diz ou vive vai
perdendo a sua verdadeira importância e valor e não tarda a cair-se num “deixar
andar” em que de certa maneira tudo é permitido, nada faz mal. O Senhor foi
muito claro: «Bem-aventurados os puros de
coração porque verão a Deus».
Moisés tinha dado ao povo uma completíssima legislação o que se
compreende dada a falta de cultura - pouco mais que nómadas selvagens - do
povo israelita. Com base no Decálogo foi construindo esse acervo legislativo
que continha os princípios básicos do indispensável para regular a vida
social. Com o tempo, os Doutores da Lei e, principalmente os fariseus, foram
“misturando” as coisas levando o povo ignaro a considerar que tudo era a Lei de
Deus e, como tal, rigorosamente observado. O erro dos chefes e guias é muito
grave porque leva outros a errarem. A Deus o que é de Deus, aos homens o que é
dos homens.
Há comportamentos semelhantes
hoje em dia. Quantos progenitores não celebram os Baptizados dos filhos com
grandes festas e aparato e, depois, os deixam como que entregues a si próprios
o resto das suas infâncias! A Catequese na Igreja e se há possibilidades
económicas, algum estabelecimento de ensino religioso e… fica-se por aqui a
sua preocupação com a educação religiosa da criança. É verdade, que em muitos
casos, não se sentem muito à vontade porque como não observam os Mandamentos
e, até, à Missa ao Domingo só se vai de vez em quando, o exemplo que dão aos
filhos não sustenta o que possam dizer-lhes.
Preceitos humanos e
obrigações para com Deus, regras de convivência social e normas de relação com
o nosso Criador e Senhor. Ambas são necessárias e convém observar, mas as
segundas são prioritárias; tocam-se em muitos pontos mas não se confundem. Evidentemente
não se pode ser bom cristão tendo um comportamento social irregular mas tal não
altera aquela escala de prioridades. O Quarto
Mandamento vai perdendo a sua importância cada dia que passa. Em lugar de
exemplo a seguir, a referência a ter em conta, os Pais, sobretudo quando de
idade avançada, constituem um estorvo e encargo extra. Alguns – infelizmente
em número crescente - esquecem tudo o que os Pais fizeram para lhes
proporcionar o que desejavam, o seu apoio nas horas mais sombrias, a sua
disponibilidade para perdoar as irreverências, as preocupações com a sua
saúde, a solicitude com que atenderam os seus projectos. A ingratidão é,
sempre, uma falta muito feia mas assume especial gravidade quando se verifica
em relação aos progenitores. Infelizmente o que Jesus recrimina aos
que O ouvem, continua a verificar-se hoje em dia: filhos que abandonam os pais
quando estes se tornam incómodos porque, achacados
pela doença ou outras limitações, passam a ser um estorvo na sua vida. Todos
os anos, principalmente pelas férias de Verão, centenas de pessoas são
literalmente abandonadas nos hospitais pelos familiares mais próximos – os
filhos – que querem ir de férias “descansados” e sem maçadas. Estes
procedimentos revelam uma frieza de coração e uma total ausência de carinho ou
ternura pelos progenitores que têm direito a elas, uma falta de respeito por
eles, como pessoas em primeiro lugar e como pais em segundo. Merecem sem
dúvida, as mesmas invectivas que, neste trecho do Evangelho, Jesus faz aos
fariseus e aos escribas, precisamente aqueles que deveriam dar, ao povo, o
exemplo nas relações dos filhos com os seus pais.
Honrar Pai e Mãe é um
Mandamento da Lei de Deus. Essa honra que é devida aos progenitores não pode
limitar-se em assegurar a sua velhice de forma mais ou menos confortável e
digna. Não cabem as desculpas - infelizmente tão frequentes - que 'a vida de
hoje não permite outra coisa... E já é muito. A honra tem a ver com o amor,
principalmente com o amor. É preciso fazer sacrifícios, renunciar a alguma
coisa? Pois faça-se! Renuncie-se! O nosso Pai do Céu está muito atento à forma
como tratamos os nossos pais terrenos. Não esqueçamos que a derradeira
“preocupação” de Cristo foi para com a Sua Mãe: ''eis aí a tua Mãe!''
Ao ler este trecho do Evangelho de S. Marcos talvez
alguém se sinta tentado a pensar: ‘isto não é para mim nem para agora,
passar-se-ia naquele tempo…’ Nada mais falso. Tudo isto se passa nos dias de
hoje e, cada vez com maior frequência. As desculpas e falsos motivos para
“despojar” os progenitores, envelhecidos, doentes e cansados dos seus
legítimos direitos são inúmeras e, sempre, motivadas pelo egoísmo e pela falta
de amor aos seus. Um Pai ou uma Mãe, atingidos por Alzheimer, que não dizem
coisa com coisa nem são capazes de se “governar sozinhos” é, de facto um problema
assim tão diferente daquele com que esse mesmo Pai ou essa mesma Mãe se
defrontaram quando, durante os primeiros anos da nossa vida, não articulávamos
palavra, não tínhamos coerência de pensamentos e, muito menos, éramos capazes
de nos mantermos sozinhos? Sim… com infinita paciência e carinho,
ensinaram-nos a falar, corrigiram os erros, ajudaram-nos nos primeiros passos
cambaleantes, nunca nos faltaram com a sua protecção. Tudo isto porquê? Porque
nos amavam? Então… o amor não se paga com amor?
Jesus Cristo continua a desmistificar a
interpretação da Lei de Moisés que os chefes do povo, nomeadamente os Príncipes
dos Sacerdotes e os Escribas, se foram atribuindo o direito de impor.O que não
passava de normas e recomendações de cariz meramente social, de comportamento
básico como a higiene e os cuidados a ter com o próprio corpo, passaram, assim,
a ser regras rígidas de carácter religioso cuja observância era obrigatória
desvirtuando completamente não só o sentido da Lei mas, o que era mais grave, esquecendo
o verdadeiramente importante a ter em conta
Às vezes podemos referir que os ensinamentos de Jesus são algo
enigmáticos. Teríamos razão se nos apegarmos às palavras, ao texto do discurso
e não ao seu sentido.Mas, neste caso, deste trecho do Evangelho, não podemos
dizer tal coisa porque, de facto, ele não poderia ser mais claro e conclusivo. Jesus
explica com meridiana clareza que quando o homem deixa que seja o coração a
mandar na sua vida, a determinar as emoções, sentimentos e comportamento, sem
que a 'cabeça', o entendimento o regule e comande, corre sério risco de pensar
e agir de forma inconveniente e reprovável. A pessoa bem formada, com um
carácter sólido não se deixa dominar pelos impulsos do coração mas
condiciona-os a uma avaliação criteriosa da sua conveniência.
É bem de ver a qualidade dos homens que seguiam o
Senhor, pouco inteligentes, sem grande instrução e débeis de vontade. Mas isso
pouco importa porque têm recta intenção e ausência de preconceitos e, mais
importante talvez, têm a franqueza sincera e humilde de perguntar o que não
sabem de pedir esclarecimentos sobre o que não entendem bem. O que Jesus diz
não “resvala” por eles, entranha-se no seu espírito e, depois de informados,
cria raiz e frutifica.
Mais uma vez; Jesus fala sobre o verdadeiro
critério que as pessoas que se pretendem com boa intenção devem ter. Não ir
atrás de falsos conceitos, promessas ou palavras soltas fora do contexto como
tanto gostam de fazer alguns chamados “pregadores” de inúmeras “igrejas” que
utilizam as palavras da Lei para manipular à vontade – à sua vontade – os
pobres incautos que lhes caem na teia. Deus não poderia nunca fazer algo mal,
isto é, que fosse mau para o homem. Quando entregou aos nossos primeiros Pais o
domínio sobre a terra e que nela se contém não pôs qualquer limitação no seu
uso. (Comer ou não carne de porco terá a ver, apenas, com a decisão pessoal e
nunca como uma regra imposta ou mesmo recomendada por Deus.) Neste caso, a
profilaxia, é uma tarefa humana. Seria o mais
completo desrespeito pela liberdade do homem, Deus impor uma selecção de
alimentos permitidos e proibidos. Ora, Deus, que respeita a liberdade da
criatura, nunca faria tal coisa. Muitos se arvoram em seus "porta-vozes"
preconizando e instituindo regras e condutas que o Senhor nunca expôs. E, isto,
serve para tudo, para coisas aparentemente boas ou, pelo menos, inócuas, ou
para comportamentos reprováveis e até perigosos. Veja-se essas
"seitas" e algumas chamadas "igrejas" que proliferam um
pouco por todo o lado algumas das quais advogam o sexo livre e indiscriminado e
até a imolação (suicídio) colectivo.
«Tudo fez bem!» Esta afirmação dos circunstantes
traduz uma verdade insofismável: Jesus Cristo é o verdadeiro Filho de Deus e,
portanto, todas as Suas obras são perfeitas. Repete-se em Jesus Cristo o que a
Bíblia nos conta sobre a Criação quando refere que (Deus) «olhou o que tinha feito e achou que tudo era muito bom» (Gen
1, 26-28.31)
Quantas vezes esperamos que o
Senhor nos diga também a nós: abre-te! Sim. Abre o teu coração ao Meu Amor, a
tua inteligência à verdadeira Fé, a tua alma às inspirações do Espírito Santo! Abre-te,
todo tu, entrega-me tudo o que tens, os teus desejos e aspirações nobres, as
tuas ânsias de santidade! Abre-te a Mim e, Eu, te encherei de mais graças para
seres mais forte, corajoso, perseverante na oração e fiel na tua amizade por
Mim!
Sabendo que nada foi escrito
por acaso e que tudo foi inspirado pelo Espírito Santo, por vezes apetece
meditar nas palavras e expressões dos evangelistas que parecem “a mais” no
texto ou, talvez, sem grande significado ou relevância. São Lucas diz que Jesus
«levantando os olhos ao Céu, suspirou». O que quer isto dizer? Porque que constam aqui
nestas pequenas coisas. Quantas vezes, perante algo que de qualquer modo nos
incomoda, não fazemos exactamente o mesmo: levantamentos os olhos ao Céu e suspiramos,
como quem diz: ‘Que hei-de fazer? Como hei-de suportar isto? Que remédio?’A
humanidade de Jesus revela-se igualmente nestas pequenas coisas, nestes gestos
e reacções tão tipicamente humanos. Se o surdo-mudo fosse um homem de fé Jesus
tê-lo-ia levado aparte, metido os dedos nos ouvidos, tocado com saliva a
língua? Muito provavelmente… não. Estes gestos foram necessários para confirmar
a pouca fé do pobre homem e, por respeito por este, faz isto afastado da
multidão. Quem procura Jesus para ser curado dos seus males obtém, seguramente
essa cura, mas ela depende da sua fé em Cristo e na sua justiça. O caminho para
Cristo é Maria, por isso a temos como especial medianeira que nos leva a seu
Filho, endireitando o que está enviesado e “compondo” o que pedimos.
Porque é que Jesus, nas curas que
opera, usa formas diferentes de actuar? Umas vezes limita-se a ordenar e, os
enfermos ficam curados; outras toca a pessoa ou deixa que esta toque, pelo
menos, o Seu manto; ou ainda, como neste caso - meter os dedos nos ouvidos ou
ungir os olhos com lama feita com saliva e terra? Não sabemos a verdadeira
razão mas podemos imaginar dois motivos; o primeiro depende da fé daquele que
pede a cura: uma fé sólida, firme, absoluta tem uma resposta imediata ao passo
que a fé mais débil ou hesitante “obriga” a um procedimento mais demorado exactamente
para fortalecer a fé de quem pede. Isto deve servir-nos de lembrança quando
pensarmos que o Senhor não atende o que justamente Lhe solicitamos. Talvez á
nossa oração falte essa fé firme, inabalável que “leve” o Senhor a conceder
sem demora o que pedimos. Além disso, ter-mos presente que, tal como neste
trecho do Evangelho, a nossa fé deve bastar para levarmos os outros, mesmo que
a sua fé seja débil, ao encontro com Cristo. Ele saberá o que fazer
Parece que algumas
pessoas - algumas com responsabilidade específica na orientação dos fiéis da
Igrejas Católica - têm alguma dificuldade em "lidar" com as curas de
Jesus, sobretudo aquelas que opera sobre possessos do demónio como
abundantemente se refere nos Evangelhos. Parece haver falso pudor ou, talvez,
medo de chamar as coisas pelo seu nome. É, pois, preciso ter claro que nenhuma
palavra dos Evangelhos foi usada por acaso ou com simbolismo. Não! O que se lê
no Evangelho é a palavra de Deus e, Ele, é a Verdade, logo não pode haver nem
dúvidas nem “interpretações” do que lá consta.
Jesus Cristo diz sempre as palavras
certas, chama as coisas pelo seu verdadeiro nome. Não procura agradar a quem O
ouve mas tão só dizer, expor, a verdade tal como ela é. Assim, chama Demónio ao
espírito imundo que possuía a jovem, como o Evangelho relata. Logo, o Demónio
existe!
A falsa humildade é, muitas vezes o que
nos impede de nos aproximar-mos de Jesus com confiança. É verdade que somos
pouca coisa e indignos de falar directamente com Deus mas, ao converter-nos em
Seus filhos pela Sua Paixão, Morte e Ressurreição, Cristo deu-nos esse direito
e quer que o exerçamos com confiança. Disse-nos com toda a clareza para
pedir-mos o que julgar-mos precisar. Ele, na Sua infinita sabedoria, dar-nos-á
aquilo que nos convém.
O
pão dos filhos! Claro que, eles, estão em primeiro lugar nas preocupações que
por eles sentimos e na assistência que lhes devemos prestar. Mas esta evidência
que é natural e legítima não deve nem pode fazer com que desprezemos os outros
e que não estejamos igualmente atentos às suas necessidades que está na nossa
mão resolver ou, de alguma forma minimizar.
«Effathá»,
abre-te! E, a estas palavras, abriram-se os ouvidos do surdo! Muitas vezes
esperamos por algo semelhante, a exclamação que nos desperte da nossa modorra,
um gesto que nos urja a levantarmo-nos do nosso torpor e a seguir o caminho,
enfim, algo que nos entusiasme, nos anime e faça decidir a continuar o caminho
traçado. E, algumas vezes, nada disto acontece, ou melhor, não nos damos conta
que aconteça, de tal forma estamos absorvidos com os nossos próprios problemas
e as soluções que procuramos para os mesmos. Entregamo-nos com ardor e
pertinácia na busca dessas soluções, desses remédios e descuramos o que está
mesmo à nossa frente, ao nosso alcance. Ele que nos diz, «Effathá», não nos deixa nunca, não se afasta e, quando nos
afastamos – porque somos nós que nos afastamos – espera pacientemente que
retrocedamos sobre os nossos passos e nos deixemos curar pela Sua ciência de
Médico Divino.
As normas que se referem neste trecho
do Evangelho, foram instituídas por Moisés para um povo pouco menos que
selvagem e primitivo. Como muitas outras tratavam-se códigos de conduta social
destinadas a levar o povo a um patamar mais elevado de educação comportamental.
Por conveniência os chefes do povo foram convertendo estes códigos em lei
religiosa que tinha de ser estritamente observada. Assim dominavam e exerciam
poder sobre os seus concidadãos por quem não tinham outra preocupação motivada
pela misericórdia e solidariedade.
Por várias vezes os comentários sobre
estas atitudes dos fariseus e chefes do povo referem a falta de critério
e honradez intelectual de que amiúde davam mostras. Teremos de fazer um esforço
para compreender que, apesar de tudo, manifestam coerência. Louva-se a sua
atitude? Evidentemente não mas consideremos que embora eles não tenham essa
intenção, as reacções e respostas de Jesus a estas manifestações contribuem
para o esclarecimento do povo e a afirmação da doutrina verdadeira. E teremos
de concluir que, de um “mal” aparente, o Senhor, tira sempre um bem verdadeiro.
Talvez
a hipocrisia seja um dos defeitos que Jesus mais aponta aos Fariseus e
Escribas. Porque ama a simplicidade, não sabe o que há-de fazer com mentes
retorcidas, calculistas, preconceituosas. Ser simples – simples como as
crianças – é a virtude que Cristo mais sublinha e inúmeras vezes de forma muito
radical, diria. Afirma inclusive, que se não formos simples como as crianças
não teremos lugar no Reino de Deus. Ouvi muitas vezes o meu querido Pai
afirmar: ‘um homem deve ser igual a si mesmo’. Em pequeno, não percebia muito
bem o que isto queria dizer, mas hoje sei que, o que quer dizer, é o mesmo que
Jesus afirma: Sede homens de sim, sim, não, não. Não podemos ser outra coisa,
sob pena de não ser-mos credíveis, sérios, aceites pelos outros e, sobretudo,
pelo Senhor que nos quer como filhos autênticos, em quem pode e quer confiar
não obstante - e apesar de – todos os nossos defeitos e imperfeições.
Esta passagem do Evangelho
sublinha ainda a repulsa que Jesus sente por tudo quanto é preconceituoso,
excessivo, e escrupuloso no cumprimento da Lei divina. Pôr a forma, o conteúdo
à frente do coração, do desejo de cumprir. O que O Senhor quer e deseja é
Filhos Seus autênticos e verdadeiros, que pratiquem uma fé escorreita e
sincera, sem se refugiarem atrás e pormenores que não passam disso mesmo.
Alegria, sinceridade, disponibilidade é o que é preciso para cumprir as nossas
obrigações de cristãos. Ouve-se por vezes ‘eu cá não vou à Missa no Domingo...
pois se eu não sinto nada é melhor não ir do que fingir...’ Falsa razão. Ninguém vai à Missa para
"sentir" seja o que for, vai-se à Missa, para participar no
Sacramento divino, para, ao cumprir um preceito, dar glória e honra a Deus. A
prática da fé não é um sentimento, uma tradição, um hábito... não... a prática
da fé é, antes de mais, uma obrigação e uma necessidade; obrigação de, como
filhos de Deus, honrar o nosso Pai; uma necessidade, porque precisamos do
alimento da frequência dos Sacramentos, da vida de piedade, da oração.
O Quarto Mandamento, que é
também de direito natural, requer de todos os homens, mas especialmente
daqueles que querem ser bons cristãos, a ajuda abnegada e cheia de carinho aos
pais, que se realiza todos os dias em mil pequenos detalhes e ganha particular
relevo quando os progenitores são anciãos ou estão mais necessitados. (cfr.
Conc. Vat. II, Const. Gadium et spes, 48)
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