Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
26/04/2020
Temas para reflectir e meditar
O
Senhor empregou a palavra Abba porque inspira amor e confiança aos que oram e
pedem algo; porque que há de mais agradável que o nome de pai, que indica
ternura e amor?
(Cfr. W. Marchel, Abba! Pére. La priére du Christ et des
chrétiens, Roma, 1963 p. 188-189, trad. ama.)
PANDEMIA
RANCOR
“O
amor não guarda rancor”. (1 Coríntios 13, 4-7)
O rancor,
é a antítese do AMOR, logo, não é uma característica do AMOR.
Aliás,
o rancor, é um defeito terrível, que impede o perdão, o esquecimento das faltas
ou agressões sofridas.
O
AMOR É:
ENTREGA
– DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL
-TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO - OBEDIÊNCIA
– CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO – HUMANO – CONSAGRAÇÃO - ALEGRIA – PACIENTE –
ESPERANÇA – BONDADE –
O
AMOR NÃO É NEM TEM:
INVEJOSO
– GLÓRIA – ORGULHO – MEDIDA – INTERESSES – IRA - RANCOR
Com
estes predicados o AMOR não será a solução?
(AMA,
2020)
É preciso que sejas homem de vida interior
É preciso que sejas "homem de Deus", homem de vida
interior, homem de oração e de sacrifício. – O teu apostolado deve ser uma
superabundância da tua vida "para dentro". (Caminho, 961)
Vida interior. Santidade nas tarefas usuais, santidade nas coisas
pequenas, santidade no trabalho profissional, nas canseiras de todos os
dias...; santidade para santificar os outros. Numa certa ocasião, um meu
conhecido – nunca hei-de chegar a conhecê-lo bem – sonhava que ia a voar num
avião a uma grande altura, mas não dentro da cabine; ia montado nas asas.
Coitado do desgraçado: como sofria e se angustiava! Parecia que Nosso Senhor
lhe dava a conhecer que assim andam pelas alturas – inseguras, inquietas – as
almas apostólicas que não têm vida interior ou que a descuidam: com o perigo
constante de caírem, sofrendo, incertas.
E penso, efectivamente, que correm um sério risco de se
extraviarem os que se lançam à acção – ao activismo – prescindindo da oração,
do sacrifício e dos meios indispensáveis para conseguir uma piedade sólida: a
frequência dos Sacramentos, a meditação, o exame de consciência, a leitura
espiritual, a convivência assídua com a Virgem Santíssima e com os Anjos da
Guarda... Tudo isto contribui, além disso, com uma eficácia insubstituível,
para que o caminho do cristão seja tão agradável, porque da sua riqueza
interior jorram a doçura e a felicidade de Deus como o mel do favo.
Na intimidade pessoal, na conduta externa, no convívio com os
outros, no trabalho, cada um há-de procurar manter-se numa contínua presença de
Deus, com uma conversa – um diálogo – que não se manifesta exteriormente.
Melhor dito, não se exprime normalmente com ruído de palavras, mas há-de
notar-se pelo empenho e pela diligência amorosa com que acabamos bem as
tarefas, tanto as importantes como as insignificantes. Se não procedêssemos com
essa constância, seríamos pouco coerentes com a nossa condição de filhos de
Deus, pois teríamos desperdiçado os recursos que Nosso Senhor colocou
providencialmente ao nosso alcance, para chegarmos ao estado de homem perfeito,
à medida da idade perfeita segundo Cristo. (Amigos de Deus, 18–19)
LEITURA ESPIRITUAL
COMENTANDO OS EVANGELHOS
Cap. XXVI
1 Tendo acabado todos estes discursos,
Jesus disse aos discípulos: 2 «Como sabeis, a Páscoa é daqui a dois dias, e o
Filho do Homem será entregue para ser crucificado.» 3 Então, os sumos
sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no palácio do Sumo Sacerdote, que
se chamava Caifás, 4 e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo.
5Diziam, porém: «Que não seja durante a festa, para não haver alvoroço entre o
povo.» 6 Jesus encontrava-se em Betânia, em casa de Simão, o leproso. 7 Enquanto
estava à mesa, aproximou-se dele uma mulher, que trazia um frasco de alabastro
com um perfume de alto preço e derramou-lho sobre a cabeça. 8 Ao verem isto, os
discípulos ficaram indignados e disseram: «Para quê este desperdício? 9 Podia
vender-se por bom preço e dar-se o dinheiro aos pobres.» 10 Jesus apercebeu-se
de tudo e disse: «Porque afligis esta mulher? Ela praticou uma boa acção para
comigo. 11 Pobres, sempre os tereis convosco; mas a mim nem sempre me tereis.
12 Derramando este perfume sobre o meu corpo, ela preparou a minha sepultura.
13 Em verdade vos digo: Em qualquer parte do mundo onde este Evangelho for
anunciado, há-de também narrar-se, em sua memória, o que ela acaba de fazer.» 14
Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15
e disse-lhes: «Quanto me dareis, se eu vo-lo entregar?» Eles garantiram-lhe
trinta moedas de prata. 16 E, a partir de então, Judas procurava uma
oportunidade para entregar Jesus. 17 No primeiro dia da festa dos Ázimos, os
discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-lhe: «Onde queres que façamos os
preparativos para comer a Páscoa?» 18 Ele respondeu: «Ide à cidade, a casa de
um certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; é
em tua casa que quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos.’» 19 Os
discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa. 20 Ao cair
da tarde, sentou-se à mesa com os Doze. 21 Enquanto comiam, disse: «Em verdade
vos digo: Um de vós me há-de entregar.» 22 Profundamente entristecidos, começaram
a perguntar-lhe, cada um por sua vez: «Porventura serei eu, Senhor?» 23 Ele
respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse me entregará. 24 O Filho do
Homem segue o seu caminho, como está escrito acerca dele; mas ai daquele por
quem o Filho do Homem vai ser entregue. Seria melhor para esse homem não ter
nascido!» 25 Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: «Porventura serei
eu, Mestre?» «Tu o disseste» - respondeu Jesus. 26 Enquanto comiam, Jesus tomou
o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos,
dizendo: «Tomai, comei: Isto é o meu corpo.» 27 Em seguida, tomou um cálice,
deu graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele todos. 28 Porque este é o meu
sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos
pecados. 29 Eu vos digo: Não beberei mais deste produto da videira, até ao dia
em que beber o vinho novo convosco no Reino de meu Pai.» 30 Depois de cantarem
os salmos, saíram para o Monte das Oliveiras. 31 Jesus disse-lhes, então:
«Nesta mesma noite, todos ficareis perturbados por minha causa, porque está
escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho serão dispersas. 32 Mas,
depois da minha ressurreição, hei-de preceder-vos na Galileia.» 33 Tomando a
palavra, Pedro respondeu-lhe: «Ainda que todos fiquem perturbados por tua
causa, eu nunca me perturbarei!» 34 Jesus retorquiu-lhe: «Em verdade te digo:
Esta mesma noite, antes de o galo cantar, vais negar-me três vezes.» 35 Pedro
disse-lhe: «Mesmo que tenha de morrer contigo, não te negarei!» E todos os
discípulos afirmaram o mesmo. 36 Entretanto, Jesus com os seus discípulos
chegou a um lugar chamado Getsémani e disse-lhes: «Sentai-vos aqui, enquanto Eu
vou além orar.» 37 E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu,
começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38 Disse-lhes, então: «A minha alma
está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo.» 39 E, adiantando-se
um pouco mais, caiu com a face por terra, orando e dizendo: «Meu Pai, se é
possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas
como Tu queres.» 40 Voltando para junto dos discípulos, encontrou-os a dormir e
disse a Pedro: «Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo! 41 Vigiai e orai,
para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é débil.» 42 Afastou-se,
pela segunda vez, e foi orar, dizendo: «Meu Pai, se este cálice não pode passar
sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!» 43 Depois voltou e encontrou-os
novamente a dormir, pois os seus olhos estavam pesados. 44 Deixou-os e foi orar
de novo pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 45 Reunindo-se
finalmente aos discípulos, disse-lhes: «Continuai a dormir e a descansar! Já se
aproxima a hora, e o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. 46
Levantai-vos, vamos! Já se aproxima aquele que me vai entregar.» 47 Ainda Ele
falava, quando apareceu Judas, um dos Doze, e com ele muita gente, com espadas
e varapaus, enviada pelos sumos sacerdotes e pelos anciãos do povo. 48 O
traidor tinha-lhes dado este sinal: «Aquele que eu beijar, é esse mesmo:
prendei-o.» 49 Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: «Salve, Mestre!» E
beijou-o. 50 Jesus respondeu-lhe: «Amigo, a que vieste?» Então, avançaram,
deitaram as mãos a Jesus e prenderam-no. 51 Um dos que estavam com Jesus levou
a mão à espada, desembainhou-a e feriu um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe
uma orelha. 52 Jesus disse-lhe: «Mete a tua espada na bainha, pois todos
quantos se servirem da espada morrerão à espada. 53 Julgas que não posso recorrer
a meu Pai? Ele imediatamente me enviaria mais de doze legiões de anjos! 54 Mas
como se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve acontecer?» 55 Voltando-se,
depois, para a multidão, disse: «Viestes prender-me com espadas e varapaus,
como se eu fosse um ladrão! Todos os dias estava sentado no templo a ensinar, e
não me prendestes. 56 Mas tudo isto aconteceu, para que se cumprissem as
Escrituras dos profetas.» Então, todos os discípulos o abandonaram e fugiram.
57 Os que tinham prendido Jesus conduziram-no à casa do Sumo Sacerdote Caifás,
onde os doutores da Lei e os anciãos do povo se tinham reunido. 58 Pedro
seguiu-o de longe até ao palácio do Sumo Sacerdote. Aproximando-se, entrou e
sentou-se entre os servos, para ver o desfecho de tudo aquilo. 59 Os sumos
sacerdotes e todo o Conselho procuravam um depoimento falso contra Jesus, a fim
de o condenarem à morte. 60 Mas não o encontraram, embora se tivessem
apresentado muitas testemunhas falsas. Apresentaram-se finalmente duas, 61 que
declararam: «Este homem disse: ‘Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo
em três dias.’» 62 O Sumo Sacerdote ergueu-se, então, e disse-lhe: «Não
respondes nada? Que dizes aos que depõem contra ti?» 63 Mas Jesus continuava
calado. O Sumo Sacerdote disse-lhe: «Intimo-te, pelo Deus vivo, que nos digas
se és o Messias, o Filho de Deus.» 64 Jesus respondeu-lhe: «Tu o disseste. E Eu
digo-vos: Vereis um dia o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e
vindo sobre as nuvens do céu.» 65 Então, o Sumo Sacerdote rasgou as vestes,
dizendo: «Blasfemou! Que necessidade temos, ainda, de testemunhas? Acabais de
ouvir a blasfémia. 66 Que vos parece?» Eles responderam: «É réu de morte.» 67 Depois
cuspiam-lhe no rosto e batiam-lhe. Outros esbofeteavam-no, dizendo: 68 «Profetiza,
Messias: quem foi que te bateu?» 69 Entretanto, Pedro estava sentado no pátio.
Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe: «Tu também estavas com Jesus, o
Galileu.» 70 Mas ele negou diante de todos, dizendo: «Não sei o que dizes.» 71 Dirigindo-se
para a porta, outra criada viu-o e disse aos que ali estavam: «Este também
estava com Jesus, o Nazareno.» 72 Ele negou de novo com juramento: «Não conheço
esse homem.» 73 Um momento depois, aproximaram-se os que ali estavam e disseram
a Pedro: «Com certeza tu és dos seus, pois até a tua maneira de falar te
denuncia.» 74 Começou, então, a dizer imprecações e a jurar: «Não conheço esse
homem!» No mesmo instante, o galo cantou. 75 E Pedro lembrou-se das palavras de
Jesus: «Antes de o galo cantar, me negarás três vezes.» E, saindo para fora,
chorou amargamente.
Comentários:
1-13 -
São Mateus diverge
um pouco de São João no relato deste episódio. São João nomeia expressamente
Judas Iscariotes como o discípulo que se terá insurgido contra a mulher que
ungiu Jesus com perfume. Seja como for ficam as palavras de Jesus Cristo que
agradece sensibilizado o gesto da mulher e, mais, garante que tal há-de ser
narrado para todo o sempre como, de facto, aconteceu.
1-16 -
Este longo trecho de São Mateus deveria dar
lugar a um comentário igualmente extenso, minucioso, mas, vou deter-me na
atitude da mulher que derrama perfume sobre os pés de Jesus. Há um outro
episódio semelhante que se passa com Maria, irmã de Marta, talvez se trate do
mesmo, mas, seja como for, o que desejo ressaltar é a atitude desta mulher que,
com a sensibilidade feminina bem evidente, faz o que o seu coração lhe dita
como forma de prestar uma homenagem a Jesus e, ao mesmo tempo, demonstrar
publicamente o seu amor e veneração pelo Mestre. Nós, cristãos de hoje, talvez
sejamos um pouco “comedidos” nas nossas demonstrações de carinho e ternura pelo
Senhor e… compreende-se, mas, há pelo menos uma ocasião em que publicamente o
devemos fazer e que é, exactamente, quando O recebemos na Comunhão Eucarística.
Edificaremos os outros com a nossa atitude de recolhimento em acção de graças
por tão grande bem acabado de receber.
14-25 -
Não posso deixar de
reagir aos como que sentimentos mistos que sinto quanto à figura de Judas e o
seu comportamento. Se por um lado me invade um sentimento de repulsa e revolta
pela traição, por outro, sinto pena deste pobre homem. Os traidores são sempre
pessoas vis que não honram os laços nem de amizade nem de compromissos
assumidos e são postergados pela sociedade que, decididamente, não pode confiar
neles seja para o que for. E a pessoa que não merece confiança acaba sempre
numa terrível solidão e num amargo estado de negação de si própria. E, como no
caso de Judas, muitas vezes, não aguentando o peso da sua culpa, são levados a situações
extremas. Sinto pena de Judas! É verdade! Penso que se ele tivesse tido um
momento de arrependimento e procurado O que traíra, o Senhor lhe perdoaria como
sempre, o mandaria em paz e teríamos mais um fantástico exemplo da Misericórdia
Infinita de Deus face aos Seus Filhos contritos e arrependidos.
Trinta moedas foi o
preço da traição? Não! A traição não pode ser paga porque não tem preço. Não
importa o que está em causa, o traidor é alguém manifestamente desenraizado de
todo o contexto e que não mede nem avalia o que está em causa com a sua
traição. Pode arrepender-se, mas, isso, servir-lhe-á de pouco se o traído não
lhe perdoar e, tal não o pode fazer se não receber um pedido de perdão de quem
o traiu.
O “caso” de Judas é
paradigmático dos que não sabem nem o que é o arrependimento nem o perdão e,
normalmente, acabam desgraçadamente sós e impenitentes porque, quando acabam
por reconhecer a vileza que praticaram, não encontram nenhuma solução, nenhum
remédio. No fim e ao cabo, o que faltava a Judas era Fé no Senhor, porque se a
tivesse poderia salvar-se.
Esta figura de
Judas torna-se central na história da salvação por motivos tais que o Senhor
afirma que «melhor seria não ter nascido». A traição, independentemente
de quem trai e de quem è traído, é sempre um acto vil e desprezível que
coloca o traidor à margem da sociedade
e, quase sempre, no isolamento mais absoluto. Pode ser perdoado? Evidentemente
que sim, tudo tem perdão desde que haja arrependimento sincero e reparação do
mal praticado.
69-75 –
São Mateus, a par
dos outros Evangelistas, relata a traição de Pedro. Não sabemos qual a
“influência” que o próprio terá sido – se a teve - para o relato mas, podemos intuir que sim,
porque, os detalhes e pormenores devem ter sido revelados por ele mesmo. O
Príncipe dos Apóstolos quer que conste – para sempre – a sua fraqueza e
debilidade que o levarão a acto tão vil. Não se trata de uma ”confissão”
pública apenas e só, não, trata-se de todo um descritivo de como todos somos
fracos e volúveis e de como podemos ultrapassar os efeitos dessa fraqueza e
debilidade seja qual for. O arrependimento sincero, corajoso, humilde e
confiante e, para O Senhor, é quanto basta para perdoar e, com o Seu Perdão,
restabelecer a dignidade do arrependido.
(AMA,
2018)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Viver a família.
Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.
Lembrar-me:
Cultivar a Fé
São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
25/04/2020
SÃO MARCOS EVANGELISTA
A
Igreja celebra hoje a festa de São Marcos Evangelista.
São
Marcos: foste discípulo de Jesus. Eras muito jovem por isso ficou bem gravada
em ti a figura inconfundível do Mestre. Nunca terás esquecido a cena de
Getzemani onde deixaste nas mãos dos captores o lençol que te cobria e fugiste
nu. Que eu retenha esta lição: que para fugir do inimigo, da tentação, não
convém muita roupagem mas, sim, o desprendimento total dos bens, das coisas,
tudo por onde possa ser "agarrado".
«Ide
e ensinai o Evangelho a todas as gentes». Senhor, que eu tenha presente
este mandato que estabeleces-Te como "obrigação" e dever de todos os
baptizados no Teu Nome. Que eu saiba sempre, com ânimo, dedicação e entrega,
fazer o que me compete, obedecendo às instruções que me são dadas, sempre
consciente que é em Teu Nome e não por mim, que o devo fazer.
A
tradição antiga, que remonta ao séc. II, atribui o texto deste Evangelho a
Marcos, identificado com João Marcos, filho de Maria, em cuja casa os cristãos
se reuniam para orar. (Act 12,12) Com
Barnabé, seu primo, Marcos acompanha Paulo durante algum tempo na primeira
viagem missionária (Act 13,5.13; 15,37.39) e,
depois, aparece com ele, prisioneiro em Roma. (Cl
4,10) Mas liga-se mais a Pedro, que o trata por “meu filho”
na saudação final da sua Primeira Carta. (1 Pe 5,13)
Marcos terá escrito o Evangelho pouco antes da destruição de Jerusalém, que
aconteceu no ano 70.
O
LIVRO
O
Evangelho de Marcos reflecte a catequese que Pedro, testemunha presencial dos
acontecimentos, espontâneo e atento, ministrava à sua comunidade de Roma. É o
mais breve dos quatro e situa-se no Cânon entre os dois mais extensos, Mateus e
Lucas, e a seguir a Mateus, o de maior uso na Igreja. Até ao séc. XIX, Marcos
foi pouco estudado e comentado, para não dizer praticamente esquecido. Santo
Agostinho considerava-o como um resumo de Mateus.
A
investigação mais aprofundada desde o século passado, à volta da origem dos
Evangelhos, trouxe Marcos à luz da ribalta; hoje, é geralmente considerado o
mais antigo dos quatro. Na verdade, supõe uma fase mais primitiva da reflexão
da Igreja acerca do Acontecimento Cristo, que lhe deu origem; e só ele conserva
o esquema da mais antiga pregação apostólica, sintetizada em Actos 1,22: começa
com o baptismo de João (1,4) e
termina com a Ascensão do Senhor. (16,19)
É
comum afirmar-se que todos os outros Evangelhos, sobretudo os Sinópticos,
supõem e utilizaram mais ou menos o texto de Marcos, assim como o seu esquema
histórico-geográfico da vida pública de Jesus: Galileia, Viagem para Jerusalém,
Jerusalém.
CARACTERÍSTICAS
LITERÁRIAS
Revelando
certa pobreza de vocabulário e uma sintaxe menos cuidada, Marcos é parco em
discursos; apresenta apenas dois: o capítulo das parábolas (cap.
4)
e o discurso escatológico. (cap. 13) Mas
tem muitas narrações. É exímio na arte de contar: fá-lo com realismo e sentido
do concreto, enriquece os relatos de pormenores e dá-lhes vida e cor. A este
propósito, são típicos os casos do possesso de Gerasa, da mulher com fluxo de
sangue e da filha de Jairo, no cap. 5. Presta uma atenção especial às palavras
textuais de Jesus em aramaico, por ex. «Talitha qûm» (5,42) e «Eloí,
Eloí, lemá sabachtáni». (15,34) É
de referir também o dia-tipo da actividade de Jesus, descrito na assim chamada
“jornada de Cafarnaúm”. (1,21-34)
Dentre
as perícopes e simples incisos próprios de Marcos, menciona-se o único texto
bíblico em que Jesus aparece como «o Filho de Maria», (6,3) ao
contrário dos outros que falam de Maria, Mãe de Jesus.
PLANO
Pode
dizer-se, porventura de uma forma demasiado simples, que Marcos se faz
espectador com os seus leitores. Como eles, acompanha e vive o drama de Jesus
de Nazaré, desenrolado em dois actos, coincidentes com as duas partes deste
Evangelho. Ao longo do primeiro, vai-se perguntando: Quem é Ele? Pedro
responderá por si e pelos outros, de forma directa e categórica: «Tu és o
Messias!». (8,29) O segundo acto pode
esquematizar-se com pergunta-resposta: De que maneira se realiza Ele, como
Messias? Morrendo e ressuscitando. (8,31; 9,31; 10,33-34)
O
Evangelho de Marcos apresenta-nos, assim, uma Cristologia simples e acessível:
Jesus de Nazaré é verdadeiramente o Messias que, com a sua Morte e
Ressurreição, demonstrou ser verdadeiramente o Filho de Deus (15,39) que
a todos possibilita a salvação. «Pois também o Filho do Homem não veio para
ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos». (10,45)
Este
plano é desenvolvido ao longo das 5 secções em que podemos dividir o Evangelho
de Marcos:
I.
Preparação do ministério de Jesus: (1,1-13);
II.
Ministério na Galileia: (1,14-7,23);
III.
Viagens por Tiro, Sídon e a Decápole: (7,24-10,52);
IV.
Ministério em Jerusalém: (11,1-13,37);
V.
Paixão e Ressurreição de Jesus: (14,1-16,20).
TEOLOGIA
Tal
como os outros evangelistas, Marcos apresenta-nos a pessoa de Jesus e o grupo
dos discípulos como primeiro modelo da Igreja.
O
Jesus de Marcos. Mais do que em qualquer outro Evangelho, Jesus, «Filho
de Deus» (1,1.11; 9,7; 15,39),
revela-se profundamente humano, de contrastes por vezes desconcertantes: é
acessível (8,1-3) e distante; (4,38-39)
acarinha; (10,16) e repele (8,12-13)
impõe “segredo” acerca da sua pessoa e do bem que faz e manda apregoar o
benefício recebido; manifesta limitações e até aparenta ignorância. (13,22) É
verdadeiramente o «Filho do Homem», título da sua preferência. Deste
modo, a pessoa de Jesus torna-se misteriosa: porque encerra em si,
conjuntamente, um homem verdadeiro e um Deus verdadeiro. Vai residir aqui a
dificuldade da sua aceitação por parte das multidões que o seguem e mesmo por
parte dos discípulos.
Na
primeira parte deste Evangelho, (1,14-8,30)
Jesus mostra-Se mais preocupado com o acolhimento do povo, atende às suas
necessidades e ensina; na segunda parte (8,31-13,36)
volta-Se especialmente para os Apóstolos que escolheu, (3,13-19) com
sábia pedagogia, vai-os formando, revelando-lhes progressivamente o plano da
salvação (10,29-30.42-45) e introduzindo-os na
intimidade do Pai. (11,22-26)
O
DISCÍPULO DE JESUS.
Este
Jesus, tão simples e humano, é também muito exigente para com os seus
discípulos. Desde o início da sua pregação, (1,14)
arrasta as multidões atrás de Si e alguns discípulos seguem-nO. (1,16-22)
Após a escolha dos Doze, (3,13-19)
começa a haver uma certa separação entre este grupo mais íntimo e as multidões.
Todos seguem Jesus, mas de modos diferentes. Este seguimento exige esforço e
capacidade de abertura ao divino, que se manifesta em Jesus de forma velada e
indirecta através dos milagres que Ele realiza. É por meio dos milagres que o
discípulo descobre no Filho do Homem a presença de Deus, vendo em Jesus de
Nazaré o Filho de Deus.
Porque
a pessoa de Jesus é essencialmente misteriosa, para O seguir, o discípulo
precisa de uma fé a toda a prova: sente-se tentado a abandoná-Lo, vendo neLe
apenas o carpinteiro de Nazaré. Por isso, Jesus é também um incompreendido: os
seus familiares pensam que Ele os trocou por uma outra família; (3,20-21.31-35) os
doutores da Lei e os fariseus não aceitam a Sua interpretação da; Lei (2,23-28;
3,22-30) os chefes do povo e dos sacerdotes vêem-no como um
revolucionário perigoso para o seu “status quo”. (11,27-33) Daí
que, desde o início deste Evangelho, se desenhe o destino de Jesus: a morte. (3,1-6;
14,1-2)
Mas,
os discípulos «de dentro» não são muito melhores do que «os que estão
de fora». (4,11) Também eles sentem
dificuldade em compreender o mistério da pessoa de Jesus: parecem-se com os
cegos. (8,22-26; 10,46-53)
A
incompreensão é uma das mais negativas características no discípulo do
Evangelho de Marcos. É essa a razão pela qual, ao confessar o messianismo de
Jesus, (8,29) Pedro pensava num messias
(termo hebraico que significa “Cristo”) mais político que religioso e que
libertasse o povo dos romanos dominadores. Isso aparece claro quando Jesus
desvia o assunto e anuncia pela primeira vez a Sua Paixão dolorosa; (8,31)
Pedro, não gostando de tal messianismo, começa a repreender O Mestre. (8,31-33) O
que ele queria era como todos os discípulos de todos os tempos um cristianismo
sem esforço e sem grandes compromissos.
Apesar
da incompreensão manifestada pelos discípulos em relação aos seus ensinamentos,
Jesus não desanima e continua a ensiná-los. (8,31-38; 9,30-37;
10,32-45) O efeito não foi muito positivo: no fim da
caminhada para Jerusalém e após Ele lhes ter recordado as dificuldades por que
iria passar a sua fé (14,26-31), ao
verem-no atraiçoado por um dos Doze e preso (14,42-45), «deixando-o,
fugiram todos». (14,50) Este é, certamente,
o Evangelho onde qualquer cristão se sentirá melhor retratado.
Temas para meditar e reflectir
Coração de Jesus
O forno arde. Ao arder,
queima todo o material, seja lenha ou outra matéria facilmente combustível.
O Coração de Jesus, o
Coração humano de Jesus, queima com o amor que o enche. E este é o amor ao Pai
Eterno e o amor aos homens: as filhas e os filhos adoptivos.
O forno, queimando, pouco a
pouco apaga-se. O Coração de Jesus, ao contrário, é forno inextinguível. Nisto
parece-se com a sarça-ardente do Êxodo, em que Deus Se revelou a Moisés. A
sarça ardia com o fogo, mas... não se consumia (Ex 3,2).
Efectivamente, o amor que
arde no Coração de Jesus é sobretudo o Espírito Santo, no qual Deus-Filho se
une eternamente ao Pai. O Coração de Jesus, o Coração humano de Deus-Homem,
está abrasado pela chama viva do Amor trinitário, que jamais se extingue.
Coração de Jesus, forno ardente
de caridade. O forno, enquanto arde, ilumina as trevas da noite e aquece os
corpos dos viajantes inteiriçados com o frio.
Hoje queremos pedir à Mãe do
Verbo Eterno, para que no horizonte da vida de cada uma e cada um de nós não
cesse nunca de arder o Coração de Jesus, forno ardente de caridade. Para que
Ele nos revele o amor que não se extingue nem se deteriora jamais, o Amor que é
eterno. Para que ilumine as trevas da noite terrena e aqueça os corações.
Dando-Lhe as graças pelo
único amor capaz de transformar o mundo e a vida humana, dirigimo-nos com a
Virgem Imaculada, no momento da Anunciação ao Coração Divino que não cessa de
ser forno ardente de caridade. Ardente: como a sarça que Moisés viu ao pé do monte
Horeb.
(SÃO
JOÃO PAULO II, Angelus, 1985.06.23)
PANDEMIA
MALTRATAR
O
amor, justamente porque lhe quer bem, não pode maltratar o amado, seria, no
mínimo, uma aberração.
“O
amor não maltrata”. (1 Coríntios 13, 4-7)
O
AMOR É:
ENTREGA
– DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL
-TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO - OBEDIÊNCIA
– CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO – HUMANO – CONSAGRAÇÃO - ALEGRIA – PACIENTE –
ESPERANÇA – BONDADE –
O
AMOR NÃO É NEM TEM:
INVEJOSO
– GLÓRIA – ORGULHO – MEDIDA – INTERESSES – IRA - MALTRATAR
Com
estes predicados o AMOR não será a solução?
(AMA,
2020)
Espírito de mortificação e penitência
O espírito de mortificação, mais do que manifestação de Amor,
brota como uma das suas consequências. Se falhas nessas pequenas provas,
reconhece-o, fraqueja o teu amor ao Amor. (Sulco, 981)
Penitência, para os pais e, em geral, para os que têm uma missão de
dirigir ou de educar é corrigir quando é necessário fazê-lo, de acordo com a
natureza do erro e com as condições de quem necessita dessa ajuda, superando
subjectivismos néscios e sentimentais.
O espírito de penitência leva a não nos apegarmos desordenadamente
a esse esboço monumental dos projectos futuros, no qual já previmos quais serão
os nossos traços e pinceladas mestras. Que alegria damos a Deus quando sabemos
renunciar aos nossos gatafunhos e pinceladas, e permitimos que seja Ele a
acrescentar os traços e cores que mais lhe agradam! (Amigos de Deus, 138)
LEITURA ESPIRITUAL
COMENTANDO OS EVANGELHOS
Cap. XXV
1 «O
Reino do Céu será semelhante a dez virgens que, tomando as suas candeias,
saíram ao encontro do noivo. 2 Ora, cinco delas eram insensatas e cinco
prudentes. 3 As insensatas, ao tomarem as suas candeias, não levaram azeite
consigo; 4 enquanto as prudentes, com as suas candeias, levaram azeite nas
almotolias. 5 Como o noivo demorava, começaram a dormitar e adormeceram. 6 A
meio da noite, ouviu-se um brado: ‘Aí vem o noivo, ide ao seu encontro!’ 7 Todas
aquelas virgens despertaram, então, e aprontaram as candeias. 8 As insensatas
disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas candeias
estão a apagar-se.’ 9 Mas as prudentes responderam: ‘Não, talvez não chegue
para nós e para vós. Ide, antes, aos vendedores e comprai-o.’ 10 Mas, enquanto
foram comprá-lo, chegou o noivo; as que estavam prontas entraram com ele para a
sala das núpcias, e fechou-se a porta. 11 Mais tarde, chegaram as outras
virgens e disseram: ‘Senhor, senhor, abre-nos a porta!’ 12 Mas ele respondeu:
‘Em verdade vos digo: Não vos conheço.’ 13 Vigiai, pois, porque não sabeis o
dia nem a hora.» 14 «Será
também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes
os seus bens. 15 A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada
qual conforme a sua capacidade; e depois partiu. 16 Aquele que recebeu cinco
talentos negociou com eles e ganhou outros cinco. 17 Da mesma forma, aquele que
recebeu dois ganhou outros dois. 18 Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer
um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19 Passado muito tempo,
voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. 20 Aquele que tinha
recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo:
‘Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei.’
21 O senhor disse-lhe: ‘Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de
pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’ 22 Veio, em
seguida, o que tinha recebido dois talentos: ‘Senhor, disse ele, confiaste-me
dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei.’ 23 O senhor disse-lhe:
‘Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te
confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’ 24 Veio, finalmente, o que tinha
recebido um só talento: ‘Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro,
que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. 25 Por isso, com
medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.’ 26 O
senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não
semeei e recolho onde não espalhei. 27 Pois bem, devias ter levado o meu
dinheiro aos banqueiros e, no meu regresso, teria levantado o meu dinheiro com
juros.’ 28 ‘Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. 29 Porque
ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem
lhe será tirado. 30 A esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali
haverá choro e ranger de dentes.’» 31 «Quando o Filho
do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de
sentar-se no seu trono de glória. 32 Perante Ele, vão reunir-se todos os povos
e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos
cabritos. 33 À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos. 34 O
Rei dirá, então, aos da sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em
herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35 Porque tive
fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e
recolhestes-me, 36 estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me,
estive na prisão e fostes ter comigo.’ 37 Então, os justos vão responder-lhe:
‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te
demos de beber? 38 Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te
vestimos? 39 E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?’ 40 E o
Rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto
a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’ 41 Em seguida
dirá aos da esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que
está preparado para o diabo e para os seus anjos! 42 Porque tive fome e não me
destes de comer, tive sede e não me destes de beber, 43 era peregrino e não me
recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes
visitar-me.’ 44 Por sua vez, eles perguntarão: ‘Quando foi que te vimos com
fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te
socorremos?’ 45 Ele responderá, então: ‘Em verdade vos digo: Sempre que
deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de
fazer.’ 46 Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna.»
Comentários:
1-13 -
Prudência! Este o grande tema que o Evangelho propõe. Ser
prudente significa prevenir, acautelar. Como não sabemos nem o dia nem a hora,
convém estar preparado. "Quem vai para o mar avia-se em terra"! O que
diz a sabedoria popular devemos aplicá-lo na nossa vida. Todos os dias, horas e
minutos devem ser tempo de preparação, "aviar" o necessário para o
momento que o Nosso Senhor dispôs para iniciar-mos a interminável viajem pela
eternidade.
Porque
é que o Senhor não me conhece? Só por ter chegado um pouco tarde ao encontro!
Bom, mas, eu, estive de facto à espera, bastante tempo, tanto que se me acabou
o azeite e tive de ir comprá-lo! O Senhor não tem isto em conta?Não se trata de
o Senhor querer ou não querer conhecer-me. Eu é que me exclui do Seu convívio
porque abandonei a “espera” e, quando Ele entrou, não estava ali para entrar
com Ele. Tive um motivo para o fazer, de facto… mas, O Senhor não tem nada a
ver com isso, ou tem? Ele chega, abre-se a porta e, quem está à espera,
preparado, entra no gozo do seu Senhor. Que não sei nem o dia nem a hora! Pois
não, por isso tenho de estar preparado SEMPRE!
O Senhor repete
uma e outra vez o mesmo aviso: Estar preparado. Esta insistência vem do facto
de Jesus Cristo conhecer muito bem que uma das principais "falhas" do
homem é a falta de perseverança. Não nos cansemos nós também de insistir na
petição: Senhor, ajuda-me a perseverar.
Parece
– ao ler este trecho de São Mateus – que só podemos contar connosco próprios na
hora da dificuldade. Talvez seja um pouco controverso, mas, a verdade é que
temos o dever de nos preparamos para o que se espera de nós e, sabemos, não
podemos faltar. Penso – por exemplo – os que deixam para a última hora uma
conversão de vida, arrependimento e reconciliação contando, talvez, que alguém
se encarregará de prover essa necessidade. E… se não houver ninguém? Se a morte
me colher de improviso, sem possibilidade de preparação – por exemplo num
acidente de viação mortal -? Mais vale estar pronto, preparado e munido de todo
o “azeite” da nossa fé, do nosso amor a Deus para que não suceda que, como na
parábola, não mereçamos encontrar-nos com Ele.
A prudência é
inimiga da solidariedade? Pois… neste trecho de São Mateus pode concluir-se que
sim? A prudência das virgens que não cederam do seu azeite às que lho pediam
foi a causa da perda destas? Evidentemente que não, nem as coisas se podem
apresentar assim tão linearmente. Trata-se – isso sim – de decisões do foro
pessoal e das consequências que delas podem advir. Quando se trata de algo tão
importante como a própria salvação temos de ter bem presente que “todo o
cuidado é pouco”. ‘Não, talvez não
chegue para nós e para vós. Ide, antes, aos vendedores e comprai-o.’, foi a resposta que
obtiveram. Temos, forçosamente, de concordar com as virgens prudentes: pôr em
risco a própria salvação – seja qual for o motivo – é algo que nunca devemos
consentir.
14-30 -
Há quem muito se
desculpe que os “talentos” que recebeu não são nem suficientes nem bastantes
para o se lhe apresenta pela frente. Entendamo-nos: Nunca nos serão pedidas
contas por algo que não possuímos, isso seria uma injustiça! Mas, a questão,
reside em que poucos ou muitos, notórios ou de escassa relevância, todos os
talentos que nos estão reservados são para serem utilizados e, mais, para que
pelos nossos actos e desejos de bem fazer são “afinados”, melhorados”,
dando-lhes melhor eficácia. Não o fazer é “enterrar o talento na terra”, não
ganhamos nada, não damos nada, teremos pesadas contas a prestar. Conheço muitas
crianças que se aplicam a sério nos estudos e só se sentem verdadeiramente
contentes quando vêm os seus esforços coroados de êxito. Fazem-no por vaidade? Não…
de modo nenhum! Fazem-no porque os seus pais lhes incutiram o dever de estudar
dando o melhor de si mesmos para conseguirem os objectivos. Ah! Se todos nós
fossemos como essas crianças!!!
Imaginemos que na parábola se modificavam
alguns termos, por exemplo, aquele que recebeu cinco talentos foi o que os
enterrou e escondeu com medo de os perder. Talvez, até, seja bastante aceitável
esta "alteração" que nos permitimos imaginar já que, infelizmente,
muitos dos que têm muito se comportam como se tivessem pouco para que não lhes
seja pedido que repartam uma parte - mesmo pequena que seja - desse muito que
escondem. E que, aquele que recebeu só um talento se empenhasse a sério em
fazê-lo dar fruto e, até, repartir com liberalidade esse pouco. Sim... O que
aconteceria? Pois, de acordo com o espírito da parábola este último receberia
os cinco talentos do outro ficando, assim, imensamente rico. De facto, é o que
acontece quando o Senhor premeia o bom uso dos talentos que a cada um atribuiu:
com tal liberalidade e generosidade que o que se alcança constitui uma riqueza,
uma fortuna incomensurável.
Esta parábola –
conhecida como a dos “talentos”, tem merecido comentários e meditações por
grandes vultos da Igreja, Teólogos e Santos. É de tal forma “complicada) – à
primeira leitura, claro – que podemos ter a visão como que toldada para nos
apercebermos da simplicidade e lógica de todo o texto. Eu penso que a “chave”
está aqui: Distribuiu os talentos a cada qual conforme a sua capacidade. O Senhor, sabemo-lo muito
bem – não faz acepção de pessoas e, para Ele, todos os homens – absolutamente –
têm o mesmo valor, a mesma dignidade, independentemente das suas capacidades
pessoais. Mas nunca pedirá contas por igual, exigindo uniformemente e sem
critério o mesmo retorno. Não! Pedirá contas – muito certas – conforme o que
cada um fez, como fez, ou, o que não fez e deveria ter feito.
Não poucas vezes
deixamos de fazer algo para o qual temos habilitações ou qualificação especiais
por razão de uma falsa humildade. Sim… julgamos que “dar nas vistas”, de qualquer
modo sobressair ou tornar-notado poderá encerrar vaidade pessoal. Devemos ter
as coisas – o critério - claras e bem definidas. Se considerarmos que nada do
que temos é verdadeiramente nosso mas sim uma graça (s) de Deus então como não
podemos deixar de pôr em obra o que o Senhor legitimamente espera como fruto
desses mesmos bens e graças que gratuitamente nos concedeu? Temos aptidões
especiais para a oratória? Pois discursemos. Para a música? Pois façamos
música. Para a pintura? Pois pintemos. Para escrever? Pois escrevamos. Sempre
empenhando-nos a fundo, o melhor e mais qualificado que podermos. Porquê? Porque,
de certo modo, estamos a devolver ao Senhor o que nos concedeu e, neste caso,
não podemos considerar fazer senão o melhor e mais perfeito.
31-46 -
Este trecho do
Evangelho de S. Mateus põe na boca de Jesus um discurso que é o prenúncio do
Mandamento Novo. Efectivamente o que nele se contém poderia ser resumido
dizendo: Amai os outros! Quem anda por este mundo desinteressado do que se
passa à sua volta, do que acontece aos outros, as suas carências e
dificuldades, os problemas e dificuldades que enfrentam – numa palavra – quem
não usa de misericórdia não tem, obviamente, que esperar misericórdia no dia em
que mais precisará dela: No dia do encontro final com Cristo. Tive sede e fome,
estive doente e na prisão, sofri carências e necessidades e, tu, que fizeste? Olhaste
de lado? Seguiste o teu caminho se te deter um momento por breve que fosse para
te inteirares de como poderias valer-me? E esperas, então, com que direito, que
o Senhor se detenha ao pé de ti considerando as dificuldades que tiveste, as
necessidades que ainda tens? Não! Seguramente, Ele, que é o Supremo Juiz, porá
num prato da balança o que recebeste e, noutro, o que deste e ao ver o enorme
desequilíbrio que pensas que fará?
Eis aqui o Segundo
Mandamento da Lei de Deus: Amar o próximo como a si mesmo! Não se trata de amar
no sentido lato e subjectivo, mas, sim, de amar em concreto com obras concretas
e bem definidas. O Senhor enumera algumas das obras de misericórdia com que
mais frequentemente nos urge o nosso amor aos outros: ajudar, ser solidário,
vestir, abrigar, dar de comer e beber, amparar, apoiar. Cada um de nós
cristãos, devemos considerar-nos como pequenas "empresas de carácter
social", concretizando em actos o que o coração nos dita. A alegria que se
sente quando praticamos qualquer destas obras - pequenas ou grandes - que
expressam o nosso amor é, só por si, paga mais que suficiente para o eventual
esforço ou sacrifício que foi preciso fazer, mas, a "paga" que o
Senhor nos tem reservada - por um simples copo de água - é de valor tão
incomensurável que não se compreende como podemos deixar de as praticar.
Este trecho de São
Mateus bem poderia chamar-se o “Evangelho das obras de Misericórdia”, ou, se
quisermos, “Evangelho do Segundo Mandamento”. De facto o Senhor enumera
repetidamente as obrigações de solidariedade e de serviço de uns pelos outros,
não só por amor ao próximo mas, também, ao próximo por amor de Deus. Quem se
esquece do outro e vai pela vida solitário e como que imune às necessidades
concretas do seu semelhante não pode esperar senão repúdio e desinteresse por
parte do Senhor. Não poderia ser mais claro!
Muitas vezes,
preocupados e pesarosos com o mal que praticámos, esquecemo-nos de confessar as
faltas de omissão que foram surgindo ao longo dos dias. Não fazer o bem quando
podemos – e devemos – são faltas de que, como se vê no presente Evangelho, nos
serão pedidas estreitas contas. Porque o não fizemos? Poderá haver inúmeras
explicações ou desculpas mas, na verdade, o que está em causa é o nosso
desinteresse, a nossa falta de amor pelo próximo.
Este discurso de
Jesus tem, claramente, o principal objectivo de nos elucidar sobre o Julgamento
Universal que ocorrerá no Final dos Tempos. Desde logo – Universal – porque
todos, vivos na Terra ou na Vida Eterna, estarão presentes e tudo,
absolutamente, será revelado e, portanto, será completo e definitivo. Pelas
próprias palavras de Cristo o que – em palavras humanas – será escrutinado
serão as Obras de Misericórdia que praticámos ou não.
(AMA,
2018)
Subscrever:
Mensagens (Atom)






