Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
24/04/2020
Temas para reflectir e meditar
E
para descobrir a vontade concreta do Senhor sobre a nossa vida são sempre
indispensáveis a escuta pronta e dócil da palavra de Deus e da Igreja, a oração
filial e constante, a referência a uma sábia e amorosa direcção espiritual, a
percepção na fé dos dons e talentos recebidos e, ao mesmo tempo, das diversas
situações sociais e históricas em que se está imerso.
(São
João Paulo II, Exortação Apostólica Christifidelis laici, 1988.12.30, 58)
PANDEMIA
IRA
O
amor não se ira facilmente. (1 Coríntios 13, 4-7)
O
AMOR É:
ENTREGA
– DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL
-TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO - OBEDIÊNCIA
– CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO – HUMANO – CONSAGRAÇÃO - ALEGRIA – PACIENTE –
ESPERANÇA – BONDADE –
O
AMOR NÃO É NEM TEM:
INVEJOSO
– GLÓRIA – ORGULHO – MEDIDA – INTERESSES - IRA
Com
estes predicados o AMOR não será a solução?
(AMA,
2020)
Os frutos saborosos da alma mortificada
Estes são os saborosos frutos da alma mortificada: compreensão e
transigência para as misérias alheias; intransigência para as próprias. (Caminho 198)
Penitência é tratar sempre os outros com a maior caridade,
começando pelos teus. É atender com a maior delicadeza os que sofrem, os
doentes e os que padecem. É responder com paciência aos maçadores e
inoportunos. É interromper ou modificar os nossos programas, quando as
circunstâncias – sobretudo os interesses bons e justos dos outros – assim o
requerem.
A penitência consiste em suportar com bom humor as mil pequenas
contrariedades do dia; em não abandonar o trabalho, mesmo que no momento te
tenha passado o entusiasmo com que o começaste; em comer com agradecimento o
que nos servem, sem caprichos importunos. (Amigos de Deus, 138)
LEITURA ESPIRITUAL
COMENTANDO OS EVANGELHOS
Cap. XXIV
1 Tendo saído do templo, Jesus ia-se
embora, quando os seus discípulos se aproximaram dele para lhe mostrar as
construções do templo. 2 Mas Ele disse-lhes: «Vedes tudo isto? Em verdade vos
digo que não ficará aqui pedra sobre pedra: tudo será destruído.» 3 Estando
Jesus sentado no Monte das Oliveiras, os discípulos aproximaram-se e
perguntaram-lhe em particular: «Diz-nos quando acontecerá tudo isto e qual o
sinal da tua vinda e do fim do mundo.» 4 Jesus respondeu-lhes: «Tomai cuidado
para que ninguém vos desencaminhe. 5 Porque virão muitos em meu nome, dizendo:
‘Sou eu o Messias.’ E hão-de enganar muita gente. 6 Ouvireis falar de guerras e
de rumores de guerras, mas não vos assusteis. Isso tem de acontecer, mas ainda
não será o fim. 7 Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino, e
haverá fomes, pestes e terramotos em vários sítios. 8 Tudo isto será apenas o
princípio das dores.» 9 «Então, irão entregar-vos à tortura e à morte e, por
causa do meu nome, todos os povos irão odiar-vos. 10 Nessa altura, muitos
sucumbirão e hão-de trair-se e odiar-se uns aos outros. 11 Surgirão muitos
falsos profetas, que hão-de enganar a muitos. 12 E, porque se multiplicará a
iniquidade, vai resfriar o amor de muitos; 13 mas aquele que se mantiver firme
até ao fim será salvo. 14 Este Evangelho do Reino será proclamado em todo o
mundo, para se dar testemunho diante de todos os povos. E então virá o fim.» 15
«Por isso, quando virdes a abominação da desolação, de que falou o profeta
Daniel, instalada no lugar santo, - o que lê, entenda – 16 então, os que se
encontrarem na Judeia fujam para os montes; 17 aquele que estiver no terraço
não desça para tirar as coisas de sua casa; 18 e o que se encontrar no campo
não volte atrás para buscar a capa. 19 Ai das que estiverem grávidas e das que
andarem amamentando nesses dias! 20 Rezai para que a vossa fuga não se
verifique no Inverno ou em dia de sábado, 21 pois nessa altura a aflição será
tão grande como nunca se viu desde o princípio do mundo até ao presente, nem
jamais se verá. 22 E, se não fossem abreviados esses dias, criatura alguma se
poderia salvar; mas, por causa dos eleitos, esses dias serão reduzidos.» 23 «Então,
se vierem dizer-vos: ‘Aqui está o Messias’, ou ‘Ali está Ele’, não acrediteis;
24 porque hão-de surgir falsos messias e falsos profetas, que farão grandes
milagres e prodígios, a ponto de desencaminharem, se possível, até os eleitos.
25 Olhai que já vos preveni. 26 Por isso, se vos disserem: ‘Ele está no
deserto’, não saiais; ‘Ei-lo no interior da casa’, não acrediteis. 27 Porque,
assim como o relâmpago sai do Oriente e brilha até ao Ocidente, assim será a
vinda do Filho do Homem. 28 Onde houver um cadáver, aí se juntarão os abutres.»
29 «Logo após a aflição daqueles dias, o Sol irá escurecer-se, a Lua não dará a
sua luz, as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. 30 Então,
aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem e todos os povos da terra se
lamentarão e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu, com grande
poder e glória. 31 Ele enviará os seus anjos, com uma trombeta altissonante,
para reunir os seus eleitos desde os quatro ventos, de um extremo ao outro do
céu.» 32 «Aprendei da comparação tirada da figueira: quando os seus ramos se
tornam tenros e as folhas começam a despontar, sabeis que o Verão está próximo.
33 Assim também, quando virdes tudo isto, ficai sabendo que Ele está próximo, à
porta. 34 Em verdade vos digo: Esta geração não passará sem que tudo isto
aconteça. 35 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão-de
passar.» 36 «Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe: nem os anjos do
Céu nem o Filho; só o Pai. 37 Como foi nos dias de Noé, assim acontecerá na
vinda do Filho do Homem. 38 Nos dias que precederam o dilúvio, comia-se,
bebia-se, os homens casavam e as mulheres eram dadas em casamento, até ao dia
em que Noé entrou na Arca; 39 e não deram por nada até chegar o dilúvio, que a
todos arrastou. Assim será também a vinda do Filho do Homem. 40 Então, estarão
dois homens no campo: um será levado e outro deixado; 41 duas mulheres estarão
a moer no mesmo moinho: uma será levada e outra deixada. 42
Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. 43 Ficai
sabendo isto: Se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão,
estaria vigilante e não deixaria arrombar a casa. 44 Por isso, estai também
preparados, porque o Filho do Homem virá na hora em que não pensais.» 45 «Quem
julgais que é o servo fiel e prudente, que o senhor pôs à frente da sua família
para os alimentar a seu tempo? 46 Feliz esse servo a quem o senhor, ao voltar,
encontrar assim ocupado. 47 Em verdade vos digo: Há-de confiar-lhe todos os
seus bens. 48 Mas, se um mau servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor está a
demorar’, 49 e começar a bater nos seus companheiros, a comer e a beber com os
ébrios, 50 o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e à hora
que ele desconhece; 51 vai afastá-lo e dar-lhe um lugar com os hipócritas. Ali
haverá choro e ranger de dentes.»
Comentários:
23-25 –
Com frequência, espanta-nos a proliferação de
“igrejas” e “templos” detentores
diversos “carismas” e “doutrinas” que, um pouco por todo o mundo, proliferam e
conseguem reunir à sua volta milhares de seres humanos de todas as idades e
raças. Recorrendo a “milagres” - curas e outros – frases e sentenças retiradas
das Escrituras – do seu contexto – conseguem manter como que “atordoados” esses
pobres infelizes que desejam, a todo o custo, a felicidade própria. Sabemos – é
absolutamente claro – que não possuem nem doutrina nem carismas mas, apenas, a
ganância de aproveitar quanto possam da fraqueza e debilidade de tantos. O
Senhor bem avisou, como se pode ver nestes versículos que comentamos, e, os
Seus “avisos” são – sempre – para levar a sério. O que podemos – os cristãos –
fazer? Julgo que, o mais importante é rezar por essas multidões “perdidas
nessas fantasias e enganos” para que se deem conta do engano que estão a correr e vejam a Luz, a Verdade e a Vida
que, consiste, em acreditar na Palavra de Deus pregada pela Santa Igreja
Católica.
O
Senhor continua o Seu discurso sobre o final dos tempos. O que pretende não é
atemorizar nem manter em suspenso as apreensões sobre esse acontecimento, mas,
bem ao contrário, transmitir esperança e confiança. Tudo se passará num
instante que não sabemos quando será. Por isso mesmo, para que não sejamos
apanhados de surpresa como nos tempos do Dilúvio Universal, convém sobremaneira
estar preparado. Esta “preparação” não é mais que estar firmes na nossa Fé e na
sua prática que, mais não é, que, fazer em tudo, a Vontade de Deus. Não esperar
por uma altura qualquer que julguemos mais favorável; agora! Agora é que
devemos pôr mãos à obra da nossa santificação!
42-51 -
A única certeza que,
nos seres humanos, temos é que a nossa vida terrena acabará com a morte. A
segunda certeza que devemos ter, é a da imortalidade da nossa alma. Parece
muito conveniente preocuparmo-nos mais com esta que com aquela.
Ninguém poderá
dizer que não foi insistentemente avisado sobre os cuidados a ter na preparação
da vida eterna. Mais! Não parece ser nada complicado ou que exija grande
esforço já que o que há a fazer é comportar-se com os olhos e o coração postos
no Céu, sem deixar de ter os pés bem assentes na terra. No fim e ao cabo, viver
como Deus quer.
Em defesa da
verdade João Baptista deu a própria vida. Nunca se calou na denúncia dos actos
menos próprios sabendo que tal lhe acarretaria a morte. A sinistra figura de
Herodes ficará para a história da humanidade como o protótipo dos que se julgam
senhores da vida e da morte e vivem não de amor, mas do medo que inspiram.
(AMA, 2018)
23/04/2020
Temas para reflectir e meditar
(M. M. Philipon, Los dones del Espíritu Santo, Palabra, Madrid 1983, pg. 300, trad ama)
PANDEMIA
INTERESSE
“O
amor não procura seus interesses”. (1 Coríntios 13, 4-7)
Qual
é o interesse do AMOR?
Nenhum…
não deve ter nenhum interesse seja qual for.
Se quem
ama se doa a si mesmo, como poderia reservar-se algo para si?
O
AMOR É:
ENTREGA
– DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL
-TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO - OBEDIÊNCIA
– CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO – HUMANO – CONSAGRAÇÃO - ALEGRIA – PACIENTE –
ESPERANÇA – BONDADE –
O
AMOR NÃO É NEM TEM:
INVEJOSO
– GLÓRIA – ORGULHO – MEDIDA - INTERESSES
Com
estes predicados o AMOR não será a solução?
(AMA,
2020)
Quer que sejamos muito humanos e muito divinos
Há muitos anos já que vi com clareza meridiana um critério que
será sempre válido: o ambiente da sociedade, com o seu afastamento da fé e da
moral cristãs, necessita de uma nova forma de viver e de propagar a verdade
eterna do Evangelho. No próprio cerne da sociedade, do mundo, os filhos de Deus
hão-de brilhar pelas suas virtudes como lanternas na escuridão, "quasi lucernae lucentes in caliginoso loco".
(Sulco, 318)
Se aceitarmos a nossa responsabilidade de filhos de Deus,
saberemos que Ele quer que sejamos muito humanos. A cabeça pode tocar o céu,
mas os pés assentam na terra, com segurança. O preço de se viver cristãmente
não é nem deixar de ser homem nem abdicar do esforço por adquirir essas
virtudes que alguns têm, mesmo sem conhecerem Cristo. O preço de todo o cristão
é o Sangue redentor de Nosso Senhor, que nos quer – insisto – muito humanos e
muito divinos, com o empenho diário de O imitar, pois é perfectus Deus, perfectus homo.
Talvez não seja capaz de dizer qual é a principal virtude humana.
Depende muito do ponto de vista de que se parta. Além disso, a questão torna-se
ociosa, porque não se trata de praticar uma ou várias virtudes. É preciso lutar
por adquiri-las e praticá-las todas. Cada uma de per si entrelaça-se com as
outras e, assim, o esforço por sermos sinceros, por exemplo, torna-nos justos,
alegres, prudentes, serenos.
Precisamos, ao mesmo tempo, de considerar que a decisão e a
responsabilidade residem na liberdade pessoal de cada um e, por isso, as
virtudes são também radicalmente pessoais, da pessoa. No entanto, nessa batalha
de amor ninguém luta sozinho – ninguém é um verso solto, costumo repetir –: de
certo modo, ou nos ajudamos ou nos prejudicamos. Todos somos elos de uma mesma
cadeia. Pede agora comigo a Deus Nosso Senhor, que essa cadeia, nos prenda ao
seu Coração, até chegar o dia de O contemplar face a face, no Céu, para sempre.
(Amigos de Deus, 75–76)
LEITURA ESPIRITUAL
COMENTANDO OS EVANGELHOS
Cap. XXIII
1 Então,
Jesus falou assim à multidão e aos seus discípulos: 2 «Os doutores da Lei e os
fariseus instalaram-se na cátedra de Moisés. 3 Fazei, pois, e observai tudo o
que eles disserem, mas não imiteis as suas obras, pois eles dizem e não fazem.
4 Atam fardos pesados e insuportáveis e colocam-nos aos ombros dos outros, mas
eles não põem nem um dedo para os deslocar. 5 Tudo o que fazem é com o fim de
se tornarem notados pelos homens. Por isso, alargam as filactérias e alongam as
orlas dos seus mantos. 6 Gostam de ocupar o primeiro lugar nos banquetes e os
primeiros assentos nas sinagogas. 7 Gostam das saudações nas praças públicas e
de serem chamados ‘mestres’ pelos homens. 8 Quanto a vós, não vos deixeis
tratar por ‘mestres’, pois um só é o vosso Mestre, e vós sois todos irmãos. 9 E,
na terra, a ninguém chameis ‘Pai’, porque um só é o vosso ‘Pai’: aquele que
está no Céu. 10 Nem permitais que vos tratem por ‘doutores’, porque um só é o
vosso ‘Doutor’: Cristo. 11 O maior de entre vós será o vosso servo. 12 Quem se
exaltar será humilhado e quem se humilhar será exaltado. 13 Ai de vós, doutores da Lei e fariseus
hipócritas, porque fechais aos homens o Reino do Céu! Nem entrais vós nem
deixais entrar os que o querem fazer. 14 Ai de vós, doutores da Lei e fariseus
hipócritas, que devorais as casas das viúvas, com o pretexto de prolongadas
orações! Por isso, sereis mais rigorosamente julgados. 15 Ai de vós, doutores
da Lei e fariseus hipócritas, que percorreis o mar e a terra para fazer um
prosélito e, depois de o terdes seguro, fazeis dele um filho do inferno, duas
vezes pior do que vós! 16 Ai de vós, guias cegos, que dizeis: ‘Se alguém jura
pelo santuário, isso não tem importância; mas, se jura pelo ouro do santuário,
fica sujeito ao juramento.’ 17 Insensatos e cegos! Que é o que vale mais? O
ouro ou o santuário, que tornou o ouro sagrado? 18 Dizeis ainda: ‘Se alguém
jura pelo altar, isso não tem importância; mas, se jura pela oferta que está
sobre o altar, fica sujeito ao juramento.’ 19 Cegos! Qual é o que vale mais? A
oferta ou o altar, que torna sagrada a oferta? 20 Portanto, jurar pelo altar é
o mesmo que jurar por ele e por tudo o que está sobre ele; 21 jurar pelo
santuário é jurar por ele e por aquele que nele habita; 22 jurar pelo Céu é
jurar pelo trono de Deus e por aquele que nele está sentado. 23 Ai de vós,
doutores da Lei e fariseus hipócritas, porque pagais o dízimo da hortelã, do
funcho e do cominho e desprezais o mais importante da Lei: a justiça, a
misericórdia e a fidelidade! Devíeis praticar estas coisas, sem deixar aquelas.
24 Guias cegos, que filtrais um mosquito e engolis um camelo! 25 Ai de vós,
doutores da Lei e fariseus hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do
prato, quando por dentro estão cheios de rapina e de iniquidade! 26 Fariseu cego!
Limpa antes o interior do copo, para que o exterior também fique limpo. 27 Ai
de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, porque sois semelhantes a
sepulcros caiados: formosos por fora, mas, por dentro, cheios de ossos de
mortos e de toda a espécie de imundície! 28 Assim também vós: por fora pareceis
justos aos olhos dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de
iniquidade. 29 Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, que edificais
sepulcros aos profetas e adornais os túmulos dos justos, 30 dizendo: ‘Se
tivéssemos vivido no tempo dos nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no
sangue dos profetas!’ 31 Deste modo, confessais que sois filhos dos que
assassinaram os profetas. 32 Acabai, então, de encher a medida dos vossos pais!
33 Serpentes! Raça de víboras! Como podereis fugir à condenação da Geena? 34 Por
causa disto, envio-vos profetas, sábios e doutores da Lei. Matareis e
crucificareis alguns deles, açoitareis outros nas vossas sinagogas e haveis de
persegui-los, de cidade em cidade. 35 Assim cairá sobre vós todo o sangue
inocente que tem sido derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel até
ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o
altar. 36 Em verdade vos digo: Tudo isto cairá sobre esta geração!» 37 «Jerusalém,
Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas
vezes quis reunir os teus filhos como a galinha reúne os seus pintainhos sob as
asas, e tu não quiseste! 38 Pois bem, a vossa casa ficará deserta. 39Eu vos
digo que não voltareis a ver-me até que digais: Bendito o que vem em nome do
Senhor.»
Comentários:
1-12 -
Quem
se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado disseste Tu, Senhor.
E, como foste Tu quem o disse, só pode ser verdade. Quantas vezes não se
verifica! E, quanto a mim? Que se passará? Sim porque eu tenho esta prosápia
permanente, esta sede de protagonismo e evidência – as minhas filactérias –
sempre olhar para cima, pescoço bem esticado para ser visto e, naturalmente,
admirado. Aceita, Senhor, a minha declaração formal do que sou: Nada,
absolutamente, e trata-me assim: como nada!
Já
se disse e repete-se: de nada interessam nem as palavras nem as
"teorias" se não correspondem às obras. O exemplo sim, arrasta,
catequiza, convence. Res non verba -
obras e não palavras - este é o princípio, o axioma. No trabalho de Deus e por
Deus como é todo o apostolado que a nossa condição de cristãos nos obriga e
urge, não pensemos tanto no que havemos de dizer, mas, antes, no que temos de
fazer. As nossas acções falarão por si mesmas e, mais, identificam-nos como
pessoas credíveis e fiáveis.
O
tema principal deste trecho de São Mateus é o “serviço”. Não parece desajustado
porque quem o propõe é o “Servidor” por excelência: o próprio Jesus Cristo. Parecerá
a alguns que servir não é “próprio” de criaturas livres e senhoras de si, mas
antes, de outros que não têm outra capacidade senão obedecer. Ponho as coisas
de outro modo – talvez simplista – que me parece resolver de vez a questão: Prefiro
servir a minha pessoa, a minha vontade, os meus desejos e ambições ou servir a
Deus Nosso Senhor? A primeira opção é arriscada porque sou um simples homem
limitado e em permanente evolução; A segunda é seguríssima porque só pode ser
para bem, porque Deus É, não evolui, não muda, sabe absolutamente tudo o que
melhor convém.
Este trecho do Evangelho propõe-nos um exame sério,
detalhado, profundo. Somos que dizemos ser? Fazemos o que dizemos que deve ser
feito? Julgamo-nos de alguma forma "superiores",
"especiais", dignos de admiração? Talvez que, depois desse exame,
fiquemos surpreendidos com a conclusão. Não deixemos que os nossos defeitos e
fraquezas nos dominem ou condicionem, lutemos, antes, por ser sinceros,
honestos no proceder e intelectualmente. Esta "luta" terá de ser
constante, sem descanso nem com medo dos fracassos. Se pedirmos ajuda ao
Senhor, Ele não nos faltará.
Este discurso de Jesus que o Evangelista
relata, é, poderíamos dizer, recorrente. De facto, Jesus Cristo encontra-se quase
que em permanente confronto com as classes dominantes do povo de Israel. E, a
causa, a raiz desse confronto – que da parte contrária chega a ser ridícula – é
a falta de humildade, o desejo de protagonismo e evidência, a
auto-consideração. Deus – com palavras humanas – não sabe o que fazer com
pessoas assim nem, aliás, elas se preocupam muito com isso já que como quase
auto-satisfazem a si próprios e se acham acima de todos os outros. Quem anda
pela vida “olhando o próprio umbigo”, portando-se como se fosse o dono e senhor
de toda a verdade, na realidade despreza os outros e, quem despreza o próximo,
acaba sempre por desprezar o próprio Deus.
Talvez que o que mais me surpreende em Jesus
Cristo é a Sua extraordinária paciência perante os “usurpadores” da verdade
como são, de facto. os chefes do povo de Israel. Não deixando, embora, passar
sem referir os abusos e atropelos à Lei, tem uma atitude didáctica para com eles
na medida em que procurando não pôr o povo contra eles quer, por outro lado,
chamar a sua atenção para os múltiplos erros e abusos que cometem. A Sua
doutrina é positiva e não trava uma luta mas, doutrinando, ensina e ajuda os
que, enganados, “andam como ovelhas sem pastor”.
13-22 -
Neste
trecho de São Mateus, Jesus dirige-se particularmente aos fariseus, mas, em boa verdade poderia repetir estas mesmas
palavras a muitos cristãos que se "arvoram" em juízes e directores de
outros, expondo doutrina e princípios
rigorosos que eles próprios não só não cumprem como desprezam. São falsos e
perigosos porque aproveitando-se (não poucas vezes em proveito próprio) de
pessoas simples ou incautas, espalham o erro e abusam da boa-fé dos que os
ouvem. Normalmente são bem-falantes e prometem tudo quanto as pessoas desejam
ter ou alcançar. Cuidado, pois! São as obras e não as palavras que revelam a
verdade.
Neste trecho de São Mateus aparece-nos um
Jesus Cristo um pouco “diferente” do habitual, como se “tivesse perdido a
paciência” com os opositores do costume. Talvez, de facto, a impaciência de
Jesus se mostre clarissimamente, sem rodeios nem meias palavras e, isto,
demonstra uma vez mais, que, O Senhor, só diz a verdade em qualquer
circunstância. A argumentos inconsistentes e sem qualquer critério há que
responder “pondo as coisas o seu lugar”, principalmente porque é necessário
que, os “pequeninos” saibam onde está a verdade e o caminho certo.
Jesus Cristo numa
assaz longa palestra põe a nu, sem quaisquer reticências ou escolha de
palavras, quanto no comportamento dos fariseus é reprovável e falso. Fala à
chamado “classe dominante” do povo, aqueles que se outorgam qualidades e
direitos de guias e mentores, responsáveis pela aplicação da lei. Não são, de
facto, o que dizem ser e, ainda pior, praticam o contrário do que exigem aos
outros. O Senhor detesta a hipocrisia e a duplicidade e não pode aceitar sem se
pronunciar vigorosamente contar tal gente.
23-26 -
Talvez que ao ler este trecho do Evangelho tenhamos de considerar
a necessidade de um exame ao nosso comportamento. É verdade... consideramos o
comportamento dos fariseus no tempo de Cristo repugnante ou pelo menos pouco
recomendável, mas será que nós não teremos por vezes essa mesma tendência de
nos agarrarmos às coisas menores, aos detalhes de escassa importância
desprezando o que realmente interessa para cumprir-mos em tudo a Vontade de
Deus?
Justiça, Misericórdia e Fidelidade! O mais importante da
lei! Justiça para contigo, Senhor, dando-te o que Te pertence que é tudo porque
tudo criaste. Nada do que julgamos ter é nosso. Misericórdia que é compaixão
que é amor. Dando aos outros o que Tu esperas que nós demos: tudo o que estiver
ao nosso alcance. Fidelidade que é a constância e a perseverança no bom
caminho, que, és Tu, Caminho, Verdade e vida.
27-32
-
O Senhor não se
coíbe na sua apreciação do comportamento dos fariseus. Não serão todos
evidentemente porque, como em todas as classes ou grupos sociais, há pessoas
correctas e com são critério.
Mas infelizmente e sobretudo naquele tempo, o serem uma classe dominante perverteu a sua "missão" de chefes do povo preocupando-se mais com as aparências que com o exemplo que deveriam dar.
Assim, desviando a verdadeiras questões e iludindo os problemas concretos, contribuíram fortemente para que o povo anónimo fosse considerado por Cristo como «ovelhas perdidas sem pastor».
Mas infelizmente e sobretudo naquele tempo, o serem uma classe dominante perverteu a sua "missão" de chefes do povo preocupando-se mais com as aparências que com o exemplo que deveriam dar.
Assim, desviando a verdadeiras questões e iludindo os problemas concretos, contribuíram fortemente para que o povo anónimo fosse considerado por Cristo como «ovelhas perdidas sem pastor».
São Mateus continua a relatar o discurso de
Jesus dirigido directamente aos fariseus e doutores da lei É um longo discurso
em que nada fica por dizer, vícios por apontar, procedimentos incorrectos por
revelar. É necessário que o faça porque ninguém tem nem a coragem nem a
determinação de Cristo por revelar a verdade. O povo, anónimo e submisso, era
como o Senhor o apelidará: «Como ovelhas
sem pastor», e, Ele, veio ao mundo para ser o seu Pastor, fiel e seguro que
o conduzirá por caminhos de salvação. Talvez que, hoje em dia, faltem pastores
autênticos e dedicados ao rebanho que o Senhor lhes confiou. O Papa não se
cansa de chamar a atenção para o primeiro e mais urgente ministério da Igreja: Guiar
os fiéis, instruindo e ensinando, mas, sobretudo, dando exemplo claro e
iniludível que atraia e conduza o povo de Deus para Ele.
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
22/04/2020
Temas para reflectir e meditar
PANDEMIA
“A
medida do amor é amar sem medida”. (Santo Agostinho)
Para
ser verdadeiro, o AMOR, não conhece, nem tem, medida ou limitações.
Deve
ser de todos e para todos, principalmente porque, o AMOR de DEUS é
absolutamente total, por todos os seres por Ele criados, sem acepção de pessoas nem
reservas.
O
AMOR É:
ENTREGA
– DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL
-TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO - OBEDIÊNCIA
– CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO – HUMANO – CONSAGRAÇÃO - ALEGRIA – PACIENTE –
ESPERANÇA – BONDADE –
O
AMOR NÃO É NEM TEM:
INVEJOSO
– GLÓRIA – ORGULHO - MEDIDA
Com
estes predicados o AMOR não será a solução?
(AMA,
2020)
Tu e eu procedemos como filhos de Deus?
Um filho de Deus não tem medo da vida nem medo da morte, porque o
fundamento da sua vida espiritual é o sentido da filiação divina: Deus é meu
Pai, pensa, e é o Autor de todo o bem, é toda a Bondade. – Mas tu e eu
procedemos, de verdade, como filhos de Deus? (Forja, 987)
A nossa condição de filhos de Deus levar-nos-á – insisto – a ter
espírito contemplativo no meio de todas as actividades humanas – luz, sal e
levedura, pela oração, pela mortificação, pela cultura religiosa e profissional
–, fazendo realidade este programa: quanto mais dentro do mundo estivermos,
tanto mais temos de ser de Deus. (Forja, 740)
Quando se trabalha por Deus, é preciso ter "complexo de
superioridade" – fiz-te notar. – Mas – perguntavas-me – isso não é uma
manifestação de soberba? – Não! É uma consequência da humildade, de uma
humildade que me faz dizer: – Senhor, Tu és o que és. Eu sou a negação. Tu tens
todas as perfeições: o poder, a fortaleza, o amor, a glória, a sabedoria, o
império, a dignidade... Se eu me unir a Ti, como um filho quando se põe nos
braços fortes do pai ou no regaço maravilhoso da mãe, sentirei o calor da tua
divindade, sentirei as luzes da tua sabedoria, sentirei correr pelo meu sangue
a tua fortaleza. (Forja,
342)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Simplicidade e modéstia.
Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.
Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.
Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.
Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
LEITURA ESPIRITUAL
COMENTANDO OS EVANGELHOS
Cap. XXII
1 Tendo
Jesus recomeçado a falar em parábolas, disse-lhes: 2 «O Reino do Céu é
comparável a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. 3 Mandou
os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram comparecer.
4 De novo mandou outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: O meu
banquete está pronto; abateram-se os meus bois e as minhas reses gordas; tudo
está preparado. Vinde às bodas.’ 5 Mas eles, sem se importarem, foram um para o
seu campo, outro para o seu negócio. 6 Os restantes, apoderando-se dos servos,
maltrataram-nos e mataram-nos. 7 O rei ficou irado e enviou as suas tropas, que
exterminaram aqueles assassinos e incendiaram a sua cidade. 8 Disse, depois,
aos servos: ‘O banquete das núpcias está pronto, mas os convidados não eram
dignos. 9 Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas todos
quantos encontrardes.’ 10 Os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos
aqueles que encontraram, maus e bons, e a sala do banquete encheu-se de
convidados. 11 Quando
o rei entrou para ver os convidados, viu um homem que não trazia o traje
nupcial. 12 E disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’ Mas
ele emudeceu. 13 O rei disse, então, aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos
e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.’ 14 Porque
muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.» 15 Então, os fariseus
reuniram-se para combinar como o haviam de surpreender nas suas próprias
palavras. 16 Enviaram-lhe os seus discípulos, acompanhados dos partidários de
Herodes, a dizer-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas o caminho
de Deus segundo a verdade, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não
olhas à condição das pessoas. 17 Diz-nos, portanto, o teu parecer: É lícito ou
não pagar o imposto a César?» 18 Mas Jesus, conhecendo-lhes a malícia,
retorquiu: «Porque me tentais, hipócritas? 19 Mostrai-me a moeda do imposto.»
Eles apresentaram-lhe um denário. 20 Perguntou: «De quem é esta imagem e esta
inscrição?» 21 «De César» - responderam. Disse-lhes então: «Dai, pois, a César
o que é de César e a Deus o que é de Deus.» 22 Quando isto ouviram, ficaram
maravilhados e, deixando-o, retiraram-se. 23 Nesse mesmo dia, os saduceus, que
não acreditam na ressurreição, foram ter com Ele e interrogaram-no. 24 «Mestre,
Moisés disse: Se algum homem morrer sem filhos, o seu irmão casará com a viúva,
para suscitar descendência ao irmão. 25 Ora, entre nós havia sete irmãos. O
primeiro casou e morreu sem descendência, deixando a mulher a seu irmão; 26 sucedeu
o mesmo ao segundo, depois ao terceiro, e assim até ao sétimo. 27 Depois de
todos eles, morreu a mulher. 28 Então, na ressurreição, de qual dos sete será
ela mulher, visto que o foi de todos?» 29 Jesus respondeu-lhes: «Estais enganados,
porque desconheceis as Escrituras e o poder de Deus. 30 Na ressurreição, nem os
homens terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como anjos no Céu. 31
E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus disse: 32 Eu sou o
Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob? Não dos mortos, mas dos
vivos é que Ele é Deus!» 33 E a multidão, ouvindo-o, maravilhava-se com a sua
doutrina. 34 Constando-lhes que Jesus reduzira os
saduceus ao silêncio, os fariseus reuniram-se em grupo. 35 E um deles, que era
legista, perguntou-lhe para o embaraçar: 36 «Mestre, qual é o maior mandamento
da Lei?» 37 Jesus disse-lhe: Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu
coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. 38 Este é o maior e o
primeiro mandamento. 39 O segundo é semelhante: Amarás ao teu próximo como a ti
mesmo. 40 Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.» 41 Estando
os fariseus reunidos, Jesus interrogou-os: 42 «Que pensais vós do Messias? De
quem é filho?» Responderam-lhe: «De David.» 43 Disse-lhes Ele: «Como é, então,
que David, sob a influência do Espírito, lhe chama Senhor, dizendo: 44 Disse o
Senhor ao meu Senhor: ‘Senta-te à minha direita, até que Eu ponha os teus
inimigos por estrado de teus pés’? 45 Ora, se David lhe chama Senhor, como é
seu filho?» 46 E ninguém soube responder-lhe palavra. A partir de então,
ninguém mais se atreveu a interrogá-lo.
Comentários:
1-10 -
Numa alegoria que se compreende
perfeitamente, Deus começou por
convidar o Seu povo, escolhido segundo a promessa feita a Abraão. Mas, o
convite divino ou não foi aceite ou foi ignorado. O Senhor, então, o que faz?
Convida todos, absolutamente todos, estende o convite a toda a humanidade
porque nos quer a todos à Sua volta… sempre. O banquete está sempre pronto e as
portas franqueadas. Só temor que aceitar e entrar para usufruir dessa festa
extraordinária que o nosso Senhor nosso Deus nos tem preparada.
1-14 -
O convite que o Senhor faz a
participar nas bodas é universal. Ninguém é excluído todos têm lugar. À
disposição de qualquer um estão abundantes meios para uma preparação condigna
com a honra, a magnitude da festa eucarística.
A frase com que São Mateus
termina este seu texto, dá-nos que pensar! Que queria Jesus dizer com tal? De
facto, muitos recebem a vocação para seguir Cristo mais de perto e, muitos,
correspondem tentando santificar a sua vida que outra coisa não é que fazer, em
tudo, a Justíssima e Amabilíssima Vontade de Deus. Mas, desses, só uma ínfima
parte é escolhida para O seguir de muito mais perto, colocando-se ao Seu
serviço, entregando-lhe toda a sua vida. Estes ‘escolhidos’ são as pedras onde
Cristo assenta a Sua Igreja, os guias do Seu rebanho, os que têm o poder de
«atar e desatar» os vínculos que unem os homens ao Criador, e, sobretudo, os
que na Santa Missa perpetuam a Sua presença real e substancial em Corpo, Alma e
Divindade ao consagrarem o pão e o vinho tal como Ele, pela primeira vez na
Última Ceia, o fez.
Talvez
que estes sejam os pecados que mais magoam o Coração de Jesus, Ele que se
deixou ficar humildissimamente sob as espécies do pão tratado de forma tão soez
e desprezível. Tenhamos consciência
destas gravíssimas faltas e desagravemos o Senhor na Eucaristia e,
simultaneamente, peçamos por todos esses que não sabem - ou não querem saber -
da reverência, amor e profundo respeito devidos à Santíssima Eucaristia. Não permitas,
Senhor, que, tendo correspondido com prontidão ao Teu convite, me apresente sem
o traje da dignidade que Te é devida. “lava-me,
Senhor da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado” (Ordinário da
Missa). Chamado na encruzilhada dos caminhos da minha vida, não permitas
que, com a pressa e urgência em comparecer, me esqueça de que não sou digno de
tal convite. Que me prepare com o traje que pões à minha disposição para que
compareça como devo. Então, revestido da Tua Graça, poderei participar com a
alegria e gozo extraordinários que concedes aos convivas do Teu banquete
divino.
Bem sabemos que
não somos dignos mas não podemos deixar de corresponder ao Teu convite. A honra
de sermos convidados mais se avoluma quando contemplamos a grandiosidade do Teu
banquete com a nossa miséria! Como poderíamos, então, recusar?
Talvez
que muitos cristãos piedosos e "rezadores" se esqueçam frequentemente
de desagravar a santíssima Eucaristia por tantas comunhões mal feitas e, até
sacrílegas. Pessoas que comungam o Verdadeiro Corpo do Senhor de uma forma
leve, distraída, mecânica, rotineira. Outros que se atrevem a receber Jesus nas
suas almas sem estarem devidamente preparados. Numa primeira reacção podemos admirar-nos com o excessivo rigor do
Rei: parece aceitável que um qualquer "apanhado" numa encruzilhada
não vestisse o traje nupcial.
Se recorrermos à história ficaremos a saber
que era costume no Oriente daquele tempo, que nas bodas, às quais podiam
assistir simples "passantes" além das tinas com água para se lavarem
vestes e calçado para usarem se fosse preciso. Este "convidado" além
de, obviamente não estar preparado para as bodas, desprezou esses meios que
tinha à disposição não se purificando nem vestindo apropriadamente. É sempre
conveniente estar preparado, já que não sabemos nem o dia nem a hora mas nunca,
sob que pretexto for participar no banquete eucarístico sem estar devidamente
preparado.
A Igreja, como Mãe que é, põe à disposição dos
seus filhos os meios necessários para tal. Não deixemos de os utilizar.
Vejo-me tal como sou: nada,
absolutamente. E tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro
de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do
Universo. Eu, António, este pobre homem com pés de barro e vontade frágil,
estou aqui na expectativa do momento sublime em que Te receberei meu Deus e
Senhor. Tenho o meu coração palpitando de alegria, confiança e amor. Alegria
por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e
amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não
como gostaria e deveria ser. Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei
porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o
direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens,
Senhor. Convidaste-me e eu vim.
15-21 -
Evidentemente que o problema está no critério
pessoal: o que é devido a César e o que se deve a Deus. Parece ser fácil: a
César deve-se exclusivamente o que lhe pertence por direito; a Deus deve-se
absolutamente tudo, porque é o Dono e Senhor de todas as coisas.
Este talvez seja um dos maiores problemas do
homem: ter bem claro o que é de César e o que é de Deus! Para tal é
indispensável um são critério e agir de acordo sempre e em qualquer
circunstância já que a ‘propriedade’ não muda e nem o ‘seu dono’ abdica dela.
Até ao fim dos tempos, em todas as línguas, há-de
repetir-se esta frase de Jesus. Resposta lapidar que encerra em si mesma toda
uma lição de comportamento, de norma de conduta, de critério e de justiça. Os
Doutores da Lei afastaram-se porque nada mais havia a dizer, a acrescentar e,
nós, ficamos porque queremos absorver bem as palavras do Mestre. São palavras
que constituem por si sós, todo um programa de vida. Pensemos bem nelas,
detenhamo-nos um pouco e demo-nos conta da profundidade e do alcance que na
verdade têm.
Tentar "enganar" Deus é
trabalho escusado porque Ele, ouvindo o que dizemos sabe a intenção que nos
conduz. Por isto se percebe bem que não Lhe interessam as palavras por mais
belas ou aliciantes que possam ser mas sim o que verdadeiramente sentimos
quando as pronunciamos. A oração atabalhoada, feita à pressa para "cumprir
uma obrigação" vale nada ao passo que um breve pensamento, jaculatória ou
invocação que nos sai da alma encontra "eco" no Seu Coração
Amantíssimo. Como se dissesse: "este meu filho lembrou-se de Mim!" E,
Ele, nem um simples copo de água oferecido com recta intenção deixa sem
recompensa.
34-40 -
O nosso amor a Deus não é um “favor” que
Lhe fazemos mas uma obrigação. Ele amou-nos primeiro mesmo antes da criação do
mundo e ama-nos sempre mesmo quando não correspondemos. Se “amor com amor se
paga” ficaremos sempre muito aquém de cumprir essa obrigação. À Mãe do Amor
Formoso, Santa Maria, peçamos que nos ensine a amar mais e melhor o seu Divino
Filho.
O amor a Deus tem a ver com o Dom da
Piedade. O Espírito Santo inspira na nossa alma, no nosso coração essa
necessidade, esse desejo de retribuir ao Senhor um pouco do amor que nos tem.
Que é imenso! Pois é, deu a própria vida
por nós! Que não conseguiremos retribuir totalmente! Pois não, mas, se nos
empenharmos a sério Ele, na Sua Bondade Infinita, ficará tão agradecido que nos
pagará com juros altíssimos e desproporcionados.
Peço-te, Senhor, que
recebas o meu amor como se fosse o único amor que tens na terra. Assim não
notarás como é pequeno, miserável... Serei feliz porque mesmo sabendo o pouco
que é, como to dou todo...fico disponível para me 'encher' do Teu...
Dizias-me: será que amo a Deus deveras, com todo o meu
coração, com todas as minhas capacidades e potências? Não me ficarei por um
"amor conveniente", isto é, calculado, pesado e medido com um rigor
que não ponho nas minhas outras afeições? Mas eu não quero amar assim! Desejo
que seja um amor completo, total, sem reservas nem calculismos. Amor livre,
sadio, sem eufemismos. Amor de irmão e amor de filho. É este o amor que Te
quero entregar, meu Senhor e meu Deus. Disseste tudo, não tive de acrescentar
nada.
Como é
que se deve amar a Deus? Em vez de responder, faço
também uma pergunta? Quem é o Criador e Senhor de todas as coisas? Quem é que,
desde o princípio dos tempos nos conhece, a cada um pelo nosso nome? Quem nos
deu uma alma com umas virtudes, capacidades e potências que usamos para a nossa
felicidade? Quem respeita de modo absoluto a nossa liberdade? Quem está sempre
pronto para nos receber mesmo quando nos afastamos?
Quem
nos ama com tal dimensão e magnitude que para recuperarmos a liberdade perdida
ofereceu a Sua própria vida no Sacrifício da Cruz? Quando respondermos a estas
perguntas saberemos como deve ser o nosso amor a Deus.
As palavras de Cristo – neste trecho do Evangelho – são a
essência da Lei de Deus. Não há lugar a qualquer dúvida ou interpretação: Amar
a Deus e amar próximo, sãos dois mandamentos “base” da Lei de Deus. Até porque,
um não é possível sem o outro, como se compreende. Como poderia conceber-se que
alguém se declarasse como “amante” de Deus tendo a mais pequena reserva – que
seja – por outro ser humano qualquer?
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