01/04/2020

LEITURA ESPIRITUAL


  • COMENTANDO OS EVANGELHOS


SÃO MATEUS


Cap I

1 Genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão: 2 Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos; 3 Judá gerou, de Tamar, Peres e Zera; Peres gerou Hesron; Hesron gerou Rame; 4 Rame gerou Aminadab; Aminadab gerou Nachon; Nachon gerou Salmon; 5 Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; 6 Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão; 7 Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; 8 Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Uzias; 9 Uzias gerou Jotam; Jotam gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; 10 Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; 11 Josias gerou Jeconias e seus irmãos, na época da deportação para Babilónia. 12 Depois da deportação para Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; 13 Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azur; 14 Azur gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15 Eliud gerou Eleázar; Eleázar gerou Matan; Matan gerou Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo. 17 Assim, o número total das gerações é, desde Abraão até David, catorze; de David até ao exílio da Babilónia, catorze; e, desde o exílio da Babilónia até Cristo, catorze. 18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo. 19 José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. 20 Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» 22 Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco. 24 Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, e recebeu sua esposa. 25 E, sem que antes a tivesse conhecido, ela deu à luz um filho, ao qual ele pôs o nome de Jesus.

Comentários:

Talvez seja escusado, podemos pensar, ler esta descrição pormenorizada da genealogia de Jesus Cristo. Basta-nos saber - e acreditar firmemente - que, Ele, é o Filho de Deus feito homem gerado por obra e graça do Espírito Santo no seio puríssimo da Virgem Maria. Não! 
O Evangelho foi escrito para ser lido e meditado e nada do que nele consta é dispensável.
De facto, conhecemos o Evangelho e podemos citar de cor muitas das suas passagens, mas o que temos de considerar é que, ler e meditar as páginas do Evangelho - todas - é fazer oração e, nesta, não se omite ou "salta" o que já sabemos ou é repetitivo.
A devoção a São José está muito arreigada nos cristãos.
Santa Teresa de Jesus recorria a ele com confiança ilimitada e dizia que "não havia santo melhor colocado que ele para alcançar graças do Céu", o que, na verdade, parece muito lógico pois, como poderá o Senhor não atender um pedido feito pelo Seu Pai Adoptivo que O trouxe nos braços, o protegeu e guiou na Sua infância, era o chefe da Sagrada Família na terra?
O Santo Patriarca, modelo de descrição e humildade, serve-nos de exemplo de como cumprir a Vontade de Deus, arrostrando e ultrapassando as inúmeras dificuldades da vida corrente que sempre surgem no nosso caminhar para Cristo.
Os Santos Anjos desempenham tarefas de suma importância ao serviço de Deus.
Entre muitas outras o Senhor usa-os para transmitir aos homens assuntos de suma importância como neste caso, com São José.
Sem pretender especular pode perceber-se que não conhecendo Deus, quer dizer, como é Deus, seria difícil a qualquer um aceitar uma mensagem dada directamente, mas, um Anjo tem uma identidade que o ser humano reconhece quase imediatamente. Depois, pelo teor da mensagem, melhor se convence que quem lhe fala ou inspira o faz por expressa ordem recebida directamente de Deus.
São José, pode dizer-se, é o que pode chamar “um homem bom”. O insólito da situação da inesperada gravidez de Maria não altera o seu comportamento e respeito para com a prometida esposa. Evidentemente que conheceria bem aquela que lhe estava prometida e embora desconhecendo as razões ou motivos não quis de modo nenhum prejudicar o seu bom nome.
Com serenidade resolve que o que acha que deve ser feito, será com descrição e recato.
O anúncio do Anjo vem modificar tudo e quase que podemos sentir a alegria que o Patriarca terá sentido quando fica inteirado dos planos de Deus. A sua discrição e confiança são tais que nem faz perguntas nem se interroga sobre um futuro que, adivinha, não será fácil.
Aceita, acredita, cumpre o que lhe compete. O que for preciso o Senhor providenciará.
Os Evangelistas fazem constar na história a Sagrada Família, alguns factos e acontecimentos que terão considerado como de muita importância para os que, ao longo dos tempos terão referências importantes para considerar e meditar.
Esta, descrita por São Mateus, é uma dessas.
A confiança e respeito que devemos a todos e, principalmente aqueles que, por qualquer motivo, nos são mais próximos.
Esta confiança e respeito são de extraordinária importância, não só para não consentir juízos precipitados – baseados apenas nas aparências – mas, e sobretudo, para evitar decisões que podem ser irreversíveis.
São esses sentimentos de confiança e respeito que nos merece e que devemos sentir pela sua pessoa, que nos devem guiar, com paciência e cuidada ponderação, naquilo que nos possa parecer estranho ou incompreensível. Há, apenas, uma atitude correcta a tomar: pedir ao Espírito Santo que nos dê os Seus Dons de Sabedoria e Entendimento para tomarmos a decisão conveniente e correcta.
Sabe-se que o povo israelita guardava com exemplar cuidado as genealogias das diferentes famílias.
A esperança na vinda do Messias anunciado a isso os levava para, de certo modo, poderem “conferir” da veracidade de quem se intitulasse ou pretendesse ser tomado como o Prometido. Além do mais, seria uma honra extraordinária para qualquer família que, no seu seio, aparecesse o que viria salvar Israel dos seus inimigos e conduzir o povo à glória e fausto que o poder e a riqueza trazem consigo. Assim “estereotipado” como mais convinha aos chefes do povo, esse Messias seria o grande, imbatível e invencível Rei de Israel.
Nunca leram – com “olhos de ler”, nem ouviram com “ouvidos de ouvir” quanto os profetas foram, ao longo dos séculos dizendo sobre o Messias e o Seu verdadeiro objectivo que seria conduzir o povo ao reencontro com Deus, Deu misericordioso e compassivo e não o Deus justiceiro e terrível na ira que os chefes apregoavam de tal forma, que nem o nome de Deus de podia pronunciar.
Compreende-se a intenção do Evangelista ao escrever estas linhas sobre São José: «José, filho de David...» O Messias deveria, segundo as Escrituras, ser descendente de David e, assim, como perante o povo José era o Seu Pai, ficava bem claro esta descendência. Mais se sublinha a falta de critério dos chefes do povo que não se preocuparam em saber de onde e quais as origens daquele que combatiam e difamavam.
Daqui tiramos, forçosamente, a lição que devemos usar um são critério e, sobretudo, agir com honestidade intelectual, mas, de facto, é preferível não fazermos nem juízos nem estabelecer questões se não estamos dispostos a apurar a verdade a estudar até onde for preciso o que se apresenta como extraordinário.
O Evangelista descreve com minúcia a Natividade da Santíssima Virgem que hoje come-moramos. É um texto fundamental para consolidação da nossa fé. O mistério que rodeia o acontecimento maior da história da humanidade, ou seja, quando verdadeiramente começam a cumprir-se os desígnios de Deus respeitantes à salvação da humanidade, fica como que “garantido” pela própria Escritura.
Não falta absolutamente nada nem sequer os momentos de dúvida do Santo Patriarca.
A intervenção do Anjo é decisiva e fundamental para que os planos de Deus se cumpram exactamente.
E o Evangelista termina dizendo com toda a simplicidade: «Ela deu à luz um filho, ao qual ele pôs o nome de Jesus.»
A grandiosidade de Deus Nosso Senhor, Omnipotente tem esta característica: a simplicidade.
Daqui que a nossa identificação com Ele seja mais acessível, mais fácil e, sobretudo, mais verdadeira, porque nada há mais simples que a VERDADE

(AMA, 2018)

Orações: Graças


Graças

Tenho tanto que agradecer que me perco como um pateta.
Procuro belas palavras em vez de abrir o coração de par em par e entregar-to assim para que vejas como vibra.
Os meus filhos que se desdobram em atenções e cuidados, os meus netos que me enchem a alma de ternura e tanta gente que se preocupa comigo, reza por mim, me telefona, me convida, enfim... que posso dizer mais.
A verdade é que nada me falta, tenho quanto preciso inclusive paz económica.
Merecimento, sei, que não tenho absolutamente nenhum e que tudo devo à bondade do Senhor para com este pobre homem.
Minha Mãe Imaculada ajuda-me a ser agradecido!

(AMA, orações Pessoais)

PANDEMIA

PANDEMIA - 7

TOTAL

Se o nosso AMOR é – deve ser – um reflexo do AMOR DE DEUS, e, por isso mesmo, o nosso AMOR tem de ser TOTAL.

«Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no Filho Unigénito de Deus. (Jo 3, 16-18).

Assim, além de TOTAL o AMOR DE DEUS é, também, SACRIFÍCIO.


O AMOR É:
ENTREGA – DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL -TOTAL – SACRIFÍCIO -

Com estes predicados o AMOR não será a soluçaão para a PANDEMIA?

(AMA, 2020)

É preciso que sejas homem de vida interior

É preciso que sejas "homem de Deus", homem de vida interior, homem de oração e de sacrifício. - O teu apostolado deve ser uma superabundância da tua vida "para dentro". (Caminho, 961)

Vida interior. Santidade nas tarefas usuais, santidade nas coisas pequenas, santidade no trabalho profissional, nas canseiras de todos os dias...; santidade para santificar os outros. Numa certa ocasião, um meu conhecido - nunca hei-de chegar a conhecê-lo bem - sonhava que ia a voar num avião a uma grande altura, mas não dentro da cabine; ia montado nas asas. Coitado do desgraçado: como sofria e se angustiava! Parecia que Nosso Senhor lhe dava a conhecer que assim andam pelas alturas - inseguras, inquietas - as almas apostólicas que não têm vida interior ou que a descuidam: com o perigo constante de caírem, sofrendo, incertas.

E penso, efectivamente, que correm um sério risco de se extraviarem os que se lançam à acção - ao activismo - prescindindo da oração, do sacrifício e dos meios indispensáveis para conseguir uma piedade sólida: a frequência dos Sacramentos, a meditação, o exame de consciência, a leitura espiritual, a convivência assídua com a Virgem Santíssima e com os Anjos da Guarda... Tudo isto contribui, além disso, com uma eficácia insubstituível, para que o caminho do cristão seja tão agradável, porque da sua riqueza interior jorram a doçura e a felicidade de Deus como o mel do favo.

Na intimidade pessoal, na conduta externa, no convívio com os outros, no trabalho, cada um há-de procurar manter-se numa contínua presença de Deus, com uma conversa - um diálogo - que não se manifesta exteriormente. Melhor dito, não se exprime normalmente com ruído de palavras, mas há-de notar-se pelo empenho e pela diligência amorosa com que acabamos bem as tarefas, tanto as importantes como as insignificantes. Se não procedêssemos com essa constância, seríamos pouco coerentes com a nossa condição de filhos de Deus, pois teríamos desperdiçado os recursos que Nosso Senhor colocou providencialmente ao nosso alcance, para chegarmos ao estado de homem perfeito, à medida da idade perfeita segundo Cristo. (Amigos de Deus, 18-19).

Temas para reflectir e meditar

Salvação

Senhor, graças por teres vindo. Terias podido salvar-nos sem vir. Bastava, definitivamente, que tivesses querido salvar-nos. Não se vê que a Encarnação fosse necessária.
Quiseste situar entre nós o exemplo completo de toda a perfeição (…). Graças, Mestre, por teres vindo, por estares no meio de nós, homem entre os homens, o Homem entre os homens, como uma mais (…). E, todavia, o Homem que tudo atrai a Si, porque desde que veio não existe outra perfeição.
Dou-te graças por teres vindo e porque eu posso ver-te e a alimentar a minha vida em Ti.

(J. Leclerq, Treinta meditaciones sobre la vida Cristiana, Desclée de Brouwer, Bilbau, 1958, p. 50-51, trad ama)

31/03/2020

Amamos apaixonadamente este mundo

O mundo espera-nos. Sim! Amamos apaixonadamente este mundo, porque Deus assim no-lo ensinou: "sic Deus dilexit mundum...", Deus amou assim o mundo; e porque é o lugar do nosso campo de batalha – uma formosíssima guerra de caridade – para que todos alcancemos a paz que Cristo veio instaurar. (Sulco, 290)

Tenho ensinado constantemente com palavras da Sagrada Escritura: o mundo não é mau porque saiu das mãos de Deus, porque é uma criatura Sua, porque Iavé olhou para ele e viu que era bom (Cfr. Gen. 1, 7 e ss.). Nós, os homens, é que o tornamos mau e feio, com os nossos pecados e as nossas infidelidades. Não duvideis, meus filhos: qualquer forma de evasão das honestas realidades diárias é, para vós, homens e mulheres do mundo, coisa oposta à vontade de Deus.
Pelo contrário, deveis compreender agora – com uma nova clareza – que Deus vos chama a servi-Lo em e a partir das ocupações civis, materiais, seculares da vida humana: Deus espera-nos todos os dias no laboratório, no bloco operatório, no quartel, na cátedra universitária, na fábrica, na oficina, no campo, no lar e em todo o imenso panorama do trabalho. Ficai a saber: escondido nas situações mais comuns há um quê de santo, de divino, que toca a cada um de vós descobrir.
Eu costumava dizer àqueles universitários e àqueles operários que vinham ter comigo por volta de 1930 que tinham que saber materializar a vida espiritual. Queria afastá-los assim da tentação, tão frequente então como agora, de viver uma vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e por outro, diferente e separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades terrenas. (Temas Actuais do Cristianismo, n. 114).

Temas para reflectir e meditar

Vocação

(Quando deixa de se ver clara a vocação) que se examine com lealdade. Não deixará de descobrir que desde há algum tempo a sua vida de piedade está um tanto relaxada, a oração é mais esparsa ou menos atenta, e é menos exigente consigo mesmo. 
Não renova um pecado cuja gravidade se oculta deliberadamente a si mesmo? Seguramente que já não reprime com a mesma energia as suas paixões, se é que não consente com complacência nalguma delas. 
Um ressentimento fomenta-se contra outro, uma questão de interesse em que a nossa honradez não é total, uma amizade demasiado absorvente, ou simplesmente o despertar de baixos instintos que não se rejeitam com bastante prontidão, não é preciso mais para que se levantem nuvens entre Deus e nós. E a fé obscurece-se.

(Cf. G. Chevrot, Smón Pedro, trad. AMA)

Orações: Tranquilidade

Peço-Te, Senhor, tranquilidade e confiança que não me deixe arrastar pelas emoções e dominar pelas incertezas.
Confiar absolutamente na Tua Sabedoria e Misericórdia que não deixarão que nada aconteça superior as minhas forças e muito menos que não seja o que mais me convém em cada momento.
Forte e sereno, confiante SEMPRE! 





(AMA, orações pessoais)

Leitura espiritual

Pensamentos para a vida diária 

Capítulo X

APENAS CIÊNCIA TEM OS SEUS PERIGOS

Uma civilização


Pensamentos para a vida diária 

Capítulo X

APENAS CIÊNCIA TEM OS SEUS PERIGOS

Uma civilização que não põe no pináculo a instrução mental, corre o perigo de desleixar a educação do carácter.
Jamais houve na história do mundo tanta instrução, e também nunca houve tantas guerra, tanta anarquia mental e tanta criminalidade na juventude.
Segue-se, necesariamente, tal qual ao dia se segue a noite, que, só por sai ciência não cria virtude, e, na verdade, dela e por ela só, podem ocorrer enormes perigos.
        Bacon [1], no seu tratado do “Progresso do Conhecimento”, disse com razão que “o saber contém em si qualquer coisa de veneno de serpente e, assim, quando essa veneno entra no homem, fá-lo inchar”.
        Esse saber que torna o homem impante de vaidade é o resultado da ciência sem amor.
        O saber que cada homem, de per si, pode possuir e assimilar na mente é coisa mínima, em comparação com  quanto no mundo espiritual e material constitui o conjunto da ciência.
Newton disse algures que tinha a impressão de estar numa praia e que contemplava o oceano da ciência estendendo-se à sua frente, a perder de vista.
E Darwin, que tão grande foi nas ciências naturais, afirmou: “Quanto sabemos deste nosso planeta compara-se ao que uma galinha velha sabe acerca do recinto de dez metros quadrados da sua capoeira, num canto da qual, à força de esgravatar, conseguiu descobrir duas minhocas.”
        Por si só, o saber não constitui elo de união entre os homens, pelo contrário, opõe uns contra outros, como sucede quando um professor se remorde de inveja ante o saber e renome de outro professor, tal qual uma mulher, devorada pelo ciúme por causa do casaco de peles de outra mulher.
Assim é que os viveiros de sábios, que se chamam ‘universidade’, não são, geralmente, centros de boa camaradagem.
        Se realmente o saber unisse os homens, então as universidades deveriam ser para o mundo modelos de amor fraterno.
Ora o que o saber consegue é levar, muitas vezes, os homens a humilhar o seu semelhante, quer pela jactancia de maior ciência que a deles, quer pelo desdém pela cultura inferior dos outros, perante a vastidão da própria.
        Os gregos antigos menosprezaram os outros povos, chamando-lhes bárbaros, principalmente porque era vaidosos da sua cultura.
E Horácio, grande poeta e homem de muito saber, escreveu aquele verso famoso: “Odeio a ignorância do vulgo e fujo dele”.
        Saber é força e é poder, contudo, talvez tanto para o mal como para o bem, a não ser que, à semelhança de uma máquina a vapor, tenha uma válvula de segurança e um maquinista competente.
Só o amor é capaz de tirar ao saber o senão fatal da presunção.
        Como disse São Paulo, o saber enche o homem como se fosse um balão, mas só o amor consegue elevá-lo.
Ciência sem amor produz vaidade, intolerância e egoísmo.
Isto, porém, não quer dizer que seja mais de aconselhar o amor sem a ciência, poi que, deste extremo oposto resultam o sentimentalismo, a superstição e a ignorância.
O amor torna o saber eficaz e útil,
Há muitos que conhecem , pelo menos, os elementos da lei moral e até compreendam as provas da existencia de Deus.
Como, todavia, não procedem de acordo com esses princípios, nunca progredirão na compreensão na ciência completa que eles encerram.
        Quando o verdadeiro amor inspira o saber, orienta-o para a mais inteira e profunda compreensão.
O saber não transpõe o limiar do templo: o amor entra e prostra-se ante o altar.
        É sempre indispensável um mínimo de saber, antes que alguém possa amar outrem, necesariamente carece de primeiro conhecer esse outrem.
Daí por diante, no entanto, à medida que as relações pessoais se estreitam é o amor que toma a dianteira e faz progredir a compreensão da pessoa que se ama.
Por isso dizem as Escrituras que aquele que não ama não conhece Deus porque Deus é Amor.
        Não é a inteligência que abre os tesouros mais íntimos do amor humano: se outrem nos mostra uma curiosidade demasiado intelectual a nosso respeito, nós imaginaremos que apenas quer autopsiar a frio a nossa alma, psicanalisar-nos (como agora é moda dizer-se) tão certo é que a personalidade de qualquer pessoa se melindra com a mera curiosidade mental e faz com que o mais íntimo dessa personalidade se feche, como planta sensitiva ao menor toque estranho.
        Ciência sem amor,sem o Amor de Deus, sem o amor da pátria, sem o amor dos  pais, é uma força de destruição.
        Estamos agora na posse da ciência da energia nuclear do átomos,e começamos, ao mesmo tempo, a procurar acautelar-nos dos seus efeitos.
Será preciso, porém, mais tempo e, ainda mais, amor, para que aprendamos para que também aprendamos a não nos servirmos dessa nova ciência e do poder e da força que ela dá, para fazermos ir pelos ares o planeta em que vivemos.
Instruidos em ciência sem amor já nós estamos demais, e talvez seja agora conveniente construirmos algumas universidades onde se ensine que o Amor de Deus, e do próximo por amor de Deus, são os melhores companheiros das ciências da Natureza.

Fulton J. Sheen, Thoughts for dayly living, (tradução por AMA)


[1] Francis Bacon, (22.01.1561 – 09.04.1621) 1°. Visconde de Alban, também referido como Bacon de Verulâmio; político, filósofo, cientista, ensaísta inglês, barão de Verulam e visconde de Saint Alban. É considerado como o fundador da ciência moderna. Desde cedo, sua educação orientou-o para a vida política, na qual exerceu posições elevadas (Lord Chancellor 1617–1621). Influenciado por: Aristóteles, Platão, Nicolau Maquiavel,

PANDEMIA

PANDEMIA – 6 

UNIVERSAL

Não há verdadeiro AMOR sem universalidade no seu objecto.

Não se ama mais uns que outros, ou se ama todos ou, então o AMOR fica incompleto.

O AMOR É:
ENTREGA – DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA - UNIVERSAL

Com estes predicados o AMOR não será a solução para a PANDEMIA?


(AMA, 2020)

NUNC COEPI publicações

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Evangelho e comentário


TEMPO DE QUARESMA


Evangelho: Jo 8, 21-30

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Eu vou partir. Haveis de procurar-Me e morrereis no vosso pecado. Vós não podeis ir para onde Eu vou». Diziam então os judeus: «Irá Ele matar-Se? Será por isso que Ele afirma: ‘Vós não podeis ir para onde Eu vou’?» Mas Jesus continuou, dizendo: «Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo. Ora Eu disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditardes que ‘Eu sou’, morrereis nos vossos pecados». Então perguntaram-Lhe: «Quem és Tu?» Respondeu-lhes Jesus: «Absolutamente aquilo que vos digo. Tenho muito que dizer e julgar a respeito de vós. Mas Aquele que Me enviou é verdadeiro e Eu comunico ao mundo o que Lhe ouvi». Eles não compreenderam que lhes falava do Pai. Disse-lhes então Jesus: «Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que ‘Eu sou’ e que por Mim nada faço, mas falo como o Pai Me ensinou. Aquele que Me enviou está comigo: não Me deixou só, porque Eu faço sempre o que é do seu agrado». Enquanto Jesus dizia estas palavras, muitos acreditaram n’Ele.

Comentário:

A Cruz de Cristo - a Santa Cruz – é o símbolo da nossa Fé Cristã, mas, é mais que isso: é a “marca” dos Filhos de Deus porque foi nela que Cristo redimiu toda a humanidade e lhe restituiu a dignidade perdida com o pecado dos nossos primeiros Pais.

Por todo o mundo - mesmo nos lugares mais ignotos – a Santa Cruz está presente atraindo as atenções – o olhar – de todos os homens.

As palavras de Jesus cumprem-se; Ele próprio afirmou que atrairia todos os olhares e que, na Cruz, reconheceriam Quem Ele era:


«Et ego, si exaltatus fuero a terra, omnia traham ad meipsum.» [i]


(AMA, comentário sobre Jo 8, 21-30, 04.04.2017) 


[i] Cfr. Jo 12,32

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO


TeRÇa-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

salmo ii

30/03/2020

Confissão


Dote de María

Inglaterra, reconsagrada como «dote de María» más de 600 años después y en plena pandemia del coronavirus



Há mil maneiras de rezar

Católico sem oração?... É como um soldado sem armas. (Sulco, 453)

Eu aconselho-te a que, na tua oração, intervenhas nas passagens do Evangelho, como um personagem mais. Primeiro, imaginas a cena ou o mistério, que te servirá para te recolheres e meditares. Depois, aplicas o entendimento, para considerar aquele rasgo da vida do Mestre: o seu Coração enternecido, a sua humildade, a sua pureza, o seu cumprimento da Vontade do Pai. Conta-lhe então o que te costuma suceder nestes assuntos, o que se passa contigo, o que te está a acontecer. Mantém-te atento, porque talvez Ele queira indicar-te alguma coisa: surgirão essas moções interiores, o caíres em ti, as admoestações.
(…) Há mil maneiras de rezar, digo-vos de novo. Os filhos de Deus não precisam de um método, quadriculado e artificial, para se dirigirem ao seu Pai. O amor é inventivo, industrioso; se amamos, saberemos descobrir caminhos pessoais, íntimos, que nos levam a este diálogo contínuo com o Senhor. (…)
Se fraquejarmos, recorreremos ao amor de Santa Maria, Mestra de oração; e a S. José, Pai e Senhor nosso, a quem tanto veneramos, que é quem mais intimamente privou neste mundo com a Mãe de Deus e – depois de Santa Maria – com o seu Filho Divino. E eles apresentarão a nossa debilidade a Jesus, para que Ele a converta em fortaleza. (Amigos de Deus, 253. 255)

Evangelho e comentário


TEMPO DE QUARESMA


Evangelho: Jo 8, 1-11

Naquele tempo, Jesus foi para o Monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, Ele ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Jesus acrescentou: «Também Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar».

Comentário:

A leitura destes versículos do Evangelho escrito por São João sempre me suscitou uma pergunta:

O que escreveria o Senhor no chão?

A esta pergunta surge-me, quase sempre, a mesma resposta:

Os nomes dos que, acusando a mulher, se esqueciam que eles próprios eram, ou teriam sido, causa do pecado de que a acusavam.

De facto, somos lestos em acusar e criticar e tardios em reconhecer a nossa parte na culpa do pecado seja pela prática, seja pelo exemplo.

E ocorre-me pensar:
Quem terá maior culpa?
Quem peca ou quem leva o outro a pecar?

(AMA, comentário sobre Jo 8, 1-11, 03.03.2017)

Temas para reflectir e meditar

Coração de Jesus

Quem não amará o Seu coração tão ferido? Quem não dará amor por amor? Quem não abraçará um Coração tão puro? Nós, que somos de carne, pagaremos amor com amor, abraçaremos o Ferido que encontrámos, Aquele a quem os ímpios atravessaram as mãos e os pés, o lado e o Coração. Peçamos-Lhe que Se digne prender o nosso coração com o vínculo do seu amor, feri-lo com uma lança, pois é ainda duro e impenitente.

(S. Boaventura, Vitis Mystica, 3 11, trad ama)

Leitura espiritual

Pensamentos para a vida diária 

Capítulo VIII

ATÉ NO MAL PODE HAVER UMA PARCELA DE BEM

Quando descobrimos defeitos nos nossos semelhantes, quase sempre deixamos de os estimar.
Ora, pode se precisamente essa a causa de subsistirem neles esses defeitos, porquanto lhes falta alguém que, por meio do amor, os reencaminhe para a perfeição.

Também os viciosos possuem muitas qualidades dignas, dignas de apreço pois será raro que neles não sobrevivan restos de dec^neciae de honradez.

O facto se se estar possuído de um grande pecado, é muitas vezes o suficiente para que naturalmente não se cometam outros pecados., e, tanto basta para que nesse grande pecador exista algo digno de amor.
O pródigo, por exemplo, nunca será simultâneamente avarento; os comunistas com a sua ambição do poder e da revolução, muitas vezes nem se preocupam com o pecado da carne que, para eles, representa o ínfimo dos prazeres deste mundo.
Tal como certas ervas daninhas destroem outras do mesmo género, assim acontece também com muitos pecados: o filho pródigo era, provavelmente, um moço de convívio encantador.

Lê-se no Evangelho que, certo dia, se aproximou de Nosso Senhor um jovem poderoso e rico que Lhe perguntou que deveria fazer para alcançar a vida eterna. Jesus respondeu-lhe que cumprisse os Mandamentos, ao que o jovem respondeu que assim procedera sempre desde criança. Disse-lhe então Jesus Cristo o que deveria fazer para ser perfeito: que vendesse quanto tinha, o desse aos pobres e que, depois, O procurasse e O seguisse. O jovem foi-se embora cheio de tristeza, porque possuía muitos bens e não queria privar-se deles. O Evangelho, porém, acrescenta que Nosso Senhor o amou apesar daquela sua Patente imperfeição. [1]

Deste episódio evangélico fica apenas na memória de quase todos nós os motivos de aquele jovem para não querer separar-sedos bens terrenos, de não ter tido coragem para ser um herói espiritual.

Se abstrairmos os aspectos desagradáveis do carácter das pessoas, se deixarmos que se esfumem na nossa atenção essas características más em vez de só neles nos fixarmos, começarão a destacar-se imediatamente e a avultar as boas qualidades dessas pessoas.

É bem sabido que assim acontece quando alguém morre: enquanto estava vivo, os seus defeitos pareciam nódoas negras num manto branco; depois de morto, porém, quase só aparece o fundo branco da alvura das boas qualidades que nem sequer tínhamos suspeitado enquanto vivia.

Pois Nosso Senhor vê assim os homens enquanto ainda vivos, ao passo que nós só de tal forma os encaramos depois de mortos e enterrados.
Porquê?
Porque decerto a Sabedoria Divina, que perscruta o mais íntimo das nossas almas, vê que não há má qualidade que não seja, afinal, a distorção de uma qualidade boa.
A falta de sinceridade pode provir do receio de melindrar os outros; a prodigalidade provém, talvez, de um exagero de generosidade, e a propensão para a luxúria será um desequilíbrio do amor da perfeição.
A grosseria representará, possivelmente, uma forma extrema e brutal de franqueza leal, e a maledicência o lado negro do propósito de criticar com verdade e rectidão, e que pretende começar pelos outros em vez por si próprio.

No caso do jovem de que o Evangelho fala, o facto de ser rico era de somenos importância; o que realmente interessou foi a demosntração que deu de que amava as suas riquezas mais que tudo, mais até que a perfeição da vida eterna que pretendia alcançar.
E, foi o conselho que Jesus Cristo lhe deu que pôs a nu aquela sua fraqueza.

Efectivamente há muita gente que tem fé em Deus, enquanto possui nos bancos depósitos chorudos.
Ora, aquele rapaz  era dotado de excelentes qualidades: queria alcançar a vida eterna, tinha cumprido desde criança os mandamentos, era tão humilde que declarava a Cristo, em plena praça pública, em vos alta e, portanto, ouvido pelos circunstantes, o seu propósito de se aperfeiçoar moralmente.
Faltava-lhe apenas uma coisa: a vontade de renúncia completa e total, o espírito do soldado que apenas pergunta pelas ordens para as cumprir.
Por isso Nosso Senhor lhe disse que “só lhe faltava uma coisa”.

Realmente ninguém está longe da perfeição e da paz interior.
Como escreveu Léon Bloy [2]: “basta dar um passo para sair do pecado e estaremos salvos”.

Um relógio com os diamantes, mas sem molas, com as navio com máquinas, mas sem leme, a todos falta apenas uma coisa.

Multipliquem todos os zeros que quiserem alinha numa folha de papel e, o resultado será sempre constituído por zeros porque lhes falta uma coisa.
Escrevam, porém, 1 ou 2 diante desses zeros e formarão imediatamente números enormes.

Basta um pecado, ou até uma simples falha habitual, para uma vida inteira.
Mesmo, porém quando falta uma única coisa,se não tivermos amor bastante ao relógio para lhe darmos corda para lhe darmos a mola de que unicamente carece, se amrmos bastante o navio e, no entanto, lhe negarmos o leme, ambos ficarão inúteis para sempre.

O mesmo acontece com os homens: se não lhes tivermos amor, nunca lhes proporcionaremos a tal “única coisa” de que carecem para se regenerarem, para serem felizes, para gozarem aquela paz íntima que é prenúncio e promessa da bem-aventurança eterna.

Capítulo IX

PRAZER E AMOR

Não há coração humano em que não exista profundamente gravada esta lei: quanto mais nos entregamos aos prazeres, mais diminuímos o prazer.

Gostamos de ver uma luz brilhante mas, se aumentamos essa luz, podemos chegar ao ponto de cegar.
No prazer de comer, depressa atingimos a saciedade; assistir a espectáculos por dever de ofício, torna-se uma tarefa fastidiosa, como sucede nos críticos teatrais.
O rapazinho que julga insuficiente para o seu apetite os sorvetes e rebuçados que há no mundo, não tarda a verificar, após uma bela indigestão, que é pequeno para meio quilo de guloseimas.

A Natureza colocou alguns limites automáticos aos prazeres e gozos deste mundo e, mesmo que não se excedam esses limites, o prazer que nos proporcionam vai diminuído com o tempo e com o hábito.
Vai para alguns anos, dois psicólogos lembraram-se de encontrar uma lei, de descobrir uma regra matemática de diminuição proporcional do prazeres.
Pretendiam demonstrar que, para se obter um aumento de prazer em progressão aritmética - 1, 2, 3, 4, etc. – era preciso aumentarem progressão geométrica – 3, 4, 8, 16, etc. – o estímulo ou a excitação para esse prazer.
Jamais, porém, conseguiram reduzir a uma fórmula algébrica as conclusões a que chegaram, pois que era bem de ver que fenómenos da alma e do espírito não são traduzíveis em números matemáticos, muito embora fosse indiscutivelmente verdadeira a conclusão genérica a que tinham chegado, de que todo o aumento de grau de um prazer requer um aumento incessantemente maior do respectivo estímulo.
Uma pílula de narcótico bastaria na primeira vez para proporcionar uma noite de sono; mas não tardaria que, para esse fim, seja necessário ir aumentando a dose cada vez mais.

Um filósofo inglês, o Prof. C. E. M. Joad,[3] que foi presidente do Brains Trust (Comissão de Intelectuais) da Emissora Nacional Britânica B. B. C., escreveu páginas interessantes acerca do prazer que sentia em fumar cigarros.
Fumava tantos cigarros diariamente, que a certa altura, teve a revelação de que não sentia nenhum prazer em fumar.
E compreendeu que era mais, afinal, para não sentir a contrariedade de um cigarro à mão para fumar, do que o prazer de o ter, que acendia cigarros uns após outros.
O hábito de fumar tornara-se nele tão automático que as suas reacções musculares tendiam unicamente a evitar o aborrecimento de não estar a fumar.
Tratou, portante, de reduzir o numero de cigarros, até conseguir fumar apenas quatro por dia, após as quatro refeições.
E, quando chegou a esse limite, é que começou, realmente, a saborear o prazer de fumar.
Quer dizer, o prazer aumentou na proporção em que lhe diminuiu a frequência.

Se o mesmo acontece ou aconteceria com todos os fumadores deste mundo, isso é outra questão.
O que é, porém, certo, é que o resultado obtido pelo professor Joad confirma o aforismo do velho Hipócrates: «Quanto mais se dá de comer aos corpos doentes, mais doentes eles ficam».

Até certo ponto o prazer é, por conseguinte, função da sua própria limitação.
Para quê, porém, evitar excessos quer de bebidas ou de comidas, quer de fumar ou de relações sexuais?

Com efeito se se partir do princípio que o “eu” é uma entidade absoluta, não haverá nenhuma razão para limite os seus apetites.

Suponhamos, todavia, que existe alguém a quem amamos mais do que a nós próprios e que, portanto, queremos renunciar ao objecto do menor amor, para nos consagrarmos ao maior.

Ora, quanto maior for o amor por esse alguém, menos sentiremos como sacrifício trudo quanto fizermos para conquistar o objecto do nosso amor.

Foi assim que Jacob não hesitou em servir como pastor durante sete anos para conquistar Raquel, porque a amava.

Quando não existe amor, não há fundamento verdadeiro para exigir dos homens que renunciam ao prazer próprio, ou que lhe ponham, ao menos, um limite, a pretexto de que aumentarão a alegria de viver.
Como não têm amor senão a si próprios, jamais estarão dispostos a sacrificar voluntariamente o prazer egoísta que possuem.
Os sacrifícios sempre nos parecem enormes, quando o amor é pequeno.
Onde houver, porém, o amor de Deus e a compreensão profunda de quanto está implícito no Sacrifício do Senhor na Cruz do Calvário, então é fácil abandonar todos os míseros prazeres deste mundo, em troca da infinita paz que o mundo não nos pode dar nem nos pode tirar.

Os corações tornam-se então como navios que encalharam em bancos de lodo, mas que a maré alta do Amor desencalhou das paixões vergonhosas que os prendiam e os repôs a flutuar, para retomarem o caminho do porto celestial do eterno abrigo e da paz imorredoira.

Fulton J. Sheen, Thoughts for dayly living, (tradução por AMA)


[1] Cfr. Mt 1916 Aproximou-se dele um jovem e disse-lhe: «Mestre, que hei-de fazer de bom, para alcançar a vida eterna?» 17 Jesus respondeu-lhe: «Porque me interrogas sobre o que é bom? Bom é um só. Mas, se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos.» 18 «Quais?» - perguntou ele. Retorquiu Jesus: Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, 19 honra teu pai e tua mãe; e ainda: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 20 Disse-lhe o jovem: «Tenho cumprido tudo isto; que me falta ainda?» 21 Jesus respondeu: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.»
[2] Léon Henri Marie Bloy, um escritor francês. 11.07.1846 – 03.11.1891
[3] C. E. M. Joad (1891–1953), Filósofo Britânico