08/04/2018

Se vês claramente o teu caminho, segue-o

Porque não te entregas a Deus de uma vez..., de verdade..., agora?! (Caminho, 902)

Se vês claramente o teu caminho, segue-o. – Por que não repeles a cobardia que te detém? (Caminho, 903)

"Ide, pregai o Evangelho... Eu estarei convosco...". – Isto disse Jesus... e disse-to a ti. (Caminho, 904)

"Et regni ejus non erit finis". – O seu Reino não terá fim!

Não te dá alegria trabalhar por um reinado assim? (Caminho, 906)

"Nesciebatis quia his quae Patris mei sunt oportet me esse?". – Não sabíeis que Eu devo ocupar-Me das coisas que dizem respeito ao serviço de meu Pai?


Resposta de Jesus adolescente. E resposta a uma mãe com a sua Mãe, que há três dias anda à sua procura julgando-O perdido. – Resposta que tem por complemento aquelas palavras de Cristo que São Mateus transcreve: "Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim". (Caminho, 907)

Temas para reflectir e meditar

A força do Silêncio, 292


(…) O silêncio dá-nos a paciência de esperar pelo momento em que as ervas daninhas cairão por si mesmas.

Graças ao silêncio, saberemos acompanhar o tempo e esperar com perseverança a hora de Deus para firmar uma aliança com Ele e trabalhar sob o seu cajado.


CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo de Páscoa

Domingo da Divina Misericórdia

Evangelho: Jo 20, 19-31

19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» 20 Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. 21 E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» 22 Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. 23 Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.» 24 Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.» 26 Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» 27 Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» 28 Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29 Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!» 30 Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31 Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.

Comentário:

O registo do Evangelista menciona o "sopro" de Jesus Cristo sobre os Apóstolos, infundindo o Espírito Santo.

Este "sopro" é como que a transmissão definitiva do Espírito de Deus, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. A partir desse momento começa - por assim dizer - o Terceiro Tempo se, considerarmos como:
Primeiro Tempo: a Criação - por Deus Pai;
Segundo Tempo: a Redenção - por Deus Filho;
Terceiro Tempo: a Confirmação - por Deus Espírito Santo;

Esta é uma explicação - humana... porque não tenho outra - do cumprimento das promessas de Deus a Adão, primeira criatura e Pai da humanidade.

Este tempo do Espírito Santo - em que vivemos - é particularmente importante porque será o último para a humanidade, até ao final dos tempos.
Tempo de confirmação na Fé, de reconvenção e total e completa oportunidade para merecer a vida eterna como a desejamos:

A contemplação - para sempre - da Face de Deus Uno e Trino.


(AMA, comentário sobre Jo 20 19-31, 23.04.2017)

Leitura espiritual

Fortaleza

Ser fortes de espírito ajuda a ultrapassar as dificuldades e a superar os nossos limites. Para os cristãos, Cristo é o exemplo para viver uma virtude que abre a porta a muitas outras.
1. “Per aspera ad astra!” “Pelas dificuldades às estrelas”.
Esta conhecida frase de Séneca exprime, de modo gráfico, a experiência humana de que, para conseguir o melhor, é preciso esforçar-se, de que “o que tem valor, custa”, de que é preciso lutar para vencer os obstáculos e asperezas que nunca deixam de se apresentar ao longo da vida, para poder alcançar os bens mais elevados.

Muitas peças literárias de diversas culturas enaltecem a figura do herói, que encarna, de algum modo, aquelas palavras da sabedoria latina, que qualquer pessoa desejaria também para si: nil difficile volenti, nada é difícil para aquele que quer.

Assim, pois, a nível humano, a fortaleza é valorizada e admirada. Esta virtude, que vai a par com a capacidade de se sacrificar, tinha já entre os antigos um perfil bem definido.
O pensamento grego considerava a “andreia” como uma das virtudes cardeais [1], que modera os sentimentos de contenda próprios do apetite irascível e dá, assim, vigor ao homem para procurar o bem sem que o medo o detenha, mesmo que seja difícil e árduo.

2. “Quia tu es fortitudo mea(Sal 31, 5)

Pertence também à experiência humana a constatação da debilidade da nossa condição, que constitui, em certo sentido, a outra face da moeda da virtude da fortaleza.
Muitas vezes temos de reconhecer que não fomos capazes de realizar tarefas que teoricamente estavam ao nosso alcance.

Dentro de nós encontramos a tendência para desmoronar, para ser brandos connosco próprios, para renunciar ao que dá trabalho devido ao esforço que comporta.
Por outras palavras, a natureza humana, criada por Deus para o mais elevado, mas ferida pelo pecado, é capaz de grandes sacrifícios e também de grandes claudicações.

A Revelação cristã oferece uma resposta plena de sentido a essa condição paradoxal em que versa a nossa existência.
Com efeito, por um lado, assume os valores próprios da virtude humana da fortaleza, que é enaltecida em numerosas ocasiões na Bíblia.
Já a literatura sapiencial se fazia eco disso, ao dar a entender, sob a forma de uma pergunta retórica no livro de Job, que a vida do homem sobre a terra é milícia [2].

Com uma frase, em certo sentido misteriosa, Jesus, falando do Reino de Deus, diz que o alcançam os violentos: violenti rapiunt [3].
Esta ideia ficou reflectida na iconografia medieval, como sucede por exemplo na Capela de Todos os Santos de Ratisbona, onde a imagem que representa a fortaleza luta contra um leão.

Simultaneamente, são numerosos os textos da Escritura que sublinham como as diversas manifestações de um comportamento forte (paciência, perseverança, magnanimidade, audácia, firmeza, franqueza e, inclusive, a disposição para dar a vida) provêm e só podem ser mantidas se estiverem ancoradas em Deus: quia tu es fortitudo mea, porque Tu és a minha fortaleza (Sal 31, 5) [4].
Por outras palavras, a experiência cristã ensina que “toda a nossa fortaleza é emprestada” [5].

São Paulo exprime de modo certeiro este paradoxo, em que se entrelaçam os aspectos humanos e sobrenaturais da virtude: “quando sou fraco, então é que sou forte”, já que, como lhe assegurou o Senhor: “sufficit tibi gratia mea, nam virtus in infirmitate perficitur, basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que o Meu poder se manifesta por completo” [6].

3. “Sem Mim nada podeis fazer(Jo 15, 5)

O modelo e fonte de fortaleza para o cristão é, portanto, o próprio Cristo, que não só oferece com as Suas acções um exemplo constante que chega ao extremo de dar a própria vida por amor aos homens [7], mas que, além disso, afirma: “sem Mim nada podeis fazer[8].

Assim, a fortaleza cristã torna possível o seguimento de Cristo, um dia e outro, sem que o temor, o prolongamento do esforço, os sofrimentos físicos ou morais, os perigos, obscureçam no cristão a percepção de que a verdadeira felicidade está em seguir a vontade de Deus, ou o afastem dela.
A advertência de Jesus Cristo é clara: “Expulsar-vos-ão das sinagogas. Virá tempo em que todo aquele que vos matar julgará prestar culto a Deus” [9].

4. “Beata quae sine morte meruit martyrii palmam”: o martírio da vida quotidiana

Desde o início que os cristãos consideraram uma honra sofrer o martírio, pois reconheciam que conduzia a uma plena identificação com Cristo.
A Igreja manteve ao longo da história uma tradição de particular veneração pelos mártires que, por especial disposição da Providência, derramaram o seu sangue para proclamar a sua adesão a Jesus, oferecendo, assim, o exemplo máximo não só de fortaleza, mas também de testemunho cristão [10].

Embora não tenham faltado em cada época histórica – a nossa incluída – esses testemunhos do Evangelho, o certo é que, na vida corrente em que se encontram a maior parte dos cristãos, dificilmente chegaremos a essas condições. 

Não obstante, como recordava Bento XVI, há também um “martírio da vida quotidiana”, de cujo testemunho o mundo de hoje está especialmente necessitado: “o testemunho silencioso e heróico de tantos cristãos que vivem o Evangelho sem transigir, cumprindo o seu dever e dedicando-se generosamente ao serviço dos pobres” [11].

Neste sentido, o olhar dirige-se para Santa Maria, pois Ela esteve ao pé da Cruz do seu Filho, dando exemplo de extraordinária fortaleza sem padecer a morte física, de modo que pode dizer-se que foi mártir sem morrer, como o afirma uma antiga oração litúrgica [12].
“Admira a firmeza de Santa Maria:
ao pé da Cruz, com a maior dor humana – não há dor como a sua dor – cheia de fortaleza. E pede-lhe dessa firmeza, para que saibas também estar junto da Cruz” [13].

5. “Omnia sustineo propter electos(2Tm 2, 10)

A Virgem dolorosa é testemunha fiel do amor de Deus, e ilustra muito bem o acto mais próprio da virtude da fortaleza, que consiste em resistir (sustinere) [14] ao adverso, ao desagradável, ao duro.
Certamente, que se trata de um resistir no bem, porque sem o bem não há felicidade.
Para o cristão a felicidade identifica-se com a contemplação da Trindade no Céu. 

Em Santa Maria cumprem-se as palavras do Salmo: si consistant adversum me castra, non timebit cor meum... se se levantarem exércitos contra mim, o meu coração não temerá [15].
Também São Paulo, antes de chegar ao supremo testemunho de Cristo, se exercitou durante a sua vida neste ato característico da fortaleza, até poder afirmar: “tudo suporto por amor dos escolhidos[16].

Para expressar este aspecto da virtude (resistência), a Sagrada Escritura costuma referir-se à imagem da rocha.
Jesus numa das suas parábolas alude à necessidade de construir sobre rocha, quer dizer, não só ouvir a Sua palavra, mas esforçar-se por pô-la em prática [17].
Entende-se que, em última instância, a rocha é Deus, como não cessa de repetir o Antigo Testamento [18]:
“Minha rocha e meu baluarte, meu libertador, meu Deus, a rocha em que me amparo, meu escudo e força da minha salvação” [19].
Não surpreende então que São Paulo chegue a afirmar que a rocha é o próprio Cristo [20], que é “força de Deus[21].

A fortaleza para resistir nas dificuldades provém, pois, da união com Cristo pela fé, como indica São Pedro:
resistite fortes in fide!, resisti-lhes fortes na fé [22].

Deste modo, pode dizer-se que, em certo sentido, o cristão se converte, como Pedro, na rocha em que Cristo se apoia para construir e manter a sua Igreja [23].

© ISSRA, 2009
Notas:

[1] Cfr. Ángel Rodríguez Luño, Scelti in Cristo per essere santi. III. Morale speciale, EDUSC, Roma 2008, pp. 284 e 289.
[2] Cfr. Jb 7, 1.
[3] Mt 11, 12.
[4] Cfr. Ex 15, 2, Esd 8, 10; Is 25,1; Sal 31,4; 46, 2; 71,3; 91,2; 1Tm 1,12; 2Tm 1, 7; Col 1, 11; Flp 4, 1; Ro 5, 3-5.
[5] São Josemaria, Caminho, n. 728.
[6] 2Co 12, 9-10.
[7] Cfr. Jo 13, 15 e 15, 13.
[8] Jo 15, 5.
[9] Jo 16, 2.
[10] Cfr. Catecismo de la Iglesia Católica, n. 2473. Como se sabe, a palavra latina martyr deriva do grego mártys, que significa testemunha.
[11] Bento XVI, Angelus, 28 de outubro de 2007. São Josemaria descrevia este martírio incruento em Caminho, n. 848.
[12] “Bem-aventurada Virgem Maria, que mereceu, sem morrer, a palma do martírio junto da Cruz do Senhor”. Trata-se do Communio da festa da Virgem Dolorosa no antigo Missal de São Pio V, que, com um ligeiro retoque, passou a ser, na forma corrente do rito latino, a antífona do aleluia da lição evangélica nº 11 do Comum da Santíssima Virgem: “Beata est Maria Virgo, quae sine morte meruit martyrii palmam sub cruce Domini” (cfr. Pedro Rodríguez, n. 622 de Camino, edición crítico-histórica, Rialp, Madrid 2004).
[13] São Josemaria, Caminho, n. 508.
[14] Cfr. Ángel Rodríguez Luño, Scelti in Cristo per essere santi. III. Morale speciale, EDUSC, Roma 2008, p. 291.
[15] Sal 27, 3.
[16] 2Tm 2, 10.
[17] Cfr. Lc 6, 47-49.
[18] Cfr. 1 Sam 2,2; 2 Sam 22, 47; Dt 32,4; Hab 1,12; Is 26,4; Sal 19,15; Sal 28,1; Sal 31,3-4; Sal 62,3.7-8; Sal 89,2; Sal 94,22; Sal 144,1; etc.
[19] 2S 22, 2-3; cfr. Sal 18, 3.
[20] 1Co 10, 4.
[21] 1Co 1, 24.
[22] 1P 5, 9.

[23] Cfr. Mt 16, 18.

Tratado da vida de Cristo 197

Os sacramentos em geral 

Questão 62: Do efeito principal dos Sacramentos, que é a graça.

Art. 2 — Se a graça sacramental faz algum acréscimo à graça das virtudes e à dos dons.

O segundo discute-se assim. — Parece que a graça sacramental nada acrescenta à graça das virtudes e à dos dons.

1. — Pois, pela graça das virtudes e dos dons a alma se aperfeiçoa suficientemente, tanto na sua essência como nas suas potências, conforme resulta do que foi dito na Segunda Parte. Ora, a graça se ordena à perfeição da alma. Logo, a graça sacramental nada pode acrescentar à graça das virtudes e dos dons.

2. Demais. — Os defeitos da alma são causados pelo pecado. Ora, todos os pecados são suficientemente evitados pela graça das virtudes e dos dons; pois, não há nenhum pecado que não contrarie alguma virtude. Logo, a graça sacramental, ordenada a purificar a alma dos seus defeitos, nada pode acrescentar à graça das virtudes e dos dons.

3. Demais. — Toda a adição ou subtracção na forma faz variar a espécie, como diz Aristóteles. Se, pois, a graça sacramental faz algum acréscimo à graça das virtudes e dos dons, se­gue-se que a palavra graça é empregada em sentido equívoco. E assim, nada se nos afirma de certo em dizer-se que os sacramentos causam a graça.

Mas, em contrário, se a graça sacramental nada acrescenta à graça dos dons e das virtudes, em vão se conferenciam os sacramentos aos que têm os dons e as virtudes. Logo, parece que graça sacramental algo acrescenta à graça das virtudes e dos dons.

Como dissemos na Segunda Parte, a graça, em si mesmo considerada, aperfeiçoa a essência da alma, fazendo-a participar de certo modo da semelhança do ser divino. E assim como da essência da alma emanam as suas potências, assim da graça efluem certas perfeições para as potências da alma, chamadas virtudes e dons, que aperfeiçoam essas potências em relação aos seus actos. Ora, os sacramentos se ordenam a alguns efeitos especiais necessários à vida cristã. Assim, o baptismo se ordena de algum modo à regeneração especial pela qual o homem morre aos vícios e se torna membro de Cristo; e esse é um efeito especial, além dos actos das potências da alma. E o mesmo se dá com os outros sacramentos. Portanto, assim como as virtudes e os dons acrescentam à graça comum uma certa perfeição determinadamente ordenada aos actos próprios das potências, assim também a graça sacramental acrescenta à graça comum e às virtudes e aos dons um certo auxílio divino para se conseguir o fim do sacramento. E deste modo a graça sacramental algo acrescenta à graça das virtudes e dos dons.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — ­A graça das virtudes e a dos dons aperfeiçoa suficientemente a essência e as potências da alma em relação aos actos a que geralmente se ordenam. Mas para certos efeitos especiais, necessários à vida cristã, é preciso a graça sa­cramental.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Com as virtudes e os dons evitamos suficientemente os vícios e os pecados presentes e futuros, porque essas virtudes e esses dons nos fortalecem para os evitarmos. Mas, quanto aos pecados pretéritos que, como actos, já passaram, permanecendo porém, quanto ao reato, os sacramentos conferem ao homem um remédio especial.

RESPOSTA À TERCEIRA. — A noção de graça sacramental está para a graça comumente chamada, como a noção de espécie para a de género. Donde, assim como a palavra animal, comumente usada e tomada para significar o homem, não se emprega em sentido equívoco, assim tam­bém em sentido equívoco não se emprega a graça usada na significação comum e a graça sacramental.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Reto del amor




por VIVE DE CRISTO®Dominicas de Lerma

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

07/04/2018

Fortes e pacientes: serenos

Se, por teres o olhar fixo em Deus, souberes manter-te sereno no meio das preocupações; se aprenderes a esquecer as ninharias, os rancores e as invejas; pouparás muitas energias, que te fazem falta para trabalhar com eficácia, em serviço dos homens. (Sulco, 856)

Quem sabe ser forte não se deixa invadir pela pressa de conquistar logo o fruto da sua virtude; é paciente. A fortaleza leva-nos realmente a saborear a virtude humana e divina da paciência. Mediante a vossa paciência, possuireis as vossas almas (Lc XXI, 19). A posse da alma exprime-se na paciência, que, na verdade, é raiz e custódia de todas as virtudes. Nós possuímos a alma com a paciência, porque, aprendendo a dominar-nos a nós mesmos, começamos a possuir aquilo que somos. E é esta paciência que nos leva também a ser compreensivos com os outros, persuadidos de que as almas, como o bom vinho, melhoram com o tempo.


Fortes e pacientes: serenos. Mas não com a serenidade daquele que compra a tranquilidade pessoal à custa de se desinteressar dos seus irmãos ou da grande tarefa, que corresponde a todos, de difundir ilimitadamente o bem por todo o mundo. Serenos, porque há sempre perdão, porque tudo tem remédio, menos a morte, e, para os filhos de Deus, a morte é vida. Serenos, ainda que seja só para poder actuar com inteligência: quem conserva a calma está em condições de reflectir, de estudar os prós e os contras de cada problema, de examinar judiciosamente os resultados das acções previstas. E depois, sossegadamente, pode intervir com decisão. (Amigos de Deus, 78–79).

Temas para meditar e reflectir

Tranquilidade


Não é primeira vez que o tema é objecto de reflexão e isto porque a situação que vivo me arrasta - sem eu querer e sem aviso - para consideração de factos, situações etc., que me inquietam e perturbam.

Tranquilidade tem obviamente que ver com a paz espírito pelo que, se o espírito está em paz a tranquilidade é consequente.

Não se trata de ignorar os problemas e muito menos de os adiar, mas sim a certeza que tudo na vida tem remédio porque nada é definitivo.

Paz, foi e é, a principal recomendação de Cristo, Ele próprio o Príncipe da Paz, porque Ele sabia muito bem - e disse-o claramente - que a Sua vinda a este mundo iria provocar lutas e dissensões um pouco por todo o lado e em todas as sociedades humanas.

Mas também afirmou que tinha vencido o mundo é que, portanto, nada teríamos a tremer.

«Tende paz em vós», disse.

É o que ambicionamos e lhe pedimos ajuda para a conseguir.

Tranquilos, pois, tudo tem solução e nada adianta preocupar-nos se ela tarda em concretizar-se.

Acontecerá, tenhamos a certeza, quando o Senhor quiser e achar conveniente.

Nunca nos abandonará!

Não é este um motivo mais que suficiente para estar tranquilos?



(ama, reflexões, 2016.11.21)

Evangelho e comentário

Tempo de Páscoa

Evangelho: Mc 16, 9-15

9 Tendo ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, Jesus apareceu primeiramente a Maria de Magdala, da qual expulsara sete demónios. 10 Ela foi anunciá-lo aos que tinham sido seus companheiros, que viviam em luto e em pranto. 11 Mas eles, ouvindo dizer que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não acreditaram. 12 Depois disto, Jesus apareceu com um aspecto diferente a dois deles que iam a caminho do campo. 13 Eles voltaram para trás a fim de o anunciar aos restantes. E também não acreditaram neles. 14 apareceu, finalmente, aos próprios Onze quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração em não acreditarem naqueles que o tinham visto ressuscitado. 15 E disse-lhes: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura

Comentário:

O evangelista é parco nas palavras.

Realmente São Marcos - que escreve o que ouviu da boca de Pedro -  não foi testemunha directa dos acontecimentos após a ressurreição do Senhor e, portanto, toda a emoção e choque de sentimentos que outros deixam entrever não está presente no que escreve.

Mas, o deveras importante é reter as instruções e mandatos do Mestre, o que deseja que façam e como.

É isso que deve interessar aos Seus seguidores que somos todos nós os baptizados.


(ama, comentário sobre Mc 16 9-15, 22.04.2017)

Leitura espiritual

O HOMEM BOM

A BONDADE REAL

Retomemos uma ideia anterior. Bom, de verdade, é somente aquele que nos faz bem, e o bem é acima de tudo o valor moral e espiritual de uma pessoa. Portanto, bom mesmo é somente aquele que nos ajuda a ser melhores.
Quando já vivemos um bom pedaço da vida e olhamos para trás, contemplamos um vasto panorama de vicissitudes diversas, de erros e acertos, de perigos que nos ameaçaram, de dúvidas que nos paralisaram, de alegrias e tristezas. Mas, no meio dessas lembranças, todos nós podemos ver brilhar uns pontos de luz que jamais esqueceremos: pessoas que, no momento em que mais precisávamos, nos fizeram bem: “Fulano – dizemos – ajudou-me muito”, “significou muito para mim”; “graças a Sicrano, consegui superar um problema grave (ou uma crise ou um estado de ânimo) que poderia ter-me arrasado”...
Mesmo sem darmos por isso e sem dizê-lo explicitamente, estamos falando de “homens bons”. Inconscientemente, possuímos a convicção de que foram bons, para nós, aqueles que nos despertaram para ideais mais nobres, que nos deram a mão para levar-nos a encontrar um sentido mais alto da vida, que iluminaram as nossas escuridões interiores fazendo-nos compreender aquilo por que vale a pena viver.
Em suma, foram “bons” os que nos elevaram a um maior nível de dignidade moral e nos ajudaram a ser melhores, mesmo que para isso tivessem precisado, em algum momento, de fazer-nos sofrer. Contribuíram, em suma, para que descobríssemos e abraçássemos o bem, e não se contentaram com deixar que nos “sentíssemos bem”...
Se, para tanto, foi necessário que nos aplicassem uma enérgica e paciente “cirurgia”, não duvidaram em fazê-lo, mesmo sabendo que, de início, não os compreenderíamos. Souberam ter a coragem – pensemos, por exemplo, nos pais e educadores – de dizer-nos serenamente “não” e de manter essa sua posição, em defesa do nosso bem, ainda que nós a interpretássemos como teimosia prepotente e irracional. Passado o tempo, compreendemos e agradecemos o que essa energia
amorosa significou para nós.
O homem bom recusa-se a tomar como princípio de comportamento o infeliz ditado segundo o qual “aquele que diz as verdades perde as amizades”. Pratica a lealdade sincera quando o nosso bem está em jogo. Certamente, não confunde a sinceridade com a franqueza rude, que se limita a lançar-nos em rosto os nossos erros e defeitos em tom áspero e acusatório. Mas arrisca-se de bom grado a ser incompreendido, a ser tachado de moralista e de intrometido, quando percebe que precisa falar-nos claramente, caridosamente mas sem ambiguidades, e não hesita em praticar aquela excelente obra de misericórdia que consiste em “corrigir o que erra”, a fim de levá-lo a encontrar a retidão do caminho moral.
Calar-se, deixando o barco correr... e afundar-se é, sem dúvida, mais cômodo. Alhear-se, ou até mostrar-se conivente com os erros alheios, atrai benevolências e simpatias. Mas é uma forma covarde de omissão e uma triste colaboração com o mal.

ESBOÇO DO HOMEM BOM

Homem bom é, pois, aquele que exerce sobre nós uma influência benfazeja, uma influência que tem como efeito elevar-nos, ajudar-nos a alcançar uma maior altura moral.
Por isso, o homem bom tem, principalmente, uma qualidade: o dom de despertar-nos do sono espiritual, da letargia moral, da mediocridade e da acomodação. É alguém que nos impele a “olhar para cima” e nos ajuda – sobretudo com o seu exemplo – a ver a bondade como uma meta acessível.
O ambiente que nos cerca leva-nos facilmente a ser medíocres. Os idealistas são poucos, e não raro parecem ingênuos ou tolos, se os compararmos com muitos dos que vemos triunfar ou, pelo menos, singrar na vida: os egoístas, os espertos e os aproveitadores. Com efeito, aspirar a pautar a vida pela honestidade, pela fidelidade, pelo mérito, pelo desprendimento ou pela sinceridade – para falar apenas de algumas facetas do ideal moral – pode ser algo de muito belo na teoria, mas dá a impressão de ser muito pouco útil na prática, pouco eficaz na luta pela vida. Na “selva” do mundo, parecem apagar-se as fronteiras que separam o “bom” do “bobo”.
Daí que, lá no fundo, muitos prefiram ser “como todo o mundo”. E se um idealismo maior lhes bate às portas da alma, afastam-no com desconfiança: não vamos complicar a vida – dizem –, não vamos ser tolos, é mais garantido ficar na “média”, como todos fazem; os Ícaros que pretendem voar muito alto com asas de cera acabam despencando ao chão.
Até que, numa hora qualquer da vida, deparamos com um homem bom. O primeiro choque que experimentamos ao tomar contacto com ele é o desconcerto. Começamos a vislumbrar nessa pessoa algo de inexplicável – pois foge aos padrões habituais – e, ao mesmo tempo, de estranhamente atraente.
Percebemos que é alguém que pensa de maneira diferente, vive de maneira diferente.
Acredita em valores mais altos, abraça-os com serena convicção e não vacila em pautar por eles a sua vida. Prescinde tranquilamente do que a maioria considera imprescindível para ser feliz: o egoísmo interesseiro, o comodismo, o culto do prazer e do bem-estar, o jogo de pequenos e grandes enganos para obter vantagens... Abraça com firmeza a honestidade, a dedicação desinteressada, o sacrifício, o amor serviçal, a renúncia voluntária, para fazer felizes os outros... Parece estar a um milímetro da utopia, da loucura ou da estupidez. E, no entanto, deixa-nos a impressão indestrutível de ser infinitamente mais alegre, mais realizado e vitalmente mais rico do que a massa anódina sobre a qual, mesmo sem o pretender, ele se eleva.
É por isso que o homem bom nos obriga a olhar “para cima” e também “por cima” dos nossos esquemas mentais e das nossas opções rotineiras. É como que uma bandeira que incita a entrar por caminhos novos, caminhos que lá no fundo da alma nós desejaríamos trilhar para curar o coração cansado de sábias espertezas e de prudentes mediocridades. E, com o seu exemplo, vem a dizer-nos que esses caminhos são possíveis e mostra-nos o roteiro a seguir.
A limpa autenticidade do homem bom faz-nos descobrir o norte, o verdadeiro norte da vida, e para ele nos atrai. Dele irradia, sem palavras, um apelo que nos sugere: vale a pena viver assim e é possível viver assim; se nós o conseguíssemos, alcançaríamos a plenitude de paz e felicidade que sempre sonhamos e ainda não conquistamos.

BONDADE E COERÊNCIA

Mas o homem bom não se limita a despertar-nos para a bondade. Faz-nos acreditar nela.
Todos sabemos por experiência que tudo quanto tem “cheiro de falsidade”, de hipocrisia, inspira desconfiança; e, pelo contrário, tudo o que é autêntico desperta credibilidade.
A verdadeira bondade infunde confiança precisamente porque está marcada de modo simples, sem ostentações, pelo selo da verdade. Neste caso, da coerência. Um homem realmente bom possui uma harmonia habitual entre palavra e vida, entre interior e exterior, entre vida privada e vida profissional ou social. Não tem duas caras, não tem duas vidas, não é duplo. É sempre o mesmo.
O hipócrita bem-falante pode enfeitar-se de belas frases, gestos elevados e propostas sublimes. Mas todos se apercebem de que tudo isso não passa de um balão colorido, acobertando um imenso vazio. É uma pura encenação, é uma triste farsa. Cristo chamaria a tudo isso o brilho da cal branca sobre o sepulcro de um morto (cfr. Mt 23, 27).
O homem bom, pelo contrário, se fala de valores e de ideais, é porque os vive: as suas sugestões, os seus conselhos, as suas correções – quando se trata de corrigir – têm o frescor fecundo das águas vivas que brotam do manancial da alma. São sangue do seu sangue. Por isso movem, tocam, incentivam, atraem. Transmitem o calor da autenticidade. E despertam o desejo de imitação.
Nunca deixa de nos atingir positivamente, e de nos incitar a melhorar, o exemplo ou a palavra de um homem reto e coerente. Todos nos sentimos instintivamente dispostos a levar a sério a opinião, o juízo ou o conselho de uma pessoa que mantém tranquilamente a mesma altura moral e o mesmo grau de bondade em qualquer ambiente. Quer seja no lar, na rua, no escritório ou na roda de amigos, é sempre idêntico a si mesmo: aberto, dedicado, paciente, solícito, construtivo, alegre, cheio de fé. Não tem virtudes de ocasião ou qualidades de feira. Não é o camaleão que se adapta aos diversos ambientes com o afã de “ficar bem”. Possui um quilate moral que atravessa, sem distorcer-se, todas as vicissitudes e situações.
Seria bom que os pais pensassem nisto, pois a sua falta de coerência costuma destruir as mais belas falas. E os filhos têm um radar sensibilíssimo para captar o “fundo falso” de todos os sermões dos pais que dizem e não fazem (cfr. Mt 23, 3).

VITÓRIA SOBRE A MESQUINHEZ

Devemos acrescentar ainda mais alguns traços a essas qualidades que desenham o retrato do homem bom. É evidente que ser bom não significa ser impecável. Quando o jovem rico do Evangelho se atirou aos pés de Cristo, perguntando-lhe com os olhos a brilhar: Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?, Jesus respondeu-lhe: Por que me chamas bom? Ninguém bom senão só Deus (Mc 10, 17-18).
Somente Deus possui a perfeição sem defeito, em plenitude. Os homens somos todos falíveis, e os nossos melhores esforços e qualidades vão sempre acompanhados pelo contraponto dos erros, pecados e misérias. Seria, pois, uma ilusão imaginar que o homem de uma só peça que acabamos de retratar não tivesse fissuras nem brechas.
Mas, dentro deste quadro da inevitável debilidade humana, o homem verdadeiramente bom possui uma qualidade marcante: nunca o vemos dominado por fraquezas mesquinhas ou baixas. E este é um ponto importante.
O homem bom pode ter – e realmente tem – momentos de ira, de cansaço, de impaciência ou de preguiça. Mas não é escravo de sentimentos pequenos: no seu coração, nunca lançam raízes as paixões baixas do calculismo – não regateia, querendo baratear a sua doação –, da inveja, do melindre, da suscetibilidade, do ressentimento ou da vingança. É um homem fraco e pecador – como todos os homens –, mas ao mesmo tempo é um coração livre da triste teia de aranha que amesquinha muitas almas: o egoísmo e seu irmão gêmeo, o amor-próprio doentio. Tem um coração maior que essas misérias.
Este é outro dos motivos por que a sua bondade irradia, com um calor atraente. A mesquinhez ensombrece e degrada a bondade. Quando admiramos alguém, e inesperadamente descobrimos que está dominado por alguma dessas pequenas paixões que acabamos de mencionar, sentimos uma profunda decepção. É como se a luz divina, que até então iluminava nele ideais de grandeza, de repente se tivesse empanado.
Nobre pela sua coerência e livre de mesquinhez, o homem bom se nos revela assim em toda a sua riqueza espiritual. Só ele é capaz de harmonizar traços morais que, na maioria dos homens, apenas se encontram de forma parcial ou conflitante.
A verdadeira bondade sabe conjugar estavelmente a energia na atuação e a compreensão com as pessoas; o entusiasmo pelos ideais, trabalhos e objetivos, e o desprendimento; a firmeza de critério e a prudente flexibilidade; a equanimidade e o ardor; a serenidade e a paixão; a grandeza de alma, que não se conforma com a mediocridade, e a humildade de coração; a capacidade de ser, ao mesmo tempo, um grande despertador de inquietações – alguém que nos sacode a inércia e o comodismo – e um transmissor de paz.
Qualidades que parecem contrárias, e até incompatíveis, convivem em equilíbrio na alma do homem bom. São como as cores diversas, que se fundem numa única luz. Por isso, o homem bom deixa-nos sempre a impressão de ser um homem “completo”, em que as virtudes atingem a medida certa e compõem um conjunto de rara beleza e equilíbrio. É isso que as torna sugestivas e atraentes e incita à imitação.

Francisco Faus [i]




[i] Francisco Faus é licenciado em Direito pela Universidade de Barcelona e Doutor em Direito Canónico pela Universidade de São Tomás de Aquino de Roma. Ordenado sacerdote em 1955, reside em São Paulo, onde exerce uma intensa atividade de atenção espiritual entre estudantes universitários e profissionais. Autor de diversas obras literárias, algumas delas premiadas, já publicou na coleção Temas Cristãos, entre outros, os títulos O valor das dificuldades, O homem bom, Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens, Maria, a mãe de Jesus, A voz da consciência e A paz na família.

Se Deus está “no” céu, onde fica o céu?

Resultado de imagem para veritatis splendorO Pai-Nosso começa dizendo que Deus está "no" Céu. Isto não sugere que o Céu é um lugar? E se é um lugar, onde fica?
Céu é onde Deus está. Então, onde está Deus? Em todo lugar. Então por que dizemos que Deus está no Céu, como se esse fosse um lugar particular em oposição a todo lugar?

A resposta é que, quando falamos de Deus ou do Céu, devemos usar a linguagem das coisas criadas, mesmo que Deus seja, por natureza, infinitamente maior do que qualquer criatura.

Já que, por nossa experiência, as coisas criadas encontram-se em lugares, quando falamos que Deus está no Céu parece soar como se estivéssemos nos referindo a um lugar físico. Mas o Céu não é um lugar físico, muito embora os mórmons acreditem que o Pai Celestial viva em um planeta próximo de uma estrela chamada “Kolob”.

Dizer que Deus está no Céu é um modo de dizer que Ele não “preso” à Terra. Uma rápida reflexão nos diz que Ele também não está “preso” ao espaço. Caso contrário, Ele seria limitado, significando que seria imperfeito e, portando, não verdadeiramente Deus. O Criador do universo, em sua natureza divina, não pode ser parte do universo que Ele criou.

Ao mesmo tempo, os teólogos dizem que Deus é onipresente: Ele está em todo lugar. Como, então, podemos dizer que Ele não faz parte do universo? Se Deus está em todo lugar, parece que Ele deva estar também no universo e, por consequência, seja parte do universo.

Considere, no entanto, o que dissemos sobre Deus não ser limitado ou confinado a um lugar específico. Por definição, estar em todo lugar simultaneamente significa não estar apenas em um lugar particular. A onipresença de Deus não significa que Ele se espalha sobre o espaço do mesmo modo que a margarina se espalha sobre uma fatia de pão ou a água se encontra distribuída por todo o volume de uma piscina.

Este é o erro do movimento de Nova Era, quer na forma de panteísmo (que afirma que tudo é Deus), quer na forma de panenteísmo (que afirma que Deus está em tudo assim como o açúcar encontra-se no suco).

Deus está em todo lugar – dizem os teólogos e filósofos – por seu poder, sua essência e seu conhecimento. Por seu poder infinito, Ele está em todo lugar pois Ele dá existência a todas as coisas. Ele está em todo lugar por sua essência pois o que Deus é (sua essência) não é separável daquilo que Ele pode fazer (seu poder). Deus está em todo lugar por seu conhecimento pois Ele sabe de tudo em todos os tempos.

Uma outra forma de enxergar a onipresença de Deus é pensar na Criação como uma novela divina e Deus como roteirista. O autor de uma novela está, em certo sentido, em todas as páginas que ele escreve. Ele cria o conjunto, os personagens e os eventos da sua novela. Apesar disso, ele mesmo se encontra fora da novela. Seria igualmente verdade dizer que a novela está dentro de seu autor – isto é, em sua mente.

Deus está fora do universo que Ele criou e sustenta (eis a sua transcendência), e, ao mesmo tempo, dentro dele (eis a sua imanência), por seu poder, essência e conhecimento.

Veritatis Splendor, Set 05, 2017

Para um conhecimento mais aprofundado sobre o céu, sugerimos a leitura do livro “Everything You Ever Wanted to Know About Heaven” (“Tudo o que você sempre quis saber sobre o céu”), de Peter Kreeft, disponível no catálogo da Catholic Answers.