17/12/2017

Oxalá te não falte a simplicidade

Repara: os apóstolos, com todas as suas misérias patentes e inegáveis, eram sinceros, simples... transparentes. Tu também tens misérias patentes e inegáveis. – Oxalá te não falte a simplicidade. (Caminho, 932)


Aqueles primeiros doze apóstolos – a quem tenho grande devoção e carinho – eram, segundo os critérios humanos, bem pouca coisa. Quanto à posição social, com excepção de Mateus – que com certeza ganhava bem a vida e deixou tudo quando Jesus lhe pediu – eram pescadores; viviam do dia-a-dia, trabalhando até de noite para poderem alcançar o seu sustento.

Mas a posição social é o de menos. Não eram cultos, nem sequer muito inteligentes, pelo menos no que diz respeito às realidades sobrenaturais. Até os exemplos e as comparações mais simples lhes eram incompreensíveis e pediam ao Mestre: Domine, edissere nobis parabolam, Senhor, explica-nos a parábola. Quando Jesus, com uma imagem, alude ao fermento dos fariseus, supõem que os está a recriminar por não terem comprado pão.

Pobres, ignorantes. E nem sequer eram simples, humildes. Dentro das suas limitações, eram ambiciosos. Muitas vezes discutem sobre quem seria o maior, quando – segundo a sua mentalidade – Cristo instaurasse na terra o reino definitivo de Israel. Discutem e excitam-se até naquela hora sublime em que Jesus está prestes a imolar-se pela humanidade, na intimidade do Cenáculo.

Fé? Pouca. O próprio Jesus Cristo o diz. Viram ressuscitar mortos, curar todo o tipo de doenças, multiplicar o pão e os peixes, acalmar tempestades, expulsar demónios. Pois S. Pedro, escolhido como cabeça, é o único que sabe responder com prontidão: Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo. Mas é uma fé que ele interpreta à sua maneira; por isso atreve-se a enfrentar Jesus Cristo, a fim de que Ele não se entregue pela redenção dos homens. E Jesus tem de responder-lhe: Retira-te de mim, Satanás; tu serves-me de escândalo, porque não tens a sabedoria das coisas de Deus mas das coisas dos homens. Pedro raciocinava humanamente, comenta S. João Crisóstomo, e concluía que tudo aquilo (a Paixão e a Morte) era indigno de Cristo, reprovável. Por isso Jesus repreende-o e diz-lhe: não, sofrer não é coisa indigna de Mim; tu pensas assim porque raciocinas com ideias carnais, humanas.


Em que sobressaem então aqueles homens de pouca fé? Talvez no amor a Cristo? Sem dúvida que O amavam, pelo menos de palavra. (…) São homens correntes, com defeitos, com debilidades, com palavras maiores do que as suas obras. E, contudo, Jesus chama-os para fazer deles pescadores de homens, corredentores, administradores da graça de Deus. (Cristo que passa, 2)

Temas para meditar

A força do Silêncio, 117




Há almas que reivindicam a solidão parasse encontrarem a si mesmas, e outras que a procuram para se darem a Deus e aos outros.



CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo do Advento


Evangelho: Jo 1, 6-8. 19-28

6 Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João. 7 Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele. 8 Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz.
19 Este foi o testemunho de João, quando as autoridades judaicas lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: «Tu quem és?» 20 Então ele confessou a verdade e não a negou, afirmando: «Eu não sou o Messias.» 21 E perguntaram-lhe: «Quem és, então? És tu Elias?» Ele disse: «Não sou.» «És tu o profeta?» Respondeu: «Não.» 22 Disseram-lhe, por fim: «Quem és tu, para podermos dar uma resposta aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo?» 23 Ele declarou: ‘«Eu sou a voz de quem grita no deserto: Rectificai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías.» 24 Ora, havia enviados dos fariseus que lhe perguntaram: 25 «Então porque baptizas, se tu não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» 26 João respondeu-lhes: «Eu baptizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis. 27 É aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias.» 28 Isto passou-se em Betânia, na margem além do Jordão, onde João estava a baptizar.

Comentário:

Infere-se deste trecho de São João que a acção de João Baptista tinha atingido tal notoriedade e importância que os chefes do povo sentiram a necessidade de se inteirarem sobre ele.

Muito provavelmente, também, sentiam que, de alguma forma, um número crescente de judeus se lhes “escapava das mãos” para seguir o Profeta.

Como mais tarde se verá em relação ao próprio Messias, não acreditam nos sinais que muito bem conhecem pelas Escrituras e, em lugar de aprofundarem a verdade dos factos tão evidentes preferem manobrar dilatoriamente, levan­tando dúvidas e questões que não têm outro objectivo que desacreditar o Per­cursor.

(AMA, comentário sobre 1, 6-8, 19-28, 29.11.2005)







Leitura espiritual

A PAZ NA FAMÍLIA

AS CORDAS DO CORAÇÃO

CASOS DA VIDA REAL

Contemplemos, para começar, uma mãe enervada mal começa a manhã.
Uma hora depois, vemo-la ainda mais enervada. No fim do dia, já a contemplamos com os nervos em frangalhos. Que houve com ela?
Podem ter-se acumulado várias contrariedades inesperadas, que a deixaram reduzida a um feixe de nervos. Mas pode muito bem dar-se o caso de não ter havido nenhuma surpresa desagradável.
Simplesmente, houve, pela centésima vez, a constatação amarga de que – apesar das súplicas e reclamações dela – os filhos continuam a praticar um descarado desleixo nas coisas de uso pessoal e nas coisas do lar, desmazelo que se traduz em desconforto para todos e em trabalho multiplicado para a mãe. E, como se isso fosse pouco, ainda por cima sentem-se agredidos pelas recriminações, mais do que justas, da mãe: “Ela anda tão nervosa! Está insuportável!”
Esses meninos e meninas, não só não têm razão, como deveriam compreender que o problema são eles, que – com a sua desordem – infernizam a vida do lar. Precisariam é de ter ordem e acabar com essa história egoísta de largar nas mãos da mãe a arrumação de tudo quanto eles, por mole comodismo, vão desarrumando por onde quer que passem.
Volta e meia, um orientador espiritual que cuide da formação cristã de estudantes, escuta o seguinte comentário de alguma mocinha, num linguajar hoje já consagrado: “Ai, padre, o meu quarto, o meu guarda-roupa, o meu armário estão uma zona!”
Se lhe pergunta: “Você arruma todos os dias a sua cama?”, responderá, com o ar mais natural do mundo: “Não, nunca arrumo”. “Então, quem é que o faz?” “Ah! Minha mãe, ou a empregada, lógico”.
Nem sempre é inútil lembrar a essas meninas (podem ter entre 12 e 25 anos) que o que elas fazem, de lógico não tem nada, e, pelo contrário, tem tudo de moleza egoísta.
Passemos ao quarto do menino (colegial ou universitário). Para avançar meio metro, é preciso abrir uma picada entre objectos diversíssimos espalhados pelo chão: desde revistas de futebol e outras bem menos esportivas, passando por ténis sujos, até camisetas suadas, um bermudão largado com ar de defunto, três livros desencadernados e várias folhas de bloco rasgadas, pedaços de aparelhos eletrónicos, dois chicletes mascados, um regulador de tensão com um fio solto e descascado, o travesseiro amolgado num canto e mais outros espécimes da mais selvagem desordem.
Isso é tudo? Não. Está o som. Um enorme aparelho, ligado à máxima potência, ensurdece os moradores dos dez apartamentos mais próximos e enlouquece os do próprio lar.
Mas, se o pai ou a mãe reclamam de tamanha desordem e tão desaforado estrondo, o moço roqueiro, agitando o brinco e o rabo de cavalo, reclamará da falta “absoluta” de compreensão dos velhos, que já não dá mais para aturar.
Depois, o menino e a menina não hesitarão em passar horas e horas grudados à televisão, na posição definitória do tipo de carácter que possuem: deitados no chão como seres invertebrados, esparramados num sofá, com a moleza gelatinosa de quem desconhece totalmente o que é a posição vertical. As idas e vindas da mãe, cansada de tanta labuta, com a louça na pia à espera de uma mão que a ajude a lavar, com a mesa por arrumar, a roupa por passar, etc. etc., tudo isso, serão coisas que o egoísmo comodista das “crianças” nem perceberá. E irão embora da sala, de alma lavada, enquanto deixam o televisor ligado, a luz acesa, e – atravancando a passagem – uns patins, uma mochila e uma garrafa de Coca-Cola meio vazia sobre o tapete.
O rapaz ou a moça pensam que lá em casa não os compreendem, e não percebem que eles é que são a imagem perfeita do chupim. Por maldade? Não. Por preguiça, pelo mais gordurento egoísmo. Primeiro eu, depois eu e sempre eu.
ACONTECE QUE TAMBÉM AS MÃES...
Mas será que a mãe é sempre a vítima?
Devemos dizer que nem sempre, para sermos justos e objectivos. Quantos lares se vão tornando insuportáveis, irrespiráveis, porque a mulher, desde que acorda até que vai dormir, não pára de reclamar, de queixar-se, de gemer, de tocar o seu chorinho insofrível de cavaquinho desafinado.
Há mulheres que se parecem com uma emissora de rádio em permanente vigília de informação: não se passam quinze minutos sem que “transmitam” a todos os que estão em casa as notícias detalhadas do que lhes dói (fígado, cabeça, costas, rins, ombro), das suas horríveis insónias, das doenças que estão acabando com elas, das indizíveis contrariedades e das pessoas desconsideradas que têm de suportar... E, quando o marido pede: “Pare com isso, já chega de gemer”, a “vítima profissional”, que no fundo passa o dia pensando em si mesma, reage com o grito da mártir trucidada pela incompreensão daqueles pelos quais não pára de sacrificar-se.
Vamos continuar falando das mazelas das mães?
Só um pouquinho, e pedindo-lhes desculpas, porque, no mais íntimo de nós, pensamos que elas são figuras adoráveis, que merecem toda a ternura e agradecimento do nosso coração.
Porém... Há alguns pequenos poréns, não muitos.
É. Existe um tipo de egoísmo que tem muito a ver com o consumismo, e que leva a mulher à compulsão incontrolável de gastar.
Diante dos balcões do supermercado ou das vitrines do shopping, um pano preto lhe tapa de repente a sensatez, ao mesmo tempo que uma luz cintilante lhe sobe aos olhos: quase tudo o que está ali fica sendo, subitamente, “necessário”, ou “muito útil”, ou “uma ocasião que não se pode perder”.
Será preciso dizer que, em decorrência disso, pipocam os problemas de cheques sem fundos, de cartões de crédito estourados e de falta de caixa no fim do mês?
Será necessário lembrar que esse descontrole cego nos gastos é uma das maiores causas de brigas familiares?
Alguém já adivinhou por que muitos maridos têm, entre as amigas da esposa, a negra e injusta fama de avarentos?
Ainda poderíamos mencionar a deterioração do ambiente do lar – por vezes tremenda, e até fatal – causada pelas mulheres desleixadas, descuidadas na limpeza, no vestuário, na ordem da casa, nos horários das refeições. Ou, o que é o pior, péssimas “chefes de cozinha” – sem sinais de querer aprender e corrigir-se –, que torturam marido e filhos com comidas monótonas e intragáveis.
Mas peçamos perdão às mães..., e viremos a folha.

A HORA E A VEZ DOS MARIDOS

Também os honestos pais de família deveriam enfiar humildemente a carapuça e fazer um exame de consciência, perguntando-se: “A irritabilidade, o mal-estar, as brigas que há lá em casa, são devidas apenas ao temperamento, às manias e às implicâncias da mulher, à irresponsabilidade e às rebeldias malcriadas dos filhos? Não será que eu, com o «meu» comodismo egoísta, não tenho também uma elevada cota de culpa na deterioração da paz familiar?”
Em noventa por cento dos casos, a resposta sincera a essa pergunta deverá ser:
“Sim”. E, após a resposta, convirá fazer um exame de consciência para desmascarar o comodismo.
É muito cómodo, por exemplo, regressar a casa após um dia de trabalho com a consciência de que “agora chegou a hora merecida de descansar”.
O pai entra no lar. A carranca de “fatigado profissional” não convida muito a pedir-lhe coisa alguma ou a contar com ele para nada. Entrincheira-se na poltrona, por trás de um jornal, ou com os olhos perdidos no televisor, se não vai para o micro e começa a navegar na Internet com a mesma avidez com que um garoto mergulha no último jogo eletrônico japonês. Não escuta o que lhe dizem. Solta um grunhido quando a mulher vai contar-lhe as tribulações do dia.
Esquece-se de que ela tem uma necessidade louca de desabafar, de ser compreendida, que precisaria de que o marido a convidasse a dar uma voltinha, a conversar, a arejar-se, a ir ao cinema ou a um teatro interessante.
Pior ainda quando esse “direito de descansar” consiste em apanhar garrafa e copo e iniciar no sábado, à hora do almoço, a série de aperitivos que já se sabe como vão terminar:
com brigas e lágrimas da mulher, com cenas traumatizantes para todos, por vezes violentas; com angústia e desprezo por parte dos filhos (como me doeu na alma ouvir de uma boa menina, com vozinha aflita: – “Sabe, padre, o meu pai não presta, ele bebe”!).
O “profissional fatigado” bebe, vai cambaleante para a cama, onde passará, no mínimo, uma tarde inteira dormindo a sesta etílica. Depois, com ressaca e tontura, acabará de matar o fim de semana, sem diálogo, sem passeio, sem carinho e sem alegria.
O quadro – reconheço – é carregado, mas reconheça também o leitor que não é totalmente irreal.

(cont)

FRANCISCO FAUS [i]




[i] Francisco Faus é licenciado em Direito pela Universidade de Barcelona e Doutor em Direito Canónico pela Universidade de São Tomás de Aquino de Roma. Ordenado sacerdote em 1955, reside em São Paulo, onde exerce uma intensa atividade de atenção espiritual entre estudantes universitários e profissionais. Autor de diversas obras literárias, algumas delas premiadas, já publicou na coleção Temas Cristãos, os títulos:
O valor das dificuldades; O homem bom; Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens; A língua; A paciência; A voz da consciência.

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

16/12/2017

O Advento

Olhai e levantai as vossas cabeças porque está próxima a vossa redenção (Lc 21, 28), lemos no Evangelho. O tempo do Advento é o tempo da esperança. Todo o panorama da nossa vocação cristã, a unidade de vida que tem como nervo a presença de Deus, Nosso Pai, pode e deve ser uma realidade diária. (Cristo que passa, 11, 4)


Procura a união com Deus e enche-te de esperança – virtude segura! –, porque Jesus te iluminará, mesmo na noite mais escura, com a luz da sua misericórdia. (Forja, 293)


Jesus Christus, Deus Homo, Jesus Cristo, Deus-Homem! Eis uma magnalia Dei (Act. II, 11), uma das maravilhas de Deus em que temos de meditar e que temos de agradecer a este Senhor que veio trazer a paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2, 14), a todos os homens que querem unir a sua vontade à Vontade boa de Deus. Não só aos ricos, nem só aos pobres! A todos os homens, a todos os irmãos! Pois irmãos somos todos em Jesus; filhos de Deus, irmãos de Cristo. Sua Mãe é nossa Mãe.


É preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço. Olhar para Ele, sabendo que estamos perante um mistério. Precisamos de aceitar o mistério pela fé, aprofundar o seu conteúdo. Para isso necessitamos das disposições humildes da alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres conceitos, às nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens. (Cristo que passa, 13)

Temas para meditar

A força do Silêncio, 116


O silêncio contemplativo é um silêncio de oração e de escuta de um homem que se coloca diante de Deus.
Colocar-se silenciosamente diante de Deus é orar.
A oração pede-nos que façamos silêncio para ouvir e escutar Deus.
O silêncio exige uma disponibilidade absoluta em relação à vontade de Deus.
O homem deve voltar-se inteiramente para Deus e para os seus irmãos.
O silêncio é uma busca e uma caridade em que os olhos de Deus se tornam os nossos olhos e o coração de Deus um enxerto do nosso coração.

Não podemos ficar diante do fogo divino sem nos queimarmos. (…)



CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo do Advento


Evangelho: Mt 17, 10-13

10 Os discípulos fizeram a Jesus esta pergunta: «Então, porque é que os doutores da Lei dizem que Elias há-de vir primeiro?» 11 Ele respondeu: «Sim, Elias há-de vir e restabelecerá todas as coisas. 12 Eu, porém, digo-vos: Elias já veio, e não o reconheceram; trataram-no como quiseram. Também assim hão-de fazer sofrer o Filho do Homem.» 13 Então, os discípulos compreenderam que se referia a João Baptista.

Comentário:


Pelo seu exemplo, a sua conduta, a forma de se apresentar em público, o Percursor arrastou multidões e tinha numerosos seguidores atraídos por uma mensagem absolutamente nova.

O apelo à conversão e revisão de vida, o Baptismo para remissão dos pecados são o prelúdio absolutamente necessário para receber Aquele que está para chegar.

A sua humilíssima figura de homem austero e de vida frugal tem tudo menos a de um “pregador” de palavra inflamada e gestos grandiloquentes.

Considera-se indigno de desatar as correias das sandálias ao Salvador, ou seja, indigno de um trabalho reservado aos escravos e, no entanto, a sua palavra tem tal autoridade e convicção que arrasta e atrai muitos que procuram uma vida nova, um rumo diferente, uma esperança renascida.

Jesus Cristo, irá, assim, encontrar muitas almas predispostas a ouvir a Sua doutrina e a segui-lo no Seu caminho.

(AMA, comentário sobre Mt 17, 10-13, 12.09.2017)






Leitura espiritual

A PAZ NA FAMÍLIA

AS CORDAS DO CORAÇÃO

MAIS CORDAS DESAFINADAS

Existem outras cordas malsoantes do orgulho. Seria difícil lembrá-las todas. Mas, para ficarmos prevenidos e tentarmos melhorar, talvez seja útil examinar ainda mais três ou quatro delas.
Uma corda, um defeito muito aparentado com a crítica, é a mania de fiscalizar, partindo da base de que sempre existe “coelho no mato”. O paradigma pitoresco desse espírito de suspeita é a figura lendária do marido que, todos os dias, ao chegar a casa, aplica uma homérica surra na mulher e nos filhos, e esclarece depois: “Não sei o que eles fizeram, mas eles sabem...”
Há pais que parecem estar sempre a fazer uma auditoria na mulher e nos filhos, com um bloco de multas e o Código Penal na mão. A alguns deles, costumo chamá-los, brincando, “Catão, o Censor” [i].
E o mesmo se poderia dizer de certas mães, que mostram uma eterna desconfiança para com os filhos. Interrogam policialmente a todos sobre todas as coisas; vasculham gavetas, papéis e armários à procura de “algo errado”; não acreditam no que eles dizem; fazem complicadas pesquisas telefónicas para se certificar de que estiveram mesmo lá onde disseram que iam; perguntam mil vezes a mesma coisa, para ver se os apanham em contradição. Em consequência, os filhos exasperam-se, ficam fora de casa o mais que podem e acabam caindo na teia de aranha das mentiras, provocadas pela desconfiança dos pais.
Quando essa desconfiança se dá entre marido e mulher, e degenera na doença mortal dos ciúmes, então a paz familiar está à beira do naufrágio. O lar torna-se uma câmara de gás, cada vez mais venenoso e asfixiante. O homem ou a mulher que se torturam, e torturam o cônjuge, com a máquina mortífera dos ciúmes, deveriam compreender que só têm duas saídas para esse beco letal: ou reconhecem que o ciúme é fruto de um requintado orgulho (o da pessoa que se sente como uma divindade nunca suficientemente adorada); ou aceitam o facto de que estão doentes, e vão-se tratar com um bom especialista.
O que não é possível é dizer “Eu sou ciumento” e continuar a transformar o lar num inferno.
Também é manifestação clara de orgulho a mania de ter razão.
Como é desagradável conviver com uma pessoa que, por princípio, não aceita que a contradigam, ainda que o façam serenamente e com bons argumentos; que não é capaz de ceder – até mesmo quando já não tem mais o que retrucar –, mas sente a necessidade de dizer a última palavra, porque não quer dar o braço a torcer. “Eu tenho razão, e pronto!”
É tão bom ceder! Só é preciso ter um pouco de humildade, ungida com um pouco de caridade.
São Josemaria Escrivá aconselhava sempre aos casais – e a todas as pessoas de boa vontade – a não discutir. “Da discussão – escrevia – não costuma sair a luz,
porque é apagada pela paixão” [ii].
E punha um minúsculo exemplo prático, com palavras semelhantes a estas: – Para que discutir com a mulher, que afirma que a prima Fulana tem trinta anos, teimando em dizer que “já tem trinta e dois”? É melhor ceder, e não atear uma discussão por uma insignificância. Que importância têm dois ou três anos a mais ou a menos?
Às vezes, para ajudar algum obstinado discutidor a abaixar as armas, costumo dizer-lhe:
“Você já pensou que ninguém vai para o Céu pelo facto de «ter tido razão» nas discussões? No dia do Juízo, ninguém vai perguntar-lhe se, na vida, você «teve razão». Pelo contrário, vão perguntar-lhe se soube compreender os outros, se soube perdoar, aparar arestas e espinhos no convívio e evitar conflitos por minúcias tolas”.
Por último, para não fazer uma enumeração interminável de cordas do orgulho, vou lembrar algo que me dizia recentemente um velho amigo, e que me deixou pensativo e comovido.
Eu vinha meditando sobre o que agora estou a escrever, e ocorreu-me perguntar a esse amigo (pai de uma família unida e exemplar, que acabava de celebrar as Bodas de Ouro do seu felicíssimo casamento): “Fulano, qual acha que é o segredo da paz familiar?”
Confesso que esperava umas palavras um tanto românticas. Por isso, surpreendeu-me a resposta: “Eu diria que o segredo da paz na família é a educação”.
Reconheci, depois, que há nessa resposta uma enorme dose de sabedoria cristã, acrisolada pela experiência. A grosseria, com efeito, não resulta só da deficiência de formação de berço. É sempre um acto de orgulho, porque constitui uma falta de respeito para com a pessoa rudemente tratada, um rebaixamento, uma humilhação.
Na terceira parte desta obra, ao falar dos bons caminhos que levam à paz, deveremos mencionar o respeito – feito de humildade, compreensão e grandeza de coração –, como base indispensável para o amor e, portanto, para a harmonia e a paz. Mas, por ora, vamos deixar este assunto por aqui.

SEGUNDO PORÃO: O EGOÍSMO COMODISTA

HISTÓRIA TRISTE DE CHUPIM

Rubem Braga tem uma crónica deliciosa, intitulada História triste de Tupim.
Vamos começar este novo item com uma crónica nada deliciosa, que poderíamos chamar História triste de chupim.
Na casa onde moro, há um pedacinho de jardim na frente e um quintal nos fundos. O ano inteiro é visitada por pássaros os mais diversos, que enchem o quintal de cores e alegria.
Na primavera, fervilham: lá faz ninho o sabiá, cria a corruíra e se multiplica a rolinha. Mas, ano após ano, uma sombra escura desce sobre esse pequenino paraíso alegre.
Um dia qualquer, observa-se bicando o chão, com ar distraído e olhar sorrateiro, um casal de chupins, pretos como o azeviche. Por mais que disfarcem, ninguém se ilude sobre os seus propósitos. Estão a espiar a ingenuidade com que o tico-tico prepara, laboriosamente, o seu ninho. Aproveitando um descuido dos inocentes passarinhos, a fêmea do chupim depositará no ninho deles um ou dois de seus ovos, e desaparecerá, lavando as mãos – ou o bico – dos trabalhos aborrecidos de ter que construir um ninho, chocar os ovos e alimentar os filhotes.
Só quer vida livre, e os tico-ticos que aguentem o tranco!
Mas isso não é o pior. Correm os dias e nascem as crias. No ninho, começam a conviver pequenos tico-ticos e o ainda pequenino chupim. A mãe tico-tico, numa azáfama incansável, vai levando comida para aqueles quatro ou cinco biquinhos abertos. Passam-se mais uns dias, e o filhote de chupim já cresceu. Logo vai crescendo mais, ocupa quase todo o ninho, lá mal cabem todos. Até que, numa manhã, descobre-se com o coração cortado o gordo filhote de chupim refestelado no ninho e, no chão, mortos ou agonizantes, os filhos legítimos do tico-tico, que foram sendo empurrados para fora porque o chupim precisava do espaço inteiro do ninho.
A imagem do chupim não é nada obscura, parece-me, quando aplicada aos conflitos do lar.
Porque o chupim é um símbolo claríssimo do egoísmo na vida familiar. Em casa e fora dela, se as pessoas não dominam a tendência para o egoísmo e o comodismo que todos trazemos dentro, esses defeitos vão crescendo cada vez mais e, gordos como o chupim, acabam por repelir ou machucar seriamente os outros.
Convençamo-nos de que não é só com a agressão, a ofensa, a irritação, a crítica e a prepotência que se criam conflitos familiares. Muitos, muitíssimos deles, são fruto da hipertrofia do comodismo egoísta.
Na sua Carta às famílias, São João Paulo II convida-nos a perguntar-nos se o egoísmo que, como diz, “se esconde inclusive no amor”, não acaba por ser “mais forte do que este amor” [iii].
Vamos agora fazer-nos essa pergunta, ao mesmo tempo que procuramos identificar manifestações de egoísmo e comodismo que não raro grassam na vida familiar.

(cont)

FRANCISCO FAUS [iv]




[i] Marco Pórcio Catão (234-149 a.C.), personalidade pública de Roma que recebeu o apelido de censorius pelo rigor inflexível com que criticou o relaxamento de costumes, devido à influência grega.
[ii] Josemaría Escrivá, Caminho, 8a. ed., Quadrante, 1995, n. 25.
[iii] São João Paulo II, Carta às famílias, n. 7.
[iv] Francisco Faus é licenciado em Direito pela Universidade de Barcelona e Doutor em Direito Canónico pela Universidade de São Tomás de Aquino de Roma. Ordenado sacerdote em 1955, reside em São Paulo, onde exerce uma intensa atividade de atenção espiritual entre estudantes universitários e profissionais. Autor de diversas obras literárias, algumas delas premiadas, já publicou na coleção Temas Cristãos, os títulos:
O valor das dificuldades; O homem bom;  Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens; A língua; A paciência; A voz da consciência.

Hoy el reto del amor es hacer tú el reto

HAZ TÚ EL RETO



Estoy segura de que estas esperando ver qué te cuento hoy y dónde he visto al Señor, para que luego te proponga vivir de Cristo en algo concreto para el día que comenzamos.

Pues, cuando esta mañana bajaba a Laudes, le preguntaba al Señor que de qué quería que escribiera en el reto, y he sentido en el corazón que hoy te tengo que invitar a descubrir al Señor y hacer tú el reto.

Lo primero que vamos a hacer es parar de leer y orar un minuto. En esa oración quiero que le pidas al Señor poderle descubrir vivo y real en tu día. Él nos dijo que estaría con nosotros todos los días hasta el fin del mundo. Por ello, si no vemos al Señor en nuestro día, es porque no tenemos los ojos abiertos. Por eso, lo primero al empezar el día es pedirle al Señor unos ojos nuevos para reconocerle, porque siempre actúa; somos nosotros los que no le vemos.

Y ahora, una vez que ya has orado, lo que nos toca es vivir de Él. Pero, ¡atento!, en el día hay una trampa en la cual puedes caer y que se llama... casualidad. Cristo va a actuar, pero muchas veces lo llamamos "casualidad", o  "potra", o "coincidencia"... ¿Te suena?

Y muy importante es que, cuando Le descubras, Le des las gracias. El descubrirle te va a llevar a experimentar que el amor te llena el corazón y querrás animar a otros a vivir desde ello.

Y, ¡cómo no!, el ultimo reto de hoy es que te invito a que lo pongas por escrito. Al escribir descubrirás cómo no ha sido cosa tuya, sino de Él actuando en ti. Y, si quieres, puedes mandarnos tu reto a retovivedecristo@gmail.com

Hoy el reto del amor es hacer tú el reto, descubrirle vivo a Él en tu día y compartir con alguien dónde has visto al Señor.

Cristo te ama y quiere que seas feliz; para ello, saldrá a tu encuentro un montón de veces a lo largo del día. Disfruta de Él, que es la felicidad. Feliz día y... no te asustes, ¡¡mañana seguiremos escribiendo nosotras!!


VIVE DE CRISTO

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





15/12/2017

Acabar bem as tarefas

A santidade compõe-se de heroísmos. Por isso, no trabalho pede-se-nos o heroísmo de rematar bem as tarefas que nos cabem, dia após dia, embora se repitam as mesmas ocupações. Se não, não queremos ser santos! (Sulco, 529)


Perguntaste-me o que podes oferecer ao Senhor. Não necessito de pensar na resposta: as mesmas coisas de sempre, mas mais bem acabadas, com um remate de amor, que te leve a pensar mais n'Ele e menos em ti. (Sulco, 495)


Ao retomar as tuas ocupações normais, escapou-te uma espécie de grito de protesto: sempre a mesma coisa!

E eu disse-te: – Sim, sempre a mesma coisa. Mas essa actividade vulgar, igual à dos teus companheiros de profissão, há-de ser para ti uma oração contínua, com as mesmas palavras íntimas, mas cada dia com música diferente.

É missão muito nossa transformar a prosa desta vida em decassílabos, em poesia heróica. (Sulco, 500)


Coloca na tua mesa de trabalho, no teu quarto, na tua carteira... uma imagem de Nossa Senhora, e dirige-Lhe o olhar ao começar as tuas tarefas, enquanto as realizas, e ao terminá-las. Ela te alcançará – eu to garanto – a força necessária para fazeres da tua ocupação um diálogo amoroso com Deus. (Sulco, 531)


Temas para meditar

A força do Silêncio, 115



Invariavelmente o silêncio conduz a Deus, desde que o homem deixe de olhar para si próprio.

Porque, mesmo na experiência do silêncio há uma armadilha: o narcisismo e o egoísmo.



CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo do Advento


Evangelho: Mt 11, 16-19

16 «Com quem poderei comparar esta geração? É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, 17 dizendo: ‘Tocámos flauta para vós e não dançastes; entoámos lamentações e não batestes no peito!’ 18 Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: ‘Está possesso!’ 19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!’ Mas a sabedoria foi justificada pelas suas próprias obras.»

Comentário:


Qualquer pessoa é avaliada pelo que faz e não pelo que apregoa ou sugere.

Porquê?

Porque o exemplo vem das acções e não das intenções e, para arrastar outros há que dar o exemplo.

(AMA, comentário sobre Mt 11, 16-19, 12.09.2017)