24/11/2017

Não há razão para que a Igreja e o Estado choquem

Não é verdade que haja oposição entre ser bom católico e servir fielmente a sociedade civil. Como não há razão para que a Igreja e o Estado choquem no exercício legítimo das respectivas autoridades, em cumprimento da missão que Deus lhes confiou. Mentem (isso mesmo: mentem!) os que afirmam o contrário. São os mesmos que, em aras de uma falsa liberdade, quereriam "amavelmente" que os católicos voltassem às catacumbas. (Sulco, 301)

Tendes de difundir por toda a parte uma verdadeira mentalidade laical, que há-de levar os cristãos a três consequências:

– a serem suficientemente honrados para arcarem com a sua responsabilidade pessoal;

– a serem suficientemente cristãos para respeitarem os seus irmãos na fé que proponham – em matérias discutíveis – soluções diversas das suas

– e a serem suficientemente católicos para não se servirem da Igreja, nossa Mãe, misturando-a com partidarismos humanos.

Vê-se claramente que, neste terreno como em todos, não poderíeis realizar o programa de viver santamente a vida diária se não gozásseis de toda a liberdade que vos é reconhecida – simultaneamente – pela Igreja e pela vossa dignidade de homens e de mulheres criados à imagem de Deus. A liberdade pessoal é essencial para a vida cristã. Mas não vos esqueçais, meus filhos, de que falo sempre de uma liberdade responsável.


Interpretai, portanto, as minhas palavras como o que são: um chamamento a exercerdes – diariamente!, não apenas em situações de emergência – os vossos direitos; e a cumprirdes nobremente as vossas obrigações como cidadãos – na vida política, na vida económica, na vida universitária, na vida profissional –, assumindo com coragem todas as consequências das vossas decisões, arcando com a independência pessoal que vos corresponde. E essa mentalidade laical cristã permitir-vos-á fugir de toda a intolerância, de todo o fanatismo. Di-lo-ei de um modo positivo: far-vos-á conviver em paz com todos os vossos concidadãos e fomentar também a convivência nos diversos sectores da vida social. (Temas Actuais do Cristianismo, n. 117)

Reflectindo

Estado depressivo


É muito frequente que o estado depressivo não seja reconhecido como tal pelo próprio.

Talvez porque haverá uma tendência para associar a depressão a uma fraqueza, debilidade ou comodismo.

Por outro lado, a pessoa que se sente mal, se preocupa e constantemente se envolve em pensamentos negativos a propósito de tudo quer lhe diga directamente respeito ou não, é levada para um patamar em que se julga capaz de ultrapassar a situação.

Mas, isto, raramente acontece e a vida entra numa espiral de episódios de abatimento, tristeza, cada vez mais frequentes e longos.
Sente uma necessidade urgente de comunicar com alguém, mas, não lhe apetece estar com quem quer que seja. E ao mesmo tempo, foge ao contacto com outros porque não quer aborrecê-los ou impor algo que julga só a ele respeita.

Estas situações vão conhecendo "picos" de grande sofrimento e, como já se disse, cada vez mais longos.
Um cristão que se encontra nesta situação tem - diria - um handicap sobre os que o não são.

Porquê?

Porque tem à sua disposição - permanentemente - "ajudas" a que pode e deve recorrer.

Por exemplo: o Anjo Guarda será auxiliar precioso para essas situações e insinuar-nos o que nos convirá fazer em circunstâncias específicas.
A intimidade com o Anjo da Guarda é, por isso mesmo, muitíssimo recomendável - aliás, ele não espera outra coisa - não nos esquecendo que Deus Nosso Senhor o pôs ao nosso serviço para nos ajudar e guiar, sugerir e aconselhar.

Tomar uma decisão de, por exemplo, consultar um médico especialista, não é fácil, como já dissemos, mas o Anjo da Guarda pode ajudar a nossa debilidade e renitência.
Posso afirmar que, os resultados podem ser surpreendentes!

Como é bom de ver, tenho experiência própria e, portanto, quanto disse baseia-se numa realidade concreta vivida por mim.


(AMA, reflexões,20.05.2017)

Temas para meditar

A força do Silêncio, 43

Há alguns anos que o homem é constantemente agredido por imagens, luzes e cores que o cegam.

A sua morada interior é violada pelas imagens doentias e provocadoras da pornografia, da violência bestial, e de todas as obscenidades mundanas que agridem a pureza do coração e se infiltram nele através da porta do olhar.



CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Lc 19, 45-48

45 Depois, entrando no templo, começou a expulsar os vendedores. 46 E dizia-lhes: «Está escrito: A minha casa será casa de oração; mas vós fizestes dela um covil de ladrões.» 47 Ensinava todos os dias no templo, e os sumos-sacerdotes e os doutores da Lei, assim como os chefes do povo, procuravam matá-lo. 48 Não sabiam, porém, como proceder, pois, todo o povo, ao ouvi-lo, ficava suspenso dos seus lábios.

Comentário:


Talvez que – como pura hipótese – tivessem medo que o povo que cada vez mais numeroso seguia o Senhor, acabasse por se voltar contra eles ou, quando muito, deixasse de prestar-lhes a atenção e observância dos numerosos preceitos que eles impunham com rigor e determinação.

É possível, também, que ao escutarem pessoas da sua categoria e estatuto – como Nicodemos, Galamiel e outros  - vissem o erro em que se deixavam envolver e, por respeito humano, vergonha ou orgulho, fossem incapazes de retroceder na sua posição.

Nem, de facto, isso nos interessa muito conhecer bastando-nos tirar a lição do que o orgulho desmedido e o auto-convencimento podem fazer de uma pessoa!

(AMA, comentário sobre Lc 19, 45-48, 31.07.2017)







Leitura espiritual

São Josemaria Escrivá

CRISTO QUE PASSA

112
          
Nada há que seja alheio ao interesse de Cristo.
Falando com profundidade teológica, isto é, se não nos limitamos a uma classificação funcional, não se pode dizer rigorosamente que haja realidades - boas, nobres e até indiferentes - que sejam exclusivamente profanas, uma vez que o Verbo de Deus fixou morada entre os filhos dos homens, teve fome e sede, trabalhou com as suas mãos, conheceu a amizade e a obediência, experimentou a dor e a morte.
Porque foi do agrado de Deus que residisse Nele toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas a coisas, pacificando, pelo sangue da sua Cruz, tanto as da Terra como as dos Céus.

Devemos amar o mundo, o trabalho, as realidades humanas. Porque o mundo é bom.
Foi o pecado de Adão que desfez a harmonia divina da criação. Mas Deus Pai enviou o seu Filho unigénito para restabelecer a paz, para que nós, tornados filhos de adopção, pudéssemos libertar a criação da desordem e reconciliar todas as coisas com Deus.

Cada situação humana é irrepetível, fruto de uma educação única, que se deve viver com intensidade, realizando nela o espírito de Cristo. Assim, vivendo cristãmente entre os nossos iguais, com naturalidade mas de modo coerente com a nossa fé, seremos Cristo presente entre os homens.

113 
         
Ao considerar a dignidade da missão a que Deus nos chama talvez possa surgir a presunção, a soberba, na alma humana.
É uma falsa consciência da vocação cristã aquela que nos cegar, aquela que nos fizer esquecer que somos feitos de barro, que somos pó e miséria.
Na verdade, não há mal apenas no mundo, ao nosso redor; o mal está dentro de nós, abriga-se no nosso próprio coração, tornando-nos capazes de vilanias e de egoísmos.
Só a graça de Deus é rocha firme; nós somos areia, e areia movediça.

Se se percorre com um olhar a história dos homens ou a situação actual do mundo, é doloroso verificar que, passados vinte séculos, há tão poucos que se chamam cristãos e que os que se adornam com esse nome são tantas vezes infiéis à sua vocação.
Há anos, uma pessoa, que não tinha mau coração, mas não tinha fé, apontando-me o mapa-múndi, comentou: Aí está o fracasso de Cristo: tantos séculos procurando meter na alma dos homens a sua doutrina, e veja os resultados - não há cristãos.

Não falta hoje quem pense assim.
Cristo, porém, não fracassou; a sua palavra e a sua vida fecundam continuamente o mundo.
A obra de Cristo, a tarefa que seu Pai Lhe encomendou, está a realizar-se; a sua força atravessa a História, trazendo a vida verdadeira e quando tudo Lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho se submeterá Àquele que tudo Lhe submeteu, a fim de que Deus seja tudo em todos.

Nesta tarefa que vai realizando no mundo, Deus quis que sejamos seus cooperadores; quer correr o risco da nossa liberdade. Emociona-me profundamente contemplar a figura de Jesus recém-nascido em Belém: um menino indefeso, inerme, incapaz de oferecer resistência...
Deus entrega-Se nas mãos dos homens; aproxima-Se e desce até nós! Jesus Cristo, sendo de condição divina, não reivindica o direito de ser equiparado a Deus, mas despojou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo.
Deus condescende com a nossa liberdade, com a nossa imperfeição, com as nossas misérias.
Consente que os tesouros divinos sejam levados em vasos de barro; que O demos a conhecer misturando as nossas deficiências com a sua força divina.

114
          
A experiência do pecado não nos deve, portanto, fazer duvidar da nossa missão. Certamente que os nossos pecados podem dificultar que Cristo seja reconhecido, e por isso devemos lutar contra as nossas misérias pessoais, buscar a purificação, sabendo, porém, que Deus não nos prometeu a vitória absoluta sobre o mal nesta vida, mas o que nos pede é luta.
Sufficit tíbi gratia mea, basta-te a minha graça, respondeu Deus a Paulo, que pedia a sua libertação do aguilhão que o humilhava.

O poder de Deus manifesta-se na nossa fraqueza, e incita-nos a lutar, a combater os nossos defeitos, mesmo sabendo que nunca obteremos completamente a vitória durante este caminhar terreno.
A vida cristã é um constante começar e recomeçar, uma renovação em cada dia.

Cristo ressuscita em nós, se nos tornarmos comparticipantes da sua Cruz e da sua Morte.
Temos de amar a Cruz, a entrega a mortificação.
O optimismo cristão não é um optimismo cómodo, nem uma confiança humana em que tudo correrá bem; é um optimismo que se enraíza na consciência da liberdade e na fé na graça; é um optimismo que nos obriga a exigirmo-nos a nós próprios, a esforçarmo-nos por corresponder ao chamamento de Deus.

Cristo manifesta-se, portanto, não já apesar da nossa miséria, mas, de certo modo, através da nossa miséria, da nossa vida de homens feitos de carne e de barro, no esforço por sermos melhores, por realizarmos um amor que aspira a ser puro, por dominarmos o egoísmo, por nos entregarmos plenamente aos demais, fazendo da nossa existência um serviço constante.

115 
         
Não quero terminar sem uma última reflexão: o cristão, ao tornar Cristo presente entre os homens, sendo ele mesmo ipse Christus, não procura apenas viver numa atitude de amor, mas também dar a conhecer o Amor de Deus através desse amor humano.

Jesus concebeu toda a sua vida como uma revelação desse amor: Filipe, - respondeu a um dos seus Apóstolos - quem me vê a Mim, vê o Pai.
Seguindo esse ensinamento, o Apóstolo João convida os cristãos a que, já que conheceram o amor de Deus, o manifestem com as suas obras:
Caríssimos, amemo-nos uns aos outros; porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece-0. Aquele que não ama não conhece Deus, porque Deus é Amor.
Nisto se manifestou o amor de Deus para connosco: em ter enviado o seu Filho unigénito ao mundo para que por Ele vivamos.
Nisto consiste o seu amor: não fomos nós que amámos Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.
Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nos devemos amar uns aos outros.

(cont)


Doutrina – 378

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

A Igreja: povo de Deus, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo

156. Como é que a Igreja é corpo de Cristo?

Por meio do Espírito, Cristo morto e ressuscitado une intimamente a Si os seus fiéis.

Deste modo, os crentes em Cristo, enquanto unidos estreitamente a Ele, sobretudo na Eucaristia, são unidos entre si na caridade, formando um só corpo, a Igreja, cuja unidade se realiza na diversidade dos membros e das funções.

Perguntas e respostas

A CONFISSÃO

6. Que efeitos produz o sacramento da confissão?

Os efeitos da confissão são variados e relacionam-se directamente com os efeitos do pecado:

Corrige a inclinação desviada da vontade.

Repara o distanciamento face a Deus, obtendo o Seu perdão.

Recupera a dignidade da alma diminuída pelo pecado.

Dá forças para vencer nas próximas tentações.

No caso de pecados mortais, a confissão devolve a graça e a vida sobrenatural que se tinham perdido e abre de novo as portas do céu.


Ao aproximar-se de Deus, a alma alegra-se. 
Por isto, depois da confissão costuma-se notar a alegria.

Hoy el reto del amor es parar un poco y ver cómo es María para ti. ¿Tiene rostro concreto?

¿CÓMO CREES QUE ES MARÍA?


Ayer estaba en la oración y, de pronto, sentí que el Señor me preguntaba que cómo me imaginaba a su Madre. Empecé a describirle una imagen de María que fue formándose en mi corazón:

La cara de María es la de una niña adolescente, y muy guapa, marcada por una leve sonrisa, ya que lo más importante es la certeza. El rostro de María trasmite certeza: ella nos entrega nuestra salvación, ella hipotecó toda su vida por ese Niño. La mirada serena y los ojos verdes.

Sobre su cabeza lleva un velo fino, que cae por los hombros hacia delante, dejando así que se vea el pelo, un poco ondulado y de color castaño.

Concibió por obra del Espíritu Santo, por lo que el Espíritu, en forma de paloma, queda reflejado en los pliegues de su ropa, sobre el pecho.

La figura de María es delgada, y está de pie, no sobre un pedestal, sino sobre un camino, el camino de nuestra vida. Por su postura, con un pie algo más adelantado que el otro, se puede ver que María lleva unas sencillas sandalias. En el suelo, como si acabase de dejarlo, hay un cántaro, en el que se lee la inscripción ES ÉL.

En la mano izquierda lleva el rosario, un rosario de la Orden de Predicadores, que ofrece a quien se acerca a ella a través de la actitud de entrega de su mano.

En la mano derecha, María lleva una alianza en la que pone "José". Y, en esta misma mano, lleva al Niño Jesús.

Me imagino al pequeño como un bebé de entre 6 y 12 meses que, alegre y confiado, se lanza con los brazos abiertos hacia la persona que le mira, como pidiéndole que le coja. Y es que, el que Jesús entre en nuestra vida no depende de Él, que siempre lo está deseando; depende de que nosotros le queramos acoger. Por eso el rostro de Jesús es de felicidad total. Tiene el cabello castaño y los ojos verdes, igual que su madre, y deja ver un par de dientecillos a través de su enorme sonrisa...

Y así pasé la oración, soñando a María. Me gustaría una imagen suya así, humana, cercana...

La verdad, María es para vivirla, para tenerla cerca. Ella te tiende la mano siempre, en todo momento, incluso cuando no te atreves a ir a Jesús.

Hoy el reto del amor es parar un poco y ver cómo es María para ti. ¿Tiene rostro concreto, forma, circunstancias...? ¿Camina contigo? O... ¿María para ti está en el Cielo, y no te es cercana? Conocer a María es un don. Hoy hazte pequeño y pídele a María poder conocerla y amarla.


VIVE DE CRISTO

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





23/11/2017

Estou com Ele no tempo da adversidade

Ainda que tudo se vá abaixo e se acabe; ainda que os acontecimentos se sucedam ao contrário do previsto, com tremenda adversidade; nada se ganha perturbando-se. Além disso, recorda a oração confiante do profeta: "O Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso Legislador; o Senhor é o nosso Rei; Ele é quem nos há-de salvar". Reza-a devotamente, todos os dias, para acomodar a tua conduta aos desígnios da Providência, que nos governa para nosso bem. (Forja, 855)

E quando a tentação do desânimo, dos contrastes, da luta, da tribulação, de uma nova noite da alma nos ataca – violenta –, o salmista põe-nos nos lábios e na inteligência aquelas palavras: estou com Ele no tempo da adversidade. Jesus, perante a Tua Cruz, que vale a minha; perante as Tuas feridas, os meus arranhões? Perante o Teu Amor imenso, puro e infinito, que vale o minúsculo fardo que Tu colocaste sobre os meus ombros? E os vossos corações e o meu enchem-se de uma santa avidez, confessando-Lhe – com obras – que morremos de Amor.

Nasce uma sede de Deus, uma ânsia de compreender as Suas lágrimas; de ver o Seu sorriso, o Seu rosto... Julgo que o melhor modo de o exprimir é voltar a repetir, com a Escritura: como o veado deseja a fonte das águas, assim a minha alma te anela, ó meu Deus! E a alma avança, metida em Deus, endeusada: o cristão tornou-se um viajante sedento, que abre a boca às águas da fonte.

Com esta entrega, o zelo apostólico ateia-se, aumenta dia-a-dia – pegando esta ânsia aos outros – porque o bem é difusivo. Não é possível que a nossa pobre natureza, tão perto de Deus, não arda em desejos de semear no mundo inteiro a alegria e a paz, de regar tudo com as águas reden­toras que brotam do lado aberto de Cristo, de começar e acabar todas as tarefas por Amor.

Falava antes de dores, de sofrimentos, de lágrimas. E não me contradigo se afirmo que, para um discípulo que procura amorosamente o Mestre, é muito diferente o sabor das tristezas, das penas, das aflições: desaparecem imediatamente, quando aceitamos deveras a Vontade de Deus, quando cumprimos com gosto os Seus desígnios, como filhos fiéis, ainda que os nervos pareçam rebentar e o suplício pareça insuportável. (Amigos de Deus, nn. 310–311)

Reflectindo

Querer riqueza

É correcto desejar ter meios de fortuna?

Pode-se, por exemplo, jogar no Euro-milhões?

Quanto à primeira questão julgo que não é incorrecto em princípio dependendo, naturalmente da finalidade desses meios.

Se, por exemplo, o objectivo se concentra em adquirir bens supérfluos, então diria que está errado.

Se, por outro lado, se deseja distribuir, repartir ou de qualquer modo ajudar alguém ou uma iniciativa de solidariedade então penso que não é incorrecto.

Há, contudo, uma condição importante: que o dinheiro gasto não faça falta para algo importante como, por exemplo, o sustento familiar.

Por isso mesmo, é fundamental a contenção e moderação independentemente do que se possui, tendo sempre presente que os bens são meios e não um fim em si mesmos e que devemos dar estritas contas de como os administrámos.

A riqueza não é, pois, uma coisa má em si mesma, mas o que pode ser mau ou bom será o uso que dela se fizer


(AMA, reflexões, 13.07.2017)

Temas para meditar

A força do Silêncio, 42

Calar-se, dominando os lábios e a língua, é uma tarefa difícil, ardente e árida.
Mas precisamos sempre mais de mergulhar nas realidades interiores que podem moldar utilmente o mundo.
O homem deve apresentar-se silenciosamente a Deus e dizer-Lhe:

Meu Deus, porque me deste o conhecimento e o desejo da perfeição conduz-me sempre para o absoluto Amor.
Leva-me a amar cada vez mais, porque Tu és o sábio artesão que não deixa nenhuma obra inacabada, desde que o barro da criatura não Te ponha obstáculo ou recusa.
Entrego-me sem palavras, a Ti, Senhor.
Quero ser dócil e maleável como o barro nas mãos do oleiro hábil e atencioso.



CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Lc 19, 41-44

41 Quando se aproximou, ao ver a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: 42 «Se neste dia também tu tivesses conhecido o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está oculto aos teus olhos. 43 Virão dias para ti, em que os teus inimigos te hão-de cercar de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados; 44 hão-de esmagar-te contra o solo, assim como aos teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, por não teres reconhecido o tempo em que foste visitada.»

Comentário:

Jesus Cristo Homem ou, Jesus Cristo Deus?

É Ele mesmo, Perfeito Homem e Deus Perfeito, Quem chora sobre a cidade santa!

Impressiona, comove, quase que sentimos alguma revolta interior por quem faz sofrer assim o nosso Deus e Senhor!

E… nós? Nunca provocámos lágrimas de dor e pena a este mesmo Jesus Cristo, nosso irmão, que deu a vida por nós?

Ah! Cada vez que nos deixamos vencer pela tentação afastamo-nos d’Ele e, seguramente, provocamos na Sua alma uma tristeza e uma dor que só passarão quando, profunda e sinceramente arrependidos, nos ajoelharmos aos pés do Sacerdote e pedimos perdão contrito e completo.

(AMA, comentário sobre Lc 19, 41-44, 31.07.2017)


Novos Valores para a Sociedade

Se pensarmos na nossa vida e na nossa actuação, em breve notaremos que quase todas as nossas aspirações e acções estão ligadas à existência de outros homens. Reparamos que, em toda a nossa maneira de ser, somos semelhantes aos animais que vivem em comum. Comemos os alimentos produzidos por outros homens, usamos vestuário que outros homens fabricaram e habitamos casas que outros construíram. A maior parte das coisas que sabemos e em que acreditamos foi-nos transmitida por outros homens, por meio duma linguagem que outros criaram. A nossa faculdade mental seria muito pobre e muito semelhante à dos animais superiores se não existisse a linguagem, de modo que teremos de concordar que, aquilo que nos distingue em primeiro lugar dos animais, o devemos à nossa vida na comunidade humana. O homem isolado — entregue a si desde o nascimento — manter-se-ia, na sua maneira de pensar e de sentir, primitivo como um animal, dum modo que dificilmente podemos imaginar. O que cada um é e significa, não o é tão-sòmente como ser isolado, mas como membro duma grande comunidade humana, que determina a sua existência material e espiritual desde o nascimento à morte.


Aquilo que um homem leva para a sua comunidade depende, em primeiro lugar, da medida em que o seu sentir, o seu pensar e o seu agir são aplicados à melhoria da existência dos outros homens. Conforme a atitude de cada um neste campo, assim costumamos designá-lo por bom ou por mau. Pareceria, à primeira vista, que as qualidades sociais de cada homem são as únicas a entrar em linha de conta para a apreciação que dele fazemos.
E, no entanto, tal concepção não seria exacta. Facilmente se reconhecerá que todos os bens materiais, espirituais e morais que recebemos da sociedade provêm de isoladas personalidades criadoras, no decurso de inúmeras gerações. Houve um que descobriu o uso do fogo, outro a maneira de cultivar plantas alimentares, outro ainda a máquina a vapor.
Só o indivíduo isolado é capaz de pensar e assim criar novos valores para a sociedade, e até mesmo estabelecer normas morais, segundo as quais se desenrola a vida da comunidade. Sem personalidades criadoras, pensando e julgando individualmente, não se pode imaginar o progresso da sociedade, como também não se pode imaginar o desenvolvimento da personalidade, sem o terreno favorável da comunidade.
Uma sociedade sã depende portanto igualmente da independência dos indivíduos e da sua íntima ligação social.


Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo'

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






22/11/2017

Recorramos ao bom pastor

Tu, pensas, tens muita personalidade: os teus estudos (os teus trabalhos de investigação, as tuas publicações), a tua posição social (os teus apelidos), as tuas actividades políticas (os cargos que ocupas), o teu património..., a tua idade – já não és nenhuma criança!... Precisamente por tudo isso, necessitas, mais do que outros, de um Director para a tua alma. (Caminho, 63)

A santidade da esposa de Cristo sempre se provou – e continua a provar-se actualmente – pela abundância de bons pastores. Mas a fé cristã, que nos ensina a ser simples, não nos leva a ser ingénuos. Há mercenários que se calam e há mercenários que pregam uma doutrina que não é de Cristo. Por isso, se porventura o Senhor permite que fiquemos às escuras, inclusivamente em coisas de pormenor, se sentimos falta de firmeza na fé, recorramos ao bom pastor, àquele que – dando a vida pelos outros – quer ser, na palavra e na conduta, uma alma movida pelo amor – àquele que talvez seja também um pecador, mas que confia sempre no perdão e na misericórdia de Cristo.


Se a vossa consciência vos reprova por alguma falta – embora não vos pareça uma falta grave – se tendes uma dúvida a esse respeito, recorrei ao sacramento da Penitência. Ide ao sacerdote que vos atende, ao que sabe exigir de vós firmeza na fé, delicadeza de alma, verdadeira fortaleza cristã. Na Igreja existe a mais completa liberdade para nos confessarmos com qualquer sacerdote que possua as necessárias licenças eclesiásticas; mas um cristão de vida limpa recorrerá – com liberdade! – àquele que reconhece como bom pastor, que o pode ajudar a erguer a vista para voltar a ver no céu a estrela do Senhor. (Cristo que passa, 34)

Reflectindo

Conhecer-se

Dissertar sobre este tema coloca imediatamente uma questão óbvia: quem sou eu?

Daqui parte-se para um dilema que se apresenta como inevitável: sou quem sou ou quem pretendo ser, ou, talvez de outro ângulo: actuo de acordo ou desvio-me como pretendo?

Pode - e talvez seja - mera especulação filosófica muito conveniente para mascarar a realidade. Não estar absolutamente satisfeito com o que se faz parece-me normal e saudável exactamente porque desperta o desejo de melhoria ou, a convicção de não se fazer quanto realmente está ao nosso alcance fazer.

Quem sou eu?

Magna questão cuja resposta tem forçosamente de assentar num profundo e sincero sentimento de humildade sem o qual esta surgirá sempre ou evasiva e incompleta ou, pelo menos, sem grande mérito.
Penso que a resposta não está disponível imediatamente como se estivesse escondida no âmago mais íntimo da nossa idiossincrasia mas, antes, levará a um exercício constante e automático de exame pessoal.

Exame, digo, despido, de emoção ou condicionalismo seja qual for mas animado de uma decidida vontade lógica e simples de análise sem temer as consequências que o "desfecho " ou resultado possam significar.

Quando acima falei em "exercício automático" quis significar exactamente isso: criar o hábito de análise imediata subsequente ao que se pensou, disse ou fez.

O exame é assim um acto contínuo e as correções que se mostrem necessárias mais fáceis de levar a cabo.

Em resumo: caminharemos decidida e seguramente para uma melhoria pessoal e estaremos muito mais próximos de saber quem, de facto, somos.

Qualquer coisa, escrito, ideia, acto, afirmação... o que for emanado do ser humano tem, pelo menos, duas interpretações, duas reacções, dois impactos.
Evidentemente que se conta com o primeiro, isto é, daquele que pensou, disse, fez ou concluiu.
Depois haverá os outros em que dificilmente se encontrarão coincidentes resultados.
A razão parece simples: não há duas pessoas iguais... absolutamente iguais logo, a sua reacção tende a ser diferente.
Isto que parece óbvio tanto que dispensaria mais elucubrações é maior riqueza ou o bem mais notável do ser humano o que no fundo o distingue do irracional.
A idiossincrasia de cada ser está intimamente associada ao progresso da sociedade porque, esta, não é um "bloco" uniforme e indivisível mas sim um conjunto mais ou menos equilibrado de várias idiossincrasias que concorrem para um mesmo resultado: a variedade pluriforme da sociedade humana.
Gregário por natureza o ser humano não se confunde nem se deixa absorver pelo conjunto antes concorre e contribui com o que lhe é próprio para o que é comum.

Tantas vezes se tenta algo diferente do habitual daquilo que ao longo dos dias vamos construindo, às vezes laboriosamente ­ forçado ou não ­ e não conseguimos encontrar o "fio condutor" que nos leve onde não programamos ir mas que ambicionados chegar.
E quem tem por hábito, sina ou feitio escrever sente de forma muito radical por vezes um como que bloqueio inexplicável não conseguindo "arrancar" de dentro de si mesmo o que sente necessidade de expor mas, como não sabe bem o que é, está­lhe ausente e foge do seu controlo.
Escrever por escrever pode se bom e até saudável. Sem esforço, deixando as palavras fluírem livremente acaba por se envolver num processo quase automático de escalpelização íntima como que uma catarse que tem de incluir um esforço muito concreto de não se deixar cair na auto­comiseração, no "esmagamento" do "eu" ­ sempre uma forma fácil de dar guarida ao amor­próprio e orgulho ­ e tentar manter o pensamento lógico e saudável.

Escrever sobre si mesmo não é nem fácil nem difícil se se segue uma regra simples: escrever para si mesmo sem a preocupação ou desejo que outros venham a ler o escrito.
Aliás, penso que só deste modo a escrita tem autenticidade concreta porque se por detrás dela se encontra algum ­ por ténue ou indefinido que seja ­ desejo ou intento de ser lido, é praticamente impossível fugir ao uso da máscara ou disfarce da realidade.
Sem querer, talvez, é­se levado pelo desejo de parecer inteligente, original, interessante mas, depois, ao rever o escrito, fica­se com um sentimento ­ bem amargo por vezes ­ de inutilidade.
O "truque" está numa fórmula muito simples: escrevi o que me apeteceu!
Esta conclusão que não se pretende transformar em corolário, resolve muitos dilemas futuros, como, por exemplo, concluir: já escrevi isto! Não vale a pena repetir!
E, daqui, pode surgir uma nova ideia que leve a uma elaboração diferente de um tema já rebuscado.

Parece-­me aceitável esta conclusão.


(ama, Reflexões, Cascais, 2015.09.29)