19/01/2017

Cristo também vive agora

Vive junto de Cristo! Deves ser, no Evangelho, uma personagem mais, convivendo com Pedro, com João, com André..., porque Cristo também vive agora: "Iesus Christus, heri et hodie, ipse et in saecula!" Jesus Cristo vive!, hoje como ontem; é o mesmo, pelos séculos dos séculos. (Forja, 8)


É esse amor de Cristo que cada um de nós deve se esforçar por realizar na sua vida. Mas para ser ipse Christus é preciso mirar-se Nele. Não basta ter-se uma ideia geral do espírito que Jesus viveu; é preciso aprender com Ele pormenores e atitudes. É preciso contemplar a sua vida, sobretudo para daí tirar força, luz, serenidade, paz.


Quando se ama alguém, deseja-se conhecer toda a sua vida, o seu carácter, para nos identificarmos com essa pessoa. Por isso temos de meditar na vida de Jesus, desde o Seu nascimento num presépio até à Sua morte e à Sua Ressurreição. Nos primeiros anos do meu labor sacerdotal costumava oferecer exemplares do Evangelho ou livros onde se narra a vida de Jesus, porque é necessário que a conheçamos bem, que a tenhamos inteira na mente e no coração, de modo que, em qualquer momento, sem necessidade de nenhum livro, cerrando os olhos, possamos contemplá-la como um filme; de forma que, nas mais diversas situações da nossa vida, acudam à memória as palavras e os actos do Senhor.



Sentir-nos-emos assim metidos na sua vida. Na verdade, não se trata apenas de pensar em Jesus e de imaginar aqueles episódios; temos de meter-nos em cheio neles, como actores. (Cristo que passa, 107)

Temas para meditar - 686

Oração



Olhai que perdeis um grande tesouro e que fareis muito mais com uma palavra de quando em vez do Pater noster, que dizer-Lhe muitas vezes apressadamente; estai muito junto a quem pedis, não deixará de vos ouvir; e acreditai que aqui está o verdadeiro louvar e santificar o Seu Nome.





(santa teresa de jesus Caminho de perfeição 31 13)

Evangelho e comentário

 
Tempo comum

Evangelho: Mc 3, 7-12

7 Jesus retirou-Se com Seus discípulos para o mar, e segiu-O uma grande multidão do povo da Galileia; também da Judeia,8 de Jerusalém, da Idumeia, da Transjordânia e das vizinhanças de Tiro e de Sidónia, tendo ouvido as coisas que fazia, foram em grande multidão ter com Ele.9 Mandou aos Seus discípulos que Lhe aprontassem uma barca para que a multidão não O apertasse.10 Porque, como curava muitos, todos os que padeciam algum mal lançavam-se sobre Ele para O tocarem.11 E os espíritos imundos, quando O viam, prostravam-se diante d'Ele e gritavam: «Tu és o Filho de Deus».12 Mas Ele ordenava-lhes com severidade que não O manifestassem.

Comentário:

As pessoas percorriam grandes distâncias para terem uma oportunidade de estar com Jesus.

E não seria fácil nem cómodo, naqueles tempos recuados, fazer tão grandes deslocações, mas, o desejo de estar com o Mestre, tudo vencia e tudo merecia.

Nós que nos queixamos – tantas vezes – com os pequenos incómodos de ir-mos até à Igreja mais próxima, por vezes… bem próxima, deveríamos ter os olhos postos nestes exemplos e, dar muitas graças a Deus pelas “facilidades” que usufruímos em poder estar com Ele mais propriamente na Santa Missa.

(AMA Comentário sobre Mc 3, 7-12, 2014.01.23)




Leitura espiritual


Leitura espiritual


A Cidade de Deus 



Vol. 1

LIVRO IV

CAPÍTULO II

Assuntos contidos nos livros segundo e terceiro.

Tínhamos pois prometido que havíamos de opor certos argumentos aos que atribuem à nossa religião os desastres da República Romana, e de relembrar (quaisquer que eles fossem e por muito grandes que fossem, à medida que eles se apresentassem ou tanto quanto fosse necessário) os males suportados por Roma e pelas províncias dependentes do Im­pério antes da proibição dos seus sacrifícios — males que eles nos atribuiriam sem dúvida se já então a nossa religião tivesse sobre eles difundido a sua luz ou se já lhes tivesse proibido as suas sacrílegas cerimónias.

Parece-me que desenvolvemos suficientemente estes assuntos no segundo e terceiro livros:
— no segundo, ao tratarmos dos males morais, que se devem considerar como os únicos verdadeiros males ou, pelo menos, como os maiores,
— no terceiro, ao tratarmos dos males ligados ao corpo e às coisas exteriores, únicos que os insensatos suportam com horror e que também os bons suportam. Aqueles males, não digo que os aceitam com paciência, mas antes com prazer; e, todavia, estes males é que os tornam maus.

E bem pouco disse acerca de Roma e do seu império — e muito menos até César Augusto. Se eu quisesse recordar e exagerar tais males — não já os males que os homens fazem uns aos outros, tais como as devastações e as destruições dos guerreiros, mas aqueles que surgem dos elementos terrenos do próprio mundo (Apuleio faz deles um breve relato numa passagem do seu livro DE MUNDO [i]. Refere que todas as coisas terrestres estão sujeitas a mutações, transformações, destruições: «tremores de terra sem medida» — utilizo as suas palavras — «abriram o solo e engoliram cidades com as suas populações»;
trombas de água inundaram regiões inteiras;
antigos continentes transformaram-se em ilhas pela invasão de estranhas ondas;
outras ilhas, devido ao recuo do mar, tomaram-se acessíveis a pé enxuto;
ventanias e procelas arrasaram cidades;
fogo caído das nuvens abrasou e consumiu regiões do Oriente;

no Ocidente, trombas de água e inundações causaram idênticas devastações. Assim, certo dia o Etna esvaziou a sua cratera e rios de fogo precipitaram-se, como um incêndio vindo do céu, do cume ao longo das encostas, como uma torrente de chamas) — se eu quisesse recolher, de onde pudesse, estes factos e outros semelhantes que a história refere, quando é que eu acabaria? E estas calamidades aconteceram nesses tempos em que o nome de Cristo não tinha reprimido qualquer dessas fúteis práticas, perniciosas à verdadeira salvação.

Também tinha prometido mostrar de que qualidade eram os hábitos morais dos Romanos, e por que razão o verdadeiro Deus, em cujo poder estão todos os reinos, se dignou ajudá-los a estender o seu império, e como aqueles, que consideram deuses, em nada os auxiliaram, mas antes inúmeros danos lhes têm causado com disfarces e enganos. Parece-me que agora devo, portanto, falar (e mais demoradamente) do incremento do Império Romano. De facto, acerca da nociva falácia dos demónios que eles adoram como deuses, já se disse, e não pouco, principalmente no livro segundo, quantos males introduziram nos seus costumes. No decurso dos três livros findos, assinalámos, quando nos pareceu oportuno, quantas consolações, mesmo nas desgraças da guerra, graças ao nome de Cristo, a quem os bárbaros testemunharam tanta honra, ao contrário dos costumes de guerra, Deus carreou para os bons e para os maus,

Ele que fez nascer o sol sobre os bons e sobre os maus e chover sobre os justos e os injustos [ii].

CAPÍTULO III

Se a dilatação do Império, que só por guerras se conseguiu, se deve considerar um dos bens dos sábios e dos felizes.

Vejamos então agora o que valem as suas razões para se atreverem a atribuir aos deuses tamanha extensão e duração do Império Romano, e afirmarem que se comportaram honestamente, venerando-os com jogos torpes representados por torpes comediantes.

Mas, antes, quereria averiguar brevemente se é razoável e sensato querer gabar-se da extensão e grandeza do Império — quando se não pode demonstrar a felicidade de homens sempre mergulhados em guerras, em calamidades, no sangue do concidadão ou do inimigo (mas sempre sangue humano) e sob tenebroso terror e cruenta cupidez. Essa «felicidade» brilhante como o vidro e como ele frágil, vive-se no terrível receio de que de repente se estilhace.

Para mais à-vontade sobre isto fazermos um juízo, não nos desvane­çamos com vãs jactâncias, nem enfraque­çamos a força do pensamento com palavras altissonantes como «povos», «reinos», «províncias». Imaginemos dois homens (porque cada homem, tal como uma letra na frase, é um elemento da cidade e do reino, por maior que seja a extensão do seu território) — pensemos que, destes dois homens, um é pobre ou antes de classe média, e o outro muito rico. O rico é atormentado de temores, consumido de desgostos, arde em cobiça, nunca seguro, sempre inquieto, ofegante em perpétuos conflitos de inimizades, aumentando sem dúvida o seu património sem limite à custa destas misérias, mas àqueles aumentos juntando também amaríssimos cuidados.

O de condição média, porém, está satisfeito com o seu pequeno e apertado património familiar, é dos seus muito querido, goza da mais doce paz com os parentes, vizinhos e amigos, é piedosamente religioso e dotado de grande afabilidade, tem o corpo sadio, na vida parco, casto nos costumes, sereno de consciência. Não sei se haverá alguém tão louco que duvide qual deverá preferir.


Ora, como nestes dois homens, assim é a regra da equidade a seguir em duas famílias, em dois povos, em dois reinos. Aplicando como deve ser e com a condição de rectificar o nosso pensamento, veremos facilmente onde estão as aparências e onde está a felicidade. É por isso que, se o verdadeiro Deus for adorado e for servido com verdadeiros sacrifícios e costumes puros, é útil que os bons estendam até muito longe e por muito tempo o seu poder, e isto não tanto por eles próprios mas por aqueles que eles governam. Porque, quanto a eles próprios, a sua piedade, a sua justiça, que são grandes dons de Deus, bastam-lhes para a verdadeira felicidade: a de viverem bem nesta vida e obterem depois a vida eterna. Nesta Terra, portanto, o reino dos bons é um benefício não tanto para eles próprios como para a humanidade. Porém, o reino dos maus é-lhes funesto principalmente a eles, pois arruínam as almas com a maior facilidade de cometerem crimes. Mas, àqueles que lhes estão submetidos, nada mais é prejudicial do que a iniquidade própria. Efectivamente, os sofrimentos que aos justos advêm dos senhores injustos não são o castigo de uma falta, mas a provação da virtude. Por conseguinte, o bom, mesmo que reduzido à escravidão, é livre; ao passo que o mau, mesmo que seja rei, é escravo — não de um homem mas, o que é mais grave, de tantos senhores quantos os vícios. A estes vícios se refere a Sagrada Escritura quando diz:

Quando alguém se deixa vencer por alguma coisa, toma-se dela escavo [iii].

CAPÍTULO IV

Os reinos sem justiça assemelham-se a uma quadrilha de la­drões.

Afastada a justiça, que são, na verdade, os reinos senão grandes quadrilhas de ladrões? Que é que são, na verdade, as quadrilhas de ladrões senão pequenos reinos? Estas são bandos de gente que se submete ao comando de um chefe, que se vincula por um pacto social e reparte a presa segundo a lei por ela aceite. Se este mal for engrossando pela afluência de numerosos homens perdidos, a ponto de ocuparem territórios, constituírem sedes, ocuparem cidades e subjugarem povos arroga-se então abertamente o título de reino, título que lhe confere aos olhos de todos, não a renúncia à cupidez, mas a garantia da impunidade. Foi o que com finura e verdade respondeu a Alexandre Magno certo pirata que tinha sido aprisionado. De facto, quando o rei perguntou ao homem que lhe parecia isso de infestar os mares, respondeu ele com franca audácia: «O mesmo que a ti parece isso de infestar todo o mundo; mas a mim, porque o faço com um pequeno navio, chamam-me ladrão; e a ti porque o fazes com uma grande armada, chamam-te imperador».

CAPÍTULO V

Os gladiadores fugitivos cujo poderio se assemelhou à dignidade régia.

Não me detenho a averiguar que tipo de gente congregou Rómulo. Muito fez por eles quando os admitiu na comunidade da cidade, pois desta maneira afastou-os daquela vida, impediu-os de pensarem nas devidas penas, cujo receio os arrastava para crimes ainda mais graves, e levou-os a que doravante se tomassem mais pacíficos na vida social.
Pois digo-vos que, quando o Império Romano já era grande pelo número de povos subjugados e temível para os demais, sofreu amargamente, teve grandes receios e não conseguiu senão à custa de grandes esforços evitar um ingente desastre, quando pouquíssimos gladiadores, fugidos da sua escola de exercícios na Campânia, forma­ram um grande exército, nomearam três chefes e devastaram cruelmente grande parte da Itália. Dirão: que Deus é que os terá ajudado de forma a chegarem, de um pequeno e desprezível bando de ladrões, a um poder capaz de meter medo às forças e fortalezas romanas tão imponentes? Teremos que lhes negar o auxílio divino porque duraram pouco tempo? Como se, na verdade, a vida de qualquer homem fosse longa! Deste modo, os deuses a ninguém ajudariam a reinar, pois que cedo cada um morrerá — nem poderia ser tomado como um benefício o que em cada homem, e, portanto, em todos, em pouco tempo se desvanece como fumo. Que importa, de facto, aos que veneraram os deuses no tempo de Rómulo e que morreram há muito tempo, que o Império Romano tanto se tenha dila-tado depois da sua morte, quando já enfrentam as suas causas nos infernos? Se são boas ou más, isso já não importa ao caso presente. O mesmo é de pensar de todos aqueles que passaram a correr através do próprio Império (mesmo que a sua duração se estenda por várias épocas, dado o desaparecimento e a sucessão dos mortais), transportando o fardo dos seus actos durante a curta vida. Mas, se mesmo as vantagens desses tempos efémeros se devem atribuir à ajuda dos deuses — em pouco não foram ajudados os gladiadores que quebraram os grilhões da condição servil, que fugiram, que escaparam, que se agruparam num enorme e fortíssimo exército, e que, obedecendo às directrizes e ordens dos seus reis, fizeram trem er a grandeza romana e, depois de se terem mantido invictos perante vários generais romanos, se apoderaram de muitos despojos, conseguiram inúmeras vitórias, deram satisfação aos prazeres por que ansiavam e fizeram tudo o que a paixão lhes sugeria. Por fim, até serem vencidos — o que mui dificilmente aconteceu — viveram gloriosos como reis. Mas passemos a assuntos mais importantes.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Acerca do Mundo. Tem-se hoje quase como ponto assente que o De Mundo é uma adaptação do tratado do pseudo-Aristóteles.
[ii] Mat., V, 45.
[iii] II Pedro, II, 19.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

III. MISSÕES DE PAULO [i]

Capítulo 13


1.ª Viagem Missionária: [ii]

Barnabé e Saulo em missão

1Havia na igreja, estabelecida em Antioquia, profetas e doutores: Barnabé, Simeão, chamado ‘Níger’, Lúcio de Cirene, Manaen, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. 2Estando eles a celebrar o culto em honra do Senhor e a jejuar, disse-lhes o Espírito Santo: «Separai Barnabé e Saulo para o trabalho a que Eu os chamei.»

3Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e deixaram-nos partir.



[i] (13,1-28,31)
[ii] 13,1-14,28

Remédios para acabar com a tristeza - 3

Terceiro remédio: a compaixão dos amigos

Conversar com os amigos, desabafar com eles pode ser um grande alívio para quem passa por um momento de tristeza.

Quando a pessoa se sente um pouco triste e tende a ver tudo cinza, é muito eficaz fazer um gesto de abertura a algum amigo ou conhecido de confiança. Às vezes, basta uma mensagem ou uma ligação para contar ou escutar um amigo, e o panorama da vida fica mais claro.


(cont.)


(Cinco Remédios de são tomás de aquino para acabar com a tristeza)


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão




Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



18/01/2017

A riqueza da fé

Não sejas pessimista. – Não sabes que tudo quanto sucede ou pode suceder é para bem? – O teu optimismo será a consequência necessária da tua fé. (Caminho, 378)


No meio das limitações inseparáveis da nossa situação presente, porque o pecado ainda habita em nós de algum modo, o cristão vê com nova clareza toda a riqueza da sua filiação divina, quando se reconhece plenamente livre porque trabalha nas coisas do seu Pai, quando a sua alegria se torna constante por nada ser capaz de lhe destruir a esperança.


Pois é também nesse momento que é capaz de admirar todas as belezas e maravilhas da Terra, de apreciar toda a riqueza e toda a bondade, de amar com a inteireza e a pureza para que foi criado o coração humano.


Também é nessa altura que a dor perante o pecado não degenera num gesto amargo, desesperado ou altivo porque a compunção e o conhecimento da fraqueza humana conduzem-no a identificar-se outra vez com as ânsias redentoras de Cristo e a sentir mais profundamente a solidariedade com todos os homens. É então, finalmente, que o cristão experimenta em si com segurança a força do Espírito Santo, de tal maneira que as suas quedas pessoais não o abatem; são um convite a recomeçar e a continuar a ser testemunha fiel de Cristo em todas as encruzilhadas da Terra, apesar das misérias pessoais, que nestes casos costumam ser faltas leves, que apenas turvam a alma; e, ainda que fossem graves, acudindo ao Sacramento da Penitência com compunção, volta-se à paz de Deus e a ser de novo uma boa testemunha das suas misericórdias.



Tal é, em breve resumo que mal consegue traduzir em pobres palavras humanas a riqueza da fé, a vida do cristão, quando se deixa guiar pelo Espírito Santo. (Cristo que passa, 138)

Evangelho e comentário

 
Tempo comum

Evangelho: Mc 3, 1-6

1 Novamente entrou Jesus na sinagoga, e encontrava-se lá um homem que tinha uma das mãos atrofiada. 2 Observavam-n'O a ver se curaria em dia de sábado, para O acusarem. 3 Jesus disse ao homem que tinha a mão atrofiada: «Vem para o meio». 4 Depois disse-lhes: «É lícito em dia de sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida a uma pessoa ou tirá-la?». Eles, porém, calaram-se. 5 Então olhando-os com indignação, contristado da cegueira de seus corações, disse ao homem: «Estende a tua mão». Ele estendeu-a, e a mão ficou curada .6 Mas os fariseus, retirando-se, reuniram-se logo em conselho com os herodianos contra Ele para ver como O haviam de matar.

Comentário:

Tento imaginar-me como o protagonista desta cena que São Marcos nos relata.

Ao fazê-lo invade-me uma dúvida que me angustia: obedeceria ou não à ordem algo insólita do Senhor?

Estenderia a minha mão anquilosada coisa que sabia não poder fazer?

A cada instante o Senhor manda-me que faça coisas que eu penso não ter capacidade para executar.

É forçoso convencer-me que Ele nunca o fará e que a única coisa que realmente preciso é ter absoluta e incondicional confiança nele.

(ama, comentário sobre Mc 3, 1-6, Carvide, 2016.01.20)





Leitura espiritual


Leitura espiritual


A Cidade de Deus 



Vol. 1

LIVRO IIII

CAPÍTULO XXXI

Quão impudentemente imputam a Cristo os males actuais aque­les a quem não é consentido o culto dos deuses, quando tamanhas desgraças aconteceram no tempo em que eram adorados.

Acusem os seus deuses de tão grandes males aqueles que não agradecem a Cristo tão grandes bens. Com certeza, quando aqueles males apareceram, o fogo ardia nos altares dos numes, o incenso de Sabá e as grinaldas frescas perfumavam-nos, os sacerdócios gozavam de prestígio, os santuários resplandeciam; nos templos faziam-se sacrifí­cios, organizavam-se jogos e entrava-se em transe. Era quando o sangue dos cidadãos, por cidadãos derramado, corria de todos os lados, não apenas em certos lugares, mas mesmo por entre os altares dos deuses. Não foi um templo que Túlio escolheu para seu refúgio, porque em vão o escolhera Múcio. Mas aqueles que com maior indignação amaldiçoaram os tempos cristãos, refugiaram- -se nos lugares especialmente consagrados a Cristo ou foram para aí conduzidos pelos próprios bárbaros para que vivessem.

Eu bem o sei, e comigo o reconhece facilmente qualquer que julgue sem partidarismo (aliás omitirei muitos factos já por mim citados, e outros muito mais que julgo seria longo lembrar): se o género humano tivesse recebido a doutrina cristã antes das guerras púnicas, e se tivessem surgido tantas devastações quantas as que afligiram a Europa e a Ásia durante aquelas guerras, nenhum daqueles, cujos ataques agora suportamos, deixaria de atribuir estes males à religião cristã.

Mas os seus clamores, no que respeita aos Romanos, seriam ainda muito mais insuportáveis se a religião cristã tivesse sido recebida e difundida antes da invasão dos Gauleses ou das devastações e das inundações do Tibre e do incêndio, ou, o que ainda é o pior de todos os males, das guerras civis. Houve ainda outros males tão inconcebí­veis, que eram contados como prodígios. Se tivessem acontecido em tempos cristãos — sobre quem recairia a responsabilidade, como se de crimes se tratasse, senão sobre os cristãos? Não refiro, naturalmente, aqueles acontecimentos que são mais de pasmar do que de temer: bois que falam, crianças por nascer que proferem certas palavras no ventre materno, serpentes que voam, galinhas, mulheres e homens que mudaram de sexo, e outros quejandos. Verdadeiros ou falsos, estes acontecimentos que se lêem nos seus livros não fabulosos mas históricos, causam pasmo às pessoas, mas não as prejudicam. Mas, quando chove terra, quando chove greda, quando chovem pedras (pedras de verdade e não de granizo, como também é costume chamar-se-lhes) — isto pode causar prejuízos mesmo graves. Lemos neles que a lava inflamada do Etna, correndo do cume do monte até ao litoral próximo, fez ferver de tal forma o mar, que as rochas ficaram abrasadas e o pez dos navios se derreteu. Isto é que, sendo incrivelmente espantoso, na verdade causou prejuízos, e não pequenos! Uma idêntica erupção, escrevem, sepultou a Sicília sob uma camada tão espessa de cinzas ardentes, que as casas de Catânia ficaram esmagadas e sepultadas.

Comovidos com esta calamidade, os Romanos, por compaixão, eximiram-na de impostos nesse ano. Contam ainda nos seus livros que, na África, quando já era província romana, se abateu uma praga de gafanhotos que parecia um prodígio. Dizem que depois de terem consumido os frutos e as folhas das árvores, se lançaram ao mar como uma nuvem de ingentes proporções. Conta-se que, tendo  1 eles sido devolvidos já mortos às praias, e por isso tendo corrompido os ares, surgiu uma tão grande epidemia que só no reino de Masinissa morreram oitocentos mil homens e muito mais em terras vizinhas do litoral. Asseguram que, em Útica, dos trinta mil jovens que contava, apenas dez mil teriam sobrevivido.

Uma falta de senso como a que estamos suportando e a que somos constrangidos a responder — qual destes males não teria ela atribuído à religião cristã se os tivesse presenciado nos tempos cristãos? E con­tudo não os atribuem aos seus deuses, cujo culto reclamam de novo para não suportarem males bem menores, quando os seus antepassados, pelos quais eles antes eram venerados, males bem mais pesados tiveram outrora de suportar.

LIVRO IV

Prova-se que a amplidão e a duração do Império Romano não se devem nem a Júpiter nem aos deuses dos pagãos. Os poderes destes deuses estavam restringidos a particulares e ínfimos cometimentos. É obra apenas do verdadeiro Deus, autor da felicidade, por cujo poder e decisão se constituem e se conservam os reinos da Terra.

CAPÍTULO I

O que foi discutido no livro primeiro.

No princípio desta obra sobre A Cidade de Deus, achei que devia começar por responder aos seus inimigos que andam em busca dos gozos terrenos e, ávidos de bens fugazes, acusam a religião cristã — única salutar e verdadeira religião —, das tristezas que eles têm que suportar mas que são mais uma advertência da misericórdia de Deus do que um castigo da sua severidade.

E como entre eles há uma multidão de ignorantes, acende-se mais fortemente o seu ódio contra nós. Baseados na autoridade dos seus doutores e na sua ignorância, julgam que os males insólitos dos seus tempos não teriam acontecido nos tempos passados.

Como esta opinião é ainda reforçada por esses doutores, que sabem que ela é falsa mas dissimulam o que sabem, para que pareça que há justas razões para murmurarem contra nós, — necessário se torna demonstrar, com a ajuda dos livros em que os seus autores consignaram as recordações das épocas passadas, que os aconteci­mentos foram bem diferentes do que julgam, como necessário se tomou ainda esclarecer que os falsos deuses, que publicamente adoravam ou que agora adoram às ocultas, são espíritos imundíssimos, os mais maléficos e os mais enganadores demónios que chegaram a comprazer-se com os seus crimes reais ou fictícios, e quiseram que os representassem solenemente nas suas festas para que a fraqueza humana não deixasse de cometer actos condenáveis quando uma pretensa autoridade divina os oferecia à sua imitação.

Provámo-lo, não com conjecturas nossas, mas, em parte, com recordações recentes — pois nós próprios vimos representar tais infâmias em honra de tais deuses —, e em parte com os escritos dos que deixaram à posteridade o relato dos ritos, não para ultraje dos seus deuses mas em sua honra. Tanto assim é que Varrão, um dos mais doutos e de maior autoridade entre eles, tratou, em obras distintas, as questões humanas e as questões divinas, consagrando umas às humanas outras às divinas, arrumando cada uma dessas questões conforme a sua dignidade: colocou os jogos cénicos, não entre as questões humanas, mas entre as divinas. Na realidade, porém, se na cidade só houvesse homens bons e honestos, nem entre as humanas teriam sido colocados os jogos cénicos. Isto de certo não o fez Varrão por autoridade própria, mas porque, nascido e educado em Roma, os encontrou entre as instituições divinas.

E, como no final do livro primeiro indicámos concisamente o que iríamos de imediato expor, falámos de algumas questões nos dois livros seguintes, sabemos o que falta agora expor para satisfazer a expectativa dos leitores.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)


Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

II. EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM [i]

Capítulo 12

Morte de Agripa

20Herodes estava furioso com os habitantes de Tiro e de Sídon. Estes, de comum acordo, apresentaram-se diante dele e, depois de terem ganhado Blasto, camareiro do rei, à sua causa, pediram a paz, porque o seu país era abastecido pelo rei.

21No dia aprazado, Herodes, revestido com um traje real e sentado na tribuna, dirigiu-lhes um grande discurso. 22E o povo gritava: «É um deus que fala, não é um homem!» 23Mas, no mesmo instante, o Anjo do Senhor feriu Herodes, por não ter dado glória a Deus. E, roído pelos vermes, expirou.

24Entretanto, a palavra de Deus crescia e multiplicava-se. 25Barnabé e Saulo, depois de terem cumprido a sua missão, regressaram de Jerusalém, levando consigo João, de sobrenome Marcos.



[i] (6,8-12,25)

AS ESFERAS MAGNÉTICAS

Ontem os meus netos, Diogo e Leonor, almoçaram comigo.

Mas a curiosidade deste facto é que a minha neta Leonor trazia com ela, umas pequenas esferas magnéticas com as quais ia fazendo diversos objectos, anéis, etc., e, claro, tais esferas tornaram-se a dado momento no nosso foco de atenção.
A certa altura a Leonor, separou as esferas umas das outras e colocou-as suficientemente longe para que não se atraíssem e assim ficassem todas separadas.
Depois pegou numa só, e com essa foi unindo todas as outras até que se tornaram numa só “esfera/bola” maior.

Hoje de madrugada acordei e recordei aquela brincadeira, que entretanto me fez pensar no simbolismo que dali podia retirar para a minha vivência cristã.

Cada esfera separada não pode por si só fazer qualquer construção, qualquer objecto, ter qualquer função, digamos assim.
E cada esfera separada fica ali quieta, sem se mover, sem avançar, nem recuar, sem movimento.
Cada um de nós, somos um pouco assim, ou seja, permanecendo sós nada podemos construir, e, embora possamos andar, sozinhos não encontramos direcção, nem sentido para a vida.

Obviamente que penso naqueles que como eu acreditam em Deus, ou querem, ou desejam acreditar em Deus e ter uma vivência cristã.

Mas depois, uma só esfera, (e podia ser qualquer uma), levada junto das outras une-se a elas, e acabam por formar uma só forma maior, mantendo, no entanto, cada uma a sua própria forma e dimensão.
Se temos em nós a presença de Jesus Cristo, nos deixamos tocar pelo amor do Pai e nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo, então, sendo testemunhas disso mesmo, somos cada um de nós como cada uma daquelas esferas, ou seja, somos, (ou deveríamos ser), união para os outros e dos outros connosco, passando a constituir uma só forma, a Igreja, mas mantendo cada um de nós a sua individualidade, embora a mesma se esbata no bem comum que é o sermos um com Ele, que é o sermos Igreja na unidade, com a sua própria diversidade.
Por isso é tão importante a Igreja, porque sós, nada podemos, nem somos, mas unidos em Igreja temos caminho, fazemos caminho e ajudamo-nos a caminhar.

Aquelas esferas têm a particularidade de serem magnéticas, terem ímã, e é por isso mesmo que se atraem, unem e permanecem unidas.
Assim é para nós também, porque é em Igreja que vamos buscar o “ímã” que atrai, que nos atrai e se faz presente em nós e nos outros, cada vez que celebramos unidos, cada vez que O comungamos, sendo assim nós próprios, comunhão com Ele, nEle e por Ele, para os outros e nos outros.

E esse “íman” é, obviamente, Jesus Cristo, que se entregou por nós e que permanentemente nos chama à união em Igreja, no amor de Deus, para nos amarmos uns aos outros como Ele nos ama.


JOAQUIM MEXIA ALVES, Marinha Grande, 16 de Janeiro de 2017


Remédios para acabar com a tristeza - 2

Segundo remédio: chorar

Muitas vezes, um momento de melancolia pode ficar pior quando não conseguimos desabafar; é como se a tristeza se acumulasse dentro de nós, até tornar impossível fazer qualquer coisa.

O choro é uma linguagem, uma maneira de expressar e de desfazer o nó de uma dor que às vezes se torna sufocante. Jesus também chorou. E o Papa Francisco recorda que “certas realidades da vida só podem ser vistas com olhos limpos pelas lágrimas”.

(cont.)


(Cinco Remédios de são tomás de aquino para acabar com a tristeza)


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão




Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?