12/11/2015

NUNC COEPI o que pode ver em 12 de Nov

Publicações em Nov 12
 
São Josemaria – Textos

AMA (Reflectindo - Preocupações)

AMA - Comentários ao Evangelho Lc 17 20-25, Francisco Faus, Leitura espiritual - A Paciência

AT - Salmos – 12

Diocese, Jesus Cristo e a Igreja


Agenda Quinta-Feira

Antigo testamento / Salmos

Salmo 12



1 Salva-nos, Senhor! Já não há quem seja fiel; já não se confia em ninguém entre os homens.

2 Cada um mente ao seu próximo; seus lábios bajuladores falam com segundas intenções.

3 Que o Senhor corte todos os lábios bajuladores e a língua arrogante dos que dizem: "Venceremos graças à nossa língua; somos donos dos nossos lábios! Quem é senhor sobre nós?"

4 "Por causa da opressão do necessitado e do gemido do pobre, agora me levantarei", diz o Senhor. "Eu lhes darei a segurança que tanto anseiam."

5 As palavras do Senhor são puras, são como prata purificada num forno, sete vezes refinada.

6 Senhor, tu nos guardarás seguros, e dessa gente nos protegerás para sempre.


7 Os ímpios andam altivos por toda parte, quando a corrupção é exaltada entre os homens.

Jesus Cristo e a Igreja- 88

DIOCESE


É a circuncisão eclesiástica dirigida pelo bispo. Ela é também chamada de Bispado. O Código do Direito Canônico, no nº 369, afirma que a diocese é a “porção do povo de Deus confiada a um bispo”. Lá existe a Cúria Diocesana, ou seja, o conjunto de organismos com os quais o bispo governa pastoralmente. Os bispos têm como investiduras o Anel (simbolizando seu casamento com a Igreja, sua Diocese) e o Báculo (lembra um “cajado” - simbolizando o pastor de sua Diocese). Os bispos são sucessores dos Apóstolos como pastores da Igreja, mensageiros do Evangelho de Cristo. Também são chamados de Sufragâneos.


juberto santos

Os perfeitos só se encontram no Céu

Que ele está cheio de defeitos!... Bom... Mas, além de que os perfeitos só se encontram no Céu, tu também tens os teus, e todavia suportam-te; e, mais ainda, estimam-te: porque te amam com o amor que Jesus Cristo tinha pelos seus, que bem carregados de misérias andavam! – Aprende! (Sulco, 758)

Queixas-te de que ele não é compreensivo... E eu tenho a certeza de que faz o possível por entender-te. Mas tu, quando te esforçarás um bocadinho por compreendê-lo a ele? (Sulco, 759)

De acordo; admito: essa pessoa portou-se mal; a sua conduta é censurável e indigna; não demonstra categoria nenhuma.

– "Merece humanamente todo o desprezo!", acrescentaste.

Insisto: compreendo-te, mas não compartilho a tua última afirmação. Essa vida mesquinha é sagrada; Cristo morreu para redimi-la! Se Ele não a desprezou, como podes tu atrever-te a desprezá-la? (Sulco, 760)


Realmente, a vida, já por si estreita e insegura, às vezes torna-se difícil... Mas isso contribuirá para te tornar mais sobrenatural, para que vejas em tudo a mão de Deus; e assim serás mais humano e compreensivo com os que te rodeiam. (Sulco, 762)

Evangelho, comentário, L. espiritual



Tempo comum XXXII Semana


Evangelho: Lc 17, 20-25

20 Tendo-Lhe os fariseus perguntado quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: «O reino de Deus não virá ostensivamente. 21 Não se dirá: Ei-lo aqui ou ei-lo acolá. Porque eis que o reino de Deus está no meio de vós». 22 Depois disse aos Seus discípulos: «Virá tempo em que desejareis ver um só dos dias do Filho do Homem e não o vereis. 23 E vos dirão: Ei-lo aqui, ou ei-lo acolá. Não vades, nem os sigais. 24 Porque, assim como o clarão brilhante de um relâmpago ilumina o céu de uma extremidade à outra, assim será o Filho do Homem no Seu dia. 25 Mas primeiro é necessário que Ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração.

Comentário:

Se, como Jesus Cristo afirma, «reino de Deus está no meio de vós» e, Ele, é a Verdade, então o Rei está connosco!
Procurá-lo?
Sim, sem dúvida, mas no nosso coração, na nossa alma em graça que é onde Ele habita.
Não temos de andar preocupados em buscar o que está connosco, além de uma perda de tempo é impróprio de um cristão.

Que alguns se fazem passar por Jesus Cristo ou pretendam, de alguma forma, personificá-lo sabemo-lo sobejamente mas nós, cristãos, temos sempre presentes as palavras do Apóstolo: «Não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim».

(ama, comentário sobre Lc 17, 20-25, 2014.11.13)



Leitura espiritual



A PACIÊNCIA
…/4

O egoísta é monótono. Dirige-se a Deus e aos outros, dizendo sempre: ‘Dá-me!’
É um homem que vive para pegar, para tomar, para armazenar, para desfrutar, em suma, para obter...

O egoísta parece ter, dentro do coração, um cachorrinho obsessivo, que dia e noite late sem parar, com voz esganiçada e estridente: Eu! Eu! Eu! E, quando a voz afina: Mim! Mim! Mim!

Só que o mundo está repleto de outros cachorros iguais e responde-lhe com o eco das suas próprias palavras, de modo que por toda a parte se lança contra ele o mesmo ganido: Eu! Eu! Eu!

Certamente o mundo não costuma fazer-nos a toda a hora reverências orientais nem nos estende aos pés tapetes vermelhos.

NA CONTRAMÃO DOS HOMENS E DE DEUS

Desse entrechoque de egoísmos, logicamente, hão-de sair faíscas. Um encontrão! Uma cotovelada! Um “chega para lá!” Um “eu primeiro!” Um “espere um pouco e você vai ver!”
A colisão de egoísmos é inevitável, pois o meu egoísmo sempre vai na contramão do outro, e é fisicamente impossível colocar dois centros diferentes no mesmo círculo ou dois umbigos do mundo exatacmente no mesmo ponto.

Estamos vendo, e parece coisa clara, que a maior parte das nossas impaciências são apenas egoísmos contrariados.
Se as fôssemos examinando uma após outra, numa espécie de microscópio espiritual, acabaríamos verificando que, nelas, nas impaciências, estão todas as cores de que o egoísmo humano se tinge, quer seja a cor orgulhosa, quer a comodista, a hedonista, a sensual ou a invejosa...
Todas aquelas cores do espectro em que a luz triste do egoísmo se dispersa.

Alguém já disse – sem dúvida com exagerada dureza – que o mundo é um chiqueiro de egoísmos, onde estes, em recinto fechado, se mordem e dilaceram.
Algo parecido com isso é o que não tardará a descobrir, por experiência própria, quem adoptar como filosofia de conduta “gozar a vida”, “passar o melhor possível”, “conseguir o máximo”, “ter vantagem em tudo”.

O pior, porém, não é que isso tudo não passe de uma ilusão trágica, decepcionante, num mundo que não nos abre alas como ao seu “príncipe”.
O pior é que o egoísta, por princípio, anda sempre na contramão de Deus, e isso é muito mais sério e perigoso.

Deus só tem uma mão: o Amor.
O egoísmo trafega em outro sentido.
É significativo que uma condição prévia para andar na mão de Deus e para aprender o amor cristão seja esta:
Quem quiser salvar a sua vida – diz Cristo – a perderá; mas quem perder a sua vida por amor de mim (quem souber sacrificá-la por amor), a salvará [i].
A mão de Deus é o Amor.
Sair dela é atravessar-se na estrada, e aí todas as colisões são inevitáveis.

O egoísmo colide com tudo e, além disso, tem a triste faculdade de tornar negativas todas as coisas, opondo-as a si.
O egoísta, por exemplo, em vez de valer-se do temperamento da esposa para saber “como” deve amá-la, serve-se disso como motivo para humilhá-la e ofendê-la. Não pensa:
‘Ela é lenta, vou estimulá-la, vou ajudá-la’.
Pensa: ‘Ela é lenta; atrasa tudo! Não julgava que fosse tão lerda quando casei! Isto não pode continuar!’
São duas maneiras opostas de reagir perante uma mesma situação. Duas maneiras que se podem dar em todas as situações.
As mais belas coisas estiolam nas mãos do egoísta.

Vale a pena repisar bem a afirmação de que o nosso egoísmo é a causa fundamental dos nossos aborrecimentos.
Assim como o lendário Rei Midas tinha o poder de transformar em ouro tudo o que tocava, o egoísta tem a virtude de transformar em pontas, em cacos de vidro, em navalhas e espinheiros, tudo o que não se curva aos seus desejos.

O QUE A VIDA ESPERA DE NÓS

No relato autobiográfico intitulado Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração, [ii] o psiquiatra Viktor Frankl relata o ambiente de profundo abatimento que se ia apossando do espírito de seus companheiros de barracão, no campo de concentração nazista em que se encontravam, à medida que as expectativas de libertação se afunilavam e o futuro aparecia cada vez mais sombrio.
Era comum ouvir-se dizer:
– ‘Eu já não espero mais nada da vida’.
‘Que resposta podemos dar a essas palavras?’ – perguntava-se Frankl.
E a seguir, com vibrações de descoberta, explica a nova luz que se acendeu nele e que procurou transmitir aos outros:
‘Do que realmente precisamos é de uma mudança radical da nossa atitude perante a vida.

Temos que aprender nós mesmos, e depois ensinar aos desesperados, que na verdade não é importante o que nós esperamos da vida; importante é o que a vida espera de nós’.

Numa noite em que um corte de luz mergulhou os prisioneiros numa depressão ainda maior, Frankl, embora gelado e sonolento, irritado e cansado, sentiu que era preciso fazer alguma coisa para infundir ânimo àqueles pobres farrapos humanos que já desistiam da vida. Levantou-se, então, e falou. Expôs com veemente ardor a sua descoberta.
E essa ideia de que a vida tem um sentido infinitamente superior ao de simplesmente satisfazer desejos, obter coisas, passar bem, gozar de boa saúde, invadiu, como um clarão de esperança, aqueles corações agoniados.

Entenderam que Deus, a esposa, os filhos, os amigos, o mundo esperavam deles (deles que pareciam animais acuados, prestes a serem levados para o matadouro) um testemunho – na vida ou na morte – de que o ser humano foi feito para algo muito maior do que comer, beber, gozar, rir na fortuna e chorar na adversidade.
Deus e os outros esperavam algo que só cada um deles, com grandeza de alma, podia dar. Deus e o mundo “precisavam” de cada um deles!

Esta concepção da vida, como é óbvio, opõe-se frontalmente à atitude egoísta acima descrita.
É a outra possível vertente da nossa existência.
A única verdadeira.
A vida só pode ser encarada como uma missão a cumprir, que nos é confiada por Deus, como uma edificação de que somos responsáveis e de que outros dependem.
Não vivemos para obter; vivemos para edificar.

QUERENDO EDIFICAR UMA TORRE

O próprio Cristo utiliza a imagem da edificação para falar de nós. Diante do seu futuro, o homem é um construtor.
Deus facilita-lhe o material, desvenda-lhe aos poucos as linhas mestras da “obra” a ser realizada e estende-lhe a mão para ajudá-lo na tarefa.
Mas cada qual é responsável por fazer a obra bem-feita.
Quem de vós, se quiser edificar uma torre, não se senta primeiro e calcula...? [iii].

Aprofundando na imagem da edificação, Cristo diz-nos ainda como se deve fazer o cálculo, qual é a garantia de que a construção será sólida e indestrutível:
Aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente que edificou a sua casa sobre rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa: ela, porém, não caiu, porque estava edificada sobre rocha [iv].

Construir sobre rocha, fazer uma edificação que nenhuma contrariedade – vento ou chuva, tremores ou enchentes – possa abalar, só se consegue quando o alicerce sobre o qual se levanta é a palavra de Cristo: Aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática...

É a palavra, é a mensagem de Cristo que indica a “mão de direcção” que Deus quer deixar sinalizada no coração dos homens: a mão do Amor.
Amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todas as forças; amar o próximo como a nós mesmos, mais ainda, como Cristo nos amou – ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos [v]–, este é o alicerce, este é o pilar firmíssimo, esta é a “mão de Deus”!

(cont.)

FRANCISCO FAUS, [vi] A PACIÊNCIA, 2ª edição, QUADRANTE, São Paulo 1998

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] cf. Mt 16, 25 e Mc 8, 35
[ii] 3ª ed., Sinodal-Vozes, 1993, págs. 76 e segs.
[iii] Lc 14, 28
[iv] Mt 7, 24-27
[v] Jo 15, 13
[vi] Francisco Faus é licenciado em Direito pela Universidade de Barcelona e Doutor em Direito Canônico pela Universidade de São Tomás de Aquino de Roma. Ordenado sacerdote em 1955, reside em São Paulo, onde exerce uma intensa atividade de atenção espiritual entre estudantes universitários e profissionais. Autor de diversas obras literárias, algumas delas premiadas, já publicou na coleção Temas Cristãos, entre outros, os títulos O valor das dificuldades, O homem bom, Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens, Maria, a mãe de Jesus, A voz da consciência e A paz na família.

Reflectindo - 128

Preocupações

…/4

A terceira hipótese - possível que aconteça - não merece sequer consideração. 
Ninguém possui a possibilidade de adivinhar o futuro que não nos pertence nem sabemos se teremos.

Chega-se, assim, à conclusão que não devemos preocupar-nos?

De modo nenhum!

A conclusão a que chego é que a preocupação, em si mesma, não resolve nada, só condiciona e prejudica a razão e, sendo deste modo, tento, sempre, substituir a preocupação pela esperança e a confiança. Dois sentimentos positivos em vez de um muito negativo.

Tenho êxito, sempre? Claro que não.

Mas isso não me preocupa. 


(ama, dissertação sobre preocupação, 2010.06.08)

11/11/2015

NUNC COEPI o que pode ver em 11 de Nov

Publicações em Nov 11

São Josemaria – Textos

Fortaleza, Georges Chevrot, Jesus e a Samaritana (Georges Chevrot),Temas para meditar, Virtudes

AMA - Comentários ao Evangelho Lc 17 11-19, Francisco Faus, Leitura espiritual - A Paciência

AT - Salmos – 11

JMA - A Caridade que eu pratico


Agenda Quarta-Feira

A “CARIDADE” QUE EU PRATICO!

Ao ouvir a homilia do Pe Patrício, (Vigário paroquial da Marinha Grande), dei comigo a reflectir sobre o modo como pratico a caridade, sobretudo, quando se trata de valores em dinheiro.

E fiquei envergonhado comigo próprio!
É que constatei de imediato que quando pretendo dar algum valor à Igreja, a alguma obra de assistência, etc., a primeira coisa que faço é contas ao futuro, ao que poderei ou não precisar, (considerando sempre uma “almofada de segurança”), e então disponibilizar o que julgo me poderá sobrar, ou melhor, poderei “dispensar” sem “perigo” para o meu futuro, ou seja, para aquilo que considero a minha comodidade.

E porque me envergonha tal prática?
Primeiro porque penso primeiro em mim, nas minhas comodidades, não pensando nos outros, e sobretudo no facto de que aqueles que são necessitados, nem têm comodidades com que se preocupar, mas apenas falta das necessidades básicas para viver.
Segundo, porque esta prática revela também, para mim, uma enorme falta de confiança em Deus e na Sua providência, que como aprendi e tantas vezes testemunho, (afinal apenas da “boca para fora”), nunca falta àqueles que n’Ele confiam e a Ele se entregam.

E então, devo dar tudo o que tenho?
Julgo que não, que não é essa a vontade de Deus, mas sim que eu seja capaz de ir mais além, quer dizer, que eu seja capaz de dar não apenas o que me sobra, mas também um pouco daquilo que me possa faltar.

Pois é, isto de querer ser santo é muito difícil!!!

A parte do rezar, do servir, do arrepender-se, do pedir perdão, de levar uma vida correcta cheia de bons pensamentos, etc., até nem é muito difícil, na maior parte das vezes.
Agora quando toca ao dar, quando toca a dar indo mais longe do que aquilo que sobra, para dar o que possa fazer falta, aí torna-se muito complicado e muito mais difícil.
E ainda mais se quisermos dar com verdadeira caridade, ou seja, sem os outros saberem e sem esperar recompensa!

És mesmo exigente, Senhor, mas Tu também nunca disseste que era fácil!

Sê-lo-á apenas quando nos despojarmos inteiramente de nós e decididamente nos entregarmos a Ti, deixando que sejas Tu a fazer o que for de Tua vontade, nas vidas que nos deste, Senhor.


joaquim mexia alves

Marinha Grande, 9 de Novembro de 2015

Antigo testamento / Salmos

Salmo 11



1 No Senhor me refugio. Como então vocês podem dizer-me: "Fuja como um pássaro para os montes"?

2 Vejam! Os ímpios preparam os seus arcos; colocam as flechas contra as cordas para das sombras as atirarem nos rectos de coração.

3 Quando os fundamentos estão sendo destruídos, que pode fazer o justo?

4 O Senhor está no seu santo templo; o Senhor tem o seu trono nos céus. Seus olhos observam; seus olhos examinam os filhos dos homens.

5 O Senhor prova o justo, mas o ímpio e a quem ama a injustiça, a sua alma odeia.

6 Sobre os ímpios ele fará chover brasas ardentes e enxofre incandescente; vento ressecante é o que terão.


7 Pois o Senhor é justo e ama a justiça; os rectos verão a sua face.

Que nunca deixe de praticar a caridade

Não é compatível amar a Deus com perfeição e deixar-se dominar pelo egoísmo – ou pela apatia – na relação com o próximo. (Sulco, 745)

A verdadeira amizade implica também um esforço cordial por compreender as convicções dos nossos amigos, mesmo que não cheguemos a partilhá-las nem a aceitá-las. (Sulco, 746)

Nunca permitas que a erva ruim cresça no caminho da amizade: sê leal. (Sulco, 747)

Um propósito firme na amizade: que no meu pensamento, nas minhas palavras, nas minhas obras para com o próximo – seja ele quem for –, não me comporte como até agora, quer dizer, nunca deixe de praticar a caridade, nunca dê entrada na minha alma à indiferença. (Sulco, 748)

A tua caridade deve ser adequada, ajustada, às necessidades dos outros...; não às tuas. (Sulco, 749)


Filhos de Deus! Uma condição que nos transforma em algo mais transcendente do que em simples pessoas que se suportam mutuamente... Escuta o Senhor: "Vos autem dixi amicos!" – somos seus amigos, que, como Ele, dão gostosamente a vida pelos outros, tanto nas horas heróicas como na convivência corrente. (Sulco, 750)

Evangelho, comentário, L. espiritual



Tempo comum XXXII Semana


Evangelho: Lc 17, 11-19

11 Indo Jesus para Jerusalém, passou pela Samaria e pela Galileia.12 Ao entrar numa aldeia, saíram-Lhe ao encontro dez homens leprosos, que pararam ao longe, 13 e levantaram a voz, dizendo: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!». 14 Ele tendo-os visto, disse-lhes: «Ide, mostrai-vos aos sacerdotes». Aconteceu que, enquanto iam, ficaram limpos. 15 Um deles, quando viu que tinha ficado limpo, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, 16 e prostrou-se por terra a Seus pés, dando-Lhe graças. Era um samaritano. 17 Jesus disse: «Não são dez os que foram curados? Onde estão os outros nove? 18 Não se encontrou quem voltasse e desse glória a Deus, senão este estrangeiro?». 19 Depois disse-lhe: «Levanta-te, vai; a tua fé te salvou».

Comentário:

Mas, os outros nove também tiveram fé porque, sem demora, fizeram o que Jesus lhes mandara fazer!
Então foi só a fé que salvou o samaritano?
Sim, é evidente, mas não só.
Ao ver-se curado a sua prioridade foi voltar para junto daquele que lha concedera, para lhe agradecer e louvar.
Entendeu, e muito bem, que “mostrar-se aos sacerdotes” fora uma espécie de “prova” a que o Senhor o tinha submetido e, superada esta, nada mais restava fazer que, exactamente, o que fez.
(ama, comentário sobre Lc 17, 11-19, 2013.11.13)



Leitura espiritual



A PACIÊNCIA
…/3

À PROCURA DO CRIMINOSO

Isto, porém, não elimina o facto de que as contrariedades existem, e é delas que, como de um gerador elétrico, surge a corrente contínua ou alternada da impaciência.

Se nos perguntassem de chofre: – ‘Por que você fica impaciente?’, logo apontaríamos o culpado: – ‘Tal contrariedade mais ou menos frequente, mais ou menos constante’.
O culpado, o ‘criminoso’, o agente provocador, é sempre a contrariedade que acomete, azucrina e faz sofrer.

Caso pensemos assim – com esta simplificação tão cândida –, será bom que observemos um fenómeno: nem toda a gente fica impaciente diante das mesmas coisas. Há, portanto, “algo” dentro de nós que nos faz receber “determinadas” contrariedades – muitas ou poucas – de um modo negativo e que desemboca na impaciência, ao passo que outras não.
O que é esse “algo”?
Se conseguirmos enxergá-lo, teremos aberto um bom caminho para diagnosticar a etiologia da impaciência e para ver os remédios que conduzem à mais saudável paciência.

Pensemos, além disso, que – tal como acontece com a preguiça –, afora os casos raros de infecção generalizada (como a “preguiça integral” e a “impaciência permanente”), o defeito da impaciência costuma ser “especializado”.
Cada um de nós tem as “suas” impaciências particulares, mexe-se dentro do campo da sua especialização.
Pode ser que pertençamos, por exemplo, à turma daqueles “especialistas” que não têm paciência para escutar o próximo, sobretudo o mais próximo (marido, mulher, filhos).
Sempre me recordarei de um bispo velhinho, a quem – por razões de trabalho – visitava com certa frequência.
Como muitos anciãos, gostava de recordar coisas passadas, e eu – por respeito e inibição, pois era muito jovem – ficava a ouvi-lo, de modo que praticamente nunca abria a boca: limitava-me a deixá-lo falar.
Passado algum tempo, soube com espanto que ele comentara a um colega que eu “tinha uma conversa muito agradável”!
Senti vergonha, porque não tinha consciência de estar sendo paciente, e aprendi uma lição.

Para mencionar outro exemplo: não pertenceremos por acaso à turma especializada dos que jamais admitem interrupções?
Estão “na deles” e dali não saem.
Por mais que um filho, ou a esposa ou qualquer outra pessoa precise da sua atenção, da sua palavra ou da sua ajuda, o “homem intrinsecamente-ocupado-em-suas-coisas-muito-importantes” vai limitar-se a “responder”, impaciente, com um olhar de poucos amigos, unido a um ronco gutural ininteligível, mas perfeitamente interpretável.

E, ainda, não pertenceremos talvez àquele outro rol de pós-graduados, conhecido como “a turma dos impacientes mascarados”, que já apareciam acima divorciando-se?
– ‘Sou muito paciente, dizem esses mascarados. Não brigo nunca!’
 Mas sempre, sistematicamente, fogem, rápidos como uma cobra d'água, de enfrentar questões difíceis e aborrecidas (uma conversa a fundo com o filho, muito necessária), de aceitar compromissos (fazer oração diariamente, ler um livro de formação cristã) ou de assumir responsabilidades (colaborar habitualmente num trabalho assistencial).
A razão disso não está nem na falta de tempo nem na falta de habilidade, mas no facto puro e simples de que “não querem saber”, “não querem ter trabalho”, ou seja, não querem sofrer.

E eis neste caso a impaciência em estado quimicamente puro, em forma de uma completa falta de generosidade para aceitar com fé, esperança e amor “o que contraria”, aquilo de que “não gostamos”, isto é, o sacrifício e o sofrimento que Deus nos pede para acolher.

OBTER E EDIFICAR

A MÃO E A CONTRAMÃO

– Isso me pegou na contramão! – diz o impaciente contrariado.

Tem razão.
Aquilo foi-lhe ao encontro e o abalroou, chocando-se com os seus desejos, com a sua tranquilidade ou com o seu bem-estar.

Mas, ao escutarmos essa sua queixa, seria lógico que lhe perguntássemos:
– E... qual é a sua mão?

Em matéria de paciência, talvez seja esta a pergunta fundamental, a que melhor nos pode conduzir àquele “algo” que mencionamos acima e que é a verdadeira causa das nossas impaciências.

Todos temos mão e contramão na vida.
A mão é o objectivo para o qual se orientam principalmente os nossos desejos, as nossas lutas, as nossas ambições, as nossas esperanças de realização e de felicidade.
Essa orientação fundamental é a autêntica directriz do nosso coração, das nossas reflexões, dos nossos devaneios e dos nossos empenhos.

Constatamos esta realidade em nós e nos outros. E, ao mesmo tempo, verificamos que essa orientação fundamental varia de um homem para outro.
Mais ainda, que a mão dessa direcção de vida tem sentidos contrários, conforme as pessoas.
Um professor universitário, entusiasmado com as suas pesquisas, não pode viver sem os seus livros e o seu estudo, chegando a sacrificar indevidamente a esse ideal científico até a saúde e a família.
Pelo contrário, um estudante vadio não consegue viver nem conviver com os livros e o estudo.
O contraste é ainda mais marcante se entramos a fundo nas questões em que se enraízam o sentido e o valor da vida.
Para um santo, um mundo sem Deus seria uma noite horrenda, a quintessência do inferno.
Para um agnóstico, Deus é perfeitamente dispensável, e todas as coisas estão niveladas pela mesma indiferença.

Se procurarmos meditar na vida, e conseguirmos lucidez suficiente para pensá-la em profundidade, perceberemos que todas as atitudes básicas, todas as orientações “de fundo”, todas as “mãos”, se reduzem, em último termo, a duas, que podem ser enunciadas em duas palavras: obter e edificar.

‘DÁ-ME A PARTE QUE ME CORRESPONDE’

É comum perguntar a uma criança:
– ‘O que é que você quer ser quando crescer?’
A resposta pode ir desde “engenheiro igual ao pai” até “bombeiro” ou “jogador da Seleção brasileira”.

Menos comum é perguntar:
– ‘O que é que você quer fazer quando for grande?’
Possivelmente, a resposta será: ‘Estudar, namorar, casar’...
Mas outras crianças ficarão desnorteadas perante uma pergunta dessas. Elas sabem bem qual é a imagem ideal de si mesmas em seus “sonhos”, mas custa-lhes considerar a vida como tarefa.

Ora, o que é totalmente incomum é perguntar:
– “O que é que você quer dar, o que você gostaria de dar quando for grande?’
E, no entanto, esta é a única pergunta que deveria fazer realmente sentido para um ser humano.

A atitude de muitos perante a vida é radicalmente egoísta.
O mundo é “para mim”, a vida é “para mim”.
Mesmo os amores são vistos como um meio de obter o benefício da realização pessoal.
É por isso que muitos pensam em marido ou mulher só enquanto “gostarmos”, ou seja, enquanto o egoísmo receber vantagens dessa união.
É só começarem, porém, os sacrifícios, que haverá despedida e partirão para outra.
E os filhos?
Às vezes, nem sequer se pensa neles, e se espera tanto para tê-los que – com perdão do leitor – a decisão de deixar descendência acaba por ser tomada depois da menopausa.

O egoísta, aquele que só quer usufruir da vida, que quer “realizar-se” colocando o seu “eu” como meta e centro do mundo, esse só sabe repetir as palavras que Cristo põe na boca do filho pródigo:
«Pai, dá-me a parte que me toca» [i].

(cont.)

FRANCISCO FAUS, [ii] A PACIÊNCIA, 2ª edição, QUADRANTE, São Paulo 1998

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] cf. Lc 15, 12
[ii] Francisco Faus é licenciado em Direito pela Universidade de Barcelona e Doutor em Direito Canônico pela Universidade de São Tomás de Aquino de Roma. Ordenado sacerdote em 1955, reside em São Paulo, onde exerce uma intensa atividade de atenção espiritual entre estudantes universitários e profissionais. Autor de diversas obras literárias, algumas delas premiadas, já publicou na coleção Temas Cristãos, entre outros, os títulos O valor das dificuldades, O homem bom, Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens, Maria, a mãe de Jesus, A voz da consciência e A paz na família.