12/10/2015

NUNC COEPI o que pode ver em 14 de Out

Publicações em Out 14

São Josemaria – Textos

Bula (Conc Florença),Conc de Florença, Eucaristia

AMA - Comentários ao Evangelho Lc 11 42-46, São Josemaria - Leitura espiritual (Temas actuais do cristianismo)

Bento XVI - Pensamentos espirituais

Suma Teológica - Tratado da Vida de Cristo - Quest 35 - Art 6


Agenda Quarta-Feira

NUNC COEPI o que pode ver em 12 de Out

Publicações em Out 12

São Josemaria – Textos

A Fé explicada (Leo J Trese), Baptismo, Leo J Trese, Sacramentos

AMA - Comentários ao Evangelho Lc 11 29-32, São Josemaria - Leitura espiritual (Temas actuais do cristianismo)


Agenda Segunda-Feira

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Deus está presente

Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário... Porém, mais humilhação e mais aniquilamento na Hóstia Santíssima; mais que no estábulo, e que em Nazaré, e que na Cruz. Por isso, que obrigação tenho de amar a Missa! (A "nossa" Missa, Jesus...) (Caminho, 533)

Por vezes, talvez nos perguntemos como será possível corresponder a tanto amor de Deus e até desejaríamos, para o conseguir, que nos pusessem com toda a clareza diante dos nossos olhos um programa de vida cristã. A solução é fácil e está ao alcance de todos os fiéis: participar amorosamente na Santa Missa, aprender a conviver e a ganhar intimidade com Deus na Missa, porque neste Sacrifício se encerra tudo aquilo que o Senhor quer de nós.

Permiti que aqui vos recorde o desenrolar das cerimónias litúrgicas, que já observámos em tantas e tantas ocasiões. Seguindo-as passo a passo é muito possível que o Senhor nos faça descobrir em que pontos devemos melhorar, que defeitos precisamos de extirpar e como há-de ser o nosso convívio, íntimo e fraterno, com todos os homens.


O sacerdote dirige-se para o altar de Deus, do Deus que alegra a nossa juventude. A Santa Missa inicia-se com um cântico de alegria, porque Deus está presente. É esta alegria que, juntamente com o reconhecimento e o amor, se manifesta no beijo que se dá na mesa do altar, símbolo de Cristo e memória dos santos, um espaço pequeno e santificado, porque nesta ara se confecciona o Sacramento de eficácia infinita. (Cristo que passa, 88)

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo comum XXVIII Semana


Evangelho: Lc 11, 29-32

29 Concorrendo as multidões, começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal, senão o sinal do profeta Jonas. 30 Porque, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim o Filho do Homem será um sinal para esta geração. 31 A rainha do meio-dia levantar-se-á no dia do juízo contra os homens desta geração, e condená-los-á, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está Quem é mais do que Salomão. 32 Os ninivitas levantar-se-ão no dia do juízo contra esta geração, e condená-la-ão, porque fizeram penitência com a pregação de Jonas; e aqui está Quem é mais do que Jonas!

Comentário:

As palavras de Jesus Cristo são fortes e não deixam qualquer margem para dúvidas sobre o que acontecerá no Juízo Universal.

Atenção! As palavras do Senhor cumprem-se sempre!

(ama, comentário sobre Lc, 11, 29 - 32 2013.10.14, 2015.02.25)


Leitura espiritual


São Josemaria Escrivá




Temas actuais do cristianismo

25
                  
pergunta:

Permita-me, Monsenhor, que insista na questão dos Institutos Seculares.
Num estudo dum conhecido canonista, o Dr. Julián Herranz, li eu que alguns desses Institutos são secretos e que muitos outros, na prática, se identificam com as Ordens Religiosas (usando hábito, abandonando o trabalho profissional para se dedicarem aos mesmos fins a que se dedicam os religiosos, etc.), a ponto de os seus membros não terem inconveniente em considerar-se eles próprios como religiosos. Que pensa V. Rev.º deste assunto?

resposta:

O estudo acerca dos Institutos Seculares, a que se refere, teve, efectivamente, ampla difusão entre os especialistas.
O Dr. Herranz exprime, sob responsabilidade inteiramente pessoal, uma tese bem documentada.
Sobre as conclusões desse trabalho, prefiro não falar.

Quero apenas dizer-lhe que todo esse modo de proceder nada tem que ver com o Opus Dei, que não é secreto, nem é de modo algum comparável, pela sua actuação ou pela vida dos seus membros, às Ordens Religiosas.
Os sócios do Opus Dei, como acabo de dizer, são cidadãos iguais aos outros, que exercem livremente todas as profissões e todas as tarefas humanas que sejam honestas. [i]

26
                  
pergunta:

Poderia descrever o desenvolvimento e a evolução do Opus Dei, tanto na sua natureza como nos seus objectivos, desde a fundação, durante um período que assistiu a tamanhas modificações dentro da própria Igreja?

resposta:

Desde o primeiro momento, o único objectivo do Opus Dei foi o que acabo de lhe indicar: contribuir para que, no meio do mundo, haja homens e mulheres de todas as raças e condições sociais que procurem amar e servir a Deus e aos outros homens no seu trabalho habitual e através dele.
No início da Obra, em 1928, o que eu defendi foi que a santidade não é coisa para privilegiados, pois podem ser divinos todos os caminhos da Terra, todos os estados de vida, todas as profissões, todas as tarefas honestas.
As implicações dessa mensagem são muitas e a experiência da vida da Obra tem-me ajudado a conhecê-las cada vez mais profundamente e com mais riqueza de cambiantes.

A Obra nasceu pequena e foi crescendo normalmente, de maneira gradual e progressiva, como cresce um organismo vivo e como tudo o que se desenvolve na História.
Mas o objectivo e razão de ser da Obra não mudou, nem mudará, por muito que possa mudar a sociedade, porque a mensagem do Opus Dei consiste em proclamar que qualquer trabalho honesto pode ser santificado, sejam quais forem as circunstâncias em que se processa.

Hoje, fazem parte da Obra pessoas de todas as profissões: não só médicos, advogados, engenheiros e artistas, mas também pedreiros, mineiros, camponeses; qualquer profissão - desde realizadores de cinema e pilotos de aviões de reacção, até cabeleireiros de alta moda.

Para os membros do Opus Dei, estar actualizado, compreender o mundo moderno, é uma coisa natural e instintiva, porque são eles - juntamente com os outros cidadãos, e tal como eles - quem faz nascer esse mundo e lhe dá a sua modernidade.

Se é este o espírito da nossa Obra, já vê como terá sido grande alegria para nós ouvir o Concílio declarar solenemente que a Igreja não repele o mundo em que vive, nem o seu progresso e desenvolvimento, antes o compreende e o ama.
De resto, uma das características essenciais da espiritualidade que os membros da Obra se esforçam, desde há quase 40 anos, por viver, é justamente a consciência de que são, ao mesmo tempo, parte integrante da Igreja e do Estado, assumindo, portanto, cada um, plenamente e com toda a liberdade, a sua responsabilidade individual como cristão e como cidadão.

27
                  
pergunta:

Poderia descrever as diferenças que existem entre o modo como a Opus Dei, enquanto associação, cumpre a sua missão, e o modo como os membros da Obra, enquanto indivíduos, cumprem as suas? Por exemplo, que critérios levam a considerar que determinado projecto - um colégio, uma casa de retiros - deva ser de preferência realizado pela Associação, e outro - uma empresa editora ou comercial, por exemplo - caiba a pessoas individuais?

resposta:

A actividade principal do Opus Dei consiste em dar aos seus sócios e a quem o deseje os meios espirituais necessários para viverem como bons cristãos no meio do mundo.
Dá-lhes a conhecer a doutrina de Cristo, os ensinamentos da Igreja; proporciona-lhes um espírito que os leva a trabalhar bem, por amor de Deus e ao serviço de todos os homens.
Numa palavra, trata-se de viver como cristão: convivendo com toda a gente, respeitando a legítima liberdade de todos e fazendo com que este nosso mundo seja mais justo.

Cada um dos sócios do Opus Dei ganha a vida e serve a sociedade com a profissão que tinha antes de entrar na Obra.
Assim, uns são mineiros, outros ensinam em escolas ou Universidades, outros ainda são comerciantes, donas de casa, secretárias, lavradores.
Entre as actividades honestas do homem, nenhuma há que não possa ser exercida por um sócio do Opus Dei.
Quem, por exemplo, antes de pertencer à Obra, trabalhava numa actividade editorial ou comercial, continua nessa actividade.
E, se, por causa desse trabalho ou de qualquer outro, procura novo emprego, ou decide, com os seus companheiros de profissão, fundar uma empresa qualquer, isso é matéria em que lhe cabe decidir livremente, aceitando ele pessoalmente os resultados do seu trabalho e assumindo também pessoalmente a respectiva responsabilidade.

Toda a actuação dos Directores do Opus Dei se baseia num rigorosíssimo respeito pela liberdade profissional dos sócios.
É este um ponto de importância capital, do qual depende a própria existência da Obra, e que, por conseguinte, é posto em prática com fidelidade absoluta.
Cada sócio pode trabalhar profissionalmente nos mesmos campos de actividade que lhe estariam abertos se não pertencesse ao Opus Dei. Assim, nem a Obra como tal, nem nenhum dos outros sócios, têm nada a ver com o trabalho profissional que esse sócio exerce.
O compromisso que os sócios tomam ao vincularem-se à Obra é o de que se esforçarão por procurar a perfeição cristã no seu trabalho e por meio dele, e por ter uma consciência mais viva do carácter de serviço à humanidade que toda a vida cristã deve ter.

A principal missão da Obra - já atrás o afirmei - é, portanto, formar cristãmente os seus membros e outras pessoas que desejem receber essa formação.
O desejo de contribuir para a solução dos problemas que afectam a sociedade e para os quais o ideal cristão representa tanto, leva além disso a que a Obra como tal, como instituição, ou corpo, desenvolva algumas actividades e iniciativas.
O critério, neste campo, é que o Opus Dei, cujos fins são puramente espirituais, só pode realizar, corporativamente, aquelas actividades que constituam, de modo claro e imediato, um serviço cristão, um apostolado.
Seria absurdo pensar que o Opus Dei como tal se pudesse dedicar a extrair carvão das minas ou a promover qualquer género de empresas de tipo económico.
As suas obras próprias são, todas elas, actividades directamente apostólicas: uma escola para a formação de agricultores, um dispensário médico numa zona ou país subdesenvolvida, um colégio para a promoção social da mulher, etc.
Portanto, obras assistenciais, educativas ou de beneficência, como as que costumam realizar, em toda a parte, instituições de qualquer credo religioso.

Para efectuar estas tarefas, conta-se, em primeiro lugar, com o trabalho pessoal dos membros, que, por vezes, a eles se consagram plenamente. Mas conta-se também com a ajuda generosa de muitas pessoas, cristãs ou não cristãs. Alguns sentem-se impulsionados a colaborar por motivos espirituais; outros, ainda que não compartilhem dos fins apostólicos, vêem que se trata de iniciativas em benefício da sociedade, abertas a todos, sem discriminação de raça, religião ou ideologia [ii].

28             

pergunta:

Tendo em consideração que há sócios do Opus Dei nos mais diversos estratos da sociedade e que alguns desses sócios dirigem ou trabalham em empresas ou sociedades de certa importância, poderá pensar-se que o Opus Dei pretenda coordenar essas actividades segundo as directrizes de alguma linha política, económica, etc?

resposta:

De maneira nenhuma.
O Opus Dei não intervém para nada em política; é absolutamente alheio a qualquer tendência, grupo, ou regime político, económico, cultural ou ideológico.
Os seus fins - repito - são exclusivamente espirituais e apostólicos. Apenas exige dos seus membros que vivam como cristãos, que se esforcem por ajustar as suas vidas ao ideal evangélico.
Não se intromete, portanto, de nenhuma maneira nas questões temporais.

Se alguém não entender isto, talvez seja porque não entende a liberdade pessoal, ou por não ser capaz de distinguir entre os fins exclusivamente espirituais para que os sócios da Obra se associam, e o campo vastíssimo das actividades humanas - a economia, a política, a cultura, a arte, a filosofia, etc. - nas quais os sócios do Opus Dei gozam de plena liberdade e trabalham sob a sua própria responsabilidade.

Desde os primeiros contactos com a Obra, todos os sócios conhecem bem a realidade da sua liberdade individual, de modo que, se em qualquer momento algum deles pretendesse fazer pressão sobre os outros impondo as suas opiniões pessoais em matéria política, ou se servisse deles para interesses meramente humanos, os outros rebelar-se-iam e expulsá-lo-iam imediatamente.

O respeito da liberdade dos seus sócios é condição essencial para a própria existência do Opus Dei. Sem isso, a Obra não teria ninguém. Mais ainda: se alguma vez se desse - não sucedeu, não sucede e, com a ajuda de Deus, nunca sucederá - uma intromissão do Opus Dei na política ou em algum outro campo das actividades humanas, o inimigo número um da Obra seria eu próprio.

Entrevista realizada por Peter Forbarth, correspondente de Time (New York), em 15 de Abril de 1967.

(cont)






[i] Mons. Escrivá de Balaguer afirmou repetidamente que o Opus Dei, de facto, não era um Instituto Secular, como também não era uma comum associação de fiéis. Ainda que tenha sido aprovado, em 1947, como Instituto Secular, por ser a solução jurídica menos inadequada para o Opus Dei dentro das normas jurídicas então vigentes na Igreja, Mons. Escrivá de Balaguer pensara, já há muitos anos, que a situação jurídica definitiva do Opus Dei estava entre as estruturas seculares de jurisdição pessoal, como é o caso das Prelaturas pessoais.
[ii] Estas obras corporativas, de carácter claramente apostólico, são promovidas, como acaba de assinalar Mons. Escrivá de Balaguer, pelos membros do Opus Dei juntamente com outras pessoas. A Prelatura do Opus Dei assume exclusivamente a responsabilidade pela orientação doutrinal e espiritual; e nem as empresas proprietárias dessas iniciativas, nem os correspondentes bens móveis ou imóveis pertencem à Prelatura. Os fiéis do Opus Dei que trabalham nessas obras fazem-no com liberdade e responsabilidade pessoais, em plena conformidade com as leis do país, e obtendo das autoridades o mesmo reconhecimento legal que se concede a outras actividades similares dos demais cidadãos.

Temas para meditar - 519

Baptismo



O Baptismo é o meio instituído por Jesus para aplicar a cada alma individual a reparação do pecado original que Ele nos obteve na Cruz.



(leo j. trese, A Fé Explicada, Edições Quadrante, S. Paulo, 4ª Ed., nr. 232)

11/10/2015

NUNC COEPI o que pode ver em 11 de Out

Publicações em Out 11

São Josemaria – Textos

AMA - Comentários ao Evangelho Mc 10 17-27, São Josemaria - Leitura espiritual (Temas actuais do cristianismo)

Suma Teológica - Tratado da Vida de Cristo - Quest 35 - Art 5


Agenda Domingo

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Pequena agenda do cristão

DOMINGO




(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé.

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


A paz de Cristo no reino de Cristo

Um segredo. – Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos. – Deus quer um punhado de homens "seus" em cada actividade humana. – Depois... "Pax Christi in regno Christi" – a paz de Cristo no reino de Cristo. (Caminho, 301)

Esforça-te, se é preciso, por perdoar sempre aos que te ofenderem, desde o primeiro instante, já que, por maior que seja o prejuízo ou a ofensa que te façam, mais te tem perdoado Deus a ti. (Caminho, 452)

Característica evidente de um homem de Deus, de uma mulher de Deus, é a paz na alma: tem "a paz" e dá "a paz" às pessoas com quem convive. (Forja, 649)

Habitua-te a apedrejar com Ave-Marias esses pobres "odientos", como resposta às suas pedradas. (Forja, 650)


Santa Maria é (e assim a invoca a Igreja) a Rainha da paz. Por isso, quando se agitar a tua alma, ou o ambiente familiar ou profissional, a convivência na sociedade ou entre os povos, não cesses de aclamá-la com esse título: "Regina pacis, ora pro nobis!", Rainha da paz, roga por nós! Experimentaste-o alguma vez, quando perdeste a tranquilidade?... Surpreender-te-ás com a sua imediata eficácia. (Sulco, 874)

Tratado da vida de Cristo 41

Questão 35: Da natividade de Cristo

Art. 5 — Se Cristo teve duas filiações.

 O quinto discute-se assim. — Parece que Cristo teve duas filiações.


1. — Pois, a natividade é a causa da filiação. Ora, Cristo teve duas natividades. Logo, também teve duas filiações.

2. Demais. — A filiação que torna alguém filho de tal mãe ou de tal pai, depende de certa maneira do filho, pois, a essência da relação está em referir-se de algum modo a um terceiro; por isso, desaparecido um dos termos da relação, desapareceu também o outro. Ora, a filiação eterna, pela qual Cristo é o Filho de Deus Pai, não depende da mãe, porque nenhum ser eterno depende do temporal. Logo, Cristo não foi filho de sua mãe por filiação eterna. Portanto, ou de nenhum modo foi seu filho, o que colide com o que já foi dito; ou havia de ser filho de Maria por outra filiação temporal. Logo, Cristo teve duas filiações.

3. Demais. — De dois termos relativos, um entra na definição de outro; donde, é claro que um é especificado pelo outro. Ora, um mesmo ser não pode pertencer a espécies diferentes. Logo, é impossível uma mesma relação terminar em extremos absolutamente diversos. Mas, Cristo é, de um lado, Filho do Pai eterno e, de outro, de uma mãe mortal, que são termos absolutamente diversos. Logo, parece que Cristo não pode, pela mesma relação, ser considerado Filho do Pai Eterno e da Virgem Maria. Portanto, Cristo teve duas filiações.

Mas, em contrário, como diz Damasceno, os atributos da natureza multiplicam-se em Cristo, mas não os da pessoa. Ora, a filiação é por excelência um atributo da pessoa, pois, é uma propriedade pessoal, como se colhe do dito na Primeira Parte. Logo, em Cristo há só uma filiação.

Nesta matéria há varias opiniões. - Uns, considerando a causa da filiação, que é a natividade, atribuem a Cristo duas filiações, por lhe atribuírem duas natividades. — Outros porém, considerando o sujeito da filiação, que é a pessoa ou a hipóstase, atribuem a Cristo uma só filiação, assim como uma hipóstase ou pessoa. Ora, a unidade de relação ou a sua pluralidade não se fundam nos termos, mas na causa ou no sujeito. Pois, se se fundassem nos termos, cada homem haveria de ter duas filiações — uma referente ao pai e outra, à mãe. Mas, se bem considerarmos veremos, que pela mesma relação o filho se refere ao pai e à mãe, por causa da unidade causal; pois, pela mesma natividade nasce do pai e da mãe e, portanto, mantém com ambos a mesma relação. É o caso do mestre, que ensina a mesma doutrina a muitos discípulos; e do senhor, que governa diversos súbditos com o mesmo poder. — Mas se as causas forem diversas por diferenças específicas, também por consequência hão de as relações diferir especificamente. Assim, nada impede que caibam ao mesmo sujeito várias atribuições dessa natureza. Tal o caso de quem fosse mestre de gramática para uns e de lógica, para outros, pois, a razão desses dois magistérios não é a mesma; e assim, por diversas relações, um mesmo homem pode ser mestre de pessoas diversas ou ensinar à mesma doutrinas diversas. — Pode porém dar-se que alguém tenha relação com vários, segundo causas diversas, mas da mesma espécie; tal o caso do pai de filhos diversos, mas por actos diversos de geração. Donde, não pode haver paternidades especificamente diversas, onde os actos de geração são especificamente os mesmos. E como várias formas da mesma espécie não podem existir simultaneamente no mesmo sujeito, não é possível ter várias paternidades quem é pai de vários filhos por geração natural. Diferentemente poderia, porém, alguém ser pai por geração natural, de um filho, e de outro por adopção.

Ora, é manifesto que Cristo não nasceu, pela mesma natividade, do Pai e abeterno e, temporalmente, da mãe. Nem foram essas natividades da mesma espécie. E por isso, quanto a esta matéria, devemos atribuir a Cristo duas filiações diversas — uma temporal e outra, eterna. Mas como o sujeito da filiação não é a natureza, ou parte dela, mas só a pessoa ou a hipóstase, e a hipóstase ou a pessoa de Cristo é eterna, ele só pode ter filiação numa hipóstase eterna. E toda relação atribuída a Deus temporalmente, não introduz nenhuma realidade em Deus, em si mesmo eterno, mas é apenas uma relação de razão, como estabelecemos na Primeira Parte. Donde, a relação de filiação que Cristo tem com a sua mãe não pode ser uma relação real, mas só de razão.

Assim, há, de certo modo, verdade em ambas as opiniões. Pois, se atendermos à noção perfeita de filiação, devemos atribuir a Cristo duas filiações, por causa da dualidade das natividades. Mas, se atendermos ao sujeito da filiação, que só pode ser um suposto eterno, em Cristo não pode haver realmente senão uma filiação eterna. — Mas Cristo é considerado filho, relativamente à sua mãe, pela inseparável relação de maternidade que ela tem com Cristo. Assim também Deus é chamado Senhor pela inseparável relação real por que a criatura depende de Deus. E embora a relação de domínio não seja real em Deus, contudo Deus é realmente chamado Senhor, pela dependência real que a ele liga a criatura. E semelhantemente, Cristo é realmente chamado Filho da Virgem mãe, pela relação real de maternidade que ela mantém com Cristo.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — A natividade temporal causaria em Cristo uma filiação temporal real, se ele fosse um sujeito capaz dessa filiação. O que não é possível, pois, um suposto eterno não pode ser susceptível de uma relação temporal, como se disse. — Nem se pode dizer que fosse susceptível de filiação temporal em razão da natureza humana, como o foi, da natividade temporal; porque seria necessário, de certo modo, que a natureza humana pudesse ser sujeito da filiação, assim como de certo modo o foi da natividade; assim, quando dizemos que um Etíope é branco, quanto aos dentes, necessariamente o dente do Etíope é o sujeito da brancura. Ora, a natureza humana não pode de nenhum modo ser sujeito da filiação, porque essa relação respeita directamente à pessoa.

RESPOSTA À SEGUNDA. — A filiação eterna não depende da maternidade no tempo; mas o nosso pensamento atribui a essa filiação eterna, uma relação temporal dependente da mãe, da qual Cristo é chamado filho em virtude de tal relação.

RESPOSTA À TERCEIRA. — A unidade e o ser supõem-se mutuamente, como diz Aristóteles. Ora, pode dar-se que um dos extremos de uma relação seja um ser real e o outro um ser não real, mas só de razão, como no caso de um objecto conhecido e da ciência, como diz o Filósofo. Donde resulta também, que da parte de um extremo, será uma só a relação, e muitas da parte do outro. Assim, entre os homens, os pais dão lugar a uma dupla relação - a de paternidade e a de maternidade, especificamente diferentes, pois embora sejam ambos princípios da geração, o pai o é por uma relação e a mãe, por outra. Mas se muitos sujeitos fossem, pela mesma razão, o princípio de uma acção, por exemplo, no caso de muitos que tiram um banco, todos seriam o fundamento de uma só e mesma relação. Quanto ao filho, há na realidade só uma filiação; mas dupla, quanto ao seu conceito racional, enquanto correspondente às relações paterna e materna, conforme o duplo respeito da razão. E assim também há em Cristo, de certo modo, só uma filiação real, relativa ao Pai eterno; mas ele é também o fundamento de uma relação temporal, pelo que respeita a sua mãe, no tempo.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.