04/04/2015

Meditação em Sábado Santo

Sábado Santo



Nesta manhã de Sábado Santo, neste ambiente recolhido, venho fazer-te um pouco de companhia.

Não venho velar o Teu Corpo sepulto mas acompanhar-te, se mo permitires, nos Teus "trabalhos" de hoje.

Vou contigo aos “Infernos” e constatar a suprema alegria das almas quando lhes comunicas que, a partir de agora, o Reino Eterno de Deus está definitivamente aberto e que, mais logo, na primeira hora do terceiro dia da Tua morte na Cruz, as virás buscar para as levares à presença da Santíssima Trindade para o gozo eterno.

Depois transportado pela esteira luminosa da Tua fulgurante “viagem” ver todos os locais da terra onde existem homens de boa vontade que aguardam com alegre e serena expectativa a Tua Ressurreição salvadora e Redentora.

É preciso que se cumpram as Escrituras mas esta expectativa custa a “aguentar”.

Queria ver-te, já ressuscitado, glorioso e vitorioso para me agarrar a Ti e não mais Te largar.

Nunca, como agora, me soam expectantes as palavras:

«Vinde Senhor Jesus»!

Sim, vem de forma definitiva para o pé de mim que, só na Tua companhia posso verdadeiramente ter vida.

O Teu Santíssimo Corpo que ontem ajudei a sepultar, depois de lavado e perfumado, aguarda o regresso do Teu Espírito, para Se apresentar ao mundo de que és Rei, aos homens que salvaste e redimiste, a mim para que Te diga com todas as forças da minha alma:

Meu Senhor e meu Deus.

Ámen.

(ama, meditação em Sábado Santo, Convento em Monte Real, 2010.04.03)




03/04/2015

Evangelho, comentário e meditação

Sexta-Feira da Paixão do Senhor



Evangelho: Jo 18 1 19-42

1 Tendo Jesus dito estas palavras, saiu com os Seus discípulos para o outro lado da torrente do Cédron, onde havia um horto, em que entrou com os Seus discípulos. 2 Ora Judas, o traidor, conhecia bem este lugar, porque Jesus tinha ido lá muitas vezes com os Seus discípulos. 3 Tendo, pois, Judas tomado a coorte e guardas fornecidos pelos pontífices e fariseus, foi lá com lanternas, archotes e armas. 4 Jesus, que sabia tudo que estava para Lhe acontecer, adiantou-Se e disse-lhes: «A quem buscais?». 5 Responderam-Lhe: «A Jesus de Nazaré». Jesus disse-lhes: «Sou Eu». Judas, que O entregava, estava lá com eles. 6 Quando, pois, Jesus lhes disse: «Sou Eu», recuaram e caíram por terra. 7 Perguntou-lhes novamente: «A quem buscais?». Eles disseram: «A Jesus de Nazaré». 8 Jesus respondeu: «Já vos disse que sou Eu; se é, pois, a Mim que buscais, deixai ir estes». 9 Deste modo se cumpriu a palavra que tinha dito: «Não perdi nenhum dos que Me deste». 10 Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu um servo do Sumo-sacerdote, tendo-lhe cortado a orelha direita. Este servo chamava-se Malco. 11 Porém, Jesus disse a Pedro: «Mete a tua espada na bainha. Não hei-de beber o cálice que o Pai Me deu?». 12 Então, a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e O manietaram. 13 Primeiramente levaram-n'O a casa de Anás, por ser sogro de Caifás, que era o Sumo Sacerdote daquele ano. 14 Caifás era aquele que tinha dado aos judeus este conselho: «Convém que um só homem morra pelo povo». 15 Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Este discípulo, que era conhecido do pontífice, entrou com Jesus no pátio do pontífice. 16 Pedro ficou de fora, à porta. Saiu então o outro discípulo que era conhecido do Sumo Sacerdote, falou à porteira e fez entrar Pedro. 17 Então a porteira disse a Pedro: «Não és tu também dos discípulos deste homem?». Ele respondeu: «Não sou». 18 Os servos e os guardas acenderam uma fogueira e aqueciam-se ao lume, porque estava frio. Pedro encontrava-se também entre eles e aquecia-se. 19 Entretanto, o pontífice interrogou Jesus sobre os Seus discípulos e sobre a Sua doutrina.20 Jesus respondeu-lhe: «Eu falei publicamente ao mundo; ensinei sempre na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem; nada disse em segredo.21 Porque Me interrogas? Interroga aqueles que ouviram o que Eu falei; eles sabem o que disse». 22 Tendo dito isto, um dos guardas que estavam presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: «Assim respondes ao Sumo-sacerdote?». 23 Jesus respondeu-lhe: «Se falei mal, mostra o que disse de mal; se falei bem, porque Me bates?». 24 Anás enviou-O manietado ao Sumo-sacerdote Caifás. 25 Estava lá Simão Pedro aquecendo-se. Disseram-lhe: «Não és tu também dos Seus discípulos?». Ele negou e respondeu: «Não sou». 26 Disse-lhe um dos servos do Sumo-sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: «Não te vi eu com Ele no horto?». 27 Pedro negou outra vez, e imediatamente o galo cantou. 28 Levaram então Jesus da casa de Caifás ao Pretório. Era de manhã. Não entraram no Pretório para não se contaminarem, e poderem comer a Páscoa. 29 Pilatos, pois, saiu fora para lhes falar, e disse: «Que acusação apresentais contra este homem?». 30 Responderam: «Se não fosse um malfeitor não O entregaríamos nas tuas mãos». 31 Pilatos disse-lhes então: «Tomai-O e julgai-O segundo a vossa Lei». Mas os judeus disseram-lhe: «Não nos é permitido matar ninguém». 32 Para se cumprir a palavra que Jesus dissera, significando de que morte havia de morrer. 33 Tornou, pois, Pilatos a entrar no Pretório, chamou Jesus e disse-Lhe: «Tu és o rei dos judeus?». 34 Jesus respondeu: «Tu dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de Mim?». 35 Pilatos respondeu: «Porventura sou judeu? A Tua nação e os pontífices é que Te entregaram nas minhas mãos. Que fizeste Tu?». 36 Jesus respondeu: «O Meu reino não é deste mundo; se o Meu reino fosse deste mundo, certamente os Meus ministros se haviam de esforçar para que Eu não fosse entregue aos judeus; mas o Meu reino não é daqui». 37 Pilatos disse-Lhe então: «Portanto, Tu és rei?». Jesus respondeu: «Tu o dizes, sou rei. Nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade; todo aquele que está na verdade ouve a Minha voz». 38 Pilatos disse-Lhe: «O que é a verdade?». Dito isto, tornou a sair para ir ter com os judeus e disse-lhes: «Não encontro n'Ele motivo algum de condenação. 39 Ora é costume que eu, pela Páscoa, vos solte um prisioneiro; quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus?». 40 Então gritaram todos novamente: «Este não, mas Barrabás!». Ora Barrabás era um assassino.

Comentário:

Onde me detenho?

Em que medito?

A traição de Judas beijando Jesus!

A negação de Pedro com juramento?

A bofetada do servente, sem nenhuma justificação?

A possibilidade de Pilatos ter ficado para ouvir a resposta de Jesus à sua pergunta: o que é a verdade?

(Na história da humanidade, ficará para sempre registada esta atitude do Pretor romano. Não quer ouvir a resposta de Jesus. Intimamente sabe que, se a ouvisse, completa e esclarecedora, como não podia deixar de ser, vinda do Salvador, ela transformaria por completo a sua atitude perante o que se estava a passar no seu tribunal e, efectivamente, o que desejava era acabar rapidamente com um processo que, intrigando-o sobremaneira, não sabia como resolver. Em suma, não quis saber com clareza os fundamentos da justiça que lhe competia administrar.)

Mas, o Senhor, afirma a Pilatos que, a sua culpa, é menor que a de quem O entregou.

E quem O entregou?

Aqui, para mim, reside o mistério por esclarecer.

Modestamente creio que o Senhor não se referia a ninguém em especial; nem a Judas nem aos Príncipes dos sacerdotes, nem aos Escribas.
Não!
O Mestre referia-se a toda a humanidade passada, presente e futura porque, na verdade, era por causa dela que ali estava.
Humanidade da qual faço parte, portanto, em última análise, o Senhor estava ali por minha causa.

Ó meu Senhor bendito! Ajuda-me a ser merecedor do Teu sacrifício e, enquanto não To digo, face a face, aceita o meu coração humilhado e contrito por tantas faltas e omissões e a minha firme disposição de não Te ofender mais.

(ama, meditação sobre Jo 18, 1-40; 19, 1-42 2011 6ª Feira Santa)

Meditação

Sexta-feira Santa está a chegar ao fim.

O Teu corpo amortalhado descansa no sepulcro emprestado por José.

No Cenáculo onde se reuniram todos com Tua Mãe, não obstante o cansaço, o esgotamento que quase vinte e quatro horas de acontecimentos violentos, incompreensíveis, de indizível sofrimento, amargura e espanto, provocaram, não se consegue dormir.

Não há lágrimas, nem queixumes. Em pequenos grupos vão falando em voz baixa sobre o que aconteceu.

Alguém trouxe notícia do fim trágico de Judas e, também aqui, ninguém faz um comentário.
Parece uma coisa menor sem relevo naquele momento.

«Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem», estas palavras do Mestre pronunciadas do alto da Cruz dão-lhes a certeza que não devem pensar em possíveis vinganças ou retaliações mas, na verdade, estavam confusos, atordoados sem saber o que pensar.

Aos poucos o cansaço vence-os e começam a adormecer enrodilhados pelo chão.
Amanhã terão um dia inteiro para pensar no que irão fazer.

(ama, meditação em Sexta-Feira Santa, Carvide, 2010.04.01)


Já é Sexta-Feira porque às quatro horas que começou este grande dia da misteriosa e dramática Paixão do Senhor.

Aqui, junto do “Monumento” que guarda o Teu Sacratíssimo Corpo nas espécies consagradas na Missa Solene de Quinta-Feira, abismo-me sem grande esforço para “recuperar”, confesso, da extraordinária Celebração.

O Teu Corpo!

E, no entanto, eu, que não O vejo, sinto-o presente, amoroso e disponível para me ouvir.

Ah! Apetecia-me discorrer sobre o que se está a passar, o julgamento do Sinédrio como uma grotesca farsa com péssimos actores.

Mas... não o faço porque cairia, não tenho dúvidas, no repúdio fácil e na fanfarronice: se eu estivesse lá!...

Se lá estivesse, muito provavelmente, teria afirmado - talvez jurado - aquele... Cristo!? Não sei quem é! Não o conheço!
Assim, no abrigo deste recanto santificado pela Tua presença, estou tranquilo e muito disposto a afirmar que sei, muito bem, Quem És, o que És!

E, no entanto, dou-me conta que, para estar aqui, muitos... muitíssimos tiveram de dar a vida para que tal seja possível.
E que, muitíssimos outros não podem, não lhes é permitido, velar nesta noite santa da Tua Paixão.

E sinto-me extraordinariamente grato a todos os que ao longo dos tempos até hoje, têm perseverado e guardado a fé não poucas vezes alimentando com o próprio sangue estes corações que Te amam, que esperam e Te adoram nos quais, por extraordinária bondade Tua, me incluo.

Adoro-te com toda a minha alma, amo-te com todo o meu coração e espero, de Ti, a salvação eterna.
Ámen.

(ama, Oratório no CUB, 6ª Feira-Santa, 2012)




02/04/2015

2015.04.02








O que pode ver hoje em NUNC COEPI




Evangelho, coment. meditação. - AMA - Comentários ao Evangelho Jo 13 1-15


Reflectindo - 65 - AMA - Reflectindo – Felicidade, são joão paulo ii

Evangelho, coment. meditações.

Quinta-Feira Santa

Evangelho: Jo 13 1-15

1 Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a Sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao extremo. 2 Durante a ceia, tendo já o demónio posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a determinação de O entregar, 3 Jesus, sabendo que o Pai tinha posto nas Suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e voltava para Deus, 4 levantou-Se da mesa, depôs as vestes e, pegando numa toalha, cingiu-Se com ela. 5 Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. 6 Chegou, pois, a Simão Pedro. Pedro disse-Lhe: «Senhor, Tu lavares-Me os pés?». 7 Jesus respondeu-lhe: «O que Eu faço, tu não o compreendes agora, mas compreendê-lo-ás depois». 8 Pedro disse-Lhe: «Jamais me lavarás os pés!». Jesus respondeu-lhe: «Se Eu não te lavar não terás parte comigo». 9 Simão Pedro disse-Lhe: «Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». 10 Jesus disse-lhe: «Aquele que tomou banho não tem necessidade de se lavar, pois todo ele está limpo. Vós estais limpos, mas não todos». 11 Ele sabia quem era o que O ia entregar, por isso disse: «Nem todos estais limpos». 12 Depois que lhes lavou os pés e que retomou as Suas vestes, tendo tornado a pôr-Se à mesa disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? 13 Chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem porque o sou. 14 Se Eu, pois, sendo vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15 Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, assim façais vós também.

Comentário:

Aqui se nos apresenta pela pena de São João a extraordinária Ceia de despedida.

Paulo VI escreveu uma das mais belas e profundas homilias sobre este acontecimento que jamais se apagaria da memória da humanidade.

De facto diariamente por todo o mundo se repete inúmeras vezes quando o Sacerdote  personificando Cristo celebra a Santa Missa que não é outra coisa que o memorial dessa primeira Missa celebrada por Jesus Cristo na noite de Quinta-Feira Santa.

(ama, comentário sobre Jo 13, 1-15, 2014.04.17)

Meditação



Quero, nesta noite santa, enquanto velo junto do Sacrário onde depois da Missa, foste depositado, manifestar-te o meu amor.

Por esta hora já teriam deixado de Te atormentar com perguntas capciosas, faltas de respeito, insinuações torpes, e, até violências físicas.

Estás extenuado, com sono, cheio de dores, mal-estar.

A agonia no Horto deixou-te prostrado.

Assististe á precipitada fuga dos Teus amigos, ouviras a voz de Pedro que, no pátio, jurara não Te conhecer...

Estás abandonado de todos, rodeado de soldadesca e serventes que não Te tratam com o menor respeito ou consideração.

Por isso, estou aqui, nesta hora da madrugada, para Te fazer companhia, conversar contigo, contar-te as minhas coisas, o que se passa comigo, como me dói a alma por Te ver assim.

Eu não posso nada, Senhor, bem o sabes e queria poder muito para voltar atrás na minha vida e apagar todas as minhas faltas, traições e abandonos que pratiquei.

Graças a Ti, apresento-me aqui, ao pé do Sacrário com a alma limpa e a consciência em paz.

Sim, graças a Ti porque na Tua infinita misericórdia perdoaste todas as minhas faltas e me restituíste a minha dignidade de filho de Deus.

Esta a maior graça que poderias dar-me: o permitires que regresse ao Teu convívio e usufrua dos dons, bens e graças que tão amorosamente derramas sobre mim.

Meu Querido Amigo, como me conforta chamar-te assim:

Querido Amigo!

Que nunca Te abandone, que jamais Te deixe.

Tu és o CAMINHO que quero andar, a VERDADE que me importa conhecer, a VIDA que desejo viver.
Ámen.

(ama, Oratório no CUB, 2010.04.01, Vigília de Quinta-feira Santa)


Não sei se compreendemos bem o que o Senhor fez!

Como esperar do Rei uma atitude de servo?

Do Mestre um comportamento de discípulo?

Estamos sempre tão revestidos da nossa importância, tão convencidos da sabedoria que julgamos ter.


Servir e servir humildemente é, sem a menor dúvida, o mais excelente acto de senhorio, de grandeza.


Nunca valemos nada pelo que somos mas pelo que fazemos.


(ama, comentário sobre Jo 13, 1-15, 2013.03.28)

Jesus Cristo não nos manda fazer nada que, Ele próprio, não tenha feito primeiro.

Manda-nos servir e foi servo!
Manda-nos ser humildes e foi humilíssimo!
Manda-nos amar e amou-nos até ao fim!

O exemplo vem sempre “de cima” e, quem manda ou aconselha tem necessariamente que praticar o que ordena e fazer o que propõe.

(ama, comentário sobre Jo 13, 1-15, 2013.02.19) 

Também a mim me lavas os pés, Senhor? Sim, porque eu quero estar limpo como quando nasci. Será possível?
Vejo neste Teu gesto amoroso que sim, que posso, também eu, não obstante a enorme sujidade que fui acumulando ao longo da vida, ficar limpo, imaculado porque, a Tua água lava de facto qualquer mancha. Não tens feito outra coisa ao longo dos tempos senão lavar-me dos meus pecados e numerosas faltas.
Senhor, que eu não deixe de procurar, sempre, esse Teu gesto de supremo amor, com sinceridade e verdade absolutas, não deixando nada por mostrar, por Te mostrar. Eu sei que, Tu, sabes tudo, mas nem por isso quero deixar de to dizer, contrito, pesaroso do mal feito, mas sinceramente convencido que, este Teu gesto, me limpa e purifica e torna digno de ser teu filho.


(ama, meditação sobre Jo13, 1-15, 2009.04.01)


Reflectindo - 65

Sobre a felicidade 7

O que pode inibir a felicidade:

1 - O vício, adição ou dependência:

Qualquer vício ou adição trava de forma mais ou menos grave e duradoura a felicidade pessoal pelo simples facto de a própria liberdade pessoal estar gravemente afectada.
As opções de vida, ou melhor, da forma como se vive, estando condicionadas por uma dependência qualquer, impedem que se atinja a felicidade pessoal. Dizendo de outra forma, só se pode ser feliz se existir liberdade pessoal autêntica, total, sem reservas na própria idiossincrasia.
Logo, parece lógico, que a primeira coisa a fazer, é eliminar eficazmente essa dependência que pode até nem ser grave ou mesmo séria, mas que representa, sempre, uma fraqueza da vontade, quando não do carácter.
A pessoa reconhecendo o seu problema, quer resolvê-lo e, enquanto o não consegue, não pode ser feliz.
Quem diz que é feliz mesmo reconhecendo uma fraqueza pessoal não sabe, de facto, como o seria se não a tivesse.

(cont.)

(AMA, Reflexões, 2013)


01/04/2015

Evangelho, coment. L Espiritual (Teresa de Calcutá)

Quarta-Feira Santa


Evangelho: Mt 26 14-25

14 Então um dos doze, que se chamava Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes, 15 e disse-lhes: «Que me quereis dar e eu vo-l'O entregarei?». Eles prometeram-lhe trinta moedas de prata.16 E desde então buscava oportunidade para O entregar. 17 No primeiro dia dos ázimos, aproximaram-se de Jesus os discípulos, dizendo: «Onde queres que Te preparemos o que é necessário para comer a Páscoa?». 18 Jesus disse-lhes: «Ide à cidade, a casa de um tal, e dizei-lhe: “O Mestre manda dizer: O Meu tempo está próximo, quero celebrar a Páscoa em tua casa com os Meus discípulos”». 19 Os discípulos fizeram como Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. 20 Ao entardecer, pôs-se Jesus à mesa com os doze. 21 Enquanto comiam, disse-lhes: «Em verdade vos digo que um de vós Me há-de 22 Eles, muito tristes, cada um começou a dizer: «Porventura sou eu, Senhor?» 23 Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse é que Me há-de trair. 24 O Filho do Homem vai certamente, como está escrito d'Ele, mas ai daquele homem por quem será entregue o Filho do Homem! Melhor fora a tal homem não ter nascido». 25 Judas, o traidor, tomou a palavra e disse: «Porventura, sou eu, Mestre?». Jesus respondeu-lhe: «Tu o disseste».


Comentário:

A traição de Judas é um dos mais tristes e ao mesmo tempo misteriosos de toda a Paixão do Senhor.

Sim... no momento em que tomou a sua triste decisão Judas deu início ao processo que levaria Cristo à Cruz.

Pela sua reacção posterior percebemos que estava longe de imaginar o resultado do seu acto.

Poder-se-á pensar que não sabia o que fazia?

Este é de facto um mistério que deve levar-nos a pensar que nós, homens, somos débeis e fracos e que somos capazes de cometer os actos mais reprováveis quando confiamos apenas em nós próprios e nas nossas convicções ou critérios.


(ama, comentário sobre MT 26, 14-25, 2014.04.16)

Leitura espiritual


Jesus crucificado
fala com a Madre Teresa de Calcutá

Reflexão da beata Madre Teresa de Calcutá sobre as palavras de Jesus crucificado que ela escutou no fundo do seu coração no dia 10 de Setembro de 1946 e que a levaram à dedicação a Deus e aos mais necessitados, que caracterizou o resto da sua vida:

É verdade.
Estou à porta do seu coração, de dia e de noite.
Ainda quando não está escutando, ainda quando duvida que possa ser Eu, aqui estou, esperando o mais mínimo sinal que me permita entrar.

Quero que saia que, cada vez que Me convida, Eu venho, sempre, sem falta. Venho em silêncio e invisível, mas com um poder e um amor infinitos, trazendo os muitos dons do meu Espírito.

Venho com a minha misericórdia, com o meu desejo de perdoá-la e curá-la, com um amor que vai além da sua compreensão.
Um amor em cada detalhe, tão grande como o amor que recebi do Meu Pai.

Venho desejando consolá-la e dar-lhe forças, levantá-la e curar todas as suas feridas.
Trago a Minha luz, para dissipar sua escuridão e todas as suas dúvidas. Venho com o Meu poder, que Me permite carregá-la; com Minha graça, para tocar o seu coração e transformar a sua vida.
Venho com a minha paz, para tranquilizar a sua alma.

Eu conheço-a como a palma da minha mão, sei tudo sobre si, contei até os cabelos da sua cabeça.
Não há nada na sua vida que não tenha importância para Mim.
Eu acompanhei-a ao longo dos anos e sempre a amei, até nos seus extravios. Conheço cada um dos seus problemas.
Conheço as suas necessidades e as suas preocupações e, sim, conheço todos os seus pecados.

Mas quero dizer-lhe novamente que a amo, não pelo que fez ou deixou de fazer.
Eu amo-a por si mesma, pela beleza e pela dignidade que Meu Pai lhe deu ao criá-la à Sua própria imagem.

É uma dignidade que muitas vezes esqueceu, uma beleza que está ofuscada pelo pecado.
Mas eu amo-a como é que derramei meu sangue para resgatá-la. Basta pedir com fé, que a minha graça tocará tudo o que precisa ser mudado na sua vida:

Eu lhe darei a força para livrar-se do pecado e de todo o seu poder destruidor.

Sei o que existe no seu coração, conheço a sua solidão e todas as suas feridas, as rejeições, as humilhações, pois carreguei tudo isso antes de si.
E carreguei tudo por si, para que pudesse compartilhar a Minha força e a Minha vitória.
Conheço sobretudo a sua necessidade de amor, sei como está sedenta de amor e de ternura.

Tem sede de amor?
Eu a saciarei e a preencherei.

Tem sede de ser amada?
Eu a amo mais do que pode imaginar... a ponto de morrer por si na cruz.

Tenho sede de si.

Sim, esta é a única maneira como posso descrever o Meu amor: tenho sede de si;
Tenho sede de amá-la e de que me ame.

Venha a mim e eu preencherei o seu coração, curarei as suas feridas.
Farei de si uma nova criatura e lhe darei paz, mesmo nas provações.

Tenho sede de si.

Nunca pode duvidar da Minha misericórdia, do Meu desejo de lhe perdoar, do Meu anseio por abençoá-la e viver a Minha vida em si, e de que a aceito sem importar o que fez.

Tenho sede de si.
Se se sente desvalorizada aos olhos do mundo, não importa.
Ninguém se interessa mais por si do que Eu.

Tenho sede de si.

Abra-se e venha a mim, tenha sede de mim, dê-me a sua vida.
Eu lhe darei provas de quão valiosa é para o Meu coração.

Não percebe que o meu Pai já tem um plano perfeito para transformar a sua vida a partir deste momento?

Confie em Mim.

Peça-me todos os dias que eu entre e que me encarregue da sua vida, e eu o farei.
Prometo diante do meu Pai no céu que farei milagres na sua vida.

Por que eu faria isso?

Porque tenho sede de você.

A única coisa que lhe peço é que confie completamente em mim.
Eu farei todo o resto.
Desde agora, já vejo o lugar que o meu Pai lhe preparou no Meu Reino.

Lembre-se de que é peregrina nesta vida.
O pecado nunca poderá satisfazê-la nem dar-lhe a paz pela qual anseia.

Tudo o que procurou fora de Mim só a deixou mais vazia.
Então, não se prenda às coisas deste mundo, mas, sobretudo, não se afaste de Mim quando cair.
Venha a Mim sem demora, porque, quando me dá os seus pecados, também me dá a alegria de ser seu Salvador.

Não há nada que Eu não possa perdoar e curar, então venha agora e descarregue sua alma.

Não importa o quanto andou sem rumo, não importa quantas vezes Me esqueceu, não importa quantas cruzes carrega nesta vida; há algo que quero que recorde sempre, e que nunca mudará:
tenho sede de si, assim como é.

Não precisa de mudar nada para acreditar no Meu amor; a sua confiança nesse amor a fará mudar.

Esquece-se de Mim e, no entanto, eu procuro-a em cada momento do dia e estou à porta do seu coração, chamando.

É difícil de acreditar nisso?

Então, veja a cruz, olhe para o Meu coração que foi atravessado por amor a si.

Não compreendeu a Minha cruz?
Escute novamente as palavras que disse nela, pois dizem-lhe claramente por que suportei tudo isso por si: «Tenho sede» [1].

Sim, tenho sede de si.

Durante toda a sua vida, desejei o seu amor.
Nunca deixei de buscá-lo e de ansiar pela sua correspondência.
Experimentou muitas outras coisas, na sua busca para ser feliz.

Por que não tenta agora abrir-me o seu coração, agora mesmo, mais do que antes?

Quando finalmente abrir a porta do seu coração e se aproximar o suficiente, então Me ouvirá dizer uma e outra vez, não em meras palavras humanas, mas em espírito:

não importa o que fez, eu a amo por si mesma.

Venha a Mim com a sua miséria e os seus pecados, com os seus problemas e necessidades, com toda a sua vontade de ser amada.

Estou à porta do seu coração e chamo. Abra-me, porque tenho sede de si.

Fonte: Oleada Joven

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[1] Jo 19, 28

31/03/2015

2015.03.31








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