26/03/2015

2015.03.26








O que pode ver hoje em NUNC COEPI




Vai perseverantemente ao Sacrário - São Josemaria – Textos

Evangelho, com., Leit.espiritual (Evangelli Gaudium) - AMA - Comentários ao Evangelho Jo 8 51 - -59, Leit. Espiritual - Exort. Apost. Evangelii gaudium (Papa Francisco)

Reflectindo - 64AMA - Reflectindo – Felicidade

Temas para meditar 404 - A Paixão do Senhor (Luis de la Palma), Amizade, Luis de la Palma


Pequena agenda do cristão - Agenda Quinta-Feira

Vai perseverantemente ao Sacrário

Vai perseverantemente ao Sacrário, fisicamente ou com o coração, para te sentires seguro, para te sentires sereno: mas também para te sentires amado... e para amar! (Forja, 837)

Copio umas palavras de um sacerdote, dirigidas aos que o seguiam no seu empreendimento apostólico: "Quando contemplardes a Sagrada Hóstia exposta na custódia sobre o altar, olhai que amor, que ternura a de Cristo. Explico-o pelo amor que vos tenho; se pudesse estar longe trabalhando e, ao mesmo tempo, junto de cada um de vós, com que gosto o faria!

Mas Cristo, Ele sim, pode fazê-lo! E Ele, que nos ama com um amor infinitamente superior ao que podem albergar todos os corações da Terra, ficou para que possamos unir-nos sempre à sua Humanidade Santíssima e para nos ajudar, para nos consolar, para nos fortalecer, para que sejamos fiéis". (Forja, 838)

As manifestações externas de amor devem nascer do coração e prolongar-se com o testemunho da conduta cristã. Se fomos renovados com a recepção do Corpo do Senhor, temos de o manifestar com obras. Que os nossos pensamentos sejam sinceros: de paz, de entrega, de serviço. Que as nossas palavras sejam verdadeiras, claras, oportunas; que saibam consolar e ajudar, que saibam sobretudo levar aos outros a luz de Deus. Que as nossas acções sejam coerentes, eficazes, acertadas: que tenham esse bonus odor Christi , o bom odor de Cristo, por recordarem o seu modo de Se comportar e de viver. (Cristo que passa, 156)

Evangelho, com., Leit.espiritual (Evangelli Gaudium)

Tempo de Quaresma V Semana


Evangelho: Jo 8 51-59

51 Em verdade, em verdade vos digo: Quem guardar a Minha palavra não verá a morte eternamente». 52 Os judeus disseram-Lhe: «Agora reconhecemos que estás possesso do demónio. Abraão morreu, os profetas também, e Tu dizes: Quem guardar a Minha palavra não provará a morte eternamente. 53 Porventura és maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? Os profetas também morreram: Quem pretendes Tu ser?». 54 Jesus respondeu: «Se Eu Me glorifico a Mim mesmo, a Minha glória não é nada; Meu Pai é que Me glorifica, Aquele que vós dizeis que é vosso Deus. 55 Mas vós não O conhecestes; Eu sim, conheço-O; e, se disser que não O conheço, seria mentiroso como vós. Mas conheço-O e guardo a Sua palavra.56 Abraão, vosso pai, regozijou-se com a esperança de ver o Meu dia; viu-o e ficou cheio de gozo». 57 Os judeus, por isso, disseram-Lhe: «Tu ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?». 58 Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Antes que Abraão existisse, “Eu sou”». 59 Então pegaram em pedras para Lhe atirarem; mas Jesus ocultou-Se e saiu do templo.

Comentário:

Jesus Cristo repete exactamente as mesmas palavras com que Deus Se identificou a Moisés no episódio da “Sarça-ardente”: Eu Sou!

Uma observação atenta levará a concluir que de forma iniludível confirma que é Deus, o mesmo que lhes fala agora e O que falou a Moisés.

Um detalhe significativo conclui este trecho de São João: «Então pegaram em pedras para Lhe atirarem; mas Jesus ocultou-Se e saiu do templo» o que quer dizer sem qualquer margem de dúvida que Jesus Cristo só Se deixa ver quando quer ou, ainda, que a Sua vontade é soberana sobre todas as coisas e sobre qualquer pessoa.

(ama, comentário sobre Jo 8, 51-59, 2014.04.10)

Leitura espiritual

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA EVANGELII GAUDIUM
DO SANTO PADRE FRANCISCO
AO EPISCOPADO, AO CLERO ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E AOS FIÉIS LEIGOS SOBRE O ANÚNCIO DO EVANGELHO NO MUNDO ACTUAL

I. Motivações para um renovado impulso missionário

262. Evangelizadores com espírito, quer dizer evangelizadores que rezam e trabalham.
Do ponto de vista da evangelização, não servem as propostas místicas desprovidas de um vigoroso compromisso social e missionário, nem os discursos e acções sociais e pastorais sem uma espiritualidade que transforme o coração.
Estas propostas parciais e desagregadoras alcançam só pequenos grupos e não têm força de ampla penetração, porque mutilam o Evangelho.
É preciso cultivar sempre um espaço interior que dê sentido cristão ao compromisso e à actividade.[i]

Sem momentos prolongados de adoração, de encontro orante com a Palavra, de diálogo sincero com o Senhor, as tarefas facilmente se esvaziam de significado, quebrantamo-nos com o cansaço e as dificuldades, e o ardor apaga-se.

A Igreja não pode dispensar o pulmão da oração, e alegra-me imenso que se multipliquem, em todas as instituições eclesiais, os grupos de oração, de intercessão, de leitura orante da Palavra, as adorações perpétuas da Eucaristia.
Ao mesmo tempo, «há que rejeitar a tentação duma espiritualidade intimista e individualista, que dificilmente se coaduna com as exigências da caridade, com a lógica da encarnação».[ii]

Há o risco de que alguns momentos de oração se tornem uma desculpa para evitar de dedicar a vida à missão, porque a privatização do estilo de vida pode levar os cristãos a refugiarem-se nalguma falsa espiritualidade.

263. É salutar recordar-se dos primeiros cristãos e de tantos irmãos ao longo da história que se mantiveram transbordantes de alegria, cheios de coragem, incansáveis no anúncio e capazes de uma grande resistência activa.
Há quem se console, dizendo que hoje é mais difícil; temos, porém, de reconhecer que o contexto do Império Romano não era favorável ao anúncio do Evangelho, nem à luta pela justiça, nem à defesa da dignidade humana.
Em cada momento da história, estão presentes a fraqueza humana, a busca doentia de si mesmo, a comodidade egoísta e, enfim, a concupiscência que nos ameaça a todos.
Isto está sempre presente, sob uma roupagem ou outra; deriva mais da limitação humana que das circunstâncias.
Por isso, não digamos que hoje é mais difícil; é diferente.
Em vez disso, aprendamos com os Santos que nos precederam e enfrentaram as dificuldades próprias do seu tempo.
Com esta finalidade, proponho-vos que nos detenhamos a recuperar algumas motivações que nos ajudem a imitá-los nos nossos dias.[iii]

O encontro pessoal com o amor de Jesus que nos salva

264. A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais.

Com efeito, um amor que não sentisse a necessidade de falar da pessoa amada, de a apresentar, de a tornar conhecida, que amor seria?
Se não sentimos o desejo intenso de comunicar Jesus, precisamos de nos deter em oração para Lhe pedir que volte a cativar-nos.
Precisamos de o implorar cada dia, pedir a sua graça para que abra o nosso coração frio e sacuda a nossa vida tíbia e superficial.
Colocados diante d’Ele com o coração aberto, deixando que Ele nos olhe, reconhecemos aquele olhar de amor que descobriu Natanael no dia em que Jesus Se fez presente e lhe disse: «Eu vi-te, quando estavas debaixo da figueira!»[iv].

Como é doce permanecer diante dum crucifixo ou de joelhos diante do Santíssimo Sacramento, e fazê-lo simplesmente para estar à frente dos seus olhos!

Como nos faz bem deixar que Ele volte a tocar a nossa vida e nos envie para comunicar a sua vida nova!

Sucede então que, em última análise, «o que nós vimos e ouvimos, isso anunciamos»[v].
A melhor motivação para se decidir a comunicar o Evangelho é contemplá-lo com amor, é deter-se nas suas páginas e lê-lo com o coração.
Se o abordamos desta maneira, a sua beleza deslumbra-nos, volta a cativar-nos vezes sem conta.
Por isso, é urgente recuperar um espírito contemplativo, que nos permita redescobrir, cada dia, que somos depositários dum bem que humaniza, que ajuda a levar uma vida nova.
Não há nada de melhor para transmitir aos outros.

265. Toda a vida de Jesus, a sua forma de tratar os pobres, os seus gestos, a sua coerência, a sua generosidade simples e quotidiana e, finalmente, a sua total dedicação, tudo é precioso e fala à nossa vida pessoal.
Todas as vezes que alguém volta a descobri-lo, convence-se de que é isso mesmo o que os outros precisam, embora não o saibam: «Aquele que venerais sem O conhecer, é Esse que eu vos anuncio»[vi].

Às vezes perdemos o entusiasmo pela missão, porque esquecemos que o Evangelho dá resposta às necessidades mais profundas das pessoas, porque todos fomos criados para aquilo que o Evangelho nos propõe: a amizade com Jesus e o amor fraterno.
Quando se consegue exprimir, de forma adequada e bela, o conteúdo essencial do Evangelho, de certeza que essa mensagem fala aos anseios mais profundos do coração: «O missionário está convencido de que existe já, nas pessoas e nos povos, pela acção do Espírito, uma ânsia – mesmo se inconsciente – de conhecer a verdade acerca de Deus, do homem, do caminho que conduz à liberação do pecado e da morte.

O entusiasmo posto no anúncio de Cristo deriva da convicção de responder a tal ânsia».[vii]

O entusiasmo na evangelização funda-se nesta convicção.
Temos à disposição um tesouro de vida e de amor que não pode enganar, a mensagem que não pode manipular nem desiludir.
É uma resposta que desce ao mais fundo do ser humano e pode sustentá-lo e elevá-lo.
É a verdade que não passa de moda, porque é capaz de penetrar onde nada mais pode chegar.
A nossa tristeza infinita só se cura com um amor infinito.

266. Esta convicção, porém, é sustentada com a experiência pessoal, constantemente renovada, de saborear a sua amizade e a sua mensagem.

Não se pode perseverar numa evangelização cheia de ardor, se não se está convencido, por experiência própria, que não é a mesma coisa ter conhecido Jesus ou não O conhecer, não é a mesma coisa caminhar com Ele ou caminhar tacteando, não é a mesma coisa poder escutá-Lo ou ignorar a sua Palavra, não é a mesma coisa poder contemplá-Lo, adorá-Lo, descansar n’Ele ou não o poder fazer.

Não é a mesma coisa procurar construir o mundo com o seu Evangelho em vez de o fazer unicamente com a própria razão.

Sabemos bem que a vida com Jesus se torna muito mais plena e, com Ele, é mais fácil encontrar o sentido para cada coisa.
É por isso que evangelizamos.
O verdadeiro missionário, que não deixa jamais de ser discípulo, sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária.
Se uma pessoa não O descobre presente no coração mesmo da entrega missionária, depressa perde o entusiasmo e deixa de estar segura do que transmite, faltam-lhe força e paixão.
E uma pessoa que não está convencida, entusiasmada, segura, enamorada, não convence ninguém.

 267. Unidos a Jesus, procuramos o que Ele procura, amamos o que Ele ama.
Em última instância, o que procuramos é a glória do Pai, vivemos e agimos «para que seja prestado louvor à glória da sua graça»[viii].

Se queremos entregar-nos a sério e com perseverança, esta motivação deve superar toda e qualquer outra. O movente definitivo, o mais profundo, o maior, a razão e o sentido último de tudo o resto é este: a glória do Pai que Jesus procurou durante toda a sua existência.

Ele é o Filho eternamente feliz, com todo o seu ser «no seio do Pai»[ix].

Se somos missionários, antes de tudo é porque Jesus nos disse: «A glória do meu Pai [consiste] em que deis muito fruto»[x].

Independentemente de que nos convenha, interesse, aproveite ou não, para além dos estreitos limites dos nossos desejos, da nossa compreensão e das nossas motivações, evangelizamos para a maior glória do Pai que nos ama.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Cf. Propositio 36.
[ii] João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 52: AAS 93 (2001), 304.198
[iii] Cf. Vítor Manuel Fernández, Discurso na abertura do I Congresso Nacional de Doutrina Social da Igreja, na cidade de Rosário, em 2011: «Espiritualidad para la esperanza activa», em UC Actualidad 142 (2011), 16.
[iv] Jo 1, 48
[v] 1 Jo 1, 3
[vi] Act 17, 23
[vii] João Paulo II, Carta enc. Redemptoris missio (7 de Dezembro de 1990), 45: AAS 83 (1991), 292.
[viii] Ef 1, 6
[ix] Jo 1, 18
[x] Jo 15, 8

Temas para meditar 404


Amizade




Às vezes, quando um homem comete um delito, alguns dos que foram seus amigos afirmam não o conhecer, para não pôr em cheque a sua própria honradez. E se um amigo verdadeiro se atreve a ajudar o delinquente, fá-lo sempre deixando claro que não teve nada a ver com o delito do seu amigo. O Senhor, ao contrário, apresenta-Se a ajudar-nos, delinquentes e pecadores, chamando-nos amigos, Seus irmãos, Seus filhos, chamando-nos até membros do Seu corpo, unidos com Ele; e proclama-o em alta voz diante do tribunal da justiça divina. Roga que sejamos perdoados, negoceia a nossa absolvição, entrega-se Ele mesmo como malfeitor para pagar a nossa pena.

(luís de la palmaA Paixão do Senhor, Éfeso, 1991, pg. 72-73)

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Reflectindo - 64

Sobre a felicidade 6

Como fazer os outros felizes?

B – Fazê-los compreender como se pode ser feliz?

Parece-me a melhor opção, porque há muitas pessoas que não sabem ou estão enganadas a respeito do que é necessário para ser feliz.
Contudo, também aqui, existem duas premissas:

Primeira: Que eu saiba, com meridiana segurança o que pode tornar uma pessoa, qualquer pessoa, feliz.

Segunda: Que tenha a certeza do que, seguramente, pode inibi-la de ser feliz.

Evidentemente que a primeira depende inteiramente da segunda, donde, começaríamos por esta.

(cont.)

(AMA, Reflexões, 2013)


25/03/2015

2015.03.25








O que pode ver hoje em NUNC COEPI




Servir Nosso Senhor e os homens - São Josemaria – Textos

Evangelho, com., Leit.espiritual (Evangelli Gaudium) - AMA - Comentários ao Evangelho Lc 1 26-38, Leit. Espiritual - Exort. Apost. Evangelii gaudium (Papa Francisco)

Temas para meditar 403 - Beato Álvaro del Portillo, Hom (Beato Álvaro del Portillo), Morte

Diálogos com o meu eu (8) - JMA (Diálogos), Sofrimento


Pequena agenda do cristão - Agenda Quarta-Feira

Servir Nosso Senhor e os homens

Qualquer actividade – quer seja ou não humanamente muito importante – tem de converter-se para ti num meio de servir Nosso Senhor e os homens: aí está a verdadeira dimensão da sua importância. (Forja, 684)

Não me afasto da mais rigorosa verdade se vos digo que Jesus continua agora a buscar pousada no nosso coração. Temos de Lhe pedir perdão pela nossa cegueira pessoal, pela nossa ingratidão. Temos de Lhe pedir a graça de nunca mais Lhe fechar a porta das nossas almas.

O Senhor não nos oculta que a obediência rendida à vontade de Deus exige renúncia e entrega porque o amor não pede direitos: quer servir. Ele percorreu primeiro o caminho. Jesus, como obedecestes Tu? Usque ad mortem, mortem autem crucis, até à morte e morte de Cruz. É preciso sair de nós mesmos, complicar a vida, perdê-la por amor de Deus e das almas... Tu querias viver e que nada te acontecesse; mas Deus quis outra coisa... Existem duas vontades: a tua vontade deve ser corrigida para se identificar com a vontade de Deus, e não torcida a de Deus para se acomodar à tua.

Com alegria, tenho visto muitas almas que jogaram a vida – como Tu, Senhor, "usque ad mortem"! – para cumprir o que a vontade de Deus lhes pedia, dedicando os seus esforços e o seu trabalho profissional ao serviço da Igreja, pelo bem de todos os homens.


Aprendamos a obedecer, aprendamos a servir. Não há maior fidalguia do que entregar-se voluntariamente ao serviço dos outros. Quando sentimos o orgulho que referve dentro de nós, a soberba que nos leva a pensar que somos super-homens, é o momento de dizer que não, de dizer que o nosso único triunfo há-de ser o da humildade. Assim nos identificaremos com Cristo na Cruz, não aborrecidos ou inquietos, nem com mau humor, mas alegres, porque essa alegria, o esquecimento de nós mesmos, é a melhor prova de amor. (Cristo que passa, 19)

Evangelho, com., Leit.espiritual (Evangelli Gaudium)

Tempo de Quaresma V Semana


Anunciação do Senhor

Evangelho: Lc 1 26-38

26 Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. 28 Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça; o Senhor é contigo». 29 Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. 30 O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; 31 eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. 32 Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; 33 reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim». 34 Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não conheço homem?». 35 O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36 Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; 37 porque a Deus nada é impossível». 38 Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo afastou-se dela.

Comentário:

Não tenho qualquer receio de me enganar se afirmo que, sobre este insigne acontecimento da história da humanidade, se escreveram milhares de milhões de palavras, comentários, análises, meditações.

Não é para menos: O curso da história de humanidade fica, definitivamente, condicionado e sob a influência do anúncio do Anjo e da sua aceitação por Maria.


(ama, comentário sobre Lc 1 26-38, 2014.12.08)


Leitura espiritual



EXORTAÇÃO APOSTÓLICA EVANGELII GAUDIUM
DO SANTO PADRE FRANCISCO
AO EPISCOPADO, AO CLERO ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E AOS FIÉIS LEIGOS SOBRE O ANÚNCIO DO EVANGELHO NO MUNDO ACTUAL

251. Neste diálogo, sempre amável e cordial, nunca se deve descuidar o vínculo essencial entre diálogo e anúncio, que leva a Igreja a manter e intensificar as relações com os não-cristãos.[i]

Um sincretismo conciliador seria, no fundo, um totalitarismo de quantos pretendem conciliar prescindindo de valores que os transcendem e dos quais não são donos.

A verdadeira abertura implica conservar-se firme nas próprias convicções mais profundas, com uma identidade clara e feliz, mas «disponível para compreender as do outro» e «sabendo que o diálogo pode enriquecer a ambos».[ii]
Não nos serve uma abertura diplomática que diga sim a tudo para evitar problemas, porque seria um modo de enganar o outro e negar-lhe o bem que se recebeu como um dom para partilhar com generosidade.

Longe de se contraporem, a evangelização e o diálogo inter-religioso apoiam-se e alimentam-se reciprocamente.[iii]

252. Neste tempo, adquire grande importância a relação com os crentes do Islão, hoje particularmente presentes em muitos países de tradição cristã, onde podem celebrar livremente o seu culto e viver integrados na sociedade.
Não se deve jamais esquecer que eles «professam seguir a fé de Abraão, e connosco adoram o Deus único e misericordioso, que há-de julgar os homens no último dia».[iv]

Os escritos sagrados do Islão conservam parte dos ensinamentos cristãos; Jesus Cristo e Maria são objecto de profunda veneração e é admirável ver como jovens e idosos, mulheres e homens do Islão são capazes de dedicar diariamente tempo à oração e participar fielmente nos seus ritos religiosos.
Ao mesmo tempo, muitos deles têm uma profunda convicção de que a própria vida, na sua totalidade, é de Deus e para Deus.
Reconhecem também a necessidade de Lhe responder com um compromisso ético e com a misericórdia para com os mais pobres.

253. Para sustentar o diálogo com o Islão é indispensável a adequada formação dos interlocutores, não só para que estejam sólida e jubilosamente radicados na sua identidade, mas também para que sejam capazes de reconhecer os valores dos outros, compreender as preocupações que subjazem às suas reivindicações e fazer aparecer as convicções comuns.

Nós, cristãos, deveríamos acolher com afecto e respeito os imigrantes do Islão que chegam aos nossos países, tal como esperamos e pedimos para ser acolhidos e respeitados nos países de tradição islâmica.

Rogo, imploro humildemente a esses países que assegurem liberdade aos cristãos para poderem celebrar o seu culto e viver a sua fé, tendo em conta a liberdade que os crentes do Islão gozam nos países ocidentais.

Face a episódios de fundamentalismo violento que nos preocupam, o afecto pelos verdadeiros crentes do Islão deve levar-nos a evitar odiosas generalizações, porque o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência.

254. Os não-cristãos fiéis à sua consciência podem, por gratuita iniciativa divina, viver «justificados por meio da graça de Deus»[v] e, assim, «associados ao mistério pascal de Jesus Cristo».[vi]

Devido, porém, à dimensão sacramental da graça santificante, a acção divina neles tende a produzir sinais, ritos, expressões sagradas que, por sua vez, envolvem outros numa experiência comunitária do caminho para Deus.[vii]

Não têm o significado e a eficácia dos Sacramentos instituídos por Cristo, mas podem ser canais que o próprio Espírito suscita para libertar os não-cristãos do imanentismo ateu ou de experiências religiosas meramente individuais.

O mesmo Espírito suscita por toda a parte diferentes formas de sabedoria prática que ajudam a suportar as carências da vida e a viver com mais paz e harmonia. Nós, cristãos, podemos tirar proveito também desta riqueza consolidada ao longo dos séculos, que nos pode ajudar a viver melhor as nossas próprias convicções.

O diálogo social num contexto de liberdade religiosa

255. Os Padres sinodais lembraram a importância do respeito pela liberdade religiosa considerada um direito humano fundamental.[viii] Inclui «a liberdade de escolher a religião que se crê ser verdadeira e de manifestar publicamente a própria crença».[ix]

Um são pluralismo, que respeite verdadeiramente aqueles que pensam diferente e os valorizem como tais, não implica uma privatização das religiões, com a pretensão de as reduzir ao silêncio e à obscuridade da consciência de cada um ou à sua marginalização no recinto fechado das igrejas, sinagogas ou mesquitas.

Tratar-se-ia, definitivamente, de uma nova forma de discriminação e autoritarismo.

O respeito devido às minorias de agnósticos ou de não-crentes não se deve impor de maneira arbitrária que silencie as convicções de maiorias crentes ou ignore a riqueza das tradições religiosas.
No fundo, isso fomentaria mais o ressentimento do que a tolerância e a paz.

256. Ao questionar-se sobre a incidência pública da religião, é preciso distinguir diferentes modos de a viver.

Tanto os intelectuais como os jornalistas caem, frequentemente, em generalizações grosseiras e pouco académicas, quando falam dos defeitos das religiões e, muitas vezes, não são capazes de distinguir que nem todos os crentes – nem todos os líderes religiosos – são iguais.

Alguns políticos aproveitam esta confusão para justificar acções discriminatórias.

Outras vezes, desprezam-se os escritos que surgiram no âmbito duma convicção crente, esquecendo que os textos religiosos clássicos podem oferecer um significado para todas as épocas, possuem uma força motivadora que abre sempre novos horizontes, estimula o pensamento, engrandece a mente e a sensibilidade.

São desprezados pela miopia dos racionalismos.

Será razoável e inteligente relegá-los para a obscuridade, só porque nasceram no contexto duma crença religiosa?

Contêm princípios profundamente humanistas que possuem um valor racional, apesar de estarem permeados de símbolos e doutrinas religiosos.

257. Como crentes, sentimo-nos próximo também de todos aqueles que, não se reconhecendo parte de qualquer tradição religiosa, buscam sinceramente a verdade, a bondade e a beleza, que, para nós, têm a sua máxima expressão e a sua fonte em Deus. Sentimo-los como preciosos aliados no compromisso pela defesa da dignidade humana, na construção duma convivência pacífica entre os povos e na guarda da criação.

Um espaço peculiar é o dos chamados novos Areópagos, como o «Átrio dos Gentios», onde «crentes e não-crentes podem dialogar sobre os temas fundamentais da ética, da arte e da ciência, e sobre a busca da transcendência».[x]

Também este é um caminho de paz para o nosso mundo ferido.

258. A partir de alguns temas sociais, importantes para o futuro da humanidade, procurei explicitar uma vez mais a incontornável dimensão social do anúncio do Evangelho, para encorajar todos os cristãos a manifestá-la sempre nas suas palavras, atitudes e acções.

CAPÍTULO V EVANGELIZADORES COM ESPÍRITO

259. Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que se abrem sem medo à acção do Espírito Santo.

No Pentecostes, o Espírito faz os Apóstolos saírem de si mesmos e transforma- -os em anunciadores das maravilhas de Deus, que cada um começa a entender na própria língua.
Além disso, o Espírito Santo infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia (parrésia), em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo contracorrente.
Invoquemo-Lo hoje, bem apoiados na oração, sem a qual toda a acção corre o risco de ficar vã e o anúncio, no fim de contas, carece de alma. Jesus quer evangelizadores que anunciem a Boa Nova, não só com palavras mas sobretudo com uma vida transfigurada pela presença de Deus.

260. Neste último capítulo, não vou oferecer uma síntese da espiritualidade cristã, nem desenvolverei grandes temas como a oração, a adoração eucarística ou a celebração da fé, sobre os quais já possuímos preciosos textos do Magistério e escritos célebres de grandes autores.
Não pretendo substituir nem superar tanta riqueza.
Limitar-me-ei simplesmente a propor algumas reflexões acerca do espírito da nova evangelização.

261. Quando se diz de uma realidade que tem “espírito”, indica-se habitualmente uma moção interior que impele, motiva, encoraja e dá sentido à acção pessoal e comunitária.

Uma evangelização com espírito é muito diferente de um conjunto de tarefas vividas como uma obrigação pesada, que quase não se tolera ou se suporta como algo que contradiz as nossas próprias inclinações e desejos.

Como gostaria de encontrar palavras para encorajar uma estação evangelizadora mais ardorosa, alegre, generosa, ousada, cheia de amor até ao fim e feita de vida contagiante!
Mas sei que nenhuma motivação será suficiente, se não arde nos corações o fogo do Espírito.
Em suma, uma evangelização com espírito é uma evangelização com o Espírito Santo, já que Ele é a alma da Igreja evangelizadora.

Antes de propor algumas motivações e sugestões espirituais, invoco uma vez mais o Espírito Santo; peço-Lhe que venha renovar, sacudir, impelir a Igreja numa decidida saída para fora de si mesma a fim de evangelizar todos os povos.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Cf. Propositio 53.
[ii] João Paulo II, Carta enc. Redemptoris missio (7 de Dezembro de 1990), 56: AAS 83 (1991), 304.
[iii] Cf. Bento XVI, Discurso à Cúria Romana (21 de Dezembro de 2012): AAS 105 (2013), 51; Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre a actividade missionária da Igreja Ad gentes, 9; Catecismo da Igreja Católica, 856.
[iv] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 16.
[v] Comissão Teológica Internacional, O cristianismo e as religiões (1996), 72: Enchiridion Vaticanum 15, n.º 1061.
[vi] Ibid., 72: o. c., 1061.
[vii] Cf. ibid., 81-87: o. c., 1070-1076.
[viii] Cf. Propositio 16. 
[ix] Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente (14 de Setembro de 2012), 26: AAS 104 (2012), 762.
[x] Propositio 55.