15/10/2010

Mineiros no Chile

Fé e oração são a base do êxito do engenheiro católico que fez perfuração de resgate dos mineiros chilenos

Tema para breve reflexão - 2010.10.15

Virtudes – Fortaleza 1

A fortaleza nasce na cabeça e vive a partir de um centro medular de ideias e convicções inabaláveis, que criam poderosas motivações capazes de superar todos os obstáculos.

(Rafael Llano Cifuentes, Fortaleza, Quadrante, S. Paulo, 1991, pg. 11) 

Bom Dia! Outubro 15, 2010


Em tempos passados, estava muito incutido no povo cristão a chamada “desobriga”, que era a Confissão por alturas da Quaresma.
Viam-se famílias inteiras – Pais e filhos – nas filas dos confessionários aguardando a sua vez de cumprirem essa obrigação. Pode admitir-se que, algumas, talvez muitas, dessas confissões o fossem com o objectivo de cumprir um preceito, um hábito arreigado no povo de Deus e não, como seria desejável, uma Confissão desejada intimamente como uma necessidade concreta de reconciliação com Deus e pacificação do espírito e da alma.
Numa consideração diametralmente oposta, podemos constatar que muitos dos Templos modernos nem sequer têm espaços – confessionários – destinados à audição das pessoas que querem confessar-se com a privacidade e decoro que o Direito Canónico prevê e regulamenta.
É uma pena e, algo grave e sério a ter em conta mas que, não pode servir de desculpa a ninguém que queira, de facto confessar-se.

Por exagero, poder-se-ia opor que, seria necessário que o Sacerdote viesse ter comigo, a um local escolhido por mim – a minha casa, por exemplo – para que eu aceitasse confessar-me. Pensar desta forma é considerar que se faz um favor a Deus, como se o cumprimento da Sua Vontade expressa de tantos modos não fosse uma obrigação grave mas tão só uma decisão tomada adrede quando nos convém.

Talvez pareça que este tema da Confissão tenha uma extensão que não se coaduna com o tema geral do escrito, mas, de facto, é intencional. Porque se nos propomos discorrer sobre a “Melhoria Pessoal e a Vida Interior” não podemos deixar de nos deter com mais detalhe sobre algo tão fundamental para o tema como de facto é a Confissão Sacramental.

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Textos de Reflexão para 15 de Outubro

Evangelho: Lc 12, 1-7

1 Tendo-se juntado à volta de Jesus milhares e milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou Ele a dizer aos Seus discípulos: «Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.2 Nada há oculto que não venha a descobrir-se e nada há escondido que não venha a saber-se. 3 Por isso as coisas que dissestes nas trevas serão ouvidas às claras, e o que falastes ao ouvido no quarto será apregoado sobre os telhados. 4 «A vós, pois, Meus amigos, digo-vos: não tenhais medo daqueles que matam o corpo e depois nada mais podem fazer. 5 Eu vou mostrar-vos a quem haveis de temer; temei Aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, Eu vos digo, temei Este. 6 Não se vendem cinco passarinhos por dois asses?; contudo nem um só deles está em esquecimento diante de Deus .7 Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais pois; vós valeis mais que muitos passarinhos.

Comentário:
                                                                                       
Nos últimos anos o mundo tem ouvido muitas vezes este grito: Não tenhais medo!
De facto, as preocupações da vida corrente, cada vez mais competitiva e “selvagem”, a sanha dos inimigos de Deus procurando destruir a Sua Igreja, minando a sociedade humana no seu mais profundo alicerce que é a família, os crimes horrendos que se cometem contra a dignidade do ser humano desde a concepção, tudo isto que é grave, sério, aterrador, causa-nos medo.
Mas, Jesus, e nisto é secundado pelos Seus vigários na terra, particularmente João Paulo II, vem dizer que não devemos ter medo de nada a não ser do Demónio e das consequências de deixar-mos que nos subjugue. Seguir Cristo afasta qualquer medo, confiar em Cristo é ter a tranquilidade de que Deus, que é Pai, nos protege e cuida de nós. 

(ama, comentário sobre Lc 12, 1-7, 2010.08.11)

Tema: Virtudes – Paciência 6

Esperemos com paciência que iremos melhorar e, em lugar de nos inquietarmos por ter feito pouca coisa no passado, procuremos com diligência fazer mais no futuro. 

(J. Tissot, El arte de aprovechar nuestras faltas, Palabra, 11 ed. Madrid 1986, pg. 14, trad ama)

Doutrina: CCIC – 430:  Porque é que o Magistério da Igreja intervém no campo moral?
                  CIC – 2032-2040; 2049-2051

Porque é missão do Magistério da Igreja pregar a fé que deve ser acreditada e aplicada na vida prática. Essa missão estende-se também aos preceitos específicos da lei natural, porque a sua observância é necessária para a salvação.

Festa: Santa Teresa de Jesus

                                                                                                                               
Nota Histórica
Nasceu em Ávila (Espanha) no ano 1515. Tendo entrado na Ordem das Carmelitas, fez grandes progressos no caminho da perfeição e teve revelações místicas. Ao empreender a reforma da sua Ordem teve de sofrer muitas tribulações, mas tudo suportou com coragem invencível. A doutrina profunda que escreveu nos seus livros é fruto das suas experiências místicas. Morreu em Alba de Tormes (Salamanca) no ano 1582. (snl)

14/10/2010

Bom Dia! Outubro 14, 2010





A Confissão Sacramental é o que a Igreja Católica aconselha aos seus filhos como condição, única, para que a situação fique, definitivamente resolvida. O bem alcançado é superior ao mal praticado e, até no foro íntimo pessoal, a satisfação sentida ultrapassa o sentimento de culpa que possa ter-se.

 “Eu confesso-me a Deus”, ouve-se dizer, querendo com isto significar que o Sacramento tal como instituído por Cristo, não é necessário para alcançar o perdão. Mas o que quer dizer-se, realmente, é: não encontro vantagem ou necessidade na Confissão Sacramental, basta-me o reconhecimento pessoal do erro e a pena de o ter cometido ou consentido nele.
É um engano e um engano que pode acarretar graves consequências.
Em primeiro lugar porque se pretende que a Confissão Sacramental não é um acto formal exigido por Jesus Cristo que, ao dar o poder de perdoar os pecados aos Seus Apóstolos – e, consequentemente, aos Seus sucessores através do tempos – ([i]) especifica de forma clara como se obtêm o perdão de Deus para as faltas confessadas.
Não se encontra no Evangelho nenhuma passagem que atribua esta faculdade a mais ninguém e, nem sequer, ao arrependido.
Porquê?
Será que Deus – tal como acredito – que me vê e ouve – não conhece o meu arrependimento e está disposto a perdoar-me?
È evidente que sim. Se voltamos atrás, Cristo não deseja condenar ninguém mas sim salvar e redimir. Escolhe, de forma clara, a forma de obter o perdão divino e não cabe ao homem discutir se esta escolha está ou não correcta.

Quem usa a Confissão Sacramental com regularidade encontrará sempre um benefício íntimo e, até, satisfação, que levarão à sua alma uma alegria e bem-estar insuspeitados. É a confirmação do que anotámos acima ([ii]).
Quem tem por costume a Confissão frequente e regular encontra uma forma eficaz de combater os defeitos e sinais concretos para progredir na melhoria pessoal, já que, o Sacramento não tem apenas o efeito de perdoar as faltas praticadas mas, também de dar forças e meios para evitar as futuras.

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[i] Mt 18, 18
[ii] Lc 15, 7

Tema para breve reflexão - 2010.10.14

Virtudes – Fé 5

A fé projecta uma luz nova sobre a vida do homem, explica-lhe o seu sentido, anima-o a caminhar e condu-lo ao Céu.

(Javier Abad Goméz, Fidelidade, Quadrante, 1989, pg 55)

Textos de Reflexão para 14 de Outubro

Evangelho: Lc 11, 47-54

47 Ai de vós, que edificais sepulcros aos profetas, e foram vossos pais que lhes deram a morte! 48 Assim dais a conhecer que aprovais as obras de vossos pais; porque eles os mataram, e vós edificais os seus sepulcros. 49 Por isso disse a sabedoria de Deus: Mandar-lhes-ei profetas e apóstolos, e eles darão a morte a uns e perseguirão outros, 50 para que a esta geração se peça conta do sangue de todos os profetas, derramado desde o princípio do mundo, 51 desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo. Sim, Eu vos digo que será pedida conta disto a esta geração. 52 Ai de vós, doutores da lei, que usurpastes a chave da ciência, e nem entrastes vós, nem deixastes entrar os que queriam entrar!». 53 Dizendo-lhes estas coisas, os fariseus e doutores da lei começaram a insistir fortemente e a importuná-Lo com muitas perguntas, 54 armando-Lhe ciladas, e buscando ocasião de Lhe apanharem alguma palavra da boca para O acusarem.

Comentário:

Continuamos ainda no 11º capítulo do Evangelho de S. Lucas. Começa com um ensinamento precioso – o Pai-nosso – com a recomendação insistente da necessidade de orar com perseverança continuando, depois, até estes sete versículos finais num discurso directamente dirigido aos fariseus e doutores da lei.
De facto esta gente procura perder Jesus, desautorizá-lo pô-lo a ridículo, mas, isso, a Jesus pouco lhe importa pessoalmente o que o preocupa, por assim dizer, é o mal que estas atitudes podem fazer aos que O seguem e ouvem com o coração limpo e bem-disposto.
Por isso, de certa forma, os desmascara e põe a nu a falsidade e falta de seriedade dos seus argumentos e do seu comportamento.
A Cristo, não Lhe interessa uma disputa estéril e sem sentido, quer esclarecer as pessoas humildes – as ovelhas sem pastor – que confundidas e sobrecarregadas vêm ter consigo para ouvir as Suas palavras de vida eterna. 

(ama, comentário sobre Lc 1, 47-54, 2010.08.10)

Tema: Virtudes – Paciência 5

Recorda-te que as abelhas no tempo em que fazem o mel comem e sustentam-se de um mantimento muito amargo; e assim nós não podemos praticar actos de maior mansidão e paciência, nem compor o mel das melhores virtudes, senão quando comemos o pão da amargura e vivemos no meio das aflições. 

(S. Francisco de Sales, Introducción a la vida devota, III, 3, trad ama)

Doutrina: CCIC – 429: Como é que a Igreja alimenta a vida moral do cristão?
                   CIC – 2030-2031;  2047

A Igreja é a comunidade onde o cristão acolhe a Palavra de Deus que contém os ensinamentos da «Lei de Cristo» (Gal 6,2); recebe a graça dos sacramentos; une-se à oferta eucarística de Cristo de modo que a sua vida moral seja um culto espiritual; e aprende o exemplo da santidade da Virgem Maria e dos Santos.

13/10/2010

Bom Dia! Outubro 13, 2010


Talvez que a leitura atenta deste trecho do Evangelho de São João tenha levado alguém a considerar:

Que escreves, Tu Senhor, no chão? Os meus pecados, faltas e fraquezas? Mas, eu, Senhor, não quero acusar ninguém de nada e, muito menos, atirar alguma pedra! Eu! Como poderia? Então eu não sei o que sou? E não sei, muito bem, que se ninguém me acusa é apenas por caridade ou por desconhecimento das maldades que pratiquei e pratico.
Tudo foi perdoado, sem dúvida, e, não falo ou penso nisso, mas a Tua misericórdia que me mandou em paz depois de aceite o meu arrependimento, não cessa de me surpreender com o perdão e o esquecimento das faltas confessadas.
Que escreves no chão, Senhor?
Será: Não julgues para não seres julgado, não condenes para não seres condenado, não te consideres impecável porque não o és"

Este importantíssimo tema é, talvez hoje mais que nunca, alvo de grande controvérsia e discussão:
o que é a Confissão Sacramental e a sua utilidade prática.

É evidente que, se reconhecer a culpa parte da disposição interior e da finura de alma de cada um, a decisão de a confessar de modo aberto, completo e leal envolve uma disposição interior que tem a ver, em primeiro lugar com a humildade pessoal e, depois com a necessidade – sentida – de justificação e perdão.
Justificação, entenda-se, não no sentido de tentar vestir a falta de uma roupagem de inevitável efeito – como se dissesse nestas circunstâncias e neste caso não poderia ter agido de outro modo – mas no sentido profundo do termo em que justificação se entende como o reconhecimento da fragilidade da condição humana.
Esta situação só pode ocorrer quando se verifica no espírito, uma insatisfação concreta que, depois, se transforma em pena, e logo em arrependimento, por algo que se fez ou consentiu que conclui que, tal, foi uma cedência a uma fraqueza, um consentimento não justificado ou, até um alheamento de algo que, concretamente se sabe e reconhece como mal mas que, seja porque motivo for, se desconsiderou ou permitiu.

É muito bom ter esta capacidade de julgar a bondade dos próprios actos e, sem dúvida, é meio caminho andado para a prevenção de futuras quedas semelhantes, mas falta algo para que essa atitude fique, de certo modo, completa e produza efeitos reais e palpáveis: a reparação efectiva da falta cometida e, esta, se não for de facto, concretizada, deixará vazia de sentido aquela.

Ou seja, não se trata só de considerar o arrependimento íntimo mas, também, de o manifestar.
A controvérsia parece estar neste ponto: como fazer?

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Tema para breve reflexão - 2010.10.13

Virtudes – Fé 4

A fé em Cristo há-de levar-nos a organizar a vida quotidiana sobre a terra sabendo olhar o Céu, isto é, Deus, fim supremo e último das nossas tensões dos nossos desejos.

(joão Paulo II, Angelus, 08.11.1979)

Textos de Reflexão para 13 de Outubro

Evangelho: Lc 11, 42-46

42 Mas ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de toda a casta de ervas, e desprezais a justiça e o amor de Deus! Era necessário praticar estas coisas, mas não omitir aquelas. 43 Ai de vós, fariseus, que gostais de ter as primeiras cadeiras nas sinagogas e as saudações nas praças! 44 Ai de vós, porque sois como os sepulcros que não se vêem e sobre os quais se anda sem saber!». 45 Então um dos doutores da lei, tomando a palavra, disse-Lhe: «Mestre, falando assim, também nos ofendes a nós». 46 Jesus respondeu-lhe: «Ai de vós também, doutores da lei, porque carregais os homens com pesos que não podem suportar, e vós nem com um dedo lhe tocais a carga!

Comentário:

Na continuação do relatado no Evangelho anterior (Lc 11, 37-41), Jesus prossegue o Seu discurso. Percebe-se que os convivas devem pertencer, talvez na sua totalidade, à classe dos fariseus e doutores da lei. É uma ocasião soberana para o Mestre tentar, mais uma vez, fazer-lhes ver quanto de errado têm as suas atitudes e comportamento na sociedade judaica de então. Pondo a nu a falta de coerência e interioridade da sua observância da lei e dos costumes, preocupados, principalmente, com o aspecto exterior das coisas e dos actos, o Senhor procura chamá-los à razão. São pessoas evoluídas, com bases de cultura importantes, não têm nenhuma dificuldade em compreender o que Jesus Cristo quer dizer com as Suas palavras. Por isso mesmo, por se tratar de uma audiência com um elevado nível cultural, as Suas palavras são duras e sem tergiversações, chamando as coisas pelo seu nome, confrontando-os com a realidade.
Quantos se terão sentido tocados pelas palavras de Jesus, não sabemos nem isso nos interessa; o que, sim, sabemos, é que a palavra de Deus não deixa ninguém indiferente. 

(ama, comentário sobre Lc 11, 42-46, 2010.08.10)

Tema: Virtudes – Paciência 4

Porque contou o Senhor com tantos pescadores entre os Seus Apóstolos? (...). Que qualidade viu neles Nosso Senhor? Creio que havia uma coisa que apreciou particularmente nos que haviam de ser os Seus Apóstolos: uma paciência inquebrantável (...) Tinham trabalhado toda a noite e não tinham pescado nada; muitas horas de espera, em que a luz cinzenta da aurora lhes traria o seu prémio, e não o houve...
Quanto esperou a Igreja de Cristo através dos séculos (...) estendendo pacientemente o seu convite e deixando que a graça fizesse a sua obra! (...)
Que importa se num local ou noutro trabalhou duramente e recolheu muito pouco para o seu Mestre? Sob a Sua palavra, apesar de tudo, voltará a deitar a rede, até que a Sua graça, cujos limites não têm comparação com o esforço humano, Lhe traga de novo uma nova pesca. 

(R. A Knox, Sermón en la fiesta de S. Pedro e S. Pablo, 1947.06.29, trad ama)

Doutrina: CCIC – 428: Somos todos chamados à santidade cristã?
                   CIC – 2012–2016; 2028–2029

Todos os fiéis são chamados à santidade. Esta é a plenitude da vida cristã e a perfeição da caridade, que se obtém mediante a íntima união com Cristo e, n’Ele, com a Santíssima Trindade. O caminho de santificação do cristão, depois de ter passado pela cruz, terá o seu acabamento na ressurreição final dos justos, na qual Deus será tudo em todas as coisas.

12/10/2010

Testamento Vital, porta aberta para a Eutanásia?


 

 

Por: Pedro Vaz Patto

SANTO ROSÁRIO 2

http://queeaverdade.blogspot.com/2010/10/10-dia-do-rosario.html

Bom Dia! Outubro 12, 2010


Para o cristão é muito confortável a certeza de que Deus não quer a condenação de ninguém por mais grave que seja o delito que possa ter cometido, mas sim que se arrependa e retome o Seu convívio. E, o interessante, é que quando isto acontece é como se um peso enorme seja removido dos ombros do pecador e sinta como uma “compensação” da falta cometida.
Na realidade tal justifica-se porque «Digo-vos que, do mesmo modo, haverá maior alegria no céu por um pecador que fizer penitência que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência». ([1]).
É da condição humana falhar, cair, deslizar para o mal, ou algo menos bom, e, isto, por vezes assume um verdadeiro hábito por que se repete vezes sem conto ao longo da vida.
Aqui joga um papel fundamental o desejo de melhoria, de correcção de endireitar o que está enviesado.
Pode andar-se assim muito tempo, muitos anos, talvez a vida inteira.
Começar e recomeçar com a mesma diligência e sem nunca esmorecer, considerando que, o mérito reside muito mais na luta que na conquista da vitória final.
De facto, a vitória, já está presente nessa luta perseverante, continuada por melhorar em algo que não está tão bem como deveria estar.

Mas se reconhecer o erro, por si próprio ou porque a tal é induzido por outros, é uma atitude muito meritória e, normalmente conduz a evitar cometer esse mesmo erro, não basta para que tudo fique resolvido e, sobretudo para “sossegar” concretamente a consciência.

Recordemos a cena evangélica da mulher adúltera ([2]) como reacção às palavras de Jesus: «Aquele de vós que estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra» o que acontece? «Mas eles, ouvindo isto, foram-se retirando, um após outro, começando pelos mais velhos»; é interessante que o Evangelista se refira expressamente a «começando pelos mais velhos», o que, no nosso entender, quererá significar uma consciência mais apurada pelas experiências de vida de cada um, ou seja, as pessoas de idade mais madura apreendem com mais facilidade o que as palavras de Cristo querem dizer.

Mas, de facto, embora se retirem, desistindo do propósito que ali os levara, a lapidação da adúltera, porque reconhecem a sua incapacidade moral para levar a cabo algo tão radical, embora prescrito na Lei judaica, deixam, por assim dizer, incompleta a justiça para com a mulher já que não consta que algum deles se lhe tenha dirigido com uma palavra de perdão.
Talvez, por isso mesmo, Jesus que não era testemunha em termos formais do adultério tenha dito á mulher: «Nem Eu te condeno», acrescentando «vai e doravante não peques mais» ou seja, não intervenho na administração da justiça humana mas, com o poder divino que tenho, perdoo-te o pecado que cometes-te contra Deus.

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[1] Lc 15, 7
[2] Jo 8,1-11

Tema para breve reflexão - 2010.10.12

Virtudes – Fé 3

A fé é um antegozo do conhecimento, que nos tornará felizes na vida futura.

(S. Tomais de aquino, Compendium Theologica, 1, 2)

Textos de Reflexão para 12 de Outubro

Evangelho: Lc 11, 37-41
37 Enquanto Jesus falava, um fariseu convidou-O para comer com ele. Tendo entrado, pôs-Se à mesa. 38 Ora o fariseu estranhou que Ele não Se tivesse lavado antes de comer. 39 Mas o Senhor disse-lhe: «Vós os fariseus limpais o que está por fora do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e de maldade. 40 Néscios, quem fez o que está fora não fez também o que está por dentro? 41 Dai antes o que tendes em esmola, e tudo será puro para vós
Meditação:

Parece que o fariseu estranhou, e com razão a atitude de Jesus: não se lavar antes de comer. Tudo isto fazia parte dos costumes e, até, de algumas disposições de comportamento em sociedade sendo não poucas vezes, levado a um exagero insuportável. Jesus Cristo é sem dúvida nenhuma um judeu que observa os costumes e hábitos comuns do povo, nomeadamente aqueles que se ligavam com a higiene. O que, nesta ocasião, faz, ou melhor não faz tem um propósito, talvez duplo:
O primeiro seria constatar a preocupação do fariseu com o que os outros faziam mais, que com o que ele próprio deveria fazer (numa outra ocasião, similar, esqueceu-se do ósculo ao visitante, e Jesus fez-lho sentir). Os outros…. Os outros… Sempre a questão que se levantava em Israel fazer as coisas para ser visto pelos outros, ter em conta o julgamento ou opinião dos outros como de suma importância e, curiosamente, sem nenhuma inquietação quanto ao exemplo a dar, à correcção de atitudes demasiado rígidas, a afabilidade e bom acolhimento para com o próximo.
O segundo objectivo de Jesus seria o de aproveitar para, explicar, uma vez mais, que não é o exterior que importa a preocupação deve centrar-se no interior, no coração, na alma, mas intenções, nos pensamentos.
Talvez, em ultima análise, tentar olhar para os outros com para um espelho onde veremos reflectidos os nossos próprios erros e deficiências que julgamos que os outros têm e que, afinal, somos nós que possuímos. 

(ama, comentário sobre Lc 11,37-41, 2010.08.09) 

Tema: Virtudes – Paciência 3

Pela paciência mantém o homem a posse da sua alma. 

(J. Pieper, Las três virtudes fundamentales, 3ª ed. Rialp, Madrid, 1988, pg. 202, trad ama)

Doutrina: CCIC – 427: Que bens podemos merecer?
                   CIC – 2006-2009; 2025-2027

Sob a moção do Espírito Santo, podemos merecer, para nós mesmos e para os outros, as graças úteis para nos santificarmos e para alcançar a vida eterna, bem como os bens temporais necessários segundo os desígnios de Deus. Ninguém pode merecer a graça primeira, que está na origem da conversão e da justificação

11/10/2010

Objecção de consciência

Objetores criminales
Juan Manuel de Prada
La Asamblea Parlamentaria del Consejo de Europa aprobaba el otro día una resolución por la que solicita a los Estados miembros que respeten el derecho a la objeción de conciencia de los médicos que se nieguen a perpetrar abortos. Tal resolución se adoptó después de una votación apretadísima; y como resultado de la tramitación de sucesivas enmiendas a un texto originario que proponía exactamente lo contrario: es decir, exhortar a los Estados miembros a impedir el ejercicio de tal derecho, convirtiendo a los objetores en criminales. Ingenuamente, podríamos creer que se trata de una victoria de la objeción de conciencia; cuando, en realidad, se trata de una paso más en la paulatina conculcación de este derecho, que se ha convertido en una suerte de «concesión graciosa» que los Estados permiten, cuando y como les apetece o conviene. Pues desde el momento en que aceptamos que los derechos humanos, «indivisibles, inviolables e inherentes» a la persona, pueden ser remodelados, redefinidos, desnaturalizados o simplemente negados mediante votaciones o mayorías parlamentarias, hemos aceptado su conculcación.


Quienes promueven esta desnaturalización actúan de forma muy astuta, en su propósito de crear artificialmente una «opinión pública» favorable a sus manejos. Para lograr sus propósitos, desarrollan un activismo incansable en los organismos internacionales, donde se redactan textos en los que se redefinen constantemente los derechos humanos. Tales textos carecen de valor jurídico, pero tienen una gran importancia política, pues —por estar bendecidos desde instancias de tanto «predicamento»— crean un espejismo de «consenso internacional» y aparecen revestidos de una legitimidad de la que en realidad carecen. El Consejo de Europa es uno de los centros favoritos de los promotores del Nuevo Orden Mundial, desde el que se evacuan documentos sin valor jurídico que luego son asumidos por el activismo proabortista e introducidos en el lenguaje político, hasta que acaban siendo adoptados por los Estados, que a la vez que fingen obedecer una instrucción internacional pueden presumir de respetar los procedimientos democráticos (votaciones, mayorías parlamentarias, etcétera). Así se impone una nueva y más sibilina forma de totalitarismo que, a diferencia de los totalitarismos antañones, ya no actúa desde una esfera política exterior, sino modelando a su gusto y conveniencia la esfera interior o conciencia del individuo, mediante la manipulación de la «opinión pública» (que es como eufemísticamente se llama al rebaño sometido y adoctrinado).

En esta votación los promotores del Nuevo Orden Mundial no consiguieron aprobar un texto que satisficiera sus propósitos, por un levísimo error de cálculo. No importa: volverán a intentarlo en unos pocos años, y lograrán aprobar la ansiada resolución que exhorte a los Estados miembros a impedir el ejercicio de la objeción de conciencia. Cuando los Estados miembros la incorporen decididamente y sin ambages a sus legislaciones (en España ya la están incorporando sibilinamente, convirtiendo a los objetores en apestados), la «opinión pública» habrá dejado de resistirse. En unos pocos años, los objetores de conciencia se convertirán en seres asociales, en peligrosos criminales que pretenden impedir el libre ejercicio del sacrosanto "derecho al aborto". Así actúa el Nuevo Orden Mundial: con la irreprochable lógica del Mal.

SETE EXCELÊNCIAS DA BATINA

«SETE EXCELÊNCIAS DA BATINA»

PADRE JAIME TOVAR PATRÓN *

Esta breve colecção de textos nos recorda a importância do uniforme sacerdotal, a batina ou hábito talar. Valha outro tanto para o hábito religioso próprio das ordens e congregações. Num mundo secularizado, da parte dos consagrados não há melhor testemunho cristão do que a vestimenta sagrada nos sacerdotes e religiosos.

«Atente-se como o impacto da batina é grande ante a sociedade, que muitos regimes anticristãos a têm proibido expressamente. Isto deve dizer-nos algo. Como é possível que agora, homens que se dizem de Igreja desprezem seu significado e se neguem a usá-la?»

Hoje em dia são poucas as ocasiões em que podemos admirar um sacerdote vestindo sua batina. O uso da batina, uma tradição que remonta a tempos antiquíssimos, tem sido esquecido e às vezes até desprezado na Igreja pós-conciliar. Porém isto não quer dizer que a batina perdeu sua utilidade, mas sim que a indisciplina e o relaxamento dos costumes entre o clero em geral é uma triste realidade.

A batina foi instituída pela Igreja pelo fim do século V com o propósito de dar aos seus sacerdotes um modo de vestir sério, simples e austero. Recolhendo, guardando esta tradição, o Código de Direito Canónico impõe o hábito eclesiástico a todos os sacerdotes.

Contra o ensinamento perene da Igreja está a opinião de círculos inimigos da Tradição que tratam de nos fazer acreditar que o hábito não faz o monge, que o sacerdócio se leva dentro, que o vestir é o de menos e que o sacerdote é o mesmo de batina ou à paisana.

Sem dúvida a experiência mostra o contrário, porque quando há mais de 1500 anos a Igreja decidiu legislar sobre este assunto foi porque era e continua a ser importante, já que ela não se preocupa com ninharias.

Em seguida expomos sete excelências da batina condensadas de um escrito do ilustre Padre Jaime Tovar Patrón.
1ª RECORDAÇÃO CONSTANTE DO SACERDOTE
Certamente que, uma vez recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um despertador sem ruído, um sinal ou bandeira. Que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato, como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este representa.
2ª PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO
Não resta dúvida de que os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras, insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um policia, um guarda, é necessário que actue, detenha, dê multas, etc. Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos.
Uma batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do sobrenatural. Não faz falta pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus produz arrependimento.

As relações da alma com Deus não são exclusivas do templo. Muita, muitíssima gente não pisa a Igreja. Para estas pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote ordenado a vestir a sua batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois queixam-se de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se queixam de frio. Não há dúvidas: o «desbatinamento» ou «desembatinação» leva à dessacralização.
3ª É DE GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS
O sacerdote é tal não só quando está no templo a administrar os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia. O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida, uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a que o sacerdote o auxilie. Isto se facilita se podem reconhecer o sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser identificado como tal para o benefício dos fiéis e um melhor desempenho de sua missão.
4ª SERVE PARA PRESERVAR DE MUITOS PERIGOS
A quantas coisas se atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta advertência, que era somente teórica quando a escrevia o religioso exemplar Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade.
Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de recreio, diversão, conviver com os leigos, porém pouco a pouco se tem ido cada vez a mais.
Os modernistas querem fazer-nos crer que a batina é um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém, suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo sacerdote que se despojou da batina para supostamente salvar os outros.

Deve reconhecer-se que a batina fortalece a vocação e diminui as ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II, praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora: tinham-no feito muito antes.
5ª AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS
O povo cristão vê no sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular mas o dos seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?

6ª IMPÕE A MODERAÇÃO NO VESTIR
A Igreja preservou sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da ostentação dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de Deus para que dê realce às cerimonias sagradas da Igreja.

Porém, vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao colocar-se ao nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido com pêlos de camelo.
7ª EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO
Como alguém que tem parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a praticar a pobreza, a humildade no vestuário, a obediência à disciplina da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina, dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo.

Estas sete excelências da batina poderão ser aumentadas com outras que venham à tua mente, leitor. Porém, sejam quais forem, a batina sempre será o símbolo inconfundível do sacerdócio, porque assim a Igreja, em sua imensa sabedoria, o dispôs e têm dado maravilhosos frutos através dos séculos.
Fonte: Blog Cristo Rei Nosso. e http://presbiteros.com.br

* O autor: Padre Jaime Tovar Patrón, coronel capelão, ocupou importantes responsabilidades no Vicariato Castrense. Oriundo de Estremadura, Espanha, foi grande orador sacro.

Faleceu em Janeiro de 2004.
Fonte: Celebração Litúrgica, nº 6, ano 2010/11, www. cliturgica.org