21/07/2010

Carta de um Sacerdote ao New York Times

A carta que se segue foi escrita pelo padre salesiano uruguaio Martín Lasarte, que trabalha em Angola, e endereçada a 6 de Abril ao jornal norte-americano The New York Times.  Nela expressa a sua perplexidade diante da onda mediática despertada pelos abusos sexuais de alguns sacerdotes a par do desinteresse que o trabalho de milhares religiosos suscita nos meios de comunicação.

Eis a carta.

Querido irmão e irmã jornalista:

Sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos que vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes actos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a protecção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo no vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes...
Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.
É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo
Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso nem as ONG’s estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Muxico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças...
Não é de interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois da sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.
Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os para uma casa de acolhimento, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.
Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, passe de casa em casa confortando os doentes e desesperados.
Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos numa gafaria[1], em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feitiçarias ou órfãos de pais que morreram com HIV, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a seropositivos... ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.
Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurélio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido num acidente na estrada quando iam prestar ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região... Nenhum passa dos 40 anos.
Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” no seu dia-a-dia, nas suas dificuldades e alegrias consumindo sem ruído a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.
Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade procura seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...
Insistir de forma obsessiva e persecutória num tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.
Só lhe peço, amigo jornalista, que procure a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso tornará nobre na sua profissão.
Em Cristo,
Pe. Martín Lasarte, SDB.[2]



[1] Hospital para leprosos
[2] Notas e revisão por ama

Fantásticos Max Brothers Xico & Harpo

https://mail.google.com/mail/?ui=2&ik=5c2010e523&view=att&th=129f4f645f31a2c9&attid=0.1&disp=attd

Textos de Reflexão para 21 de Julho

Evangelho: Mt 13, 1-9

1 Naquele dia, saindo Jesus de casa, sentou-Se à beira do mar. 2 E juntou-se em volta d'Ele uma grande multidão de gente, de tal modo que foi preciso entrar numa barca e sentar-Se nela; e toda a multidão estava em pé na praia. 3 E disse-lhes muitas coisas por parábolas: «Eis que um semeador saiu a semear. 4 Quando semeava, uma parte da semente caiu ao longo do caminho; e vieram as aves do céu e comeram-na. 5 Outra parte caiu em lugar pedregoso, onde não havia muita terra; e nasceu logo, porque não tinha profundidade de terra.6 Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou. 7 Outra parte caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram. 8 Outra parte, enfim, caiu em boa terra, e frutificou; uns grãos deram cem por um, outros sessenta, outros trinta. 9 Quem tem ouvidos para ouvir, oiça».

Meditação:

Neste Teu campo particular, que eu sou, semeia, Senhor, a semente da vida eterna, a única semente que verdadeiramente me interessa. Ajuda-me a colhe-la com amor e disponibilidade completa, para que frutifique e dê cem por um. 

(AMA, comentário, meditação, Mt 13, 1-9)

VIRTUDES 3

Procurai viver as virtudes que, segundo julgais, faltam aos vossos irmãos e já não vereis os seus defeitos, porque não os tereis vós.

(St. Agostinho, Enarrationes in Psalmos, 30, 2, 7, trad. do castelhano por ama)

20/07/2010

Textos de Reflexão para 20 de Julho

Evangelho: Mt 12, 46-50

46 Estando Ele ainda a falar ao povo, eis que Sua mãe e Seus irmãos se achavam fora, desejando falar-Lhe. 47 Alguém disse-Lhe: «Tua mãe e Teus irmãos estão ali fora e desejam falar-Te». 48 Ele, porém, respondeu ao que falava: «Quem é a Minha mãe e quem são os Meus irmãos?» 49 E, estendendo a mão para os Seus discípulos, disse: «Eis Minha mãe e Meus irmãos. 50 Porque todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos céus, esse é Meu irmão e Minha irmã e Minha mãe».

Meditação:

Quem cumpriu a Vontade de Deus em tudo? Onde a união mais perfeita entre Mãe e Filho? Quem com um coração completamente devotado melhor aceitou a Vontade de Deus? Onde o encontro entre o divino e a humanidade teve maior e mais completa expressão?
          Foi a Virgem Maria, em Nazaré!
Por isso mesmo o Senhor diz que quem fizer como Ela é «Meu irmão e Minha irmã e Minha mãe». 

(ama, meditação sobre Mt 12, 46-50, 2010.05.13)

VIRTUDES 2

Primeiro, as crianças na escola, aprendem a forma das letras; logo começam a distinguir as torcidas, e assim, passo a passo, acabam por aprender a ler.
Dividindo a virtude em partes, aprendamos primeiro, por exemplo, a não falar mal; logo, passando a outra letra, a não invejar ninguém, a não ser escravos do corpo em nenhuma situação, a não nos deixarmos levar pela gula... Logo, passando ás letras espirituais, estudemos a continência, a mortificação dos sentidos, a castidade, a justiça, o desprezo da vã glória; procuremos ser modestos, contritos de coração. Enlaçando umas virtudes com outras escrevemo-las na nossa alma. E temos de exercitar isto na nossa própria casa: com os amigos, com a mulher, com os filhos.

(S. João Crisóstomo, Homílias sobre los Salmos, 11, 8, trad. ama)

19/07/2010

Uma questão de educação

Só nos resta confiar nas qualidades de mulher e cidadã da senhora Ministra da Educação. 


Estas as palavras com que o Sr. Prof. João César das Neves termina o seu excelente artigo com o nome em epígrafe.


Pela primeira vez encontro um ponto em que discordo do Ilustre Professor e, por ser coisa tão rara, achei que devia revelá-lo:


Terminaria assim:


A mim só me resta confiar nas qualidades e bom senso de mulheres, cidadãs e cristãs das minhas três filhas para saberem, em casa, orientar, re-orientar, educar e re-educar os meus nove netos, pondo-os, quanto possível, a recato dos assaltos desta ou de outra ministra qualquer e limpando e tratando as feridas que, na escola, lhes possam infligir.



Textos de Reflexão para 19 de Julho

Evangelho: Mt 12, 38-42

38 Então replicaram-Lhe alguns dos escribas e fariseus, dizendo: «Mestre, nós desejávamos ver algum prodígio Teu».39 Ele respondeu-lhes: «Esta geração má e adúltera pede um prodígio, mas não lhe será dado outro prodígio senão o prodígio do profeta Jonas.40 Porque, assim como Jonas esteve no ventre da baleia três dias e três noites, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra.41 Os habitantes de Nínive se levantarão no dia do juízo contra esta geração, e a condenarão, porque se converteram com a pregação de Jonas. Ora aqui está Quem é mais do que Jonas.42 A rainha do Meio-Dia levantar-se-á no dia do juízo contra esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora aqui está Quem é mais do que Salomão.

Meditação:

Eu, Senhor, não preciso de nenhum sinal para acreditar firmemente que, Tu, és O Cristo, O Filho do Deus Vivo. Toda a minha vida tem sido cheia de sinais eloquentes, indesmentíveis, da Tua presença, do teu Amor, da Tua Misericórdia… da Tua Divindade.
Pobre de mim, preciso antes, de seguir esses sinais, o que eles me indicam e apontam. A vida que levo e que devia levar, o caminho que ando e que deveria ser outro, aquilo que penso e que devia esquecer, as preocupações que sinto e que deveriam dar lugar à esperança, à confiança absoluta em Ti, meu senhor e Meu Deus, meu Amor, meu Tudo. (AMA, meditação sobre Mt 12, 38-42, Julho 2008)

VIRTUDES 1

Por mais louvável que pareça o domínio da alma sobre o corpo e o domínio da razão sobre os vícios, se tanto a alma como a razão não estão submetidas a Deus como Ele ordena que devem estar, de modo nenhum é correcto o domínio sobre o corpo e os vícios. (…) Mas até as virtudes que ela julga ter e pelas quais domina o corpo e os vícios, seja qual for o bem que ela se propõe adquirir ou conservar, se as não referir a Deus, até essas virtudes são mais vícios que virtudes.

(Stº Agostinho, A Cidade de Deus, Fund. C. Gulbenkian, Vol. III, Livro XIX, Cap. XXV, nr. 1959)

18/07/2010

Caminho de Crescimento

Vem-me a vontade de comentar o belíssimo escrito do Joaquim com o título acima, publicado em SPE DEUS. Não tenho nada a acrescentar - nem me atreveria, quem sou eu? - mas, ao contrário rever-me no que ele diz sobre o caminhar do homem ao encontro de Deus.

A mim parece-me sempre uma tremenda complicação em que a gente se mete quando envereda por tais caminhos. 
Temos de analisar a nossa vida do principio ao fim, inverter os valores, rever prioridades, estabelecer novas normas de conduta, entrarmos numa  espiral de esforço contínuo que nunca esmorece porque, por detrás de cada árvore que derrubamos aparece outra que não víamos porque estava escondida atrás da primeira e, assim, sucessivamente. 

É como dizia, complicarmos a nossa vida de uma forma que não nos passava pela cabeça. 

Por isso muitos, desistem ou, simplesmente não querem, meter-se por esses caminhos o que se compreende. Para quê complicar mais a nossa vida quando ela já se apresenta com tantas dificuldades e obstáculos?

Acrescentar mais um? 

É de loucos! 

E por tal, muitos nos tomam: loucos! 

A meu ver, têm razão, porque o Amor a Deus é uma loucura que se instala na nossa vida e não nos larga. 

Em nós nasce uma insatisfação "insatisfeita", quero dizer, achamos que estamos aquém do que podemos - e devemos - fazer para retribuir, de alguma forma, a LOUCURA QUE É O AMOR DE DEUS PELOS HOMENS! 

E não há volta a dar: ou se ama com o coração inteiro, completo numa entrega sem peias nem condições ou, então, isso que possamos sentir não é amor, poderá ser uma intenção boa, um entusiasmo interessante mas... não é amor. 

É por isso que eu Lhe digo, todos os dias: 

Senhor, entrego-te o meu coração vazio de qualquer afecto que me prenda, assim poderás enchê-lo do Teu Amor e eu serei, sem dúvida feliz!

Textos de Reflexão para 18 de Julho

Domingo 18 Jul
                                                                                                             
Evangelho: Lc 10, 38-42

38 Indo em viagem, entrou numa aldeia, e uma mulher, chamada Marta, recebeu-O em sua casa. 39 Esta tinha uma irmã, chamada Maria que, sentada aos pés do Senhor, ouvia a Sua palavra. 40 Marta, porém, afadigava-se muito na contínua lida da casa. Aproximando-se, disse: «Senhor, não Te importas que a minha irmã me tenha deixado só com o serviço da casa? Diz-lhe, pois, que me ajude». 41 O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, tu afadigas-te e andas inquieta com muitas coisas 42 quando uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».

Comentário:

Esta página do Evangelho mostra-nos Jesus acolhido por Marta e Maria em sua casa, onde ele gostava de saborear a amizade, a intimidade, o repouso sereno.
Marta, como boa dona de casa, dispõe-se a preparar tudo para um acolhimento digno de tão estimado hóspede. Maria "sentada aos pés do Senhor, escutava a Sua palavra". Marta mostra-se agitada, inquieta, perturbada, ansiosa e impaciente pelas muitas coisas a fazer, e pede a Jesus que reprove o aparente desinteresse de Maria. E a resposta de Jesus soa como uma advertência afectuosa: "Marta, Marta, andas tão inquieta e perturbada, mas uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada".
Não se trata aqui de uma lição de cortesia, de boas maneiras. Jesus não é tão ingénuo que desconheça tudo o que é preciso fazer para receber bem um hóspede. A frase de Jesus constitui um pequeno "evangelho": é o anúncio da Palavra que pode preencher o coração, salvando-o da dispersão das muitas coisas. Quer salvar do perigo de perder o valor da Sua visita, da Sua presença, da Sua palavra sobre Deus e sobre o mistério da vida.
Os traços do carácter de Marta podem ser vistos no homem moderno: o homem frenético, doente da pressa e da ansiedade crónica, que cai num activismo sem profundidade, vazio de interioridade, com a ânsia de fazer muitas coisas. E corre o risco de perder o centro de gravidade, o sentido do essencial.
As muitas coisas impedem não só a escuta, mas também o verdadeiro serviço. Fazer muito é sinal de amor; mas também pode fazer morrer o amor, até na família, quando desvia a atenção para as coisas em detrimento das pessoas. Acolher não é só fazer ou dar coisas, mas, antes de mais, é dar atenção à pessoa, fazer companhia, dar tempo e espaço para escutar a Palavra.
Maria é o símbolo do discípulo e da Igreja à escuta de Cristo: abre-lhe o seu coração, deixa-o entrar na sua vida, cultiva a amizade pessoal com Ele, consciente de que "nem só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus".
Também, nesta história, Aquele que é acolhido é o mesmo que vem para acolher, para dar uma Palavra de vida, de luz, de esperança, de alegria e de paz. Esta é a "parte melhor" que não será retirada: o que dá consistência e sentido à vida do discípulo, aquilo que permanece e não passa.
"Feliz aquele que escuta a Palavra e a põe em prática", diz Jesus, conjugando assim as atitudes do acolhimento completo: o coração disponível, à escuta, de Maria e as mãos serviçais de Marta. A Palavra acolhida é um dom que contém em si a vocação à missão, ao serviço, ao testemunho. 

(D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, Festa da Natividade de Nossa Senhora, 2007.09.08) 

COMUNHÃO ESPIRTITUAL 2

Um texto para a Comunhão espiritual

Eu quisera, Senhor, receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que vos recebeu Vossa santíssima Mãe. Com o Espírito e fervor dos Santos.

(s. josemaria)

17/07/2010

COMUNHÃO ESPIRTITUAL 1

A comunhão Espiritual consiste num desejo ardente de receber Jesus Sacramentado e num abraço amoroso como se já O tivéssemos recebido.

(Stº Afonso Maria de Ligório, Visitas al Santíssimo Sacramento, Rialp, Madrid, 1965, pg. 40, trad. ama) 

16/07/2010

Precisamos de uma sociedade que se preocupe em vez de matar!


Um tetraplégico que acaba de publicar um livro sobre as atitudes sobre a eutanásia na Holanda e Austrália pergunta se ela deveria ser legalizada numa sociedade solidária. 

Erik Leipoldt com tetraplegia adquirida em 1978, após um acidente de mergulho. Acaba de publicar um livro sobre as atitudes do povo brasileiro e holandês para com pessoas com quadriplegia referentemente à eutanásia.  Aqui pergunta se nós realmente precisamos legalizar a eutanásia.

Na Austrália e outros países ocidentais, o sofrimento é uma experiência subjectiva e privada que conduz à invocação dos direitos individuais para acabar com a própria vida caso se torne insuportável. A vida de uma pessoa que sofre não nenhuma consequência para os outros.
Quando olhamos mais perto, no entanto, vemos que esse domínio privado é uma ilusão.  O sofrimento não é uma experiência individual e isolada.  Ninguém é uma entidade autónoma.  O sofrimento e a sua melhoria, é basicamente um processo dinâmico que envolve os outros.
Aqui na Austrália, como noutros locais, alguma imprensa advoga uma legislação para estabelecer a eutanásia para pessoas de mente sã em resposta à "dor, sofrimento ou debilidade" o que é considerado "importante" na presença de uma doença terminal.  Vaga e ampla quanto esta descrição é, convida qualquer pessoa com coração para dizer "sim, claro que devemos ajudar".
Mas o que é sofrimento?  E qual é a diferença entre matar o doente e atender as necessidades do sofredor?
É na interacção entre as pessoas, em eventos prejudiciais, e nos nossos valores e práticas que o sofrimento é criado e experimentado.  A dor é experimentada diferentemente por pessoas que sejam objecto de muitos cuidados e por pessoas que se sentem abandonadas. A angústia mental pode resultar de conflitos não resolvidos nos relacionamentos íntimos, mesmo os que estão no passado longínquo. Sentimentos de dependência insuportável ou perda de dignidade podem ser provocados pelas atitudes dos outros, bem como a nossa.
Ser inerentemente social, o homem sentem-se melhor em condições de relacionamentos positivos, carinho. Por exemplo, num estudo que realizei envolvendo pessoas com tetraplegia, nos Países Baixos e Austrália, foram apenas aqueles que não tinham relações de apoio que queriam a eutanásia para si próprios.  
Nessa ideia de sofrimento como um bem social, não meramente privado, a experiência pode ajudar-nos a decidir o que vamos fazer sobre isso.  A viagem de cuidados paliativos é abordar a pessoa que está sofrendo e cuidar dela.  A opção da eutanásia é acabar com o sofrimento, matando o doente.
Um projecto de lei apresentado recentemente no parlamento da Austrália Ocidental, onde eu moro, tenta acomodar as duas opções.  Tenta o respeito "consumidor" direito de escolha da morte assistida embora reconhecendo o valor dos cuidados paliativos. Tenta responder às preocupações levantadas muitas vezes contra a eutanásia sancionada pelo Estado, incluindo as provisões para lucrar com a morte pela eutanásia. Tenta responder a preocupações sobre a exploração, excluindo a eutanásia para aqueles que se sentem pesados e os menores de 21. Tenta proibir a eutanásia "turismo".  Trata-se de uma aplicação multi-camadas em processo de conformidade.
Mas a experiência mostra que nenhumas garantias são suficientemente fortes para resistir contra um inevitável apelo do público para uma flexibilização da lei para cobrir o considerável sofrimento "e debilidade" das pessoas excluídas nessas categorias.
Em qualquer caso, é realmente um médico quem pode avaliar se alguém quer a eutanásia para deixar de ser um fardo para os outros?  Na Holanda não foram salvaguardas casos especiais, por exemplo, pedidos de eutanásia feitos há 12 anos. Pessoas que não eram doentes terminais já acabaram com as suas vidas ao abrigo das disposições da eutanásia.
Ao mesmo tempo, as pessoas temem mortes lentas em máquinas ou após tratamento exaustivo.  E anomalias no âmbito do presente regime não existem onde a equipe médica, ilegalmente, apressar activamente a morte.  Isso significa que devemos simplesmente tornar isso legal?
Devíamos realmente perguntar, é realmente responsável a pressa para a opção pela eutanásia legal, antes, como uma sociedade, termos feito todo o possível para praticar todo o cuidado e apoio que somos capazes. Evidentemente, estamos muito longe deste ponto.
Não vivemos em sociedades preocupadas com o carinho. Vivemos em sociedades onde os laços sociais se estão desgastando.  A autonomia individual, as relações contratuais entre consumidores racionais, e do consumismo deve fazer parte do nosso caminho actuando com qualidade social, com o carinho de seres humanos.
A legalização da eutanásia não consegue abordar o sofrimento que está por trás dos pedidos dos pacientes que a solicitam.  Os mais referidos são: dependência, dor e perda da dignidade. Todos estes casos podem ser melhorados através de bons cuidados.  A dependência dos outros é apenas ridículo, na ausência de apoio carinhoso.  Claro que há sempre dor que não pode ser tratada de forma diferente da sedação, mas casos extremos fazem uma má lei.  Afinal, não há soluções perfeitas.
Para alguns a eutanásia é compassiva porque evita situações em que as pessoas acabam com as suas próprias vidas.  Mas isso é má interpretação da natureza da compaixão, e é ser irrealista. Compaixão requer envolvimento pessoal com o sofrimento do outro - os "cuidados" de saúde - num mundo imperfeito, algo que a prática da eutanásia não faz. A eutanásia é basicamente um acordo contratual entre as pessoas separadas, dentro de determinadas regras, para terminar uma vida.  É um procedimento técnico, não um acto de compaixão. 
Uma ética do cuidado presta atenção em primeiro lugar, à necessidade que fundamenta o pedido.   Aceita a responsabilidade para satisfazer essa necessidade e atende com competência (Toronto, 1993).  É uma relação de dupla acção participativa com, neste caso, um paciente com doença terminal.  Este cuidado não é paternalista e envolve estar com a pessoa que sofre, utilizando a comunicação pensativa, confiança, amor, respeito e até mesmo humor. Estes ajudam a preservar o significado e propósito na fase final da vida, que é muitas vezes visto como sem sentido no nosso mundo racionalista.
Outra resposta é encorajar as duas opções: cuidados paliativos e eutanásia.  É concebível que uma sociedade justa possa tornar a eutanásia uma opção para os poucos casos de dor verdadeiramente insuportável.  Mas primeiro vamos ser uma sociedade solidária.   Há muito trabalho a ser feito.   Actualmente, a maioria de nós continua a desvalorizar, idosos frágeis e altamente dependentes que incorporam os elementos da condição humana de que não gostamos.  Numa sociedade de consumo utilitarista, sancionada pelo Estado a eutanásia traz riscos de desvio grave.
As leis devem rejeitar a legalização da eutanásia como uma via inadequada para o alívio do sofrimento.   Mas também devem fazer perguntas sobre as suas próprias políticas e práticas de cuidados de saúde como potenciais contribuintes para os pedidos de eutanásia.   Como tratar toda a vida como um bem valioso e fornecer cuidado excelente?   Como fortalecer os cuidados paliativos?
Se nós tivermos atenção para com as necessidades humanas em cada caso; se assumimos a responsabilidade para com eles; se fazemos isso com competência e com a participação de pacientes, o que é que isso parece?
O carácter de uma nação revela-se na forma como trata os seus cidadãos mais vulneráveis.  Doentes terminais são altamente vulneráveis.   Rejeitamos que o Estado que sancionou a eutanásia seja insensível.  Pelo contrário, deve reafirmar a nossa determinação em trabalhar para uma sociedade solidária.

Referências
Leipoldt, EA (2010) Eutanásia e perspectiva da deficiência. VDM Verlag. Saarbrucken. Alemanha.
Toronto, J. (1993). limites morais. Um argumento político para uma ética do cuidado.

http://www.mercatornet.com/images/stories/common.jpgThis article is published by Erik Leipoldt, and MercatorNet.com under a Creative Commons licence. You may republish it or translate it free of charge with attribution for non-commercial purposes following  these guidelines. If you teach at a university we ask that your department make a donation. Commercial media must contact us for permission and fees. Some articles on this site are published under different terms. 
(trad. ama)

Evangelho diário e comentário

Evangelho: Mt 12, 1-8

1 Naquele tempo, num dia de sábado, passava Jesus por umas searas, e Seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comê-las. 2 Vendo isto, os fariseus, disseram-Lhe: «Olha que os Teus discípulos fazem o que não é permitido fazer ao sábado». 3 Jesus respondeu-lhes: «Não lestes o que fez David e os seus companheiros, quando tiveram fome?4 Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães sagrados, dos quais não era lícito comer, nem a ele, nem aos que com ele iam, mas só aos sacerdotes? 5 Não lestes na Lei que aos sábados os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa? 6 Ora Eu digo-vos que aqui está Alguém que é maior que o templo. 7 Se vós soubésseis o que quer dizer: “Quero misericórdia e não sacrifício”, jamais condenaríeis inocentes. 8 Porque o Filho do Homem é senhor do próprio sábado».

Meditação:

Sacrifícios inúteis, que Tu nem queres nem desejas. Que eu nunca tenha a tentação de os fazer nem como reparação dos meus pecados nem como “apoio” dos meus pedidos. Que eu seja sacrificado, sim, mas naquilo que me custa realmente e, que é, o freio que tenho de pôr nas minhas paixões, a contenção que devo procurar nas minhas relações com os outros, o controlo que tenho de exercer sobre todos os meus actos. Esses, sim, são sacrifícios que, dominando a vontade e reforçando o carácter, devo levar a cabo e, com certeza, o Senhor deseja e vê com “bons olhos”. 

(AMA, Meditação sobre Mt 12, 1-8, Julho 2008)

Tema: Preconceitos1

O Mestre convida-nos a ver os outros sem os preconceitos que forjamos com as próprias faltas e com a soberba, definitivamente, pela qual tendemos a aumentar as fraquezas alheias e a diminuir as próprias; o Senhor exorta-nos a «olhar os outros mais de dentro, com olhar novo (…), é necessário tirar a viga do nosso próprio olho. E o que é preciso é renovar a nossa forma de contemplar os outros. 

(A. Mª. Dorronsoro, Dios y la gente, Rialp, Madrid 1974, p. 134-135. Trad. ama)

Doutrina: CCIC – 346: Quais são os efeitos do sacramento do Matrimónio?
                             CIC – 1638-1642

O sacramento do Matrimónio gera entre os cônjuges um vínculo perpétuo e exclusivo. O próprio Deus sela o consentimento dos esposos. Portanto o Matrimónio concluído e consumado entre baptizados não pode ser nunca dissolvido. Este sacramento confere também aos esposos a graça necessária para alcançar a santidade na vida conjugal e para o acolhimento responsável dos filhos e a sua educação.

Festa: Nossa Senhora do Carmo

Textos de Reflexão para 17 de Julho

Evangelho: Mt 12, 14-21

14 Os fariseus, saindo dali, tiveram conselho contra Ele sobre o modo de O levarem à morte. 15 Jesus, sabendo isto, retirou-Se daquele lugar. Muitos seguiram-n'O, e curou-os a todos. 16 Ordenou-lhes que não O descobrissem, 17 para que se cumprisse o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías: 18 “Eis o Meu servo, que Eu escolhi, o Meu amado, em Quem a Minha alma pôs as suas complacências. Farei repousar sobre Ele o Meu Espírito, e Ele anunciará a justiça às nações. 19 Não discutirá, nem clamará, nem ouvirá alguém a Sua voz nas praças; 20 não quebrará a cana rachada, nem apagará a torcida que fumega, até que faça triunfar a justiça; 21 e as nações esperarão no Seu nome”.

Meditação:

Se eu te seguir, Tu, Senhor, curar-me-ás porque, disfarçado no meio da multidão dos que te seguem, talvez não Te detenhas muito a pensar se eu mereço ou não ser curado. Embora saibas tudo, absolutamente, sobre mim, talvez o impacto de haver tantos a seguir-te que Te pedem, imploram, suplicam, mova o Teu Coração amantíssimo e Tu, movido por essa multidão, me cures também.
Deixa-me, Senhor, seguir-te para onde quer que vás, só Tu tens palavras de vida eterna; só Tu és o verdadeiro caminho, a única verdade, a vida que vale a pena. 

(AMA, Meditação sobre Mt 12,14-21, Julho 2008)

Tema: Jesus Cristo, O Salvador

Deixai que Cristo seja para vós o caminho, a verdade e a vida. Deixai que seja a vossa salvação e a vossa felicidade. Deixai que ocupe toda a vossa vida para alcançar com Ele todas as Suas dimensões, para que todas as vossas relações, actividades, sentimentos, sejam integradas n'Ele ou, por assim dizer, sejam "cristificados". Eu vos desejo que com Cristo reconheçais a Deus como princípio e fim da vossa existência.

(joão Paulo II, Monmartre, 1980.06.01) (cit. ama)

Doutrina: CCIC – 347: Quais são os pecados gravemente contrários ao 
                                                      sacramento do Matrimónio?                           
                                CIC – 1645-1648





São: o adultério; a poligamia, porque em contradição com a igual dignidade do homem e da mulher e com a unicidade e exclusividade do amor conjugal; a rejeição da fecundidade, que priva a vida conjugal do dom dos filhos; e o divórcio, que se opõe à indissolubilidade