07/10/2022

Publicações em Outubro 7

 


 

Mês do Santo Rosário

A Santíssima Virgem no Evangelho

 

 

A Família de Jesus Cristo

«Todo aquele que escuta e faz a Vontade de Meu Pai, que está nos céus, é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe?.

A grande família de Cristo - que somos todos os baptizados - reúne-se sob o manto protector da Mãe comum para expressar com o coração, desejos e sobretudo obras a decisão de fazer em tudo a Vontade do Pai.

Sendo da família de Cristo tenho tenho de convir que não sou pouca coisa, bem pelo contrário, gerado no amor de Deus tenho que tentar por todos os meios duas coisas principais: Pagar amor com amor e, ser digno da linhagem a que pertenço.

Só a dignidade e unidade de vida permitirá que o consiga. Ser um com Ele como Ele É um com O Pai.

Fico abismado!

Eu, pobre homem cheio de misérias e fraquezas sou como que a Mãe e os Irmãos de Jesus Cristo! É uma honra, uma grandeza, uma dignidade que me esmaga!

Sim… se fizer – em tudo – a Vontade de Deus, sou, é o Senhor quem  o diz, a Sua Família mais íntima e próxima!

Talvez que nem sempre me dê conta da extraordinária importância – poderia dizer nobreza – da minha condição humana: Ter Jesus Cristo como familiar íntimo porque assim me quer em máximo grau; deu a vida por mim e por todos nós; mas, mais que isso, que já é muito, ser da Sua Família tal como como a Sua Santíssima Mãe.

Ela gerou-O no seu seio virginal e, a mim, no seu incomensurável amor.

Assusta-me um pouco esta declaração do Senhor: «Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

O “laço” familiar indispensável está bem claro e definido.

Não me diz para ser correcto, leal, fiel, piedoso, “apenas” que esteja disposto a ouvir a Sua Palavra e a pô-la em prática.

E, aqui, está o segredo que, afinal, não o é porque como seria lógico alguém pretender pertencer a uma família sem estar disposto a seguir a vontade e desejos do seu Chefe?

Eu, este pobre homem, fraco e pecador, sou da Família de Jesus Cristo!

Assusta-me esta constatação porque as palavras do Senhor não deixam qualquer dúvida.

Ele compara-me à Sua Mãe, aos Seus irmãos!

Eu fico ansioso por chegar ao porto seguro que me tem reservado.

Só me ocorre dizer-Lhe do mais fundo do meu coração: Para que queres Tu Senhor, um miserável homem cheio de defeitos e debilidades como irmão Teu?

Não Te “envergonhas” e aceitas-me tal como sou?

Ah! Mas… se essa é a Tua Vontade então que seja assim como queres.

Mas, olha bem para mim e vê como me desvio e me perco com tanta frequência seguindo por caminhos que me afastam de Ti.

Por isso Te peço com um fervor “interesseiro”:

Estando a Teu lado não me desviarei, não me deixarei enganar pelos que me  oferecem outros caminhos, talvez mais fáceis e atraentes.

Meu Jesus, meu Irmão: Que eu nunca Te perca!

 

 

 

 

06/10/2022

Publicações em Outubro 6



A Santíssima Virgem no Evangelho

 

O mar

 

Cristo está junto ao mar porque quer ver como nos comportamos na nossa barca, na nossa navegação.

Ele sabe muito bem os perigos que o mar desta vida tem, conhece profundamente e em detalhe as nossas incapacidades e deficiências como “marinheiros”. Está ali, para “o que der e vier”.

Da praia, se nos vir em perigo, aflitos com a perda do rumo, acenar-nos-á para que vamos ter com Ele.

É tão bom saber que Cristo está na praia do nosso mar! Que confiança nos dá o sabê-Lo ali, disponível para o que for preciso!

Mesmo quando não nos damos conta, ou pior, quando ignoramos a Sua presença, Ele está lá, sempre, solícito e pronto a acudir-nos.

Foi na praia que Jesus começou a fantástica história da salvação humana. Eram homens do mar os que, em primeiro lugar, Jesus escolheu para concretizar a Sua Missão Salvadora.

Muito particularmente, três: Pedro, Tiago e João, hão-de acompanhá-Lo mais perto da Sua intimidade.

Jesus conversa com eles de forma que eles entendem bem: Fala-lhes do mar e da faina da pesca, diz-lhes que o que espera deles, a tarefa grandiosa, extraordinária que lhes tem reservada.

Talvez não tenham percebido completamente o que encerrava esta primeira conversa, mas não precisaram de mais para se decidirem.

Na escolha feita por Jesus, o que contou, de facto, foi a pronta decisão de O seguirem assim que os chamou.

Ele sabe bem o que espera os homens da Sua Igreja até ao final dos tempos, a agitação, os ventos contrários, os naufrágios, as vagas alterosas, o velame que se rompe, os mastros que quebram, por isso, escolhe, sempre, um “patrão” para a Sua barca que sabe guiá-la através de todas estas dificuldades, que será sempre fiel ao rumo e que acabará sempre por alcançar bom porto.

Esses homens que ao longo dos séculos se têm sucedido no comando da barca de Cristo, da Sua Igreja, são sempre as melhores escolhas porque, quem os escolhe, é Ele. Como não confiar inteiramente naquele que foi escolhido para esse lugar?

Sozinho, entre o mundo e Cristo, o Papa encontra sempre o rumo certo para a Igreja, porque não confia em si próprio, na sua sabedoria ou aptidões, mas, sim, em Cristo a quem obedece fielmente nesse constante duc in altum. Nem um “til”, nem um “jota” jamais será mudado ou alterado até ao final dos tempos.

Jesus afirma: «Sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.» Estas palavras atestam a vontade de Jesus em edificar a Sua Igreja com uma referência especial à missão e o poder específicos que Ele, por Sua vez, conferirá a Simão.

Jesus define Simão Pedro como cimento sobre o qual construirá a Sua Igreja.

A relação Cristo-Pedro reflecte-se, assim, na relação Pedro-Igreja. Confere-lhe valor e clarifica o seu significado teológico e espiritual, que objectiva e eclesialmente está na base do seu significado jurídico.

É bem conhecida a devoção das gentes do mar à Virgem Santíssima.

Muitas das suas embarcações têm nomes que a invocam. Fazem-se procissões em sua honra muito concorridas com os barcos engalanados em ambiente de grande festa e alegria.

Algumas ostentam pinturas algumas de carácter bem ingénuo quase infantis, outras mais elaboradas retratando cenas mais complexas em que a Senhora é sempre a figura central.

Apercebo-me sem dificuldade que faz todo o sentido a presença da Mãe.

De facto, ela tem muito a ver com tudo o que se passa com a humanidade.

Afinal todos os homens – por vontade expressa do Filho - somos seus filhos. Mas também tem muito a ver com o mar porque é Guia dos Navegantes; a Stela Maris; a segurança – iter para tuto. ([1])

A sua vida, depois que o Filho começou a ingente tarefa que O trouxe ao mundo, foi passada entre pescadores, homens do mar, gente habituada aos “altos e baixos” da profissão, das pescas abundantes e dos malogros das redes vazias.

Sabe do que falam, conhece o que desejam, consola-os e anima-os a prosseguir.

Tal como o Filho, também ela lhes diz: «Duc in altum», fazei-vos ao largo onde a pesca será mais abundante e compensadora do esforço despendido.

Não vai com eles nas barcas, mas fica em terra, na praia, pensando neles, pedindo insistentemente ao Filho que os guie, os proteja, que os ventos e as ondas não se tornem perigos insuperáveis. Mas, se acaso, soçobram ou estão prestes a sucumbir porque ou perderam os remos ou as velas e estão à deriva num mar desconhecido apressa-se a socorrê-los.

Em Dezembro de 2011 a embarcação “Virgem do Sameiro” com seis pescadores a bordo naufragou. Os pescadores recolheram-se numa balsa e andaram sessenta horas à deriva no mar, exaustos, sem comida nem água sem quaisquer meios disponíveis para sobreviver quando finalmente foram avistados por um helicóptero que os resgatou e os trouxe para terra. Rodeado pelas televisões e jornalistas, o Mestre da embarcação respondeu a uma jornalista que perguntava o que tinha a dizer sobre o que se afirmava que teria sido milagre por intervenção de Nossa Senhora:

- Sim, estou convencido que foi um milagre! Não é por acaso que o nome da embarcação é “Virgem do Sameiro” e que dentro da balsa tínhamos um Terço do Rosário». 


(Estas declarações estão gravadas em vídeo. (http://expresso-virgem-do-sameiro-diz-que-o-mais-dificil-foi-suportar-o-frio-video=f692077)

 

 

 



[1] Guia de um caminho seguro


05/10/2022

Publicações em Outubro 5

 


 

Mês do Santo Rosário

A Santíssima Virgem no Evangelho

 

Não tenhais medo

 

Logo após a sua eleição como Papa, São João Paulo II assomou à loggia do Vaticano para se dirigir à multidão que enchia a Praça aguardando com ansiedade saber – e ver – o “novo” Papa.

As suas primeiras palavras foram: ‘Non abbiate paura’ (Não tenhais medo). E foi dizendo que – possivelmente – houvesse alguma inquietação por estar ali um novo Papa, não italiano mas, talvez, ainda mais, por ser oriundo de um País do Leste Europeu, dominado pela Rússia Soviética. Naqueles momentos, eu, também me deixei envolver por considerações pessoais como, por exemplo, o que seria o futuro imediato da Igreja com este homem eleito sucessor de Pedro.

Recordei então um livro – depois convertido em filme – que há muito lera e que ficara gravado na minha memória: As sandálias do pescador(The Shoes of the Fisherman, Morris West, 1963).

No livro, o autor imagina a eleição de um Papa oriundo do Leste Europeu, mais concretamente da Rússia Soviética.

Um autêntico “terramoto” que se seguiu um pouco por toda Igreja Católica,o que faria este novo Papa, melhor, que modificaria nos hábitos, costumes, leis… enfim, a tradição?

Prenúncios de crise inevitável que muitos, inclusivé cristãos, se atreviam a conjecturar.

De facto, tiveram, em parte, razão porque o recém eleito Papa que cumpriria um dos mais longos papados da Igreja, imprimiu um carácter e dinamismo tão acentuados à vida da Igreja que ficaram indelávelmente gravados.

Antes de mais o seu exemplo de santidade pessoal,a sua dedicação profunda ao estudo de todos os assuntos que de alguma forma interessavam aos cristãos, a incansável preregrinação por quase todos os países da terra, a sua constante disponibilidade para receber quem fosse, a isenção da sua actuação política pondo o “acento cristão” nas relações entre os homens.

Por duas vezes foi pessoalmente discursar nas Nações Unidas aos representantes das Nações ali representadas, não discursos políticos mas essencialmente humanos.

A defesa intransigente dos valores da vida humana desde o momento da concepção até ao momento da morte natural, da integridade o corpo humano.

Sempre presente nas suas palavras e exortações o tema da PAZ entre os homens.

Em Fátima, onde veio por duas vezes, a sua voz ressou uma vez mais nestes temas.

O propósito da sua segunda visita ao Altar do Mundo for para agradecer à Santíssima Virgem ter salvo a sua vida no atentado de fora vítima em Roma.

Ele próprio confidenciou que tinha tido a nítida percepção da mão da Virgem desviando a bala do seu peito.

Eu arrependo-me de ter cedido a essa tentação terrível de fazer juízos – quando não críticas – sobre a santidade e as escolhas do Divino Espírito para a Igreja a que pertenço como baptizado e, sobretudo de dar ouvidos aos “profetas da desgraça” que tão frequentemente opinam sobre o que chamam “Crises da Igreja”.

“Crises na Igreja”?

A Santa Igreja – que somos todos os cristãos – tem como Cabeça Jesus Cristo seu Fundador. Só Ele pode alterar seja o que for na sua essência.

Nenhum homem seja qual for o cargo que ocupe ou o ministério que desempenhe tem esse poder.

Confiemos, pois, com a certeza que quanto maior a provação maior será o Seu cuidado.

Fujamos da tentação de fazer juízos – mesmo íntimos – porque tal não nos compete.

Rezemos com perseverança pedindo Luz, Sabedoria e Justiça para todos, principalmente os que mais responsabilidades possam ter na condução do Povo de Deus.

Por vezes – talvez muitas – encontro-me perante um dilema: Onde está Jesus, que parece estar “ausente” nas vicissitudes da minha vida, nas “desgraças” no mundo que me rodeia e que, quase a diário, me chegam pelas notícias, pela televisão: inundações, cataclismos, violências bárbaras dos mais elementares direitos humanos, pessoas sem-abrigo, com fome, sem quaisquer recursos…? Está, de facto, ausente, desinteressado, “tem mais que fazer”?

Sinto-me, talvez, confuso e sem saber muito bem que pensar,mas, logo caio em mim e reconsidero:

Esta realidade que me atinge como um raio, deixa-me sem palavras: Jesus é meu amigo! Sendo eu como sou, sendo eu o que sou! É extraordinário. Durante os anos, e não são poucos, quantas conversas, quantos desabafos, queixas e pedidos não Lhe fiz! Meu amigo! Jesus é meu amigo. Com esta certeza, com este AMIGO que mais posso precisar? Que posso temer! E, quase instantaneamente, oiço-Te: «Sou Eu, não tenhas medo!»

 

O Santo Papa João Paulo II tinha desde Sacerdote, assumido um lema: TOTUS TUO|

Nas mãos providenciais da Santíssima Virgem, entregara-se como homem, Sacerdote, Bispo, Cardeal e Papa.

A Santíssima Virgem é a Mãe da Igreja e, como boa Mãe, não deixará que alguma vez esta se afunde no mar da incerteza ou se deixe dominar por opiniões ou critérios venham de onde vierem a não ser aqueles que O seu Divino Filho instituíu.

 

04/10/2022

Publicações em Outubro 4


 

A aparência de Jesus

Detenho-me a imaginar qual seria a aparência de Jesus, o veriam os outros com quem Se cruzava nos caminhos da Palestina e, em particular, como surgiria aos olhos dos Seus díscipulos, nomeadamente os mais próximos… os Apóstolos.

Entendo que um Rabi, um Chefe, não pode apresentar-se vestido de qualquer forma. Normalmente, no Israel daquele tempo, os Chefes do Povo, os fariseus e os escribas gostavam, como dizem os Evangelhos, de ricas vestes, com filactérias a arrastar pelo chão, símbolos e colares que identificavam a sua dignidade. Como também diz Jesus «já recebiam a sua paga». Jesus não! Em tudo parece um cidadão comum, normal, embora usando uma túnica inconsútil, o que não seria muito usual naqueles tempos, usando sandálias nos pés, porque é Senhor é não escravo, não usa nem símobolos ou sinais especiais que O identifiquem como alguém diferente do comum das pessoas. Talvez  por isso, por não aparentar ser um Chefe, uma Autoridade alguns se espantassem: «De onde Lhe vem esta sabedoria?».

Na Sua infância convivia e brincava com as crianças da Sua idade em Nazareth e, só a Sua Santíssima Mãe sabia que aqula criança era DEUS! Sim… Deus brincando com as crianças. Como não deveria o seu Dulcíssimo Coração encher-se de ternura ao contemplar cenas tão entranháveis!

Eu levo muito em conta o que visto ou uso em cada ocasião, esta é uma procupação “natural” ou uma manifestação de vaidade pessoal?

Percebo, mas peço à Santíssima Virgem que me ajude a perceber melhor, que não será o que visto ou uso que arrastará outros para o Reino De Deus mas sim a forma como me comporto e hajo.

 

03/10/2022

Publicações em Outubro 3



Mês do Santo Rosário

A Santíssima Virgem no Santo Rosário

 

Glória

 

Ressurreição de Jesus

 

«A quem procurais? A Jesus, meu Senhor. Não vos assusteis. Procurais a Jesus Nazareno, O Crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde O tinham posto. Agora ide, dizei aos Seus discípulos e a Pedro que Ele vai diante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse. Mc 16, 1-7 Este diálogo tão curto entre o Teu Anjo e as mulheres que Te foram ver uma vez mais, no Teu sepulcro, revela toda uma espantosa realidade: A Tua Ressurreição. Não sei se todos se dão conta da fantástica prova da Tua divindade que quises-Te deixar-nos, Senhor: Por Teu poder, o Teu espirito reúne-se com o Teu corpo que vive novamente! FosTe descido da Cruz pelos Teus amigos mais íntimos. Há pressa. Aproxima-se a noite e têm de regressar a suas casas todos os participantes do drama do Gólgota. Celebra-se a festa da Páscoa e o cumprimento da Lei é escrupulosamente observado. O Teu corpo exangue é lavado apressadamente e os óleos dos defuntos são aspergidos. Uma toalha de linho cru e eis que És deposto naquele túmulo novo cuja pedra é rolada para tapar a entrada. Não creio que tenham pensado ser um funeral definitivo. Foi o possível, para o que houve tempo. Estás, apesar de tudo, limpo e perfumado, os cabelos arranjados, Tens um ar composto, digno.  Nem um só osso Te foi quebrado, só o sangue foi derramado. Até à última gota! Todo o Teu sangue, Senhor, ficou pelas pedras do caminho, no madeiro negro onde Te pregaram e, finalmente, naquele trapo imundo que mal tapava a Tua nudez aos olhos dos mirones. Repousa finalmente o Teu corpo martirizado ainda húmido das lágrimas dos Teus amigos que amarga e tristemente choravam o seu Senhor morto, agora apenas há as testemunhas convenientes: os soldados enviados pelos Príncipes dos Sacerdotes depois de Pilatos se ter recusado a fazê-lo. (Mt 27, 62-66) E Jesus ressuscita! O meu Senhor volta a assumir-Se plenamente como homem e como Deus. Perfeito homem, perfeito Deus. Não se notam os sinais das vergastadas, nem as feridas dos espinhos. Toda a pele visível tem uma palidez resplendorosa, como que irreal. e, no entanto, o Senhor fala, caminha, come com os discípulos. Oh meu Senhor, Tu ressuscitasTe só para que eu, finalmente, acreditasse em Ti? Não me bastou, Senhor, assistir a todo o horror da Tua Paixão, Ter visto os milagres, as multidões? Nada disto foi suficiente? Tive que, por uma última vez, pedir-Te um sinal? Pobre de mim, Senhor, que não mereço tal honra da Tua parte. Mas Tu, com uma compaixão infinita, voltas a esta terra, assumes o Teu corpo e, novamente, Te sujeitas à forma humana. RessuscitasTe, Senhor, e com a Tua Ressurreição, quebram-se finalmente os grilhetas da servidão. Não mais o pecado será mal sem remédio. O perdão, a misericórdia, a conversão estarão definitivamente ao alcance e dentro das possibilidades de qualquer um. Acabou definitivamente o poder descricionário do demónio sobre os homens. A partir de agora a cedência à tentação será inteiramente dependente da minha vontade. EnsinasTe-me no Pai-Nosso a pedir a Deus que não me deixe cair na tentação porque, bem sei, como a minha vontade é fraca e a minha resistência é débil. Mas Tu, que podes tudo, não deixarás de ouvir e acolher com Coração de Pai Misericordioso as preces que Te dirijo. Então, seguro e confiante vencerei! Foi, de facto, esta “faculdade” que me deste: resistir à tentação. Morrendo na Cruz e, depois ressuscitando venceste a morte mais vil: a morte que o pecado provoca. Olhando para essa Cruz encontrarei quanto precisar: Decisão para resistir! Ânimo para continuar! Energia para me levantar! Fortaleza para vencer! Eu tenho a certeza, porque é uma Verdade da Fé, que hei-de ressuscitar no final dos tempos. Então, quando a minha alma voltar a unir-se ao meu corpo que espero, desejo ardentemente seja glorioso, contemplarei extasiado a magnitude do Céu. Tenho de conter-me neste desejo de que seja já, muito em breve porque sei muito bem que me falta muito, muitíssimo para merecer tal dita. Portanto, Senhor, aceito esta vida que me pesa tanto, as saudades que me apertam o coração, as vicissitudes que tenho de passar. Estou seguro que é o único caminho que tenho de andar. Mas Tu, minha Querida Mãe do Céu… vês como este caminho é difícil, agreste e como eu sou frágil? Então estende-me a tua mão carinhosa de Mãe, guia-me e conduz-me. A Tua Ressurreição é, Senhor, a dádiva mais sublime que poderias Ter feito por todos os homens Teus irmãos, porque alem de lhes restituíres a dignidade e reabrir as portas do Céu, viesTe dar-lhes a certeza que sob o Teu corpo de homem, Tu Senhor, permanecerás até ao fim dos tempos, a nosso lado, à nossa espera. Possa eu, Senhor, não defraudar a Tua expectativa e chegar convenientemente preparado ao encontro que terás comigo no dia e hora que escolheres. Para o conseguir recorro à Nossa Santíssima Mãe que me leve pelo caminho mais seguro – iter para tuto - que Ela tão bem conhece. Chegarei, estou seguro, a um porto seguro e definitivo, onde ficarei contemplando o nosso Jesus Ressuscitado em todo o Seu Poder e Glória. Tu és a Stella Maris, a Estrela do Mar que me guia neste navegar por mares alterosos, enfrentando as tempestades, os ventos adversos, indicando-me o rumo certo a seguir.

 

Ascensão de Jesus ao Céu

 

2

 

Os onze mais íntimos do teu Filho apressaram-se em vir contar-te o que se passou: «Elevou-Se ao Céu, à vista de todos e desapareceu da sua presença». Volto a afirmar, sem receio algum de ser desmentido, que Ele te avisara previamente, talvez para confirmar  que chegara ao termo a Sua missão na terra. O teu Filho voltava “à Sua casa”, ao “lugar” que desde sempre fora o Seu. Seguramente que te pediu que “olhasses” pelos onze e os conduzisses com mão segura e terna nos primeiros tempos de desorientação e perplexidade. No teu coração amantíssimo aninha-se o desejo quase incontrolável de te juntares a Ele quanto antes mas, sabes bem que a tua missão na terra ainda não terminou. Há tanto para fazer! Tantos para guiar e conduzir com mão terna de Mãe! A cada instante a tua casa fica repleta com esses amigos ainda inconsoláveis e algo desnorteados. Há que sossegá-los, dar-lhes apoio, esperança e, sobretudo, confiança que tudo se cumprirá como o teu Jesus dissera. O teu Filho partiu para o Céu mas está sempre presente junto de ti numa união tão completa e cúmplice como sempre foi e, por isso mesmo, não estás triste, bem ao contrário, tens de mostrar-te alegre para que possas transmitir a todos a alegria dos Filhos de Deus. Não sabemos quanto tempo ainda estiveste presente físicamente junto deles mas, atrevo-me a considerar que aguardaste até ao momento em que, cumprindo o Mandato do teu Filho, partiram para os quatro cantos do mundo apregoando a Boa Nova do Reino de Deus. Sim… estiveste presente até ao último momento e, de facto, estás sempre presente em todos os momentos em que os teus filhos possam necessitar – e necessitam sempre – do teu axílio e protecção. Nos Séculos que se seguiram vieste algumas vezes à terra com mensagens de paz e recomendações urgentes. Como em Fátima num momento particularmente grave em que os teus filhos estavam envolvidos numa guerra terrível que ceifava milhões de vidas, provocando a fome mais terrível um pouco por todo o mundo. As recomendações urgentes para os teus filhos não deixarem de rezar pela paz no mundo. A oferta de sacrifícios grandes ou pequenos para obter do teu Filho quanto precisamos. O aviso importante sobre o comunismo que surgia no Leste da Europa e haveria de provocar terríveis violações da liberdade de muitos. As orações de todos pelos governantes das Nações, como em Fátima pelos Governantes de Portugal empenhados em perseguir a Igreja, os seus Bispos e Sacerdotes, proibindo a liberdade de culto, as manifestações religiosas numa sanha destruidora feroz e aberrante. Ali, em Fátima, pediste aos Santos Pastorinhos o que desejavas que recomendassem aos homens. Hoje, Fátima é o “Altar do Mundo” onde acorrem milhões de filhos teus, Papas, Cardeais, Bispos, Sacerdotes e, também, Governantes e muitos paízes. A tua “Imagem Peregrina” percorrerá todos os Continentes suscitando o fervor e a confiança de multidões de filhos teus. De todo o lado acorrem a Fátima os teus filhos para te louvarem e pedirem. Aos pés da tua Imagem na Capelinha deixam os seus corações cheios de amor e admiração pela Beleza de uma Mãe que nos torna a todos Irmãos do teu Divino Filho. Pedem-te tudo, absolutamente, porque confiam que podes tudo. Coisas grande e importantes e outras de escasso valor ou relevo. Cada um pede o que julga precisar, seguro e confiante que o que possa estar menos correcto no seu pedido tu o corrigirás antes de o levar a Jesus. Eu…

Contemplo a tua Imagem

E cubro-a de beijos

Tantos beijos te hei-de dar

Que para o Céu me hás-de levar.

 

 

Vinda do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos

 

3

 

Desde a Ascensão eram habituais os teus encontros com os Onze. De que falariam? Seguramente terás contado detalhes da vida do teu Filho que só tu poderias conhecer. Muito particularmente a Lucas terás descrito com pormenores quanto sucedeu desde a Anunciação do Arcanjo Gabriel, os sonhos de José teu marido, a Visitação a tua prima Isabel, o Nascimento do teu Jesus, a Apresentação o Templo e as profecias de Simeão e Ana, a fuga para o Egipto, o desencontro e reencontro com Jesus na primeira viagem a Jerusalém… Mas nunca falaste das tuas dores, dos medos e ansiedades que deveriam “apertar-te” o coração. Na discrição mais absoluta só falas do teu Filho, é Ele que importa, Ele é o Salvador da humanidade, e, como boa Mãe em quem todos confiam, vais guiando, aconselhando, incutindo esperança, confiança e amor. Mostraste como é, como deve ser, o desempenho de uma Mãe que se preocupa com os seus filhos, sem fazer distinções entre eles, querendo a todos por igual, amando a todos com o mesmo Coração Amantíssimo, com o mesmo coração com que amaste – amas – o teu Jesus e chegou o dia em que, mais uma vez, se cumpre uma das promessas do teu Filho e o Espírito Santo – de Quem és Esposa – desce sobre todos os reunidos no Cenáculo. A partir de então tudo, absolutamente, fica claro como água cristalina, não há mais dúvidas a esclarecer nem temores que debelar e sentes que, finalmente, a tua missão chega ao seu termo e podes, finalmente, descansar. A Santíssima Virgem morreu de facto? Não é, quanto a mim, fundamental sabê-lo mas, embora revestida das mais excelentes qualidades e perfeições sobre as quais avulta a sua Imaculada Conceição, era uma criatura humana e não custa admitir que – sim – terá morrido. Muitos Padres da Igreja chamam a esse momento: “A Dormição de Nossa Senhora” o que, a meu ver, está absolutamente certo pois que é a morte senão um adormecer para esta vida terrena para logo acordar para a verdadeira Vida: a Vida Eterna? Mas, morte, não implica necessariamente corrupção do corpo e há muitos casos em que tal acontece. Mas, no que respeita à Nossa Mãe do Céu, foi ainda mais diferenciado do comum, como um relâmpago que cruza os céus e logo se desvanece.

 

 

Assunção de Nossa Senhora ao Céu

 

4

 

A Santíssima Virgem morreu de facto? Não é, quanto a mim, fundamental sabê-lo mas, embora revestida das mais excelentes qualidades e perfeições, sobre as quais avulta a sua Imaculada Conceição, era uma criatura humana e não custa admitir que – sim – terá morrido. Muitos Padres da Igreja chamam a esse momento: “A Dormição da Santíssima Virgem” o que, a meu ver, está absolutamente certo, pois que é a morte senão um adormecer para esta vida terrena para logo acordar para a verdadeira Vida: A Vida Eterna? Algumas vezes – por exemplo a filha de Jairo ou Lázaro – os Evangelhos relatam que Jesus Cristo, perante o choro e lamentações dos presentes, afirmou: «Não choreis! Não morreu mas dorme». Mas, morte, não implica necessariamente corrupção do corpo e há muitos casos em que tal acontece. as, no que respeita à Nossa Mãe do Céu, foi ainda mais diferenciado do comum, como um relâmpago que cruza os céus e logo se desvanece. A Assunção de Nossa Senhora ao Céu é um Dogma de Fé e, como tal, nós, cristãos, acreditamos e professamos como verdade absoluta que imediatamente a sua alma voltou a unir-se ao corpo e foi elevada ao Céu. Tal implica uma ressurreição? Que importa esse detalhe perante a definição dogmática? [i] Parece-me lógico, por assim dizer, que Jesus não poderia deixar na terra a Sua Santíssima Mãe e haveria de querer que estivesse no Céu com Ele, com o Pai e com o Espírito Santo, em corpo e alma. Afinal… a Santíssima Mãe de Deus não haveria de estar – sempre - junto do Seu Filho? O seu Filho não haveria de querer a Sua Santíssima Mãe junto de Si? Nas suas vindas ao mundo – como nas aparições de Fátima – a Senhora apresenta-se como quem é, quem está, quem vive no Céu. Não se apresenta como um espírito, uma visão surreal mas sim como uma criatura humana de “carne e osso”, real… viva! E para confirmar que a “Aparição” é absolutamente real, de uma pessoa em carne e osso, fala com os Videntes transmitindo mensagens de enormíssima importância. Estas mensagens têm sempre objectivos muito concretos: O primeiro: Consolidar a Fé no seu Divino Filho; Um segundo: Estabelecer a confiada certeza que ela é a portadora por excelência das mensagens que o seu Filho quer transmitir aos homens; Um terceiro: Confirmar o seu entranhado amor pelos seus filhos, os homens, não se “poupando” nessa tarefa. Ao contemplar as suas Imagens na Capelinha das Aparições em Fátima, ou na Gruta em Lourdes, multidões dos seus filhos como que se rendem reflectindo nas suas vidas, fazendo propósitos de melhoria. Outros “cumprem promessas” agradecendo graças alcançadas por intermédio da Mãe Comum. Este “cumprimento de promessas” com enorme impacto em quantos as constatam, não é senão uma como que manifestação exterior do que em tantos e tantos corações vibra e late. Lágrimas? Sim… muitas lágrimas porque a alegria de receber comove e não pode conter-se. E todos recebem algo, mesmo que não tenham pedido nada. Ela, a Mãe sabe o que cada um precisa e não, considerando o merecimento de cada um “dá”, não pode deixar de dar. Milhões de Imagens da Santíssima Virgem estão por todo o mundo nos lares dos seus filhos. Olham-nas, tocam-nas, beijam-nas. Como ela deve ficar contente! Eu, tenho em casa, várias Imagens da Minha Mãe do Céu. Na entrada da casa para logo que entro a venerar e agradecer a sua protecção do meu lar ou, quando saio para lhe pedir que me guarde e guie. Na “mesinha de cabeceira” outra Imagem que olho antes de adormecer e miro quando acordo. Na sala onde onde trabalho uma que era da minha Querida Mãe – lembro-me dela numa pianha no quarto dos meus Queridos Pais – muito antiga portanto, em madeira policromada que representa a Imaculada Conceição. Esta, principalmente, é “alvo” da minha veneração constante. Digo-lhe: Tantos beijos te hei-de dar Que para o Céu me hás-de levar!

Talvez sejam coisas um pouco infantis mas, que sou eu, que quero ser senão um filho pequeno que precisa de protecção e amparo? Sim, a Santíssima Virgem, foi Assumpta ao Céu, em corpo e alma: Esta é uma Verdade da nossa Fé Cristã. Tu, minha Mãe estás no Céu em corpo e alma. Eu estou na terra, enquanto Deus quiser, à espera de me juntar a ti no Céu. Ajuda-me nesta minha “espera”, conduz a minha vida com a tua mão terna de Mãe Extremosa. Iter para tuto – guia-me por um caminho seguro – para que vá por onde tenho de ir para alcançar essa felicidade eterna que me está prometida.

 

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Coroação de Nossa Senhora Rainha dos Anjos e dos Santos

 

 

Qualquer tentativa de descrever este momento ficará sempre muitíssimo aquém da realidade! Como seria o “ar de espanto” dos “habitantes” do Céu ao contemplar a magnificência da soleníssima festa celeste. A humilde mulher de Nazaré da Galileia, revestida da mais alta dignidade que se pode supor: Rainha dos Céus e da Terra, dos Anjos e Santos, na maior e mais elevada posição da hierarquia celeste, logo a seguir à Santíssima Trindade, e, no entanto, continua a apresentar-se aos homens como sempre foi: humilde e simples. Assim apareceu aos Pastorinhos em Fátima – “Uma Senhora vestida de branco”  (Descrição de Lúcia) - ou em Lourdes como em muitos outros locais da terra e a diferentes pessoas. Nós também a coroamos Rainha de Portugal e muitos outros títulos semelhantes lhe têm sido atribuídos ao longo dos séculos. De facto, nós cristãos, temos uma linhagem de altíssimo calibre! Um dia, no Céu, poderemos extasiar-nos ante esse resplendor e pasmar com a beleza, a dignidade, a maravilha de tão extraordinária Senhora. Mas, eu, pobre de mim, não me considero príncipe – como é comum aos filhos de Reis – preferindo, antes, considerar-me filho. Quero, desejo do mais fundo da minha alma, que ela seja a Rainha do meu coração, mas quero e desejo ainda mais que seja a minha Queridíssima Mãe do Céu! Como Rainha, venero-a como o vassalo mais humilde e obediente. Como Mãe, amo-a de todo o meu coração. Sei, conheço  com “abundantes provas”, a sua protecção e ternura por mim. Desde muito pequeno senti o seu desvelo por mim quer na cura de doenças graves, a protecção em momentos difíceis como na guerra, quer no dia-a-dia da minha já longa vida. Não tenho qualquer pejo ou hesitação em pedir-lhe o que seja. Sei, tenho absoluta certeza, que ela me dará o que lhe peço, não pelos meus méritos - que não tenho – mas movida pela sua ternura e carinho de Mãe. E, sei, que se não me der o que lhe pedir é porque, na sua Sabedoria de Mãe extremosa, sabe que não me convém o que peço. Muitas vezes perco-me, bem sei, nos pedidos que faço sem considerar se peço coisas importantes ou não, se realmente o que  peço me faz falta. Confio nela, ela é que sabe o que como e quando me deve dar o que peço. Dar-me-á sempre algo, disso tenho absoluta certeza, e, esse algo, é sempre o que melhor me convém. Não tenho qualquer receio de ser “maçador”   com os meus pedidos, sei que ela gosta de ser instada e como que “forçada” a ouvir os seus filhos. Se eles lhe pedem algo é porque confiam nela e no seu carinho de Mãe. Não deixará nunca de transmitir esses pedidos ao seu Divino Filho e, Este, não deixará nunca de atender os pedidos da Sua Mãe. Quando crianças pequenas queremos alguma coisa vamos ter com a nossa Mãe ela, se for caso disso, encaminhará o pedido ao Chefe da Família. Pois… e que sou eu, que quero eu  ser senão uma criança pequena que confia na sua Mãe do Céu? Mesmo os pedidos, por assim dizer, mais ousados como o da Mãe dos “Filhos de Zebedeu” que os Evangelhos relatam, não lhe causam nem estranheza nem incómodo. Conta-se que alguém, em Fátima, pedia à Santíssima Virgem lhe concedesse ganhar a Lotaria e que terá ouvido em resposta: Pelo menos compra um Vigésimo! É uma história, claro, mas revela a necessidade de, ao pedir o que for, ter feito o possível para conseguir o que se pede. Temos, por assim dizer, que fazer o que nos cabe e depois, só depois, se não obtivermos o que procuramos ir pedir à Mãe que no lo conceda.

 

 

(AMA, 1999)

 

 

 

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[i] (São Pio XII, Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, 1950)