24/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 24



PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Terça-Feira 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me: Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

SÃO BARTOLOMEU, Apóstolo



 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Mc I, 1-45

 

Jesus na Galileia

14 Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus, dizendo: 15 «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho.»

 

Chamamento dos primeiros discípulos

16 Passando ao longo do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. 17 E disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens.» 18 Deixando logo as redes, seguiram-no. 19 Um pouco adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco a consertar as redes, e logo os chamou. 20 E eles deixaram no barco seu pai Zebedeu com os assalariados e partiram com Ele. 21 Entraram em Cafarnaúm. Chegado o sábado, veio à sinagoga e começou a ensinar. 22  E maravilhavam-se com o seu ensinamento, pois os ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei.

 

Milagre na sinagoga

23 Na sinagoga deles encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar: 24 «Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.» 25 Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem.» 26 Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito. 27 Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» 28 E a sua fama logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

 

Cura da sogra de Pedro

29 Saindo da sinagoga, foram para casa de Simão e André, com Tiago e João. 30 A sogra de Simão estava de cama com febre, e logo lhe falaram dela. 31 Aproximando-se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los.

 

Outros milagres

32 À noitinha, depois do pôr do sol, trouxeram-lhe todos os enfermos e possessos, 33 e a cidade inteira estava reunida junto à porta. 34 Curou muitos enfermos atormentados por toda a espécie de males e expulsou muitos demónios; mas não deixava falar os demónios, porque sabiam quem Ele era. 35 De madrugada, ainda escuro, levantou-se e saiu; foi para um lugar solitário e ali se pôs em oração. 36 Simão e os que estavam com Ele seguiram-no. 37 E, tendo-o encontrado, disseram-lhe: «Todos te procuram.» 38 Mas Ele respondeu-lhes: «Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim.» 39 E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demónios.

 

Cura de um leproso

40 Um leproso veio ter com Ele, caiu de joelhos e suplicou: «Se quiseres, podes purificar-me.» 41 Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado.» 42 Imediatamente a lepra deixou-o, e ficou purificado. 43 E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo: 44 «Livra-te de falar disto a alguém; vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho.» 45 Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele.

 

 


SANTÍSSIMA VIRGEM

 

CARTA ENCÍCLICA

REDEMPTORIS MATER

DO SUMO PONTÍFICE

JOÃO PAULO II

SOBRE A BEM-AVENTURADA

VIRGEM MARIA

NA VIDA DA IGREJA

QUE ESTÁ A CAMINHO

 

 

Veneráveis Irmãos, caríssimos Filhos e Filhas: saúde e Bênção Apostólica!

 

INTRODUÇÃO

 

1. A MÃE DO REDENTOR tem um lugar bem preciso no plano da salvação, porque, «ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido duma mulher, nascido sob a Lei, a fim de resgatar os que estavam sujeitos à Lei e para que nós recebêssemos a adopção de filhos. E porque vós sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: «Abbá! Pai!»» (Gál 4, 4-6).

 

Com estas palavras do Apóstolo São Paulo, que são referidas pelo Concílio Vaticano II no início da sua exposição sobre a Bem-aventurada Virgem Maria, [1] desejo também eu começar a minha reflexão sobre o significado que Maria tem no mistério de Cristo e sobre a sua presença activa e exemplar na vida da Igreja. Trata-se, de facto, de palavras que celebram conjuntamente o amor do Pai, a missão do Filho, o dom do Espírito Santo, a mulher da qual nasceu o Redentor e a nossa filiação divina, no mistério da «plenitude dos tempos».

 

Esta «plenitude» indica o momento, fixado desde toda a eternidade, em que o Pai enviou o seu Filho, «para que todo o que n'Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Ela designa o momento abençoado em que «o Verbo, que estava junto de Deus, ... se fez carne e habitou entre nós» (Jo 1, 1. 14), fazendo-se nosso irmão. Esta «plenitude» marca o momento em que o Espírito Santo que já tinha infundido a plenitude de graça em Maria de Nazaré, plasmou no seu seio virginal a natureza humana de Cristo. A mesma «plenitude» denota aquele momento, em que, pelo ingresso do eterno no tempo, do divino no humano, o próprio tempo foi redimido e, tendo sido preenchido pelo mistério de Cristo, se torna definitivamente «tempo de salvação». Ela assinala, ainda, o início arcano da caminhada da Igreja. Na Liturgia, de facto, a Igreja saúda Maria de Nazaré como seu início, por isso mesmo que já vê projectar-se, no evento da Conceição imaculada, como que antecipada no seu membro mais nobre, a graça salvadora da Páscoa; e, sobretudo, porque no acontecimento da Incarnação se encontram indissoluvelmente ligados Cristo e Maria Santíssima: Aquele que é o seu Senhor e a sua Cabeça e Aquela que, ao pronunciar o primeiro «fiat» (faça-se) da Nova Aliança, prefigura a condição da mesma Igreja de esposa e de mãe.

 

 


REFLEXÃO

O Santo Sacrifício compendia o que há-de ser a nossa conduta: adoração amorosa, acção de graças, expiação, petição. Quer dizer, dedicação a Deus e, por Ele, aos outros. Na Missa deve confluir quanto nos pese e nos oprima, quanto nos encha de alegria e ilusão, cada detalhe do afazer quotidiano; temos de ir com as nossas preocupações e as dos outros, as do mundo inteiro.

 

(Javier Echevarría, Carta aos fiéis da Prelatura do Opus Dei, Ano da Eucaristia, Roma 06.10.2004)

 

 

 


SÃO JOSEMARIA textos

 

Procura cingir-te a um plano de vida

Sujeitar-se a um plano de vida, a um horário... é tão monótono! – disseste-me. E respondi-te: há monotonia porque falta Amor. (Caminho, 77)

Procura cingir-te a um plano de vida com constância: alguns minutos de oração mental; a assistência à Santa Missa, diária, se te é possível, e a Comunhão frequente; o recurso regular ao Santo Sacramento do Perdão, ainda que a tua consciência não te acuse de qualquer pecado mortal; a visita a Jesus no Sacrário; a recitação e a contemplação dos mistérios do terço e tantas outras práticas excelentes que conheces ou podes aprender. Mas estas práticas não se deverão transformar em normas rígidas ou em compartimentos estanques. Indicam um itinerário flexível, acomodado à tua condição de homem que vive no meio da rua, com um trabalho profissional intenso e com deveres e relações sociais que não podes descuidar, porque é nessas ocupações que prossegue o teu encontro com Deus. O teu plano de vida há-de ser como uma luva de borracha que se adapta perfeitamente à mão de quem a usa. Não te esqueças também de que o que é importante não é fazer muitas coisas; limita-te com generosidade àquelas que possas cumprir no dia-a-dia, quer te apeteça quer não. Essas práticas conduzir-te-ão, quase sem reparares, à oração contemplativa. Brotarão da tua alma mais actos de amor, jaculatórias, acções de graças, actos de desagravo, comunhões espirituais. E tudo isto, enquanto te ocupas das tuas obrigações: ao pegar no telefone, ao subir para um meio de transporte, ao fechar ou abrir uma porta, ao passar diante de uma igreja, ao começar um novo trabalho, ao executá-lo e ao concluí-lo. Referirás tudo ao teu Pai Deus. (Amigos de Deus, 149)

 

 

 

 

 

23/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 23

 


Segunda-Feira

 

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me: 

Sorrir, ser amável.

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

 

Lc XXIII, 1-56

Jesus diante de Pilatos e de Herodes

1 Levantando-se todos, levaram-no a Pilatos 2 e começaram a acusá-lo, nestes termos: «Encontrámos este homem a sublevar o povo, a impedir que se pagasse tributo a César e a dizer-se Ele próprio o Messias-Rei.» 3 Pilatos interrogou-o: «Tu és o rei dos judeus?» Jesus respondeu: «Tu o dizes.» 4 Pilatos disse, então, aos sumos sacerdotes e à multidão: «Nada encontro de culpável neste homem.» 5 Mas eles insistiram, dizendo: «Ele amotina o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia até aqui.» 6 Ao ouvir isto, Pilatos perguntou se o homem era galileu; 7 e, ao saber que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, que também se encontrava em Jerusalém nesses dias. 8 Ao ver Jesus, Herodes ficou extremamente satisfeito, pois havia bastante tempo que o queria ver, devido ao que ouvia dizer dele, esperando que fizesse algum milagre na sua presença. 9 Fez-lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu. 10 Os sumos sacerdotes e os doutores da Lei, que lá estavam, acusavam-no com veemência. 11 Herodes, com os seus oficiais, tratou-o com desprezo e, por troça, mandou-o cobrir com uma capa vistosa, enviando-o de novo a Pilatos. 12 Nesse dia, Herodes e Pilatos ficaram amigos, pois eram inimigos um do outro.

 

Jesus de novo ante Pilatos

13 Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, 14 e disse-lhes: «Trouxestes este homem à minha presença como se andasse a revoltar o povo. Interroguei-o diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais. 15 Herodes tão-pouco, visto que no-lo mandou de novo. Como vedes, Ele nada praticou que mereça a morte. 16 Vou, portanto, libertá-lo, depois de o castigar.»

 

Jesus e Barrabás

17 Ora, em cada festa, Pilatos era obrigado a soltar-lhes um preso. 18 E todos se puseram a gritar: «A esse mata-o e solta-nos Barrabás!» 19 Este último fora metido na prisão por causa de uma insurreição desencadeada na cidade, e por homicídio. 20 De novo, Pilatos dirigiu-lhes a palavra, querendo libertar Jesus. 21 Mas eles gritavam: «Crucifica-o! Crucifica-o!» 22 Pilatos disse-lhes pela terceira vez: «Que mal fez Ele, então? Nada encontrei nele que mereça a morte. Por isso, vou libertá-lo, depois de o castigar.» 23 Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que fosse crucificado, e os seus clamores aumentavam de violência.

 

Condenação de Jesus

24 Então, Pilatos decidiu que se fizesse o que eles pediam. 25 Libertou o que fora preso por sedição e homicídio, que eles reclamavam, e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam. 26 Quando o iam conduzindo, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e carregaram-no com a cruz, para a levar atrás de Jesus. 27 Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. 28 Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: «Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; 29 pois virão dias em que se dirá: ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram.’ 30 Hão-de, então, dizer aos montes: ‘Caí sobre nós!’ E às colinas: ‘Cobri-nos!’ 31 Porque, se tratam assim a árvore verde, o que não acontecerá à seca?» 32 E levavam também dois malfeitores, para serem executados com Ele.

 

Crucifixão

33 Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. 34 Jesus dizia: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.» Depois, deitaram sortes para dividirem entre si as suas vestes. 35 O povo permanecia ali, a observar; e os chefes zombavam, dizendo: «Salvou os outros; salve-se a si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito.» 36 Os soldados também troçavam dele. Aproximando-se para lhe oferecerem vinagre, 37 diziam: «Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!» 38 E por cima dele havia uma inscrição: «Este é o rei dos judeus.»

 

O bom ladrão

39 Ora, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-o, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também.» 40 Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? 41 Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo que as nossas acções mereciam; mas Ele nada praticou de condenável.» 42 E acrescentou: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino.» 43 Ele respondeu-lhe: «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.»

 

Morte de Jesus

44 Por volta do meio-dia, as trevas cobriram toda a região até às três horas da tarde. 45 O Sol tinha-se eclipsado e o véu do templo rasgou-se ao meio. 46 Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» Dito isto, expirou. 47 Ao ver o que se passava, o centurião deu glória a Deus, dizendo: «Verdadeiramente, este homem era justo!» 48 E toda a multidão que se tinha aglomerado para este espectáculo, vendo o que acontecera, regressava batendo no peito. 49 Todos os seus conhecidos e as mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia mantinham-se à distância, observando estas coisas.

 

Sepultura de Jesus

50 Um membro do Conselho, chamado José, homem recto e justo, 51 não tinha concordado com a decisão nem com o procedimento dos outros. Era natural de Arimateia, cidade da Judeia, e esperava o Reino de Deus. 52 Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. 53 Descendo-o da cruz, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro talhado na rocha, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. 54 Era o dia da Preparação e já começava o sábado. 55 Entretanto, as mulheres que tinham vindo com Ele da Galileia acompanharam José, observaram o túmulo e viram como o corpo de Jesus fora depositado. 56 Ao regressar, prepararam aromas e perfumes; e, durante o sábado, observaram o descanso, conforme o preceito.

 

Comentário

 

Havendo muito que comentar sinto que não tenho nada de novo para dizer.

Quanto o Evangelista nos relata é tão explícito e concreto que dispensa qualquer comentário, assim… detenho-me a contemplar estas cenas de tragédia até conseguir convertê-las em cenas de alegria e esperança, de agradecimento profundo e sincero.

Quanto se passou nestas horas de  martírio foi consentido e desejado por Jesus Cristo e, eu só tenho de tentar compreeder bem porque o fez.

E, a única conclusão a que chego é que tudo, absolutamente, foi feito e consentido por AMOR, um AMOR tão grande como o Seu Infinito Coração.

 

(AMA, 2021)

 


VIRTUDES

 

As virtudes e a graça. As virtudes cristãs

As feridas deixadas pelo pecado original na natureza humana dificultam a aquisição e o exercício das virtudes humanas (cf. Catecismo, 1811). Para adquiri-las e praticá-las, o cristão conta com a graça de Deus que cura a natureza humana.

Além disso, a graça, ao elevar a natureza humana a participar da natureza divina, eleva essas virtudes ao plano sobrenatural (cf. Catecismo, 1810), levando a pessoa humana a actuar segundo a recta razão iluminada pela fé: numa palavra, a imitar Cristo. Deste modo, as virtudes humanas tornam-se virtudes cristãs.

 

 


REFLEXÃO

Fidelidade

Um homem é fiel quando considera que determinada causa é digna do seu empenho; quando se consagra de maneira voluntária e completa a esse empreendimento; quando se dedica de forma contínua e prática, trabalhando firmemente a seu serviço.

 

(Javier Abad Gómez, Fidelidade, Quadrante, 1991 pg. 10)


 

SÃO JOSEMARIA - textos

 

Traz sobre o peito o santo escapulário

Traz sobre o peito o santo escapulário do Carmo. – Poucas devoções (há muitas, e muito boas devoções marianas) estão tão arraigadas entre os fiéis e têm tantas bênçãos dos Pontífices. – Além disso, é tão maternal este privilégio sabatino! (Caminho, 500)

Quando te perguntaram que imagem da Virgem te dava mais devoção, e respondeste – como quem já fez bem a experiência – "todas", compreendi que eras um bom filho; por isso te parecem bem (enamoram-me, disseste) todos os retratos da tua Mãe. (Caminho, 501)

Maria, Mestra da oração.

– Olha como pede a seu Filho em Caná. E como insiste, sem desanimar, com perseverança. – E como consegue. – Aprende. (Caminho, 502)

Se queres ser fiel, sê muito mariano. A Nossa Mãe, desde a embaixada do Anjo até à sua agonia ao pé da Cruz, não teve outro coração nem outra vida que a de Jesus. Recorre a Maria, com terna devoção de filho, e Ela alcançar-te-á essa lealdade e abnegação que desejas. (Via Sacra, Est. XIII, n.4)

 

 

22/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 22

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

DOMINGO

 

PLANO DE VIDA;  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

 


FAMÍLIA

 

3. Deveres dos filhos para com os pais

 

Os filhos hão-de respeitar e honrar os pais, procurar dar-lhes alegrias, rezar por eles e corresponder lealmente ao seu sacrifício: para um bom cristão, estes deveres são um dulcíssimo preceito.

A paternidade divina é a fonte da paternidade humana (cf. Ef 3,14); é o fundamento da honra devida aos pais (cf. Catecismo, 2214). O respeito pelos pais (piedade filial) é feito de reconhecimento àqueles que, pelo dom da vida, pelo seu amor e seu trabalho, puseram os filhos no mundo e lhes permitiram crescer em estatura, sabedoria e graça. “Honra o teu pai de todo o teu coração e não esqueças as dores da tua mãe. Lembra-te de que foram eles que te geraram. Como lhes retribuirás o que por ti fizeram?” (Sir 7, 27-28); (Catecismo, 2215).

O respeito filial manifesta-se na docilidade e obediência. “Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isto é agradável ao Senhor” (Cl 3, 20). Enquanto estão sujeitos aos seus pais, os filhos devem obedecer-lhes no que disponham para o seu bem e o da família. Esta obrigação cessa com a emancipação dos filhos, mas não cessa nunca o respeito que devem aos seus pais (cf. Catecismo, 2216-2217).

O quarto mandamento lembra aos filhos adultos as suas responsabilidades para com os pais. Tanto quanto lhes for possível, devem prestar-lhes ajuda material e moral, nos anos da velhice e no tempo da doença, da solidão ou do desânimo (Catecismo, 2218).

Se os pais mandarem alguma coisa oposta à Lei de Deus, os filhos estão obrigados a antepor a vontade de Deus aos desejos dos pais, tendo presente que “é necessário obedecer antes a Deus que aos homens” (Act 5, 29). Deus é mais Pai do que os nossos pais: d’Ele procede toda a paternidade (cf. Ef 3,15).

 


REFLEXÃO

 

Uma das razões pelas quais os homens são tão propensos a louvar-se, a sobrestimar o seu próprio valor e os seus próprios poderes, a ressentir-se e qualquer coisa que tenda a rebaixa-los na sua própria estima e na dos outros, é porque não vêm mais esperança para a sua felicidade que eles próprios. Por isso são amiúde tão susceptíveis, tão ressentidos quando são criticados, tão desagradáveis para quem os contradiz, tão insistentes em sair-se com "a sua", tão ávidos de ser conhecidos, tão ansiosos de louvor, tão determinados a governar o seu meio ambiente. Confiam em si mesmos como náufrago se agarra a uma palha. E a vida prossegue, e estão cada vez mais longe da felicidade.

 

(E. Boylan, El amor supremo, vol. II, nr. 81)




 

MÁRTIRES

 

El yihadismo convierte Nigeria en un gran cementerio de cristianos: 43.000 asesinados en doce años.

 


 

SÃO JOSEMARIA – textos

 

Meter Cristo entre os pobres

Pelo "caminho do justo descontentamento" têm ido e estão a ir-se embora as massas. Dói... Quantos ressentidos temos fabricado entre os que estão espiritual ou materialmente necessitados! É preciso voltar a meter Cristo entre os pobres e entre os humildes: precisamente entre esses é que Ele se sente melhor. (Sulco, 228)

"Os pobres – dizia aquele amigo nosso – são o meu melhor livro espiritual e o motivo principal das minhas orações. Dói-me a sua dor, e dói-me o sofrimento de Cristo neles. E, porque me dói, compreendo que O amo e que os amo". (Sulco, 827)

Jesus Nosso Senhor amou tanto os homens, que encarnou, tomou a nossa natureza e viveu em contacto diário com pobres e ricos, com justos e pecadores, com novos e velhos, com gentios e judeus. Dialogou constantemente com todos: com os que gostavam dele e com os que só procuravam a maneira de retorcer as suas palavras, para o condenar. – Procura comportar-te como Nosso Senhor. (Forja, 558)

– Não ficas contente por sentir tão de perto a pobreza de Jesus?... Que bonito carecer até do necessário! Mas como Ele: oculta e silenciosamente. (Forja, 732)

 

 

 

21/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 21

  


Sábado 

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Honrar a Santíssima Virgem.

 

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

 

Lembrar-me: Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

 

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.

Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 


 

 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

 

Lc XXII, 1-71

 

Conspiração contra Jesus

1 Entretanto, aproximava-se a festa dos Ázimos, chamada Páscoa. 2 E os sumos sacerdotes e doutores da Lei procuravam maneira de fazerem desaparecer Jesus, mas temiam o povo. 3 Satanás entrou em Judas, chamado Iscariotes, que era do número dos Doze. 4 Judas foi falar com os sumos sacerdotes e os oficiais do templo sobre o modo de lhes entregar Jesus. 5 Eles regozijaram-se e combinaram dar-lhe dinheiro. 6 Judas concordou e procurava ocasião de o entregar, sem a multidão saber.

 

Preparação da Última Ceia

7 Chegou o dia dos Ázimos, em que devia sacrificar-se o cordeiro, 8 e Jesus enviou Pedro e João, dizendo: «Ide preparar-nos o necessário para comermos a ceia pascal.» 9 Perguntaram-lhe: «Onde queres que a preparemos?» 10 Respondeu: «Ao entrardes na cidade, virá ao vosso encontro um homem transportando uma bilha de água. Segui-o até à casa em que entrar 11e dizei ao dono da casa: ‘O Mestre manda dizer-te: Onde é a sala, em que hei-de comer a ceia pascal com os meus discípulos?’ 12 Mostrar-vos-á uma grande sala mobilada, no andar de cima. Fazei aí os preparativos.» 13 Partiram, encontraram tudo como lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. 14 Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele. 15 Disse-lhes: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, 16 pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus.» 17 Tomando uma taça, deu graças e disse: «Tomai e reparti entre vós, 18 pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até chegar o Reino de Deus.» 19 Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória.» 20 Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós.»

 

Jesus revela o traidor

21 «No entanto, vede: a mão daquele que me vai entregar está comigo à mesa! 22 O Filho do Homem segue o seu caminho, como está determinado; mas ai daquele por meio de quem vai ser entregue!» 23 Começaram a perguntar uns aos outros qual deles iria fazer semelhante coisa.

 

Últimos avisos

24 Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles devia ser considerado o maior. 25 Jesus disse-lhes: «Os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade são chamados benfeitores. 26 Convosco, não deve ser assim; o que fôr maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve. 27 Pois, quem é maior: o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que está sentado à mesa? Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve. 28 Vós sois os que permaneceram sempre junto de mim nas minhas provações, 29 e Eu disponho do Reino a vosso favor, como meu Pai dispõe dele a meu favor, 30 a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu Reino. E haveis de sentar-vos, em tronos, para julgar as doze tribos de Israel.» 31 E o Senhor disse: «Simão, Simão, olha que Satanás pediu para vos joeirar como trigo. 32 Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.» 33 Ele respondeu-lhe: «Senhor, estou pronto a ir contigo até para a prisão e para a morte.»

 

Predição da negação de Pedro

34 Jesus disse-lhe: «Eu te digo, Pedro: o galo não cantará hoje sem que, por três vezes, tenhas negado conhecer-me.» 35 Depois, acrescentou: «Quando vos enviei sem bolsa, nem alforge, nem sandálias, faltou-vos alguma coisa?» Eles responderam: «Nada.» 36 E Ele acrescentou: «Mas agora, quem tem uma bolsa que a tome, assim como o alforge, e quem não tem espada venda a capa e compre uma. 37 Porque, digo-vo-lo Eu, deve cumprir-se em mim esta palavra da Escritura: Foi contado entre os malfeitores. Efectivamente, o que me diz respeito chega ao seu termo.» 38 Disseram-lhe eles: «Senhor, aqui estão duas espadas.» Mas Ele respondeu-lhes: «Basta!»

 

Agonia de Jesus em Getzemani

39 Saiu então e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele. 40 Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para que não entreis em tentação.» 41 Depois afastou-se deles, à distância de um tiro de pedra, aproximadamente; e, pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo: 42 «Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.» 43 Então, vindo do Céu, apareceu-lhe um anjo que o confortava. 44 Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. 45 Depois de orar, levantou-se e foi ter com os discípulos, encontrando-os a dormir, devido à tristeza. 46 Disse-lhes: «Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.»

 

Jesus é preso no horto

47 Ainda Ele estava a falar quando surgiu uma multidão de gente. Um dos Doze, o chamado Judas, caminhava à frente e aproximou-se de Jesus para o beijar. 48 Jesus disse-lhe: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?» 49 Vendo o que ia suceder, aqueles que o cercavam perguntaram-lhe: «Senhor, ferimo-los à espada?» 50 E um deles feriu um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. 51 Mas Jesus interveio, dizendo: «Basta, deixai-os.» E, tocando na orelha do servo, curou-o. 52 Depois, disse aos que tinham vindo contra Ele, aos sumos sacerdotes, aos oficiais do templo e aos anciãos: «Vós saístes com espadas e varapaus, como se fôsseis ao encontro de um salteador! 53 Estando Eu todos os dias convosco no templo, não me deitastes as mãos; mas esta é a vossa hora e o domínio das trevas.»

 

Pedro nega Jesus três vezes

54 Apoderando-se, então, de Jesus, levaram-no e introduziram-no em casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe. 55 Tendo acendido uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se e Pedro sentou-se no meio deles. 56 Ora, uma criada, ao vê-lo sentado ao lume, fitando-o, disse: «Este também estava com Ele.» 57 Mas Pedro negou-o, dizendo: «Não o conheço, mulher.» 58 Pouco depois, disse outro, ao vê-lo: «Tu também és dos tais.» Mas Pedro disse: «Homem, não sou.» 59 Cerca de uma hora mais tarde, um outro afirmou com insistência: «Com certeza este estava com Ele; além disso, é galileu.» 60 Pedro respondeu: «Homem, não sei o que dizes.» E, no mesmo instante, estando ele ainda a falar, cantou um galo. 61 Voltando-se, o Senhor fixou os olhos em Pedro; e Pedro recordou-se da palavra do Senhor, quando lhe disse: «Hoje, antes de o galo cantar, irás negar-me três vezes.» 62 E, vindo para fora, chorou amargamente.

 

Jesus é escarnecido

63 Entretanto, os que guardavam Jesus troçavam dele e maltratavam-no. 64 Cobriam-lhe o rosto e perguntavam-lhe: «Adivinha! Quem te bateu?» 65 E proferiam muitos outros insultos contra Ele.

 

Jesus em presença do Sinédrio

66 Quando amanheceu, reuniu-se o Conselho dos anciãos do povo, sumos sacerdotes e doutores da Lei, que o levaram ao seu tribunal. 67 Disseram-lhe: «Declara-nos se Tu és o Messias.» Ele respondeu-lhes: «Se vo-lo disser, não me acreditareis 68 e, se vos perguntar, não respondereis. 69 Mas doravante, o Filho do Homem vai sentar-se à direita de Deus todo-poderoso.» 70 Disseram todos: «Tu és, então, o Filho de Deus?» Ele respondeu-lhes: «Vós o dizeis; Eu sou.» 71 Então, exclamaram: «Que necessidade temos já de testemunhas? Nós próprios o ouvimos da sua boca.»

 

Comentário

 

Todo este Capítulo do Evangelho escrito por São Lucas relata com detalhe e pormenor – como o Evangelista sempre se revela - , com “cores” brilhantes e destacadas, os factos que antecederam o drama da Paixão de Jesus Cristo. Digo “drama” porque, aos meus olhos humanos, se trata realmente de algo tão inusitado  e, até, insólito, que me custa a ler estas páginas sem sentir um aperto no coração esmagado pela evidência de ter sido, eu e todos os homens, o seu objecto.

Parece que nada falta: traição; angústia; pavor; sofrimento indizível; abandono; negação… e ao mesmo tempo, amor imenso e completo; doação absoluta; entrega à Vontade de Deus. Mas, ”forço-me”, obrigo-me a ler e, lendo, entrozar bem na minha alma o valor que efectivamente tenho – que todos os homens têm – para ser o objecto de tão extraordinário acto de salvação. Ao considerar este “valor” que tenho para o meu Criador, esmaga-me a responsabilidade  e o dever. Responsabilidade, porque me dou conta que a minha vida – já longa – tem tido muitas negações, rebeldias, ofensas, faltas de correspondência; dever, porque, tenho de ser agradecido pelo dom da vida, em primeiro lugar, e, depois, pela Infinita Paciência e Misericórdia de Deus que sempre espera que eu volte sobre os passos que dei por caminhos ínvios e, me tem perdoado sempre as minhas faltas e, mais que o perdão, me acolhe novamente no Seu Coração amantíssimo e me reintrega na minha “qualidade” de Seu filho e, sendo filho, Seu herdeiro.

Jesus Cristo nunca Se calou perante acusações infundadas, perguntas capciosas e, muitas vezes, absurdas,  críticas de toda a ordem, encarniçamento contra a sua Pessoa. Mas, perante Herodes cala-Se! Parece-me que, para O Cordeiro de Deus, Manso e Humilde de Coração, há como que um “limite” que não “consegue ultrapassar. Os outros, os responsáveis pela Lei, os Chefes do Povo são, por Ele Próprio “classificados” como ignorantes: «Não sabem o que fazem». Mas, este personagem sinistro – Herodes – sabia muito bem o que fazia e porque fazia. Enquanto os primeiros pensariam que estavam a defender a Lei, este último, pretendia apenas assegurar-se que o seu estatuto de Rei não corria perigo. Não teria qualquer pejo em assassinar Jesus - como tinha feito tantas vezes, incluindo os próprios filhos - se, pelas Suas respostas, chegasse a essa a essa conclusão. E, tal não podia acontecer porque tinham de se cumprir as Escrituras.

Não interessa muito discorrer sobre Pilatos e, muito menos, fazer juízos sobre a sua personalidade. Parece evidente para qualquer um que, a verdadeira razão que o motivou a  enviar Jesus a Herodes, foi a “esperança” que este resolvesse o problema que se lhe deparava: o assassínio de Jesus Cristo! Por isso, ao ver gorada a sua expectativa, lava as mãos em público como se esse gesto simbólico fosse suficiente e bastante para o inocentar. Não admira, pois, que na conivência e perfídia, ele e Herodes ficassem amigos; «Nesse dia, Herodes e Pilatos ficaram amigos, pois eram inimigos um do outro». Esta amizade – melhor seria dizer, conivência – tem uma raiz iníqua. Cimenta-se na perfídia e na ignorância, no despotismo e na falta absoluta de critério. Que amizade será esta? Que frutos se poderão esperar? Se amizade significa estar de acordo, corroborar o que o outro pensa ou defende como sendo a verdade, então, esta “amizade” não pode vingar nem subsistir. E, de facto, o fim dos dois “amigos” é uma desgraça pessoal para cada um e uma vergonha para os seus descendentes.

A realeza de Cristo – mesmo que não fosse essa a verdadeira intenção de Pilatos – ficará, para sempre, publicamente registada no letreiro que identifica o Crucificado. Os próprios que promoveram a Sua morte, reconhecem isto e vão junto do Pretor Romano pedir a remoção do letreiro. A resposta deste – «quod scripsi scripsi»  – é a confirmação da realidade. E são os simples e puros de coração – independentemente da sua situação pessoal no momento – que o reconhecem e acreditam. Com a sua declaração, o ladrão arrependido conquistou o Coração de Cristo e obteve o maior prémio a que poderia aspirar: a salvação eterna. O verdadeiro valor do arrependimento contrito fica, assim, bem expresso.

Pela pena de São Lucas, voltamos ao mesmo tema que já comentámos: Como reconhecer Jesus! Temos, todos os homens - atrevo-me afirmar – um desejo incontido de O encontrar de forma iniludível de tal forma que possamos dizer: É Ele! De facto, vemo-Lo pendente da Cruz – porque de todos atrai o olhar – mas isso não nos basta, não preenche completamente o nosso anseio: vê-Lo tal qual É, Ressuscitado, Glorioso, cheio de Poder e Majestade. Talvez, alguns, esperem por essa oportunidade para, de vez, se entregarem a Ele completamente ou se decidirem a segui-Lo mais de perto. Na Santa Missa, quando Ele desce sobre o altar consubstanciando-se no pão e no vinho consagrados, não O vemos, de facto, mas podemos sentir como que um frémito de amor que nos invade e domina e leva a exclamar interiormente: É Ele, está ali!..., e daí a momentos temos a possibilidade extraordinária de O receber em Corpo, Alma e Divindade, na Sagrada Comunhão Eucarística. Pensemos então quanto somos fortunados, muito mais que estes dois de Emaús que depois de O terem reconhecido, O viram desaparecer do seu convívio. Sim… porque, para nós, Ele está sempre ali, no Sacrário, à nossa espera, paciente e amoroso para Se nos entregar por inteiro.

O Evangelista refere que Emaús distava de Jerusalém uns sessenta estádios, ou seja, mais ou menos, trinta quilómetros. É uma distância considerável que, percorrida andando, consome umas quantas horas. Jesus Cristo não Se preocupa com o tempo, preocupa-se com os Seus amigos, com todos os homens. Não “faz contas” ao tempo necessário para os acompanhar, instruir, sossegar os corações, devolver a paz perdida. Impressiona esta disponibilidade permanente do Senhor, sim, perma­nente, porque para Ele não há nada – absolutamente - mais importante que os seus irmãos, os homens.

Como sempre que lemos um trecho de São Lucas, não podemos ficar indiferentes a não nos deixarmos envolver no relato como um per­sonagem mais. É de facto uma beleza descritiva simples e tão real como se vivida no próprio momento. Este dois de Emaús podem muito bem ser cada um de nós que vamos pela vida olhando sem ver, ouvindo sem perceber. Descurados os sinais, esquecidas as referências, ficamos agarra­dos ao momento que passa com a superficialidade dos apressados e com falta de critério. É bem verdade, para reconhecer Cristo naquele que connosco se cruza nos caminho, não basta ser “um dos Seus” é fundamental ter o coração livre de quaisquer amarras sejam elas tristezas e preo­cupações. A Cristo, só O podemos ver na alegria e na paz. A alegria da Ressurreição e a paz de Cristo!

«Reconheceram-no ao partir do pão»… Como?... porque a menos que Jesus tivesse uma forma peculiar de partir o pão, forma essa, que bastaria para O identificar, ou, porque, hipótese não descabida, os Apósto­los, nos dias anteriores terão contado com pormenor os acontecimentos da Última Ceia, repetindo as palavras e os gestos do Mestre, com ênfase para aqueles que, repetissem em “Sua memória”. Também é possível que os seguidores de Jesus, assustados e temerosos com o que se seguiria à Sua Morte, tivessem combinado entre si algumas formas, discre­tas, de se darem a conhecer como seguidores de Jesus. Tal como o será, mais tarde o desenho de um peixe, a forma de partir o pão poderia ser uma delas. Seja como for, os seus olhos só se abriram nesse momento e, só a partir de então, tomaram conhecimento da pessoa de Jesus com eles à mesa. E é, aliás, isto mesmo que contam, mais tarde, aos Apóstolos. Desde o princípio, a Igreja nascente, evoca, os sinais que o Mestre deixou. Mais tarde, serão estes sinais que comporão a Sagrada Liturgia. Amar e respeitar a Liturgia é, além de um dever, a melhor forma de honrar a memória, sempre viva e actuante, do Fun­dador e Cabeça da Igreja.

Os efeitos da tristeza são devastadores! Impedem ver Cristo que está sempre a nosso lado. Nos caminhos da vida, quantas vezes olhamos em volta e não ve­mos senão o costume: problemas, contradições, dificuldades e, então, carrega-se ainda mais a nossa mente com a tristeza de nos sentirmos sós, desamparados meio perdidos e sem norte. E, no entanto, Ele está ali…sempre… sempre! Esta certeza deve bastar para afastar a tristeza do nosso íntimo mas, se mais fora preciso, outra certeza resolverá de vez a ques­tão: A alegria de nos saber-mos filhos de Deus!

Para que não restem dúvidas que este episódio realmente aconte­ceu o Evangelista identifica um deles: Cléofas. Trata-se portanto de dois dos muitos discípulos de Jesus, que O seguiam com regularidade e conviviam entre si como o deixa per­ceber quando um se refere aos «nossos» mas, se assim é, como não reconheceram a Sua voz durante a longa conversa que mantiveram no caminho! Bom... tal como os seus olhos estavam «impedidos» de O verem, também os seus ouvidos não perceberam quem era o companheiro que lhes explicava as Escrituras. De facto, para ver e ouvir Jesus é preciso ter os olhos e os ouvidos limpos e desimpedidos de tudo quanto for supérfluo. E, mais… que as preocupações, o desânimo, o desgosto não domi­nem o coração nem a mente mergulhando o homem numa “escu­ridão” que o impeça de ver a Luz.

A tristeza põe como que uma névoa opaca sobre os olhos da alma impedindo-os de ver as realidades mais evidentes. O futuro apre­senta-se incerto, o desânimo apodera-se de nós, a vontade de pro­gredir e os desejos de melhoria atrofiam-se. Nem sequer a expectativa de dias mais risonhos nos anima e im­pele para a frente. E, frequentemente, paramos como que aturdidos. Como diz, sabiamente, Stº Agostinho, "paraste já estás morto". É o que nos espera se não sacudirmos para longe, decididamente, a tristeza do nosso coração: morrer inapelavelmente!

Acreditar na Ressurreição de Cristo é uma condição da nossa fé, como diz São Paulo, se Cristo não ressuscitou a nossa fé é vã. Temos um Salvador que Se entregou à morte voluntariamente para poder ressuscitar. Morrendo remiu os nossos pecados. Ressuscitando salvou-nos para a vida eterna. Era esta a primeira vez que os discípulos de Jejus tinham contacto com o Corpo Glorioso do Ressuscitado. Ficaram a saber que a Ressurreição não se tratava de um mito, algo indefinido, misterioso. A Ressurreição de Jesus aconteceu mesmo e, eles, são testemunhas desse facto. Também puderam entrever as qualidades que todos teremos quando ressuscitarmos dos mortos. Não ocuparemos nem espaço nem lugar e, no entanto, teremos o corpo que tínhamos em vida. Isto é importante para se perceber que, no Céu, a proximidade de Deus será única porque a Sua Visão encherá por completo toda as nossas capacidades e desejos. O grande mistério dos corpos ressuscitados aparece aqui de forma evidente. O corpo adquire uma qualidade que se chama "corpo glorioso" que continuando a ser o mesmo corpo que vivia adquire qualidades absolutamente diferentes, a primeira das quais é a imortalidade, não pode voltar a morrer, o que é absolutamente lógico.

A frase «Vós sois as testemunhas destas coisas» confere aos discípulos uma importância e um relevo na história da Redenção que os marcará para sempre. De facto, o que viram e ouviram do Ressuscitado será repetido incansavelmente até ao final dos tempos e que se pode resumir: Tudo quanto Jesus Cristo disse e fez é verdade!

Realmente, sendo Ele A VERDADE, não poderia ser outro o testemunho que deLe haveriam de dar e, para nossa ventura, assim fizeram com tanta constância e perseverança que recebemos intacta a mensagem divina: “Jesus Cristo é o nosso Salvador, que com a Sua Ressurreição nos ganhou para a Vida Eterna.”

«Então abriu-lhes o entendimento, para compreenderem as Escrituras,» como compreender se não se entende? Jesus conhece bem as nossas limitações e incapacidades por isso nos abre o entendimento, talvez não de forma súbita como fez com os Apóstolos, mas pausadamente ao longo dos anos. Começamos na catequese a aprender as bases da doutrina que enforma a nossa fé e continuamos pela vida fora adquirindo novos conhecimentos, aprofundando o que já sabemos. Há sempre coisas novas a retirar do tesouro das Escrituras, cada vez que lemos um trecho do Evangelho - talvez pela milésima vez - encontramos algo novo que, antes não tínhamos reparado, um enfoque diferente, um ensinamento que nos surpreende. Não admira que seja assim porque as palavras de Cristo e a sua doutrina são sempre novas, de todos os tempos.

Jesus Cristo parte para o céu, mas não nos deixa sós.
Fica connosco presente na Santíssima Eucaristia, sempre disponível, sempre pronto a acolher-nos. Somos felizes, muito felizes, por tão grande dom. Não só podemos estar com Ele, gozar a Sua companhia sempre que quisermos como, o que é extraordinário recebe-Lo no Seu Corpo, Alma e Divindade como alimento para esta vida e penhor da vida eterna. Nunca poderemos agradecer tão excelente dom.

À tristeza e perturbação da Morte de Jesus segue-se, agora, uma grande alegria. Nos últimos quarenta dias Jesus deve ter-lhes falado e ensinado muitas coisas. Abriu-lhes o entendimento e tudo é, para eles, cristalino e certo. Acabou-se o tempo das dúvidas, das interrogações dos medos e temores. Do Monte Tabor, descem homens diferentes daqueles que tinham seguido Jesus até ali. Agora, com a certeza que têm que o Espírito Santo virá, as suas almas conhecem uma paz e uma tranquilidade que se reflecte na alegria de que fala o Evangelista. Sem o saberem ainda, estão já em caminho de cumprir o mandato do Senhor: «Ide e ensinais todas as gentes».

Decerto que os Apóstolos viveram momentos de grande felicidade e alegria, mas, nós, temos motivos para estar ainda mais alegres e felizes. Os Apóstolos para estarem com Jesus tinham de O seguir para onde quer que fosse, procurá-Lo e, por vezes, esperar que acabasse o que estava a fazer – oração – para, então falarem com Ele. Nós, não! Quando queremos estar com Jesus – e queremos sempre – basta-nos ir a um dos muitíssimos Sacrários espalhados por toda a cidade em que vivemos, alguns a escassas dezenas de metros de distância e, Ele, ali está, à nossa espera, pronto a acolher-nos, a ouvir-nos, a estar connosco o tempo que quisermos.

Nada do que o Senhor faz é por acaso. Escolheu homens como Apóstolos, aqueles que seriam as colunas da Igreja que iria fundar, mas, as mulheres, não foram esquecidas e tiveram a honra e o privilégio de serem as primeiras a saber da Ressurreição Gloriosa. Os Filhos de Deus, que somos todos os cristãos, formamos de facto uma família cujo Chefe e Cabeça é Cristo e, como em qualquer família, cada um tem o seu lugar, a sua tarefa, concorrendo para o bem e proveito da mesma família. Os irmãos não se distinguem em importância ou relevo porque, o Pai de Família, quer a todos por igual. Cada um terá a sua própria maneira de viver essa vida familiar, com a idiossincrasia própria, e com os olhos postos no exemplo de “vem de cima.”

 

(AMA, 1998)

 

 

 

 

 

 

SÃO PIO X, papa

 


REFLEXÃO

Uma pessoa humilde que não tenha fé e sinceramente a deseje, acaba por tê-la com certeza, porque Deus não se nega a ninguém. E vice-versa, um aumento de soberba supõe uma diminuição de fé.

(Federico Suarez, A Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 4ª Ed. nr. 132)

 

ANJO DA GUARDA

 

Santo Anjo do Senhor meu zeloso guardador oisque a ti me confiou a Piedade Divina para me sempre me protege, guarda e ilumina

 


SÃO JOSEMARIA – textos

 

Não queiras ser grande. – Criança, criança sempre

Não queiras ser grande. – Criança, criança sempre, ainda que morras de velho. – Quando um menino tropeça e cai, ninguém estranha...; seu pai apressa-se a levantá-lo. Quando quem tropeça e cai é adulto, o primeiro movimento é de riso. – Às vezes, passado esse primeiro ímpeto, o ridículo cede o lugar à piedade. – Mas os adultos têm de se levantar sozinhos. A tua triste experiência quotidiana está cheia de tropeços e de quedas. Que seria de ti se não fosses cada vez mais pequeno? Não queiras ser grande, mas menino. Para que, quando tropeçares, te levante a mão de teu Pai-Deus. (Caminho, 870)

A piedade que nasce da filiação divina é uma atitude profunda da alma, que acaba por informar toda a existência: está presente em todos os pensamentos, em todos os desejos, em todos os afectos. Não tendes visto como, nas famílias, os filhos, mesmo sem repararem, imitam os pais: repetem os seus gestos, seguem os seus costumes, se parecem com eles em tantos modos de comportar-se? Pois o mesmo acontece na conduta de um bom filho de Deus. Chega-se também, sem se saber como nem por que caminho, a esse endeusamento maravilhoso que nos ajuda a olhar os acontecimentos com o relevo sobrenatural da fé; amam-se todos os homens como o nosso Pai do Céu os ama e – isto é o que mais importa – consegue-se um brio novo no esforço quotidiano para nos aproximarmos do Senhor. As misérias não têm importância, insisto, porque aí estão ao nosso lado os braços amorosos do nosso Pai Deus para nos levantar. (Amigos de Deus, 146)