16/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 16

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Segunda-Feira

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me: 

Sorrir, ser amável.


 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Lc XVII, 1-37

 

Os escândalos

1 Disse, depois, aos discípulos: «É inevitável que haja escândalos; mas ai daquele que os causa! 2 Melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem ao mar, do que escandalizar um só destes pequeninos.

 

Perdão das injúrias

3 Tende cuidado convosco! Se o teu irmão te ofender, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. 4 Se te ofender sete vezes ao dia e sete vezes te vier dizer: ‘Arrependo-me’, perdoa-lhe.»

 

Força da fé

5 Os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé.» 6 O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a essa amoreira: ‘Arranca-te daí e planta-te no mar’, e ela havia de obedecer-vos.»

 

O nosso dever

7 «Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, quando ele regressar do campo: ‘Vem cá depressa e senta-te à mesa’? 8 Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, enquanto eu como e bebo; depois, comerás e beberás tu’? 9 Deve estar grato ao servo por ter feito o que lhe mandou? 10 Assim, também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.’»

 

Cura dos dez leprosos

11 Quando caminhava para Jerusalém, Jesus passou através da Samaria e da Galileia. 12 Ao entrar numa aldeia, dez homens leprosos vieram ao seu encontro; mantendo-se à distância, 13 gritaram, dizendo: «Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!» 14 Ao vê-los, disse-lhes: «Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.» Ora, enquanto iam a caminho, ficaram purificados. 15 Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em voz alta; 16 caiu aos pés de Jesus com a face em terra e agradeceu-lhe. Era um samaritano. 17 Tomando a palavra, Jesus disse: «Não foram dez os que ficaram purificados? Onde estão os outros nove? 18 Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?» 19 E disse-lhe: «Levanta-te e vai. A tua fé te salvou.»

 

A vinda do Reino de Deus

20 Interrogado pelos fariseus sobre quando chegaria o Reino de Deus, Jesus respondeu-lhes: «O Reino de Deus não vem de maneira ostensiva. 21 Ninguém poderá afirmar: ‘Ei-lo aqui’ ou ‘Ei-lo ali’, pois o Reino de Deus está entre vós.» 22 Depois, disse aos discípulos: «Tempo virá em que desejareis ver um dos dias do Filho do Homem e não o vereis. 23 Vão dizer-vos: ‘Ei-lo ali’, ou então: ‘Ei-lo aqui.’ Não queirais ir lá nem os sigais. 24 Porque, como o relâmpago, ao faiscar, brilha de um extremo ao outro do céu, assim será o Filho do Homem no seu dia. 25 Mas, primeiramente, Ele tem de sofrer muito e ser rejeitado por esta geração. 26 Como sucedeu nos dias de Noé, assim sucederá também nos dias do Filho do Homem: 27 comiam, bebiam, os homens casavam-se e as mulheres eram dadas em casamento, até ao dia em que Noé entrou na Arca e veio o dilúvio, que os fez perecer a todos. 28 O mesmo sucedeu nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam, construíam; 29 mas, no dia em que Lot saiu de Sodoma, Deus fez cair do céu uma chuva de fogo e enxofre, que os matou a todos. 30 Assim será no dia em que o Filho do Homem se revelar. 31 Nesse dia, quem estiver no terraço e tiver as suas coisas em casa não desça para as tirar; e, do mesmo modo, quem estiver no campo não volte atrás. 32 Lembrai-vos da mulher de Lot. 33 Quem procurar salvar a vida, há-de perdê-la; e quem a perder, há-de conservá-la. 34 Digo-vos que, nessa noite, estarão dois numa cama: um será tomado e o outro será deixado. 35 Duas mulheres estarão juntas a moer: uma será tomada e a outra será deixada. 36 Dois homens estarão no campo: um será tomado e o outro será deixado.» 37 Tomando a palavra, os discípulos disseram-lhe: «Senhor, onde sucederá isso?» Respondeu-lhes: «Onde estiver o corpo, lá se juntarão também os abutres.»

 

Comentário

 

O Senhor responde aos Apóstolos com um exemplo sobre a Fé, no mínimo, extraordinário. Não é de admitir que alguém – mesmo por experiência pateta – mande uma árvore plantar-se no mar! Mas, pelas palavras do Senhor, até poderia, com uma condição prévia: Ter fé como um grão de mostarda! Ou seja, mesmo uma fé do tamanho de um grão de dimensões mínimas, tem um poder e um alcance extraordinários. Uma pergunta se impõe: Qual é o tamanho da nossa Fé?

Que há-de querer um cego? Naturalmente… ver. E quando precisa realmente, quando o que pede é um bem inestimável, não há nada nem ninguém que o impeça de tudo fazer para o conseguir. E nós? Vemos? Distinguimos claramente o bem do mal? Temos o olhar limpo ou por vezes deixamos que a concupiscência nos turve a vista e nos impeça ver o perigo da tentação? Peçamos insistentemente ao Senhor um olhar limpo e puro para podermos ver as maravilhas que Ele opera em nós.

Serviço é sempre trabalho donde que, servir e trabalhar, são praticamente a mesma coisa. Mas alguns acham que servir é de alguma forma submissão ou sujeição que coarcta a liberdade pessoal e fere a dignidade próprias. Não é assim, bem ao contrário, servir ajuda a crescer na dignidade e na própria estatura moral exactamente porque se cumpre o desígnio de Deus Criador que criou o homem para que trabalhasse e, trabalhando, dominar a natureza e alcançar a plenitude da vida.

Parecem um pouco “duras” as palavas do Senhor: Servos inúteis! Porquê? Talvez achemos que, por cumprir o nosso dever devemos ser louvados e exaltados? Mas… e se não fizermos? Deveríamos sofrer, por isso, um castigo? Então, bem vistas as coisas, só somos úteis se cumprirmos o que nos compete fazer, caso contrário, não temos qualquer préstimo.

De facto, os dez leprosos demonstraram uma mesma fé absoluta em Jesus Cristo: sob a Sua ordem, não hesitaram em fazer como lhes ordenara. Não fizeram perguntas, não duvidaram um instante sequer. Sim… é de louvar tal fé! Mas, como vemos no final do texto, embora os dez ficassem curados a um só foi garantida a salvação: ao que voltou para trás para mostrar o seu agradecimento. A Fé, sem dúvida, é importantíssima e consegue coisas extraordinárias, o mas dar graças a Deus alcança muito mais além da cura do corpo. Alcança a cura da alma e a salvação eterna!

Há efectivamente um paralelismo nas palavras de Jesus entre o que aconteceria - e de facto aconteceu - na conquista de Israel, a destruição de Jerusalém e o fim do mundo. Para os judeus a destruição do templo significava o final dos tempos. Não obstante a catástrofe e os longos anos de sofrimento a que os babilónicos o submeteu, o povo judeu acabou por reconquistar a liberdade, reconstruir, o templo, recomeçar a vida. Mas não tinha "aprendido" com isso de tal modo que Cristo não deixa de avisar repetidamente que, o futuro prepara-se no presente e depende do comportamento diário.

O Senhor faz várias referências sobre o “chamado” fim do mundo. Jesus Cristo não é o profeta da desgraça, nem o prenunciador de factos ou acontecimentos terríveis, mas, sabe, porque Ele sabe tudo, quanto irá acontecer. Não o revela exactamente para não desanimar os que – como Ele deseja e incentiva – procuram estar preparados para o que vier. Se atentarmos bem nas palavras que pronuncia, o que o Senhor deseja é que os homens – todos os homens – Seus irmãos estejam prevenidos e, sem saber nem como nem quando, estejam aptos a receber o Juiz Supremo quando Ele vier na Sua Glória julgar os vivos e os mortos.

Ao longo dos tempos não tem faltado quem se intitule como sendo o Messias Salvador. Alguns… visionários com evidentes desvios de personalidade, outros com o fim declarado de arrastar outros numa aventura que eles próprios são os primeiros a beneficiar. E, o que é de espantar, é que há quem os siga e contribua sem titubear para “a sua causa”, que mais não é, que a própria cupidez. Vemos, pois, quanta gente digna de dó – como o Senhor terá sentido tantas vezes – que vão atrás de sonhos, quimeras, histórias bem urdidas destinadas a convencer os mais fracos. Nós, cristãos, temos o dever de rezar – e muito – por esses muitos que seguem esses “lobos vestidos de pele de cordeiro”, para que encontrem alguém que os leve por um rumo certo e fiável.

O nome de Deus, de Jesus Cristo, tem sido usado por gente que pretende apenas aproveitar-se das pessoas fracas e desnorteadas. Sim há loucos e visionários, exaltados e sonhadores, sem dúvida, mas, esses, mais tarde ou mais cedo ou desaparecem ou caem no descrédito dos seus seguidores. Mas, infelizmente, muitos outros não. São pessoas sagazes, com o dom da palavra e de forte personalidade que encontram, com aparente facilidade, quem esteja disposto a segui-los e a aceitar as suas teorias e visões do mundo. Como infelizmente também não faltam os que andam perdidos na vida, arrastando-se sem rumo nem critério, esmagados pelas dúvidas e toda a sorte de males, ansiosos por encontrar quem lhes aponte um caminho seguro, lhes dê uma esperança, lhes confirme uma salvação ou cura. E, são estes, quase sempre, as primeiras vítimas dos primeiros, deixando-se embalar em falsas promessas, acreditando em manhas e truques de toda a ordem, enfim, enchendo o coração com aquilo que lhes falta. Como são dignos de dó e como todos nós, cristãos, temos de rezar por eles para que vão a tempo de ver a verdadeira luz e, assim, reconhecerem a verdade.

 

 


VIRTUDES

 

As virtudes humanas

 

Entre as virtudes humanas há quatro chamadas cardeais, porque todas as outras se agrupam à volta delas. São a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. (cf. Catecismo, 1805).

 

A prudência é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de o atingir (Catecismo, 1806). É a norma recta da acção

 

A justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. (Catecismo 1807)

 

A fortaleza é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa. (Catecismo, 1808).

 

A temperança a virtude moral que modera a atracção dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração. A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: “Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites” (Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada “moderação”, ou “sobriedade”» (Catecismo , 1809).

 

A respeito das virtudes morais, afirma-se que in médio virtus. Isto significa que a virtude moral consiste no meio entre um defeito e um excesso. In médio virtus não é uma chamada à mediocridade. A virtude não é o termo médio entre dois ou mais vícios, mas a rectidão da vontade que, como num cume, se opõe a todos os abismos que são os vícios.

 


 

REFLEXÃO

Recorda-te que as abelhas no tempo em que fazem o mel comem e sustentam-se de um mantimento muito amargo; e assim nós não podemos praticar actos de maior mansidão e paciência, nem compor o mel das melhores virtudes, senão quando comemos o pão da amargura e vivemos no meio das aflições.

 

(São Francisco de Sales, Introducción a la vida devota, III, 3)




SÃO JOSEMARIA - textos

 

Faz tudo o que puderes para conheceres a Deus

Em cada dia faz tudo o que puderes para conheceres a Deus, para te dares com Ele, para te enamorares mais em cada instante e não pensares senão no seu Amor e na sua glória. – Cumprirás este plano, filho, se não deixares, por nada!, os teus tempos de oração, a tua presença de Deus (com jaculatórias e comunhões espirituais para te inflamarem), a tua Santa Missa pausada, o teu trabalho bem acabado por Ele. (Forja, 737)

Meus filhos, onde estiverem os homens, vossos irmãos; onde estiverem as vossas aspirações, o vosso trabalho, os vossos amores, é aí que está o sítio do vosso encontro quotidiano com Cristo. É no meio das coisas mais materiais da Terra que devemos santificar-nos, servindo Deus e todos os homens. Tenho ensinado constantemente com palavras da Sagrada Escritura: o mundo não é mau porque saiu das mãos de Deus, porque é uma criatura Sua, porque Iavé olhou para ele e viu que era bom (Cfr. Gen. 1, 7 e ss.). Nós, os homens, é que o tornamos mau e feio, com os nossos pecados e as nossas infidelidades. Não duvideis, meus filhos: qualquer forma de evasão das honestas realidades diárias é, para vós, homens e mulheres do mundo, coisa oposta à vontade de Deus. Pelo contrário, deveis compreender agora – com uma nova clareza – que Deus vos chama a servi-Lo em e a partir das ocupações civis, materiais, seculares da vida humana: Deus espera-nos todos os dias no laboratório, no bloco operatório, no quartel, na cátedra universitária, na fábrica, na oficina, no campo, no lar e em todo o imenso panorama do trabalho. Ficai a saber: escondido nas situações mais comuns há um quê de santo, de divino, que toca a cada um de vós descobrir. (Temas Actuais do Cristianismo, 113–114)

 

 

15/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 15

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

DOMINGO

 

PLANO DE VIDA;  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA

 



LEITURA ESPIRITUAL

Evangelho

 

Lc XVI, 1-31

O feitor infiel

1 Disse ainda Jesus aos discípulos: «Havia um homem rico, que tinha um administrador; e este foi acusado perante ele de lhe dissipar os bens. 2 Mandou-o chamar e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar.’ 3 O administrador disse, então, para consigo: ‘Que farei, pois, o meu senhor, vai tirar-me a administração? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha. 4 Já sei o que hei-de fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando for despedido da minha administração.’ 5 E, chamando cada um dos devedores do seu senhor, perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’ Ele respondeu: 6 ‘Cem talhas de azeite.’ Retorquiu-lhe: ‘Toma o teu recibo, senta-te depressa e escreve cinquenta.’ 7 Perguntou, depois, ao outro: ‘E tu quanto deves?’ Este respondeu: ‘Cem medidas de trigo.’ Retorquiu-lhe também: ‘Toma o teu recibo e escreve oitenta.’ 8 O senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. É que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes.» 9 «E Eu digo-vos: Arranjai amigos com o dinheiro desonesto, para que, quando este faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. 10 Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco também é infiel no muito. 11 Se, pois, não fostes fiéis no que toca ao dinheiro desonesto, quem vos há-de confiar o verdadeiro bem? 12 E, se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso? 13 Nenhum servo pode servir a dois senhores; ou há-de aborrecer a um e amar o outro, ou dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.»

 

Murmuração dos fariseus; indissolubilidade do matrimónio

14 Os fariseus, como eram avarentos, ouviam as suas palavras e troçavam dele. 15 Jesus disse-lhes: «Vós pretendeis passar por justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os vossos corações. Porque o que os homens têm por muito elevado é abominável aos olhos de Deus. 16 A Lei e os Profetas subsistiram até João; a partir de então, é anunciada a Boa-Nova do Reino de Deus, e cada qual esforça-se por entrar nele. 17 Ora, é mais fácil que o céu e a terra passem do que cair um só acento da Lei. 18 Todo aquele que se divorcia da sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com uma mulher divorciada comete adultério.»

 

O rico avarento e o pobre Lázaro

19 «Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e fazia todos os dias esplêndidos banquetes. 20 Um pobre, chamado Lázaro, jazia ao seu portão, coberto de chagas. 21 Bem desejava ele saciar-se com o que caía da mesa do rico; mas eram os cães que vinham lamber-lhe as chagas. 22 Ora, o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. 23 Na morada dos mortos, achando-se em tormentos, ergueu os olhos e viu, de longe, Abraão e também Lázaro no seu seio. 24 Então, ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim e envia Lázaro para molhar em água a ponta de um dedo e refrescar-me a língua, porque estou atormentado nestas chamas.’ 25 Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado. 26 Além disso, entre nós e vós há um grande abismo, de modo que, se alguém pretendesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo, nem tão-pouco vir daí para junto de nós.’ 27 O rico insistiu: ‘Peço-te, pai Abraão, que envies Lázaro à casa do meu pai, pois tenho cinco irmãos; 28 que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.’ 29 Disse-lhe Abraão: ‘Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam!’ 30 Replicou-lhe ele: ‘Não, pai Abraão; se algum dos mortos for ter com eles, hão-de arrepender-se.’ 31 Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos.’»

 

 

Comentário:

 

Jesus Cristo louva a desonestidade? De modo algum, enfatiza a prudência no preparar o futuro. Sim, prudência, porque o futuro depende muito do presente. Deixar para o fim a solução de problemas não é uma medida prudente porque nada garante que possamos dispor dessa oportunidade. O tempo certo é agora, hoje, imediatamente. Nunc Coepi, sem demora ou adiamento. Precisamos sempre de um exame sério e criterioso sobre a nossa conduta e reagir de acordo. Podemos construir o nosso futuro?

Por próprios não, mas com a ajuda de Deus, sim.

Os “filhos da luz”, como o Senhor lhes chama, podem considerar-se todos os cristãos e, na verdade, no trato com os outros acontece, bastantes vezes, esse receio, ou “respeito humano” que impede que se dediquem ao trabalho de apostolado que o Senhor pede a todos. Fazemos mal, porque, além de não cumprir o Mandato Divino, desprezamos oportunidades de ganhar almas que intercedam por nós que, sempre, precisamos.

Pode parecer que Jesus tece um louvor ao administrador infiel e à sua “esperteza” em acautelar o futuro, prejudicando, uma vez mais, o seu senhor. Evidentemente que não! O que se passa – sempre se passou – hoje em dia é quase recorrente, pessoas que se aproveitam do que não é seu para arranjar fortuna própria. O que é entregue em confiança a alguém – a uma instituição – tem de ser tratado não como propriedade própria, mas como algo que foi entregue para guardar ou fazer render segundo o acordado entre as partes. O que assistimos – infelizmente – é uma autêntica fraude absolutamente desonesta que merece o maior repúdio e condenação. Não somos – nem queremos ser – juízes ou críticos destas situações mas aflige-nos pensar na tremenda injustiça social que, um pouco por todo o lado e, às vezes em grande escala, se continua praticando. Mas, por outro lado, há muitos que nunca se manifestam quando beneficiam desses “esquemas fraudulentos” para apenas se queixarem quando as coisas correm mal e os prejuízos aparecem. Parece que, tudo, se resume a uma questão muito simples: HONESTIDADE!

Ser fiel não tem como que “uma tabela” de valores, nem está condicionado por qualquer circunstância. Mais, a fidelidade parte do coração pelo que, não se é fiel com receio que a nossa infidelidade possa vir a ser descoberta. Ser fiel, implica, antes de mais, honestidade intelectual, antes mesmo de qualquer outra forma de honestidade. A pessoa intelectualmente honesta não tem um comportamento desigual ou diferente, errático e ao sabor das ocasiões.  Não! Rege-se por normas interiores, convicções arreigadas, esclarecidas e firmes que nada nem ninguém farão mudar. Não pensa uma coisa e diz outra ou, se atreve a considerar, ou julgar, o comportamento dos outros.

Será que a fidelidade tal como a honestidade são situações controversas? Quer dizer: haverá mais que uma interpretação possível? Não! Decididamente… não! Tal como ser fiel não tem que ver com a importância do assunto – tenha o valor que tiver – assim a fidelidade não conhece graus nem limites. Ou se é honesto ou não! Ou se é fiel em tudo ou não! Não há nem medidas nem “graus”, consoante as circunstâncias, os valores ou as situações. Quem não entende isto não é nem honesto nem fiel. É alguém em quem não se pode confiar o que seja.

Já o dissemos várias vezes e repetimos: Não se é muito ou pouco fiel. Ou se é ou não! Fidelidade é uma virtude do carácter estável e do bom critério não sofre oscilações consoante as consideradas "conveniências". A fidelidade gera a confiança e, esta é fundamental para a convivência em sociedade. Confiamos em Deus exactamente porque Ele é fiel e cumpre sempre o que promete independentemente do nosso merecimento que sempre ficará muito aquém. Atrevo-me a afirmar que sem fidelidade as outras virtudes não são possíveis pelo menos não se desenvolvem em plenitude.

Aí está o fosso entre o Paraíso e o Inferno impossível de transpor por toda a eternidade! A exclamação aplica-se porque é tão séria e grave esta constatação que não admite distracções dos vivos – enquanto têm tempo – para corrigir o rumo da sua vida. E não valem a pena lamentações, tudo é definitivo. Convém, portanto ter bem presente esta realidade: existe castigo eterno como, de facto, existe ventura eterna e, uma ou outra, só dependem de nós e do nosso comportamento enquanto vivos.

A verdade é que as palavras de Jesus se cumprem sempre. Não dando ouvidos nem à Igreja, nem às evidências diárias da existência de Deus, como acreditar no Ressuscitado? Inúmeras questões se levantam, pedidos de sinais repetidamente reclamados, nenhum sinal é suficiente, nenhum é satisfatório. Dá pena - muita pena - verificar que tantos homens continuam num agnosticismo feroz negando o que é evidente, combatendo o que é verdadeiro. Temos, os cristãos, de rezar - e rezar muito - por estes muitos que não sabem o que perdem com as suas posições irredutíveis, os respeitos humanos, a falta de humildade e honestidade intelectual tudo em nome de teorias, axiomas construídos sobre falsas premissas, sem qualquer base ou critério minimamente honesto.

Pela leitura deste trecho de São Lucas pode parecer que a resposta de Abraão ao homem rico é concludente: Um recebeu em vida, é condenado a nada mais recebe; O outro viveu privações e receberá incontáveis bens. Mas, não é assim tão linear. Não são nem as riquezas nem a ausência delas que determinam a vida eterna mas sim o comportamento, o uso que se fez num caso e noutro. A ausência de riqueza ou as privações não dão ”direito” a qualquer compensação mas sim a forma como foram vividas e suportadas. Oferecer as privações e dificuldades económicas como reparação e louvor a Deus tem um valor incomensurável ao passo que, viver gozando os bens – muitos ou poucos – sem a menor preocupação em distribuir, socorrer, partilhar com os que precisam e não têm, num egoísmo e indiferença feroz e avaro, merecem a reprovação de Deus Nosso Senhor que, sendo absolutamente Justo, não suporta a injustiça da indiferença e da avareza.

 

(AMA,1999)

 


FAMÍLIA

 

3. Deveres dos filhos para com os pais

 

Os filhos hão-de respeitar e honrar os pais, procurar dar-lhes alegrias, rezar por eles e corresponder lealmente ao seu sacrifício: para um bom cristão, estes deveres são um dulcíssimo preceito.

 

A paternidade divina é a fonte da paternidade humana cf. Ef 3,14); é o fundamento da honra devida aos pais (cf. Catecismo, 2214). O respeito pelos pais (piedade filial) é feito de reconhecimento àqueles que, pelo dom da vida, pelo seu amor e seu trabalho, puseram os filhos no mundo e lhes permitiram crescer em estatura, sabedoria e graça. “Honra o teu pai de todo o teu coração e não esqueças as dores da tua mãe. Lembra-te de que foram eles que te geraram. Como lhes retribuirás o que por ti fizeram?” (Sir 7, 27-28)» ( Catecismo, 2215).

 

O respeito filial manifesta-se na docilidade e obediência. “Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isto é agradável ao Senhor” (Cl 3, 20). Enquanto estão sujeitos aos seus pais, os filhos devem obedecer-lhes no que disponham para o seu bem e o da família. Esta obrigação cessa com a emancipação dos filhos, mas não cessa nunca o respeito que devem aos seus pais (cf. Catecismo , 2216-2217).

 

O quarto mandamento lembra aos filhos adultos as suas responsabilidades para com os pais. Tanto quanto lhes for possível, devem prestar-lhes ajuda material e moral, nos anos da velhice e no tempo da doença, da solidão ou do desânimo (Catecismo, 2218).

 

Se os pais mandarem alguma coisa oposta à Lei de Deus, os filhos estão obrigados a antepor a vontade de Deus aos desejos dos pais, tendo presente que “é necessário obedecer antes a Deus que aos homens” (Act 5, 29). Deus é mais Pai do que os nossos pais: d’Ele procede toda a paternidade (cf. Ef 3,15).

 


REFLEXÃO

Se a virtude tivesse de ser imediatamente recompensada com um favor temporal, a virtude seria um bom negócio, a abstenção do pecado, um hábil empréstimo. Seria o fim de toda a moralidade: procuraríamos o bem-estar, nunca amaríamos o bem.

 

(Georges Chevrot, Jesus e a Samaritana, Éfeso, 1956, pg. 77)

 


SÃO JOSEMARIA – textos

 

Dilata o teu coração

Não tenhas espírito provinciano. – Dilata o teu coração, até que seja universal, "católico". Não voes como ave de capoeira, quando podes subir como as águias. (Caminho, 7)

Em certa ocasião, vi uma águia encerrada numa jaula de ferro. Estava suja e meia depenada. Tinha entre as garras um pedaço de carne podre. Pensei então no que seria de mim se abandonasse a vocação recebida de Deus. Tive pena daquele animal solitário, enjaulado, que tinha nascido para subir muito alto e olhar de frente o Sol. Podemos ascender até às humildes alturas do amor de Deus, do serviço a todos os homens. Para isso, porém, é preciso que não haja na alma recantos escondidos, onde não possa entrar o sol de Jesus Cristo. Temos de deitar fora todas as preocupações que nos afastem d'Ele; e assim terás Cristo na tua inteligência, Cristo nos teus lábios, Cristo no teu coração, Cristo nas tuas obras. Toda a vida – o coração e as obras, a inteligência e as palavras – cheia de Deus. (...) Invoca comigo Nossa Senhora, e imagina como passaria Ela aqueles meses à espera do Filho que havia de nascer. E Nossa Senhora, Santa Maria, fará com que sejas alter Christus, ipse Christus, outro Cristo, o próprio Cristo. (Cristo que passa, 11)

 

 

 

 

14/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 14

  


Sábado 


Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Honrar a Santíssima Virgem.

 

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

 

Lembrar-me: Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

 

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.

Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

 

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

 

Lc XV, 1-32

 

A ovelha perdida

1 Aproximavam-se dele todos os cobradores de impostos e pecadores para o ouvirem. 2 Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.» 3 Jesus propôs-lhes, então, esta parábola: 4 «Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar? 5 Ao encontrá-la, põe-na alegremente aos ombros 6 e, ao chegar a casa, convoca os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.’ 7 Digo-vos Eu: Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão.»

 

A drácma perdida

8 «Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perde uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura cuidadosamente até a encontrar? 9 E, ao encontrá-la, convoca as amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida.’ 10 Digo-vos: Assim há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte.»

 

O filho pródigo

11 Disse ainda: «Um homem tinha dois filhos. 12 O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.’ E o pai repartiu os bens entre os dois. 13 Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada. 14 Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações. 15 Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos. 16 Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 17 E, caindo em si, disse: ‘Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! 18 Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; 19 já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros.’ 20 E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos. 21 O filho disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.’ 22 Mas o pai disse aos seus servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés. 23 Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, 24 porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.’ E a festa principiou. 25 Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças. 26 Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. 27 Disse-lhe ele: ‘O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.’ 28 Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse. 29 Respondendo ao pai, disse-lhe: ‘Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos; 30 e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.’ 31 O pai respondeu-lhe: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32 Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado.’»

 

Comentário

 

O génio literário de São Lucas manifesta-se magistralmente nesta parábola de Jesus. A parábola é belíssima e, realmente, aplica-se profundamente aos temas da Misericórdia, do Amor do Pai, da Alegria do regresso do filho perdido. Este Pai que está sempre à nossa espera perscrutando na lonjura do caminho onde tantas vezes nos perdemos na esperança amorosa de nos estender os braços e nos devolver a dignidade perdida por causa das nossas faltas e, mais, festejar com largueza a volta à casa paterna. Uma vez mais me ocorre exclamar: Ó félix culpa! Vale a pena o arrependimento, o bem que se alcança tem uma "medida" divina e, por isso mesmo, impossível de "contabilizar". Um anel no dedo, sapatos nos pés, o vestido mais precioso! Fica-se sem palavras perante tal magnificência! Não nos interroga por onde andámos, o que fizemos, só Lhe interessa que estejamos de novo ali, de onde nunca deveríamos ter-nos afastado: A alegria, a tranquilidade, a paz, a saciedade da casa paterna onde nada nos falta!

Esta alegria do pai que vê regressar o filho à casa paterna donde se afastou por vontade própria, está bem espelhada nos exemplos da drácma perdido e da ovelha tresmalhada e, magistralmente, na parábola do filho pródigo. Há, contudo, uma diferença entre as duas primeiras e esta última. Naquelas é o pastor e a dona de casa que deixam tudo para recuperar o que estava perdido, nesta última é o próprio extraviado que regressa por decisão própria. O que está presente nos três exemplos que dou é a alegria do reencontro, da recuperação do perdido, alegria tão grande que não pode reservar-se e tem de se comunicar aos outros. É esta mesma alegria que cada um de nós sente quando pela oração e a acção, alguém arrepia caminho e volta ao convívio da Igreja. Valem, pois, a pena todos os nossos esforços nesse trabalho de apostolado.

A necessidade de um pastor para nos guiar pelos caminhos da vida está bem evidenciada nesta passagem do Evangelho. Um pastor que guie, com sabedoria e segurança, sem dúvida mas, também, um pastor que nos ensine a proteger-nos, a resguardarmo-nos dos perigos e “barrancos” que a cada passo se nos deparam e onde, por imprudência, ignorância ou ousadia podemos perder-nos do rebanho.

Deste muito pequeno guardei a imagem dos emigrantes que regressavam a casa para passar o Natal com as famílias. Os tempos eram agrestes, as comunicações difíceis e algo perigosas pelo que, as viagens para os que esperavam os entes queridos criavam uma expectativa mista de apreensão e alegria. Com o que Jesus narra no Evangelho de hoje podemos ver esse emigrante - familiar ou amigo - perdido num caminho de regresso, talvez num atalho que o desviou da rota correcta ou, pior, precipitado num barranco para onde o atirou a imprudência, o cansaço, o excesso de confiança nas próprias capacidades. A verdade é que, quando finalmente chega a casa, é recebido com esfusiante alegria e atenções de todo género parecendo que passou a ser a pessoa mais importante da família. De facto, todos nós somos como emigrantes neste mundo em busca da casa do Pai comum que estará à nossa espera, expectante, de braços abertos. Para nos guiar pelos caminhos mais convenientes enviou-nos pastores dispostos a ajudar-nos. Não desprezemos, nunca, essa ajuda. Ela é preciosa e indispensável para não nos perdermos ou, caso tal tenha acontecido, a voltar sobre o andado e retomar o rumo certo.

O filho mais velho da parábola revela-se, talvez, como a personagem “chave” da mesma. Parece evidente que Jesus contasse esta parábola para ilustrar aos Seus ouvintes, a grandeza da misericórdia do pai, da bondade divina. Um pai que, não só perdoa como se alegra profundamente com o arrependimento do filho. Mas… onde estamos nós, de facto retratados? No Filho que se afasta e depois de se perder reencontra o caminho de casa? Ter prescindido do convívio com o pai regressa humilhado e contrito? Mas… realmente, o Pai nunca cessou de o amar e, o reencontro, é a prova disso mesmo. Mas o filho mais velho deseja ser o mais importante no amor do Pai e, mais, não quer que esse amor seja repartido com o irmão mais novo. Não percebe que o Pai ama os dois igualmente, não por aquilo que fazem mas pelo que são: Seus filhos!

A parábola tem um detalhe que ilustra bem duas coisas: a justiça da actuação do Pai e a falta de razão do irmão mais velho, ou seja: não favoreceu nem um nem outro filho, tratou ambos de igual modo porque “repartir” significa exactamente dar por igual.

De facto o pai não respondeu: quando me pediste alguma coisa, um cabrito, e eu to neguei? Mas sim: “estás sempre comigo, tudo o que é meu é teu”. Aqui esta a 'chave' da parábola, a grande maravilha da misericórdia divina: Não isto, este bem, esta fortuna, mas “tudo o que é meu”. Que pai terreno poderia alguma vez dizer tal coisa a um filho, sobretudo a um filho ingrato e invejoso? Só este Pai Divino, tem para com os Seus filhos tal magnanimidade e, felicidade a minha, este é o meu Pai! Que mais posso querer? Tranquilamente vou pensando na minha herança, mas, também na imensa fortuna do meu Pai que, é, já e agora, também minha desde que eu esteja com Ele. Senhor, que nunca me afaste de Ti.

 

  


 

REFLEXÃO

Se queremos guardar a mais bela de todas as virtudes, que é a castidade, temos de saber que ela é uma rosa que somente floresce entre espinhos; e, por conseguinte, só a encontraremos, como todas as outras virtudes, numa pessoa mortificada.

 

(São João Maria Vianey, Sermão sobre a penitência)

 

SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE, presbítero e mártir

 


 

SÃO JOSEMARIA – textos

 

 

Hás-de ir procurar as almas

Cristo espera muito da tua actividade. Mas hás-de ir procurar as almas, como o Bom Pastor saiu à procura da centésima ovelha: sem esperar que te chamem. Depois, serve-te dos teus amigos para fazer bem aos outros. Ninguém pode sentir-se tranquilo (di-lo a cada um) com uma vida espiritual que, depois de o encher, não transborde para os outros com zelo apostólico. (Sulco, 223)

Convence-te: precisas de te formares bem, em vista dessa avalanche de gente que nos cairá em cima, com a pergunta precisa e exigente: – "Ora bem, que é preciso fazer?". (Sulco, 221)

Jesus está junto do lago de Genesaré e as pessoas comprimem-se à sua volta, ansiosas por ouvirem a palavra de Deus. Tal como hoje! Não estais a ver? Estão desejando ouvir a mensagem de Deus, embora o dissimulem exteriormente. Talvez alguns se tenham esquecido da doutrina de Cristo; talvez outros, sem culpa sua, nunca a tenham aprendido e olhem para a religião como coisa estranha... Mas convencei-vos de uma realidade sempre actual: chega sempre um momento em que a alma não pode mais; em que não lhe bastam as explicações vulgares; em que não a satisfazem as mentiras dos falsos profetas. E, mesmo que nem então o admitam, essas pessoas sentem fome, desejam saciar a sua inquietação com os ensinamentos do Senhor. (Amigos de Deus, 260)