15/05/2021

NUNC COEPI: Publicações em Maio 15

                                                     

                                               Sábado

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 




Ano de São José

A figura de São José no Evangelho

Das narrações evangélicas depreende-se a grande personalidade humana de São José: em nenhum momento nos aparece como um homem diminuído ou assustado perante a vida; pelo contrário, sabe enfrentar-se com os problemas, superar as situações difíceis, assumir com responsabilidade e iniciativa os trabalhos que lhe são encomendados. Não estou de acordo com a forma clássica de representar São José como um homem velho, apesar da boa intenção de se destacar a perpétua virgindade de Maria. Eu imagino-o jovem, forte, talvez com alguns anos mais do que a Virgem, mas na pujança da vida e das forças humanas.

 


 

Mês de Maio - Santíssima Virgem

Meditações de Maio

 

Neste Sábado desejo fazer algo especial pela minha Mãe do Céu.

O que poderia fazer que lhe fosse agradável e reflectisse o meu amor, carinho e veneração pela Excelsa Mãe de Deus e minha Mãe?

Ocorre-me, então, que, seguramente, o que lhe dará maior alegria, é participar na Santa Missa com todo o meu empenho, as minhas forças e potências para, assim, dar maior glória a Deus e receber as abundantes graças que me tem reservadas.

Santa Maria, ajuda-me neste propósito.

 

Santo Rosário - Meditação sobre o Quarto Mistério Glorioso

Assunção de Nossa Senhora ao Céu

 

  A Santíssima Virgem morreu de facto?

  Não é, quanto a mim, fundamental sabê-lo mas, embora revestida das mais excelentes qualidades e perfeições, sobre as quais avulta a sua Imaculada Conceição, era uma criatura humana e não custa admitir que – sim – terá morrido.

  Muitos Padres da Igreja chamam a esse momento: “A Dormição da Santíssima Virgem” o que, a meu ver, está absolutamente certo, pois que é a morte senão um adormecer para esta vida terrena para logo acordar para a verdadeira Vida: A Vida Eterna?

  Algumas vezes – por exemplo a filha de Jairo ou Lázaro – os Evangelhos relatam que Jesus Cristo, perante o choro e lamentações dos presentes, afirmou: «Não choreis! Não morreu mas dorme».

  Mas, morte, não implica necessariamente corrupção do corpo e há muitos casos em que tal acontece.

  Mas, no que respeita à Nossa Mãe do Céu, foi ainda mais diferenciado do comum, como um relâmpago que cruza os céus e logo se desvanece.

  A Assunção de Nossa Senhora ao Céu é um Dogma de Fé e, como tal, nós, cristãos, acreditamos e professamos como verdade absoluta que imediatamente a sua alma voltou a unir-se ao corpo e foi elevada ao Céu.

  Tal implica uma ressurreição? Que importa esse detalhe perante a definição dogmática? [1]

  Sinceramente penso que Jesus não poderia deixar na terra a Sua Santíssima Mãe e haveria de querer que estivesse no Céu com Ele, com o Pai e com o Espírito Santo, em corpo e alma.

  Afinal… a Santíssima Mãe de Deus não haveria de estar – sempre - junto do Seu Filho?  O seu Filho não haveria de querer a Sua Santíssima Mãe junto de Si?

 

  Nas suas vindas ao mundo – como nas aparições de Fátima – a Senhora apresenta-se como quem é, quem está, quem vive no Céu.

  Não se apresenta como um espírito, uma visão surreal mas sim como uma criatura humana de “carne e osso”, real… viva!   Sim, a Santíssima Virgem, foi Assumpta ao Céu, em corpo e alma: Esta é uma Verdade da nossa Fé Cristã.

 



São José Maria textos

O Senhor socorre-nos e levanta-nos

Tu não podes tratar ninguém com falta de misericórdia; e, se te parecer que uma pessoa determinada não é digna dessa misericórdia, tens de pensar que tu também não mereces nada: não mereces ter sido criado, nem ser cristão, nem ser filho de Deus, nem pertencer à tua família... (Forja, 145)

Ficaram também muito gravadas em nós, entre muitas outras cenas do Evangelho, a clemência com a mulher adúltera, a parábola do filho pródigo, a da ovelha perdida, a do devedor perdoado, a ressurreição do filho da viúva de Naim. Quantas razões de justiça para explicar este grande prodígio! Era o filho único daquela pobre viúva; era ele quem dava sentido à sua vida; só ele poderia ajudá-la na sua velhice! Mas Cristo não faz o milagre por justiça; fá-lo por compaixão, porque interiormente se comove perante a dor humana. Que segurança deve produzir-nos a comiseração do Senhor! Se ele clamar por mim, ouvi-lo-ei, porque sou misericordioso. É um convite, uma promessa que não deixará de cumprir. Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça a fim de alcançar misericórdia e o auxílio da graça, no tempo oportuno. Os inimigos da nossa santificação nada poderão, porque essa misericórdia de Deus nos defende. E se caímos por nossa culpa e da nossa fraqueza, o Senhor socorre-nos e levanta-nos. Tinhas aprendido a afastar a negligência, a afastar de ti a arrogância, a adquirir piedade, a não ser prisioneiro das questões mundanas, a não preferir o caduco ao eterno. Mas, como a debilidade humana não pode manter o passo decidido num mundo resvaladiço, o bom médico indicou-te também os remédios contra a desorientação e o juiz misericordioso não te negou a esperança do perdão. (Cristo que passa, 7)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] (São Pio XII, Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, 1950)

14/05/2021

NUNC COEPI: Publicações em Maio 14

 


Sexta-Feira

PLANO DE VIDA: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Participar na Santa Missa.

Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.

O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?




 

 

São Matias, Apóstolo

 



Mês de Maio - Santíssima Virgem

 

Meditações de Maio

 

Hoje tenho, para ti, uma prece: Santa Maria, Mãe de Deus e minha Mãe, diz ao Teu Divino Filho, coisas boas de mim, que eu, não obstante ser débil, pusilânime e volúvel, me esforço por ser um bom filho. Pobre de mim que não o consigo sempre, mas, repito vezes sem conta: Diz-lhe coisas boas de mim

Santo Rosário - Meditação sobre o Terceiro Mistério Glorioso

 

Vinda do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos

 

  Desde a Ascensão eram habituais os encontros com os Onze. De que falariam?

Seguramente terás contado detalhes da vida do teu Filho que só tu poderias conhecer.

Muito particularmente a Lucas terás descrito com pormenores quanto sucedeu desde a Anunciação do Arcanjo Gabriel, os sonhos de José teu marido, a Visitação a tua prima Isabel, o Nascimento do teu Jesus, a Apresentação no Templo e as profecias de Simeão e Ana, a fuga para o Egipto, o desencontro e reencontro com Jesus na primeira viagem a Jerusalém…

Mas nunca falaste das tuas dores, dos medos e ansiedades que deveriam “apertar-te” o coração.

  Na discrição mais absoluta só falas do teu Filho, é Ele que importa, Ele é o Salvador da humanidade.

E, como boa Mãe em quem todos confiam, vais guiando, aconselhando, incutindo esperança, confiança e amor.

  Mostraste como é, como deve ser, o desempenho de uma Mãe que se preocupa com os seus filhos, sem fazer distinções entre eles, querendo a todos por igual, amando a todos com o mesmo Coração Amantíssimo, com o mesmo coração com que amaste – amas – o teu Jesus.

  E chegou o dia em que, mais uma vez, se cumpre uma das promessas do teu Filho e, o Espírito Santo – de Quem és Esposa – desce sobre todos os reunidos no Cenáculo.

  A partir de então tudo, absolutamente, fica claro como água cristalina, não há mais dúvidas a esclarecer nem temores que debelar e sentes que a tua missão está a chegar ao seu termo.

  O Divino Espírito Santo veio iluminar os Apóstolos instilando neles os Seus Dons, particularmente os de Sabedoria e Fortaleza.

  Agora… vêm claramente o que até então estava oculto ou não entendiam.

  Agora… possuem o ânimo, a coragem e a determinação para cumprir o Mandato recebido de Jesus, arrostando com dificuldades, contratempos, perseguições.

  A ti, Senhora, o Divino Espírito Santo de Quem és Esposa, não terá vindo acrescentar nada ao que já possuías desde sempre e, muito particularmente, desde a Anunciação mas, era necessário que em tão extraordinária como solene ocasião estivesses com os teus mais próximos – os Apóstolos.

  Nunca os abandonas em todos os momentos.

  Nunca bandonas os teus filhos os homens mesmo aquelesque, desgraçadamente, ou não sabem que te têm por Mãe Amantíssima ou só se lembram de ti nas aflições com que se deparam.

 


 

São José Maria textos

O teu trabalho deve ser oração

Antes de começar a trabalhar, põe sobre a tua mesa, ou junto dos utensílios do teu trabalho, um crucifixo. De vez em quando, lança-Lhe um olhar... Quando a fadiga chegar, fugir-te-ão os olhos para Jesus, e encontrarás nova força para prosseguir no teu empenho. Porque esse crucifixo é mais do que o retracto de uma pessoa querida – os pais, os filhos, a mulher, a noiva... – ; Ele é tudo: o teu Pai, teu Irmão, teu Amigo, teu Deus e o Amor dos teus amores. (Via Sacra, Estação XI. n. 5)

Costumo dizer com frequência que, nestes momentos de conversa com Jesus, que nos vê e nos ouve do sacrário, não podemos cair numa oração impessoal. E observo também que, para meditar de modo a que se inicie imediatamente um diálogo com o Senhor, não é preciso pronunciar palavras. Precisamos, sim, de sair do anonimato e de nos pôr na sua presença tal como somos, sem nos escondermos na multidão que enche a igreja, nem nos diluirmos num palavreado oco, que não brota do coração, mas de um costume desprovido de conteúdo. Posto isto, acrescento agora que também o teu trabalho deve ser oração pessoal e há-de converter-se numa grande conversa com o Nosso Pai do Céu. Se procuras a santificação na tua actividade profissional e através dela, terás necessariamente de te esforçar para que ela se converta numa oração sem anonimato. E nem sequer estes teus afãs podem cair na obscuridade anódina de uma tarefa rotineira, impessoal, porque nesse mesmo instante teria morrido o aliciante divino que anima o teu trabalho quotidiano. (Amigos de Deus, n. 64)

 

 

 

 

 

13/05/2021

NUNC COEPI: Publicações em Maio 13

 


Quinta-Feira

PLANO DE VIDA: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Participar na Santa Missa.

Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.

O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?


 



NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

 

Mês de Maio - Santíssima Virgem

 

Meditações de Maio

 

Como todos os anos desde 1917, neste mês de Maio, Portugal caminha para Fátima para colocar a teus pés as alegrias e tristezas, os pedidos e os  agradecimentos, a confiança e a esperança em ti Senhora de Fátima e Rainha de Portugal.

Santo Rosário - Meditação sobre o Segundo Mistério Glorioso

Ascensão de Jesus ao Céu

 

  Os onze mais íntimos do teu Filho apressaram-se em vir contar-te o que se passou: Elevou-Se ao Céu, à vista de todos e desapareceu da sua presença.

  Volto a afirmar, sem receio algum de ser desmentido, que Ele te avisara previamente, talvez para confirmar  que chegara ao termo a Sua missão na terra e pedindo-te que “olhasses” pelos onze e os conduzisses com mão segura e terna nos primeiros tempos de desorientação e perplexidade.

  O teu Filho voltava “à Sua casa”, ao “lugar” que desde sempre fora o Seu.

  No teu coração amantíssimo aninha-se o desejo quase incontrolável de te juntares a Ele quanto antes mas, sabes bem que a tua missão na terra ainda não terminou.

  Há tanto para fazer!

  Tantos para guiar e conduzir com mão terna de Mãe!

  A cada instante a tua casa fica repleta com esses amigos ainda inconsoláveis e algo desnorteados.

Há que sossegá-los, dar-lhes apoio, esperança e, sobretudo, confiança que tudo se cumprirá como o teu Jesus dissera.

  O teu Filho partiu para o Céu mas está sempre presente junto de ti numa união tão completa e cúmplice como sempre foi e, por isso mesmo, não estás triste, bem ao contrário, tens de mostrar-te alegre para que possas transmitir a todos a alegria dos Filhos de Deus.

  Não sabemos quanto tempo ainda estiveste presente físicamente junto deles mas, atrevo-me a considerar que aguardaste até ao momento em que, cumprindo o Mandato do teu Filho, partiram para os quatro cantos do mundo apregoando a Boa Nova do Reino de Deus.

  Sim… estiveste presente até ao último momento e, de facto, estás sempre presente em todos os momentos em que os teus filhos possam necessitar – e necessitam sempre – do teu axílio e protecção.

 


São José Maria textos

Onde há humildade há sabedoria

"Quia respexit humilitatem ancillae suae" – porque olhou para a baixeza da sua escrava... Cada vez me persuado mais de que a humildade autêntica é a base sobrenatural de todas as virtudes. Fala com Nossa Senhora, para que Ela nos ensine a caminhar por esta senda. (Sulco, 289)

Se recorrermos à Sagrada Escritura, veremos como a humildade é um requisito indispensável para nos dispormos a ouvir Deus. Onde há humildade há sabedoria, explica o livro dos Provérbios. A humildade consiste em nos vermos como somos, sem disfarces, com verdade. E ao compreendermos que não valemos quase nada, abrimo-nos à grandeza de Deus. Esta é a nossa grandeza. Que bem o compreendia Nossa Senhora, a Santa Mãe de Jesus, a criatura mais excelsa de todas as que existiram e hão-de existir sobre a terra! Maria glorifica o poder do Senhor, que depôs do trono os poderosos e elevou os humildes. E canta que n'Ela se realizou uma vez mais esta providência divina: porque olhou para a baixeza da sua escrava; portanto, eis que, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada.

Maria manifesta-se santamente transformada, no seu coração puríssimo, em face da humildade de Deus: o Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. E, por isso mesmo, o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. A humildade da Virgem é consequência desse abismo insondável de graça, que se opera com a Encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade nas entranhas da sua Mãe sempre Imaculada. (Amigos de Deus, n. 96)

 

Oração pelos Sacerdotes

Meu Senhor Jesus Cristo:

Dai à Vossa Igreja Sacerdotes Santos que se entreguem ao serviço exclusivo da Igreja e das almas, ao anúncio fiel da palavra de Deus, à administração dos Sacramentos, em especial da Eucaristia e da Penitência, obedientes ao Magistério da Igreja e observando amorosamente a Sagrada Liturgia, para exemplo e guia seguro do Povo de Deus. (AMA, 2009)

Com autorização eclesiástica

 

 

 

12/05/2021

NUNC COEPI: Publicações em Maio 12

 


Quarta-Feira 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


PLANO DE VIDA: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Lembrar-me: Meu Anjo da Guarda.

 Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Propósito: Ter em especial atenção o Anjo da minha guarda

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?


Primeiro Mistério - A Ressurreição de Jesus

 

_ «A quem procurais?»

_ «A Jesus, meu Senhor.«

_ Não vos assusteis. Procurais a Jesus Nazareno, O Crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde O tinham posto. Agora ide, dizei aos Seus discípulos e a  como vos disse. Mc 16, 1-7 [1]

 Este diálogo tão curto entre o Teu Anjo e as mulheres que Te foram ver uma vez mais, no Teu sepulcro, revela toda uma espantosa realidade: A Tua Ressurreição.

Não sei de todos se dão conta da fantástica prova da Tua divindade que quises-Te deixar-nos, Senhor: Por Teu poder, o Teu espirito reúne-se com o Teu corpo que vive novamente!

FosTe descido da Cruz pelos Teus amigos mais íntimos. Há pressa. Aproxima-se a noite e têm de regressar a suas casas todos os participantes do drama do Gólgota. Celebra-se a festa da Páscoa e o cumprimento da Lei é escrupulosamente observado.

O Teu corpo exangue é lavado apressadamente e os óleos dos defuntos são aspergidos. Uma toalha de linho cru e eis que és deposto naquele túmulo novo cuja pedra é rolada para tapar a entrada.

  Não creio que seja um funeral definitivo. Foi o possível, aquilo para que houve tempo.

Estás, apesar de tudo, limpo e perfumado, os cabelos arranjados, tens um ar composto, digno. Nem um só osso Te foi quebrado, só o sangue foi derramado. Até à última gota!

Todo o Teu sangue, Senhor, ficou pelas pedras do caminho, no madeiro negro onde Te pregaram e, finalmente, naquele trapo imundo que mal tapava a Tua nudez aos olhos dos mirones.

Repousa finalmente o Teu corpo martirizado ainda húmido das lágrimas dos Teus amigos que amarga e tristemente choravam o seu Senhor morto, agora apenas há as testemunhas convenientes: os soldados enviados pelos Príncipes dos Sacerdotes depois de Pilatos se ter recusado a fazê-lo. [2]

  E Jesus ressuscita!

O meu Senhor volta a assumir-Se plenamente como homem e como Deus.

Perfeito homem, perfeito Deus.

Não se notam os sinais das vergastadas, nem as feridas dos espinhos. Toda a pele visível tem uma palidez resplendorosa, como que irreal. E, no entanto, o Senhor fala, caminha, come com os discípulos.

  Oh meu Senhor, Tu ressuscitasTe só para que eu, finalmente, acreditasse em Ti?

Não me bastou, Senhor, assistir a todo o horror da Tua Paixão, Ter visto os milagres, as multidões? Nada disto foi suficiente?

Tive que, por uma última vez, pedir-Te um sinal?

  Pobre de mim, Senhor, que não mereço tal honra da Tua parte. Mas Tu, com uma compaixão infinita, voltas a esta terra, assumes o Teu corpo e, novamente, Te sujeitas à forma humana.

RessuscitasTe, Senhor, e com a Tua Ressurreição, quebram-se finalmente os grilhetas da servidão. Não mais o pecado será mal sem remédio. O perdão, a misericórdia, a conversão estarão definitivamente ao alcance e dentro das possibilidades de qualquer um.

Esta Ressurreição é, Senhor, o sacrifício mais sublime que poderias Ter feito por todos os Teus filhos, porque alem de lhes restituíres a dignidade e reabrir as portas do Céu, viesTe dar-lhes a certeza que sob o Teu corpo de homem, Tu Senhor, permanecerás até ao fim dos tempos, a nosso lado, à nossa espera.

  Possa eu, Senhor, não defraudar a Tua expectativa e chegar convenientemente preparado ao encontro que terás comigo no dia e hora que escolheres.



[1] A designação do apóstolo Pedro pelo seu nome, é uma maneira de destacar a figura de quem faz de cabeça no Colégio Apostólico, precisamente nuns momentos em que a perturbação e o desalento tinham feito presa n'Eles. É também uma manifestação delicada de que Pedro foi perdoado das suas negações e uma confirmação do seu primado apostólico. (Bíblia Sagrada, anotada pela Fac. de Teologia da Univ. de Navarra, Comentário Mc 16, 7)

Em Doze de Maio

Já muitos peregrinos estarão neste momento naquele lugar bendito pela tua presença viva há 99 anos atrás, Se­nhora.

  Quiseste vir a Portugal, a Fátima, entregar a três simples crianças, uma mensagem urgente, importantíssima: oração e penitência, em desa­gravo do Sagrado Coração de Jesus tão ofendido pelos homens.

  Ah! Senhora, que maravilha operaste nesta terra e neste homem que agora pensa nestas coisas todas.

  As recordações da minha infância, os actos de Fé extraordinários, sim­ples uns, grandiosos outros, mas todos tão esmagadoramente convin­centes, que pasmo como pode alguém duvidar da excelência das vir­tudes que Fátima emana.

E eu, como tenho vivido a mensagem que tão amorosamente entregas-te aos Pastorinhos?

O Terço diário tenho-o rezado, mas, de que forma, Senhora...

Quantas distrações, devaneios, alheamentos.

Em lugar de meditar nos mistérios do Rosário, que retratam momentos importantíssimos da tua vida na terra, fico a pensar em não sei quê, divagando sem nexo e sem rumo.

Perdoa-me minha querida Mãe do Céu, a falta de educação que mani­festo com tais atitudes.

Sabes bem que sou um fraco e que não consigo fazer bem feito, como deve ser, uma coisa tão importante como falar contigo, rezar o Terço do Rosário.

  Avé Maria cheia de graça. Sim, Avé Maria acima de tudo e todos, logo, logo abaixo de Jesus, tu, Maria, és a primeiríssima pessoa a quem re­corro.

  Sei bem quanto vale a tua intercessão junto do Teu Santíssimo Filho e, por isso: Recordare Virgo Mater Dei dum steteris in conspectu Do­mini et loquaris pro me bona.

  Não te esqueças, Senhora.

  Tenta, como só tu sabes, compor as coisas junto do Senhor, e diz-Lhe que, vendo bem, eu não passo de um pobre tonto que não faz as coisas melhor porque é mole e fraco.

Mas que tento, tento e hei-de tentar sempre.

Com a tua preciosa ajuda, claro, porque sem ela bem posso eu tentar que não conseguirei absolutamente nada.

  Penitência e oração, oração e penitência.

As duas coisas têm forçosamente de estar juntas, de se completar.

E eu penitencio-me pouco, quase nada.

Os pequenos sacrifícios ou mortificações que faço, que são, compara­dos com os gostos que desfruto, os, prazeres, os comodismos, para não falar já, nos excessos, mormente na comida e bebida que, por vezes, como um animal esfomeado ou sôfrego, cometo.

  Ajuda-me Senhora minha, neste dia 12 de Maio, a preparar a minha alma e o meu espírito para atarefa diária que me espera:  Combater a distração e o alheamento, lutar pela concentração na ora­ção e a disposição permanente para a mortificação nas coisas peque­nas de cada dia.



São Josemaria - Textos

Orar é falar com Deus. Mas de quê?

Escreveste-me: "Orar é falar com Deus. Mas de quê?". De quê?! D'Ele e de ti; alegrias, tristezas, êxitos e fracassos, ambições nobres, preocupações diárias..., fraquezas; e acções de graças e pedidos; e Amor e desagravo. Em duas palavras: conhecê-Lo e conhecer-te – ganhar intimidade! (Caminho, 91)

Uma oração ao Deus da minha vida. Se Deus é vida para nós, não deve causar-nos estranheza que a nossa existência de cristãos tenha de estar embebida de oração. Mas não penseis que a oração é um acto que se realiza e se abandona logo a seguir. O justo encontra na lei de Iavé a sua complacência e procura acomodar-se a essa lei durante o dia e durante a noite. Pela manhã penso em ti; e, durante a tarde, dirige-se a ti a minha oração como o incenso. Todo o dia pode ser tempo de oração: da noite à manhã e da manhã à noite. Mais ainda: como nos recorda a Escritura Santa, também o sono deve ser oração. (...) A vida de oração tem de fundamentar-se, além disso, em pequenos espaços de tempo, dedicados exclusivamente a estar com Deus. São momentos de colóquio sem ruído de palavras, junto ao Sacrário sempre que possível, para agradecer ao Senhor essa espera – tão só! – desde há vinte séculos. A oração mental é diálogo com Deus, de coração a coração, em que intervém a alma toda: a inteligência e a imaginação, a memória e a vontade. Uma meditação que contribui a dar valor sobrenatural à nossa pobre vida humana, à nossa vida corrente e diária. Graças a esses tempos de meditação, às orações vocais, às jaculatórias, saberemos converter a nossa jornada, com naturalidade e sem espectáculo, num contínuo louvor a Deus. Manter-nos-emos na sua presença, como os que estão enamorados dirigem continuamente o seu pensamento à pessoa que amam, e todas as nossas acções – inclusivamente as mais pequenas – encher-se-ão de eficácia espiritual. Por isso, quando um cristão se lança por este caminho de intimidade ininterrupta com o Senhor – e é um caminho para todos, não uma senda para privilegiados – a vida interior cresce, segura e firme; e o homem empenha-se nessa luta, amável e exigente ao mesmo tempo, por realizar até ao fim a vontade de Deus. (Cristo que passa, 119)

[2] Mt 27, 62-66






Fátima - BÊNÇÃO DAS VELAS E ORAÇÃO DO SANTO ROSÁRIO

Queridos peregrinos.

  Todos juntos, com a vela acesa na mão, lembrais um mar de luz à volta desta singela capelinha, amorosamente erguida em honra da Mãe de Deus e nossa Mãe, cujo caminho da terra ao céu foi visto pelos pastorinhos como um rasto de luz. Contudo nem Ela nem nós gozamos de luz própria: recebemo-la de Jesus. A sua presença em nós renova o mistério e o apelo da sarça-ardente, o mesmo que outrora atraiu Moisés no monte Sinai e não cessa de fascinar a quantos se dão conta duma luz particular em nós que arde sem nos consumir (cf. Ex 3, 2-5). Por nós, não passamos de mísero silvado, sobre o qual pousou a glória de Deus. A Ele toda a glória, a nós a humilde confissão do próprio nada e a submissa adoração dos desígnios divinos que estarão cumpridos quando «Deus for tudo em todos» (cf. 1 Cor 15, 28). Serva incomparável de tais desígnios é a Virgem cheia de graça: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).

  Queridos peregrinos, imitemos Maria, fazendo ressoar em nossa vida o seu «faça-se»! A Moisés, Deus ordenara: «Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é terra sagrada» (Ex 3, 5). E ele assim fez; calçará de novo as sandálias, para ir libertar o seu povo da escravidão do Egipto e conduzi-lo à terra prometida. Não se trata simplesmente da posse dum pedaço de terreno ou dum território nacional que cada povo tem o direito de ter; na luta pela libertação de Israel e no seu êxodo do Egipto, o que aparece primeiro é sobretudo o direito à liberdade de adoração, à liberdade de um culto próprio. No decorrer da história do povo eleito, a promessa da terra acabou por assumir cada vez mais este significado: a terra é dada para que haja um lugar da obediência, para que exista um espaço aberto a Deus.

  No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado.

 Queridos irmãos e irmãs, adorai Cristo Senhor em vossos corações (cf. 1 Ped 3, 15)!

  Não tenhais medo de falar de Deus e de ostentar sem vergonha os sinais da fé, fazendo resplandecer aos olhos dos vossos contemporâneos a luz de Cristo, tal como a Igreja canta na noite da Vigília Pascal que gera a humanidade como família de Deus.

  Irmãos e irmãs, neste lugar é impressionante observar como três crianças se renderam à força interior que as invadiu nas aparições do Anjo e da Mãe do Céu. Aqui, onde tantas vezes se nos pediu que rezemos o Terço, deixemo-nos atrair pelos mistérios de Cristo, os mistérios do Rosário de Maria. A oração do Terço permite-nos fixar o nosso olhar e o nosso coração em Jesus, como sua Mãe, modelo insuperável da contemplação do Filho.

  Ao meditar os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos ao longo das «Ave Marias», contemplamos todo o mistério de Jesus, desde a Encarnação até à Cruz e à glória da Ressurreição; contemplamos a participação íntima de Maria neste mistério e a nossa vida em Cristo hoje, também ela tecida de momentos de alegria e de dor, de sombras e de luz, de trepidação e de esperança. A graça invade o nosso coração no desejo de uma incisiva e evangélica mudança de vida de modo a poder proclamar com São Paulo: «Para mim viver é Cristo» (Fil 1, 21), numa comunhão de vida e de destino com Cristo.

  Sinto que me acompanham a devoção e o afecto dos fiéis aqui reunidos e do mundo inteiro.

  Trago comigo as preocupações e as esperanças deste nosso tempo e as dores da humanidade ferida, os problemas do mundo e venho colocá-los aos pés de Nossa Senhora de Fátima: Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe querida, intercedei por nós junto de vosso Filho para que todas as famílias dos povos, quer as que se distinguem pelo nome cristão quer as que ainda ignoram o seu Salvador, vivam em paz e concórdia até se reunirem finalmente num só povo de Deus, para glória da santíssima e indivisível Trindade. Amen.

 

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI, Esplanada do Santuário de Fátima, 12 de Maio de 2010