26/03/2021

São Josemaria – Textos Março 26

 


Estou com Ele no tempo da adversidade

Ainda que tudo se vá abaixo e se acabe; ainda que os acontecimentos se sucedam ao contrário do previsto, com tremenda adversidade; nada se ganha perturbando-se. Além disso, recorda a oração confiante do profeta: "O Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso Legislador; o Senhor é o nosso Rei; Ele é quem nos há-de salvar". Reza-a devotamente, todos os dias, para acomodar a tua conduta aos desígnios da Providência, que nos governa para nosso bem. (Forja, 855)

Quando a tentação do desânimo, dos contrastes, da luta, da tribulação, de uma nova noite da alma nos ataca – violenta –, o salmista põe-nos nos lábios e na inteligência aquelas palavras: estou com Ele no tempo da adversidade. Jesus, perante a Tua Cruz, que vale a minha; perante as Tuas feridas, os meus arranhões? Perante o Teu Amor imenso, puro e infinito, que vale o minúsculo fardo que Tu colocaste sobre os meus ombros? E os vossos corações e o meu enchem-se de uma santa avidez, confessando-Lhe – com obras – que morremos de Amor. Nasce uma sede de Deus, uma ânsia de compreender as Suas lágrimas; de ver o Seu sorriso, o Seu rosto... Julgo que o melhor modo de o exprimir é repetir novamente, com a Escritura: como o veado deseja a fonte das águas, assim a minha alma te anela, ó meu Deus! E a alma avança, metida em Deus, endeusada: o cristão tornou-se um viajante sedento, que abre a boca às águas da fonte. Com esta entrega, o zelo apostólico ateia-se, aumenta dia-a-dia – pegando esta ânsia aos outros – porque o bem é difusivo. Não é possível que a nossa pobre natureza, tão perto de Deus, não arda em desejos de semear no mundo inteiro a alegria e a paz, de regar tudo com as águas redentoras que brotam do lado aberto de Cristo, de começar e acabar todas as tarefas por Amor. Falava antes de dores, de sofrimentos, de lágrimas. E não me contradigo se afirmo que, para um discípulo que procura amorosamente o Mestre, é muito diferente o sabor das tristezas, das penas, das aflições: desaparecem imediatamente, quando aceitamos deveras a Vontade de Deus, quando cumprimos com gosto os Seus desígnios, como filhos fiéis, ainda que os nervos pareçam rebentar e o suplício pareça insuportável. (Amigos de Deus, 310–311)

Leitura Espiritual Mar 27

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc XIII, 6-30

 

A figueira estéril

6 Disse-lhes, também, a seguinte parábola: «Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi lá procurar frutos, mas não os encontrou. 7 Disse ao encarregado da vinha: ‘Há três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não o encontro. Corta-a; para que está ela a ocupar a terra?’ 8 Mas ele respondeu: ‘Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume. 9 Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.’»

 

Cura da mulher encurvada

10 Um dia de sábado, ensinava Jesus numa sinagoga. 11 Estava lá certa mulher doente por causa de um espírito, há dezoito anos: andava curvada e não podia endireitar-se completamente. 12 Ao vê-la, Jesus chamou-a e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua enfermidade.» 13 E impôs-lhe as mãos. No mesmo instante, ela endireitou-se e começou a dar glória a Deus. 14 Mas o chefe da sinagoga, indignado por ver que Jesus fazia uma cura ao sábado, disse à multidão: «Seis dias há, durante os quais se deve trabalhar. Vinde, pois, nesses dias, para serdes curados e não em dia de sábado.» 15 Replicou-lhe o Senhor: «Hipócritas, não solta cada um de vós, ao sábado, o seu boi ou o seu jumento da manjedoura e o leva a beber? 16 E esta mulher, que é filha de Abraão, presa por Satanás há dezoito anos, não devia libertar-se desse laço, a um sábado?» 17 Dizendo isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e a multidão alegrava-se com todas as maravilhas que Ele realizava.

 

O grão de mostarda e o fermento

18 Disse, então: «A que é semelhante o Reino de Deus e a que posso compará-lo? 19 É semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e deitou no seu quintal. Cresceu, tornou-se uma árvore e as aves do céu vieram abrigar-se nos seus ramos.» 20 Disse ainda: «A que posso comparar o Reino de Deus? 21 É semelhante ao fermento que certa mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até ficar levedada toda a massa.»

 

A porta estreita

22 Jesus percorria cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. 23 Disse-lhe alguém: «Senhor, são poucos os que se salvam?» Ele respondeu-lhes: 24 «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. 25 Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, ficareis fora e batereis, dizendo: ‘Abre-nos, Senhor!’ Mas ele há-de responder-vos: ‘Não sei de onde sois.’ 26 Começareis, então, a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e Tu ensinaste nas nossas praças.’ 27 Responder-vos-á: ‘Repito-vos que não sei de onde sois. Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade.’ 28 Lá haverá pranto e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacob e todos os profetas no Reino de Deus, e vós a serdes postos fora. 29 Hão-de vir do Oriente, do Ocidente, do Norte e do Sul, sentar-se à mesa no Reino de Deus. 30 E há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.»

 

Texto

 


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE

JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1993

 

«Tenho sede» (Jo 19,28)

 

Amados irmãos e irmãs,

 

1. Durante o santo tempo da Quaresma, a Igreja retoma mais uma vez o caminho que conduz à Páscoa. Guiada por Jesus e seguindo os seus passos ela envolve-nos na travessia do deserto.

 

A história da Salvação deu ao deserto um significado religioso e profundo. Conduzido por Moisés e mais tarde iluminado por outros profetas, o Povo eleito pôde, através de privações e sofrimentos, experimentar a presença fiel de Deus e da sua misericórdia; alimentou-se com o pão descido do céu e extinguiu a sede com a água que brotava da rocha; o Povo de Deus cresceu na fé e na experiência do evento do Messias redentor.

 

Foi também no deserto que João Baptista pregou e as multidões acorreram a ele para receber, nas águas do Jordão, o baptismo de penitência: o deserto foi um lugar de conversão para acolher Aquele que vem para vencer a desolação e a morte ligadas ao pecado. Jesus, o Messias dos pobres que ele cumula de bens (cf. Lc 1, 53), deu início à sua missão assumindo a condição daquele que tem fome e sede no deserto.

 

Amados irmãos e irmãs, convido-vos, ao longo desta Quaresma, a meditar a Palavra de vida deixada por Cristo à sua Igreja a fim de que ilumine o itinerário de cada um dos seus membros. Reconhecei a voz de Jesus que vos fala, especialmente neste tempo de Quaresma, no Evangelho, nas celebrações litúrgicas, nas exortações dos vossos pastores. Escutai a voz de Jesus que, aflito pela fadiga e pela sede diz à Samaritana junto da fonte de Jacó: "dá-me de beber" (Jo 4, 7). Contemplai Jesus pregado na cruz, expirando, e escutai a sua voz apenas perceptível: "Tenho sede" (Jo 19, 28). Hoje Cristo repete o seu apelo e revive os tormentos da sua agonia nos nossos irmãos e nos pobres.

 

Convidando-nos, com a vivência da Quaresma, a percorrer os caminhos do amor e da esperança traçados por Cristo, a Igreja ajuda-nos a compreender que a vida cristã comporta o desapego dos bens supérfluos, a aceitação da pobreza que nos liberta e que nos dispõe a descobrir a presença de Deus e a acolher os nossos irmãos com solidariedade cada vez mais activa e em comunhão cada vez mais ampla.

 

Recordai, pois, a palavra do Senhor: "Quem der, nem que seja um copo de água fria a um destes pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa" (Mt 10, 42). Meditai com todo o coração e com esperança naquelas outras palavras: "Vinde, benditos de meu Pai,... pois tive sede e me destes de beber" (Mt 25, 34-35).

 

Durante a Quaresma de 1993, para concretizar a solidariedade e a caridade fraterna associadas à busca espiritual deste tempo forte do ano litúrgico, peço aos membros da Igreja que volvam particular atenção aos homens e mulheres, provados pela desertificação dramática das suas terras e àqueles que, em demasiadas regiões do mundo, têm falta deste bem elementar, mas indispensável à vida, que é a água.

 

Sentimo-nos inquietos por ver que hoje o deserto avança e abrange terras que ainda ontem eram prósperas e férteis. Não podemos esquecer que, em muitos casos, o próprio homem foi causa da esterilização de terras que se tornaram desertas e da poluição de águas que antes eram sãs. Quando não se respeitam os bens da terra, quando se abusa deles, age-se de maneira injusta e até mesmo criminosa, porque as consequências são miséria e morte para muitos nossos irmãos e irmãs.

 

Preocupa-nos também profundamente ver que inteiros povos, milhões de seres humanos, estão reduzidos à indigência, padecem a fome e são atingidos por doenças porque privados de água potável. De facto, a fome e numerosas doenças estão intimamente relacionadas com a seca e a poluição das águas. Lá onde as chuvas são raras e onde as nascentes de água secam, a vida torna-se mais frágil e diminui até desaparecer. Zonas imensas da Africa são atingidas por este flagelo; mas o mesmo verifica-se também nalgumas regiões da América Latina e da Austrália.

 

Além disso, está à vista de todos que o desenvolvimento industrial anárquico e o emprego de tecnologias que rompem o equilíbrio natural, causaram prejuízos graves ao ambiente, provocando sérias catástrofes. Corremos o risco de deixar em herança às gerações futuras, em muitas partes do mundo, o drama da sede e do deserto.

 

Convido-vos calorosamente a ajudar com generosidade as instituições, as organizações e as obras sociais que se ocupam das populações aflitas por carestias ou pela sede e submetidas às dificuldades da desertificação crescente. Exorto-vos igualmente a colaborar com todos aqueles que se esforçam por analisar cientificamente todos os factores da desertificação e por descobrir os meios para lhe pôr remédio.

 

Oxalá a generosidade activa dos filhos e das filhas da Igreja, bem como de todos os homens e mulheres de boa vontade, possa apressar a realização da profecia de Isaías: "Porque a água jorrará do deserto, e rios, da estepe. A terra seca se transformará em brejo, e a terra árida em mananciais de água" (35, 6-7)!

 

De todo o coração vos abençoo, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Vaticano, 18 de Setembro de 1992.

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

Leitura Espiritual Mar 26

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc XII, 42-59; Lc XIII, 1-5

 

Exortação à vigilância

42 O Senhor respondeu: «Quem será, pois, o administrador fiel e prudente a quem o senhor pôs à frente do seu pessoal para lhe dar, a seu tempo, a ração de trigo? 43 Feliz o servo a quem o senhor, quando vier, encontrar procedendo assim. 44 Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. 45 Mas, se aquele administrador disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’ e começar a espancar servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, 46 o senhor daquele servo chegará no dia em que ele menos espera e a uma hora que ele não sabe; então, pô-lo-á de parte, fazendo-o partilhar da sorte dos infiéis. 47 O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou e não agiu conforme os seus desejos, será castigado com muitos açoites. 48 Aquele, porém, que, sem a conhecer, fez coisas dignas de açoites, apenas receberá alguns. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito será pedido.»

 

Por Jesus ou contra Jesus

49 «Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado! 50 Tenho de receber um baptismo, e que angústias as minhas até que ele se realize! 51 Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, Eu vo-lo digo, mas antes a divisão. 52 Porque, daqui por diante, estarão cinco divididos numa só casa: três contra dois e dois contra três; 53 vão dividir-se: o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.» 54 Dizia também às multidões: «Quando vedes uma nuvem levantar-se do poente, dizeis logo: ‘Vem lá a chuva’; e assim sucede. 55 E quando sopra o vento sul, dizeis: ‘Vai haver muito calor’; e assim acontece. 56 Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu; como é que não sabeis reconhecer o tempo presente?» 57 «Porque não julgais por vós mesmos, o que é justo? 58 Por isso, quando fores com o teu adversário ao magistrado, procura resolver o assunto no caminho, não vá ele entregar-te ao juiz, o juiz entregar-te ao oficial de justiça e o oficial de justiça meter-te na prisão. 59 Digo-te que não sairás de lá, antes de pagares até ao último centavo.»

 

Necessidade da penitência

XIII 1 Nessa ocasião, apareceram alguns a falar-lhe dos galileus, cujo sangue Pilatos tinha misturado com o dos sacrifícios que eles ofereciam. 2 Respondeu-lhes: «Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido? 3 Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos igualmente. 4 E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? 5 Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma forma.»

 

Texto

 


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1991

 

 Amados irmãos e irmãs em Cristo:

 

A grande Encíclica de Leão XIII, a Rerum Novarum, da qual se comemora o centenário, iniciou um novo capítulo da doutrina social da Igreja. Pois bem, uma constante deste ensinamento é também o convite infatigável ao empenho solidário, tendente a debelar a pobreza e o subdesenvolvimento em que vivem milhões de seres humanos.

 

Não obstante a criação, com os seus bens, seja destinada a todos, hoje grande parte da humanidade continua a sofrer sob o peso intolerável da miséria. Numa tal situação há necessidade de caridade e solidariedade vividas, como afirmei na Encíclica Sollicitudo rei socialis, para significar quanto seja urgente actuar para o bem dos outros, e estarmos prontos a esquecer-nos de nós mesmos – no sentido evangélico – para servirmos os outros, em vez de os oprimir para nosso proveito.

 

1. Neste tempo de Quaresma dirigimo-nos de novo a Deus, rico de misericórdia, fonte de todo o bem, para lhe pedir que nos liberte do nosso egoísmo, e nos dê um coração novo e um novo espírito.

 

A Quaresma, e o período pascal que vem a seguir, põem diante de nós a identificação total de Nosso Senhor Jesus Cristo com os pobres. O filho de Deus, que se fez pobre por nosso amor, identifica-se com aqueles que sofrem. Esta identificação plena encontra a sua expressão mais evidente nas palavras do Senhor: «Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequenos, foi a mim mesmo que o fizestes» (Mt 25, 40).

 

2. No ápice da Quaresma, a Quinta-feira Santa, a Liturgia recorda-nos a instituição da Eucaristia, memorial da paixão, morte e ressurreição de Cristo. É aqui, neste sacramento no qual a Igreja celebra a profundidade da sua fé, que devemos ir buscar a consciência viva de Cristo pobre, sofredor, perseguido. Aquele Cristo, Jesus, que tanto nos amou ao ponto de dar a sua vida por nós e que se dá a nós na Eucaristia como alimento de vida eterna, é o mesmo Cristo que nos convida a vê-lo no corpo e na vida daqueles pobres, com os quais manifestou a sua plena solidariedade.

 

São João Crisóstomo colheu magistralmente esta identificação, afirmando: «Se quiserdes honrar o Corpo de Cristo, não o desprezeis quando está nu; não honreis Cristo eucarístico com paramentos de seda, ignorando aquele outro Cristo que, fora dos muros da Igreja, sofre o frio e a nudez» (cf. Om. in Mattaheum, n. 50, 3-4, PG 58).

 

3. Neste tempo de Quaresma é bom reflectir sobre a parábola do rico opulento e de Lázaro. Todos os homens são chamados a participar no banquete dos bens da vida, e todavia tantos encontram-se ainda fora da porta, como Lázaro, enquanto «os cães iam lamber-lhe as feridas» (Lc 16, 11).

 

Se ignorássemos a multidão imensa de pessoas humanas que não só estão privadas do estricto necessário para viver (alimento, casa, assistência médica) mas que não têm sequer a esperança num futuro melhor, tornar-nos-íamos como o rico opulento que finge não ver o pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31).

 

Devemos, por isso, ter bem impressa nos olhos a imagem da miséria assustadora, que aflige tantas partes do mundo; e por isso, com esta intenção, repito o apelo que – em nome de Jesus Cristo e em nome de toda a humanidade – dirigi a todos os homens durante a minha última visita ao Sahel: «Como julgará a história uma geração que, tendo todos os meios para nutrir (aquelas populações) do planeta, com indiferença fratricida se recusa a fazê-lo?... Como pode deixar de ser um deserto, um mundo no qual a pobreza não encontra um amor capaz de dar a vida?» (cf. L'Osservatore Romano, 31 de Janeiro de 1990, p. 6).

 

Volvendo o nosso olhar para Jesus Cristo, o bom Samaritano, não podemos esquecer que – desde a pobreza da manjedoura à espoliação total da Cruz – Ele se fez um com os últimos. Ensinou-nos o desapego das riquezas, a confiança em Deus, a disponibilidade à partilha. Exorta-nos a volver o olhar para os nossos irmãos e irmãs, que vivem na miséria e no sofrimento, com o espírito de quem - pobre - sabe que depende totalmente de Deus e Dele tem necessidade absoluta. O modo como nos comportamos será a verdadeira, autêntica medida do nosso amor a Ele, fonte de vida e de amor, e sinal de nossa fidelidade ao seu Evangelho. Que a Quaresma aumente em todos esta consciência e este empenho de caridade, para que não passe em vão mas nos conduza, verdadeiramente renovados, para a alegria da Páscoa.

 

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

 

 

 

Ano de São José

 


A fé, o amor e a esperança de José

A justiça não consiste na mera submissão a uma regra; a rectidão deve nascer de dentro, deve ser profunda, vital, porque o justo vive da fé. Viver da fé: estas palavras que foram, mais tarde, tema frequente de meditação para o apóstolo São Paulo, vêem-se realizadas superabundantemente em São José. O seu cumprimento da vontade de Deus não é rotineiro nem formalista, mas espontâneo e profundo. A lei que todo o judeu praticante vivia não foi para ele um simples código nem uma fria recompilação de preceitos, mas expressão da vontade de Deus vivo. Por isso, soube reconhecer a voz do Senhor quando esta se lhe manifestou inesperada e surpreendente. (São Josemaria, Cristo que passa, 41)

Perguntas e respostas

 


A FECUNDAÇAO IN VITRO

A. DADOS SOBRE A FECUNDAÇÃO IN VITRO

1. Como se faz a fecundação in vitro?

 

As etapas que se seguem na FIVET (Fecundação In Vitro e Transferência do Embrião) são:

Obtenção de espermatozóides e oócitos, que se depositam várias horas numa solução de cultivo de um recipiente em cristal, um vitro, até que se comprove a fecundação.

Trasladação dos embriões para outra cultura onde se incubam por alguns dias.

Selecção de embriões sãos e eliminação dos restantes. Os sãos dividem-se em dois grupos.

Uns transferem-se para a mulher. Os restantes congelam-se a -196 C para usos posteriores.

Reflexão na Quaresma

 


No tempo de Quaresma que estamos a viver, o cristão é convidado a preparar-se para a Páscoa da Ressurreição de Jesus Cristo, vivendo de forma algo diferente do habitual nomeadamente na contenção dos divertimentos e exageros, fazendo alguns actos de mortificação voluntária que ajudarão a melhor corresponder a esse convite procurando imitar o Salvador ao retirar-se para o deserto durante quarenta dias.

Para concretizar, NUNC COEPI sugere que, pelo menos nos dias de Sexta-Feira, se abstenha ou, pelo menos modere o visionamento da televisão.

Pequena agenda do cristão

      

Sexta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Pequena agenda do cristão

  


Quinta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


25/03/2021

Leitura Espiritual Mar 25



Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc XII, 22-41

 



Confiança em Jesus

22 Em seguida, disse aos discípulos: «É por isso que vos digo: Não vos preocupeis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir; 23 pois a vida é mais que o alimento, e o corpo mais que o vestuário. 24 Reparai nos corvos: não semeiam nem colhem, não têm despensa nem celeiro, e Deus alimenta-os. Quanto mais não valeis vós do que as aves! 25 E quem de vós, pelo facto de se inquietar, pode acrescentar um côvado à extensão da sua vida? 26 Se nem as mínimas coisas podeis fazer, porque vos preocupais com as restantes? 27 Reparai nos lírios, como crescem! Não trabalham nem fiam; pois Eu digo-vos: Nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. 28 Se Deus veste assim a erva, que hoje está no campo e amanhã é lançada no fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé! 29 Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, nem andeis ansiosos, 30 pois as pessoas do mundo é que andam à procura de todas estas coisas; mas o vosso Pai sabe que tendes necessidade delas. 31 Procurai, antes, o seu Reino, e o resto vos será dado por acréscimo. 32 Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino.» 33 «Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável no Céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói. 34 Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.»

 

Vigilância

35 «Estejam apertados os vossos cintos e acesas as vossas lâmpadas. 36 Sede semelhantes aos homens que esperam o seu senhor ao voltar da boda, para lhe abrirem a porta quando ele chegar e bater. 37 Felizes aqueles servos a quem o senhor, quando vier, encontrar vigilantes! Em verdade vos digo: Vai cingir-se, mandará que se ponham à mesa e há-de servi-los. 38 E, se vier pela meia-noite ou de madrugada, e assim os encontrar, felizes serão eles. 39 Ficai a sabê-lo bem: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não teria deixado arrombar a sua casa. 40 Estai preparados, vós também, porque o Filho do Homem chegará na hora em que menos pensais.» 41 Pedro disse-lhe: «Senhor, é para nós que dizes essa parábola, ou é para todos igualmente?»

 

 

Texto


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1990

 

 Amados irmãos e irmãs em Cristo:

 

1. Como todos os anos, a aproximação da Quaresma dá-me a oportunidade de me dirigir a vós, para vos convidar a aproveitardes este momento favorável, e este «tempo da salvação» (cf. 2 Cor 6, 2). Que ele seja vivido intensamente por todos, na sua dupla dimensão de conversão a Deus e de amor aos irmãos. Com efeito, a Quaresma convida-nos a mudar totalmente a mente e o coração, para escutarmos a voz do Senhor que nos convida a voltarmos para Ele, em novidade de vida, e a sermos cada vez mais sensíveis aos sofrimentos dos que nos rodeiam.

 

Este ano, desejaria propor, com especial empenho, à reflexão comum, o problema dos expatriados e dos refugiados. O seu número, de facto, enorme e cada vez maior, constitui uma realidade dolorosa no mundo em que vivemos, realidade que não se confina apenas nalgumas regiões, mas já se estendeu a todos os continentes.

 

Homens sem pátria, os refugiados procuram acolhimento noutros países do mundo, que é a nossa casa comum; mas só a poucos de entre eles é dado voltar aos Países de origem, devido às mudanças da situação interna; para os outros arrasta-se a condição dolorosíssima de êxodo, de insegurança e de busca ansiosa de uma posição de vida adequada. Entre eles há crianças, mulheres, viúvas, famílias muitas vezes divididas, jovens frustrados nas suas aspirações, adultos desarraigados da profissão, privados dos seus bens materiais, da casa, e da pátria.

 

2. Perante a amplidão e a gravidade deste problema, todos os filhos da Igreja devem sentir-se interpelados, como seguidores de Jesus, que quis também Ele sofrer a condição de refugiado - e na qualidade de testemunhas do seu Evangelho. Além disso, o próprio Cristo, naquela página comovedora do mesmo Evangelho que, na liturgia latina, lemos na segunda-feira da primeira semana da Quaresma, quis ser reconhecido e identificado em cada refugiado: «Eu era peregrino e vós me recolhestes ... Era peregrino e não me recolhestes» (Mt 25, 35 e 43).

 

Estas palavras de Cristo devem levar-nos a um atento exame de consciência quanto à nossa atitude em relação aos exilados e aos refugiados. Nós encontramo-los, efectivamente, quase todos os dias, no território de muitas paróquias; tornaram-se verdadeiramente o nosso próximo mais próximo. Eles têm necessidade da caridade, da justiça e da solidariedade de todos os cristãos.

 

3. A vós, a cada um dos membros e a cada comunidade da Igreja católica, portanto, dirijo a minha exortação premente, nesta Quaresma, a fim de que procureis lançar mão de todos os meios existentes para socorrer os irmãos refugiados, organizando adequadas obras de acolhimento a fim de favorecer a sua plena inserção na sociedade civil e demonstrando para com eles abertura de mente e calorosa cordialidade.

 

A solicitude pelos refugiados deve estimular-nos a reafirmar e a evidenciar os direitos humanos, universalmente reconhecidos, e a solicitar que também para com eles sejam efectivamente respeitados. Como recordava a 3 de Junho de 1986, por ocasião da entrega do Prémio Internacional da Paz João XXIII ao «Catholic Office for Emergency and Refugees» (COERR), a Encíclica Pacem in terris daquele grande Pontífice tinha já acentuado a urgência de os direitos dos refugiados lhes deverem ser reconhecidos, como pessoas que são; e afirmava que «é nosso dever garantir sempre os direitos inalienáveis, que são inerentes a todos os seres humanos e que não são condicionados por factores naturais ou por situações socio-políticas» (Ensinamentos IX, 1, 1986, p. 1751). Tratar-se-á, pois, de garantir aos refugiados o direito de constituírem uma família ou de se integrarem nela; de terem um emprego seguro, digno, com remuneração adequada; de viverem em casas dignas de seres humanos; de usufruírem de adequada instrução escolar para as crianças e a juventude, bem como da assistência medico-sanitária; em suma, de fruírem todos aqueles direitos que foram solenemente sancionados desde 1951 pela Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos refugiados, e confirmados pelo Protocolo de 1967 relativo ao mesmo Estatuto.

 

4. Sei bem que, face a um problema tão grave como este, tem sido intenso o trabalho de Organismos internacionais, de Organizações católicas e de Movimentos de índole diversa, na busca de programas sociais adequados, aos quais numerosas pessoas dão apoio e colaboração. Agradeço a todos, e a todos quero dirigir uma palavra de encorajamento a demonstrarem uma sensibilidade cada vez maior, dado que, como se pode facilmente verificar, aquilo que se faz, embora já seja muito, não é ainda suficiente. Com efeito, o número dos refugiados aumenta sem cessar e as possibilidades de acolhimento e de assistência mostram-se muitas vezes inadequadas.

 

O nosso empenhamento prioritário deve ser o de participar, animar e apoiar com o nosso testemunho de amor, correntes autênticas de caridade, que consigam, em todos os Países, permear a obra de formação sobretudo da infância e da juventude, para o respeito recíproco, para a tolerância e para o espírito de serviço, a todos os níveis, tanto a nível pessoal, como a nível de Poderes públicos. Isto facilitará sobremaneira a superação de muitos problemas.

 

5. Dirijo-me também a vós, irmãos e irmãs exilados e refugiados, que viveis unidos na fé em Deus, na mútua caridade e na esperança inquebrantável. O mundo todo conhece as vossas vicissitudes. E a Igreja quer estar-vos presente com a ajuda que os seus membros se esforçam por prestar-vos, embora sabendo que essa ajuda é insuficiente. Para suavizar os vossos sofrimentos é necessária também a contribuição da vossa boa vontade e da vossa inteligência. Vós possuís a riqueza da vossa civilização, da vossa cultura, das vossas tradições e dos vossos valores humanos e espirituais, onde podeis ir buscar a capacidade e a força para começar uma vida nova. Exercitai-vos também vós, dentro das vossas possibilidades, na assistência e na ajuda recíprocas, nos lugares onde temporariamente fostes acolhidos.

 

Nós, Católicos, acompanhar-vos-emos e vos ampararemos na vossa caminhada, reconhecendo em cada um de vós o rosto de Cristo, exilado e prófugo, e recordando quanto Ele disse: «Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes» (Mt 25, 40).

 

6. No início desta Quaresma, invoco a riqueza de graça e de luz que irradia do mistério da Paixão e Ressurreição redentora de Cristo, a fim de que cada um dos fiéis e cada uma das comunidades eclesiais e religiosas de toda a Igreja encontrem a inspiração e as energias necessárias para as obras de solidariedade concreta, em favor dos irmãos e irmãs exilados e refugiados; e a fim de que estes, confortados pela ajuda fraterna e pela atenção dos demais, reencontrem alegria e esperança para prosseguirem no seu penoso caminho.

 

Que a minha Bênção seja penhor da abundância dos dons do Senhor sobre quantos acolherem este meu premente apelo.

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

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