24/12/2020

Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?

 


*A humildade é outro bom caminho para chegar à paz interior. – Foi Ele que o disse: «Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração... e encontrareis paz para as vossas almas». (Caminho, 607)

 

 

*Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Também eu, instado por esta pergunta, contemplo agora Jesus, deitado numa manjedoura, num lugar que só é próprio para os animais. Onde está, Senhor, a tua realeza: o diadema, a espada, o ceptro? Pertencem-lhe e não os quer; reina envolto em panos. É um rei inerme, que se nos apresenta indefeso; é uma criança. Como não havemos de recordar aquelas palavras do Apóstolo: aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo.

Nosso Senhor encarnou para nos manifestar a vontade do Pai. E começa a instruir-nos estando ainda no berço. Jesus Cristo procura-nos – com uma vocação, que é vocação para a santidade –, a fim de consumarmos com Ele a Redenção. Considerai o seu primeiro ensinamento: temos de co-redimir à custa de triunfar, não sobre o próximo, mas sobre nós mesmos. Tal como Cristo, precisamos de nos aniquilar, de sentir-nos servidores dos outros para os conduzir a Deus.

Onde está o nosso Rei? Não será que Jesus quer reinar, antes de mais, no coração, no teu coração? Por isso se fez menino: quem é capaz de ter o coração fechado para uma criança? Onde está o nosso Rei? Onde está o Cristo que o Espírito Santo procura formar na nossa alma? Cristo não pode estar na soberba, que nos separa de Deus, nem na falta de caridade, que nos isola dos homens. Aí não podemos encontrar Cristo, mas apenas a solidão.

No dia da Epifania, prostrados aos pés de Jesus Menino, diante de um Rei que não ostenta sinais externos de realeza, podeis dizer-lhe: Senhor, expulsa a soberba da minha vida, subjuga o meu amor-próprio, esta minha vontade de afirmação pessoal e de imposição da minha vontade aos outros. Faz com que o fundamento da minha personalidade seja a identificação contigo. (Cristo que passa, 31)

LEITURA ESPIRITUAL Dez 24

 

Evangelho

 

Mt XIV 22 – 34

 

Jesus anda sobre as águas

 

22 Depois, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. 23 Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só. 24 O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. 25 De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. 26 Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo. 27 No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!» 28 Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.» 29 «Vem» - disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. 30 Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» 31 Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» 3 2E, quando entraram no barco, o vento amainou. 33 Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!»

 

Outras curas operadas por Jesus

 

34 Após a travessia, pisaram terra em Genesaré. 35 Ao reconhecerem-no, os habitantes daquele lugar espalharam a notícia por toda a região. Trouxeram-lhe todos os doentes, 36 suplicando-lhe que, ao menos, os deixasse tocar na orla do seu manto. E todos aqueles que a tocaram, ficaram curados.

 

 

 


 

  Existe, de facto, em cada um de nós um crítico em serviço permanente, comportamo-nos como se fosse-mos uma ilha isolada no meio de um vastíssimo oceano, onde afloram todas as águas trazendo com elas inúmeros detritos, objectos dos mais diversos, coisas que não são identificáveis, até, por vezes, cadáveres de afogados.

Dedicamos então, o nosso tempo livre, que é muito, a apreciar tudo isto, a tentar identificar, descobrir a origem, a causa, o porquê daquilo que nos veio às mãos.

Quer dizer, estamos de facto sozinhos nessa ilha, não temos ninguém que nos controle a ânsia de investigação, não temos, em suma, que dar contas a ninguém do que fazemos e, muito menos, das conclusões a que chegamos.

  Vamos guardando para nós, dentro de nós, um acervo interminável de opiniões, descobertas, conceitos. Conseguimos arranjar espaço para arquivar um enormíssimo catálogo que, no fim e ao cabo, não vai servir, nunca, para nada.

Talvez cheguemos à conclusão que, pelo menos, estamos a perder tempo na construção – manutenção – de tal armazém no qual nunca ninguém entrará para recolher o que seja. Ou, é possível que pensemos que talvez um dia, possamos ir retirando desse acervo coisas interessantes para comparar com outras que se nos vão deparando na vida.

  As ruas da cidade onde vivemos são a nossa ilha onde apreciamos os que passam: Este é baixo, aquela é gorda, estoutro parece tonto, aquele parece estar na companhia da filha mais nova ou, talvez, uma neta, aquele casal discute, este, vê-se bem, tem sérios problemas; reparamos no que sorri, ou  que tem a tristeza ou a preocupação estampadas no rosto, outro que se veste como um palhaço, outra que se julga uma estrela de cinema, um miúdo muito acertadinho, uma pessoa já de idade que coxeia bastante, aquele que corre com o suor a escorrer-lhe pelo pescoço, aproxima-se alguém que parece falar consigo mesmo…

  Registamos fotograficamente este interminável oceano que nos envolve com todos os pormenores, características, cores, volumes e dimensões. Com uma rapidez impressionante chegamos ao fim de uns minutos com um registo enormíssimo repleto de apontamentos, rasgos, traços, pinceladas, anotações… mas não temos um quadro, uma visão de conjunto, um todo.

Coisas esparsas, vagas, difusas, misturadas sem critério – nem preocupação de tê-lo – e, com tudo isto, que é muito, entramos finalmente em casa e constatamos que chegamos como partimos: Vazios!

  Às vezes, a nossa ilha, é o automóvel onde nos deslocamos, onde nos sentimos reis e senhores com uma série de direitos e prerrogativas.

  Quando na paragem do semáforo alguém se aproxima para nos pedir algo nem reparamos no gesto maquinal que fazemos que traduzido quererá, talvez, dizer: Tenha paciência…

  Paciência?

Claro que tem paciência se a não tivesse, não estava ali, horas, batendo nos vidros dos automóveis que param.

Se, de manhã, com um pequeno sorriso expectante de esperança, se ao final da tarde com um ar de cansaço desiludido.

  Quando surge o sinal verde, talvez pensemos: ‘Bolas podia ter dado uma moeda ao desgraçado, se calhar tinha fome…’ mas este pensamento desvanece-se tão rapidamente como surgiu: ‘Não! Chega! São os bombeiros, é para ajuda das crianças com não sei que doença, é para o asilo não sei de onde, é para a Liga dos Amigos de… não! o Estado, sim o Estado é que tem obrigação de olhar por estas coisas, suprir estas necessidades. É para isso que pago impostos.’

  (E… pago mesmo os impostos, não tento fugir, dar um “jeitinho”, afinal… todos fazem o mesmo!).

  E pronto! O brevíssimo incómodo passou. Atrás de nós, um qualquer carrega na buzina o que nos irrita profundamente. Só não fazemos um gesto feio porque levamos os miúdos no banco detrás.

‘Não querem lá ver o apressado! Se calhar o carro nem é dele, ou, o mais certo, é ter as prestações em atraso…’

  (Nem nos lembramos que, esse, talvez seja o nosso caso!)

 

(AMA, Migalhas para o caminho, ISBN 978-989-20.4856-7)

 

 

Pequena agenda do cristão

   


Quinta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Reflexão

 


Natal

Na véspera do Natal tomam vulto as memórias de outros tempos em que, estes dias que antecedem uma Festa especialíssima, eram como que um “frenesim” de tarefas que se impunham: construir o Presépio, considerar as ementas para as refeições, comprar os “presentes” para os mais pequenos, para os outros todos da família, grande ou pequena, enfim…

Agora, neste ano de 2020 que vivemos, tudo parece um pouco “esfumado”, incerto…

Mas, temos de pensar e ter bem presente, que o Natal é a Festa do Nascimento de Jesus e que, Ele é que deve merecer todo o nosso reparo e atenção.

Tudo o resto… sim… faz parte da nossa humanidade mas, o que realmente interessa é prepararmos o nosso espírito para O receber condignamente com a alegria e esperança que o Seu Nascimento nos deve trazer.

 

(AMA,2020)

Oração pelos Sacerdotes

                                         

                                           



Meu Senhor Jesus Cristo:

Dai à Vossa Igreja Sacerdotes Santos que se entreguem ao serviço exclusivo da Igreja e das almas, ao anúncio fiel da palavra de Deus, à administração dos Sacramentos, em especial da Eucaristia e da Penitência, obedientes ao Magistério da Igreja e observando amorosamente a Sagrada Liturgia, para exemplo e guia seguro do Povo de Deus.

(AMA, 2009)




Com autorização eclesiástica

O currículum de Jesus Cristo

                                       



                          👉 O currículum de Jesus Cristo

23/12/2020

LEITURA ESPIRITUAL Dez 23

 

Evangelho

 

Mt XIV, 1 – 21

 

Martírio de João Baptista

 

1 Por aquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos de Herodes, o tetrarca, 2 e ele disse aos seus cortesãos: «Esse homem é João Baptista! Ressuscitou dos mortos e, por isso, se manifestam nele tais poderes miraculosos.» 3 De facto, Herodes tinha prendido João, algemara-o e metera-o na prisão, por causa de Herodíade, mulher de seu irmão Filipe. 4 Porque João dizia-lhe: «Não te é lícito possuí-la.» 5 Quisera mesmo dar-lhe a morte, mas teve medo do povo, que o considerava um profeta. 6 Ora, quando Herodes festejou o seu aniversário, a filha de Herodíade dançou perante os convidados e agradou a Herodes, 7 pelo que ele se comprometeu, sob juramento, a dar-lhe o que ela lhe pedisse. 8 Induzida pela mãe, respondeu: «Dá-me, aqui num prato, a cabeça de João Baptista.» 9 O rei ficou triste, mas, devido ao juramento e aos convidados, ordenou que lha trouxessem 10 e mandou decapitar João Baptista na prisão. 11 Trouxeram, num prato, a cabeça de João e deram-na à jovem, que a levou à sua mãe. 12 Os discípulos de João vieram buscar o corpo e sepultaram-no; depois, foram dar a notícia a Jesus. 13 Tendo ouvido isto, Jesus retirou-se dali sozinho num barco, para um lugar deserto; mas o povo, quando soube, seguiu o a pé, desde as cidades. 14 - Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de misericórdia para com ela, curou os seus enfermos. 15 Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Este sítio é deserto e a hora já vai avançada. Manda embora a multidão, para que possa ir às aldeias comprar alimento.» 16 Mas Jesus disse-lhes: «Não é preciso que eles vão; dai-lhes vós mesmos de comer.» 17 Responderam: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.» 18 «Trazei-mos cá» - disse Ele. 19 E, depois de ordenar à multidão que se sentasse na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção; partiu, depois, os pães e deu-os aos discípulos, e estes distribuíram-nos pela multidão. 20 Todos comeram e ficaram saciados; e, com o que sobejou, encheram doze cestos. 21 Ora, os que comeram eram uns cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

 


 


É fácil fazer juízos sobre os outros.

Parece que faz parte da nossa natureza humana esta tendência para analisar, avaliar aquele com quem nos deparamos.

  A visão dá-nos, quase de imediato, uma série de informações que se relacionam com a estrutura, o aspecto, a apresentação. Instantaneamente, processamos a informação estabelecendo comparações  com imagens “padrão”  que guardamos no subconsciente. Segue-se, quase sempre, a avaliação.

  Tudo isto, porquê? Com  que finalidade?

  Bom, poder-se-ia dizer que é um processo automático e que, a finalidade é a tomada de decisão: gosto, não gosto, é-me indiferente.

Os processos automáticos revelam uma vontade fraca que não comanda o pensamento, a emoção ou as respostas aos estímulos externos.

  O Sacerdote e Levita da parábola do Samaritano [1] deviam ter este defeito.

O de Samaria, ao invés, é um homem sem preconceitos, reage ao estímulo da solidariedade que lhe provoca o homem prostrado na vera do caminho, ferido e maltratado por bandidos.

É um ser solidário que caminha na vida considerando os outros - todos - seus iguais, dignos da sua atenção e do seu crédito. 

Poderá ser tripudiado na sua boa-fé, terá desilusões, facilmente convencido, levado a fazer o que não deseja?

  Nada mais falso; esta pessoa nunca é enganada porque o que faz pelos outros é sem pensar num possível retorno.

Jamais fará  o que for contra a sua vontade porque sabe muito bem o que lhe convém  querer e, muito menos, arrastado por outros porque sabe o seu caminho.

  Os outros… não!

  Passam pela vida sempre sozinhos porque gastam o tempo sempre a avaliar, a julgar e, enquanto o fazem, a oportunidade perde-se e, muito provavelmente, não voltará a repetir-se.

  Estes ficam sós. O outro, terá, sempre, muitos amigos que nunca o abandonarão.

  Na nossa vida corrente, de todos os dias, encontra-mos, a cada passo, estas duas figuras humanas, E, o interessante é que não poucas vezes assumimos nós próprios ambas as características quase sem darmos por isso.

  Quando lemos, ou escutamos, uma notícia sobre alguém tentamos ler nas entrelinhas de quem escreve ou detectar no acento do locutor, algo mais do que lemos ou ouvimos.

Esse algo mais é o nosso julgamento, a apreciação que fazemos da pessoa visada na notícia.

Se se trata de alguém que conduz uma obra meritória de solidariedade social, por exemplo, ou praticou um acto de relevante auxílio a outrem sentimo-nos como que fazendo parte, também, desse mesmo assunto e, aliás, consideramos como é que nós procederíamos em iguais circunstâncias. Normalmente, chegamos à conclusão apressada que teríamos feito mais e muito melhor.

  Se o enfoque da notícia cai sobre algo reprovável, talvez, até, de muito reprovável, aceitamos muito rapidamente que o visado é de facto uma má pessoa, pouco recomendável e, provavelmente, fez muito pior do que se relata.

 

(AMA, Migalhas para o caminho, ISBN 978-989-20.4856-7)

 

 



[1] Cfr. Lc 10, 30

Pequena agenda do cristão

 


Quarta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Natal

 


*Estamos no Natal. Acodem-nos à memória os diversos factos e circunstâncias que rodearam o nascimento do Filho de Deus e o olhar detém-se na gruta de Belém, no lar de Nazaré. Maria, José, Jesus Menino ocupam de modo muito especial o centro do nosso coração. Que diz, que nos ensina a vida, simples e admirável ao mesmo tempo, dessa Sagrada Família?

 

Entre as muitas considerações que poderíamos fazer, agora quero escolher sobretudo uma., Como refere a Escritura, o nascimento de Jesus significa o início da plenitude dos tempos, o momento escolhido por Deus para manifestar plenamente o seu amor aos homens, entregando-nos o seu próprio Filho. Essa vontade divina realiza-se no meio das circunstâncias mais normais e correntes: uma mulher que dá à luz, uma família, uma casa. A omnipotência divina, o esplendor de Deus passam através das coisas humanas, unem-se às coisas humanas. Desde esse momento, nós, os cristãos, sabemos que, com a graça do Senhor, podemos e devemos santificar todas as realidades sãs da nossa vida. Não há situação terrena, por mais pequena e vulgar que pareça, que não possa ser a ocasião de um encontro com Cristo e uma etapa da nossa caminhada para o Reino dos Céus.

Por isso, não é de estranhar que a Igreja se alegre, que rejubile, contemplando a modesta morada de Jesus, Maria e José. (Cristo que passa, 22)

 

 

22/12/2020

LEITURA ESPIRITUAL Dez 22

 

Evangelho

 

Mt XIII, 44 – 58

 

O tesouro escondido e a pérola

 

24 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. 25 Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. 26 Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. 27 Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?’ 28 ‘Foi algum inimigo meu que fez isto’ - respondeu ele. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancá-lo?’ 29 Ele respondeu: ‘Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. 30 Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.’» 31 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. 32 É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.» 33 Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.» 34 Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas. 35 Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo. 36 Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» 37 Ele, respondendo, disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem; 38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno; 39 o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos. 40 Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, 42 e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!» 44 «O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo. 45 O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. 46 Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.»

 

A rede

 

47 «O Reino do Céu é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. 48 Logo que ela se enche, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e escolhem os bons para as canastras, e os ruins, deitam-nos fora. 49 Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus do meio dos justos, 50 para os lançarem na fornalha ardente: ali haverá choro e ranger de dentes.» 51 «Compreendestes tudo isto?» «Sim» - responderam eles. 52 Jesus disse-lhes, então: «Por isso, todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro.»

 

Jesus em Nazaré

 

53 Depois de terminar estas parábolas, Jesus partiu dali. 54 Tendo chegado à sua terra, ensinava os habitantes na sinagoga deles, de modo que todos se enchiam de assombro e diziam: «De onde lhe vem esta sabedoria e o poder de fazer milagres? 55 Não é Ele o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 Suas irmãs não estão todas entre nós? De onde lhe vem, pois, tudo isto?» 57 E estavam escandalizados por causa dele. Mas Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua pátria e em sua casa.» 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente.

 



 

 

JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

 

Iniciação à Cristologia

 

Capítulo VI

 

JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

 

Iniciação à Cristologia

 

Capítulo VI

 

OUTRAS CARACTERÍSTICAS QUE COMPLETAM A FIGURA DE JESUS CRISTO ENQUANTO HOMEM

 

2. A vontade humana de Cristo

 

 

b) A liberdade humana de Cristo

 

    A liberdade humana de Cristo aparece explicitamente assinalada em alguns textos do Novo Testamento. Por exemplo, quando diz: «Dou a minha vida para tomá-la de novo. Ninguém ma tira, mas sou eu que a dou livremente. Tenho poder para a dar e tenho poder para a recuperar» (Jo 10,17-18; cf. Mc 3,13). A existência de uma liberdade humana também é assinalada implicitamente quando se afirma que Jesus obedeceu a seu pai, ou que se ofereceu por nós em sacrifício (cf. Ef 5,2), ou que mereceu por mós (cf. Flp 2,5-11); e sem liberdade não é possível obedecer nem merecer.

    O Magistério da Igreja também ensinou expressamente a voluntariedade e a liberdade com que Cristo se entregou por nós[1].

    Ora bem, que Cristo fosse livre não significa que pudesse pecar, pois a liberdade não consiste em poder eleger o bem ou o mal. Assim como o erro não aperfeiçoa a inteligência nem é conforme a ela, eleger o mal ou pecar não aperfeiçoa a vontade nem é conforme a ela, ainda que mostre que o homem é livre. A liberdade consiste no modo que a vontade tem de querer o bem: em querer o bem por si mesma e não arrastada por nenhum outro factor interno ou externo. Como diz São Tomás: «Livre é o que é causa de si mesmo»[2].

 

Vicente Ferrer Barriendos

 

(Tradução do castelhano por ama)

 

 

 



[1] Cf. DS, 423, 502.

[2] SÃO TOMÁS DE AQUINO, De Veritate, q. 24, a. 1; cf. S. Th. III,18,4.

Reflexão

 



Sofrimento

Recorrentemente, há pessoas que me escrevem a contar suas desgraças. Contam que já não têm mais forças. Os motivos podem ter várias origens: umas sentem-se cada vez oprimidas pelas dívidas. Outras sofrem pelo facto de os filhos seguirem caminhos diferentes ou por terem sido afastados do caminho certo, devido à doença ou à depressão. Muitas asseguram que rezam constantemente, mas que, apesar de todas as orações, a situação simplesmente não melhora. Muitas vezes, estas pessoas perguntam-me se terão rezado de forma errada ou feito qualquer coisa mal, porque nada se altera. Isso indicia um entendimento muito peculiar da oração. Pensam que é apenas necessário rezar a Deus, rezar constante, para que Ele as ajude. E, quando não ajuda, duvidam Deus ou das suas orações. Acham que tiveram pouca fé e procuram então apoio junto de outros.

Se Deus quer a liberdade dos seres humanos, surge também necessariamente a necessidade do sofrimento.

 

(Gisbert Greshake, Der Preis der Liebe, Bestnnung uber das Leid, Freiburg, 1978, p. 29.)

 

Pequena agenda do cristão

 


TeRÇa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

Salmo II

Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient. 
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

Exame Pessoal

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.

Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

Noverim me

Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.
   
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.
Faz-me santo, meu Deus, ainda que seja à força.

Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus)