Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
09/11/2020
Novíssimos
Céu
Contemplar o mistério
Os homens mentem quando dizem "para sempre" em
coisas temporais. Só é verdade, com uma verdade total, o "para
sempre" da eternidade. - E assim tens de viver tu, com uma fé que te faça
sentir sabores de mel, doçuras de céu, ao pensar nessa eternidade que, essa
sim, é para sempre! [1]
Pensa quão grato é a Deus Nosso Senhor o incenso que se
queima em sua honra; pensa também no pouco que valem as coisas da terra, que
mal começam logo acabam... Pelo contrário, um grande Amor te espera no Céu: sem
traições, sem enganos: todo o amor, toda a beleza, toda a grandeza, toda a
ciência...! E sem enfastiar: saciar-te-á sem saciar. [2]
Se transformarmos os projetos temporais em metas
absolutas, suprimindo do horizonte a morada eterna e o fim para que fomos
criados - amar e louvar o Senhor e possuí-lo depois no Céu - os intentos mais
brilhantes transformam-se em traições e inclusive em instrumento para envilecer
as criaturas. Recordai a sincera e famosa exclamação de Santo Agostinho, que
tinha experimentado tantas amarguras enquanto não conhecia Deus e procurava
fora d'Ele a felicidade: fizeste-nos, Senhor, para Ti, e o nosso coração está inquieto
enquanto não descansa em Ti! [3]
Na vida espiritual, muitas vezes, é preciso saber perder,
de um ponto de vista terreno, para ganhar no Céu. Assim ganha-se sempre. [4]
Pensamentos diários
Não posso pactuar com quem critica e fala mal dos outros.
É
bem verdade que, às vezes, me divirto a implicar um pouco com eles, mas as
murmurações e os comentários dão-me náuseas.
Temos
tantos defeitos para criticar em nós próprios!
Então
para quê criticar os defeitos alheios?
Além
disso, quando faltamos à caridade, ferimos a raiz da árvore da vida, correndo o
risco de fazê-la secar.
(365
dias com o Santo Pio de Petrelcina, O Grande Amor de Deus)
Leitura espiritual 09 Novembro
Evangelho
Jo 9, 01-23
Cura de um Cego de nascença
1
Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. 2 Os seus discípulos
perguntaram-lhe, então: «Rabi, quem foi que pecou para este homem ter nascido
cego? Ele, ou os seus pais?» 3 Jesus respondeu: «Nem pecou ele, nem os seus
pais, mas isto aconteceu para nele se manifestarem as obras de Deus. 4 Temos de
realizar as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Vem aí a noite, em que
ninguém pode actuar. 5 Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.» 6 Dito
isto, cuspiu no chão, fez lama com a saliva, ungiu-lhe os olhos com a lama 7 e
disse-lhe: «Vai, lava-te na piscina de Siloé» - que quer dizer Enviado. Ele
foi, lavou-se e regressou a ver. 8 Então, os vizinhos e os que costumavam vê-lo
antes a mendigar perguntavam: «Não é este o que estava por aí sentado a pedir
esmola?» 9 Uns diziam: «É ele mesmo!» Outros afirmavam: «De modo nenhum. É
outro parecido com ele.» Ele, porém, respondia: «Sou eu mesmo!» 10 Então, perguntaram-lhe:
«Como foi que os teus olhos se abriram?» 11 Ele respondeu: «Esse homem, que se
chama Jesus, fez lama, ungiu-me os olhos e disse-me: ‘Vai à piscina de Siloé e
lava-te.’ Então eu fui, lavei-me e comecei a ver!» 12 Perguntaram-lhe: «Onde
está Ele?» Respondeu: «Não sei.»
Inquérito de oposição dos judeus
13
Levaram aos fariseus o que fora cego. 14 O dia em que Jesus tinha feito lama e
lhe abrira os olhos era sábado. 15 Os fariseus perguntaram-lhe, de novo, como
tinha começado a ver. Ele respondeu-lhes: «Pôs-me lama nos olhos, lavei-me e
fiquei a ver.» 16 Diziam então alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de
Deus, pois não guarda o sábado.» Outros, porém, replicavam: «Como pode um homem
pecador realizar semelhantes sinais miraculosos?» Havia, pois, divisão entre
eles. 17 Perguntaram, então, novamente ao cego: «E tu que dizes dele, por te
ter aberto os olhos?» Ele respondeu: «É um profeta!» 18 Ora os judeus não
acreditaram que aquele homem tivesse sido cego e agora visse, até que chamaram
os pais dele. 19 E perguntaram-lhes: «É este o vosso filho, que vós dizeis ter
nascido cego? Então como é que agora vê?» 20 Os pais responderam: «Sabemos que
este é o nosso filho e que nasceu cego; 21 mas não sabemos como é que agora vê,
nem quem foi que o pôs a ver. Perguntai-lhe a ele. Já tem idade para falar de
si.» 22 Os pais responderam assim por terem receio dos judeus, pois estes já
tinham combinado expulsar da sinagoga quem confessasse que Jesus era o Messias.
23 Por isso é que os pais disseram: ‘Já tem idade, perguntai-lhe a ele’.
Cristo que passa
167
Se
não aprendermos com Jesus, nunca amaremos.
Se
pensássemos, como alguns pensam, que conservar um coração limpo, digno de Deus,
significa não o misturar, não o contaminar com afectos humanos, o resultado
lógico seria tomarmo-nos insensíveis à dor dos outros.
Só
seríamos capazes de uma caridade oficial, seca e sem alma; não da verdadeira
caridade de Jesus Cristo, que é ternura, amor humano. Mas com isto não estou a
justificar certas teorias com que se pretende desculpar o desvio dos corações,
afastando-os de Deus e levando-os a más ocasiões e à perdição.
Na
festa de hoje, havemos de pedir ao Senhor que nos dê um coração bom, capaz de
se compadecer das penas das criaturas, capaz de compreender que, para remediar
os tormentos que acompanham e tanto angustiam as almas neste mundo, o
verdadeiro bálsamo é o amor, a caridade; todas as outras consolações só servem
para nos distrair por um momento e deixar depois amargura e desespero.
Se queremos
ajudar os outros, temos de os amar - deixai-me insistir - com um amor que seja
compreensão e entrega, afecto e humildade voluntária.
Assim
compreenderemos por que quis o Senhor resumir toda a Lei nesse duplo
mandamento, que é afinal um mandamento só: o amor de Deus e o amor do próximo,
com todo o coração.
Talvez
estejais a pensar que, por vezes, nós, cristãos - não os outros: tu e eu - nos
esquecemos das aplicações mais elementares deste dever.
Talvez
penseis em tantas injustiças a que se não dá remédio, em abusos que não se
corrigem, em situações de discriminação que se transmitem de geração em
geração, sem se procurar uma solução de raiz.
Não
posso, nem isso me compete, propor-vos a forma concreta de resolver esses
problemas.
Mas,
como sacerdote de Cristo, é meu dever recordar-vos o que a Sagrada Escritura
diz.
Meditai
na cena do Juízo, que o próprio Jesus descreveu: «afastai-vos de Mim,
malditos, e ide para o fogo eterno, que foi preparado para o Diabo e os seus
anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de
beber; fui peregrino e não Me recebestes; nu, e não Me cobristes; enfermo e
encarcerado, e não Me visitastes».
Um
homem ou uma sociedade que não reaja diante das tribulações ou das injustiças e
se não esforce por as aliviar, não é um homem ou uma sociedade à medida do amor
do Coração de Cristo.
Os
cristãos - conservando sempre a mais ampla liberdade quando se trata de estudar
e de pôr em prática as diversas soluções, segundo um pluralismo bem natural -
terão de convergir no mesmo anseio de servir a humanidade.
Se
não, o seu cristianismo não será a Palavra e a Vida de Jesus: será um disfarce,
um embuste feito a Deus e aos homens.
168
A
paz de Cristo
Tenho
ainda a propor-vos uma outra consideração: devemos lutar sem descanso por fazer
o bem, precisamente por sabermos que nos é difícil, a nós, homens,
decidirmo-nos a sério a exercer a justiça, e é muito o que falta para que a
convivência terrena esteja inspirada pelo amor e não pelo ódio ou pela indiferença.
Não
esqueçamos também que, mesmo que consigamos atingir um estado razoável de
distribuição dos bens e uma harmoniosa organização da sociedade, não há-de
desaparecer a dor da doença, da incompreensão ou da solidão, a dor da
experiência dos nossas próprias limitações.
Em
face dessas penas, o cristão só tem uma resposta autêntica, uma resposta
definitiva: Cristo na Cruz, Deus que sofre e que morre, Deus que nos entrega o Seu
Coração, aberto por uma lança, por amor a todos.
Nosso
Senhor abomina as injustiças e condena quem as comete.
Mas,
como respeita a liberdade das pessoas, permite que existam. Deus Nosso Senhor
não causa a dor das criaturas, mas tolera-a como parte que é - depois do pecado
original - da condição humana.
E,
no entanto, o Seu Coração, cheio de amor pelos homens, levou-O a tomar sobre os
seus ombros, juntamente com a Cruz, todas essas torturas: o nosso sofrimento, a
nossa tristeza, a nossa angústia, a nossa fome e sede de justiça.
A
doutrina cristã sobre a dor não é um programa de fáceis consolações.
Começa
logo por ser uma doutrina de aceitação do sofrimento, inseparável de toda a
vida humana.
Não
vos posso esconder - e com alegria pois sempre preguei e procurei viver a
verdade de que, onde está a Cruz está Cristo, o Amor - que a dor apareceu
muitas vezes na minha vida; e mais de uma vez tive vontade de chorar.
Noutras
ocasiões, senti crescer em mim o desgosto pela injustiça e pelo mal.
E
soube o que era a mágoa de ver que nada podia fazer, que, apesar dos meus
desejos e dos meus esforços, não conseguia melhorar aquelas situações iníquas.
Quando
vos falo de dor, não vos falo apenas de teorias.
Nem
me limito a recolher uma experiência de outros, quando vos confirmo que, se
sentis, diante da realidade do sofrimento, que a vossa alma vacila algumas
vezes, o remédio que tendes é olhar para Cristo.
A
cena do Calvário proclama a todos que as aflições hão-de ser santificadas, se
vivermos unidos à Cruz.
Porque
as nossas tribulações, cristãmente vividas, se convertem em reparação, em
desagravo, em participação no destino e na vida de Jesus, que voluntariamente
experimentou, por amor aos homens, toda a espécie de dores, todo o género de
tormentos.
Nasceu,
viveu e morreu pobre; foi atacado, insultado, difamado, caluniado e condenado
injustamente; conheceu a traição e o abandono dos discípulos; experimentou a
solidão e as amarguras do suplício e da morte.
Ainda
agora, Cristo continua a sofrer nos seus membros, na Humanidade inteira que
povoa a Terra e da qual Ele é Cabeça e Primogénito e Redentor.
A
dor entra nos planos de Deus.
Ainda
que nos entendê-la, é esta a realidade.
Também
Jesus, como homem, teve dificuldade em admiti-la: Pai, se é possível, afasta de
Mim este cálice! Não se faça, porém, a minha vontade, mas a tua!
Nesta
tensão entre o sofrimento e a aceitação da vontade do Pai, Jesus vai
serenamente para a morte, perdoando aos que O crucificaram.
Ora,
esta aceitação sobrenatural da dor pressupõe, por outro lado, a maior
conquista.
Jesus,
morrendo na Cruz, venceu a morte. Deus tira da morte a vida. A atitude de um
filho de Deus não é a de quem se resigna à sua trágica desventura; é, sim, a
satisfação de quem já antegoza a vitória. Em nome desse amor vitorioso de
Cristo, nós, os cristãos, devemos lançar-nos por todos os caminhos da Terra, para
sermos semeadores de paz e de alegria, com a nossa palavra e nossas obras.
Temos
de lutar - é uma luta de paz - contra o mal, contra a injustiça, contra o
pecado, para proclamarmos assim que a actual condição humana não é a
definitiva; o amor de Deus, manifestado no Coração de Cristo, conseguirá o
glorioso triunfo espiritual dos homens.
169
Evocámos
há pouco o episódio de Naim.
Poderíamos
citar ainda outros, porque os Evangelhos estão cheios de cenas semelhantes.
Esses
relatos sempre comoveram e hão-de continuar a comover os corações dos homens.
Efectivamente,
não incluem apenas o gesto sincero de um homem que se compadece dos seus
semelhantes: são, essencialmente, a revelação da imensa caridade do Senhor.
O
Coração de Jesus é o Coração de Deus Encarnado, do Emanuel - Deus connosco.
A
Igreja, unida a Crista, nasce de um Coração ferido.
É
desse Coração, aberto de par em par, que a vida nos é transmitida. Como não
recordar aqui, embora de passagem, os sacramentos através dos quais Deus opera em
nós e nos faz participantes da força redentora de Cristo?
Como
não recordar com particular gratidão o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, o
Santo Sacrifício do Calvário e a sua constante renovação incruenta na nossa
Missa?
É
Jesus, que Se nos entrega como alimento; porque Jesus vem até nós, tudo muda e
no nosso ser manifestam-se forças - a ajuda do Espírito Santo - que enchem a
alma, que formam as nossas acções, o nosso modo de pensar e de sentir.
O Coração
de Cristo é paz para o cristão.
O
fundamento da entrega que o Senhor nos pede não está só nos nossos desejos e
nas nossas forças, tantas vezes limitados e impotentes: apoia-se, antes de
tudo, nas graças que conquistou para nós o amor do Coração de Deus feito Homem.
Por
isso, podemos e devemos perseverar na nossa vida interior de filhos do Pai que
está nos Céus, sem darmos acolhimento ao desânimo e à desesperança.
Gosto
de mostrar como o cristão, na sua existência habitual e corrente, nos mais
simples pormenores, nas circunstâncias normais do seu dia-a-dia, exercita a Fé,
a Esperança e a Caridade, porque aí é que reside a essência da conduta de uma
alma que conta com o auxílio divino e que, na prática dessas virtudes
teologais, encontra a alegria, a força e a serenidade.
São
estes os frutos da paz de Cristo, da paz que nos veio trazer o seu Coração
Sagrado.
Porque
- digamo-lo mais uma vez - o amor de Jesus pelos homens é uma das profundidades
insondáveis do mistério divino, do amor do Filho ao Pai e ao Espírito Santo.
O
Espírito Santo, laço de amor entre o Pai e o Filho, encontra no Verbo um
coração humano.
Não
é possível falar destas realidades centrais da nossa fé sem darmos pela
limitação da nossa inteligência diante das grandezas da Revelação.
No
entanto, embora a nossa razão se encha de pasmo, cremos nelas com humildade e
firmeza.
Sabemos,
apoiados no testemunho de Cristo, que essas realidades são assim mesmo.
Que
o Amor, no seio da Trindade, se derrama sobre todos os homens por intermédio do
amor do Coração de Jesus.
170
Viver
no Coração de Jesus, unir-nos a Ele estreitamente é, portanto, convertermo-nos
em morada de Deus.
Aquele
que Me ama será amado pelo meu Pai, anunciou o Senhor. E Cristo e o Pai, no
Espírito Santo, vêm à alma e fazem nela a sua morada.
Quando
compreendemos - ainda que seja só um poucochinho - estas verdades fundamentais,
a nossa maneira de ser transforma-se.
Passamos
a ter fome de Deus e fazemos nossas as palavras do Salmo: Meu Deus, eu Te
procuro solícito; sedenta de Ti está a minha alma; a minha carne deseja-Te, como
terra árida, sem água.
E
Jesus, que suscitou as nossas ansiedades, vem ao nosso encontro e diz-nos: «se
alguém tem sede, venha a Mim e beba».
E
oferece-nos o Seu Coração, para encontrarmos nele o nosso repouso e a nossa
fortaleza.
Se
aceitarmos o Seu chamamento, veremos como as Suas palavras são verdadeiras, e
aumentará a nossa fome e a nossa sede, até desejarmos que Deus estabeleça no
nosso coração o lugar do Seu repouso e não afaste de nós o Seu calor e a Sua
luz.
«Ignem
veni mittere in terram, et quid volo nisi ut accendatur?», vim trazer fogo
à Terra, e que quero eu senão que se acenda?
Já
que nos aproximámos um bocadinho do fogo do Amor de Deus, deixemos que o seu
impulso mova as nossas vidas, sintamos o entusiasmo de levar o fogo divino de
um extremo ao outro do mundo, de o dar a conhecer àqueles que nos rodeiam -
para que também eles conheçam a paz de Cristo e, com ela, encontrem a
felicidade.
Um
cristão que viva unido ao Coração de Jesus não pode ter outros objectivos senão
estes: a paz na sociedade, a paz na Igreja, a paz na própria alma, a paz de
Deus, que se consumará quando vier a nós o Seu Reino.
Maria,
Regina pacis, Rainha da Paz, porque tiveste fé e
acreditaste que se cumpriria o anúncio do Anjo, ajuda-nos a aumentar a Fé, a
sermos firmes na Esperança, a aprofundar o Amor.
Porque
é isso que quer hoje de nós o teu Filho, ao mostrar-nos o seu Sacratíssimo
Coração.
171
Assumpta
est Maria, in coelum, gaudent angeli.
Maria
foi levada por Deus, em corpo e alma, para os Céus.
Há
alegria entre os anjos e os homens.
Qual
a razão desta satisfação íntima que descobrimos hoje, com o coração que parece
querer saltar dentro do peito e a alma cheia de paz?
Celebramos
a glorificação da nossa Mãe e é natural que nós, seus filhos, sintamos um
júbilo especial ao ver como é honrada pela Trindade Beatíssima.
Cristo,
seu Filho Santíssimo, nosso irmão, deu-no-la por Mãe no Calvário, quando disse
a São João: «eis aqui a tua Mãe».
E
nós recebêmo-la, com o discípulo amado, naquele momento de imenso desconsolo.
Santa
Maria acolheu-nos na dor, quando se cumpriu a antiga profecia: e uma espada
trespassará a tua alma.
Todos
somos seus filhos; ela é Mãe de toda a Humanidade.
E
agora, a Humanidade comemora a sua inefável Assunção: Maria sobe aos céus,
Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo. Mais do
que Ela, só Deus.
O
mistério do amor
Mistério
de amor é este.
A razão
humana não consegue compreendê-lo.
Só a
fé pode explicar como é que uma criatura foi elevada a tão grande dignidade,
até se tornar o centro amoroso em que convergem as complacências da Trindade.
Sabemos
que é um segredo divino. Mas, por se tratar da nossa Mãe, sentimo-nos capazes
de o compreender melhor - se é possível falar assim - do que outras verdades da
fé.
Como
nos teríamos comportado se tivéssemos podido escolher a nossa mãe?
Julgo
que teríamos escolhido a que temos, enchendo-a de todas as graças.
Foi
o que Cristo fez, pois sendo Omnipotente, Sapientíssimo e o próprio Amor, seu
poder realizou todo o seu querer.
Escreve
São João Damasceno: “Vede como os cristãos descobriram, há já bastante
tempo, este raciocínio: convinha que
aquela que no parto tinha conservado íntegra a sua virgindade, conservasse
depois da morte o seu corpo sem corrupção alguma. Convinha que aquela que tinha
trazido no seu seio o Criador feito menino, habitasse na morada divina.
Convinha que a Esposa de Deus entrasse na casa celestial. Convinha que aquela
que tinha visto o seu Filho na Cruz, recebendo assim no seu coração a dor de
que tinha sido isenta no parto, o contemplasse sentado à direita do Pai.
Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que corresponde a seu Filho, e que fosse
honrada como Mãe e Escrava de Deus por todas as criaturas”.
Os
teólogos formularam com frequência um argumento semelhante, tentando
compreender de algum modo o significado desse cúmulo de graças de que Maria se
encontra revestida, e que culmina com a Assunção aos Céus.
Dizem
convinha; Deus podia fazê-lo; e por isso o fez.
É a
explicação mais clara das razões que levaram Cristo a conceder a sua Mãe todos
os privilégios, desde o primeiro instante da sua Imaculada Conceição.
Ficou
livre do poder de Satanás; é formosa - tota pulchra! - limpa, pura na
alma e no corpo.
Oração constante, de manhã à noite
A verdadeira oração, a que absorve todo o indivíduo, não a favorece tanto a solidão do deserto como o recolhimento interior. (Sulco, 460)
Eu, enquanto tiver alento, não
cessarei de pregar a necessidade primordial de ser alma de oração – sempre! –
em qualquer ocasião e nas circunstâncias mais díspares, porque Deus nunca nos
abandona. Não é cristão pensar na amizade divina exclusivamente como um recurso
extremo. Pode parecer-nos normal ignorar ou desprezar as pessoas que amamos?
Evidentemente que não. Para os que amamos dirigimos constantemente as palavras,
os desejos, os pensamentos: há como que uma presença contínua. Pois, o mesmo
com Deus.
Com esta busca do Senhor, toda
a nossa jornada se converte numa única conversa, íntima e confiada. Afirmei-o e
escrevi-o tantas vezes, mas não me importo de o repetir, porque Nosso Senhor
faz-nos ver – com o Seu exemplo – que este é o comportamento certo: oração
constante, de manhã à noite e da noite até de manhã. Quando tudo sai com
facilidade: obrigado, meu Deus! Quando chega um momento difícil: Senhor, não me
abandones! E esse Deus, «manso e humilde de coração», não esquecerá os
nossos rogos nem permanecerá indiferente, porque Ele afirmou: «pedi e
dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á». (Amigos
de Deus, 247)
Reflexão
Sofrimento
O Filho de Deus, que assumiu o
sofrimento humano, é portanto um modelo divino para todos os que sofrem,
e especialmente para os cristãos que conhecem e aceitam pela fé o significado e
o valor da Cruz.
O Verbo Incarnado sofreu segundo o
desígnio do Pai também para que nós pudéssemos “seguir os Seus passos”, como
recomenda São Pedro (1 Ped 2, 21).
Sofreu e ensinou-nos a sofrer.
(São João Paulo II, Catequese na Audiência Geral, 19.10.1988)
Pequena agenda do cristão
08/11/2020
Novíssimos
Céu
2. Quem são os que vão para o céu? Como é o céu?
O céu é “o fim último e a realização das aspirações mais
profundas do homem, o estado supremo e definitivo da felicidade”. São Paulo
escreve: Nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem passou pelo pensamento do homem as
coisas que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2, 9).
Depois do juízo particular, os que morrem na graça e na
amizade de Deus e estão perfeitamente purificados vão para o céu. Vivem em
Deus, vêem-no tal como é. Estão sempre com Cristo. São para sempre semelhantes
a Deus, gozam da sua felicidade, do seu Bem, da Verdade e da Beleza de Deus.
Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade,esta comunhão de
vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, com os anjos e com todos os
bem-aventurados chama-se céu. É Cristo que, pela sua morte e Ressurreição, nos
“abriu o céu”. Viver no céu é “estar com Cristo” (cf. Jo 14, 3; Flp 1, 23; 1 Ts 4,17). Os que chegam ao céu vivem “n’Ele”,
mais ainda, encontram ali a sua verdadeira identidade.
Pensamentos diários
Levem Deus aos doentes, por isso valerá mais que qualquer outro tratamento.
(365
dias com o Santo Pio de Peltrecina, O Grande Amor de Deus)
Leitura espiritual 08 Novembro
Evangelho
Jo 8, 21-41
Jesus é Deus
21
Uma outra vez, Jesus disse-lhes: «Eu vou-me embora: vós haveis de procurar-me,
mas morrereis no vosso pecado. Vós não podereis ir para onde Eu vou.» 22 Então,
os judeus comentavam: «Será que Ele se vai suicidar, dado que está a dizer:
‘Vós não podeis ir para onde Eu vou’?» 23 Mas Ele acrescentou: «Vós sois cá de
baixo; Eu sou lá de cima! Vós sois deste mundo; Eu não sou deste mundo. 24 Já
vos disse que morrereis nos vossos pecados. De facto, se não crerdes que Eu sou
o que sou, morrereis nos vossos pecados.» 25 Perguntaram-lhe, então: «Quem és
Tu, afinal?» Disse-lhes Jesus: «Absolutamente aquilo que já vos estou a dizer!
26 Tenho muitas coisas que dizer e que julgar a vosso respeito; mas do que falo
ao mundo é do que ouvi àquele que me enviou, e que é verdadeiro.» 27 Eles não
perceberam que lhes falava do Pai. 28 Disse-lhes, pois, Jesus: «Quando tiverdes
erguido ao alto o Filho do Homem, então ficareis a saber que Eu sou o que sou e
que nada faço por mim mesmo, mas falo destas coisas tal como o Pai me ensinou.
29 E aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou só, porque faço sempre
aquilo que lhe agrada.»
Os filhos de Abraão
30
Quando expunha estas coisas, muitos creram nele. 31 Dizia então Jesus aos Judeus que n’Ele
tinham acreditado: Se permanecerdes na Minha palavra, sereis verdadeiramente
Meus discípulos, 32 conhecereis a verdade, e a verdade libertar-vos-á. 33 Eles
responderam-Lhe: Nós somos da descendência de Abraão e nunca fomos escravos de
ninguém; como é Tu dizes: «ficareis livres»? 34 Retorquiu-lhes Jesus: Em
verdade, em verdade vos digo: Todo aquele que comete o pecado é escravo do
pecado, 35 Ora o escravo não fica na casa para sempre; o filho é que fica para
sempre. 36 Portanto, se o Filho vos libertar, sereis realmente livres. 37 Eu
sei que sois a descendência de Abraão, mas vós procurais matar-Me, porque a
Minha palavra não tem cabimento em vós. 38 Eu digo o que vi junto do Pai, e vós
fazeis o que ouvistes ao vosso pai. 39 Retorquiram-Lhe eles: O nosso pai é
Abraão! Se fosseis filhos de Abraão – disse-lhes Jesus – faríeis as obras de
Abraão. 40 Mas vós procurais matar-Me, a Mim que vos disse a verdade que ouvi a
Deus! Isso não fez Abraão! 41 Vós fazeis as obras do vosso pai. Disseram-Lhe
eles: Nós não nascemos da prostituição; só temos um Pai, que é Deus!
Cristo
que passa
147
Ser Apóstolo de Apóstolos
Encher de luz o mundo, ser
sol e luz - assim definiu O Senhor a missão dos Seus discípulos.
Levar até aos confins da
Terra a boa nova do amor de Deus - a isso devem dedicar a vida, de um modo ou
doutro, todos os cristãos.
Direi mais: temos de sentir
o desejo de não estar sós; temos de animar outros a contribuírem para essa
missão divina de levar a alegria e a paz aos corações dos homens.
Escreve São Gregório Magno:”À
medida que progredis, atraí a vós os outros. Desejai ter companheiros no
caminho para o Senhor”.
Mas lembrai-vos de que, cum dormirem
homines, enquanto os homens dormiam, veio o semeador do joio, diz o Senhor numa
parábola.
Nós, os homens, estamos
expostos a deixar-nos levar pelo sono do egoísmo, da superficialidade,
desperdiçando o coração em mil experiências passageiras, evitando aprofundar o
verdadeiro sentido das realidades terrenas.
Triste coisa é esse sono,
que sufoca a dignidade do homem e o torna escravo da tristeza!
Há um caso que nos deve doer
sobremaneira: o daqueles cristãos que podiam dar mais e não se decidem; que podiam
entregar-se totalmente vivendo todas as consequências da sua vocação de filhos
de Deus, mas resistem a ser generosos.
Deve-nos doer, porque a
graça da Fé não se nos dá para ficar oculta, mas para brilhar diante dos
homens; porque, além disso, está em jogo a felicidade temporal e eterna dos que
procedem assim.
A vida cristã é uma
maravilha divina, com promessa de imediata satisfação e serenidade, mas com a
condição de sabermos apreciar o dom de Deus, sendo generosos sem medida.
É necessário, portanto,
despertar os que tenham caído nesse mau sono, recordar-lhes que a vida não é um
divertimento, mas um tesouro divino que há que fazer frutificar.
É necessário também ensinar
o caminho aos que têm boa vontade e bons desejos mas não sabem como pô-los em
prática.
Cristo urge-nos. Cada um de
vós há-de ser, não só apóstolo, mas apóstolo de apóstolos, arrastando outros
convosco, movendo os demais para que também eles dêem a conhecer Jesus Cristo.
148
Talvez algum de vós me
pergunte como pode dar esse conhecimento às pessoas.
E eu respondo-vos: com
naturalidade, com simplicidade, vivendo como viveis, no meio do mundo,
entregues ao vosso trabalho profissional e aos cuidados da vossa família,
participando em todos os ideais nobres, respeitando a legítima liberdade de
cada um.
Desde há quase trinta anos,
Deus pôs no meu coração o anseio de fazer compreender às pessoas de qualquer
estado, condição ou ofício, esta doutrina: a vida corrente pode ser santa e
cheia de Deus; o Senhor chama-nos a santificar o trabalho quotidiano, porque aí
está também a perfeição do cristão.
Consideramo-lo uma vez mais,
contemplando a vida de Maria.
Não nos esqueçamos de que a
quase totalidade dos dias que Nossa Senhora passou na Terra decorreram de forma
muito semelhante à vida diária de muitos milhões de mulheres, ocupadas em
cuidar da sua família, em educar os seus filhos, em levar a cabo as tarefas do
lar.
Maria santifica as mais
pequenas coisas, aquilo que muitos consideram erradamente como não
transcendente e sem valor: o trabalho de cada dia, os pormenores de atenção com
as pessoas queridas, as conversas e as visitas por motivo de parentesco ou de
amizade... Bendita normalidade, que pode estar cheia de tanto amor de Deus!
Na verdade, é isso o que
explica a vida de Maria: o amor.
Um amor levado até ao
extremo, até ao esquecimento completo de si mesma, contente por estar onde Deus
quer que esteja e cumprindo com esmero a vontade divina.
Isso é o que faz com que o
mais pequeno dos seus gestos nunca seja banal, mas cheio de significado.
Maria, nossa Mãe, é para nós
exemplo e caminho.
Havemos de procurar ser como
Ela nas circunstâncias concretas em que Deus quis que vivêssemos.
Procedendo deste modo,
daremos aos que nos cercam o testemunho de uma vida simples e normal, com as
limitações e com os defeitos próprios da nossa condição humana, mas coerente.
E assim, vendo-vos iguais a
eles em tudo, os outros serão levados a perguntar-nos: como se explica a vossa
alegria?
Donde tirais forças para
vencer o egoísmo e o comodismo?
Quem vos ensina a viver a
compreensão, o espírito de convivência, a entrega, o serviço dos demais?
É então o momento de lhes
descobrirdes o segredo divino da existência cristã, falando-lhes de Deus, de
Cristo, do Espírito Santo, de Maria.
É o momento de procurar
transmitir-lhes, através da nossa pobre palavra, a loucura do amor de Deus que
a graça derramou em nossos corações.
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São João conserva no seu
Evangelho uma frase maravilhosa da Virgem, num dos episódios que já
considerámos: o das bodas de Caná. Narra-nos o evangelista que dirigindo-se aos
serventes, Maria lhes disse: «Fazei tudo o que Ele vos disser».
É disso que se trata - de
levar as almas a situarem-se diante de Jesus e a perguntarem-Lhe: Domine,
quid me vis facere?
Senhor, que queres que eu
faça?
O apostolado cristão - e
refiro-me agora em concreto ao de um cristão corrente, ao do homem ou da mulher
que vive realmente como outro qualquer entre os seus iguais - é uma grande
catequese, em que, através de uma amizade leal e autêntica, se desperta nos
outros a fome de Deus, ajudando-os a descobrir novos horizontes - com
naturalidade, com simplicidade, como já disse, com o exemplo de uma fé bem
vivida, com a palavra amável, mas cheia da força da verdade divina.
Sede audazes.
Contais com a ajuda de
Maria, Regina apostolorum.
E Nossa Senhora, sem deixar
de se comportar como Mãe, sabe colocar os filhos diante das suas próprias
responsabilidades.
Maria, aos que se aproximam
dela e contemplam a sua vida, faz-lhes sempre o imenso favor de levá-los até à
Cruz, de colocá-los defronte do exemplo do Filho de Deus.
E, nesse confronto, em que
se decide a vida cristã, Maria intercede para que a nossa conduta culmine numa
reconciliação do irmão mais pequeno - tu e eu - com o Filho primogénito do Pai.
Muitas conversões, muitas
decisões de entrega ao serviço de Deus, foram precedidas de um encontro com
Maria.
Nossa Senhora fomentou os
desejos de busca, activou maternalmente a inquietação da alma, fez aspirar a
uma transformação, a uma vida nova.
E assim, o «fazei o que
Ele vos disser» converteu-se numa realidade de amorosa entrega, na vocação
cristã que ilumina desde então toda a nossa vida.
Este tempo de conversa
diante do Senhor, em que meditamos sobre a devoção e o carinho à sua Mãe e
nossa Mãe, pode, portanto, reavivar a nossa fé. Está a começar o mês de Maio.
O Senhor quer que não
desaproveitemos esta ocasião de crescer no seu amor através da intimidade com a
sua Mãe.
Que cada dia saibamos ter
para com Ela aqueles pormenores filiais - pequenas coisas, atenções delicadas -
que se vão tornando grandes realidades de santidade pessoal e de apostolado,
quer dizer, empenho constante por contribuir para a salvação que Cristo veio
trazer ao mundo.
Santa Maria, spes nostra,
ancilla Domini, sedes Sapientiae, ora pro nobis! Santa Maria, esperança nossa,
escrava do Senhor, sede de Sabedoria, roga por nós!
150
Hoje, festa do Corpo de
Deus, meditamos juntos a profundidade do Amor do Senhor, que o levou a ficar
oculto sob das espécies sacramentais, e é como se ouvíssemos, fisicamente,
aqueles Seus ensinamentos à multidão: «Eis que o semeador saiu a semear. E,
quando semeava, uma parte da semente caiu ao longo do caminho, e vieram as aves
do céu e comeram-na. Outra parte caiu em lugar pedregoso, onde havia pouca
terra; e logo nasceu porque estava à superfície; mas, saindo o sol, queimou-se
e, porque não tinha raiz, secou. Outra parte caiu entre os espinhos, e os
espinhos cresceram e sufocaram-na. Outra parte caiu em boa terra e frutificou;
uns grãos renderam cem por um, outros sessenta, outros trinta».
A cena é actual.
O semeador divino lança
agora, também, a Sua semente.
A obra da salvação continua
a cumprir-se e o Senhor quer servir-se de nós: deseja que nós, os cristãos,
abramos ao seu amor todos os caminhos da Terra; convida-nos a propagar a
mensagem divina, com a doutrina e com o exemplo, até aos últimos recantos do
mundo. Pede-nos que, sendo cidadãos da sociedade eclesial e da civil, ao
desempenhar com fidelidade os nossos deveres, sejamos cada um outro Cristo,
santificando o trabalho profissional e as obrigações do próprio estado.
Se olharmos à nossa volta,
para este mundo que amamos porque foi feito por Deus, dar-nos-emos conta de que
se verifica a parábola: a palavra de Jesus Cristo é fecunda, suscita em muitas
almas desejos de entrega e de fidelidade.
A vida e o comportamento dos
que servem a Deus mudaram a história, e inclusivamente muitos dos que não
conhecem o Senhor regem-se - talvez sem sequer o advertirem - por ideais
nascidos do Cristianismo.
Vemos também que parte da
semente cai em terra estéril, ou entre espinhos e abrolhos: há corações que se
fecham à luz da fé.
Os ideais de paz, de
reconciliação, de fraternidade, são aceites e proclamados, mas - não poucas
vezes - são desmentidos com os factos. Alguns homens empenham-se inutilmente em
afogar a voz de Deus, impedindo a sua difusão com a força bruta ou então com
uma arma, menos ruidosa, mas talvez mais cruel, porque insensibiliza o
espírito: a indiferença.
151
O pão da vida eterna
Agradar-me-ia que, ao
considerar tudo isto, tomássemos consciência da nossa missão de cristãos,
voltássemos os olhos para a Sagrada Eucaristia, para Jesus que, presente entre
nós, nos constituiu Seus membros: vos estis corpus Christi et membra de
membro, vós sois o corpo de Cristo e membros unidos a outros membros.
O nosso Deus decidiu ficar
no Sacrário para nos alimentar, para nos fortalecer, para nos divinizar, para
dar eficácia ao nosso trabalho e ao nosso esforço.
Jesus é simultaneamente o
semeador, a semente e o fruto da sementeira: o Pão da vida eterna.
Este milagre, continuamente
renovado, da Sagrada Eucaristia, encerra todas as características do modo de
agir de Jesus.
Perfeito Deus e perfeito
homem, Senhor dos Céus e da Terra, oferece-Se-nos como sustento, da maneira
mais natural e corrente.
Assim espera o nosso amor,
desde há quase dois mil anos.
É muito tempo e não é muito
tempo; porque, quando há amor, os dias voam.
Vem-me à memória uma
encantadora poesia galega, uma das cantigas de Afonso X, o Sábio.
É a lenda de um monge que,
na sua simplicidade, suplicou a Santa Maria que o deixasse contemplar o céu,
ainda que fosse só por um instante.
A Virgem acolheu o seu
desejo, e o bom monge foi levado ao Paraíso. Quando regressou, não reconhecia
nenhum dos moradores do mosteiro: a sua oração, que lhe tinha parecido
brevíssima, tinha durado três séculos.
Três séculos não são nada,
para um coração que ama.
Assim compreendo eu esses
dois mil anos de espera do Senhor na Eucaristia.
É a espera de Deus, que ama
os homens, que nos procura, que nos quer tal como somos - limitados, egoístas,
inconstantes - mas com capacidade para descobrirmos o seu carinho infinito e
para nos entregarmos inteiramente a Ele.
Por amor e para nos ensinar
a amar, veio Jesus à Terra e ficou entre nós na Eucaristia.
Como tivesse amado os seus
que viviam no mundo, amou-os até ao fim; com estas palavras começa São João a
narração do que sucedeu naquela véspera da Páscoa, em que Jesus - refere-nos São
Paulo – “tomou o pão, e dando graças, o partiu, e disse: Tomai e comei; isto
é o meu corpo que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim.
Igualmente também, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o
novo testamento do meu sangue; fazei isto em memória de mim todas as vezes que
o beberdes”.











