Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
13/07/2020
A tristeza é a escória do egoísmo
Que ninguém leia tristeza nem dor na tua cara, quando difundes
pelo ambiente do mundo o aroma do teu sacrifício. Os filhos de Deus têm de ser
sempre semeadores de paz e de alegria. (Sulco, 59)
E se somos filhos de Deus, por que havemos de estar tristes? A
tristeza é a escória do egoísmo. Se queremos viver para Nosso Senhor, não nos
faltará a alegria, mesmo que descubramos os nossos erros e as nossas misérias.
A alegria entra na vida de oração de tal maneira que, a certa altura, não
poderemos deixar de cantar: porque amamos, e cantar é próprio de apaixonados.
Se vivermos assim, realizaremos no mundo uma obra de paz;
saberemos tornar amável aos outros o serviço a Nosso Senhor, porque Deus ama
quem dá com alegria O cristão é uma pessoa igual às outras na sociedade; mas do
seu coração transbordará a alegria de quem se propõe cumprir, com a ajuda
constante da graça, a Vontade do Pai: e não se sente vítima, nem inferiorizado,
nem coagido. Caminha de cabeça erguida, porque é homem e é filho de Deus.
A nossa fé dá todo o seu relevo a estas virtudes, que pessoa
alguma deveria deixar de cultivar. Ninguém pode vencer o cristão em humanidade.
Por isso, quem segue Cristo é capaz – não por mérito próprio, mas pela graça de
Nosso Senhor – de comunicar aos que o rodeiam o que às vezes eles pressentem,
embora não consigam compreender: que a verdadeira felicidade, o verdadeiro
serviço ao próximo passa pelo Coração do Nosso Redentor; perfectus Deus, perfectus, homo. (Amigos de Deus, 92–93)
Temas para reflectir e meditar
Oração de petição 1
O
que é a oração de petição?
O
título fala por si. É a oração que, talvez mais usamos.
Porquê?
Porque,
de facto, precisamos de tudo; porque por nós, não conseguimos satisfazer as nossas
reais necessidades.
(AMA,
19.10.2019)
LEITURA ESPIRITUAL
III.
MISSÕES DE PAULO
1.ª
Viagem Missionária -
13 Barnabé e Saulo em missão –
1 Havia
na igreja, estabelecida em Antioquia, profetas e doutores: Barnabé, Simeão,
chamado 'Níger', Lúcio de Cirene, Manaen, companheiro de infância do tetrarca
Herodes, e Saulo. 2 Estando eles a celebrar o culto em honra do Senhor e a
jejuar, disse-lhes o Espírito Santo: «Separai Barnabé e Saulo para o trabalho a
que Eu os chamei.» 3 Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as
mãos e deixaram-nos partir.
Evangelização de Chipre –
4 Enviados, pois, pelo Espírito Santo,
Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e ali meteram-se num barco, rumo à ilha de
Chipre. 5 Chegados que foram a Salamina, começaram a anunciar a palavra de Deus
nas sinagogas dos judeus. Tinham também João como auxiliar. 6 Percorreram toda
a ilha até Pafos e encontraram lá um mago, falso profeta, judeu, chamado
Barjesus, 7 que estava ao serviço do procônsul Sérgio Paulo, homem ponderado.
Este mandou chamar Barnabé e Saulo, desejoso de ouvir a palavra de Deus. 8 Mas
o mago Elimas - assim se traduz o seu nome - opôs-se-lhe, procurando desviar da
fé o procônsul. 9 Então Saulo - também chamado Paulo - cheio do Espírito Santo,
fitou nele os olhos 10 e disse-lhe: «Ó criatura, cheia de todas as astúcias e
de toda a iniquidade, filho do diabo, inimigo de toda a justiça, quando é que
cessarás de perverter os rectos caminhos do Senhor? 11 Mas agora a mão do
Senhor está sobre ti: vais ficar cego e, durante algum tempo, não hás-de ver o
sol.» No mesmo instante, caíram sobre ele o nevoeiro e as trevas e, voltando-se
para todos os lados, procurava alguém que o guiasse pela mão. 12 Vendo, então,
o que se tinha passado, o procônsul abraçou a fé, vivamente impressionado com a
doutrina do Senhor.
O Evangelho na Ásia Menor –
13
De Pafos, onde embarcaram Paulo e os companheiros, dirigiram-se a Perga da
Panfília. João, porém, separando-se deles, voltou para Jerusalém. 14 Quanto
àqueles, deixaram Perga e, caminhando sempre, chegaram a Antioquia da Pisídia. A
um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. 15 Depois da leitura da Lei e
dos Profetas, os chefes da sinagoga mandaram-lhes dizer: «Irmãos, se tiverdes
alguma exortação a dirigir ao povo, falai.»
Discurso de Paulo em Antioquia da Pisídia –
16
Então, Paulo, levantando-se, fez sinal com a mão e disse: «Homens de Israel e
vós os tementes a Deus, escutai: 17 O Deus deste povo, o Deus de Israel,
escolheu os nossos pais e engrandeceu este povo durante a sua permanência no
Egipto. Depois, com a força do seu braço, retirou-o de lá 18 e, durante uns
quarenta anos, sustentou-o no deserto. 19 A seguir, exterminando sete nações na
terra de Canaã, conferiu-lhes a posse do seu território, 20 por cerca de
quatrocentos e cinquenta anos. Depois disso, deu-lhes juízes até ao profeta
Samuel. 21 Em seguida, pediram um rei, e Deus concedeu-lhes, durante quarenta
anos, Saul, filho de Quis, da tribo de Benjamim. 22 Pondo este de parte, Deus
elevou David como rei, e a seu respeito deu este testemunho: 'Encontrei David,
filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará todas as minhas
vontades.' 23 Da sua descendência, segundo a sua promessa, Deus proporcionou a
Israel um Salvador, que é Jesus. 24 João preparou a sua vinda, anunciando um
baptismo de penitência a todo o povo de Israel. 25 Quase a terminar a sua
carreira, João dizia: 'Eu não sou quem julgais; mas vem, depois de mim, alguém
cujas sandálias não sou digno de desatar.' 26 Irmãos, filhos da estirpe de
Abraão, e os que de entre vós são tementes a Deus, a nós é que foi dirigida a
palavra de salvação. 27 Sem dúvida, os habitantes de Jerusalém e os seus chefes
não quiseram reconhecer Jesus, mas, condenando-o, cumpriram, sem disso se
aperceberem, as profecias que são lidas todos os sábados. 28 Embora não
tivessem encontrado nele motivo algum de morte, exigiram a Pilatos que o
mandasse matar. 29 Quando cumpriram tudo o que acerca dele estava escrito,
desceram-no do madeiro e sepultaram-no. 30 Mas Deus ressuscitou-o dos mortos 31
e, durante muitos dias, apareceu aos que tinham subido com Ele da Galileia a
Jerusalém, os quais são agora suas testemunhas diante do povo. 32 E nós estamos
aqui para vos anunciar a Boa-Nova de que a promessa feita a nossos pais, 33 Deus
a cumpriu em nosso benefício, para nós, seus filhos, ressuscitando Jesus, como
está escrito no Salmo segundo: Tu és meu filho, Eu hoje te gerei! 34 Que Deus o
ressuscitou dos mortos para não mais voltar à corrupção, disse-o Ele deste
modo: Dar-vos-ei as coisas santas de David, que são verdadeiras. 35 Por isso,
diz noutra passagem: Não deixarás o teu Santo ver a corrupção. 36 Ora David,
depois de servir em sua vida os desígnios de Deus, morreu; foi reunir-se a seus
pais e viu a corrupção. 37 Mas aquele que Deus ressuscitou não viu a corrupção.
38 Ficai sabendo, irmãos, que por seu intermédio é que vos é anunciada a remissão
dos pecados. A justificação completa que não pudestes obter pela Lei de Moisés,
39 obtê-la-á por meio dele todo aquele que crê. 40 Tende, pois, cautela, para
que vos não aconteça o que se diz nos profetas: 41 Olhai, vós, os desdenhosos, admirai-vos
e desaparecei! Porque Eu vou fazer uma obra em vossos dias, obra em que não
acreditaríeis, se alguém vo-la contasse.» 42 À saída, pediram-lhe que falasse
do mesmo assunto no sábado seguinte. 43 Depois da reunião, muitos judeus e
prosélitos piedosos seguiam Paulo e Barnabé, os quais, nas suas conversas com
eles, os exortavam a perseverar na graça de Deus.
Paulo e Barnabé dirigem-se aos pagãos –
44
No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra do
Senhor. 45 A presença da multidão encheu os judeus de inveja, e responderam com
blasfémias ao que Paulo dizia. 46 Então, desassombradamente, Paulo e Barnabé
afirmaram: «Era primeiramente a vós que a palavra de Deus devia ser anunciada.
Visto que a repelis e vós próprios vos julgais indignos da vida eterna,
voltamo-nos para os pagãos, 47 pois assim nos ordenou o Senhor: Estabeleci-te
como luz dos povos, para levares a salvação até aos confins da Terra.» 48 Ao
ouvirem isto, os pagãos encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do
Senhor; e todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé. 49 Assim,
a palavra do Senhor divulgava-se por toda aquela região. 50 Mas os judeus
incitaram as senhoras devotas mais distintas e os de maior categoria da cidade,
desencadeando uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e expulsaram-nos do seu
território. 51 Estes, sacudindo contra eles o pó dos pés, foram para Icónio. 52
Quanto aos discípulos, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.
"Christus
vivit": Exortação Apostólica aos Jovens
Capítulo
III
VÓS
SOIS O AGORA DE DEUS
Os
migrantes como paradigma do nosso tempo
91.
Como não lembrar os inúmeros jovens directamente envolvidos nas migrações?
Os
fenómenos migratórios não representam uma emergência transitória, mas são
estruturais.
«As
migrações podem verificar-se dentro do mesmo país ou entre países diferentes. A
preocupação da Igreja visa, em particular, aqueles que fogem da guerra, da
violência, da perseguição política ou religiosa, dos desastres naturais -
devidos também às alterações climáticas - e da pobreza extrema: muitos deles
são jovens. Em geral, andam à procura de oportunidades para si e para a sua
família. Sonham com um futuro melhor, e desejam criar as condições para que se
realize»[1].
Os
migrantes lembram-nos «a condição primordial da fé, ou seja, a de sermos
“estrangeiros e peregrinos sobre a terra” (Heb 11, 13)»[2].
92.
Outros migrantes são «atraídos pela cultura ocidental, nutrindo por vezes
expectativas irreais que os expõem a pesadas decepções.
Traficantes
sem escrúpulos, frequentemente ligados a cartéis da droga e das armas, exploram
a fragilidade dos migrantes, que, ao longo do seu percurso, muitas vezes
encontram a violência, o tráfico de seres humanos, o abuso psicológico e mesmo
físico, e tribulações indescritíveis.
Há
que destacar a particular vulnerabilidade dos migrantes menores não
acompanhados, e a situação daqueles que são forçados a passar muitos anos nos
campos de refugiados ou que permanecem bloqueados muito tempo nos países de
trânsito, sem poderem continuar os seus estudos nem expressar os seus talentos.
Em
alguns países de chegada, os fenómenos migratórios suscitam alarme e temores,
frequentemente fomentados e explorados para fins políticos.
Assim
se difunde uma mentalidade xenófoba, de quem se fecha em si mesmo, a que é
necessário reagir com decisão»[3].
93.
«Os jovens que migram experimentam a separação do seu contexto de origem e,
muitas vezes, também um desenraizamento cultural e religioso.
A
fractura tem a ver também com as comunidades de origem, que perdem os elementos
mais vigorosos e empreendedores, e as famílias, particularmente quando migra um
ou ambos os progenitores, deixando os filhos no país de origem.
A
Igreja tem um papel importante como referência para os jovens destas famílias
divididas.
Mas
as histórias dos migrantes são histórias também de encontro entre pessoas e
entre culturas: para as comunidades e as sociedades de chegada são uma
oportunidade de enriquecimento e desenvolvimento humano integral de todos.
As
iniciativas de hospitalidade, que têm como ponto de referência a Igreja,
desempenham um papel importante deste ponto de vista e podem revitalizar as
comunidades capazes de praticá-las»[4].
94.
«Graças à variada proveniência dos Padres [Sinodais], o Sínodo permitiu o
encontro de muitas perspectivas relativamente ao tema dos migrantes, sobretudo
entre países de partida e países de chegada.
Além
disso, ressoou o grito de alarme das Igrejas cujos membros são forçados a fugir
da guerra e da perseguição, vendo, nestas migrações forçadas, uma ameaça para a
própria existência delas.
O
próprio facto de englobar dentro de si mesma todas estas distintas perspectivas
coloca a Igreja em condições de exercer, em relação à sociedade, um papel
profético sobre o tema das migrações»[5].
Peço
especialmente aos jovens que não caiam nas redes de quem os quer contrapor a
outros jovens que chegam aos seus países, fazendo-os ver como sujeitos
perigosos e como se não tivessem a mesma dignidade inalienável de todo o ser
humano.
Acabar
com todas as formas de abuso
95.
Nos últimos tempos, temos sido fortemente instados a escutar o grito das
vítimas dos vários tipos de abuso cometidos por alguns bispos, sacerdotes,
religiosos e leigos.
Estes
pecados provocam nas suas vítimas «sofrimentos que podem durar a vida inteira e
aos quais nenhum arrependimento é capaz de pôr remédio. Este fenómeno, muito
difundido na sociedade, toca também a Igreja e representa um sério obstáculo à
sua missão»[6].
96.
É verdade que o «flagelo dos abusos sexuais contra menores é um fenómeno historicamente
difundido, infelizmente, em todas as culturas e sociedades», especialmente
dentro das próprias famílias e em várias instituições, cuja extensão foi
ressaltada sobretudo «graças à mudança de sensibilidade da opinião pública».
Mas,
«a universalidade de tal flagelo, ao mesmo tempo que confirma a sua gravidade
nas nossas sociedades, não diminui a sua monstruosidade dentro da Igreja» e,
«na ira justificada das pessoas, a Igreja vê o reflexo da ira de Deus, traído e
esbofeteado»[7].
97.
«O Sínodo reitera o firme empenho na adopção de rigorosas medidas de prevenção
que impeçam a sua repetição, começando pela selecção e formação daqueles a quem
serão confiadas tarefas de responsabilidade e educativas»[8].
Ao
mesmo tempo, não mais deve ser abandonada a decisão de aplicar as necessárias
«medidas e sanções»[9].
Em
tudo, contando com a graça de Cristo. Não se pode voltar atrás.
98.
«Existem diferentes tipos de abuso: abusos de poder, económicos, de
consciência, sexuais.
Torna-se
evidente a tarefa de erradicar as formas de exercício da autoridade nas quais
se entroncam aqueles, e de contrastar a falta de responsabilidade e
transparência com que foram geridos muitos casos.
O
desejo de domínio, a falta de diálogo e transparência, as formas de vida dupla,
o vazio espiritual, bem como as fragilidades psicológicas constituem o terreno
onde prospera a corrupção».[10]
O
clericalismo é uma tentação permanente dos sacerdotes, que interpretam «o
ministério recebido mais como um poder a ser exercido do que como um serviço gratuito
e generoso a oferecer; e isto leva a julgar que se pertence a um grupo que
possui todas as respostas e já não precisa escutar e aprender mais nada»[11].
Sem
dúvida, o clericalismo expõe as pessoas consagradas ao risco de perderem o
respeito pelo valor sagrado e inalienável de cada pessoa e da sua liberdade.
99.
Quero, juntamente com os Padres Sinodais, expressar com afecto a minha
«gratidão a quantos têm a coragem de denunciar o mal sofrido: ajudam a Igreja a
tomar consciência do que aconteceu e da necessidade de reagir com decisão»[12].
Mas
também merece um reconhecimento especial «o compromisso sincero de inumeráveis
leigas e leigos, sacerdotes, consagrados, consagradas e bispos que diariamente
se consomem, honesta e dedicadamente, ao serviço dos jovens.
O
seu trabalho é como uma floresta que cresce sem fazer barulho.
Também
muitos dos jovens presentes no Sínodo manifestaram gratidão àqueles que os têm
acompanhado e reafirmaram a grande necessidade de modelos»[13].
100.
Graças a Deus, os sacerdotes que caíram nestes crimes horríveis não constituem
a maioria; esta mantém um ministério fiel e generoso. Peço aos jovens que se
deixem estimular por esta maioria. Em todo o caso, quando virdes um sacerdote
em risco, porque perdeu a alegria do seu ministério, porque busca compensações
afectivas ou está tomando um rumo errado, tende a ousadia de lhe lembrar o seu
compromisso para com Deus e o seu povo, anunciai-lhe vós mesmos o Evangelho e animai-o
a permanecer no caminho certo. Assim, prestareis uma ajuda inestimável num
ponto fundamental: a prevenção que permite evitar a repetição destas
atrocidades. Esta nuvem negra torna-se também um desafio para os jovens que
amam Jesus Cristo e a sua Igreja, porque podem contribuir muito para curar esta
ferida, se puserem em campo a sua capacidade de renovar, reclamar, exigir
coerência e testemunho, voltar a sonhar e reinventar.
101.
Este não é o único pecado dos membros da Igreja, cuja história apresenta muitas
sombras. Os nossos pecados estão à vista de todos; reflectem-se,
impiedosamente, nas rugas do rosto milenário da nossa Mãe e Mestra. Com efeito,
desde há dois mil anos que ela caminha compartilhando «as alegrias e as
esperanças, as tristezas e as angústias dos homens»[14].
E
caminha como é, sem cirurgias estéticas. Não tem medo de mostrar os pecados dos
seus membros, que às vezes alguns deles procuram esconder, perante a luz
ardente da Palavra do Evangelho que limpa e purifica. E não cessa de repetir
cada dia, envergonhada: «tem compaixão de mim, ó Deus, pela tua bondade; (...)
tenho sempre diante de mim os meus pecados» (Sal 51/50, 3.5). Lembremo-nos,
porém, que não se abandona a Mãe quando está ferida, mas acompanhamo-la para
que tire fora de si mesma toda a sua força e capacidade de começar sempre de
novo.
102.
No meio deste drama que justamente nos fere a alma, «o Senhor Jesus, que nunca
abandona a sua Igreja, dá-lhe a força e os instrumentos para um caminho
novo».[15]
Assim,
este momento sombrio, com «a ajuda preciosa dos jovens, pode verdadeiramente
ser uma oportunidade para uma reforma de alcance histórico»[16], para se abrir
a um novo Pentecostes e começar um período de purificação e mudança que dê à
Igreja uma renovada juventude. Entretanto os jovens poderão ajudar muito mais,
se de coração se sentirem parte do «santo e paciente Povo fiel de Deus,
sustentado e vivificado pelo Espírito Santo», porque «será precisamente este
santo Povo de Deus que nos libertará do flagelo do clericalismo, que é o
terreno fértil para todas estas abominações»[17].
Franciscus
Revisão
da versão portuguesa por AMA
[1] DF 25.
[2] Ibid., 25.
[3] Ibid., 26.
[4] Ibid., 27.
[5] Ibid., 28.
[6]
Ibid., 29;
[7]
Francisco, Discurso no termo do Encontro sobre «A protecção na Igreja dos
menores e adultos vulneráveis» (24 de Fevereiro de 2019): L’Osservatore Romano
(ed. portuguesa de 26/II/2019), 12
[8]
DF 29.
[9]
Francisco, Carta ao Povo de Deus (20 de Agosto de 2018), 2: L’Osservatore
Romano (ed. portuguesa de 23/VIII/2018), 8.
[10]
DF 30.
[11]
Francisco, Discurso na I Congregação Geral da XV Assembleia Geral Ordinária do
Sínodo dos Bispos (3 de Outubro de 2018): L’Osservatore Romano(ed. portuguesa
de 4/X/2018), 11.
[12]
DF 31.
[13]
Ibid., 31.
[14]
Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium
et spes, 1.
[15] DF
31
[16]
Ibid., 31.
[17]
Francisco, Discurso no termo do Encontro sobre «A protecção na Igreja dos
menores e adultos vulneráveis»(24 de Fevereiro de 2019): L’Osservatore Romano(ed.
portuguesa de 26/II/2019), 13-14.
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.
Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.
Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.
Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.
Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.
Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.
Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
12/07/2020
O santo não nasce: forja-se
Tudo aquilo em que intervimos nós, os pobrezitos dos homens, mesmo a santidade, é um tecido
de pequenas coisas que segundo a intenção com que se fazem podem formar uma
tapeçaria esplêndida de
heroísmo ou de baixeza, de virtudes ou de pecados. As gestas relatam sempre
aventuras gigantescas, mas misturadas com pormenores caseiros do herói. Oxalá tenhas sempre em muito
apreço é a linha recta as coisas pequenas. (Caminho, 826)
O principal requisito que nos é pedido bem conforme com a nossa
natureza consiste em amar: a caridade é o vínculo da perfeição; caridade que
devemos praticar de acordo com as orientações explícitas que o próprio Senhor
estabelece: amarás o Senhor teu Deus com todo o
teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente, sem reservarmos nada
para nós. A santidade consiste nisto.
É bem certo que se trata de um objectivo elevado e árduo. Mas não
se esqueçam de que o santo não nasce: forja-se no jogo contínuo da graça divina
e da correspondência humana. Um dos escritores cristãos dos primeiros séculos
adverte, referindo-se à união com Deus: Tudo o que se desenvolve começa por ser
pequeno. Ao alimentar-se gradualmente, com constantes progressos, é que chega a
ser grande. Por isso te digo que, se quiseres portar-te como um cristão
coerente sei que estás disposto a isso,
embora te custe tantas vezes vencer-te ou puxar por esse pobre corpo deves ter
muito cuidado com os mais pequenos
pormenores, porque a santidade que Nosso Senhor te exige atinge-se realizando
com amor de Deus o trabalho e as obrigações de cada dia, que se compõem quase
sempre de pequenas realidades. (Amigos de Deus, nn 6–7)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Viver a família.
Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.
Lembrar-me:
Cultivar a Fé
São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
LEITURA ESPIRITUAL
I.
EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM
12 Execução de Tiago. Prisão de Pedro –
1
Por esse tempo, o rei Herodes maltratou alguns membros da Igreja. 2 Mandou
matar à espada Tiago, irmão de João, 3 e, vendo que tal procedimento agradara
aos judeus, mandou também prender Pedro. Decorriam os dias dos Ázimos. 4 Depois
de o mandar prender, meteu-o na prisão, entregando-o à guarda de quatro
piquetes, de quatro soldados cada um, na intenção de o fazer comparecer perante
o povo, a seguir à Páscoa. 5 Enquanto Pedro estava encerrado na prisão, a
Igreja orava a Deus, instantemente, por ele. 6 Na noite anterior ao dia em que
Herodes contava fazê-lo comparecer, Pedro estava a dormir entre dois soldados,
bem preso por duas correntes, e diante da porta estavam sentinelas de guarda à
prisão. 7 De repente, apareceu o Anjo do Senhor e a masmorra foi inundada de
luz. O anjo despertou Pedro, tocando-lhe no lado e disse-lhe: «Ergue-te
depressa!» E as correntes caíram-lhe das mãos. 8 O anjo prosseguiu: «Põe o
cinto e calça as sandálias.» Pedro assim fez. Depois, disse-lhe: «Cobre-te com
a capa e segue-me.» 9 Pedro saiu e seguiu-o. Não se dava conta da realidade da
intervenção do anjo, pois julgava que era uma visão. 10 Depois de atravessarem
o primeiro e o segundo posto da guarda, chegaram à porta de ferro que dá para a
cidade, a qual se abriu por si mesma. Saíram, avançando por uma rua, e logo o
anjo se retirou de junto dele. 11 Pedro, voltando a si, exclamou: «Agora sei
que o Senhor enviou o seu anjo e me arrancou das mãos de Herodes e de tudo o
que o povo judeu esperava.» 12 E, depois de reflectir, dirigiu-se a casa de
Maria, mãe de João, de sobrenome Marcos, onde numerosos fiéis estavam reunidos
a orar. 13 Bateu à porta da entrada, e uma serva chamada Rode veio atender. 14 Reconheceu
a voz de Pedro e, com alegria, em vez de abrir, correu a anunciar que Pedro se
encontrava em frente da porta. 15 «Estás louca!» disseram eles. Como ela
afirmava, sem hesitar, que era verdade, disseram: «É o seu anjo.» 16 Pedro,
entretanto, continuava a bater à porta. Eles abriram e, ao vê-lo, ficaram
estupefactos. 17 Fazendo-lhes sinal com a mão para se calarem, contou-lhes como
o Senhor o tinha tirado da prisão e acrescentou: «Mandai dizer tudo isto a
Tiago e aos irmãos.» Depois, retirou-se dali e foi para outro lugar. 18 Ao
romper do dia, grande foi o alvoroço entre os soldados. Que seria feito de
Pedro? 19 Como Herodes o tivesse mandado buscar e não o encontrassem, submeteu
os guardas a um interrogatório e mandou-os matar. Herodes deixou, em seguida, a
Judeia, desceu para Cesareia e por ali se demorou.
Morte de Agripa –
20
Herodes estava furioso com os habitantes de Tiro e de Sídon. Estes, de comum
acordo, apresentaram-se diante dele e, depois de terem ganhado Blasto,
camareiro do rei, à sua causa, pediram a paz, porque o seu país era abastecido
pelo rei. 21 No dia aprazado, Herodes, revestido com um traje real e sentado na
tribuna, dirigiu-lhes um grande discurso. 22 E o povo gritava: «É um deus que
fala, não é um homem!» 23 Mas, no mesmo instante, o Anjo do Senhor feriu
Herodes, por não ter dado glória a Deus. E, roído pelos vermes, expirou. 24 Entretanto,
a palavra de Deus crescia e multiplicava-se. 25 Barnabé e Saulo, depois de terem
cumprido a sua missão, regressaram de Jerusalém, levando consigo João, de
sobrenome Marcos.
"Christus
vivit": Exortação Apostólica aos Jovens
Capítulo
III
VÓS
SOIS O AGORA DE DEUS
Desejos,
feridas e buscas
81.
Os jovens reconhecem que o corpo e a sexualidade são essenciais para a sua vida
e para o crescimento da sua identidade.
Mas,
num mundo que destaca excessivamente a sexualidade, é difícil manter uma boa
relação com o próprio corpo e viver serenamente as relações afectivas.
Por
esta e outras razões, a moral sexual é frequentemente «causa de incompreensão e
afastamento da Igreja, pois é sentida como um espaço de julgamento e
condenação».
Ao
mesmo tempo, os jovens expressam de maneira explícita o desejo de se confrontar
sobre «as questões relativas à diferença entre identidade masculina e feminina,
à reciprocidade entre homens e mulheres, e à homossexualidade»[1].
82.
No nosso tempo, «os progressos da ciência e das tecnologias biomédicas incidem
fortemente na percepção do corpo, induzindo a pensar que se pode modificar sem
limites.
A
capacidade de intervir no DNA, a possibilidade de inserir elementos artificiais
no organismo (cyborg) e o desenvolvimento das neurociências constituem um
grande recurso, mas ao mesmo tempo levantam questões antropológicas e
éticas»[2].
Podem
levar-nos a esquecer que a vida é um dom, que somos seres criados e limitados,
podendo facilmente ser instrumentalizados por quem detém o poder
tecnológico[3].
«Além
disso, em alguns contextos juvenis, difunde-se a atracção por comportamentos de
risco como instrumento para se explorar a si mesmo, procurar emoções fortes e
obter reconhecimento. (…)
Estes
fenómenos, a que estão expostas as novas gerações, constituem um obstáculo para
o amadurecimento sereno»[4].
83.
Nos jovens, encontramos também, gravados na alma, os golpes recebidos, os
fracassos, as recordações tristes.
Muitas
vezes «são as feridas das derrotas da sua própria história, dos desejos
frustrados, das discriminações e injustiças sofridas, de não se ter sentido
amado ou reconhecido».
Além
disso, temos «as feridas morais, o peso dos próprios erros, o sentido de culpa
por ter errado»[5].
Jesus
faz-Se presente nestas cruzes dos jovens, para lhes oferecer a sua amizade, o
seu alívio, a sua companhia que cura, e a Igreja quer ser instrumento d’Ele
neste percurso rumo à cura interior e à paz do coração.
84.
Em alguns jovens, reconhecemos um desejo de Deus, embora não possua todos os
contornos do Deus revelado.
Noutros,
podemos vislumbrar um sonho de fraternidade, o que já não é pouco. Em muitos,
existe um desejo real de desenvolver as capacidades de que são dotados para
oferecerem algo ao mundo.
Nalguns,
vemos uma sensibilidade artística especial, ou uma busca de harmonia com a
natureza.
Noutros,
pode haver uma grande necessidade de comunicação.
Em
muitos deles, encontramos o desejo profundo de uma vida diferente.
Trata-se
de verdadeiros pontos de partida, energias interiores que aguardam,
disponíveis, uma palavra de estímulo, luz e encorajamento.
85.
O Sínodo tratou de maneira especial três temas de grande importância, cujas
conclusões desejo acolher textualmente, embora nos exijam ainda avançar numa
análise mais ampla e desenvolver uma capacidade de resposta mais adequada e
eficaz.
O
ambiente digital
86.
«O ambiente digital caracteriza o mundo actual. Grandes extensões da humanidade
vivem mergulhadas nele de maneira ordinária e contínua. Já não se trata apenas
de “usar” instrumentos de comunicação, mas de viver numa cultura amplamente
digitalizada que tem impactos muito profundos na noção de tempo e espaço, na
percepção de si mesmo, dos outros e do mundo, na maneira de comunicar,
aprender, obter informações, entrar em relação com os outros.
Uma
abordagem da realidade, que tende a privilegiar a imagem relativamente à escuta
e à leitura, influencia o modo de aprender e o desenvolvimento do sentido
crítico»[6].
87. A
internet e as redes sociais geraram uma nova maneira de comunicar e criar
vínculos, sendo «uma “praça” onde os jovens passam muito tempo e se encontram
facilmente, embora nem todos tenham acesso igual, particularmente em algumas
regiões do mundo. Em todo o caso, constituem uma oportunidade extraordinária de
diálogo, encontro e intercâmbio entre as pessoas, bem como de acesso à
informação e ao saber. Além disso, o mundo digital é um contexto de
participação sociopolítica e de cidadania activa, podendo facilitar a
circulação duma informação independente capaz de tutelar eficazmente as pessoas
mais vulneráveis, revelando as violações dos seus direitos.
Em
muitos países, a web e as redes sociais já constituem um lugar indispensável
para se alcançar e envolver os jovens nas próprias iniciativas e actividades
pastorais»[7].
88.
Mas, para entender este fenómeno na sua totalidade, é preciso reconhecer que
possui - como toda a realidade humana - limites e deficiências. Não é salutar
confundir a comunicação com o simples contacto virtual.
De
facto, «o ambiente digital é também um território de solidão, manipulação,
exploração e violência, até ao caso extremo da dark web.
Os
meios de comunicação digitais podem expor ao risco de dependência, isolamento e
perda progressiva de contacto com a realidade concreta, dificultando o
desenvolvimento de relações interpessoais autênticas.
Difundem-se
novas formas de violência através das redes sociais, como o cyberbullying; a
web é também um canal de difusão da pornografia e de exploração de pessoas para
fins sexuais ou através do jogo de azar»[8].
89.
Não se deve esquecer que «há interesses económicos gigantescos que operam no
mundo digital, capazes de realizar formas de controlo que são tão subtis quanto
invasivas, criando mecanismos de manipulação das consciências e do processo
democrático.
O
funcionamento de muitas plataformas acaba frequentemente por favorecer o
encontro entre pessoas com as mesmas ideias, dificultando o confronto entre as
diferenças.
Estes
circuitos fechados facilitam a divulgação de informações e notícias falsas,
fomentando preconceitos e ódio.
A
proliferação das notícias falsas é expressão duma cultura que perdeu o sentido
da verdade e sujeita os factos a interesses particulares.
A
reputação das pessoas é comprometida através de processos sumários on-line.
O
fenómeno diz respeito também à Igreja e seus pastores»[9].
90.
Em um documento preparado por trezentos jovens de todo o mundo antes do Sínodo,
indicava-se que «as relações on-line podem tornar-se desumanas.
Os
espaços digitais não nos deixam ver a vulnerabilidade do outro e dificultam a
reflexão pessoal.
Problemas
como a pornografia distorcem a percepção que o jovem tem da sexualidade humana.
A
tecnologia usada desta maneira cria uma realidade paralela ilusória que ignora
a dignidade humana»[10].
A
imersão no mundo virtual favoreceu uma espécie de «migração digital», isto é,
um distanciamento da família, dos valores culturais e religiosos, que leva
muitas pessoas para um mundo de solidão e auto-invenção chegando ao ponto de
sentir a falta de raízes, embora fisicamente permaneçam no mesmo lugar.
A
vida nova e transbordante dos jovens, que impele a buscar a afirmação da
própria personalidade, enfrenta actualmente um novo desafio: interagir com um
mundo real e virtual no qual se entra sozinho como num continente desconhecido.
Os
jovens de hoje são os primeiros a fazer esta síntese entre o pessoal, o
específico de cada cultura e o global. Mas isto requer que eles consigam passar
do contacto virtual a uma comunicação boa e saudável.
Franciscus
Revisão
da versão portuguesa por AMA
Notas:
[1] DF39.
[2] Ibid., 37.
[3] Cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de
Maio de 2015), 106: AAS107 (2015), 889-890.
[4] DF37.
[5] Ibid., 67.
[6] Ibid., 21.
[7] Ibid., 22.
[8] Ibid., 23.
[9]
Ibid., 24.
[10]
Documento da Reunião Pré-sinodal de preparação para a XV Assembleia Geral
Ordinária do Sínodo dos Bispos (Roma 24 de Março de 2018), I, 4.
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