Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
11/06/2020
LEITURA ESPIRITUAL
São João
Cap. XXI
1 Algum
tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de
Tiberíades, e manifestou-se deste modo: 2 estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a
quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e
outros dois discípulos. 3 Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles
responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.» Saíram e subiram para o barco, mas
naquela noite não apanharam nada. 4 Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na
margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. 5 Jesus disse-lhes, então:
«Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.» 6 Disse-lhes
Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.»
Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para
a arrastar. 7 Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!»
Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais
roupa, e lançou-se à água. 8 Os outros discípulos vieram no barco, puxando a
rede com os peixes; com efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns
noventa metros. 9 Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com
peixe em cima e pão. 10 Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes
agora.» 11 Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes
grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se
rompeu. 12 Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se
atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. 13 Jesus
aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe. 14 Esta já
foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de ter
ressuscitado dos mortos. 15 Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão
Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu:
«Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe:
«Apascenta os meus cordeiros.» 16 Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez:
«Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que
eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.» 17 E
perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu
amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: ‘Tu és
deveras meu amigo?’ Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que
eu sou deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas. 18 Em
verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e
ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te
há-de atar o cinto e levar para onde não queres.» 19 E disse isto para indicar
o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas
palavras, acrescentou: «Segue-me!» 20 Pedro voltou-se e viu que o seguia o
discípulo que Jesus amava, o mesmo que na ceia se tinha apoiado sobre o seu
peito e lhe tinha perguntado: ‘Senhor, quem é que te vai entregar?’ 21 Ao
vê-lo, Pedro perguntou a Jesus: «Senhor, e que vai ser deste?» 22 Jesus
respondeu-lhe: «E se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com
isso? Tu, segue-me!» 23 Foi assim que, entre os irmãos, correu este rumor de
que aquele discípulo não morreria. Jesus, porém, não disse que ele não havia de
morrer, mas sim: «Se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com
isso?» 24 Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e que as escreveu.
E nós sabemos bem que o seu testemunho é verdadeiro. 25 Há ainda muitas outras
coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo
não teria espaço para os livros que se deveriam escrever.
Comentários:
Onde
lançar a rede do nosso apostolado? Debatemo-nos muitas vezes com esta pergunta
que tem toda a razão de ser. Vemos à nossa volta, tantos e tantas que
necessitam ser “apanhados” pela rede divina porque andam pela vida como que
perdidos ou desorientados. Não percamos muito tempo com “planos” e
“estratégias”, vamos, antes, ao nosso director espiritual que nos dirá com
segurança e são critério como, com quem e quando fazer. Só assim o apostolado
deixa de ser “nosso” e será – como deve ser – o apostolado em nome e por Nosso
Senhor Jesus Cristo. A rede nunca se rompe porque abarca toda a humanidade. O
Reino de Deus é, efectivamente, essa rede que recolhe todos os que dela se
aproximam. Muitos, talvez, por curiosidade, outros, a maior parte, porque
alguém os levou. Nós cristãos – pescadores de homens – não temos senão de
lançar a rede uma e outra vez, sem descanso, com a perseverança dos verdadeiros
pescadores. Não tenhamos receio nem sintamos desânimo se, por vezes, não
“pescamos” nada porque o “Patrão” da nossa barca – a nossa vida – sabe muito
bem, porque nos conhece intimamente, que não desistimos, não queremos desistir
esperando sempre as Suas instruções onde e como lançar a rede. No apostolado não há que temer a quantidade, o número
de pessoas com quem desenvolvemos o nosso trabalho. Cento e cinquenta e três ou
apenas um ou dois. Nem eles são “nossos” nem o que fazemos é por nós ou para
nós. O apostolado, seja discreto ou espectacular, sem resultados ou cheio de
êxitos, é sempre - deve ser - obra divina dirigida por e para Cristo. Desta
vez o Evangelista relata com detalhe esta pesca milagrosa. Quer sublinhar que
não obstante as aptidões que possamos ter para o trabalho de “pescadores de
homens” pouco ou nada conseguimos se não confiarmos nas “instruções” do
Verdadeiro Pescador que é Cristo: «Simão
Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e
cinquenta e três». O que
bem demonstra que quando Ele dirige o nosso trabalho apostólico – que levamos a
cabo em Seu Nome - os resultados são sempre espectaculares como neste caso. São João, no último capítulo do Evangelho que escreveu,
detém-se em pormenores que o terão impressionado de tal forma os descreve de
forma viva, quase gráfica.
Tudo se passa como que num crescendo
de atitudes do Senhor Ressuscitado destinadas a confirmar na fé n’Ele os
Apóstolos ainda vacilantes e como que “atordoados” com a magnitude dos
acontecimentos a que assistem. O Senhor não Se faz rogado e aparece-lhes uma e
outra vez nas situações e circunstâncias mais díspares, ora no recolhimento do
Cenáculo, ora nas fainas e trabalhos do dia-a-dia, surge no meio deles quando
reunidos com as portas e janelas fechadas, ou caminhando sobre as águas do mar
profundo onde se entregam à faina da pesca, ou sentado na praia com brasas
acesas prontas para uma refeição em comum. Parece que o que verdadeiramente o
Senhor pretende é incutir-lhes a certeza e a confiança n’Ele, em que nunca os
abandonará e estará sempre disposto e pronto a ajudá-los na tarefa de difundir
o Reino de Deus por todas as partes e todas as gentes.
Pobre
Pedro, apetece-nos dizer, posto assim à prova pelo Senhor que tudo sabe. Por
três vezes repete a pergunta e, também três vezes, Pedro, que agora afirma que
O ama, há-de garantir – com juramento – que nem sequer O conhece! Seguramente,
quando esse triste momento chegar, o Apóstolo haverá de lembrar-se deste
episódio e mais se aprofundará o seu arrependimento. Mas, o Evangelista ao
terminar o seu Evangelho fez questão que constasse exactamente para nos
confirmar – a nós, tantas vezes convencidos da nossa força e fortaleza – que
mesmo o Príncipe dos Apóstolos sendo um simples homem, com um enorme coração e
uma enorme coragem, cai, vacila, nega, trai. É verdade, mas, o amor que sente
pelo Mestre acabará por vencer, levará a sua tarefa por diante e terminará
dando a vida por Ele. Sim… o amor tudo vence! Sem pretender comparar-me com
Pedro, vejo-me retratado nesta cena que São João nos relata. O Senhor
pergunta-me, também a mim, se O amo e, eu, respondo sempre com enorme veemência
que sim, que O amo com todas as forças do meu ser. E, logo, esqueço-me do que
afirmei tão convictamente e traio, finjo que não me lembro, e ofendo-O. Depois,
aflito, atrevo-me a perguntar: Senhor, Tu, apesar de tudo… amas-me? E, a
resposta, é sempre a mesma: ‘Eu… sou fiel! Amo-te sempre!’. Estes quatro versículos
são tão importantes, ou melhor, decisivos que a Liturgia os repete várias vezes
no ano. Revelam, pelo menos duas coisas: A primeira é a verdadeira e real
importância que Jesus dá ao amor, como que querendo dizer que, sem amor, nada é
possível nem sequer segui-Lo; A segunda é o exemplo da humildade do Apóstolo
que se entristece porque julga que o Senhor não acredita no que afirma e, para
que não restem dúvidas diz-lhe: «tu sabes
tudo, sabes bem que Te amo». Mas é, também, como que uma queixa que vem do
fundo da alma, como que dizendo que Jesus o estava a “massacrar” com a
repetição de uma pergunta para a qual sabia a resposta. Sim, dizemos nós
também: ‘Tu sabes tudo sabes que Te amo’, mas, deveríamos acrescentar:
‘Ajuda-me a amar-Te mais e melhor, porque sou uma pobre criatura com desejos
maiores que a vontade, com reservas que condicionam a minha entrega’. Eu...
atrevo-me a declarar que Te amo mais que qualquer um! Porque, de facto, amo-Te
com todo o amor que tenho e, quem dá tudo... e, além do mais, mesmo se o meu
amor é pequeno, ao darTe o meu coração TODO, haverá “espaço” para o encheres
com o Teu.
Nos
últimos versículos do Evangelho que escreveu, São João identifica-se a si
próprio como uma testemunha que viu e ouviu quanto escreveu. O que pessoalmente
retenho deste Evangelista é o ênfase que a cada momento põe no amor. O amor de
Jesus Cristo pelos homens que veio salvar e redimir e, não se atém com falsa
modéstia, que ele próprio foi objecto de um amor muito especial do Senhor. Gosto
de chamar a São João o Apóstolo do Amor,
amor verdadeiro, sadio, sem condições. Ah! Amar assim, como João amou Jesus e
Jesus o amou a ele é, seguramente, o maior bem a que se poderá aspirar. Termina
o evangelho escrito por São João quando termina também o tempo pascal. A
tradição diz que, nos últimos anos da sua longa vida, repetia sem cessar: “Filhinhos:
Amai-vos uns aos outros, se vos amardes só isso basta”. Dá-nos que pensar
se, de facto, amamos os outros como o Senhor – Deus – nos ama a nós e, embora pareça
impossível, dada a infinita distância e “categoria” do Amor de Deus do amor
humano, mas o Espírito Santo dar-nos-á o que faltar para o conseguirmos. E, o
amor, que não pode ter medida, tudo vence, tudo conquista sobretudo a vida
eterna a que aspiramos.
Que eu não volte a voar pegado à terra
– Meu Senhor Jesus: faz com que sinta, que secunde
de tal modo a tua graça, que esvazie o meu coração..., para que o enchas Tu,
meu Amigo, meu Irmão, meu Rei, meu Deus, meu Amor! (Forja, 913)
Vejo-me como um pobre passarinho que,
acostumado a voar apenas de árvore em árvore ou, quando muito, até à varanda de
um terceiro andar..., um dia, na sua vida, meteu-se em brios para chegar até ao
telhado de certa casa modesta, que não era propriamente um arranha-céus...
Mas eis que o nosso pássaro é arrebatado por
uma águia – que o julgou erradamente uma cria da sua raça – e, entre as suas
garras poderosas, o passarinho sobe, sobe muito alto, por cima das montanhas da
terra e dos cumes nevados, por cima das nuvens brancas e azuis e cor-de-rosa,
mais acima ainda, até olhar o sol de frente... E então a águia, soltando o
passarinho, diz-lhe: anda, voa!...
– Senhor, que eu não volte a voar pegado à
terra, que esteja sempre iluminado pelos raios do divino Sol – Cristo – na
Eucaristia, que o meu voo não se interrompa até encontrar o descanso do teu
Coração! (Forja, 39)
Temas para reflectir e meditar
Oração mental 4
Como
exemplo de temas podemos optar, por exemplo, pelas Virtudes Teologais: Fé,
Esperança e Caridade.
É
sugerido que quinze minutos diários, são um tempo ajustado a este tipo de
oração o que, evidentemente, não chega para a “dimensão” tema.
Não
nos preocupemos. O Espírito Santo nos encaminhará tranquilamente por onde
devemos ir.
(AMA,
16.10.2019)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
10/06/2020
Perfeição 2
Novamente venho reflectir
sobre a Perfeição.
O desejo de perfeição pode
ser prejudicial?
Pode!
Evidentemente que se deve
fazer o possível para que as tarefas que metemos ombros sejam bem acabadas e
bem estruturadas, tal pode levar-nos a uma constante procura de êxito final
adiando a finalização.
Talvez se insinue falta de
humildade porque não levamos em conta as nossas limitações.
Talvez pondo o assunto nas
mãos do Anjo da Guarda e, ao mesmo tempo pedir luz e ciência, entendimento e sabedoria Dons
indispensáveis para fazer o que deve e como deve ser feito.
(AMA, 2020)
LEITURA ESPIRITUAL
São João
Cap. XX
1 No
primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda
escuro, e viu retirada a pedra que o tapava. 2 Correndo, foi ter com Simão
Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi
levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.» 3 Pedro saiu com o outro
discípulo e foram ao túmulo. 4 Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo
correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5 Inclinou-se para
observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não
entrou. 6 Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no
túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, 7 ao passo
que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente
com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição. 8 Então,
entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e
começou a crer, 9 pois
ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar
dos mortos. 10 A seguir, os discípulos regressaram a casa. 11 Maria estava
junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar. Sem parar de chorar, debruçou-se
para dentro do túmulo, 12 e contemplou dois anjos vestidos de branco, sentados
onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. 13 Perguntaram-lhe:
«Mulher, porque choras?» E ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não
sei onde o puseram.» 14 Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas
não se dava conta que era Ele. 15 E Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras?
Quem procuras?» Ela, pensando que era o encarregado do horto, disse-lhe:
«Senhor, se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste, que eu vou
buscá-lo.» 16 Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela, aproximando-se, exclamou em
hebraico: «Rabbuni!» - que quer dizer: «Mestre!» 17 Jesus disse-lhe: «Não me
detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e
diz-lhes: ‘Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso
Deus.’» 18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E
contou o que Ele lhe tinha dito. 19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da
semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam,
com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e
disse-lhes: «A paz esteja convosco!» 20 Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o
peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. 21 E Ele voltou
a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos
envio a vós.» 22 Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o
Espírito Santo. 23 Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados;
àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.» 24 Tomé, um dos Doze, a quem
chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Diziam-lhe os
outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o
sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e
a minha mão no seu peito, não acredito.» 26 Oito dias depois, estavam os
discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas
fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» 27 Depois,
disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na
no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» 28 Tomé respondeu-lhe: «Meu
Senhor e meu Deus!» 29 Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes
os que crêem sem terem visto!» 30 Muitos outros sinais miraculosos realizou
ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste
livro. 31 Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias,
o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.
Comentários:
São João relata como percebera perfeitamente
a escolha feita por Jesus ao considerar Pedro como o chefe dos Apóstolos. De
facto, como ele próprio descreve, tendo chegado primeiro ao túmulo, não entrou
esperando que Pedro o fizesse em primeiro lugar. Trata-se de um pormenor? Não! Trata-se
sim da primeira demonstração de que a Igreja de Jesus Cristo não é uma
democracia mas sim uma hierarquia. Não se trata de subserviência, mas de
obediência, respeito e deferência. A humilíssima figura de Pedro não se
modifica nem se altera pela categoria ou “posto” em que está investido pelo
próprio Jesus Cristo, antes se considera como um obediente servo do seu Mestre
e Senhor, sem enjeitar as suas responsabilidades nem sob o pretexto de não ser
digno, há-de conduzir aqueles Doze, e os que se seguirão, a cumprir o mandato
recebido: Ensinar a todas as gentes; a instalar o Reino de Deus na terra.
O Evangelista São João termina o “seu”
Evangelho com a descrição de uma cena entranhável: a confissão do Apóstolo
Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!». Não é
uma confissão “qualquer” mas um “grito” que vem do fundo da alma do Apóstolo
incrédulo. Perante a evidência, o seu coração não pode mais que confessar a
verdade que intimamente reconhece e podemos, sem esforço, adivinhar a reacção
dos outros Apóstolos que estavam presentes: a necessidade íntima de repetirem
cada um, a declaração de Tomé. A partir deste momento, cessam todas as dúvidas,
ficam liminarmente transparentes todas as questões. Também nós, quando o
Sacerdote eleva sobre o Altar a Hóstia Consagrada, repetimos com convicção e
com toda a nossa alma:«Meu Senhor e meu
Deus!». A João, bastou-lhe ver os panos que
envolveram Jesus morto para acreditar; Tomé precisa de pôr o dedo nos buracos
deixados pelos pregos que O prenderam na Cruz e meter a mão no Seu lado trespassado
pela a lança; João vê e cala-se; Tomé, depois de confirmada a Ressurreição,
pronuncia a mais ardente declaração de Fé: «Meu
Senhor e meu Deus!»; A ambos move-os o amor. Quanto mais e puro é o amor
menos provas necessita para acreditar no que ama. E,
pela pena do próprio, relata como e porquê, acreditou em Jesus Cristo. A
humildade de São João é comovente porque, no final do versículo 8, parece
querer dizer-nos que então – e só então – começou verdadeiramente a crer. A
intimidade que tinha pelo Mestre, que lhe retribuiria com especial carinho e
confiança – entregou-lhe a Sua Mãe para que dela cuidasse – não o impedem, bem
ao contrário, de se declarar um homem com dúvidas, hesitações, momentos de
fraqueza. São João: o Apóstolo da humildade! O Apóstolo do amor!
A sensibilidade feminina fica bem
patente neste trecho do Evangelho de São João. Perante as situações mais
difíceis e incompreensíveis a mulher reage com o coração. Maria sabe que o
Senhor jaz no sepulcro, mas tem de certificar-se que tudo está em ordem, que
não profanaram ou, de algum modo, o ódio demonstrado pelos seus inimigos
durante a Paixão, não se voltara contra o Seu corpo morto. Mas os, soldados que
guardam o sepulcro? E a pedra enorme que sela a entrada? Isso são pormenores
que não a detêm porque, o seu amor pelo Mestre continua bem vivo. Tem de O ver
nem que seja uma última vez! E, de facto, o Senhor recompensará essa
demonstração de amor. Nós reconhecemos Jesus como? Esta pergunta vem na sequência
do que aconteceu com a Madalena: reconheceu o Senhor pelo tom de voz! Mas, isso
não se passa connosco porque não ouvimos o Senhor falar! Não é verdade! O
Senhor não tem porque nos aparecer, assim como à Madalena, fisicamente e dizer
o que for, porque nós – em primeiro lugar - não somos merecedores de tal honra
e, - depois - porque a Sua Voz ecoa no nosso coração atento. Sim… os ouvidos
não ouvem mas, o coração, todo o nosso ser espiritual, escuta bem claramente o
que Ele insinua na nossa alma, no nosso pensamento. A oração – como todas as
conversas - é um diálogo e não um monólogo, é falar e escutar e tudo se passa
como uma realidade absoluta da qual não podemos duvidar. Quanto maior for a
nossa intimidade com o Senhor mais fácil e frequente será esse escutar inconfundível
da Sua Palavra que nos sossega, anima, tranquiliza. Se a nossa oração não for
assim, então não valerá a pena porque não passará de um ruído de palavras e, o
Senhor, só pode ouvir-se no silêncio recolhido de todo o nosso ser. Tal como o
amor de uma Mãe, que não descansa enquanto não se certifica que os seus filhos
estão bem, ou podem precisar da sua assistência em determinado momento. É
natural que São João se detenha em pormenores sobre quanto aconteceu no próprio
dia da Ressurreição de Jesus Cristo e nos dias que se seguiram. Compreendemos
bem porquê. Deseja que a descrição do que aconteceu apareça despida da
avalanche de emoções – algumas contraditórias: o entusiasmo, a alegria, a
dúvida, a incredulidade – das reacções dos diversos Apóstolos e discípulos. Também
porque, nada que acontece e que respeita a Nosso Senhor Jesus Cristo, acontece
sem um motivo sério e propositado. Todos, mas todos os acontecimentos encerram
uma lição, comportam um desígnio. Madalena tem como que o “primeiro lugar” nos
que se encontram com o Ressuscitado. O seu enorme amor pelo Mestre, fica deste
modo bem patente, tem um prémio ”especial”.
São João escreve sobre o que
testemunhou pessoalmente, por isso mesmo refere algo extraordinário: «estando fechadas as portas do lugar onde os
discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus,
pôs-se no meio deles…». O Evangelista quer que se saiba que Cristo é,
verdadeiramente, O Ressuscitado, com todos os dotes de um corpo glorioso. Mais
confirma deforma iniludível que é Ele mesmo: «mostrou-lhes
as mãos e o peito». Confirmada a Sua Identidade, dá-lhes um mandato e um
poder: «Assim como o Pai me enviou,
também Eu vos envio a vós»; «Àqueles
a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes,
ficarão retidos.». Este
testemunho do Evangelista é precioso porque pode considerar-se como que o
Testamento do Salvador. Este trecho do evangelho escrito por São João é
escolhido pela liturgia para o dia de Pentecostes e, naturalmente, muito a
propósito. O próprio Jesus Cristo lhes transmite o “sopro” do Espírito Santo
porque precisam urgentemente de obterem os Seus Dons para, naquelas horas
difíceis depois da Morte na Cruz, conservarem a Fé, desenvolverem a Esperança
e, sobretudo, confirmarem o Amor. Tomé não estava presente e terá de aguardar
até que o próprio Espírito Santo desça sobre eles em forma de línguas de fogo. Podemos
imaginar que os onze estariam como que aturdidos não só pelos acontecimentos
recentes, mas, principalmente, por esta aparição extraordinária de Jesus
Ressuscitado. Precisam de paz nos seus espíritos e certezas nas suas almas e é
precisamente o que o Senhor lhes traz e concede. Este poder, que o Senhor dá
aos Apóstolos, de perdoar em Seu nome e com a Sua autoridade, os pecados que os
homens lhes confessarem, só poderá ser comparado ao poder que lhes conferiu da
consagração do pão e do vinho no Seu Corpo e Sangue. De facto, este último
teria forçosamente de ser acompanhado do primeiro porque não se pode receber a
Comunhão Eucarística em estado de pecado grave. Estes dois Sacramentos –
riqueza extraordinária da Igreja – atestam bem o Amor e cuidado com que o
Senhor trata os homens Seus irmãos: Querendo que todos se salvem, a todos sem
excepção oferece os meios para o conseguirem. Todo o Evangelho é a
"fonte" mais importante onde beber as verdades da Fé. Em particular
este trecho de São João contém algo da maior importância: a instituição do
Sacramento da Reconciliação. O Senhor quis expressamente delegar o Seu poder
exclusivo de perdoar os pecados. Poder exclusivo porque é lógico que, sendo o
pecado uma ofensa a Deus, só a Ele competirá perdoar. De facto, este poder é
exercido pelo confessor em Seu Nome, o que é justo. O registo do Evangelista
menciona o "sopro" de Jesus Cristo sobre os Apóstolos, infundindo o
Espírito Santo. Este "sopro" é como que a transmissão definitiva do
Espírito de Deus, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. A partir desse momento
começa - por assim dizer - o Terceiro Tempo se, considerarmos como: Primeiro
Tempo: a Criação - por Deus Pai; Segundo Tempo: a Redenção - por Deus Filho; Terceiro
Tempo: a Confirmação - por Deus Espírito Santo. Esta é uma explicação -
humana... porque não tenho outra - do cumprimento das promessas de Deus a Adão,
primeira criatura e Pai da humanidade. Este tempo do Espírito Santo - em que
vivemos - é particularmente importante porque será o último para a humanidade,
até ao final dos tempos. Tempo de confirmação na Fé, de reconvenção e total e
completa oportunidade para merecer a vida eterna como a desejamos: A
contemplação - para sempre - da Face de Deus Uno e Trino.
A Igreja, quando celebra a festa do
Apóstolo São Tomé, transmite este trecho de São. Fica bem patente a fortaleza
de carácter deste homem, simples e algo rude, sem dúvida, mas sincero e
pragmático. Não acredita no que não vê, mas, quando vê, não só acredita, como
faz uma espontânea e profunda profissão de Fé: «Meu Senhor e meu Deus!» A nós, serve-nos de exemplo magnífico e, ao
mesmo tempo, enche-nos de uma alegria profunda porque o Senhor nos considera
felizes, porque, sem vermos, acreditamos. Ficamos a dever a São Tomé um extraordinário exemplo que devemos
considerar: Em primeiro lugar a prudência, não acreditar em tudo quanto nos
dizem - mesmo que quem o faz nos mereça confiança – sem nos assegurar-mos por
nós próprios sobre a verdade. Pode acontecer que quem nos diz algo, não
querendo enganar-nos, pode dar-nos uma informação errada convencido que está
correcto o que diz; Em segundo lugar virá a entrega: Quando se confirma o que
nos dizem deixa de haver lugar, ou justificação, para dúvidas e, honestamente,
devemos reconhecer a verdade e agir de acordo sem mais delongas. Acreditar no
que se não vê só será possível de duas formas: A primeira é a confiança de quem
nos relata algo que existiu, ou existe e de foi testemunha; A segunda é a Fé. Nas
coisas divinas a Fé constitui o único esteio forte e seguro para que
acreditemos. Deus Nosso Senhor sabe isso muito bem e concede-nos – sem qualquer
mérito da nossa parte – essa graça extraordinária. Por ser um dom de Deus, a Fé
tem de ser por nós, juntamente com as acções de graças, objecto da nossa
constante atenção e, a melhor forma de o fazer, é pedir com insistência
perseverante que o Senhor não só no-la conserve, mas nos ajude a fortalece-la. O
Credo que é o símbolo da nossa Fé tem de ser rezado amiúde, mas com verdadeiro
sentido de oração, dando conta do que realmente significam as palavras que
pronunciamos.
Que não me apegue a nada
Pede ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, e à tua
Mãe, que te façam conhecer-te e chorar por esse montão de coisas sujas que
passaram por ti, deixando - aí - tanto depósito.
E ao mesmo tempo, sem quereres afastar-te dessa
consideração, diz-lhe: Dá-me, Jesus, um Amor como fogueira de purificação, onde
a minha pobre carne, o meu pobre coração, a minha pobre alma, o meu pobre corpo
se consumam, limpando-se de todas as misérias terrenas... E, já vazio de todo o
meu eu, enche-o de Ti: que não me apegue a nada daqui de baixo; que sempre me
sustente o Amor. (Forja, 41)
O Senhor ouve-nos para intervir, para Se meter na
nossa vida, para nos livrar do mal e encher-nos de bem: eripiam eum et
glorificabo eum, Eu o livrarei e o glorificarei, diz do homem. Portanto:
esperança do Céu. E aqui temos, como doutras vezes, o começo desse movimento
interior que é a vida espiritual. A esperança da glorificação acentua a nossa
fé e estimula a nossa caridade. E, deste modo, as três virtudes teologais -
virtudes divinas que nos assemelham ao nosso Pai, Deus - põem-se em movimento.
(...)
Não é possível deixar-se ficar imóvel. É necessário
avançar para a meta que São Paulo apontava: não sou eu quem vive; é Cristo que
vive em mim. A ambição é alta e nobilíssima: a identificação com Cristo, a
santidade. Mas não há outro caminho, se se deseja ser coerente com a vida
divina que, pelo Baptismo, Deus fez nascer nas nossas almas. O avanço é o
progresso na santidade; o retrocesso é negar-se ao desenvolvimento normal da
vida cristã. Porque o fogo do amor de Deus precisa de ser alimentado, de
aumentar todos os dias arreigando-se na alma; e o fogo mantém-se vivo queimando
novas coisas. Por isso, se não aumenta, está a caminho de se extinguir. (Cristo
que passa, 57-58)
Temas para reflectir e meditar
Formação humana e cristã
Oração mental 3
Mas
como escolher o tema?
Pois
pedindo também ao Espírito Santo que no-lo sugira, sempre com uma fórmula que
pode ser nossa ou, por exemplo, esta de um Santo dos nossos dias:
Meu Senhor e meu Deus sei que estás
aqui, que me vês e me ouves, adoro-Te com profunda reverência, peço o perdão
dos meus pecados e graça para fazer este tempo de oração. São José, meu Pai e Senhor,
Anjo da minha Guarda ajudai-me neste propósito.
(AMA,
16.10.2019)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Simplicidade e modéstia.
Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.
Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.
Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.
Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
09/06/2020
LEITURA ESPIRITUAL
São João
Cap. XIX
1 Pilatos tomou então Jesus
e mandou-O flagelar. 2 Depois, os soldados, tecendo uma coroa de espinhos,
puseram-Lha sobre a cabeça e revestiram-n'O com um manto de púrpura. 3
Aproximavam-se d'Ele e diziam-Lhe: «Salve, rei dos judeus!», e davam-Lhe bofetadas.
4 Saiu Pilatos ainda outra vez fora e disse-lhes: «Eis que vo-l'O trago fora,
para que conheçais que não encontro n'Ele crime algum». 5 Saiu, pois, Jesus,
trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse-lhes: «Eis
aqui o Homem!». 6 Então os príncipes dos sacerdotes e os guardas, quando O
viram, gritaram: «Crucifica-O, crucifica-O!». Pilatos disse-lhes: «Tomai-O e
crucificai-O, porque eu não encontro n'Ele motivo algum de condenação». 7 Os
judeus responderam-lhe: «Nós temos uma Lei e, segundo essa Lei, deve morrer,
porque Se fez Filho de Deus». 8 Pilatos, tendo ouvido estas palavras, temeu
ainda mais. 9 Entrou novamente no Pretório e disse a Jesus: «Donde és Tu?». Mas
Jesus não lhe deu resposta. 10 Então Pilatos disse-Lhe: «Não me falas? Não
sabes que tenho poder para Te soltar e também para Te crucificar?». 11 Jesus
respondeu: «Tu não terias poder algum sobre Mim, se não te fosse dado do alto.
Por isso, quem Me entregou a ti tem maior pecado». 12 Desde este momento,
Pilatos procurava soltá-l'O. Porém, os judeus gritavam: «Se soltas Este, não és
amigo de César!, porque todo aquele que se faz rei, declara-se contra César». 13
Pilatos, tendo ouvido estas palavras, conduziu Jesus para fora e sentou-se no
seu tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, em hebraico Gábata. 14 Era o dia da
Preparação da Páscoa, cerca da hora sexta. Pilatos disse aos judeus: «Eis o
vosso rei!». 15 Mas eles gritaram: «Tira-O, tira-O, crucifica-O!». Pilatos
disse-lhes: «Hei-de crucificar o vosso rei?». Os pontífices responderam: «Não
temos outro rei senão César». 16 Então entregou-Lho para que fosse crucificado.
17 Tomaram, pois, Jesus que, carregando com a Sua cruz, saiu para o lugar
chamado Calvário, em hebraico Gólgota, 18 onde O crucificaram, e com Ele outros
dois, um de cada lado, e Jesus no meio. 19 Pilatos redigiu um título, que
mandou colocar sobre a cruz. Nele estava escrito: «Jesus Nazareno, Rei dos
Judeus». 20 Muitos judeus leram este título, porque o lugar onde foi
crucificado ficava perto da cidade. Estava redigido em hebraico, em latim e em
grego. 21 Os pontífices dos judeus diziam, porém, a Pilatos: «Não escrevas: Rei
dos Judeus, mas: Este homem disse: Eu sou o Rei dos Judeus». 22 Pilatos
respondeu: «O que escrevi, está escrito!». 23 Os soldados, depois de terem
crucificado Jesus, tomaram as Suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma
para cada soldado. Tomaram também a túnica. A túnica não tinha costura, era
toda tecida de alto a baixo. 24 Disseram entre si: Não a rasguemos, mas
lancemos sortes sobre ela, para ver a quem tocará; para que se cumprisse deste
modo a Escritura, que diz: “Repartiram entre si as Minhas vestes e lançaram
sortes sobre a Minha túnica”. “Os soldados assim fizeram. 25 Estavam, de pé,
junto à cruz de Jesus, Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e
Maria Madalena. 26 Jesus, vendo Sua mãe e, junto dela, o discípulo que amava,
disse a Sua mãe: «Mulher, eis o teu filho». 27 Depois disse ao discípulo: «Eis
a tua mãe». E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-a na sua casa. 28 Em
seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura,
disse: «Tenho sede». 29 Havia ali um vaso cheio de vinagre. Então, os soldados,
ensopando no vinagre uma esponja e atando-a a uma cana de hissopo, chegaram-Lha
à boca. 30 Jesus, tendo tomado o vinagre, disse: «Tudo está consumado!».
Depois, inclinando a cabeça, entregou o espírito. 31 Os judeus, visto que era o
dia da Preparação, para que os corpos não ficassem na cruz no sábado, porque
aquele dia de sábado era de grande solenidade, pediram a Pilatos que lhes
fossem quebradas as pernas e fossem retirados. 32 Foram, pois, os soldados e
quebraram as pernas ao primeiro e ao outro com quem Ele havia sido crucificado.
33 Mas, quando chegaram a Jesus, vendo que já estava morto, não Lhe quebraram
as pernas, 34 mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança e
imediatamente saiu sangue e água. 35 Quem foi testemunha deste facto o atesta,
e o seu testemunho é digno de fé e ele sabe que diz a verdade, para que também
vós acrediteis. 36 Porque estas coisas sucederam para que se cumprisse a
Escritura: “Não Lhe quebrarão osso algum”.37 E também diz outro passo da
Escritura: “Hão-de olhar para Aquele a quem trespassaram”. 38 Depois disto,
José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, ainda que oculto por medo dos
judeus, pediu a Pilatos que lhe deixasse levar o corpo de Jesus. Pilatos
permitiu-o. Foi, pois, e tomou o corpo de Jesus. 39 Nicodemos, aquele que tinha
ido anteriormente de noite ter com Jesus, foi também, levando uma composição de
quase cem libras de mirra e aloés. 40 Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-n'O
em lençóis com perfumes, segundo a maneira de sepultar usada entre os judeus.
41 Ora, no lugar em que Jesus foi crucificado, havia um horto e no horto um
sepulcro novo, em que ninguém tinha ainda sido sepultado. 42 Por ser o dia da
Preparação dos judeus e o sepulcro estar perto, depositaram ali Jesus.
Comentários:
Em que Chaga refugiar-me, Senhor? Na do Teu peito? Sim, é a minha
preferida. Ficar ali, em descanso, junto ao Teu Coração. Mas não ouso!
Parece-me demais! Nas das Tuas Mãos? Na
Chaga da Mão Direita… essa mão com que abençoas e tocas os doentes? Mas… não
ouso! Parece-me demais! Na Chaga da Mão Esquerda… a mão que segura o caminhante
que titubeia na senda da salvação? Mas… não ouso! Parece-me demais! Nas dos Teus Pés? Na Chaga do Pé
Direito… em que apoias todo o Teu peso quando Te levantas no Caminho do
Gólgota? Mas… não ouso! Parece-me demais! Na Chaga do Pé Esquerdo… com que
sacodes o pó contra os que Te rejeitam? Sim… ouso refugiar-me aqui. Assim
tomarei parte na defesa do Teu Santo Nome tão ofendido! E… aqui fico, feliz e
contente por ter encontrado refúgio e protecção. Faço Desta Chaga o meu berço
onde quero adormecer e acordar todos os dias que me concederes viver.
João precedeu a humanidade no
acolhimento da Santíssima Virgem, não como simples gesto de bondade para com a
Mãe de Cristo, ou para satisfazer a última vontade expressa pelo seu Amado
Mestre e Senhor, mas, antes, como filho verdadeiro. Nós, todos os homens e mulheres
deste mundo que o Senhor nos deixou para propagar o Seu Reino, recebemos a
Senhora com o mesmo amor e confiança, esperança e alegria. Pedimos-lhe que
venha tomar conta das nossas casas, das nossas vidas, preenchendo o nosso
coração com os doces eflúvios de Mãe. Imploramos que não deixe que nos percamos
neste “vale de lágrimas”, não permita que nos afastemos do seu Filho,
não consinta que nos esqueçamos da Cruz onde nos redimiu para a Vida Eterna.
Ó
Mater dolorosa
Junto
da Cruz donde o Filho pendia
Estoicamente
participando
No
Sacrifício supremo, lacrimosa
Mas
orando
Ao
Pai que tal consente.
Ó
Mater dolorosa
Que
te traz aqui, Senhora minha?
Não
sabes que Ele morreu?
Esse
Filho teu
Teve
uma morte gloriosa
Que
na Cruz
Nos
salvou a todos
Da
morte mais horrorosa
A que
ao pecado conduz.
Ó
Mater Dolorosa
Como
é bela a tua dor
Que
torna mais preciosa
A
morte do Salvador.
FILOSOFIA E RELIGIÃO
A
verdade é que o casamento, como instituição natural, tem, por Vontade do
Criador, como fim primeiro e fundamental, não o aperfeiçoamento pessoal dos
esposos, mas a procriação e educação dos filhos (...). Aos esposos que usam o
matrimónio, como acto específico do seu estado, impõem a natureza e o Criador a
função de prover á conservação do género humano.
Pio XII, alocução ás parteiras, Roma, Outubro 1951
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