Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
14/04/2020
Temas para reflectir e meditar
PANDEMIA
CONSAGRAÇÃO
“As
almas consagradas, que fizeram voto de pobreza, são mais ricas que todos os
ricos, pois que, não ambicionando coisa alguma, na realidade tudo possuem”.
(Fulton Sheen,
Pensamentos para a vida diária)
Sei,
vejo muitas vezes, esta realidade: A felicidade das Monjas Clarissas no
Convento de Cristo Rei em Monte Real.
Esta
felicidade – alegre, permanente – é bem visível no sorriso afável e tranquilo
nos seus rostos.
Numa
escolha de AMOR, estas almas encontraram a verdadeira ALEGRIA.
O
AMOR É:
ENTREGA
– DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL
-TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO - OBEDIÊNCIA
– CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO – HUMANO – CONSAGRAÇÃO - ALEGRIA
Com
estes predicados o AMOR não será a solução?
(AMA,
2020)
Deus está junto de nós continuamente
É preciso convencermo-nos de que Deus está junto de nós
continuamente. – Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as
estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado. E está como
um pai amoroso – quer mais a cada um de nós do que todas as mães do mundo podem
querer a seus filhos – ajudando-nos, inspirando-nos, abençoando... e perdoando.
Quantas vezes fizemos desanuviar a fronte dos nossos pais, dizendo-lhes, depois
de uma travessura: não torno a fazer mais! – Talvez naquele mesmo dia tenhamos
tornado a cair... – E o nosso pai, com fingida dureza na voz, de cara séria,
repreende-nos..., ao mesmo tempo que se enternece o seu coração, conhecedor da
nossa fraqueza, pensando: pobre rapaz, que esforços faz para se portar bem! É
necessário que nos embebamos, que nos saturemos de que é Pai e muito Pai nosso,
o Senhor que está junto de nós e nos Céus. (Caminho, 267)
Descansai na filiação divina. Deus é um Pai cheio de ternura, de
amor infinito. Chama-lhe Pai muitas vezes durante o dia e diz-lhe – a sós, na
intimidade do teu coração – que o amas, que o adoras, que sentes o orgulho e a
força de seres seu filho. Tudo isto pressupõe um autêntico programa de vida interior,
que é preciso canalizar através das tuas relações de piedade com Deus – poucas,
mas constantes, insisto – que te permitirão adquirir os sentimentos e as
maneiras de um bom filho.
Devo prevenir-te, no entanto, contra o perigo da rotina –
verdadeiro sepulcro da piedade – a qual se apresenta frequentemente disfarçada
com ambições de realizar ou empreender gestas importantes, enquanto se descuida
comodamente a devida ocupação quotidiana. Quando notares essas insinuações,
põe-te diante do Senhor com sinceridade. Pensa se não te terás aborrecido de
lutar sempre nas mesmas coisas, porque na realidade não estavas à procura de
Deus. Vê se não terá decaído a tua perseverança fiel no trabalho, por falta de
generosidade, de espírito de sacrifício. Nesse caso, as tuas normas de piedade,
as pequenas mortificações, a actividade apostólica que não produz fruto
imediato parecem-te tremendamente estéreis. Estamos vazios e talvez comecemos a
sonhar com novos planos, para calar a voz do nosso Pai do Céu, que exige de nós
uma lealdade total. E, com um pesadelo de grandezas na alma, lançamos no
esquecimento a realidade mais certa, o caminho que sem dúvida nos conduz
direitos à santidade. Aí temos um sinal evidente de que perdemos o ponto de
vista sobrenatural, a convicção de que somos meninos pequenos, a persuasão de
que o nosso Pai fará em nós maravilhas, se recomeçarmos com humildade. (Amigos de Deus, n. 150)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Aplicação no trabalho.
Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.
Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.
Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
salmo ii
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.
Exame Pessoal
Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.[i]
Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.[ii]
Noverim me
Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.[iii]
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta.[vi]
[i] AMA orações pessoais
[ii] AMA orações pessoais
[iii] AMA orações pessoais
[iv] AMA orações pessoais
[v] AMA orações pessoais
[vi] Santa Teresa de Jesus
LEITURA ESPIRITUAL
COMENTANDO OS EVANGELHOS
Cap. XIV
1 Por aquele tempo, a fama de Jesus
chegou aos ouvidos de Herodes, o tetrarca, 2 e ele disse aos seus cortesãos:
«Esse homem é João Baptista! Ressuscitou dos mortos e, por isso, se manifestam
nele tais poderes miraculosos.» 3 De facto, Herodes tinha prendido João,
algemara-o e metera-o na prisão, por causa de Herodíade, mulher de seu irmão
Filipe. 4 Porque João dizia-lhe: «Não te é lícito possuí-la.» 5 Quisera mesmo
dar-lhe a morte, mas teve medo do povo, que o considerava um profeta. 6 Ora,
quando Herodes festejou o seu aniversário, a filha de Herodíade dançou perante
os convidados e agradou a Herodes, 7 pelo que ele se comprometeu, sob
juramento, a dar-lhe o que ela lhe pedisse. 8 Induzida pela mãe, respondeu:
«Dá-me, aqui num prato, a cabeça de João Baptista.» 9 O rei ficou triste, mas,
devido ao juramento e aos convidados, ordenou que lha trouxessem 10 e mandou
decapitar João Baptista na prisão. 11 Trouxeram, num prato, a cabeça de João e
deram-na à jovem, que a levou à sua mãe. 12 Os discípulos de João vieram buscar
o corpo e sepultaram-no; depois, foram dar a notícia a Jesus. 13 Tendo ouvido
isto, Jesus retirou-se dali sozinho num barco, para um lugar deserto; mas o
povo, quando soube, seguiu o a pé, desde as cidades. 14 - Ao desembarcar, Jesus
viu uma grande multidão e, cheio de misericórdia para com ela, curou os seus
enfermos. 15 Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe:
«Este sítio é deserto e a hora já vai avançada. Manda embora a multidão, para
que possa ir às aldeias comprar alimento.» 16 Mas Jesus disse-lhes: «Não é
preciso que eles vão; dai-lhes vós mesmos de comer.» 17 Responderam: «Não temos
aqui senão cinco pães e dois peixes.» 18 «Trazei-mos cá» - disse Ele. 19 E,
depois de ordenar à multidão que se sentasse na relva, tomou os cinco pães e os
dois peixes, ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção; partiu, depois, os
pães e deu-os aos discípulos, e estes distribuíram-nos pela multidão. 20 Todos
comeram e ficaram saciados; e, com o que sobejou, encheram doze cestos. 21 Ora,
os que comeram eram uns cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. 22 Depois, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir
adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. 23 Logo que as
despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali
só. 24 O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado
pelas ondas, pois o vento era contrário. 25 De madrugada, Jesus foi ter com
eles, caminhando sobre o mar. 26 Ao verem-no caminhar sobre o mar, os
discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo. 27 No
mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não
temais!» 28 Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo
sobre as águas.» 29 «Vem» - disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco,
caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. 30 Mas, sentindo a violência do
vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» 31 Imediatamente
Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque
duvidaste?» 32 E, quando entraram no barco, o vento amainou. 33 Os que se
encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente,
o Filho de Deus!» 34 Após a travessia, pisaram terra em Genesaré. 35 Ao
reconhecerem-no, os habitantes daquele lugar espalharam a notícia por toda a
região. Trouxeram-lhe todos os doentes, 36 suplicando-lhe que, ao menos, os
deixasse tocar na orla do seu manto. E todos aqueles que a tocaram, ficaram curados.
Comentários:
1-12 -
Jurar é algo
que deveria ser inaceitável por desnecessário e inconsequente. Desnecessário
porque significa que de alguma forma se pede como que uma garantia que a pessoa
a quem se pede não merece total credibilidade. Inconsequente porque se a
palavra dada não é suficiente como o será o juramento?
Como comentar esta página “trágica” de São Mateus? A
brutalidade e a total ausência de escrúpulos de que os homens são capazes,
ultrapassam o que se pode imaginar. O desprezo absoluto pela dignidade e o
valor da vida humana tem a sua expressão bem vincada neste personagem sinistro
que se cruza na história da salvação. Os “Herodes” de hoje continuam a sua actuação
desgarrada e destemperada, olhando o próprio desprezando o outro. Não têm nem
valores nem critério e, no entanto, pasme-se, são filhos de Deus como nós. Procuremos
que em vez de sentir revolta e asco por tais criaturas, pedir a Deus que se arrependam
e façam uma revisão devida. A Deus nada é impossível.
Jesus Cristo deixa bem claro que a Sua missão neste mundo
não se destina a resolver os eventuais conflitos ou questões entre os homens. Veio
a este mundo para entregar um testemunho e uma “revisão” da Lei. Não pode, no
entanto, deixar de por de sobreaviso sobre o verdadeiro objectivo da vida
humana que deve ser a salvação eterna. Tudo aquilo, portanto, que possa
constituir um entrave a esse objectivo – como, sem dúvida, são as excessivas
preocupações temporais -,é de evitar e usar de grande contenção. A vida terrena
só interessa verdadeiramente se for caminho para a Vida Eterna.
13-21 -
A necessidade
que os homens sentem de estar com Jesus é de tal forma imperiosa que O seguem
para onde quer que for mesmo que tal implique sacrifício e desconforto. Um
lugar deserto! Que importa o local desde que Cristo esteja ali?
Desta
vez é São Mateus quem nos relata este portentoso milagre de Jesus. Não poderia
deixar de o fazer já que - embora não haja milagres menores e outros maiores –
as consequências e o ambiente têm uma importância enorme. Uma multidão de gente
saciada com uns poucos de pães e de peixes! Os doze cestos que sobraram depois
de todos terem comido! Mas, talvez, o mais relevante foi a surpreendente
“ordem” de Cristo: «dai-lhes vós de
comer» Esta “ordem” é-nos dada também a nós, cristãos sem distinção de
categorias ou importância; como se dissesse: ‘Tu, não deixes ninguém afastar-se
porque tem fome e sede, dá-lhes o que precisam realmente: o alimento para o
corpo e para a alma. Dá o que tens, não importa se muito ou pouco, porque, se o
fizeres em Meu Nome, Eu providenciarei o que te possa faltar’.
22-33 -
Novamente
o Senhor fala sobre a fé, desta vez para censurar Pedro. A fé de Pedro, naquela
altura, é como a nossa, quase sempre: acreditamos, fazemos, até, um esforço
para acreditar, mas… O resultado é, quase sempre, afundarmo-nos no meio das
procelas da vida sentindo-nos perdidos e com medo. Mas, o Senhor, conta com
essa nossa debilidade e está ali, sempre pronto e atento a responder ao nosso
apelo: «Salva-me, Senhor!». E, como a
Pedro, estende-nos a Sua mão e salva-nos porque nos quer, nos ama e sabe muito
bem que precisamos dessas provas que a vida nos trás para robustecer a nossa fé
e acreditarmos deveras que, Ele, pode tudo.
22-36 -
Este
como que lamento de Jesus «homem de pouca fé, porque duvidaste?» fica-nos
gravado na alma de forma indelével. Também nós, tantas vezes, duvidamos que Ele
pode tudo e, se nos convida a segui-Lo, não obstante o “pouca coisa” que somos
e as dificuldades que possamos encontrar, a Sua assistência, nunca nos faltará.
Ele convida quem quer para O seguir mais de perto e, quem é convidado, não tem
que interrogar-se o porquê do convite porque não sabemos os planos que Ele terá
a nosso respeito. Coisas grandes ou de escasso relevo, mas, certamente,
importantes, ou não faria o convite. Não sei, não sirvo, não sou digno, não
tenho capacidade… tudo isto são razões sem razão porque, Ele, se convida, sabe.
Aceitemos sem medo, ouvindo-O dizer como neste episódio que o Evangelista
relata «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não
temais!». E, acrescentando, comigo estarás sempre a salvo, seguro e no
caminho certo!
Estas cenas que São Mateus nos relata de forma tão viva e
detalhada têm uma importância extraordinária na formação dos futuros apóstolos.
Jesus retira de qualquer circunstância ou acontecimento o que necessita para
formar o carácter e fortalecer a fé dos O seguem mais de perto e, sobretudo, os
que serão os seguidores a quem confiará a Sua Igreja. Já estamos habituados a estas revelações da
humildade daqueles homens que desejam que conste para sempre, as suas
hesitações, os “altos e baixos” da sua confiança em Jesus… enfim, da sua
fragilidade e medos. Claro que, temos de pensar, também com humildade, que, no
nosso caso, as reacções que teríamos seriam idênticas porque, na verdade, há
todo um ambiente de mistério e de poder divino que ultrapassa a simples
compreensão humana. Mas, de facto, o que acontece, é que a convivência com o
Senhor há-de levar estes homens simples a formarem uma fé e confiança sólidas
como rocha e inabaláveis perante todas as adversidades. Leiamos com atenção
quanto os Evangelhos nos relatam e peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine o
entendimento para entender e acreditar.
Quando o Senhor nos diz para fazer-mos alguma coisa mesmo
que a experiência e o conhecimento das nossas incapacidades nos digam o
contrário, não duvidemos um segundo e fazemos o que nos diz. Não nos há-de importar
se temos de caminhar sobre as águas ou se temos de lançar a rede onde já
tentámos uma e outra vez pescar sem qualquer resultado, se Ele o diz… Ah! Mas
temos momentos de fraqueza, em que a nossa confiança estremece e falha! Não
importa! Ele estará lá para nos estender a mão e arrancar-nos do abismo das
águas ou para encher a nossa rede de abundante pescaria.
(AMA,
2018)
13/04/2020
Temas para reflectir e meditar
EUCARISTIAJesus ficou na Eucaristia para remediar a nossa fraqueza, as nossas dúvidas, os nossos modos, as nossas angústias; para curar a nossa solidão, as nossas perplexidades, os nossos desânimos; para nos acompanhar no caminho; para sustentar-nos na luta interior.
Sobre tudo, para nos ensinar a amar, para nos atrair ao Seu Amor.
(Javier Echevarría, Carta aos fiéis da Prelatura do Opus Dei, Ano da Eucaristia, Roma, 2004.10.06)
PANDEMIA
GENUÍNO
O Amor deve brotar do fundo do
coração, do mais íntimo do nosso ser.
Assim, não pode estranhar-se
que manifeste com visibilidade exterior o que o move.
«Ao vê-la a chorar e os judeus que a
acompanhavam a chorar também, Jesus suspirou profundamente e comoveu-se.» (Jo 11, 43)
Levado pelo ambiente, ou pelas
circunstâncias, o Amor reage quase automáticamente ao estímulo dessas emoções
mostrando como é profundamente HUMANO.
O
AMOR É:
ENTREGA
– DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL
-TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO - OBEDIÊNCIA
– CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO - HUMANO
Com
estes predicados o AMOR não será a solução?
(AMA,
2020)
Portadores de Deus em todos os ambientes
Quando tiveres o Senhor no
teu peito e saboreares os delírios do seu Amor, promete-lhe que te esforçarás
por mudar o rumo da tua vida em tudo o que for necessário, para o levar à
multidão que o não conhece, que anda vazia de ideias; que, infelizmente,
caminha animalizada. (Forja, 939)
Para que este nosso mundo vá
por um caminho cristão – o único que vale a pena –, temos de viver uma amizade
leal com os homens, baseada numa prévia amizade leal com Deus. (Forja,
943)
Com frequência, sinto
vontade de gritar ao ouvido de tantas e de tantos que, no escritório e no
comércio, no jornal e na tribuna, na escola, na oficina e nas minas e no campo,
amparados pela vida interior e pela Comunhão dos Santos, têm de ser portadores
de Deus em todos os ambientes, segundo o ensinamento do Apóstolo:
"glorificai a Deus com a vossa vida e levai-o sempre convosco". (Forja,
945)
Os que temos a verdade de
Cristo no coração, temos de meter esta verdade no coração, na cabeça e na vida
dos outros. O contrário seria comodismo, táctica falsa.
Pensa de novo: Cristo
pediu-te licença, a ti, para se meter na tua alma? Deixou-te a liberdade de o
seguir, mas procurou-te Ele, porque quis. (Forja, 946)
Com obras de serviço,
podemos preparar a Nosso Senhor um triunfo maior que o da sua entrada em Jerusalém...
Porque não se repetirão as cenas de Judas, nem a do Jardim das Oliveiras, nem
aquela noite cerrada... Conseguiremos que o mundo arda nas chamas do fogo que
veio trazer à terra!... E a luz da verdade – o nosso Jesus – iluminará as
inteligências num dia sem fim. (Forja, 947)
LEITURA ESPIRITUAL
COMENTANDO OS EVANGELHOS
Cap. XIII
1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e
sentou-se à beira-mar. 2 Reuniu-se a Ele uma tão grande multidão, que teve de
subir para um barco, onde se sentou, enquanto toda a multidão se conservava na
praia. 3 Jesus falou-lhes de muitas coisas em parábolas: «O semeador saiu para
semear. 4 Enquanto semeava, algumas
sementes caíram à beira do caminho: e vieram as aves e comeram-nas. 5 Outras
caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra: e logo brotaram,
porque a terra era pouco profunda; 6 mas, logo que o sol se ergueu, foram
queimadas e, como não tinham raízes, secaram. 7 Outras caíram entre espinhos: e
os espinhos cresceram e sufocaram-nas. 8 Outras caíram em terra boa e deram
fruto: umas, cem; outras, sessenta; e outras, trinta. 9 Aquele que tiver
ouvidos, oiça!» 10 Aproximando-se de Jesus, os discípulos disseram-lhe: «Porque
lhes falas em parábolas?» 11 Respondendo, disse-lhes: «A vós é dado conhecer os
mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado. 12 Pois, àquele que tem,
ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem
lhe será tirado. 13 É por isso que lhes falo em parábolas: pois vêem, sem ver,
e ouvem, sem ouvir nem compreender. 14 Cumpre-se neles a profecia de Isaías,
que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis; e, vendo, vereis, mas não
percebereis. 15 Porque o coração deste povo tornou-se duro, e duros também os
seus ouvidos; fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos, ouvir com os
ouvidos, compreender com o coração, e converter-se, para Eu os curar. 16 Quanto
a vós, ditosos os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.
17 Em verdade vos digo: Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a
ver, e não viram, e ouvir o que estais a ouvir, e não ouviram.» 18 «Escutai,
pois, a parábola do semeador. 19 Quando um homem ouve a palavra do Reino e não
compreende, chega o maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração.
Este é o que recebeu a semente à beira do caminho. 20 Aquele que recebeu a
semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe, de momento, com
alegria; 21 mas não tem raiz em si mesmo, é inconstante: se vier a tribulação
ou a perseguição, por causa da palavra, sucumbe logo. 22 Aquele que recebeu a
semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a
sedução da riqueza sufocam a palavra que, por isso, não produz fruto. 23 E
aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a
compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta.» 24 Jesus
propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou
boa semente no seu campo. 25 Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o
inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. 26 Quando a haste cresceu e
deu fruto, apareceu também o joio. 27 Os servos do dono da casa foram ter com
ele e disseram-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem,
pois, o joio?’ 28 ‘Foi algum inimigo meu que fez isto’ - respondeu ele. Disseram-lhe
os servos: ‘Queres que vamos arrancá-lo?’ 29 Ele respondeu: ‘Não, para que não
suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. 30 Deixai
um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros:
Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo
no meu celeiro.’» 31 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é
semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. 32 É
a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior
planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu
abrigar-se nos seus ramos.» 33 Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu
é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de
farinha, até que tudo fique fermentado.» 34 Tudo isto disse Jesus, em
parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas. 35 Deste modo
cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas
e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo. 36 Afastando-se, então,
das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele,
disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» 37 Ele, respondendo,
disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem; 38 o campo é o
mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno;
39 o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros
são os anjos. 40 Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim
será no fim do mundo: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de
tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade,
42 e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então
os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem
ouvidos, oiça!» 44 «O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num
campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende
tudo o que possui e compra o campo. 45 O Reino do Céu é também semelhante a um
negociante que busca boas pérolas. 46 Tendo encontrado uma pérola de grande
valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.» 47 «O
Reino do Céu é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a
espécie de peixes. 48 Logo que ela se enche, os pescadores puxam-na para a
praia, sentam-se e escolhem os bons para as canastras, e os ruins, deitam-nos
fora. 49 Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus do
meio dos justos, 50 para os lançarem na fornalha ardente: ali haverá choro e
ranger de dentes.» 51 «Compreendestes tudo isto?» «Sim» - responderam eles. 52 Jesus
disse-lhes, então: «Por isso, todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do
Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu
tesouro.» 53 Depois de terminar estas parábolas, Jesus partiu dali. 54 Tendo
chegado à sua terra, ensinava os habitantes na sinagoga deles, de modo que
todos se enchiam de assombro e diziam: «De onde lhe vem esta sabedoria e o
poder de fazer milagres? 55 Não é Ele o filho do carpinteiro? Não se chama sua
mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 Suas irmãs não estão
todas entre nós? De onde lhe vem, pois, tudo isto?» 57 E estavam escandalizados
por causa dele. Mas Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua pátria
e em sua casa.» 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé
daquela gente.
Comentários:
1-9 -
O que Jesus nos quer dizer nesta parábola é que as
oportunidades de salvação são iguais para todos, Deus não faz qualquer acepção
de pessoas e em todos sem distinção semeia a Sua palavra. Dar fruto, ou não, depende exclusivamente daqueles que receberam a semente e do acolhimento que
lhe dão. Protegida, cuidada, vingará e os frutos serão abundantes, desprezada
ou deixada entregue a si mesma, não haverá produção capaz. Queremos, de facto,
ser bons agricultores que saibam cuidar com esmero e cuidado a semente que nos
foi entregue? Então… peçamos ajuda ao Dono e Senhor de todas as coisas que nos
converta em seara fértil abundante.
1-23 -
Este
longo trecho do Evangelho escrito por São Mateus encerra ensinamentos que
necessariamente temos de meditar com pausa e atenção. O que nos ocorre em
primeiro lugar será que, a prática da Fé, ou é constante e, então,
fortalecer-se-á, ou, caso contrário, irá perdendo “força” até desaparecer de
todo. Em segundo, temos de ser honestos intelectualmente porque não basta o
conhecer a doutrina, é fundamental praticá-la. E, depois, está muito claro o que
o Senhor espera de nós: que demos fruto! Ou seja: ou temos uma fé passiva, como
algo adquirido, ou queremos ter uma fé activa que se manifesta nas obras que
praticamos. E, só esta interessa verdadeiramente!
Muitas vezes penso qual seria a minha atitude se tivesse
vivido naquele tempo e escutado directamente o Senhor! Chego sempre à conclusão
que sou, seguramente, muito mais afortunado, principalmente por duas razões: A
primeira é que, graças aos Evangelistas, posso conhecer com detalhe quanto Jesus
Cristo disse e fez; A segunda, é que O posso receber em Corpo, Alma e Divindade
na Sagrada Eucaristia.
10-17 –
Algo
controverso – pode parecer – este discurso de Jesus, mas, atentando bem, percebemos o que nos quer dizer: A conversão é algo pessoal e determinado pela
vontade de aderir à Cristo. Não pode ser com o fito de obter um benefício
qualquer – como uma cura, por exemplo – porque seria uma falsa conversão. É
preciso ouvir e entender e, entendendo, decidir de acordo. É preciso ver e
perceber o que se vê, e, então, converter-se à evidência. Só esta fé concreta,
justa, simples, categórica tem valor aos olhos do Senhor e, só esta Fé será
aceite por Ele.
16-17 -
Hoje percebemos perfeitamente
que Jesus Cristo se referia a nós. Lemos as Suas palavras, mas não as escutamos
directamente vindas da Sua boca. Contudo, tal não nos impede de acreditar n'Ele
e, pelo menos, tentar pôr em prática os Seus ensinamentos. Arrisco afirmar que
somos mais afortunados que aqueles a quem foram dirigidas, porque o exemplo de
multidões de crentes que ao longo de dois mil anos nos foi deixado, constitui
prova suficiente e bastante para acreditarmos. Que poderia interessar-nos ouvir
se, mesmo ouvindo, não acreditássemos?
Ao longo dos séculos a Santa Igreja, de que Jesus Cristo é
a cabeça, foi-nos repetindo as Suas palavras, que, graças aos quatro
Evangelistas, podemos consultar sempre que o desejarmos. E, pelas descrições –
por vezes tão vivas e pormenorizadas – dos Seus actos mais simples e mais
grandiosos, podemos ter um conhecimento bastante profundo das verdades da nossa
Fé. O Evangelho é, portanto, a fonte onde devemos beber o que necessitarmos
para manter viva e actuante essa mesma fé e, com a sua prática, dar glória a
Deus e ir por um caminho seguro para a Vida Eterna.
Podem parecer algo controversas as afirmações que o
Senhor faz. Mas vejamos como termina e perceberemos que, pretender acreditar
para obter uma cura, um milagre não é nem correcto nem honesto. Parece,
portanto, que a esses tais que Jesus refere lhes falta algo indispensável, para
obter a misericórdia divina: a Fé. Com Fé, tudo é possível sem fé, nada
conseguiremos.
Parece muito claro que a fé não se obtém só por a desejar
porque pode ser conveniente. A fé, é dada por Deus Nosso Senhor aqueles que a
desejam e lha pedem com o único objectivo de acreditar n’Ele. Ouvindo as Suas
palavras, lendo os Evangelhos, desejando fazer – em tudo – a Sua Vontade. De
facto, compreende-se que a Fé seja muito mais que “uma crença”, mas uma atitude
de vida, de comportamento. Esta é a Fé que nos converte – definitivamente – em
Filhos de Deus e candidatos à Vida Eterna.
18-23 -
Temos, os
cristãos, esta felicidade de ser-mos a terra onde o Senhor semeia. Esforcemo-nos
por ser uma boa terra, bem tratada e cuidada para que seja fértil e produza os
frutos que Ele legitimamente espera vir a colher.
Esta
parábola do semeador, na realidade não necessita de qualquer comentário pois o
próprio Senhor Se encarrega de o fazer com a explicação que dá aos Seus
discípulos. Assim, não nos fica qualquer dúvida nem se nos levanta qualquer
questão, tão só concluímos que, de facto, o que Jesus quer é que demos fruto e
fruto abundante.
A Liturgia
repete no mesmo ano este trecho de São Mateus. Sem dúvida que tudo o contido
nos Evangelhos é importante e deve ser como que a “cartilha” do cristão, onde
vai beber e saciar a sua necessidade de conhecimento sobre a vida de Jesus ou,
seja, sobre Aquele que quer seguir. Mas esta “parábola do semeador” talvez
tenha um significado especial para todos os que pensam que há diferenças – ou
melhor dizendo – acepção de pessoas no Reino de Deus. Uns são mais dotados que
outros, os talentos não são igualmente distribuídos, as capacidades diferem. Isto
é evidente e, é assim, porque, os homens, não somos produto de uma “fabricação em
série”, mas a escolha pessoal e única feita pelo Criador que cria uma alma
individual para cada novo ser humano. Mas – e que fique claro – a todos dá
igualdade de oportunidades porque a semente que lança vai cair adrede, sobre
“bons” e “maus”, “justos” e “injustos”, porque O Senhor não escolhe o campo
onde semeia.
Ninguém pode
queixar-se do Semeador que não Se deteve para lançar a semente. Este Semeador
Divino vai constantemente pelos caminhos da vida lançando a semente às mãos
cheias sem determinar onde a mesma vai cair. É tão pródigo que muita vai cair
em locais estéreis que não têm um mínimo de condições para que cresça e se
multiplique, mas, Ele, não Se importa, pode acontecer que o vento ou uma ave a
leve para outro local onde medrará. Penso, portanto, que o melhor local para
aguardamos o Semeador seja exactamente esse caminho que Ele segue.
24-30 -
Acontece na
vida espiritual o que sucede na vida corrente, o trigo e o joio, o bem e o mal,
andam muitas vezes de tal forma juntos que quase não se distinguem. Isso tem a
ver sobretudo com as disposições da alma e com a vida que se vive. No primeiro
caso, quando se abranda a vigilância facilmente se cai na tibieza e o valor
real das coisas transforma-se e acaba confundindo-se. No segundo, as
companhias, o ambiente, arrastam para onde não queremos ir e acabamos
misturados numa mesma massa cujos valores, preocupações e objectivos não nos
convém. Trigo e, ao mesmo tempo joio! Cientes desta realidade, peçamos ao
Senhor que nos envie ceifeiros competentes para que não aconteça ir-mos parar à
fogueira do demónio em lugar de recolhidos no celeiro divino.
Jesus Cristo é sempre muito claro no que diz. Não pode
haver duas interpretações nem, sequer, ceder à tentação de acrescentar alguma
coisa que, podemos julgar, faz falta. (Nunca, em caso nenhum, podemos
atrever-nos a tal!) Mas, para que fique ainda mais claro, explica com detalhe a
parábola de modo que, ninguém possa dizer que não entendeu. Ele é O Semeador
por excelência que lança a sua semente com abundância e a toda a volta. Não
escolhe nem o local nem o terreno, mas, a todos dá por igual as mesmas
oportunidades de receber a semente e de a fazer frutificar. Atentemos bem como
nos preparamos para receber a sementeira, daí dependerá haver seara abundante –
pela qual receberemos uma paga extraordinária – ou apenas ervas secas e sem
qualquer préstimo que ninguém – nem mesmo o Senhor – quererá.
No ambiente ou meio mais insuspeito, o inimigo semeia o
joio. Dentro da própria Igreja, por exemplo, coloca esse “joio” que em tudo
semelhante ao verdadeiro trigo não passa de erva daninha destinada a corromper
toda a seara. Os “falsos cristãos”, os “lobos disfarçados de ovelhas” que o
Senhor tantas vezes refere são esse joio maléfico destinado a confundir, a
inventar, a “desnortear” os mais débeis ou incautos. O verdadeiro cristão tem
por dever de estar atento e precavido porque eles existem de facto, e onde
menos se pode esperar, tentam enganar, dissuadir, espalhar a confusão ou a
dúvida de tal forma que, muitos caem nessas armadilhas e se deixam levar por
onde não devem ir.
31-35 -
Se nos detivermos um pouco pensando como as nossas
iniciativas apostólicas se propagam muitas vezes por lugares e pessoas que nem
sequer conhecemos compreenderemos que O Senhor Se serve de nós como
instrumentos de propagação do Reino de Deus. Daí que a docilidade e pronta
resposta às inspirações que insinua na nossa alma sejam fundamentais para que
aconteça como Ele espera.
Impressiona
verificar que a magnitude do Reino de Deus é feita, construída, com pequenas
coisas. Dia a dia, sem descanso ou paragens, milhões de cristãos dedicam o melhor
do seu tempo e capacidades a esse serviço que é, podemos afirmar, serviço
divino. Este só terminará no final dos tempos quando o Senhor vier
"converter a Si todas as coisas e reinar sobre todos os homens"
Na continuação
do Seu discurso sobre o Reino do Céu, o Senhor como que completa a Sua doutrina
dando a entender claramente que o Reino se estenderá a todos os lugares e a
todos os homens. Na imensidão de Deus e do Seu Reino cabem o Céu e a Terra e a
humanidade inteira. Todos podem fazer parte dele, como é a Sua Vontade Amorosa.
Depende de cada um a escolha tendo em conta a magnitude e magnificência do
prémio a alcançar.
Muitos de nós
sabemos muito bem - e talvez até tenhamos alguma experiência pessoal - de como
o apostolado se desenvolve e propaga de forma que nos surpreende e causa
admiração. Evidentemente, que isto se deve à acção divina que faz crescer e
multiplicar a semente que lançamos nas almas e corações daqueles que nos ouvem.
36-43 -
Os discípulos fazem uma pergunta e Jesus responde com
toda a clareza. Quem são os bons semeadores – que usam de boa semente que
produzirá fruto abundante – e quem são os propagam a má semente que só traz
desgraça e fome. As restantes palavras de Cristo são a confirmação da Justiça
divina que será aplicada inexoravelmente todos. Portanto, convém que, todos oiçam bem ,para não terem surpresas.
No mundo coexistem bons e maus, aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a
seguem semeando-a na sua alma e à sua volta e os que, ao contrário, seguem as
instruções do demónio e propagam o joio do erro e da mentira.
Sim, é verdade, podem
coexistir mas, os encarregados da ceifa final, não se deixarão enganar e
depositarão nos celeiros do Dono da seara os frutos bons e destruirão inexoravelmente
o joio inútil, fruto do ódio e da mentira.
Nós, cristãos
somos a boa semente, é o Senhor quem o afirma. E o que faz uma boa semente? Está claro: dá muito fruto. Torna-se assim evidente
o que O Dono da messe, o Semeador Divino, espera de nós: que demos fruto,
abundante, duradoiro, que sacie com eficácia quem precisa de alimentar-se da
Palavra.
44-46 -
O
Reino do Céu tem um valor que não é comparável com nenhum tesouro por mais
valioso que possa ser. Por isso mesmo, o cristão o procura com afã, sem
descanso e, sendo necessário, desprende-se de tudo para o conseguir. Aliás, não
lhe convém proceder de outra forma já que, o Reino de Deus preenche todas as
suas necessidades e anseios.
Com exemplos muito concretos, Jesus Cristo fala do Reino
do Céu ficando claro que, para o homem, nada há de mais valioso que possa
alcançar. Já se sabe, os meios materiais são apelativos e não há quem não tenha
dificuldade em desprender-se deles, mas… há que considerar que, se facto não se
desprende por um motivo qualquer mas sim para alcançar um bem maior. Parece ser
“um bom negócio”. Quem gosta de “deitar contas à vida”, verá aqui um bom motivo
de reflexão. A busca incessante de bens materiais não estará a “desviar” a
procura do que mais interessa?
44-52 -
O
Senhor descreve, explica o que é o Reino dos Céus para que não restem nem
dúvidas nem falsos conceitos. É, no fim e a cabo, um tesouro, uma pérola de
altíssimo valor, tão grande que se sobrepõe a tudo quanto possamos almejar. Por
este Reino, vale a pena desprender-se de tudo quanto julgamos nos faz falta
porque o bem a alcançar ultrapassa tudo. E depende da vontade de cada um
escolher o que melhor lhe convém e, sendo assim, tudo parece lógico e simples.
Ou não?
47-53 -
Nestas parábolas sobre o Reino dos Céus, Jesus não se
poupa a comparações claras e compreensíveis para que todos entendam "o que
está em jogo". Ninguém poderá dizer que não entendeu e se não toma as
devidas atitudes será por sua única exclusiva decisão.
Ficamos com uma
imagem muito completa do Reino dos Céus. Graças às revelações de Cristo é simples e acessível
como o grão de mostarda ou um pouco de fermento, ou de grande valor e importante
como um tesouro ou uma pérola de alto preço. Requerem o nosso trabalho pessoal,
seja semear ou colocar na massa previamente preparada, quer escavando o campo
ou negociar a pérola. Nos primeiros casos, os resultados são espectaculares,
uma pequena semente que se converte em árvore grandiosa, um pedacinho de
fermento que leveda uma grande quantidade de massa. São resultados directos do
apostolado. Nos outros dois, é a nossa vida pessoal que se altera radicalmente
com a posse de bens de enorme valor. Mas parece lógico que os segundos dependam
dos primeiros, isto é, primeiro semear e levedar e, depois aproveitar a todo o
custo os tesouros que encontramos.
O que o Senhor deseja que fique bem claro é que o Reino
do Céu é para todos, sem excluir ninguém. A escolha, isto é, a avaliação do
mérito de cada um para pertencer ou não ao Reino, não é feita agora, mas só
quando terminada a pesca, recolhida a rede. Nesse momento nada há a fazer mas
tão só confiar na Justiça divina. Cuidado portanto antes de entrar na rede…
enquanto é tempo… que é agora.
Jesus
Cristo fala do Reino dos Céus repetidamente ilustrando as Suas palavras com
exemplos de modo que todos entendem, como aliás confirmam. Não deixa de dizer
que, de facto, há bons e maus e que, a Justiça divina avaliará a conduta de
cada um e respeitará as consequências dessa mesma conduta. Não exclui ninguém,
todos são chamados “à rede divina” só que, a “pesca”, como sempre sucede na
vida de todos os dias, tem resultados diferentes.
54-58 -
Parece normal
que se tenha algum pudor ou até vergonha de falar das coisas de Deus, fazer
apostolado, com pessoas que nos são próximas, familiares ou amigos íntimos. Afinal
conhecem-nos bem e poderão estranhar ou não levar muito a sério a nossa
atitude. É normal, repito, mas nem por isso deixa de ser uma manifestação de respeito
humano. Pensemos que se de facto são nossos amigos e nos conhecem poderão
estranhar que não lhes falemos do que nos move na nossa vida de cristãos.
Que nos pode importar que quem nos ouve não nos
reconheça autoridade para expor o que dizemos? Dizemos a verdade, contamos o
que é certo, baseando-nos na Palavra de Deus Nosso Senhor, que é o Evangelho. Não
falamos por nós ou para nós, falamos em nome de Jesus Cristo e por Jesus Cristo.
E, isto, basta!
São Mateus refere algo que merece um comentário: «E não fez ali muitos milagres, por causa
da falta de fé daquela gente». Concretamente esta
referência significa duas coisas: A primeira é que, não obstante o ambiente de
suspeição e preconceituoso, Jesus fez alguns milagres. A segunda é que os
milagres que Jesus faz são sempre movidos pela fé das pessoas, não porque Lhe
apetece, mas porque a Fé comove o Seu Coração amantíssimo e entranhas de
misericórdia.(
AMA,
2018)
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