13/04/2020

Temas para reflectir e meditar

EUCARISTIA

Jesus ficou na Eucaristia para remediar a nossa fraqueza, as nossas dúvidas, os nossos modos, as nossas angústias; para curar a nossa solidão, as nossas perplexidades, os nossos desânimos; para nos acompanhar no caminho; para sustentar-nos na luta interior. 

Sobre tudo, para nos ensinar a amar, para nos atrair ao Seu Amor.

(Javier EchevarríaCarta aos fiéis da Prelatura do Opus Dei, Ano da Eucaristia, Roma, 2004.10.06)

PANDEMIA


PANDEMIA - 11

GENUÍNO

O Amor deve brotar do fundo do coração, do mais íntimo do nosso ser.

Assim, não pode estranhar-se que manifeste com visibilidade exterior o que o move.

«Ao vê-la a chorar e os judeus que a acompanhavam a chorar também, Jesus suspirou profundamente e comoveu-se.» (Jo 11, 43)

Levado pelo ambiente, ou pelas circunstâncias, o Amor reage quase automáticamente ao estímulo dessas emoções mostrando como é profundamente HUMANO.

O AMOR É:
ENTREGA – DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL -TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO -  OBEDIÊNCIA – CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO - HUMANO

Com estes predicados o AMOR não será a solução?

(AMA, 2020)

Portadores de Deus em todos os ambientes


Quando tiveres o Senhor no teu peito e saboreares os delírios do seu Amor, promete-lhe que te esforçarás por mudar o rumo da tua vida em tudo o que for necessário, para o levar à multidão que o não conhece, que anda vazia de ideias; que, infelizmente, caminha animalizada. (Forja, 939)

Para que este nosso mundo vá por um caminho cristão – o único que vale a pena –, temos de viver uma amizade leal com os homens, baseada numa prévia amizade leal com Deus. (Forja, 943)

Com frequência, sinto vontade de gritar ao ouvido de tantas e de tantos que, no escritório e no comércio, no jornal e na tribuna, na escola, na oficina e nas minas e no campo, amparados pela vida interior e pela Comunhão dos Santos, têm de ser portadores de Deus em todos os ambientes, segundo o ensinamento do Apóstolo: "glorificai a Deus com a vossa vida e levai-o sempre convosco". (Forja, 945)

Os que temos a verdade de Cristo no coração, temos de meter esta verdade no coração, na cabeça e na vida dos outros. O contrário seria comodismo, táctica falsa.
Pensa de novo: Cristo pediu-te licença, a ti, para se meter na tua alma? Deixou-te a liberdade de o seguir, mas procurou-te Ele, porque quis. (Forja, 946)

Com obras de serviço, podemos preparar a Nosso Senhor um triunfo maior que o da sua entrada em Jerusalém... Porque não se repetirão as cenas de Judas, nem a do Jardim das Oliveiras, nem aquela noite cerrada... Conseguiremos que o mundo arda nas chamas do fogo que veio trazer à terra!... E a luz da verdade – o nosso Jesus – iluminará as inteligências num dia sem fim. (Forja, 947)

LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS

São Mateus

Cap. XIII


1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. 2 Reuniu-se a Ele uma tão grande multidão, que teve de subir para um barco, onde se sentou, enquanto toda a multidão se conservava na praia. 3 Jesus falou-lhes de muitas coisas em parábolas: «O semeador saiu para semear.  4 Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho: e vieram as aves e comeram-nas. 5 Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra: e logo brotaram, porque a terra era pouco profunda; 6 mas, logo que o sol se ergueu, foram queimadas e, como não tinham raízes, secaram. 7 Outras caíram entre espinhos: e os espinhos cresceram e sufocaram-nas. 8 Outras caíram em terra boa e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; e outras, trinta. 9 Aquele que tiver ouvidos, oiça!» 10 Aproximando-se de Jesus, os discípulos disseram-lhe: «Porque lhes falas em parábolas?» 11 Respondendo, disse-lhes: «A vós é dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado. 12 Pois, àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado. 13 É por isso que lhes falo em parábolas: pois vêem, sem ver, e ouvem, sem ouvir nem compreender. 14 Cumpre-se neles a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis; e, vendo, vereis, mas não percebereis. 15 Porque o coração deste povo tornou-se duro, e duros também os seus ouvidos; fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, compreender com o coração, e converter-se, para Eu os curar. 16 Quanto a vós, ditosos os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. 17 Em verdade vos digo: Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram, e ouvir o que estais a ouvir, e não ouviram.» 18 «Escutai, pois, a parábola do semeador. 19 Quando um homem ouve a palavra do Reino e não compreende, chega o maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente à beira do caminho. 20 Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe, de momento, com alegria; 21 mas não tem raiz em si mesmo, é inconstante: se vier a tribulação ou a perseguição, por causa da palavra, sucumbe logo. 22 Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra que, por isso, não produz fruto. 23 E aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta.» 24 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. 25 Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. 26 Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. 27 Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?’ 28 ‘Foi algum inimigo meu que fez isto’ - respondeu ele. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancá-lo?’ 29 Ele respondeu: ‘Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. 30 Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.’» 31 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. 32 É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.» 33 Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.» 34 Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas. 35 Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo. 36 Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» 37 Ele, respondendo, disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem; 38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno; 39 o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos. 40 Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, 42 e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!» 44 «O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo. 45 O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. 46 Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.» 47 «O Reino do Céu é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. 48 Logo que ela se enche, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e escolhem os bons para as canastras, e os ruins, deitam-nos fora. 49 Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus do meio dos justos, 50 para os lançarem na fornalha ardente: ali haverá choro e ranger de dentes.» 51 «Compreendestes tudo isto?» «Sim» - responderam eles. 52 Jesus disse-lhes, então: «Por isso, todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro.» 53 Depois de terminar estas parábolas, Jesus partiu dali. 54 Tendo chegado à sua terra, ensinava os habitantes na sinagoga deles, de modo que todos se enchiam de assombro e diziam: «De onde lhe vem esta sabedoria e o poder de fazer milagres? 55 Não é Ele o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 Suas irmãs não estão todas entre nós? De onde lhe vem, pois, tudo isto?» 57 E estavam escandalizados por causa dele. Mas Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua pátria e em sua casa.» 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente.

Comentários:

1-9 -
O que Jesus nos quer dizer nesta parábola é que as oportunidades de salvação são iguais para todos, Deus não faz qualquer acepção de pessoas e em todos sem distinção semeia a Sua palavra. Dar fruto, ou não, depende exclusivamente daqueles que receberam a semente e do acolhimento que lhe dão. Protegida, cuidada, vingará e os frutos serão abundantes, desprezada ou deixada entregue a si mesma, não haverá produção capaz. Queremos, de facto, ser bons agricultores que saibam cuidar com esmero e cuidado a semente que nos foi entregue? Então… peçamos ajuda ao Dono e Senhor de todas as coisas que nos converta em seara fértil abundante.

1-23 -
Este longo trecho do Evangelho escrito por São Mateus encerra ensinamentos que necessariamente temos de meditar com pausa e atenção. O que nos ocorre em primeiro lugar será que, a prática da Fé, ou é constante e, então, fortalecer-se-á, ou, caso contrário, irá perdendo “força” até desaparecer de todo. Em segundo, temos de ser honestos intelectualmente porque não basta o conhecer a doutrina, é fundamental praticá-la. E, depois, está muito claro o que o Senhor espera de nós: que demos fruto! Ou seja: ou temos uma fé passiva, como algo adquirido, ou queremos ter uma fé activa que se manifesta nas obras que praticamos. E, só esta interessa verdadeiramente!
Muitas vezes penso qual seria a minha atitude se tivesse vivido naquele tempo e escutado directamente o Senhor! Chego sempre à conclusão que sou, seguramente, muito mais afortunado, principalmente por duas razões: A primeira é que, graças aos Evangelistas, posso conhecer com detalhe quanto Jesus Cristo disse e fez; A segunda, é que O posso receber em Corpo, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia.

10-17 –
Algo controverso – pode parecer – este discurso de Jesus, mas, atentando bem, percebemos o que nos quer dizer: A conversão é algo pessoal e determinado pela vontade de aderir à Cristo. Não pode ser com o fito de obter um benefício qualquer – como uma cura, por exemplo – porque seria uma falsa conversão. É preciso ouvir e entender e, entendendo, decidir de acordo. É preciso ver e perceber o que se vê, e, então, converter-se à evidência. Só esta fé concreta, justa, simples, categórica tem valor aos olhos do Senhor e, só esta Fé será aceite por Ele.

16-17 -
Hoje percebemos perfeitamente que Jesus Cristo se referia a nós. Lemos as Suas palavras, mas não as escutamos directamente vindas da Sua boca. Contudo, tal não nos impede de acreditar n'Ele e, pelo menos, tentar pôr em prática os Seus ensinamentos. Arrisco afirmar que somos mais afortunados que aqueles a quem foram dirigidas, porque o exemplo de multidões de crentes que ao longo de dois mil anos nos foi deixado, constitui prova suficiente e bastante para acreditarmos. Que poderia interessar-nos ouvir se, mesmo ouvindo, não acreditássemos? 
Ao longo dos séculos a Santa Igreja, de que Jesus Cristo é a cabeça, foi-nos repetindo as Suas palavras, que, graças aos quatro Evangelistas, podemos consultar sempre que o desejarmos. E, pelas descrições – por vezes tão vivas e pormenorizadas – dos Seus actos mais simples e mais grandiosos, podemos ter um conhecimento bastante profundo das verdades da nossa Fé. O Evangelho é, portanto, a fonte onde devemos beber o que necessitarmos para manter viva e actuante essa mesma fé e, com a sua prática, dar glória a Deus e ir por um caminho seguro para a Vida Eterna.
Podem parecer algo controversas as afirmações que o Senhor faz. Mas vejamos como termina e perceberemos que, pretender acreditar para obter uma cura, um milagre não é nem correcto nem honesto. Parece, portanto, que a esses tais que Jesus refere lhes falta algo indispensável, para obter a misericórdia divina: a Fé. Com Fé, tudo é possível sem fé, nada conseguiremos.
Parece muito claro que a fé não se obtém só por a desejar porque pode ser conveniente. A fé, é dada por Deus Nosso Senhor aqueles que a desejam e lha pedem com o único objectivo de acreditar n’Ele. Ouvindo as Suas palavras, lendo os Evangelhos, desejando fazer – em tudo – a Sua Vontade. De facto, compreende-se que a Fé seja muito mais que “uma crença”, mas uma atitude de vida, de comportamento. Esta é a Fé que nos converte – definitivamente – em Filhos de Deus e candidatos à Vida Eterna.

18-23 -
Temos, os cristãos, esta felicidade de ser-mos a terra onde o Senhor semeia. Esforcemo-nos por ser uma boa terra, bem tratada e cuidada para que seja fértil e produza os frutos que Ele legitimamente espera vir a colher.
Esta parábola do semeador, na realidade não necessita de qualquer comentário pois o próprio Senhor Se encarrega de o fazer com a explicação que dá aos Seus discípulos. Assim, não nos fica qualquer dúvida nem se nos levanta qualquer questão, tão só concluímos que, de facto, o que Jesus quer é que demos fruto e fruto abundante.
A Liturgia repete no mesmo ano este trecho de São Mateus. Sem dúvida que tudo o contido nos Evangelhos é importante e deve ser como que a “cartilha” do cristão, onde vai beber e saciar a sua necessidade de conhecimento sobre a vida de Jesus ou, seja, sobre Aquele que quer seguir. Mas esta “parábola do semeador” talvez tenha um significado especial para todos os que pensam que há diferenças – ou melhor dizendo – acepção de pessoas no Reino de Deus. Uns são mais dotados que outros, os talentos não são igualmente distribuídos, as capacidades diferem. Isto é evidente e, é assim, porque, os homens, não somos produto de uma “fabricação em série”, mas a escolha pessoal e única feita pelo Criador que cria uma alma individual para cada novo ser humano. Mas – e que fique claro – a todos dá igualdade de oportunidades porque a semente que lança vai cair adrede, sobre “bons” e “maus”, “justos” e “injustos”, porque O Senhor não escolhe o campo onde semeia. 
Ninguém pode queixar-se do Semeador que não Se deteve para lançar a semente. Este Semeador Divino vai constantemente pelos caminhos da vida lançando a semente às mãos cheias sem determinar onde a mesma vai cair. É tão pródigo que muita vai cair em locais estéreis que não têm um mínimo de condições para que cresça e se multiplique, mas, Ele, não Se importa, pode acontecer que o vento ou uma ave a leve para outro local onde medrará. Penso, portanto, que o melhor local para aguardamos o Semeador seja exactamente esse caminho que Ele segue.

24-30 -
Acontece na vida espiritual o que sucede na vida corrente, o trigo e o joio, o bem e o mal, andam muitas vezes de tal forma juntos que quase não se distinguem. Isso tem a ver sobretudo com as disposições da alma e com a vida que se vive. No primeiro caso, quando se abranda a vigilância facilmente se cai na tibieza e o valor real das coisas transforma-se e acaba confundindo-se. No segundo, as companhias, o ambiente, arrastam para onde não queremos ir e acabamos misturados numa mesma massa cujos valores, preocupações e objectivos não nos convém. Trigo e, ao mesmo tempo joio! Cientes desta realidade, peçamos ao Senhor que nos envie ceifeiros competentes para que não aconteça ir-mos parar à fogueira do demónio em lugar de recolhidos no celeiro divino. 
Jesus Cristo é sempre muito claro no que diz. Não pode haver duas interpretações nem, sequer, ceder à tentação de acrescentar alguma coisa que, podemos julgar, faz falta. (Nunca, em caso nenhum, podemos atrever-nos a tal!) Mas, para que fique ainda mais claro, explica com detalhe a parábola de modo que, ninguém possa dizer que não entendeu. Ele é O Semeador por excelência que lança a sua semente com abundância e a toda a volta. Não escolhe nem o local nem o terreno, mas, a todos dá por igual as mesmas oportunidades de receber a semente e de a fazer frutificar. Atentemos bem como nos preparamos para receber a sementeira, daí dependerá haver seara abundante – pela qual receberemos uma paga extraordinária – ou apenas ervas secas e sem qualquer préstimo que ninguém – nem mesmo o Senhor – quererá.
No ambiente ou meio mais insuspeito, o inimigo semeia o joio. Dentro da própria Igreja, por exemplo, coloca esse “joio” que em tudo semelhante ao verdadeiro trigo não passa de erva daninha destinada a corromper toda a seara. Os “falsos cristãos”, os “lobos disfarçados de ovelhas” que o Senhor tantas vezes refere são esse joio maléfico destinado a confundir, a inventar, a “desnortear” os mais débeis ou incautos. O verdadeiro cristão tem por dever de estar atento e precavido porque eles existem de facto, e onde menos se pode esperar, tentam enganar, dissuadir, espalhar a confusão ou a dúvida de tal forma que, muitos caem nessas armadilhas e se deixam levar por onde não devem ir.

31-35 -
Se nos detivermos um pouco pensando como as nossas iniciativas apostólicas se propagam muitas vezes por lugares e pessoas que nem sequer conhecemos compreenderemos que O Senhor Se serve de nós como instrumentos de propagação do Reino de Deus. Daí que a docilidade e pronta resposta às inspirações que insinua na nossa alma sejam fundamentais para que aconteça como Ele espera.
Impressiona verificar que a magnitude do Reino de Deus é feita, construída, com pequenas coisas. Dia a dia, sem descanso ou paragens, milhões de cristãos dedicam o melhor do seu tempo e capacidades a esse serviço que é, podemos afirmar, serviço divino. Este só terminará no final dos tempos quando o Senhor vier "converter a Si todas as coisas e reinar sobre todos os homens"
Na continuação do Seu discurso sobre o Reino do Céu, o Senhor como que completa a Sua doutrina dando a entender claramente que o Reino se estenderá a todos os lugares e a todos os homens. Na imensidão de Deus e do Seu Reino cabem o Céu e a Terra e a humanidade inteira. Todos podem fazer parte dele, como é a Sua Vontade Amorosa. Depende de cada um a escolha tendo em conta a magnitude e magnificência do prémio a alcançar.
Muitos de nós sabemos muito bem - e talvez até tenhamos alguma experiência pessoal - de como o apostolado se desenvolve e propaga de forma que nos surpreende e causa admiração. Evidentemente, que isto se deve à acção divina que faz crescer e multiplicar a semente que lançamos nas almas e corações daqueles que nos ouvem.

36-43 -
Os discípulos fazem uma pergunta e Jesus responde com toda a clareza. Quem são os bons semeadores – que usam de boa semente que produzirá fruto abundante – e quem são os propagam a má semente que só traz desgraça e fome. As restantes palavras de Cristo são a confirmação da Justiça divina que será aplicada inexoravelmente todos. Portanto, convém que, todos oiçam bem ,para não terem surpresas.
No mundo coexistem bons e maus, aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a seguem semeando-a na sua alma e à sua volta e os que, ao contrário, seguem as instruções do demónio e propagam o joio do erro e da mentira.
Sim, é verdade, podem coexistir mas, os encarregados da ceifa final, não se deixarão enganar e depositarão nos celeiros do Dono da seara os frutos bons e destruirão inexoravelmente o joio inútil, fruto do ódio e da mentira.
Nós, cristãos somos a boa semente, é o Senhor quem o afirma. E o que faz uma boa semente? Está claro: dá muito fruto. Torna-se assim evidente o que O Dono da messe, o Semeador Divino, espera de nós: que demos fruto, abundante, duradoiro, que sacie com eficácia quem precisa de alimentar-se da Palavra.

44-46 -
O Reino do Céu tem um valor que não é comparável com nenhum tesouro por mais valioso que possa ser. Por isso mesmo, o cristão o procura com afã, sem descanso e, sendo necessário, desprende-se de tudo para o conseguir. Aliás, não lhe convém proceder de outra forma já que, o Reino de Deus preenche todas as suas necessidades e anseios. 
Com exemplos muito concretos, Jesus Cristo fala do Reino do Céu ficando claro que, para o homem, nada há de mais valioso que possa alcançar. Já se sabe, os meios materiais são apelativos e não há quem não tenha dificuldade em desprender-se deles, mas… há que considerar que, se facto não se desprende por um motivo qualquer mas sim para alcançar um bem maior. Parece ser “um bom negócio”. Quem gosta de “deitar contas à vida”, verá aqui um bom motivo de reflexão. A busca incessante de bens materiais não estará a “desviar” a procura do que mais interessa?

44-52 -
O Senhor descreve, explica o que é o Reino dos Céus para que não restem nem dúvidas nem falsos conceitos. É, no fim e a cabo, um tesouro, uma pérola de altíssimo valor, tão grande que se sobrepõe a tudo quanto possamos almejar. Por este Reino, vale a pena desprender-se de tudo quanto julgamos nos faz falta porque o bem a alcançar ultrapassa tudo. E depende da vontade de cada um escolher o que melhor lhe convém e, sendo assim, tudo parece lógico e simples. Ou não?

47-53 -
Nestas parábolas sobre o Reino dos Céus, Jesus não se poupa a comparações claras e compreensíveis para que todos entendam "o que está em jogo". Ninguém poderá dizer que não entendeu e se não toma as devidas atitudes será por sua única exclusiva decisão.
Ficamos com uma imagem muito completa do Reino dos Céus. Graças às revelações de Cristo é simples e acessível como o grão de mostarda ou um pouco de fermento, ou de grande valor e importante como um tesouro ou uma pérola de alto preço. Requerem o nosso trabalho pessoal, seja semear ou colocar na massa previamente preparada, quer escavando o campo ou negociar a pérola. Nos primeiros casos, os resultados são espectaculares, uma pequena semente que se converte em árvore grandiosa, um pedacinho de fermento que leveda uma grande quantidade de massa. São resultados directos do apostolado. Nos outros dois, é a nossa vida pessoal que se altera radicalmente com a posse de bens de enorme valor. Mas parece lógico que os segundos dependam dos primeiros, isto é, primeiro semear e levedar e, depois aproveitar a todo o custo os tesouros que encontramos. 
O que o Senhor deseja que fique bem claro é que o Reino do Céu é para todos, sem excluir ninguém. A escolha, isto é, a avaliação do mérito de cada um para pertencer ou não ao Reino, não é feita agora, mas só quando terminada a pesca, recolhida a rede. Nesse momento nada há a fazer mas tão só confiar na Justiça divina. Cuidado portanto antes de entrar na rede… enquanto é tempo… que é agora.
Jesus Cristo fala do Reino dos Céus repetidamente ilustrando as Suas palavras com exemplos de modo que todos entendem, como aliás confirmam. Não deixa de dizer que, de facto, há bons e maus e que, a Justiça divina avaliará a conduta de cada um e respeitará as consequências dessa mesma conduta. Não exclui ninguém, todos são chamados “à rede divina” só que, a “pesca”, como sempre sucede na vida de todos os dias, tem resultados diferentes.

54-58 -
Parece normal que se tenha algum pudor ou até vergonha de falar das coisas de Deus, fazer apostolado, com pessoas que nos são próximas, familiares ou amigos íntimos. Afinal conhecem-nos bem e poderão estranhar ou não levar muito a sério a nossa atitude. É normal, repito, mas nem por isso deixa de ser uma manifestação de respeito humano. Pensemos que se de facto são nossos amigos e nos conhecem poderão estranhar que não lhes falemos do que nos move na nossa vida de cristãos.
Que nos pode importar que quem nos ouve não nos reconheça autoridade para expor o que dizemos? Dizemos a verdade, contamos o que é certo, baseando-nos na Palavra de Deus Nosso Senhor, que é o Evangelho. Não falamos por nós ou para nós, falamos em nome de Jesus Cristo e por Jesus Cristo. E, isto, basta!
São Mateus refere algo que merece um comentário: «E não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente». Concretamente esta referência significa duas coisas: A primeira é que, não obstante o ambiente de suspeição e preconceituoso, Jesus fez alguns milagres. A segunda é que os milagres que Jesus faz são sempre movidos pela fé das pessoas, não porque Lhe apetece, mas porque a Fé comove o Seu Coração amantíssimo e entranhas de misericórdia.(

AMA, 2018)

Cristo vive


Cristo vive. Esta é a grande verdade que enche de conteúdo a nossa fé. Jesus, que morreu na cruz, ressuscitou; triunfou da morte, do poder das trevas, da dor e da angústia. Não temais - foi com esta invocação que um anjo saudou as mulheres que iam ao sepulcro. Não temais. Procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ressuscitou; não está aqui. Haec est dies quam fecit Dominus, exultemus et laetemur in ea - este é o dia que o Senhor fez; alegremo-nos.
O tempo pascal é tempo de alegria, de uma alegria que não se limita a esta época do ano litúrgico, mas mora sempre no coração dos cristãos. Porque Cristo vive. Cristo não é uma figura que passou, que existiu em certo tempo e que se foi embora, deixando-nos uma recordação e um exemplo maravilhosos. Não. Cristo vive. Jesus é Emanuel: Deus connosco. A sua Ressurreição revela-nos que Deus não abandona os seus. Pode a mulher esquecer o fruto do seu seio e não se compadecer do filho das suas entranhas? Pois ainda que ela se esquecesse, eu não me esquecerei de ti, havia-nos Ele prometido. E cumpriu a promessa. Deus continua a ter as suas delícias entre os filhos dos homens.
Cristo vive na sua Igreja. "Digo-vos a verdade: convém-vos que Eu vá; porque se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, enviar-vo-Lo-ei". Esses eram os desígnios de Deus: Jesus morrendo na Cruz, dava-nos o Espírito de Verdade e de Vida. Cristo permanece na sua Igreja: nos seus sacramentos, na sua liturgia, na sua pregação, em toda a sua actividade.
De modo especial, Cristo continua presente entre nós nessa entrega diária que é a Sagrada Eucaristia. Por isso a Missa é o centro e a raiz da vida cristã. Em todas as Missas está sempre presente o Cristo total, Cabeça e Corpo. Per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso. Porque Cristo é o Caminho, o Mediador. Nele tudo encontramos; fora d'Ele a nossa vida torna-se vazia. Em Jesus Cristo, e instruídos por Ele, atrevemo-nos a dizer - audemus dicere - Pater noster, Pai nosso. Atrevemo-nos a chamar Pai ao Senhor dos Céus e da Terra.
A presença de Jesus vivo na Sagrada Hóstia é a garantia, a raiz e a consumação da sua presença no Mundo. (Cristo que Passa,102)

12/04/2020

Domingo de Páscoa


Devemos fazer nossas, por assimilação, aquelas palavras de Jesus: «desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum», desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco. De nenhuma forma poderemos manifestar melhor o nosso máximo interesse e amor pelo Santo Sacrifício, que observando esmeradamente até a mais pequena das cerimónias prescritas pela sabedoria da Igreja.

E, além do Amor, deve urgir-nos a "necessidade" de nos parecermos com Jesus Cristo, não só interiormente, mas também externamente, movendo-nos - nos amplos espaços do altar cristão - com aquele ritmo e harmonia da santidade obediente, que se identifica com a vontade da Esposa de Cristo, quer dizer, com a Vontade do próprio Cristo. (Forja, 833)

Cristo vive. Esta é a grande verdade que enche de conteúdo a nossa fé. Jesus, que morreu na cruz, ressuscitou; triunfou da morte, do poder das trevas, da dor e da angústia. Não temais - foi com esta invocação que um anjo saudou as mulheres que iam ao sepulcro. Não temais. Procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ressuscitou; não está aqui. Haec est dies quam fecit Dominus, exultemus et laetemur in ea - este é o dia que o Senhor fez; alegremo-nos.
O tempo pascal é tempo de alegria, de uma alegria que não se limita a esta época do ano litúrgico, mas mora sempre no coração dos cristãos. Porque Cristo vive. Cristo não é uma figura que passou, que existiu em certo tempo e que se foi embora, deixando-nos uma recordação e um exemplo maravilhosos. Não. Cristo vive. Jesus é Emanuel: Deus connosco. A sua Ressurreição revela-nos que Deus não abandona os seus. Pode a mulher esquecer o fruto do seu seio e não se compadecer do filho das suas entranhas? Pois ainda que ela se esquecesse, Eu não me esquecerei de ti, havia-nos Ele prometido. E cumpriu a promessa. Deus continua a ter as Suas delícias entre os filhos dos homens.
Cristo vive na sua Igreja. «Digo-vos a verdade: convém-vos que Eu vá; porque se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, enviar-vo-Lo-ei». Esses eram os desígnios de Deus: Jesus morrendo na Cruz, dava-nos o Espírito de Verdade e de Vida. Cristo permanece na sua Igreja: nos seus sacramentos, na sua liturgia, na sua pregação, em toda a sua actividade.
De modo especial, Cristo continua presente entre nós nessa entrega diária que é a Sagrada Eucaristia. Por isso a Missa é o centro e a raiz da vida cristã. Em todas as Missas está sempre presente o Cristo total, Cabeça e Corpo. Per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso. Porque Cristo é o Caminho, o Mediador. Nele tudo encontramos; fora d'Ele a nossa vida torna-se vazia. Em Jesus Cristo, e instruídos por Ele, atrevemo-nos a dizer - audemus dicere - Pater noster, Pai nosso. Atrevemo-nos a chamar Pai ao Senhor dos Céus e da Terra.
A presença de Jesus vivo na Sagrada Hóstia é a garantia, a raiz e a consumação da sua presença no Mundo. (Cristo que Passa,102)

São muitos os cristãos persuadidos de que a Redenção se há-de realizar em todos os ambientes do mundo, e de que deve haver algumas almas (não sabem quais) que contribuam para a realizar com Cristo. Mas vêem-na a um prazo de séculos, de muito séculos... de uma eternidade, se se levasse a cabo ao passo da sua entrega.
Assim pensavas tu, até que vieram "despertar-te". (Sulco, 1)

Pasma ante a magnanimidade de Deus: fez-se Homem para nos redimir, para que tu e eu - que não valemos nada, reconhece-o! - O tratemos com confiança. (Forja , 30)

       
Egoísta! - Tu, sempre tu, sempre o que é "teu". - Pareces incapaz de sentir a fraternidade de Cristo: nos outros, não vês irmãos; vês "degraus".

Pressinto o teu rotundo fracasso. - E, quando te tiveres afundado, quererás que tenham para contigo a caridade que agora não queres ter. (Caminho, 31)

       
O chamamento do Senhor - a vocação - apresenta-se sempre assim: "Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-Me".

Sim, a vocação exige renúncia, sacrifício. Mas que agradável acaba por ser o sacrifício ("gaudium cum pace", alegria e paz), se a renúncia é completa! (Sulco, 8)

Pequena agenda do cristão

DOMINGO

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS

São Mateus

Cap. XII


1 Naquele tempo, num dia de Sábado, passava Jesus por umas searas, e os Seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comê-las.2 Vendo isto os fariseus disseram-Lhe: «Olha que os Teus discípulos fazem o que não é permitido fazer ao Sábado». 3 Jesus respondeu-lhes: «Não lestes o que fez David e os seus companheiros, quando tiveram fome? 4 Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães sagrados, dos quais que não era lícito comer, nem a ele, nem aos que iam com ele, mas só aos sacerdotes? 5 Não lestes na Lei que ao Sábado os sacerdotes no Templo violam o Sábado e ficam sem culpa? 6 Ora Eu digo-vos que aqui está alguém que é maior que o Templo. 7 Se vós soubésseis o que quer dizer: “Quero misericórdia e não sacrifício”, jamais condenaríeis inocentes. 8 Porque o Filho do Homem é senhor do próprio Sábado». 9partindo dali foi à sinagoga deles, onde se encontrava um homem que tinha uma das mãos atrofiada 10 e eles, para terem de que O acusar, perguntaram-lhe: «É permitido curar aos sábados?» 11 Ele respondeu-lhes: «Que homem haverá entre vós que, tendo uma ovelha, se esta cair num dia de Sábado a uma cova, não agarre e não a tire de lá? 12 Ora quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo é permitido fazer o bem no dia de Sábado». 13 Então disse ao homem: «Estende a tua mão. Ele estendeu-a e ela tornou-se são como a outra. 14 Os fariseus, saindo dali, tiveram conselho contra Ele sobre o modo de O levarem á morte. 15 Jesus, sabendo isto, retirou-se daquele lugar. 16 Muitos seguiram-no, e curou-os a todos. 17 Ordenou-lhes que não O descobrissem, para que se cumprisse o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías: 18 «Eis o Meu servo, que Eu escolhi, o Meu amado, em quem a Minha alma pôs as suas complacências. Farei repousar sobre Ele o Meu Espírito, e Ele anunciará a justiça às nações. 19 Não discutirá nem clamará, nem ouvirá alguém a Sua voz nas praças; 20 Não quebrará a cana rachada, nem apagará a torcida que fumega, até que faça triunfar a justiça; 21 e as nações esperarão no Seu nome». 22 Então trouxeram-lhe um endemoninhado cego e mudo, e Ele curou-o, de modo que falava e via. 23 E as multidões ficaram admiradas e diziam: «Não será este o Filho de David?».  24 Mas os fariseus, ouvindo isto, disseram: «Este não expulsa os demónios senão por virtude de Belzebu, príncipe dos demónios. 25 Porém, Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse-lhes: «Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído; e toda a cidade ou família dividida contra si mesma não subsistirá.26 Ora, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo, como subsistirá, então, o seu reino?» 27 E se Eu expulso os demónios por virtude de Belzebu, por virtude de quem os expulsam os vossos filhos? Por isso é que eles serão os vossos juízes. 28 Se Eu, porém, expulso os demónios por virtude do Espírito de Deus, chegou a vós o reino de Deus. 29 Como pode alguém entrar em casa de um valente, e saquear os seus móveis, se antes não prender o valente? Só então poderá saquear a casa. 30 Quem não é comigo é contra Mim; e quem não junta comigo, desperdiça. 31 Por isso vos digo: todo o pecado e blasfémia será perdoado aos homens, mas a blasfémia contra o Espírito Santo não será perdoada. 32 Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; porém, o que a disser contra o Espírito Santo, não se lhe perdoará, nem neste mundo nem no futuro.33 Ou dizeis que a árvore é boa e o seu fruto bom, ou dizeis que a árvore é má e o seu fruto mau, porque pelo fruto se conhece a árvore. 34 Raça de víboras, como podeis dizer coisas boas, vós que sois maus? Porque a boca fala da abundância do coração. 35 O homem bom tira coisas boas do seu bom tesouro, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro. 36 Ora eu digo-vos que de qualquer palavra inútil que os homens tiverem proferido, darão conta dela no dia do juízo. 37 Porque pelas suas palavras será justificado ou condenado.38 Então replicaram-lhe alguns dos escribas e fariseus, dizendo: «Mestre, nós desejávamos ver algum prodígio Teu». 39 Ele respondeu-lhes: «Esta geração má e adúltera pede um prodígio, mas não lhe será dado outro prodígio senão o prodígio do profeta Jonas.40 Porque, assim como Jonas esteve no centro da baleia três dias e três noites, assim estará o Filho do Homem e três dias e três noites no centro da terra. 41 Os habitantes de Nínive levantar-se-ão no dia do juízo contra esta geração, e a condenarão, porque se converteram com a pregação de Jonas. Ora aqui está Quem é maior que Jonas. 42  A rainha do Meio-Dia levantar-se-à no dia do Juízo contra esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora aqui está Quem é mais que Salomão. 43  «Quando o espírito imundo de um homem, anda errando por lugares áridos, à busca de repouso, e não o encontra. 44 Então diz: voltarei para minha casa, donde saí. E, quando vem, a encontra desocupada, varrida e adornada. 45 Então vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. 46 Estando Ele ainda a falar ao povo, eis que Sua mãe e Seus irmãos se achavam fora desejando falar-lhe. 47 Alguém disse-Lhe: «Tua mãe e teus irmãos estão ali fora e desejam falar-Te». 48 Ele, porém, respondeu ao que falava: «Quem é a Minha mãe e quem são os meus irmãos?» 49 E, estendendo a mão para os Seus discípulos, disse: 50 «Eis Minha mãe e Meus irmãos. Porque todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é Meu irmão e Minha irmã e Minha mãe».

Comentários:

1-8 -

O constante conflito entre os chefes do povo e Jesus Cristo por causa do Sábado é por demais comentado e, parece-me, pouco há a acrescentar ao que tem sido dito a propósito. Prefiro, antes, deter-me um pouco sobre os dois primeiros versículos deste Capítulo XII de São Mateus para realçar a escassez de meios que Jesus e os Seus discípulos dispunham ao ponto de serem “forçados” a uma frugalidade por demais evidente: saciar a fome com umas simples espigas! Todos sabemos – os Evangelhos referem-nos algumas vezes – que o muito trabalho mal lhes consentia tempo para comer ou como nem um simples estáter - moeda de prata que equivalia a quatro denários - possuíam para pagar os impostos. Não fora o auxílio inestimável de algumas mulheres que os assistiam com os seus bens dificilmente sobreviveriam. Seria como parte da sua formação como futuros apóstolos tal como Jesus lhes confirmará: «não vos preocupeis nem com o que vestir ou o que comer, Deus não vos faltará com o sustento…»
Há, infelizmente, muitas pessoas que cumprem com rigor todas as chamadas “ regras de comportamento” e, com tal, sentem que o seu papel nesta vida que vivemos está completo e, mais, servirá de exemplo a outros. Decerto estaria correcto se não se ficassem por aí porque o rigor no cumprimento das leis não é suficiente quando não há amor. Referimo-nos, claro está, às Leis da Igreja e, em última análise, à Lei de Deus. Cumprir, observar, ser rigoroso na observância de deveres e obrigações fica-se aquém de fazer tudo isto – que normalmente são escrúpulos – sem a oferta pessoal de si mesmo a Deus e aos outros.
     Umas espigas de trigo para "matar a fome"! A gente pasma com a exiguidade de bens ou recursos  de Cristo e os Seus discípulos! E, no entanto, segem-No, porque, sabem que segui-Lo é garantia de encontrar alimento bastante para todas as necessidades que possam ter. A grande família de Cristo - que somos todos os baptizados - reúne-se sob o manto protector da Mãe comum para expressar com o coração, desejos e sobretudo obras a decisão de fazer em tudo a Vontade do Pai.

14-21 -
Quanto Jesus Cristo fez durante a Sua passagem pela terra está rigorosamente de acordo com a Escritura. Mais se acentua a obrigação dos Doutores da Lei em reconhecerem na Sua Pessoa O Filho de Deus, o Messias Salvador e Redentor.
      São Mateus cita com alguma extensão, o Profeta Jeremias. Parece clara a sua intenção de, mais uma vez, esclarecer o povo sobre a Figura, a Pessoa de Jesus Cristo e a missão que O trouxe até nós. O próprio Jesus tinha afirmado mais que uma vez que não vinha abolir a Lei mas completá-la e dar-lhe o verdadeiro sentido divino retirando quanto tinha sido acrescentado ao longo dos tempos pelos Escribas e Doutores da Lei. Mais: afirma que nunca, absolutamente, as Suas palavras deixarão de se cumprir e que nem um simples acento seria retira do da Lei Divina.

38-42 -
Sinais, sinais... eis o que muitos pedem e até exigem para acreditar. Talvez desejem que o próprio Deus Nosso Senhor lhes apareça pessoalmente! Só que, nem mesmo se tal acontecesse, acreditariam porque, ter fé, não é um direito, mas um privilégio que Deus concede a quem entende e sobretudo aqueles que verdadeiramente a desejam.
Não se compreende o que os escribas e os fariseus entendem por “prodígio”. Jesus Cristo tem feito – aos olhos de todos – inúmeros prodígios como dar vista aos cegos, ouvido aos surdos, ressuscitar mortos, alimentar milhares com uns poucos de pães e peixes… então, tudo isto – e muito mais – não são prodígios? A esta “cegueira” persistente, Jesus só dá uma resposta: a geração dos que assim O interpelam é uma «geração má e adúltera» que será condenada por todos os que virão a seguir e, também pelos que a antecederam e, a razão é simples e concreta: Não se converteu!
 Também hoje em dia – desde sempre, aliás – há quem diga: ‘Mostra-me Deus e acreditarei’! Como se tal fosse possível a um ser humano! Como se Deus fosse um Ser – Superior, embora – mas que estivesse às nossas ordens, para satisfazer os nossos caprichos! Quem quer – de facto, realmente – acreditar, não precisa nem de prodígios nem de evidências concretas, bastando-lhe o que consta nos Evangelhos que, se ler com são espírito e recta intenção, contêm tudo quanto baste para remover dúvidas, aclarar questões, resolver preconceitos. A Fé não se obtém, não se adquire, não está, assim, disponível para quem se “lembre que lhe convém”. A Fé é um dom de Deus que a dará aos que lha pedirem com são espírito e desejo verdadeiro.

46-50 -

Penso que não há muito a dizer acerca das palavras de Cristo. Deixam-nos um misto de alegria e responsabilidade: Alegria porque Ele quer que façamos parte da Sua família mais íntima: a Sua Mãe, os Seus Irmãos. Responsabilidade porque apenas depende de nós alcançar tal "estatuto".
Eis mais uma resposta de Jesus algo desconcertante. Das três vezes que os Evangelhos relatam uma intervenção directa da Virgem, as respostas de Jesus surpreendem. A primeira em Jerusalém: ‘porque me procuráveis?’. Depois em Caná ‘o que temos nós com isso…’ E, agora... Como se as relações de Jesus com Sua Mãe fossem frias, distantes, sem amor. A importância das relações entre Mãe e Filho ficam como que num segundo plano em relação às relações do homem com Deus que estão sempre em primeiro lugar e, uma não colide com as outras, bem ao contrário, o amor de Mãe, de Jesus, é semelhante ao amor que devemos a Deus.
     Jesus não poderia ter sido mais claro e – perdoe-se a expressão – lógico. Fazer a Vontade de Deus significa estar com Ele em todos os momentos e circunstâncias da vida corrente, ora, isto, é exactamente o que acontece numa família unida, daí a lógica. O que é extremamente relevante é que Cristo parece comparar-nos – aos homens cumpridores da Vontade de Deus – à Sua Excelsa Mãe. Mas, de facto, Ele não disse tal, o que disse foi que a Sua Família divina se completa com a Sua família humana dos filhos de Deus.
Quando nos deparamos com estas declarações de Jesus Cristo ficamos como que paralisados na nossa compreensão ou, melhor, nos nossos esforços por compreender o alcance que as mesmas têm. Ficamos assim porque temos consciência que somos simples criaturas e que, O Senhor, nos compara à Sua Família mais íntima. Aliás, mais que comparar, afirma claramente que sim, o somos só pelo facto de cumprirmos a Vontade de Deus. Como não desejar de todo o coração fazê-lo? Como não pedir auxílio, coragem, determinação e perseverança para conseguir tão extraordinário bem?





Temas para reflectir e meditar


Força de vontade



Deveria perguntar-me: quando digo que não posso, ou quando, depois de muitas tentativas, desisto e atribuo a desistência à falta de condições pessoais ou a mil obstáculos reais ou imaginários, já pensei nalguma vez que o problema real não está ali, nesses motivos, mas aqui, dentro de mim: na falta de força de vontade?

(Rafael Llano Cifuentes, Fortaleza, Quadrante, pg. 29)





11/04/2020

Sábado Santo

Empti enim estis pretio magno (I Cor VI, 20) !, tu e eu fomos comprados por alto preço.

Temos de fazer vida nossa a vida e a morte de Cristo. Morrer pela mortificação e a penitência, para que Cristo viva em nós pelo Amor. E seguir, então, as pisadas de Cristo, com ânsia de co-redimir todas as almas.

Dar a vida pelos outros. Só assim se vive a vida de Jesus e nos fazemos uma só coisa com Ele.

PONTOS DE MEDITAÇÃO

1. Dos altos cargos que ocupam Nicodemos e José de Arimateia - discípulos ocultos de Cristo - intercedem por Ele. Na hora da solidão, do abandono total e do desprezo..., então expõem-se audacter (Mc XV, 43)...: valentia heróica!

Eu subirei com eles ao pé da Cruz, apertar-me-ei ao Corpo frio, cadáver de Cristo, com o fogo do meu amor..., despregá-Lo-ei com os meus desagravos e mortificações..., envolvê-Lo-ei com o lençol novo da minha vida limpa e enterrá-Lo-ei no meu peito de rocha viva, donde ninguém mO poderá arrancar; e, aí, Senhor, descansai!

Mesmo que todos Vos abandonem e desprezem..., ,serviam!, servir-Vos-ei, Senhor.

2. Sabei que . fostes resgatados da vossa vã conduta..., não com prata ou ouro, que são coisas perecíveis, mas com o sangue precioso de Cristo (I Ped I, 18-19).

Não nos pertencemos. Jesus comprou-nos com a Sua Paixão e com a Sua Morte. Somos vida Sua. Só já há um único modo de viver na terra: morrer com Cristo para ressuscitar com Ele, até que possamos dizer com o Apóstolo: não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (Gal II, 20).

3. A Paixão de Jesus é manancial inesgotável de vida.

Umas vezes, renovamos o gozoso impulso que levou o Senhor a Jerusalém. Outras, a dor da agonia que culminou no Calvário... Ou a glória do Seu triunfo sobre a morte e o pecado. Mas, sempre, o amor - gozoso, doloroso, glorioso - do Coração de Jesus Cristo.

4. Pensa primeiro nos outros. Assim, passarás pela terra com erros, sim - que são inevitáveis -, mas deixando um rasto de bem.

E, quando chegar a hora da morte, que virá inexorável, acolhê-la-ás com júbilo, como Cristo, porque como Ele também ressuscitaremos para receber o prémio do Seu Amor.

5. Quando me sinto capaz de todos os horrores e de todos os erros que cometeram as pessoas mais vis, compreendo bem que posso não ser fiel... Mas essa incerteza é uma das bondades do Amor de Deus, que me leva a estar, como uma criança, agarrado aos braços do meu Pai, lutando cada dia um pouco para não me afastar d'Ele.

Assim, tenho a certeza de que Deus não me largará da Sua mão.

Pode a mulher esquecer-se do fruto do seu ventre, não se compadecer do filho da suas entranhas? Pois, ainda que ela se esqueça, eu não te esquecerei (Is XLIX, 15).