03/04/2020

Eufemismos

Eufemismos mortais



Re: SPE DEUS

Muito por fazer



Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS


SÃO MATEUS

Cap III

1 Naqueles dias, apareceu João, o Baptista, a pregar no deserto da Judeia. 2 Dizia: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.» 3 Foi deste que falou o profeta Isaías, quando disse: Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. 4 João trazia um traje de pêlos de camelo e um cinto de couro à volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 5 Iam ter com ele os de Jerusalém os de toda a Judeia e os da região do Jordão, 6 e eram por ele baptizados no Jordão, confessando os seus pecados. 7 Vendo, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao seu baptismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para vir? 8 Produzi, pois, frutos dignos de conversão 9 e não vos iludais a vós mesmos, dizendo: ‘Temos por pai a Abraão!’ Pois, digo-vos: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão. 10 O machado já está posto à raiz das árvores, e toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo. 11 Eu baptizo-vos com água, para vos mover à conversão; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu e não sou digno de lhe descalçar as sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo. 12 Tem na sua mão a pá de joeirar; limpará a sua eira e recolherá o trigo no celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível.» 13 Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. 14 João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» 15 Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou. 16 Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. 17 E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.»

Comentário:

8 –
Está claríssimo: não basta considerar-se “filho de Deus”, é necessário- absolutamente – proceder como tal. A isto pode chamar-se: “unidade de vida”, ser, de facto, o que se afirma e proceder de acordo com o que se diz.Sem esta “unidade de vida”, os homens – os cristãos – andaram sempre à deriva, sem rumo ou direcção.

12 –
Esta imagem do “joeirar” é muito explícita e séria: Jesus Cristo vem para instaurar um Reino Novo onde só terão lugar aqueles que aceitem e sigam os caminhos que Deus Nosso Senhor nos indica como os correctos e convenientes para a nossa salvação eterna. Sem imposições mas respeitando a liberdade que concedeu aos homens, põe sobre os seus ombros a responsabilidade de escolher.

13 –
O baptismo de Cristo é, de facto, um acontecimento extraordinário. O próprio senhor da vida e da morte quer receber o sacramento que inicia a vida cristã. Seria necessário? Talvez não, já que em qualquer altura o Senhor poderia institui–lo, mas temos de pensar, até usando a pura lógica, se Jesus vai iniciar a Sua vida pública parece natural que queira receber o mesmo benefício que o homem Seu irmão recebe ao iniciar a sua vida de união com Deus. Parece que assim o Senhor fica mais unido a todos os que O seguem no caminho do Reino de Deus.
O Baptismo é como sabemos o sacramento da iniciação da vida cristã. Abre-nos as portas da vida com Deus e, ao tornar-nos Seus filhos outorga-nos essa extraordinária categoria e grandeza. Nunca é demais salientar a importância deste sacramento, negá-lo a qualquer pessoa adulta ou adiá-lo nos primeiros dias de vida é uma violência sem explicação nem justificação alguma. Nunca se poderão imaginar sequer as consequências que tal comportamento trará para a pessoa.

15 –
Jesus “explica” a João Baptista a “razão” pela qual deve ser baptizado: «Convém que cumpramos assim toda a justiça.» É, efectivamente, a missão do Salvador: Cumprir a Justiça de Deus. Tal significa que não há qualquer comparação entre esta “Justiça” e a justiça dos homens porque, enquanto aquela se cumprirá sempre – graças à Salvação que Jesus Cristo trouxe à humanidade -, a justiça dos homens é volúvel e sujeita a fracassos. Mas a humanidade tem um paradigma, algo que deve seguir e tentar imitar para que a justiça que lhe compete seja aceitável: aceitar, em tudo, a Justiça Divina.

17 –

        Esta «voz vinda do Céu», que muitos puderam ouvir, confirma de modo absoluto e iniludível a Divindade de Jesus Cristo. Trata-se de uma revelação categórica e decisiva e, como tal, não poderá ser uignorada por todos aqueles que a ouviram e, muito provavelmente, a transmitiram a muitos outros. É uma “confirmação” da afirmação do Baptista: « aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu e não sou digno de lhe descalçar as sandálias».

(AMA, 2018)

Temas para reflectir e meditar

EXAME

O de Jesus o Nazareno, que foi um profeta poderoso… (Lc 24,29) Fixai-vos neste contraste. Eles dizem: (…) «Que foi! …» E têm-No ao lado, está caminhando com eles, está na sua companhia indagando a razão, as raízes íntimas da sua tristeza!
Que foi…” dizem eles. 
Nós, se fizéssemos um exame sincero, um pormenorizado exame da nossa tristeza, dos nossos desalentos, do nosso estar às voltas com a vida, encontraríamos uma ligação clara com esta passagem do Evangelho. 
Comprovaríamos que espontaneamente dizemos: “Jesus foi…”, “Jesus disse…”, porque esquecemos que, como no caminho de Emaús, Jesus está vivo, ao nosso lado agora mesmo. 
Esta redescoberta aviva a fé, ressuscita a esperança, é sinal que nos aponta Cristo como gozo presente: Jesus é, Jesus prefere; Jesus diz; Jesus manda, agora, agora mesmo.

(A. G. DorronsoroDios y la gente, Rialp, Madrid, 973, nr. 103, trad ama)

¿Y dónde está Dios



por Luces en mi agenda

A conversão dos filhos de Deus


Jesus disse que não ao Demónio, ao príncipe das trevas. E imediatamente se manifesta a luz: Então o Diabo deixou-O e chegaram os Anjos e serviram-no. Jesus suportou a prova, uma prova verdadeira, porque, comenta Santo Ambrósio, não procedeu como Deus, usando do seu poder (se não, de que nos serviria o seu exemplo?) mas, como homem, serviu-Se dos auxílios que tem em comum connosco.

O Demónio, com retorcida intenção, citou o Antigo Testamento: Deus enviará os seus Anjos para que protejam o Justo em todos os seus caminhos. Mas Jesus, recusando-se a tentar seu Pai, devolve a essa passagem bíblica o seu verdadeiro sentido. E, como prémio da sua fidelidade, chegado o tempo, apresentam-se os mensageiros de Deus Pai para O servirem.

Vale a pena reparar no modo de proceder de Satanás com Jesus Cristo: argumenta com textos dos Livros Sagrados, retorcendo, desfigurando de forma blasfema o seu sentido. Mas Jesus não se deixa enganar: o Verbo feito carne bem conhece a Palavra divina, escrita para salvação dos homens e não para confusão e condenação. Quem está unido a Jesus Cristo pelo Amor - tal é a conclusão que devemos tirar - nunca se deixará enganar por manejos fraudulentos da Sagrada Escritura, porque sabe que é obra típica do Demónio procurar confundir a consciência cristã utilizando com dolo os mesmos termos usados pela eterna Sabedoria, tentando fazer da luz trevas.

Contemplemos um pouco esta intervenção dos Anjos na vida de Jesus, pois assim entenderemos melhor o seu papel - a missão angélica - em toda a vida humana. A tradição cristã apresenta os Anjos da Guarda como grandes amigos, colocados por Deus junto de cada homem para o acompanharem nos seus caminhos. E por isso convida-nos a ganhar intimidade com eles e a recorrer a eles.

A Igreja, fazendo-nos meditar nestas passagens da vida de Cristo, recorda-nos que, em tempo de Quaresma, em que nos reconhecemos pecadores, cheios de misérias, necessitados de purificação, também tem cabimento a alegria. É que a Quaresma é simultaneamente um tempo de fortaleza e de júbilo: devemos encher-nos de ânimo, visto que a graça do Senhor não nos faltará, pois Deus estará a nosso lado e enviar-nos-á os seus Anjos, para que sejam nossos companheiros de viagem, nossos prudentes conselheiros ao longo do caminho, nossos colaboradores em todos os empreendimentos. In manibus portabunt te, ne forte offendas ad lapidem pedem tuum, diz o salmo: Os Anjos levar-te-ão nas suas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra.

É preciso saber tratar com intimidade os anjos. Recorre a eles agora, diz ao teu Anjo da Guarda que estas águas sobrenaturais da Quaresma não deslizaram em vão sobre a tua alma, mas nela penetraram até ao fundo, porque tens um coração contrito. Pede-lhes que levem ao Senhor a boa vontade que a graça fez germinar na nossa miséria, como um lírio nascido numa esterqueira. Sancti Angeli Custodes nostri: defendite nos in proelio, ut non pereamus in tremendo judicio - Santos Anjos da Guarda: defendei-nos na batalha, para que não pereçamos no terrível juízo. (Cristo que passa 63)

02/04/2020

PANDEMIA


PANDEMIA - 9

Confiança

Amar é, antes de mais confiar.

Sem “cálculos”, avaliações.


O Pai ama o Filho e tudo põe na sua mão. (Jo 3, 35)

Totalmente porque, ou se confia… ou não…

Se desejamos ser amados, temos de ser pessoas verdadeiras.


O AMOR É:
ENTREGA – DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL -TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO -  OBEDIÊNCIA – CONFIANÇA

Com estes predicados o AMOR não será a solução?

(AMA, 2020)

LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS

SÃO MATEUS
Cap II

1 Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente. 2 E perguntaram: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.» 3 Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele. 4 E, reunindo todos os sumos sacerdotes e escribas do povo, perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5 Eles responderam: «Em Belém da Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6 E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades da Judeia; porque de ti vai sair o Príncipe que há-de apascentar o meu povo de Israel.» 7 Então Herodes mandou chamar secretamente os magos e pediu-lhes informações exactas sobre a data em que a estrela lhes tinha aparecido. 8 E, enviando-os a Belém, disse-lhes: «Ide e informai-vos cuidadosamente acerca do menino; e, depois de o encontrardes, vinde comunicar-mo para eu ir também prestar-lhe homenagem.» 9 Depois de ter ouvido o rei, os magos puseram-se a caminho. E a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou. 10 Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; 11 e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 12 Avisados em sonhos para não voltarem junto de Herodes, regressaram ao seu país por outro caminho. 13 Depois de partirem, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egipto e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar.» 14 E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egipto, 15 permanecendo ali até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciou pelo profeta: Do Egipto chamei o meu filho. 16 Então Herodes, ao ver que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o seu território, da idade de dois anos para baixo, conforme o tempo que, diligentemente, tinha inquirido dos magos. 17 Cumpriu-se, então, o que o profeta Jeremias dissera: 18 Ouviu-se uma voz em Ramá, uma lamentação e um grande pranto: É Raquel que chora os seus filhos e não quer ser consolada, porque já não existem. 19 Morto Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egipto, 20 e disse-lhe: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino.» 21 Levantando-se, ele tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel. 22 Porém, tendo ouvido dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de Herodes, seu pai, teve medo de ir para lá. Advertido em sonhos, retirou-se para a região da Galileia 23 e foi morar numa cidade chamada Nazaré; assim se cumpriu o que foi anunciado pelos profetas: Ele será chamado Nazareno.

Comentários:

Logo no início da vinda do Redentor, confirma-se o que, mais tarde, dirá: «Muitos dos últimos serão dos primeiros»
De facto, estes “últimos” serão estes três homens de ciência que vêm de longe, muito longe, confirmar o que o sinal – a Estrela – lhes anunciava: O Nascimento do Rei dos Judeus.
Dos “primeiros”, como Herodes, que estava a escassa distância, não se manifesta nenhuma vontade – bem ao contrário – de confirmar o que os doutores da lei lhe comunicaram.
Compreende-se assim que para ver os “sinais” do Céu, interpretá-los e fazer de acordo é fundamental possuir um coração puro e um espírito disposto a procurar a verdade sem preconceitos nem reservas.
O cristão na sua busca incessante por Cristo o que deve fazer quando perde o “Norte”, o rumo, a direcção? Pois… perguntar a quem, por inerência de cargo o pode informar. A direcção espiritual é, assim, fundamental para não perder esse caminho que leva a Cristo.
Sozinhos corremos sério risco de escolher o que não conduz a Ele e, mesmo que nada nos aconteça de mal, não O encontraremos e, este, é o maior mal que nos pode acontecer.
Quando clamamos: Senhor que eu veja! O que pedimos verdadeiramente é que Ele nos cure de todas as nossas deficiências sobretudo aquelas que Nos impedem de O ver, O ouvir, O entender e, assim, nos impedem também de O seguir.
De uma forma ou outra, todos os homens procuram Cristo.
 “De uma forma ou outra” porque sendo natural que a criatura procure o seu Criador muitos não saibam como o fazer.
O apostolado é isso mesmo: ensinar os outros como procurar e encontrar Jesus Cristo e, mais que ensinar, levar até Ele os que andam perdidos e angustiados como “ovelhas sem pastor”. E são muitos os que esperam, às vezes longo tempo ou, até, em vão, uma oportunidade para esse encontro.
Que nunca ouçamos o que Jesus ouviu do homem da piscina de Siloé: Ho­minem non habeo! Não tive ninguém que me ajudasse
Tendo ocorrido - um facto histórico - há dois mil anos, a matança dos Inocentes continua infelizmente bem presente nos dias de hoje. Não queremos que nasça, não desejamos que venha complicar-nos a vida, de alguma forma, estas, são as razões (sem razão) mais comuns hoje em dia, feitas por gente egoísta insensível que não hesita em matar um inocente antes que veja a luz do mundo.
Tudo isto vem da teoria errada que um filho é um direito, uma posse, uma pessoa que nos pertence e da qual podemos dispor à vontade.
Se matar inocentes nos serve, como a Herodes, para "proteger" um direito, um capricho, resolver um problema, disfarçar um medo, então qual é a diferença entre as monstruosidades e quem as pratica?
Os homens por mais que tentem nunca conseguirão alterar o curso da história.
Sem dúvida que as suas acções têm consequências, mas, seja qual for a sua importância ou gravidade, os planos de Deus, não se alteram nunca.
A salvação humana estava determinada no tempo e no modo e todos os passos e acontecimentos haveriam de ser tal como Deus dispusera que fossem.
            Este trecho do Evangelho relata uma dessas etapas. 
Como obedece José!
Pode parecer uma pequena peça que no tabuleiro da Redenção, Deus vai movimentando conforme Lhe convém! Mas, não!
José não é um “boneco” uma peça de um puzzle obedecendo cegamente à Vontade Divina. Sim, obedece prontamente, é um facto, mas não o faz inconsciente ou cegamente. Obedece porque a sua profunda fé e confiança em Deus lhe dizem que é o que convém fazer.
'Ensina-me e ajuda-me, Senhor, a ter como José uma humilde simplicidade que me mostre o melhor caminho que tenho - sempre - de andar para merecer a graça de, em tudo, cumprir a Tua Vontade Santa'.
O que tantos afirmam não existirem ou, pelo menos, não reconhecem como “sinais de Deus”, não são visíveis a qualquer um. O que acontece é que, estes, esperam por manifestações ou evidências de acordo com os seus critérios pessoais, propondo como que um “desafio” ao Criador.         Ele dá sempre o que é justo e suficiente para que os homens acreditem e, acreditando, reconheçam nesses sinais a Sua Vontade.
O que cada um na verdade consegue ver e compreender, estará sempre em concordância com a sua disponibilidade para aceitar e não para impor. A estrela que guiou os Magos até Jesus continua a brilhar no Céu. Qualquer homem de olhos limpos pode vê-la e, vendo-a, seguir o seu rasto que indica o caminho para Deus. Nós, ao contrário dos Magos, sabemos onde O encontrar sempre, em qualquer momento ou circunstância. Encontramo-Lo no nosso coração bem disposto, na nossa alma em graça. A Sua luz ilumina a nossa vida inteira e, envolvendo-nos nela, não podemos enganar-nos no caminho.
Sim, olhos limpos… de desejos, impurezas, concupiscências, rancores, invejas, autossuficiência, vã glória. O mesmo que dizer, olhos de criança inocente que se deixa deslumbrar pela luz que a atrai irresistivelmente para a fonte dessa mesma luz.
Ignorá-la é permanecer nas trevas e, nas trevas, somos cegos e não atinamos com rumo.
A vinda destes Magos a visitar o Menino é providencial. Julgo que os presentes que trouxeram serviram de pecúlio precioso para a viagem e estadia no Egipto, pelo menos até José arranjar trabalho com que sustentar a Família. Na pobreza e simplicidade do Nascimento do Salvador, Deus não descura os pormenores das necessidades humanas. Poderia muito bem ter feito as coisas de mil maneiras diferentes, mas não, tudo quanto rodeia o Menino é previsto e determinado para ser “humanamente aceitável”, isto é, não há milagres, nem intervenções divinas portentosas e espectaculares. Não. Um Menino nasce em Belém e a humanidade fica a saber que se trata do Messias Salvador. Quem o anuncia são os Anjos do Céu a uns pastores e um sinal celeste a uns Magos. A “chave” desta parcimónia e discrição em tão magnífico acontecimento, está no próprio trecho do Evangelho. De facto, as autoridades e os principais de Israel sabiam muito bem onde nasceria o Messias e os sinais que acompanhariam o Seu nascimento.
Não interessa discorrer sobre a pessoa de Herodes e o seu temor a respeito do Messias, mas constatar que ele conhecia muito bem os sinais que deveriam acompanhar o Seu aparecimento. Não vai, como seria natural, vê-Lo e confirmar por si próprio a verdade do que lhe dizem. Não é isso que lhe interessa.
Se do próprio Rei vem esta atitude como se pode estranhar que, os súbditos, alguns pelo menos, não a tenham também?
Daqui que o exemplo dos que mais podem, ou na sociedade ocupam posição de proeminência, tenha uma importância capital para os que, com os olhos postos nele, tenham de decidir sobre o que fazer, que atitude tomar. Quanto maior é a “importância” social maior é a responsabilidade porque, o exemplo, mau ou bom, “vem sempre de cima”.
Os "Herodes" de hoje em dia, esses homens cheios de inveja, preconceitos e dúbias atitudes, continuam a sua acção maléfica, insidiosa e vil contra a igreja e os cristãos na vã tentativa de calarem a sua voz, abafarem o apelo que Jesus Cristo continua a dirigir a todos os homens: «Vinde a mim, que sou manso e humilde de coração
Eis aqui comprovado que Jesus Cristo veio ao mundo por todos os homens de toda e qualquer condição social ou raça. Recebe primeiro as homenagens simples e cheias de alegria dos pastores da Sua terra, Belém de Judá. Depois vêm os estrangeiros de outros locais muito afastados, pessoas de alta classe social de cultura.
No Seu Nascimento o Messias quer, desde logo, unir toda a humanidade à Sua volta. Consumará este desejo na Última Ceia pedindo ao Pai que todos sejamos um como Ele e o Pai são Um.
A matança dos Inocentes ordenada por Herodes ficará para sempre na história como a prova da bestialidade humana. Mas… e os Herodes de hoje?
Há escassos anos no Congo a todos os meninos de tenra idade da etnia Simba foi cortada a mão direita! A "justificação": para que não pudessem pegar em armas contra os dominadores! Correu mundo um filme que mostrava camiões carregados de pequeninas mãos direitas! E por outros lados do mundo os horrores in compreensíveis praticados contra inocentes só porque pertencem a uma etnia, têm uma cor de pele, ou outra razão qualquer!
É um escândalo, sem dúvida, e Jesus Cristo avisou bem que aos escandalosos mais lhes valeria não terem nascido!
     «Em sonhos» já referimos que ao Varão Ilustre, Deus lhe fazia conhecer a Sua Vontade em sonhos. Parece estranho, talvez, que algo tão importante seja assim transmitido. Será que São José não "mereceria" uma comunicação "directa" através de um anjo, por exemplo, como Zacarias ou a Santíssima Virgem?
Penso que não se trata de "merecimento" mas antes da soberana vontade e disposição do Senhor em comunicar com os Seus filhos.
O sonho foi quase sempre o "modo" escolhido e não tem que se inferir que terá maior ou menor "categoria".
Hoje talvez que o nome apropriado seja "inspirações" que é o modo como o Espírito Santo comunica com homens.
Saber reconhecer e interpretar o que o Senhor nos quer dizer, isso, é que é importante e deveras interessa.
'Começa já a perseguição! Tão indefeso e inerme nos braços de Tua Mãe e já os homens Te procuram com ânsias de Te fazerem mal. Não querem que Tu, Rei anunciado pelos Profetas, reines sobre eles.
Menino Jesus, meu Menino Jesus, que eu seja capaz de Te defender, sempre. Aperto-te contra o meu peito e não deixo ninguém fazer-te mal.
Meu Menino Jesus, reina no meu coração e transforma-me num súbdito fiel.
Meu Menino Jesus, transformam-me na criança que quero ser, para brincar contigo, inocente e alegre'.

(AMA, 2018)


Temas para reflectir e meditar

A maior alegria

Não tenho maior alegria que estar com as minhas Filhas.

Conversar sem limites ou tabus com inteira liberdade e enorme respeito.
Faz-me tão bem que não tenho palavras para agradecer.

Lembro - e lamento - quem não tem esta graça, ou que tendo-a não a aproveita.

Eu, bem ao contrário, tento aproveitar ao máximo todas as oportunidades que se apresentam tentando transmitir-lhes a segurança e a esperança que só a Fé verdadeira em Ti meu Senhor pode dar.

Minha Mãe Santíssima tem-nas sob o teu manto protector.

AMA, 20.03.2019

PANDEMIA

PANDEMIA - 8

OBEDIÊNCIA

Nosso AMOR é OBEDIÊNCIA.

Temos, todos os homens, um mandato muito claro que não pode nunca ser ignorado:

Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.» (Jo 13, 34-35).

Torna-se, pois, evidente que, AMOR é OBEDIÊNCIA

O AMOR É:
ENTREGA – DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL -TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO -  OBEDIÊNCIA

Com estes predicados o AMOR não será a solução

(AMA, 2020)

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





O tempo oportuno


Exhortamur ne in vacuum gratiam Dei recipiatis - Exortamo-vos a não receber em vão a graça de Deus. Porque a graça divina pode encher as nossas almas nesta Quaresma, desde que não cerremos as portas do coração. Temos de ter estas boas disposições, o desejo de nos transformar realmente, de não brincar com a graça do Senhor.

Não gosto de falar de temor, porque o que move o cristão é o Amor de Deus, que se nos manifestou em Cristo e que nos ensina a amar todos os homens e a criação inteira; mas devemos falar de responsabilidade, de seriedade. Não queirais enganar-vos a vós mesmos: de Deus não se zomba, adverte-nos o mesmo Apóstolo.

É preciso decidir-se. Não é lícito viver tentando manter acesas, como diz o povo, uma vela a S. Miguel e outra ao Diabo. É preciso apagar a vela do Diabo. Temos de consumir a vida fazendo-a arder inteiramente ao serviço do Senhor. Se o nosso empenho pela santidade é sincero, se temos a docilidade de nos abandonar nas mãos de Deus, tudo correrá bem. Porque Ele está sempre disposto a dar-nos a sua graça e, especialmente neste tempo, a graça de uma nova conversão, de uma melhoria da nossa vida de cristãos.

Não podemos considerar esta Quaresma como uma época mais, repetição cíclica do tempo litúrgico; este momento é único; é uma ajuda divina que é necessário aproveitar. Jesus passa ao nosso lado e espera de nós - hoje, agora - uma grande mudança.

Ecce nunc tempus acceptabile, ecce nunc dies salutis: eis o tempo oportuno, que pode ser o dia da Salvação. Outra vez se ouvem os apelos do Bom Pastor, o carinhoso chamamento: Ego vocavi te nomine tuo. Chama-nos a cada um pelo nosso nome, com o nome familiar com que nos tratam as pessoas que nos amam. A ternura de Jesus por nós não cabe em palavras.

Contemplai comigo esta maravilha do amor de Deus: o Senhor vem ao nosso encontro, espera por nós, coloca-Se à beira do caminho, para que não tenhamos outra solução senão vê-Lo! E chama-nos pessoalmente, falando-nos das nossas coisas, que são também as suas, movendo a nossa consciência à compreensão, abrindo-a à generosidade, imprimindo na nossa alma o desejo de sermos fiéis, de podermos chamar-nos seus discípulos!

Basta ouvir essas palavras íntimas da graça, que são como que uma repreensão, tantas vezes afectuosa, para nos darmos conta de que não Se esqueceu de nós durante todo aquele tempo em que, por culpa nossa, nós não O vimos. Cristo ama-nos com o amor inesgotável que cabe no seu Coração de Deus.

Reparai na sua insistência: Ouvi-te no tempo oportuno, ajudei-te no dia da salvação. Já que Ele te promete a glória, o seu amor, e to oferece oportunamente, e te chama - tu que Lhe hás-de dar? Como responderás, como responderei eu também, a esse amor de Jesus, que passa?

Ecce nunc dies salutis - aqui está, diante de nós, este dia da salvação. O chamamento do Bom Pastor chega até nós: Ego vocavi te nomine tuo, Eu chamei-te, a ti, pelo teu nome! É preciso responder - amor com amor se paga - dizendo-Lhe Ecce ego quia vocasti me - chamaste por mim e aqui estou! Estou decidido a que não passe este tempo de Quaresma como passa a água sobre as pedras, sem deixar rasto. Deixar-me-ei empapar, transformar; converter-me-ei, dirigir-me-ei de novo ao Senhor, querendo-Lhe como Ele deseja ser querido.

Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, e com toda a tua mente Que resta do teu coração - comenta S. Agostinho - para que possas amar-te a ti mesmo? Que resta da tua alma, da tua mente? Ex toto - afirma. “Totum exigit te, qui fecit te"; Quem te fez exige tudo de ti. (Cristo que passa 59)

01/04/2020

LEITURA ESPIRITUAL


  • COMENTANDO OS EVANGELHOS


SÃO MATEUS


Cap I

1 Genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão: 2 Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos; 3 Judá gerou, de Tamar, Peres e Zera; Peres gerou Hesron; Hesron gerou Rame; 4 Rame gerou Aminadab; Aminadab gerou Nachon; Nachon gerou Salmon; 5 Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; 6 Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão; 7 Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; 8 Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Uzias; 9 Uzias gerou Jotam; Jotam gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; 10 Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; 11 Josias gerou Jeconias e seus irmãos, na época da deportação para Babilónia. 12 Depois da deportação para Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; 13 Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azur; 14 Azur gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15 Eliud gerou Eleázar; Eleázar gerou Matan; Matan gerou Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo. 17 Assim, o número total das gerações é, desde Abraão até David, catorze; de David até ao exílio da Babilónia, catorze; e, desde o exílio da Babilónia até Cristo, catorze. 18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo. 19 José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. 20 Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» 22 Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco. 24 Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, e recebeu sua esposa. 25 E, sem que antes a tivesse conhecido, ela deu à luz um filho, ao qual ele pôs o nome de Jesus.

Comentários:

Talvez seja escusado, podemos pensar, ler esta descrição pormenorizada da genealogia de Jesus Cristo. Basta-nos saber - e acreditar firmemente - que, Ele, é o Filho de Deus feito homem gerado por obra e graça do Espírito Santo no seio puríssimo da Virgem Maria. Não! 
O Evangelho foi escrito para ser lido e meditado e nada do que nele consta é dispensável.
De facto, conhecemos o Evangelho e podemos citar de cor muitas das suas passagens, mas o que temos de considerar é que, ler e meditar as páginas do Evangelho - todas - é fazer oração e, nesta, não se omite ou "salta" o que já sabemos ou é repetitivo.
A devoção a São José está muito arreigada nos cristãos.
Santa Teresa de Jesus recorria a ele com confiança ilimitada e dizia que "não havia santo melhor colocado que ele para alcançar graças do Céu", o que, na verdade, parece muito lógico pois, como poderá o Senhor não atender um pedido feito pelo Seu Pai Adoptivo que O trouxe nos braços, o protegeu e guiou na Sua infância, era o chefe da Sagrada Família na terra?
O Santo Patriarca, modelo de descrição e humildade, serve-nos de exemplo de como cumprir a Vontade de Deus, arrostrando e ultrapassando as inúmeras dificuldades da vida corrente que sempre surgem no nosso caminhar para Cristo.
Os Santos Anjos desempenham tarefas de suma importância ao serviço de Deus.
Entre muitas outras o Senhor usa-os para transmitir aos homens assuntos de suma importância como neste caso, com São José.
Sem pretender especular pode perceber-se que não conhecendo Deus, quer dizer, como é Deus, seria difícil a qualquer um aceitar uma mensagem dada directamente, mas, um Anjo tem uma identidade que o ser humano reconhece quase imediatamente. Depois, pelo teor da mensagem, melhor se convence que quem lhe fala ou inspira o faz por expressa ordem recebida directamente de Deus.
São José, pode dizer-se, é o que pode chamar “um homem bom”. O insólito da situação da inesperada gravidez de Maria não altera o seu comportamento e respeito para com a prometida esposa. Evidentemente que conheceria bem aquela que lhe estava prometida e embora desconhecendo as razões ou motivos não quis de modo nenhum prejudicar o seu bom nome.
Com serenidade resolve que o que acha que deve ser feito, será com descrição e recato.
O anúncio do Anjo vem modificar tudo e quase que podemos sentir a alegria que o Patriarca terá sentido quando fica inteirado dos planos de Deus. A sua discrição e confiança são tais que nem faz perguntas nem se interroga sobre um futuro que, adivinha, não será fácil.
Aceita, acredita, cumpre o que lhe compete. O que for preciso o Senhor providenciará.
Os Evangelistas fazem constar na história a Sagrada Família, alguns factos e acontecimentos que terão considerado como de muita importância para os que, ao longo dos tempos terão referências importantes para considerar e meditar.
Esta, descrita por São Mateus, é uma dessas.
A confiança e respeito que devemos a todos e, principalmente aqueles que, por qualquer motivo, nos são mais próximos.
Esta confiança e respeito são de extraordinária importância, não só para não consentir juízos precipitados – baseados apenas nas aparências – mas, e sobretudo, para evitar decisões que podem ser irreversíveis.
São esses sentimentos de confiança e respeito que nos merece e que devemos sentir pela sua pessoa, que nos devem guiar, com paciência e cuidada ponderação, naquilo que nos possa parecer estranho ou incompreensível. Há, apenas, uma atitude correcta a tomar: pedir ao Espírito Santo que nos dê os Seus Dons de Sabedoria e Entendimento para tomarmos a decisão conveniente e correcta.
Sabe-se que o povo israelita guardava com exemplar cuidado as genealogias das diferentes famílias.
A esperança na vinda do Messias anunciado a isso os levava para, de certo modo, poderem “conferir” da veracidade de quem se intitulasse ou pretendesse ser tomado como o Prometido. Além do mais, seria uma honra extraordinária para qualquer família que, no seu seio, aparecesse o que viria salvar Israel dos seus inimigos e conduzir o povo à glória e fausto que o poder e a riqueza trazem consigo. Assim “estereotipado” como mais convinha aos chefes do povo, esse Messias seria o grande, imbatível e invencível Rei de Israel.
Nunca leram – com “olhos de ler”, nem ouviram com “ouvidos de ouvir” quanto os profetas foram, ao longo dos séculos dizendo sobre o Messias e o Seu verdadeiro objectivo que seria conduzir o povo ao reencontro com Deus, Deu misericordioso e compassivo e não o Deus justiceiro e terrível na ira que os chefes apregoavam de tal forma, que nem o nome de Deus de podia pronunciar.
Compreende-se a intenção do Evangelista ao escrever estas linhas sobre São José: «José, filho de David...» O Messias deveria, segundo as Escrituras, ser descendente de David e, assim, como perante o povo José era o Seu Pai, ficava bem claro esta descendência. Mais se sublinha a falta de critério dos chefes do povo que não se preocuparam em saber de onde e quais as origens daquele que combatiam e difamavam.
Daqui tiramos, forçosamente, a lição que devemos usar um são critério e, sobretudo, agir com honestidade intelectual, mas, de facto, é preferível não fazermos nem juízos nem estabelecer questões se não estamos dispostos a apurar a verdade a estudar até onde for preciso o que se apresenta como extraordinário.
O Evangelista descreve com minúcia a Natividade da Santíssima Virgem que hoje come-moramos. É um texto fundamental para consolidação da nossa fé. O mistério que rodeia o acontecimento maior da história da humanidade, ou seja, quando verdadeiramente começam a cumprir-se os desígnios de Deus respeitantes à salvação da humanidade, fica como que “garantido” pela própria Escritura.
Não falta absolutamente nada nem sequer os momentos de dúvida do Santo Patriarca.
A intervenção do Anjo é decisiva e fundamental para que os planos de Deus se cumpram exactamente.
E o Evangelista termina dizendo com toda a simplicidade: «Ela deu à luz um filho, ao qual ele pôs o nome de Jesus.»
A grandiosidade de Deus Nosso Senhor, Omnipotente tem esta característica: a simplicidade.
Daqui que a nossa identificação com Ele seja mais acessível, mais fácil e, sobretudo, mais verdadeira, porque nada há mais simples que a VERDADE

(AMA, 2018)