Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
24/03/2020
Ele te dará a sua força
Em momentos de esgotamento, de fastio, recorre confiadamente ao Senhor, dizendo-lhe como aquele nosso amigo: "Jesus, vê lá o que fazes...: antes de começar a luta, já estou cansado". Ele te dará a sua força. (Forja, 244)
- Qual é o fundamento da nossa fidelidade?
- Dir-te-ia, a traços largos, que se baseia no amor de Deus, que faz vencer todos os obstáculos: o egoísmo, a soberba, o cansaço, a impaciência...
Um homem que ama calca-se a si próprio; sabe que, até amando com toda a sua alma, ainda não sabe amar bastante. (Forja, 532)
Jesus, que suscitou as nossas ansiedades, vem ao nosso encontro e diz-nos: se alguém tem sede, venha a Mim e beba. E oferece-nos o seu Coração, para encontrarmos nele o nosso repouso e a nossa fortaleza. Se aceitarmos o seu chamamento, veremos como as suas palavras são verdadeiras, e aumentará a nossa fome e a nossa sede, até desejarmos que Deus estabeleça no nosso coração o lugar do seu repouso e não afaste de nós o seu calor e a sua luz. (Cristo que passa, 170).
Evangelho e comentário
TEMPO DE QUARESMA
Evangelho: Jo 5, 1-3.5-16
Naquele tempo, por ocasião de uma festa dos judeus, Jesus subiu a Jerusalém. Existe em Jerusalém, junto à porta das ovelhas, uma piscina, chamada, em hebraico, Betsatá, que tem cinco pórticos. Ali jazia um grande número de enfermos, cegos, coxos e paralíticos. Estava ali também um homem, enfermo havia trinta e oito anos. Ao vê-lo deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, Jesus perguntou-lhe: «Queres ser curado?» O enfermo respondeu-Lhe: «Senhor, não tenho ninguém que me introduza na piscina, quando a água é agitada; enquanto eu vou, outro desce antes de mim». Disse-lhe Jesus: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda». No mesmo instante o homem ficou são, tomou a sua enxerga e começou a caminhar. Ora aquele dia era sábado. Diziam os judeus àquele que tinha sido curado: «Hoje é sábado: não podes levar a tua enxerga». Mas ele respondeu-lhes: «Aquele que me curou disse-me: ‘Toma a tua enxerga e anda’». Perguntaram-lhe então: «Quem é que te disse: ‘Toma a tua enxerga e anda’». Mas o homem que tinha sido curado não sabia quem era, porque Jesus tinha-Se afastado da multidão que estava naquele local. Mais tarde, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: «Agora estás são. Não voltes a pecar, para que não te suceda coisa pior». O homem foi então dizer aos judeus que era Jesus quem o tinha curado. Desde então os judeus começaram a perseguir Jesus, por fazer isto num dia de sábado.
Comentário:
«Vê lá: ficaste curado. Não peques mais, para que não te suceda coisa pior».
Então, podemos concluir que a doença daquele homem seria como que um castigo dos seus pecados?
Não!
O que Jesus quer dizer com este aviso é que, de facto, a pior coisa que pode acontecer ao homem é exactamente o pecado porque se trata de uma ofensa a Deus e, conforme a sua gravidade, um corte de relações entre o Criador e a criatura.
Uma situação incomparavelmente pior que qualquer doença ou limitação física.
(AMA, comentário sobre Jo 5, 1-3. 5-16, 13.03.2018)
Temas para reflectir e meditar
Presença de DeusSe a simples presença de uma pessoa de categoria, digna de consideração, é suficiente para que se comportem melhor aqueles que estão à sua volta, como é que a presença de Deus, constante, sentida em todos os recantos, conhecida pelas nossas potências e amada gratamente, não nos torna sempre melhores em todas as nossas palavras, acções e sentimentos?
(São Cirilo de Alexandria, Thaesaurus de Sancta et Consubstantiale Trinitate, VII,VII 450-451)
Orações: Fé
Senhor
aumenta a minha fé que eu, por mim, não sei nada de nada. Como eu desejo uma fé
forte, inteira, maciça como uma rocha, onde se desfaçam todas as dúvidas e
questões. Uma fé que arda em fogo vivo que se comunique aos que me rodeiam. Uma
fé assim, como a de Tua Mãe, Maria Santíssima, de São José meu Pai e Senhor e
de São Josemaria. Recorro a Ti que podes tudo e, não por meu merecimento, que
não tenho, mas por Tua misericórdia, não deixes que a minha Fé em Ti esmoreça e
se apague.
(AMA, orações Pessoais)
Leitura espiritual
JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR 24
Iniciação à Cristologia
3. A comunicação da obra redentora de Cristo aos homens. A redenção objectiva e subjectiva
a) A redenção objectiva e subjectiva
Assim como dizemos que há uma cura quando realmente é curado o doente; do mesmo modo a redenção dos homens é efectiva quando eles são libertados do mal.
Por isso, a redenção é um processo que continua até ao fim dos tempos, conforme os homens se vão unindo ao Senhor e participando da salvação, que só estará consumada com a Ressurreição futura. Todavia, nesta única realidade, que é a redenção do homem, podemos distinguir dois aspectos:
A redenção objectiva.
Chama-se «redenção objectiva» à obra levada a cabo pelo Redentor, tanto na sua vida terrena como desde o céu, na sua vida gloriosa, com a cooperação do Espírito Santo.
Esta obra de Cristo constitui a causa da salvação dos homens ao ser-lhes comunicada. Podemos compará-la a um remédio que fosse capaz de curar toda a doença, ou – como ensina Jesus – a uma fonte de água viva que salta até à vida eterna e pode saciar a sede para sempre. (cf. Jo 4,10-14).
A redenção subjectiva.
Mas para que esse remédio tenha eficácia é necessário que o doente o tome.
Assim pois, se chama «redenção subjectiva» à participação nos frutos da obra de Cristo em cada um dos homens, à efectiva salvação do homem.
Ainda que Cristo seja a Cabeça do género humano e o princípio da vida sobrenatural de todos os homens, a sua obra redentora não se nos comunica imediatamente por meio da natureza humana, como sucede com o pecado de Adão, mas por um renascimento espiritual pelo qual nos incorporamos n’Ele.
Então Jesus é «para nós, sabedoria, justiça, santificação e redenção» (1 Cor 1,30): então participamos da sua sabedoria, da sua graça e santidade, então somos redimidos e deixamos de ser escravos.
Esta regeneração, por um lado, é fruto da acção de Cristo e, por outro lado, da nossa acção para nos unirmos a Ele.
Cada um de nós tem de acolher a acção do Espírito Santo e incorporar-se com a sua própria liberdade no Redentor: é necessário que cada um voluntariamente vá a Jesus e beba dessa água, e então encher-se-á do Espírito divino. (cf. Jo 7,37-39).
Por isso, a universalidade da redenção não significa que todos os homens de facto se salvem:
Cristo, certamente, é o redentor de todo o género humano e, pela acção do Espírito Santo, oferece a cada homem a salvação, mas o homem pode rejeitar a graça que se lhe oferece.
Assim diz a Escritura: «Veio a luz ao mundo e os homens amaram mais as trevas que a luz» (Jo 3,19; cf. Jo 1,11).
b) O Espírito Santo na comunicação da obra redentora aos homens
Jesus Cristo é a fonte de toda a graça:
Jesus é a vide e nós os sarmentos que recebemos a vida que procede da cepa (cf. Jo 15,1-5).
E já sabemos que a sua humanidade, como instrumento unido à pessoa do Verbo, nos comunica a vida sobrenatural não pelo poder próprio da sua natureza humana, mas sim pelo poder divino.
Esta omnipotência divina alcança todos os homens, e faz com que as acções e méritos de Cristo se possam aplicar e ter eficácia salvífica em cada um.
Ainda que este poder seja comum más três pessoas divinas, costuma-se apropriar ao Espírito Santo: Cristo salva-nos pela acção do Espírito Santo – in Spiritu sancto, ou in virtute spiritus (cf. Rom 15,16.19) -, com o poder do espírito divino.
Assim pois, os homens alcançam a salvação pela acção do Espírito que nos faz partícipes da obra de Cristo.
E sendo o Espírito Santo a causa eficiente principal e Cristo-homem a instrumental (e não ao contrário), a acção salvífica de ambos é uma só, de modo que não se podem separar efeitos diferentes de um ou de outro.
Portanto, cada um dos homens é «tocado» pela acção dos dois; em nenhum caso se dá uma acção do Espírito Santo fora da obra de Cristo, à margem da fé n’Ele e dos meios que estabeleceu:
«Todo o que se faz pelo Espírito Santo, também é feito por Cristo»[1].
c) Cristo comunica a salvação aos homens na Igreja e pela Igreja
O único Redentor do mundo, elevado ao céu e glorificado, continua a sua presença e a sua obra salvífica na Igreja para comunicar universalmente os frutos da redenção.
Deste modo todos os homens podem encontrar de uma for exequível e visível a luz da verdade, a libertação do pecado e a comunhão com Deus: numa palavra, na Igreja e pela Igreja encontram Cristo e a salvação.
No desígnio de Deus, a Igreja unida e subordinada a Jesus Cristo, que é a sua Cabeça, tem uma relação indispensável com a salvação de cada homem; daí que seja «sacramento universal de salvação»[2].
Assim pois, toda a graça provém de Cristo, é comunicada pelo Espírito Santo, e está misteriosamente relacionada com a Igreja: todo o tesouro da graça de Cristo pertence também à sua esposa e a ela se orienta. Por isso «a Igreja peregrina é necessária para a salvação, pois Cristo é o único Mediador e caminho de salvação e faz-se presente em nós no seu corpo que é a Igreja»[3].
d) O que se requer por parte do homem para unir-se a Cristo e participar da redenção
Segundo o desígnio divino, o homem tem que incorporar-se livremente em Cristo e assim pode receber os frutos da sua obra redentora[4].
E o homem une-se a Cristo pela fé viva e os sacramentos da Igreja.
A fé viva.
O início da união que podemos ter com Cristo neste mundo é a fé, que é a nossa livre acolhida e aceitação do Senhor.
A fé é o requisito necessário para participar da obra de Cristo: ninguém se pode salvar sem a fé, que é o fundamento e a origem de to a justificação (cf. Heb 116).
Segundo os ensinamentos da Escritura, pela fé em Cristo alcançamos a justificação, pela fé ele habita nos nossos corações (cf. Ef 3,17) e por e pela somos feitos filhos de Deus (Cf. Gal 3,26).
Mas esta fé que nos faz partícipes da salvação não consiste só em aceitar as palavras de Jesus, ou em confiar na misericórdia divina, mas na adesão sem reservas à verdade em pessoa, que é Ele mesmo.
A fé que nos incorpora em Cristo e que nos salva é a fé viva, a fé que obra por caridade (cf. Gal 5,6), a fé acompanhada pelo arrependimento dos pecados e obras para cumprir os mandatos do Senhor (cf. Sant 2,14-26).
A participação nos sacramentos.
Os sacramentos são os meios visíveis principais que o Senhor estabeleceu para que nós, homens, entremos em comunhão com Ele e assim fazer-nos partícipes dos frutos da sua obra redentora.
Entre eles destaquemos:
O baptismo.
O baptismo é o sacramento do nascimento para a vida sobrenatural, é a porta da vida no Espírito que nos liberta do pecado e nos comunica a nova vida que Cristo nos ganhou.
Produz a primeira união do homem com Cristo, e n’Ele, a união com o seu Corpo místico: este sacramento faz-nos membros de Cristo e da Igreja. Sem baptismo não há união com o nosso Salvador, nem podemos ter vida sobrenatural; por isso é necessário para a salvação (cf. Jo 3,2).
A Eucaristia.
Jesus Cristo, que está contido realmente neste sacramento, une consigo os fiéis que o recebem.
Fá-los uma só coisa com Ele, fá-los partícipes de tudo o seu e comunica-lhes a vida eterna.
Ele é o «pão da vida», de modo que se não participamos deste sacramento não temos vida em nós (cf. Jo 6,48-58)[5].
Se isto é assim, podem salvar-se os não cristãos?
A resposta é que a doutrina sobre a necessidade da fé e dos sacramentos para nos unirmos a Cristo e receber os frutos da redenção não se contrapõe à vontade salvífica universal de Deus.
Certamente Ele concede a todos os homens a graça que salva (por meio de Cristo no Espírito, e que tem relação com a Igreja)[6].
Todavia, desconhecemos o modo como a graça chega aos não cristãos:
Outorga-a «pelos caminhos que só Ele sabe»[7].
Mas é claro que cada um deles terá que acolher livremente esse dom divino para se salvar.
3. Os efeitos da obra redentora de Cristo nos homens
O Filho de Deus encarnou-se «para que o mundo se salve por Ele» (Jo 3,17).
E já vimos no capítulo II que a salvação do homem comporta dois aspectos inseparáveis: a libertação do pecado e a participação da vida divina.
Mas ao mesmo tempo, estes dois efeitos da única obra da nossa salvação apresentam na revelação divina diversas facetas ou aspectos, a modo de variados frutos da redenção. Vejamos alguns deles.
a) Cristo liberta-nos do pecado
Jesus recebeu da parte de Deus esse nome – que significa Salvador – porque, como indicou o anjo a José, «salvará o seu povo dos seus pecados» (Mt 1,21).
Com efeito, Ele conseguiu-nos a redenção plena do pecado, uma libertação que afecta a todo o homem, em todas as dimensões do seu ser.
Cristo consegue-nos a plena libertação do pecado enquanto à culpa – que é o mal fundamental – e enquanto à pena – sua consequência -, e isto no que se refere tanto à alma como ao corpo.
Libertação do pecado enquanto à culpa.
O pecado consiste no afastamento e oposição da vontade humana à de Deus e leva consigo a a privação da comunhão com a vida divina.
E Jesus Cristo «amou-nos e livrou-nos dos nossos pecados com o seu sangue» (Ap 1,5) por meio da graça que nos concede; já que a remissão do pecado se realiza no homem por infusão da graça, de modo semelhante a como as trevas da noite desaparecem quando nasce a luz do sol.
Expressando este mesmo afecto noutros termos, podemos dizer que Cristo nos alcança o perdão dos pecados (cf. Act 5,31) ou a conversão do coração ao amor divino.
Libertação do pecado enquanto à pena.
Ao libertar-nos da culpa, Cristo liberta-nos também das suas consequências:
«Por conseguinte, nenhuma condenação pesa já sobre os que estão em Cristo Jesus» (Rom 8,1).
Liberta-nos de todas as penas e escravidões que derivam do pecado tanto na alma como no corpo: liberta-nos da ignorância e da tristeza, da desordem interior que nos submete às paixões, da dor e da morte.
Neste mundo permanecem ainda essas penalidades, mas Cristo transformou-as de modo a que já não têm um sentido meramente penal mas de purificação e como caminho para a glória.
E no final dos tempos Ele fará desaparecer definitivamente todas as marcas do pecado par uma vida eterna e feliz.
A libertação que Cristo nos consegue é na verdade perfeita e total.
Vicente Ferrer Barriendos
(Tradução do castelhano por ama)
FIM
[1] S. TOMÁS DE AQUINO, Super Ep. Ad Ephesios, cap 2, lect 5, n 121. Cf. CONGR. PARA A DOUTRINA DA FÉ, Decl. Dominus Iesus, n. 12.
[2] LG, 48; cf. CONGR. PARA A DOUTRINA DA FÉ, Decl. Dominus Iesus, n. 12.
[3] LG, 14.
[4] Cf. S. JOSEMARÍA ESCRIVÁ, Cristo que passa, 104: «Na vida espiritual não há uma nova época a que chegar. Já está tudo dado em Cristo, que morreu, ressuscitou, e vive e permanece sempre. Mas há que unir-se a Ele pela fé, deixando que a sua vida se manifeste em nós, de forma que possa dizer-se que cada cristão não é já alter Christus, mas sim ipse Christus, o próprio Cristo!».
[5] Ainda que o baptismo já nos incorpore em Cristo e no seu Corpo místico, essa união é tão só o início da mais plena união que tem lugar com a Eucaristia, á qual aquela primeira se ordena: Cf. CONC. VATICANO II, Unitatis redintagratio, 22.
[6] Cf. CONGR. PARA A DOUTRINA DA FÉ, Decl. Dominus Iesus, n. 20-23.
[7] CONC. VATICANO II, Ad gentes, 7;; cf. GS, 22; CCE, 847.
CORONA VIRUS: Consagração de Portugal
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Aplicação no trabalho.
Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.
Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.
Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
salmo ii
23/03/2020
Equilíbrio e bom senso
"Acredito que o Universo tem a sua maneira de equilibrar as coisas e as suas leis quando estão viradas do avesso. O momento que vivemos, cheio de anomalias e paradoxos, dá que pensar. Numa altura em que as alterações climáticas causadas por desastres ambientais chegaram a níveis preocupantes, primeiro a China e depois tantos outros países veem-se obrigados ao bloqueio. A Economia colapsa, mas a poluição diminui consideravelmente. O ar melhora; usam-se máscaras, mas respira-se.
Num momento histórico em que algumas ideologias e políticas discriminatórias, com fortes referências a um passado mesquinho, estão a reactivar-se em todo o planeta, chega um vírus que nos faz perceber que, num instante, podemos ser nós os discriminados, os segregados, os bloqueados na fronteira, os portadores de doenças. Mesmo que não tenhamos culpa disso. Mesmo que sejamos brancos, ocidentais e viajemos em classe executiva.
Numa sociedade fundada na produtividade e no consumo, em que todos nós corremos 14 horas por dia na direção não se sabe muito bem de quê, sem sábados nem domingos, sem feriados no calendário, de repente chega o “parem”. Fechados, em casa, dias e dias. A fazer contas com o tempo do qual perdemos o valor. Será que ainda sabemos o que fazer dele?
Numa altura em que o acompanhamento do crescimento dos filhos é, por força das circunstâncias, confiada a outras figuras e instituições, o vírus fecha as escolas e obriga a encontrar outras soluções, a juntar a mãe e o pai com as crianças. Obriga a refazer família.
Numa dimensão em que as relações, a comunicação, a sociabilidade se processam principalmente no “não-espaço” do virtual, das redes sociais, dando-nos uma ilusão de proximidade, o vírus tolhe-nos a verdadeira proximidade, a real: que ninguém se toque, nada de beijos, nada de abraços, tudo à distância, na frieza do não contacto. Até que ponto dávamos por adquiridos estes gestos e o seu significado?
Numa altura em que pensar no próprio umbigo se tornou regra, o vírus envia uma mensagem clara: a única saída possível é através da reciprocidade, do sentido de pertença, da comunidade, do sentimento de fazer parte de algo maior, de que cuidamos e que pode cuidar de nós. A responsabilidade partilhada, o sentir que das nossas acções depende não apenas o nosso destino mas o de todos os que nos rodeiam. E que dependemos das deles.
Por isso, deixemo-nos da caça às bruxas, de perguntar de quem é a culpa ou porque é que tudo isto aconteceu, e perguntemos antes o que podemos aprender com isto. Creio que temos todos muito para reflectir e fazer. Porque para com o Universo e as suas leis, evidentemente, temos uma grande dívida. Explica-nos o vírus, com juros muito altos.”
Francesca Morelli, psicóloga
CORONA VIRUS: Consagração de Portugal
Porque permites isto!
A gente - talvez mais os cristãos - pergunta-se:
Deus: porque permites este flagelo que nos atinge com particular violência e
condiciona as nossas vidas?
É uma pergunta com sentido,
sem dúvida, porque temos como certo que Deus nosso Criador, "deveria ter
em atenção" a protecção dos Seus filhos.
No entanto, ao colocar esta
questão, assim... sem mais, esquecemos algo importante e absolutamente
verdadeiro: Deus nosso Senhor é, antes de mais, absolutamente JUSTO. Ele é a
JUSTIÇA!
Assim, não interfere - em caso nenhum - na vida dos homens porque,
se o fizesse, iria contra essa Justiça, porque nos criou livres e, com esta
liberdade, somos os ÚNICOS RESPONSÁVEIS pelo que nos possa acontecer.
Temos como absolutamente
certo, que Ele deseja - QUER - que sejamos felizes e, bem sabemos, que a
verdadeira e última felicidade só se alcança de uma forma: fazer, em tudo e
sempre a Sua Vontade.
Ao reflectir deste modo,
talvez sejamos levados a pedir: Senhor: Se for da Tua Vontade e Misericórdia,
aceita a minha liberdade que Te entrego decididamente, porque me sinto incapaz
de a usar como deve convenientemente ser.
Pessoalmente tenho uma
certeza: mais "potente" que a JUSTIÇA de Deus é a Sua MISERICÓRDIA!
(AMA, 22.03.2020)
VERDADES MENTIROSAS
VERDADES MENTIROSAS
As entidades eclesiais e a comunicação social
Reza a história que um oficial de marinha estava zangado com o comandante do navio em que ambos andavam embarcados. Tendo a seu cargo o diário de bordo, ocorreu-lhe nele escrever: «Hoje, o capitão não se embebedou». Era verdade, porque de facto o dito não se tinha embriagado, mas uma verdade mentirosa, porque qualquer leitor concluiria que o comandante andava habitualmente alcoolizado, o que mais não era do que uma rematada mentira.
Há muitas formas de mentir. Uma delas é dizendo a verdade, mas de forma a insinuar uma falsidade. Por exemplo, se se disser de alguém que não é nenhum anjinho, está-se formalmente afirmar a realidade, porque os seres humanos não são anjos, mas é óbvio que se está, sobretudo, a sugerir que a pessoa em causa é um grande malandro.
O mesmo se diga das instituições eclesiais, principalmente quando têm a desgraça de merecer algum protagonismo mediático. Se, para cúmulo, também forem alvo de uma rigorosa investigação jornalística, é certo e sabido que os resultados não poderão ser menos do que escandalosos, até porque, em caso contrário, o investimento de meios económicos e humanos não teria retorno.
Uma entidade da Igreja tem alguns bens, para assim poder realizar o seu apostolado? É podre de rica. Tem gente? Claro, é porque lhes arranja tachos e conhecimentos que lhes são úteis para trepar na vida. Os seus membros rezam? São fanáticos. Mortificam-se? São masoquistas. O fundador é santo? Compraram a canonização. Tem gente influente? São lóbi. E assim por diante, … mas sempre presos, por ter cão ou o não ter.
Já com Jesus foi assim. Ele comia e bebia? Era um glutão e um beberolas. Dava-se com publicanos e pecadores? É porque era como eles. Expulsava os demónios? Pois bem, era com o poder do próprio Belzebu que o fazia. Curava no dia de sábado? Então é evidente que transgredia a Lei. Perdoou a adúltera? Um cúmplice não teria feito de outro modo! Censurava os escribas e os fariseus? Era porque estes, sendo cultos, não se deixavam enganar, ao contrário da arraia-miúda.
É certo que nem todos crêem nestas caluniosas insinuações, mas geralmente fica a ideia de que a entidade em causa é, pelo menos, «polémica», «controversa» ou «duvidosa», até porque onde há fumo, há fogo. «Se Ele não fosse um malfeitor» – disseram os fariseus a Pilatos, quando lhe entregaram Jesus – «não O entregaríamos nas tuas mãos» (Jo 18, 30).
Não é possível que o mundo aplauda os discípulos do Crucificado, mas seria lamentável que, com as suas verdades mentirosas, lograsse dividir a Igreja, ou confundir os fiéis. Os critérios mundanos não são aptos para julgar as instituições eclesiais e qualquer cristão coerente sabe que a contradição é um dos critérios para aferir a autenticidade evangélica de um carisma. A Beata Teresa de Calcutá sabia-o e, por isso, quando João Paulo II lhe fez notar, com bom humor, que toda a gente falava bem dela, mas mal dele e de uma obra de Deus, a santa fundadora das Missionárias da Caridade reagiu com santa inveja, pedindo orações. Com razão, porque bem-aventurados serão os que forem insultados e perseguidos e deles disserem falsamente toda a espécie de mal, porque será grande a sua recompensa nos Céus (cfr. Mt 5, 11-12).
P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Publicada por Spe Deus
Subscrever:
Mensagens (Atom)








