06/08/2019

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM

Transfiguração do Senhor

Evangelho: Mt 17, 1-9

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais». Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».

Comentário:

Este episódio da Transfiguração de Jesus Cristo, podemos interpretá-lo como uma “benesse” aos três Apóstolos pedras angulares a Igreja que iria fundar.

Esta “visão” como o próprio Senhor lhe chama deve ter sido de tal forma “esmagadora” que o próprio evangelista relata que «os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito».

Naturalmente que, a partir deste momento passaram a ver a Pessoa de Cristo com outros olhos e, seguramente, a prestarem muito mais atenção às Suas palavras e às suas obras.

De certa forma, podemos dizer que o Senhor lhes antecipou a visão beatífica que os esperaria no Reino de Deus, na Vida Eterna.

(AMA, comentário sobre Mt 17, 1-9, 15.05.219)

Temas para reflectir e meditar


Acções de graças

Quase que inevitavelmente, volto ao tema "acções de graças".
Inevitavelmente porque não só me sinto incapaz de agradecer como deveria e de justiça, como o Senhor não Se detém na Sua amorosa concessão.
Já não me espanta, de tal forma O Senhor é generoso comigo, mas sinto cada vez mais crescer esta dívida de amor reconhecido e grato.
Compreendo São Paulo quando afirma que não é “ele quem vive mas Cristo que vive nele”.
Compreendo que tinha o pensamento constantemente ocupado com Jesus Cristo e que tal não era uma obsessão mas algo tão natural como a própria vida.
Pois o mesmo comigo.
Claro a uma distância enormíssima, mas que - sinto-o - se vai encurtando diariamente.
Penso que talvez o Senhor deseje que eu me santifique por mim mesmo e, sabendo como sabe que, por mim tal não é possível, põe à minha disposição os meios necessários e suficientes para que seja.

AMA, reflexão, 01.02.2019

Leitura espiritual


São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus

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Recordem a parábola dos talentos.

Aquele servo que só recebeu um podia - como os companheiros - empregá-lo bem, procurar que rendesse, usando as suas qualidades.
E que decide?
Tem medo de o perder.
E está certo.
Mas, e depois?
Enterra-o!
E acaba por não dar fruto.

Não esqueçamos este caso de temor doentio de aproveitar honradamente a capacidade de trabalho, a inteligência, a vontade, o homem todo.
Enterro-o - parece afirmar esse desgraçado -, mas a minha liberdade fica a salvo!
Não.
A liberdade inclinou-se para uma coisa muito concreta, para a mais pobre e árida secura.
Optou, porque não tinha outro remédio senão escolher; mas escolheu mal.

Nada mais falso do que opor a liberdade à entrega, porque a entrega surge como consequência da liberdade.
Reparem que, quando uma mãe se sacrifica por amor aos filhos, escolheu; e, segundo a medida desse amor, assim se manifestará a sua liberdade.
Se esse amor é grande, a liberdade será fecunda e o bem dos filhos nasce dessa bendita liberdade, que pressupõe entrega, e nasce dessa bendita entrega, que é precisamente liberdade.

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Mas, perguntar-me-ão, quando conseguimos o que amamos com toda a alma, já não continuamos a procurá-lo.

Desapareceu a liberdade?

Garanto-vos que então é mais activa do que nunca, porque o amor não se contenta com um cumprimento rotineiro, nem se coaduna com o fastio e a apatia.
Amar significa recomeçar todos os dias a servir, com obras de carinho.

Insisto, e gostaria de gravá-lo a fogo em cada um: a liberdade e a entrega não se contradizem; apoiam-se mutuamente.
A liberdade só se pode entregar por amor; não concebo outra espécie de desprendimento.
Não é um jogo de palavras mais ou menos acertado.
Na entrega voluntária, em cada instante dessa dedicação, a liberdade renova o amor e renovar-se é ser continuamente jovem, generoso, capaz de grandes ideais e de grandes sacrifícios.
Lembro-me que tive uma grande alegria quando soube que em português chamam aos jovens os novos.
E são isso.
Conto-vos isto, porque já tenho muitos anos, mas quando rezo junto do altar ao Deus que enche de alegria a minha juventude, sinto-me muito jovem e sei que nunca me hei-de considerar velho, porque, se permanecer fiel ao meu Deus.

O Amor vivificar-me-á continuamente.
A minha juventude renovar-se-á como a da águia.

Por amor à liberdade nos prendemos.
Só a soberba sente nesses laços o peso de uma cadeia.
A verdadeira humildade, que nos é ensinada por Aquele que é manso e humilde de coração, mostra-nos que o seu jugo é suave e a sua carga leve: o jugo é a liberdade; o jugo é o amor; o jugo é a unidade; o jugo é a vida que Ele ganhou para nós na Cruz.

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A liberdade das consciências

Quando, nos meus anos de sacerdócio, não direi que prego mas que grito o meu amor à liberdade pessoal, noto nalguns um gesto de desconfiança, como de quem suspeita que a defesa da liberdade implica um perigo para a fé.
Que se tranquilizem esses pusilânimes.
Só atenta contra a fé uma errada interpretação da liberdade, uma liberdade sem qualquer fim, sem norma objectiva, sem lei, sem responsabilidade, numa palavra, a libertinagem.
Infelizmente, é isso que alguns defendem; essa reivindicação é que constitui um atentado contra a fé.

Por isso, não é exacto falar de liberdade de consciência, que equivale a considerar de boa categoria moral o facto de o homem rejeitar Deus.
Já recordámos que nos podemos opor aos desígnios salvadores de Nosso Senhor; podemos, mas não devemos fazê-lo.
E se alguém tomasse essa atitude deliberadamente, pecaria ao transgredir o primeiro e o fundamental dos mandamentos: amarás Yahvé com todo o teu coração.

Defendo com todas as minhas forças a liberdade das consciências, que significa que não é lícito a ninguém impedir que a criatura tribute culto a Deus.
Têm de se respeitar os legítimos anseios de verdade: o homem tem obrigação grave de procurar Nosso Senhor, de O conhecer e de O adorar, mas a ninguém na terra é lícito impor ao próximo a prática de uma fé que este não tem, tal como ninguém pode arrogar-se o direito de prejudicar quem a recebeu de Deus.

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A Igreja, nossa Santa Mãe, sempre se pronunciou pela liberdade e rejeitou todos os fatalismos, antigos ou menos antigos.
Declarou que cada alma é dona do seu destino para bem ou para mal.
E os que não se afastaram do bem irão para a vida eterna; os que cometeram o mal, para o fogo eterno.
Impressiona-nos sempre esta terrível capacidade humana, tua e minha, de todos, que simultaneamente é o sinal da nossa nobreza.
A tal ponto o pecado é um mal voluntário, que de nenhum modo seria pecado, se não tivesse o seu princípio na vontade; esta afirmação goza de tal evidência, que estão de acordo os poucos sábios e os muitos ignorantes que habitam no mundo.

Volto a levantar o meu coração em acção de graças ao meu Deus, ao meu Senhor, porque nada o impedia de nos criar impecáveis, com um impulso irresistível para o bem; mas julgou que seriam melhores os seus servidores se o servissem livremente.

Que grande é o amor, a misericórdia do nosso Pai!

Perante esta realidade das suas loucuras divinas pelos filhos, gostaria de ter mil bocas, mil corações mais, que me permitissem viver num contínuo louvor a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo.
Reparem que o Todo-Poderoso, Aquele que governa o Universo com a sua Providência, não deseja servos forçados, prefere filhos livres. Meteu na alma de cada um de nós - embora nasçamos proni ad peccatum, inclinados ao pecado pela queda dos nossos primeiros pais - uma chispa da sua inteligência infinita, a atracção pelo bem, uma ânsia de paz perdurável.
E leva-nos a compreender que a verdade, a felicidade e a liberdade se conseguem quando procuramos que germine em nós essa semente de vida eterna.

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Responder negativamente a Deus, rejeitar esse princípio de felicidade nova e definitiva, ficou nas mãos da criatura.
Mas, se agir assim, deixa de ser filho e torna-se escravo.
Cada coisa é aquilo que segundo a sua natureza lhe convém; por isso, quando se move à procura de algo que lhe é estranho, não actua segundo a sua própria maneira de ser, mas por impulso alheio; e isto é servil.
O homem é racional por natureza.
Quando se comporta segundo a razão, procede, pelo seu próprio movimento, como quem é; e isto é próprio da liberdade.
Quando peca, age fora da razão, e então deixa-se conduzir pelo impulso de outro, submetido a domínio alheio; e por isso quem aceita o pecado é servo do pecado (Jo 8, 34).

Permitam-me que insista sobre este ponto; é muito claro e podemos comprová-lo com frequência à nossa volta ou no nosso próprio eu: nenhum homem escapa a algum tipo de servidão.
Uns prostram-se diante do dinheiro; outros adoram o poder; outros a tranquilidade relativa do cepticismo; outros descobrem na sensualidade o seu bezerro de ouro.
E acontece o mesmo com as coisas nobres.
Empenhamo-nos num trabalho, numa actividade de maiores ou menores proporções, na realização de um trabalho científico, artístico, literário, espiritual.
Se há empenho, se existe verdadeira paixão, quem a isso se entrega vive como escravo, dedica-se com prazer ao serviço da finalidade da sua tarefa.

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Escravidão por escravidão - já que de qualquer modo temos de servir, pois, quer queiramos quer não, essa é a condição humana - não há nada melhor do que saber que somos, por Amor, escravos de Deus.
Porque nesse momento perdemos a situação de escravos para nos tornarmos, amigos, filhos.
E aqui surge a diferença: enfrentamos as ocupações honestas do mundo com a mesma paixão, com o mesmo empenho que os outros, mas com paz no íntimo da alma; com alegria e serenidade, mesmo nas contradições: pois não depositamos a nossa confiança naquilo que é passageiro, mas no que permanece para sempre, não somos filhos da escrava, mas da mulher livre.

Donde nos vem esta liberdade?

De Cristo, Nosso Senhor.

Esta é a liberdade com que Ele nos redimiu.
Por isso ensina: se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. Nós, cristãos, não temos de pedir emprestado a ninguém o verdadeiro sentido deste dom, porque a única liberdade que salva o homem é cristã.

Gosto de falar da aventura da liberdade, porque é essa realmente a aventura da vossa vida e da minha. Livremente - como filhos, insisto, não como escravos - seguimos o caminho que Nosso Senhor assinalou para cada um de nós.
E saboreamos esta facilidade de movimentos como um presente de Deus.

Livremente, sem qualquer coacção, porque me apetece, decido-me por Deus.
E comprometo-me a servir, a converter a minha existência numa entrega aos outros, por amor ao meu Senhor Jesus.
Esta liberdade incita-me a clamar que nada na terra me separará da caridade de Cristo.

(cont)


Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





És filho de Deus


O baptismo faz-nos "fideles", fiéis, palavra que, como aquela outra "sancti", santos, empregavam os primeiros seguidores de Jesus para se designarem entre si, e que ainda hoje se usa: fala-se dos "fiéis" da Igreja. – Pensa nisto! (Forja, 622)

Então foi Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. E eis uma voz do Céu, que dizia: Este é o meu Filho, o amado, no qual pus as minhas complacências (Mt 3, 13.17).

No Baptismo o Nosso Pai, Deus, tomou posse das nossas vidas, incorporou-nos na vida de Cristo e enviou-nos o Espírito Santo.
A força e o poder de Deus iluminam a face da Terra.
Faremos arder o mundo nas chamas do fogo que vieste trazer à terra!…E a luz da Tua verdade, ó nosso Jesus, iluminará as inteligências por dia sem fim!
Ouço-Te clamar, ó meu Rei, com a forte voz, que vibra: ignem veni mittere in terram, et quid volo nisi ut accendatur? – E respondo, com todo o meu ser, comos meus sentidos e as minhas potências: ecce ego: quia vocasti me!
Nosso Senhor pôs-te na alma um selo indelével, por meio do Baptismo: és filho de Deus.
Criança, não ardes em desejos de fazer com que todos O amem? (Santo Rosário, Iº mistério luminoso)

05/08/2019

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM


Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior

Evangelho: Mt 14, 13-21

Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O por terra. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento». Mas Jesus respondeu-lhes: «Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer». Disseram-Lhe eles: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». Disse Jesus: «Trazei-mos cá». Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

Comentário:


A necessidade que os homens sentem der estar com Jesus é de tal forma imperiosa que O seguem para onde quer que for mesmo que tal implique sacrifício e desconforto.

Um lugar deserto!

Que importa o local desde que Cristo esteja ali?


(AMA, comentário sobre Mt 14, 13-21 05.08.2013)



Temas para reflectir e meditar


Dissertação angélica

Depois da reunião magna dos Anjos da Guarda, calhou a um deles apresentar ao Senhor as principais conclusões a que tinham chegado.
Nada de extraordinário ou reivindicativo, claro que não… mas antes as preocupações emergentes das situações diárias que ultimamente os “seus protegidos” estão enfrentar.

Resumia-se a preocupação a uma única coisa, seriamente ponderada e de equaminimidade de opiniões.
A principal preocupação dos Anjos da Guarda era algo que tinha a ver com os chamados tempos modernos do mundo informático.
Os seus “guardados” têm-se visto assediados por todos os lados pelas artimanhas do mundo informático sobretudo no que corresponde aos chamados meios de comunicação integral. Como, por exemplo, o Facebook.

Alguns tinham a ventura de aqueles por quem eram responsáveis serem pessoas prevenidas, e pouco atreitas a essas “novidades” e, sobretudo contidas na utilização desses meios.

Outros, porém, estavam preocupadíssimos porque aqueles que tinham sob a sua guarda andavam como que encantados ou maravilhados com essa coisa extraordinária de puderem comunicar com conhecidos e desconhecidos, fosse quem fosse, revelando intimidades, contando factos da vida pessoal, dando conselhos, alvitres, sugestões… enfim uma espécie de consultório gratuito e sem peso nem medida.

Os Anjos são, como sabemos muito bem, seres superiores, inteligentes e capazes de se adaptarem a qualquer situação que possa ocorrer por mais estranha ou invulgar que aos nossos olhos humanos possa ocorrer.

Mas, aqui, neste assunto específico, sentiam como que uma barreira que sistematicamente lhes era levantada a cada momento pelos seus próprios “protegidos” que nem sequer davam qualquer atenção às suas insinuações e inspirações como se, deveras, estivessem obcecados por essa maravilha que chamavam de Facebook.

O que fazer»? Como intervir?

Claro que os Santos Anjos têm poderes extraordinários de intervenção mas não podem, de modo nenhum, intervir e muito menos coarctar a liberdade de cada ser sob a sua guarda e responsabilidade.

Exactamente porque o fenómeno estava a tomar proporções extensíssimas, resolveram ter essa ”reunião”, nomear um “porta-voz” e apresentar a questão a Nosso Senhor.

Evidentemente que, o Senhor que sabe tudo, não teve nenhuma surpresa - talvez até estivesse algo curioso porque é que tinham levado tanto tempo a examinar e a expor a questão.

O encontro (reunião) demorou imenso tempo o que, na eternidade, quer dizer um lapso de tempo, um micro-segundo. Mas, seja como for, foi muito importante porque o que o Senhor disse, como sempre, definitivo e sem requebros, foi exactamente o que os Santos Anjos da Guarda esperavam ouvir.

E, o Senhor disse: ‘Fazei o que estiver ao vosso alcance para perceber esses mecanismos que os homens inventaram, e tentai que não se deixem arrastar por eles além do razoavelmente digno e moralmente aceitável. Atenção porém que, como muito bem sabeis, se um mal aparente há sempre um bem a retirar’.

Dito isto acabou a “reunião” e os Santos Anjos da Guarda resolveram de comum acordo, como sempre, tornarem-se peritos na matéria – embora coisas tão especificamente terrenas a alguns repugnasse – de forma a poderem sem nenhuma dificuldade, insinuar o seu conselho e guia aos que estão sob a sua guarda.

Como “perito”, digamos assim, foi nomeado o Arcanjo São Rafael pela sua dedicação “especial” à juventude mais atreita – talvez – aos atractivos desses meios de comunicação modernos.

Estejamos, todos, portanto, descansados. Antes de “entrar” nessas vias de comunicação massivas – por muitos “seguidores e “gostos” que possamos ter, - perguntemos antes ao Nosso Anjo da Guarda o que fazer.
Ficaremos, todos, surpreendidos pelas suas respostas.

AMA, reflexões, 16.06.2018


Leitura espiritual


 
São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus
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O sentido da liberdade

Nunca poderemos entender perfeitamente a liberdade de Jesus Cristo, imensa - infinita - como o Seu amor.

Mas o tesouro preciosíssimo do Seu generoso holocausto deve levar-nos a pensar: porque me deste, Senhor, este privilégio com que sou capaz de seguir os teus passos, mas também de Te ofender?
Acabamos, assim, por calibrar o recto uso da liberdade, se se inclina para o bem; e a sua errada orientação, quando, com essa faculdade, o homem se esquece, se afasta do Amor dos amores.
A liberdade pessoal - que defendo e defenderei sempre com todas as minhas forças - leva-me a perguntar com uma segurança convicta e também consciente da minha própria fraqueza: que esperas de mim, Senhor, para o fazer voluntariamente?

O próprio Cristo nos responde: Veritas liberabit vos; a verdade far-vos-á livres.

Que verdade é esta, que inicia e consuma o caminho da liberdade em toda a nossa vida?

Resumi-la-ei com a alegria e com a certeza que provêm da relação de Deus com as suas criaturas: saber que saímos das mãos de Deus, que somos objecto da predilecção da Santíssima Trindade, que somos filhos de um Pai tão grande.
Peço ao meu Senhor que nos decidamos a apercebermo-nos disso, a saboreá-lo dia após dia: assim actuaremos como pessoas livres.
Não esqueçamos: quem não sabe que é filho de Deus desconhece a sua verdade mais íntima e carece, na sua actuação, do domínio e do senhorio próprios dos que amam Nosso Senhor, sobre todas as coisas.

Persuadamo-nos de que para ganhar o Céu temos de nos empenhar livremente, com uma decisão plena, constante e voluntária.
Mas a liberdade não se basta a si mesma: necessita de um norte, de uma orientação.
A alma não pode andar sem ninguém que a dirija; e para isso foi redimida de modo que tenha por Rei Cristo, cujo jugo é suave e a carga leve (Mt 11, 30), e não o diabo, cujo jugo é pesado.

Não nos deixemos enganar pelos que se conformam com uma triste vozearia: liberdade! liberdade!

Muitas vezes, nesse mesmo clamor, esconde-se uma trágica servidão: porque a escolha que prefere o erro não liberta; o único que liberta é Cristo, pois só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.

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Perguntemo-nos de novo, na presença de Deus: Senhor, para que nos deste este poder?
Porque depositaste em nós esta faculdade de Te escolher ou de Te rejeitar?
Tu desejas que usemos acertadamente esta nossa capacidade. Senhor, que queres que eu faça?

A resposta é diáfana e precisa: amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma e com toda a tua mente.

Vêem?
A liberdade adquire o seu sentido autêntico quando se exerce ao serviço da verdade que resgata, quando se gasta a procurar o amor infinito de Deus, que nos desata de todas as escravidões. Aumentam cada vez mais os meus desejos de anunciar em altos brados esta insondável riqueza do cristão: a liberdade da glória dos filhos de Deus!
Nisso se resume a boa vontade que nos ensina a seguir o bem, depois de o distinguir do mal.

Gostaria que meditássemos num ponto fundamental que nos situa perante a responsabilidade da nossa consciência.
Ninguém pode escolher por nós: eis o grau supremo da dignidade dos homens: que, por si mesmos e não por outros, se dirijam para o bem.
Muitos de nós herdámos dos nossos pais a fé católica e, por graça de Deus, quando recém-nascidos recebemos o Baptismo, começou na alma a vida sobrenatural.
Mas temos de renovar ao longo da nossa existência - e mesmo ao longo de cada dia - a determinação de amar a Deus sobre todas as coisas.
É cristão, digo, verdadeiro cristão, aquele que se submete ao império do único Verbo de Deus, sem impor condições a esse acatamento, disposto a resistir à tentação diabólica com a mesma atitude de Cristo: Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.

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Liberdade e entrega

O amor de Deus é ciumento; não fica satisfeito, se nos apresentarmos com condições no encontro marcado: espera com impaciência que nos entreguemos totalmente, que não guardemos no coração recantos escuros, onde o gozo e a alegria da graça e dos dons sobrenaturais não consigam chegar.

Talvez pensem: responder sim a esse Amor exclusivo não é, porventura, perder a liberdade?

Com a ajuda de Nosso Senhor, que preside à nossa oração, com a sua luz, espero que este tema fique ainda mais definido para vós e para mim.
Cada um de nós sabe por experiência que, algumas vezes, seguir Cristo Nosso Senhor implica dor e fadiga.
Negar esta realidade significaria não se ter encontrado com Deus.
A alma apaixonada sabe que essa dor é uma impressão passageira e bem depressa descobre que o seu peso é leve e a sua carga suave, porque Ele a leva às costas, tal como se abraçou ao madeiro quando estava em jogo a nossa felicidade eterna.
Mas há homens que não entendem, que se revoltam contra o Criador - uma rebelião impotente, mesquinha, triste -, que repetem cegamente a queixa inútil que o Salmo regista: Quebremos os seus laços! Para longe de nós o seu jugo.
Resistem a realizar, com silêncio heróico, com naturalidade, sem brilho e sem lamentações, o trabalho duro de cada dia.
Não compreendem que a Vontade divina, mesmo quando se apresenta com matizes de dor, de exigências que ferem, coincide exactamente com a liberdade, que só reside em Deus e nos seus desígnios.

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São almas que fazem barricadas com a liberdade.

A minha liberdade, a minha liberdade!

Têm-na e não a seguem; olham-na e põem-na como um ídolo de barro dentro do seu entendimento mesquinho.

É isso liberdade?

Que aproveitam dessa riqueza sem um compromisso sério, que oriente toda a existência?

Um tal comportamento opõe-se à categoria própria, à nobreza, da pessoa humana.
Falta a rota, o caminho claro que oriente os seus passos na terra; essas almas - decerto já as encontraram, como eu - depressa se deixarão arrastar pela vaidade pueril, pela presunção egoísta, pela sensualidade.

A sua liberdade mostra-se estéril ou produz frutos ridículos, mesmo do ponto de vista humano.
Quem não escolhe - com plena liberdade! - uma norma recta de conduta, ver-se-á manipulado por outros cedo ou tarde, viverá na indolência - como um parasita - sujeito ao que os outros determinarem. Prestar-se-á a ser cirandado por qualquer vento e outros resolverão sempre por ele.
São nuvens sem água que os ventos levam de um lado para o outro, árvores outonais, sem fruto; duas vezes mortas, sem raízes, ainda que se encubram, numa contínua tagarelice, com paliativos que tentam disfarçar a sua falta de carácter, de valentia e de honradez.

"Mas a mim ninguém me coage!", repetem obstinadamente.

Ninguém?

Todos coagem essa liberdade ilusória, que não se arrisca a aceitar com responsabilidade as consequências de actuações livres e pessoais.
Onde não há amor de Deus, produz-se um vazio do exercício individual e responsável da liberdade: apesar das aparências, tudo neles é coacção.
O indeciso, o irresoluto é como matéria plástica à mercê das circunstâncias; qualquer pessoa o molda de acordo com o seu capricho e moldam-no também, em primeiro lugar, as paixões e as piores tendências da natureza ferida pelo pecado.

(cont)