Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
02/08/2019
Evangelho e comentário
Evangelho: Mt 13 54-58
Naquele tempo, Jesus foi à sua terra e
começou a ensinar os que estavam na sinagoga, de tal modo que ficavam admirados
e diziam: «De onde Lhe vem esta sabedoria e este poder de fazer milagres? Não é
Ele o filho do carpinteiro? A sua Mãe não se chama Maria e os seus irmãos
Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem entre nós? De onde Lhe
vem tudo isto?». E estavam escandalizados com Ele. Mas Jesus disse-lhes: «Um
profeta só é desprezado na sua terra e em sua casa». E por causa da falta de fé
daquela gente, Jesus não fez ali muitos milagres.
Comentário:
Parece normal que se tenha algum pudor ou até vergonha
de falar das coisas de Deus, fazer apostolado, com pessoas que nos são próximas,
familiares ou amigos íntimos.
Afinal conhecem-nos bem e poderão estranhar ou não levar muito a sério a nossa atitude.
É normal, repito, mas nem por isso deixa de ser uma manifestação de respeito humano.
Pensemos que se de facto são nossos amigos e nos conhecem poderão estranhar que não lhes falemos do que nos move na nossa vida de cristãos.
(AMA, comentário sobre Mt 13, 54-58, 2015.07.31)
Leitura espiritual
Amigos de Deus
7
É bem certo que se trata de um objectivo
elevado e árduo. Mas não se esqueçam de que o santo não nasce: forja-se no jogo
contínuo da graça divina e da correspondência humana.
Um
dos escritores cristãos dos primeiros séculos adverte, referindo-se à união com
Deus: Tudo o que se desenvolve começa por ser pequeno.
Ao
alimentar-se gradualmente, com constantes progressos, é que chega a ser grande.
Por
isso te digo que, se quiseres portar-te como um cristão coerente - sei que
estás disposto a isso, embora te custe tantas vezes vencer-te ou puxar por esse
pobre corpo - deves ter muito cuidado com os mais pequenos pormenores, porque a
santidade que Nosso Senhor te exige atinge-se realizando com amor de Deus o
trabalho e as obrigações de cada dia, que se compõem quase sempre de pequenas
realidades.
8
Coisas
pequenas e vida de infância
Pensando naqueles que, à medida que o tempo
passa, ainda se dedicam a sonhar -em sonhos vãos e pueris, como Tartarin de
Tarascon - com caçar leões nos corredores de casa, onde se calhar só há ratos e
pouco mais, pensando neles, insisto, lembro a grandeza de actuar com espírito
divino no cumprimento fiel das obrigações habituais de cada dia, com essas
lutas que enchem Nosso Senhor de alegria e que só Ele e cada um de nós conhece.
Convençam-se de que normalmente não vão
encontrar ocasiões para grandes façanhas, entre outros motivos porque não é
habitual que surjam essas oportunidades.
Pelo
contrário, não faltam ocasiões de demonstrar o amor a Jesus Cristo, através do
que é pequeno, do normal.
A
grandeza da alma também se demonstra nas coisas diminutas, comenta S. Jerónimo.
Não
admiramos o Criador apenas no céu e na terra, no sol e no oceano, nos
elefantes, camelos, bois, cavalos, leopardos, ursos e leões; mas também nos
animais minúsculos como formigas, mosquitos, moscas, vermes e outros animais
semelhantes, que distinguimos melhor pelos corpos do que pelos nomes: admiramos
a mesma mestria tanto nos grandes como nos pequenos.
Assim,
a alma que se dá a Deus dedica às coisas menores o mesmo fervor que às maiores.
9
Ao meditar as palavras de Nosso Senhor: Por
amor deles santifico-me a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na
verdade, percebemos claramente o nosso único fim: a santificação, isto é, que
temos de ser santos para santificar.
Simultaneamente,
como tentação subtil, talvez nos assalte o pensamento de que muito poucos
estamos decididos a responder a esse convite divino, além de nos vermos como
instrumentos de muito fraca categoria.
É
verdade, somos poucos, em comparação com o resto da humanidade e pessoalmente
não valemos nada; mas a afirmação do Mestre ressoa com autoridade: o cristão é
luz, sal, fermento do mundo e um pouco de fermento faz levedar toda a massa.
Precisamente
por isso, tenho pregado sempre que nos interessam todas as almas - as cem que
há num cento - sem nenhuma espécie de discriminações, com a certeza de que
Jesus Cristo nos redimiu a todos e quer servir-se de alguns de nós, apesar da
nossa nulidade pessoal, para darmos a conhecer esta salvação.
Um discípulo de Jesus nunca trata ninguém
mal; chama erro ao erro, mas deve corrigir com afecto o que erra: se não, não
pode ajudá-lo, não pode santificá-lo.
Temos
que conviver, temos que compreender, temos que desculpar, temos que ser
fraternos; e, como aconselhava S. João da Cruz, temos que pôr amor, onde não há
amor, para tirar amor, sempre, mesmo nas circunstâncias aparentemente
intranscendentes que o trabalho profissional e as relações familiares e sociais
nos proporcionam.
Portanto,
tu e eu vamos aproveitar até as oportunidades mais banais que se apresentarem à
nossa volta, para santificá-las, para nos santificarmos e para santificar os
que compartilham connosco os mesmos afãs quotidianos, sentindo nas nossas vidas
o peso doce e sugestivo da co-redenção.
10
Vou continuar esta conversa diante de Nosso
Senhor, com uma nota que utilizei há uns anos e que mantém a actualidade.
Recolhi
então umas considerações de Teresa de Ávila: tudo o que se acaba e não contenta
Deus é nada e menos que nada.
Compreendem
porque é que uma alma deixa de saborear a paz e a serenidade quando se afasta
do seu fim, quando se esquece de que Deus a criou para a santidade?
Esforcem-se
por nunca perder este ponto de mira sobrenatural, nem sequer nos momentos de
diversão ou de descanso, tão necessários como o trabalho na vida de cada um.
Bem
podem chegar ao cume da vossa actividade profissional, alcançar os triunfos
mais retumbantes, como fruto da livre iniciativa com que exercem as actividades
temporais; mas se abandonarem o sentido sobrenatural que tem de presidir todo o
nosso trabalho humano, enganaram-se lamentavelmente no caminho.
11
Permitam-me uma pequena digressão que vem
muito a propósito.
Nunca
perguntei a opinião política a nenhum dos que vêm ter comigo: não me interessa!
Com
esta minha norma de conduta, manifesto uma realidade que está muito metida no
âmago do Opus Dei, ao qual me dediquei completamente, com a graça e a
misericórdia divina, para servir a Santa Igreja.
Não
me interessa esse tema porque os cristãos gozam da mais completa liberdade, com
a consequente responsabilidade pessoal, para intervir como lhes parecer melhor
em questões de índole política, social, cultural, etc., sem outros limites além
dos que o Magistério da Igreja indica.
Só
ficaria preocupado - pelo bem dessas almas - se não respeitassem tais marcas,
porque teriam criado uma vincada oposição entre a fé que afirmam professar e as
obras: e, nessa altura, teria que lhes chamar a atenção com clareza.
Este
sacrossanto respeito pelas vossas opções, desde que elas não afastem da lei de
Deus, não se entende.
Não
o entende quem ignora o verdadeiro conceito da liberdade que Cristo nos ganhou
na Cruz, qua libertate Christus nos
liberavit, quem for sectário de um e de outro extremo, quem pretender impor
as suas opiniões temporais como dogmas. Também não o entende quem degrada o
homem, ao negar o valor da fé, colocando-a à mercê dos erros mais brutais.
12
Mas voltemos ao nosso tema.
Dizia-lhes
que bem podem alcançar os êxitos mais espectaculares no terreno profissional,
na actuação pública, nos afazeres profissionais, mas se se descuidarem
interiormente e se afastarem de Nosso Senhor, o fim será um fracasso rotundo.
Perante
Deus, que é o que conta em última análise, quem luta por comportar-se como um
cristão autêntico, é que consegue a vitória: não existe uma solução intermédia.
Por
isso vocês conhecem tantas pessoas que deviam sentir-se muito felizes, ao
julgar a sua situação de um ponto de vista humano e, no entanto, arrastam uma
existência inquieta, azeda; parece que vendem alegria a granel, mas
aprofunda-se um pouco nas suas almas e fica a descoberto um sabor acre, mais
amargo que o fel.
Isto
não há-de acontecer a nenhum de nós, se deveras tratarmos de cumprir
constantemente a Vontade de Deus, de dar-lhe glória, de louvá-lo e de espalhar
o seu reinado entre todas as criaturas.
13
A
coerência cristã da vida
Tenho muita pena sempre que sei que um
católico - um filho de Deus que, pelo Baptismo, é chamado a ser outro Cristo -
tranquiliza a consciência com uma simples piedade formalista, com uma
religiosidade que o leva a rezar de vez em quando (só se acha que lhe convém!);
a assistir à Santa Missa nos dias de preceito - e nem sequer em todos -, ao
passo que se preocupa pontualmente por acalmar o estômago, com refeições a
horas fixas; a ceder na fé, a trocá-la por um prato de lentilhas, desde que não
renuncie à sua posição...
E
depois, com descaramento ou com espalhafato, utiliza a etiqueta de cristão para
subir.
Não!
Não
nos conformemos com as etiquetas: quero que sejam cristãos de corpo inteiro,
íntegros; e, para o conseguirem, têm que procurar decididamente o alimento
espiritual adequado.
Vocês sabem por experiência pessoal - e
têm-me ouvido repetir com frequência, para evitar desânimos - que a vida
interior consiste em começar e recomeçar todos os dias; e notam no vosso
coração, como eu noto no meu, que precisamos de lutar continuamente.
Terão
observado no vosso exame - a mim acontece-me o mesmo: desculpem que faça
referências a mim próprio, mas enquanto falo convosco vou pensando com Nosso
Senhor nas necessidades da minha alma - que sofrem repetidamente pequenos
reveses, que às vezes parecem descomunais, porque revelam uma evidente falta de
amor, de entrega, de espírito de sacrifício, de delicadeza.
Fomentem
as ânsias de reparação, com uma contrição sincera, mas não percam a paz.
(cont)
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Contenção; alguma privação; ser humilde.
Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.
Lembrar-me:
Filiação divina.
Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
A única medida é amar sem medida
Cumpres um plano de vida exigente:
madrugas, fazes oração, frequentas os Sacramentos, trabalhas ou estudas muito,
és sóbrio, mortificas-te..., mas notas que te falta alguma coisa! Leva ao teu
diálogo com Deus esta consideração: como a santidade (a luta por atingi-la) é a
plenitude da caridade, tens de rever o teu amor a Deus e, por Ele, aos outros.
Talvez descubras então, escondidos na tua alma, grandes defeitos contra os
quais nem sequer lutavas: não és bom filho, bom irmão, bom companheiro, bom
amigo, bom colega; e, como amas desordenadamente "a tua santidade",
és invejoso. "Sacrificas-te" em muitos pormenores
"pessoais"; e por isso estás apegado ao teu eu, à tua pessoa e, no
fundo, não vives para Deus nem para os outros; só para ti. (Sulco, 739)
A todos os que estamos dispostos a
abrir-lhe os ouvidos da alma, Jesus Cristo ensina no Sermão da Montanha o
mandato divino da caridade. E, ao terminar, como resumo, explica: amai os
vossos inimigos, fazei bem e emprestai sem esperardes nada em troca, e será
grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom, mesmo
com os ingratos e os maus. Sede, pois, misericordiosos como também o vosso Pai
é misericordioso.
A misericórdia não se limita a uma
simples atitude de compaixão; a misericórdia identifica-se com a
superabundância da caridade que, ao mesmo tempo, traz consigo a superabundância
da justiça. Misericórdia significa manter o coração em carne viva, humana e
divinamente repassado por um amor rijo, sacrificado e generoso. Assim glosa S.
Paulo a caridade no seu canto a esta virtude: A caridade é paciente, é
benéfica; a caridade não é invejosa, não actua precipitadamente; não se
ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se
irrita, não pensa mal dos outros, não folga com a injustiça, mas compraz-se na
verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. (Amigos
de Deus, 232)
Temas para reflectir e meditar
Sobre o Exame pessoal7 Há que ter algum cuidado neste aspecto do propósito.
Talvez possa haver uma
intenção sincera de o levar a termo mas é necessário que esse propósito seja
muito concreto fugindo às generalidades.
E também simples para ser
exequível.
Pode ser um propósito
composto, isto é, a levar a cabo por fazes, com tempo, não pretender que seja
tudo feito imediatamente como um objectivo que em vez de ser
"acessível" se converta num fardo difícil de levar.
26.05.2018
01/08/2019
Evangelho e comentário
Santo
Afonso Maria de Ligório – Doutor da Igreja
Evangelho: Mt 13, 47-53
Naquele tempo, disse Jesus à multidão:
«O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a
espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se,
escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será
no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a
lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes
tudo isto?». Eles responderam-Lhe: «Entendemos». Disse-lhes então Jesus: «Por
isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de
família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas». Quando acabou de
proferir estas parábolas, Jesus continuou o seu caminho.
Comentário:
Nestas parábolas sobre o Reino dos
Céus, Jesus não se poupa a comparações claras e compreensíveis para que todos
entendam "o que está em jogo".
Ninguém poderá dizer que não entendeu
e se não toma as devidas atitudes será por sua única exclusiva decisão.
(AMA, comentário sobre Mt 13, 47-53,
02.08.2018)
Leitura espiritual
Amigos de Deus
1
Há muitos anos, íamos por uma estrada de
Castela e vimos ao longe, no campo, uma cena que me impressionou e me serviu
para fazer oração em muitas ocasiões: vários homens fixavam com força na terra
as estacas que depois utilizaram para segurar verticalmente uma rede e formar o
redil.
Mais
tarde, chegaram àquele lugar os pastores com as ovelhas, com os cordeiros;
chamavam-nos pelo nome e entravam um a um no aprisco, para estarem todos
juntos, em segurança.
E
hoje, meu Senhor, lembro-me de modo particular desses pastores e desse redil,
porque todos os que nos encontramos aqui reunidos para conversar contigo - e
muitos outros no mundo inteiro -, sabemo-nos metidos no teu rebanho.
Tu próprio disseste: Eu sou o Bom Pastor,
conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me.
Conheces-nos
bem; sabes que queremos ouvir, estar sempre atentos aos teus assobios de Bom
Pastor e corresponder-lhes porque a vida eterna é esta:
Que te conheçam a ti como um só Deus
verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.
Gosto tanto da imagem de Cristo rodeado à
direita e à esquerda pelas suas ovelhas, que mandei colocá-la no oratório onde
habitualmente celebro a Santa Missa; e fiz gravar noutros lugares, como
despertador da presença de Deus, as palavras de Jesus: cognosco oves meas et cognoscunt me meae, para considerarmos a toda
a hora que Ele nos repreende ou nos instrui e nos ensina como o pastor faz com
a sua grei.
Vem,
pois, muito a propósito esta recordação de terras de Castela.
2
Deus quer-nos santos
Todos os que aqui estamos fazemos parte da
família de Cristo, porque Ele mesmo nos escolheu antes da criação do mundo, por
amor, para sermos santos e imaculados diante dele, o qual nos predestinou para
sermos seus filhos adoptivos por meio de Jesus Cristo para sua glória, por sua
livre vontade.
Esta
escolha gratuita de que Nosso Senhor nos fez objecto, marca-nos um fim bem
determinado: a santidade pessoal, como S. Paulo nos repete insistentemente: haec est voluntas Dei: sanctificatio vestra
, esta é a vontade de Deus: a vossa santificação.
Portanto,
não nos esqueçamos: estamos no redil do Mestre, para alcançar esse fim.
3
Não se apaga da minha memória uma ocasião -
já passou muito tempo - em que fui rezar à Catedral de Valência e passei
defronte da sepultura do Venerável Ridaura.
Contaram-me
então que perguntavam a este sacerdote, quando já era muito idoso: quantos anos
tem?
Ele,
muito convencido, respondia-lhes em valenciano: poquets, pouquinhos! os que passei a servir a Deus.
Para muitos de vocês ainda se contam pelos
dedos de uma mão os anos que passaram desde que se decidiram a ter mais
intimidade com Nosso Senhor, a servi-lo no meio do mundo, no próprio ambiente e
através da própria profissão ou ofício.
Este
pormenor não tem muita importância; pelo contrário, interessa gravarmos a fogo
na alma que o convite à santidade, feito por Jesus Cristo a todos os homens sem
excepção, exige que cada um de nós cultive a vida interior, exercite
diariamente as virtudes cristãs; e não de uma maneira qualquer, nem acima do
normal, nem sequer de um modo excelente: devemos esforçar-nos até ao heroísmo,
no sentido mais forte e radical da expressão.
4
A meta que proponho - ou melhor, a que Deus
indica a todos - não é uma miragem ou um ideal inatingível: podia contar-vos
tantos exemplos concretos de mulheres e de homens correntes, como vocês e como
eu, que encontraram Jesus que passa quasi
in occulto pelas encruzilhadas aparentemente mais vulgares e decidiram
segui-lo, abraçando com amor a cruz de cada dia.
Nesta
época de desmoronamento geral, de concessões e de desânimos, ou de libertinagem
e de anarquia, parece-me ainda mais actual aquela convicção simples e profunda
que, no princípio da minha actividade sacerdotal e sempre, me consumiu em
desejos de comunicar à humanidade inteira: estas crises mundiais são crises de
santos.
5
Vida interior: é uma exigência do
chamamento que o Mestre fez à alma de todos.
Temos de ser santos - di-lo-ei com uma
expressão castiça - da cabeça aos pés: cristãos de verdade, autênticos,
canonizáveis; se não, fracassámos como discípulos do único Mestre.
Pensem
também que Deus, ao reparar em nós, ao conceder-nos a sua graça para lutarmos
por alcançar a santidade no meio do mundo, nos impõe também a obrigação do
apostolado.
Compreendam
que, até humanamente, como comenta um Padre da Igreja, a preocupação pelas
almas brota como uma consequência lógica dessa escolha: quando descobris que
algo vos foi proveitoso, tentais atrair os outros.
Tendes
pois que desejar que outros vos acompanhem pelos caminhos de Nosso Senhor.
Se
ides ao foro ou aos banhos e deparais com alguém que esteja desocupado,
convidai-lo para que vos acompanhe.
Aplicai
ao espiritual este costume terreno e, quando fordes a Deus, não o façais sós.
Se não queremos desperdiçar o tempo
inutilmente - nem sequer com falsas desculpas das dificuldades exteriores do
ambiente, que nunca faltaram desde o princípio do cristianismo - devemos ter
muito presente que, de um modo normal, Jesus Cristo vinculou à vida interior a
eficácia da nossa acção para arrastar os que nos rodeiam.
Cristo
pôs a santidade como condição para a eficácia da acção apostólica; corrijo-me,
o esforço da nossa fidelidade, porque na terra nunca seremos santos.
Parece
inacreditável, mas Deus e os homens precisam que, da nossa parte, haja uma
fidelidade sem condições, sem eufemismos, que chegue até às últimas consequências,
sem mediocridade ou concessões, em plenitude de vocação cristã assumida e
praticada com delicadeza.
6
Talvez entre vocês algum esteja a pensar
que me refiro exclusivamente a um sector de pessoas selectas.
Não
se deixem enganar tão facilmente, movidos pela cobardia ou pelo comodismo.
Pelo
contrário, que cada um sinta a urgência divina de ser outro Cristo, ipse
Christus, o próprio Cristo; em poucas palavras, a urgência de que a nossa
conduta seja coerente com as normas da fé, pois a nossa santidade - a que temos
de aspirar - não é uma santidade de segunda categoria, que não existe.
E
o principal requisito que nos é pedido - bem conforme com a nossa natureza -
consiste em amar: a caridade é o vínculo da perfeição; caridade que devemos
praticar de acordo com as orientações explícitas que o próprio Senhor
estabelece: amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua
alma, com toda a tua mente, sem reservarmos nada para nós.
A santidade consiste nisto.
(cont)
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Querer a todos, compreender, desculpar
O amor às almas, por Deus, faz-nos
querer a todos, compreender, desculpar, perdoar... Devemos ter um amor que
cubra a multidão das deficiências das misérias humanas. Devemos ter uma
caridade maravilhosa, "veritatem
facientes in caritate", defendendo a verdade, sem ferir. (Forja,
559)
Se vos examinardes com valentia na
presença de Deus, vós, tal como eu, sentir-vos-eis diariamente carregados de
muitos erros. Quando lutamos por arrancá-los com a ajuda divina, carecem de
verdadeira importância e podem ser superados, embora pareça que nunca conseguimos
desarraigá-los totalmente. Além disso, independentemente dessas fraquezas, tu
contribuirás para remediar as grandes deficiências dos outros, sempre que te
empenhares em corresponder à graça de Deus. Reconhecendo-te tão fraco como eles
– capaz de todos os erros e de todos os horrores – serás mais compreensivo,
mais delicado e, ao mesmo tempo, mais exigente, para que todos nos decidamos a
amar a Deus com o coração inteiro.
Nós, os cristãos, os filhos de Deus,
temos de prestar assistência aos outros, pondo em prática honradamente o que
aqueles hipócritas retorcidamente elogiavam ao Mestre: Não olhas à condição das
pessoas. Isto é, havemos de rejeitar por completo a acepção de pessoas –
interessam-nos todas as almas! – embora, logicamente, devamos começar por
ocupar-nos daquelas que, por esta ou aquela circunstância, e até só por motivos
aparentemente humanos, Deus colocou ao nosso lado. (Amigos
de Deus, 162)
Temas para reflectir e meditar
Sobre o Exame pessoal6 Há duas posições que parecem antagónicas mas, de facto não são.
A primeira é considerar-se
um desgraçado cheio de defeitos e debilidades incapaz de merecer o que for.
A segunda é ter-se como
alguém impecável que procede bem e credor de reconhecimento das suas
qualidades.
Como dizia parecem antagónicas,
mas na verdade têm pelo menos um ponto em comum: ambas são exageradas e fogem à
realidade.
Quando se tem uma
consciência bem formada, isto é, se consegue quase sem esforço distinguir o bem
do mal - não no sentido abstracto ou subjectivo mas no aspecto simples e formal
- o que pode ser conveniente ou o que não interessa, temos com certeza
facilidade em fazer exame.
Por exemplo:
O fiz hoje de bom?
O que fiz mal?
O que podia ter evitado?
O que deveria fazer
melhor?
Perguntas simples e
concretas que requerem respostas ao mesmo nível.
Ah e sempre – condição
sine-qua-non, com honestidade intelectual.
Depois, naturalmente, como
consequência lógica, surgirá um propósito, um desejo de melhoria que pode
incluir compromisso de correcção.
26.05.2018
31/07/2019
Evangelho e comentário
Evangelho: Mt 13 44-46
44
«O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem
encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui
e compra o campo. 45 O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que
busca boas pérolas. 46 Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo
quanto possui e compra a pérola.»
Comentário:
Sobre
estas parábolas do Reino do Céu só um comentário é possível ou adequado:
Não
existe bem mais sublime nem valor maior!
Na
procura incessante da felicidade que, no fundo, move cada ser humano, e não
tiver esta verdade bem presente jamais alcançará o que deseja e gastará o tempo
inutilmente atrás de sonhos e quimeras que nunca satisfarão os seus desejos.
(AMA,
comentário sobre Mt 13, 44-46, 06.05.2019)
Temas para reflectir e meditar
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