13/07/2019

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



Evangelho: Mt 10 24-33

24 «O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do senhor. 25 Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo ser como o senhor. Se ao dono da casa chamaram Belzebu, o que não chamarão eles aos familiares! 26 Não os temais, portanto, pois não há nada encoberto que não venha a ser conhecido. 27 O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços. 28 Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode fazer perecer na Geena o corpo e a alma. 29 Não se vendem dois pássaros por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai! 30 Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados! 31 Não temais, pois valeis mais do que muitos pássaros.» 32 «Todo aquele que se declarar por mim, diante dos homens, também me declararei por ele diante do meu Pai que está no Céu. 33 Mas aquele que me negar diante dos homens, também o hei-de negar diante do meu Pai que está no Céu.

Comentário:

Jesus Cristo ”sossega” os espíritos dos que O ouvem e se sentem atraídos pela Sua doutrina mas, ante as dificuldades e obstáculos que advinham hesitam em dar o “passo decisivo”.

Assegura os “cuidados” e atenção de Deus Pai por cada um dos Seus Filhos e o que secretamente alguns tentarão dizer para os afastar ou atemorizar se virá a saber publicamente como sendo obra do demónio o pai da mentira.

Diremos: Eu sou de Cristo!
E ouviremos a Sua iniludível confirmação:
E, Eu, sou Teu irmão!

(AMA, comentário sobre Mt 10,24-33, 03.05.2019)




Temas para reflectir meditar

Causas do mal

As causas do mal não devem procurar-se no exterior do homem, mas, sobretudo, no interior do seu coração. 
Também o seu remédio parte do coração. 
Por conseguinte os cristãos, mediante a sinceridade e o seu próprio empenho de conversão, devem rebelar-se contra o achatamento do homem, e proclamar com a sua própria vida a alegria da verdadeira libertação do pecado (...) mediante um arrependimento sincero, de um firme propósito de emenda, e de uma firme confissão das culpas. 

(são joão paulo iiHomília, Roma, 1979.12.23)

Leitura espiritual


"Christus vivit": Exortação Apostólica aos Jovens 

Capítulo III

VÓS SOIS O AGORA DE DEUS


Os migrantes como paradigma do nosso tempo

91. Como não lembrar os inúmeros jovens directamente envolvidos nas migrações?
Os fenómenos migratórios não representam uma emergência transitória, mas são estruturais.
«As migrações podem verificar-se dentro do mesmo país ou entre países diferentes. A preocupação da Igreja visa, em particular, aqueles que fogem da guerra, da violência, da perseguição política ou religiosa, dos desastres naturais - devidos também às alterações climáticas - e da pobreza extrema: muitos deles são jovens. Em geral, andam à procura de oportunidades para si e para a sua família. Sonham com um futuro melhor, e desejam criar as condições para que se realize»

[1].

Os migrantes lembram-nos «a condição primordial da fé, ou seja, a de sermos “estrangeiros e peregrinos sobre a terra” (Heb 11, 13)»[2].

92. Outros migrantes são «atraídos pela cultura ocidental, nutrindo por vezes expectativas irreais que os expõem a pesadas decepções.
Traficantes sem escrúpulos, frequentemente ligados a cartéis da droga e das armas, exploram a fragilidade dos migrantes, que, ao longo do seu percurso, muitas vezes encontram a violência, o tráfico de seres humanos, o abuso psicológico e mesmo físico, e tribulações indescritíveis.
Há que destacar a particular vulnerabilidade dos migrantes menores não acompanhados, e a situação daqueles que são forçados a passar muitos anos nos campos de refugiados ou que permanecem bloqueados muito tempo nos países de trânsito, sem poderem continuar os seus estudos nem expressar os seus talentos.
Em alguns países de chegada, os fenómenos migratórios suscitam alarme e temores, frequentemente fomentados e explorados para fins políticos.
Assim se difunde uma mentalidade xenófoba, de quem se fecha em si mesmo, a que é necessário reagir com decisão»[3].

93. «Os jovens que migram experimentam a separação do seu contexto de origem e, muitas vezes, também um desenraizamento cultural e religioso.
A fractura tem a ver também com as comunidades de origem, que perdem os elementos mais vigorosos e empreendedores, e as famílias, particularmente quando migra um ou ambos os progenitores, deixando os filhos no país de origem.
A Igreja tem um papel importante como referência para os jovens destas famílias divididas.
Mas as histórias dos migrantes são histórias também de encontro entre pessoas e entre culturas: para as comunidades e as sociedades de chegada são uma oportunidade de enriquecimento e desenvolvimento humano integral de todos.
As iniciativas de hospitalidade, que têm como ponto de referência a Igreja, desempenham um papel importante deste ponto de vista e podem revitalizar as comunidades capazes de praticá-las»[4].

94. «Graças à variada proveniência dos Padres [Sinodais], o Sínodo permitiu o encontro de muitas perspectivas relativamente ao tema dos migrantes, sobretudo entre países de partida e países de chegada.
Além disso, ressoou o grito de alarme das Igrejas cujos membros são forçados a fugir da guerra e da perseguição, vendo, nestas migrações forçadas, uma ameaça para a própria existência delas.
O próprio facto de englobar dentro de si mesma todas estas distintas perspectivas coloca a Igreja em condições de exercer, em relação à sociedade, um papel profético sobre o tema das migrações»[5].

Peço especialmente aos jovens que não caiam nas redes de quem os quer contrapor a outros jovens que chegam aos seus países, fazendo-os ver como sujeitos perigosos e como se não tivessem a mesma dignidade inalienável de todo o ser humano.

Acabar com todas as formas de abuso

95. Nos últimos tempos, temos sido fortemente instados a escutar o grito das vítimas dos vários tipos de abuso cometidos por alguns bispos, sacerdotes, religiosos e leigos.
Estes pecados provocam nas suas vítimas «sofrimentos que podem durar a vida inteira e aos quais nenhum arrependimento é capaz de pôr remédio. Este fenómeno, muito difundido na sociedade, toca também a Igreja e representa um sério obstáculo à sua missão»[6].


96. É verdade que o «flagelo dos abusos sexuais contra menores é um fenómeno historicamente difundido, infelizmente, em todas as culturas e sociedades», especialmente dentro das próprias famílias e em várias instituições, cuja extensão foi ressaltada sobretudo «graças à mudança de sensibilidade da opinião pública».
Mas, «a universalidade de tal flagelo, ao mesmo tempo que confirma a sua gravidade nas nossas sociedades, não diminui a sua monstruosidade dentro da Igreja» e, «na ira justificada das pessoas, a Igreja vê o reflexo da ira de Deus, traído e esbofeteado»[7].

97. «O Sínodo reitera o firme empenho na adopção de rigorosas medidas de prevenção que impeçam a sua repetição, começando pela selecção e formação daqueles a quem serão confiadas tarefas de responsabilidade e educativas»[8].

Ao mesmo tempo, não mais deve ser abandonada a decisão de aplicar as necessárias «medidas e sanções»[9].

Em tudo, contando com a graça de Cristo. Não se pode voltar atrás.

98. «Existem diferentes tipos de abuso: abusos de poder, económicos, de consciência, sexuais.
Torna-se evidente a tarefa de erradicar as formas de exercício da autoridade nas quais se entroncam aqueles, e de contrastar a falta de responsabilidade e transparência com que foram geridos muitos casos.
O desejo de dominação, a falta de diálogo e transparência, as formas de vida dupla, o vazio espiritual, bem como as fragilidades psicológicas constituem o terreno onde prospera a corrupção».[10]

O clericalismo é uma tentação permanente dos sacerdotes, que interpretam «o ministério recebido mais como um poder a ser exercido do que como um serviço gratuito e generoso a oferecer; e isto leva a julgar que se pertence a um grupo que possui todas as respostas e já não precisa escutar e aprender mais nada»[11].

Sem dúvida, o clericalismo expõe as pessoas consagradas ao risco de perderem o respeito pelo valor sagrado e inalienável de cada pessoa e da sua liberdade.


99. Quero, juntamente com os Padres Sinodais, expressar com afecto a minha «gratidão a quantos têm a coragem de denunciar o mal sofrido: ajudam a Igreja a tomar consciência do que aconteceu e da necessidade de reagir com decisão»[12].

Mas também merece um reconhecimento especial «o compromisso sincero de inumeráveis leigas e leigos, sacerdotes, consagrados, consagradas e bispos que diariamente se consomem, honesta e dedicadamente, ao serviço dos jovens.

O seu trabalho é como uma floresta que cresce sem fazer barulho.
Também muitos dos jovens presentes no Sínodo manifestaram gratidão àqueles que os têm acompanhado e reafirmaram a grande necessidade de modelos»[13].


100. Graças a Deus, os sacerdotes que caíram nestes crimes horríveis não constituem a maioria; esta mantém um ministério fiel e generoso. Peço aos jovens que se deixem estimular por esta maioria. Em todo o caso, quando virdes um sacerdote em risco, porque perdeu a alegria do seu ministério, porque busca compensações afectivas ou está tomando um rumo errado, tende a ousadia de lhe lembrar o seu compromisso para com Deus e o seu povo, anunciai-lhe vós mesmos o Evangelho e animai-o a permanecer no caminho certo. Assim, prestareis uma ajuda inestimável num ponto fundamental: a prevenção que permite evitar a repetição destas atrocidades. Esta nuvem negra torna-se também um desafio para os jovens que amam Jesus Cristo e a sua Igreja, porque podem contribuir muito para curar esta ferida, se puserem em campo a sua capacidade de renovar, reclamar, exigir coerência e testemunho, voltar a sonhar e reinventar.

101. Este não é o único pecado dos membros da Igreja, cuja história apresenta muitas sombras. Os nossos pecados estão à vista de todos; reflectem-se, impiedosamente, nas rugas do rosto milenário da nossa Mãe e Mestra. Com efeito, desde há dois mil anos que ela caminha compartilhando «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens»[14].

E caminha como é, sem cirurgias estéticas. Não tem medo de mostrar os pecados dos seus membros, que às vezes alguns deles procuram esconder, perante a luz ardente da Palavra do Evangelho que limpa e purifica. E não cessa de repetir cada dia, envergonhada: «tem compaixão de mim, ó Deus, pela tua bondade; (...) tenho sempre diante de mim os meus pecados» (Sal 51/50, 3.5). Lembremo-nos, porém, que não se abandona a Mãe quando está ferida, mas acompanhamo-la para que tire fora de si mesma toda a sua força e capacidade de começar sempre de novo.

102. No meio deste drama que justamente nos fere a alma, «o Senhor Jesus, que nunca abandona a sua Igreja, dá-lhe a força e os instrumentos para um caminho novo».[15]

Assim, este momento sombrio, com «a ajuda preciosa dos jovens, pode verdadeiramente ser uma oportunidade para uma reforma de alcance histórico»[16], para se abrir a um novo Pentecostes e começar um período de purificação e mudança que dê à Igreja uma renovada juventude. Entretanto os jovens poderão ajudar muito mais, se de coração se sentirem parte do «santo e paciente Povo fiel de Deus, sustentado e vivificado pelo Espírito Santo», porque «será precisamente este santo Povo de Deus que nos libertará do flagelo do clericalismo, que é o terreno fértil para todas estas abominações»[17].

Franciscus

Revisão da versão portuguesa por AMA






[1] DF 25.
[2] Ibid., 25.
[3] Ibid., 26.
[4] Ibid., 27.
[5] Ibid., 28.
[6] Ibid., 29;
[7] Francisco, Discurso no termo do Encontro sobre «A protecção na Igreja dos menores e adultos vulneráveis» (24 de Fevereiro de 2019): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 26/II/2019), 12
[8] DF 29.
[9] Francisco, Carta ao Povo de Deus (20 de Agosto de 2018), 2: L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 23/VIII/2018), 8.
[10] DF 30.
[11] Francisco, Discurso na I Congregação Geral da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (3 de Outubro de 2018): L’Osservatore Romano(ed. portuguesa de 4/X/2018), 11.
[12] DF 31.
[13] Ibid., 31.
[14] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 1.
[15] DF 31
[16] Ibid., 31.
[17] Francisco, Discurso no termo do Encontro sobre «A protecção na Igreja dos menores e adultos vulneráveis»(24 de Fevereiro de 2019): L’Osservatore Romano(ed. portuguesa de 26/II/2019), 13-14.

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





Doutrina


Doutrina – 492 
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
Compêndio



SEGUNDA SECÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA


CAPÍTULO PRIMEIRO

OS SACRAMENTOS DA INICIAÇÃO CRISTÃ

O SACRAMENTO DA EUCARISTIA


275. Como é chamado este sacramento?



A insondável riqueza deste sacramento exprime-se com diferentes nomes que evocam alguns dos seus aspectos particulares.

Os mais comuns são: Eucaristia, Santa Missa, Ceia do Senhor, Fracção do pão, Celebração Eucarística, Memorial da paixão, da morte e da ressurreição do Senhor, Santo Sacrifício, Santa e Divina Liturgia, Santos Mistérios, Santíssimo Sacramento do altar, Santa Comunhão.

A tristeza é a escória do egoísmo


Que ninguém leia tristeza nem dor na tua cara, quando difundes pelo ambiente do mundo o aroma do teu sacrifício. Os filhos de Deus têm de ser sempre semeadores de paz e de alegria. (Sulco, 59)

E se somos filhos de Deus, por que havemos de estar tristes? A tristeza é a escória do egoísmo. Se queremos viver para Nosso Senhor, não nos faltará a alegria, mesmo que descubramos os nossos erros e as nossas misérias. A alegria entra na vida de oração de tal maneira que, a certa altura, não poderemos deixar de cantar: porque amamos, e cantar é próprio de apaixonados.

Se vivermos assim, realizaremos no mundo uma obra de paz; saberemos tornar amável aos outros o serviço a Nosso Senhor, porque Deus ama quem dá com alegria O cristão é uma pessoa igual às outras na sociedade; mas do seu coração transbordará a alegria de quem se propõe cumprir, com a ajuda constante da graça, a Vontade do Pai: e não se sente vítima, nem inferiorizado, nem coagido. Caminha de cabeça erguida, porque é homem e é filho de Deus.

A nossa fé dá todo o seu relevo a estas virtudes, que pessoa alguma deveria deixar de cultivar. Ninguém pode vencer o cristão em humanidade. Por isso, quem segue Cristo é capaz – não por mérito próprio, mas pela graça de Nosso Senhor – de comunicar aos que o rodeiam o que às vezes eles pressentem, embora não consigam compreender: que a verdadeira felicidade, o verdadeiro serviço ao próximo passa pelo Coração do Nosso Redentor; perfectus Deus, perfectus, homo. (Amigos de Deus, nn. 92–93)

12/07/2019

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Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



Evangelho: Mt 10 16-23

16«Envio-vos como ovelhas para o meio dos lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17 Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas suas sinagogas; 18 sereis levados perante governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e dos pagãos. 19 Mas, quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer. 20 Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós. 21 O irmão entregará o seu irmão à morte, e o pai, o seu filho; os filhos hão-de erguer-se contra os pais e hão-de causar-lhes a morte. 22 E vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo. 23 Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo: Não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes de vir o Filho do Homem.»

Comentário:


Porque será que, seguir Cristo, é tarefa tão difícil e atraente?

É possível que – como alguns defendem – o homem seja intrinsecamente mau e, portanto, seguir Jesus que É intrinsecamente Bom vai contra a sua natureza?

Não!
Em primeiro lugar porque o homem não é intrinsecamente mau nunca o poderia ser porque Deus não pode criar nada que não seja muito bom.
E, depois, porque o Demónio se esforça continuamente por o afastar do caminho recto apresentando-lhe visões de felicidade pessoal que o atraem e, não poucas vezes, o arrastam.
Só que o Demónio não pode prometer nada porque embora tenha um enorme poder não pode “comandar” o futuro e, muito menos, que o que promete seja bom porque ele, sim, é intrinsecamente mau.

Por isso mesmo Cristo nos ensinou a pedir no “Pai-Nosso”: «não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mal»



(AMA, comentário sobre Mt 10, 16-23, 13.07.2018)

Temas para reflectir e meditar

Criança

Será somente a partir do momento em que, contrito, beijes as chagas de Jesus, crendo no Seu amor, que te voltas para Deus em atitude de «criança».




(tadeus dajczer, Meditações sobre a Fé, Paulus, 4ª Ed., pg. 79) 

Leitura espiritual


"Christus vivit": Exortação Apostólica aos Jovens 

Capítulo III

VÓS SOIS O AGORA DE DEUS

Desejos, feridas e buscas

81. Os jovens reconhecem que o corpo e a sexualidade são essenciais para a sua vida e para o crescimento da sua identidade.
Mas, num mundo que destaca excessivamente a sexualidade, é difícil manter uma boa relação com o próprio corpo e viver serenamente as relações afectivas.
Por esta e outras razões, a moral sexual é frequentemente «causa de incompreensão e afastamento da Igreja, pois é sentida como um espaço de julgamento e condenação».
Ao mesmo tempo, os jovens expressam de maneira explícita o desejo de se confrontar sobre «as questões relativas à diferença entre identidade masculina e feminina, à reciprocidade entre homens e mulheres, e à homossexualidade»[1].

82. No nosso tempo, «os progressos da ciência e das tecnologias biomédicas incidem fortemente na percepção do corpo, induzindo a pensar que se pode modificar sem limites.
A capacidade de intervir no DNA, a possibilidade de inserir elementos artificiais no organismo (cyborg) e o desenvolvimento das neurociências constituem um grande recurso, mas ao mesmo tempo levantam questões antropológicas e éticas»[2].
Podem levar-nos a esquecer que a vida é um dom, que somos seres criados e limitados, podendo facilmente ser instrumentalizados por quem detém o poder tecnológico[3].
«Além disso, em alguns contextos juvenis, difunde-se a atracção por comportamentos de risco como instrumento para se explorar a si mesmo, procurar emoções fortes e obter reconhecimento. (…)
Estes fenómenos, a que estão expostas as novas gerações, constituem um obstáculo para o amadurecimento sereno»[4].

83. Nos jovens, encontramos também, gravados na alma, os golpes recebidos, os fracassos, as recordações tristes.
Muitas vezes «são as feridas das derrotas da sua própria história, dos desejos frustrados, das discriminações e injustiças sofridas, de não se ter sentido amado ou reconhecido».
Além disso, temos «as feridas morais, o peso dos próprios erros, o sentido de culpa por ter errado»[5].

Jesus faz-Se presente nestas cruzes dos jovens, para lhes oferecer a sua amizade, o seu alívio, a sua companhia que cura, e a Igreja quer ser instrumento d’Ele neste percurso rumo à cura interior e à paz do coração.

84. Em alguns jovens, reconhecemos um desejo de Deus, embora não possua todos os contornos do Deus revelado.
Noutros, podemos vislumbrar um sonho de fraternidade, o que já não é pouco. Em muitos, existe um desejo real de desenvolver as capacidades de que são dotados para oferecerem algo ao mundo.
Em alguns, vemos uma sensibilidade artística especial, ou uma busca de harmonia com a natureza.
Em outros, pode haver uma grande necessidade de comunicação.
Em muitos deles, encontramos o desejo profundo de uma vida diferente.
Trata-se de verdadeiros pontos de partida, energias interiores que aguardam, disponíveis, uma palavra de estímulo, luz e encorajamento.

85. O Sínodo tratou de maneira especial três temas de grande importância, cujas conclusões desejo acolher textualmente, embora nos exijam ainda avançar numa análise mais ampla e desenvolver uma capacidade de resposta mais adequada e eficaz.

O ambiente digital

86. «O ambiente digital caracteriza o mundo actual. Grandes extensões da humanidade vivem mergulhadas nele de maneira ordinária e contínua. Já não se trata apenas de “usar” instrumentos de comunicação, mas de viver numa cultura amplamente digitalizada que tem impactos muito profundos na noção de tempo e espaço, na percepção de si mesmo, dos outros e do mundo, na maneira de comunicar, aprender, obter informações, entrar em relação com os outros.
Uma abordagem da realidade, que tende a privilegiar a imagem relativamente à escuta e à leitura, influencia o modo de aprender e o desenvolvimento do sentido crítico»[6].

87. A internet e as redes sociais geraram uma nova maneira de comunicar e criar vínculos, sendo «uma “praça” onde os jovens passam muito tempo e se encontram facilmente, embora nem todos tenham acesso igual, particularmente em algumas regiões do mundo. Em todo o caso, constituem uma oportunidade extraordinária de diálogo, encontro e intercâmbio entre as pessoas, bem como de acesso à informação e ao saber. Além disso, o mundo digital é um contexto de participação sociopolítica e de cidadania activa, podendo facilitar a circulação duma informação independente capaz de tutelar eficazmente as pessoas mais vulneráveis, revelando as violações dos seus direitos.
Em muitos países, a web e as redes sociais já constituem um lugar indispensável para se alcançar e envolver os jovens nas próprias iniciativas e actividades pastorais»[7].

88. Mas, para entender este fenómeno na sua totalidade, é preciso reconhecer que possui - como toda a realidade humana - limites e deficiências. Não é salutar confundir a comunicação com o simples contacto virtual.
De facto, «o ambiente digital é também um território de solidão, manipulação, exploração e violência, até ao caso extremo da dark web.
Os meios de comunicação digitais podem expor ao risco de dependência, isolamento e perda progressiva de contacto com a realidade concreta, dificultando o desenvolvimento de relações interpessoais autênticas.
Difundem-se novas formas de violência através das redes sociais, como o cyberbullying; a web é também um canal de difusão da pornografia e de exploração de pessoas para fins sexuais ou através do jogo de azar»[8].

89. Não se deve esquecer que «há interesses económicos gigantescos que operam no mundo digital, capazes de realizar formas de controlo que são tão subtis quanto invasivas, criando mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático.
O funcionamento de muitas plataformas acaba frequentemente por favorecer o encontro entre pessoas com as mesmas ideias, dificultando o confronto entre as diferenças.
Estes circuitos fechados facilitam a divulgação de informações e notícias falsas, fomentando preconceitos e ódio.
A proliferação das notícias falsas é expressão duma cultura que perdeu o sentido da verdade e sujeita os factos a interesses particulares.
A reputação das pessoas é comprometida através de processos sumários on-line.
O fenómeno diz respeito também à Igreja e seus pastores»[9].

90. Em um documento preparado por trezentos jovens de todo o mundo antes do Sínodo, indicava-se que «as relações on-line podem tornar-se desumanas.
Os espaços digitais não nos deixam ver a vulnerabilidade do outro e dificultam a reflexão pessoal.
Problemas como a pornografia distorcem a percepção que o jovem tem da sexualidade humana.
A tecnologia usada desta maneira cria uma realidade paralela ilusória que ignora a dignidade humana»[10].
A imersão no mundo virtual favoreceu uma espécie de «migração digital», isto é, um distanciamento da família, dos valores culturais e religiosos, que leva muitas pessoas para um mundo de solidão e auto-invenção chegando ao ponto de sentir a falta de raízes, embora fisicamente permaneçam no mesmo lugar.
A vida nova e transbordante dos jovens, que impele a buscar a afirmação da própria personalidade, enfrenta actualmente um novo desafio: interagir com um mundo real e virtual no qual se entra sozinho como num continente desconhecido.
Os jovens de hoje são os primeiros a fazer esta síntese entre o pessoal, o específico de cada cultura e o global. Mas isto requer que eles consigam passar do contacto virtual a uma comunicação boa e saudável.

Franciscus

Revisão da versão portuguesa por AMA


Notas:



[1] DF39.
[2] Ibid., 37.
[3] Cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de Maio de 2015), 106: AAS107 (2015), 889-890.
[4] DF37.
[5] Ibid., 67.
[6] Ibid., 21.
[7] Ibid., 22.
[8] Ibid., 23.
[9] Ibid., 24.
[10] Documento da Reunião Pré-sinodal de preparação para a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (Roma 24 de Março de 2018), I, 4.