Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
27/09/2018
NUNC COEPI : Publicações em 27 Set
NUNC COEPI : Publicações em 27 Set: el Reto del amor Pequena agenda do cristão Temas para reflectir e meditar Evangelho e comentário Senhor, tantas almas longe de Ti! Le...
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Falamos várias vezes na
direcção espiritual como um meio importantíssimo de auxílio na nossa vida de
cristãos e nomeadamente no que respeita ao apostolado tarefa de todos os filhos
de Deus.
Pode levantar-se a
questão: escolher um director espiritual… mas quem?
Temos de convir que a
direcção espiritual não tem que ser dada por um sacerdote, mas por qualquer um
que tenha reconhecida capacidade critério e seriedade para o fazer.
Director espiritual não
é o mesmo que Confessor, não é essa a sua missão embora evidentemente o
confessor também aconselhe e esclareça.
Os sacerdotes encarregados
de múnus pastoral dificilmente conseguem encontrar tempo disponível para o
muito trabalho que têm.
(AMA, reflexões)
Evangelho e comentário
Evangelho: Lc 9, 7-9
7
O tetrarca Herodes ouviu dizer tudo o que se passava; e andava perplexo, pois
alguns diziam que João ressuscitara dos mortos; outros, 8 que Elias aparecera,
e outros, que um dos antigos profetas ressuscitara. 9 Herodes disse: «A João
mandei-o eu decapitar, mas quem é este de quem oiço dizer semelhantes coisas?»
E procurava vê-lo.
Comentário:
Sabemos, pelos Evangelhos,
que quando Jesus Cristo finalmente Se encontra cara a cara com Herodes permanece
no mais profundo silêncio como que não fazendo caso nem da pessoa nem do que pretende.
Herodes é uma figura
desprezível sob todos os aspectos, mas o Senhor não o trata com desprezo;
poderia ter feito um discurso demolidor que deixaria marca indelével do
encontro, mas, não o fez.
Permanecendo em silêncio
mantém a Sua dignidade, enquanto o outro, frustrada a sua curiosidade mórbida e
doentia, regressa à sua condição de criatura sem qualificação.
(AMA,
comentário sobre Lc 9, 7-9, 28.09.2017)
Senhor, tantas almas longe de Ti!
Vejo
a tua Cruz, meu Jesus, e alegro-me com a tua graça, porque o prémio do teu
Calvário foi para nós o Espírito Santo... E dás-te a mim, cada dia, amoroso –
louco! – na Hóstia Santíssima... E fizeste-me filho de Deus e deste-me a tua
Mãe! Não me basta a acção de graças; vai-se-me o pensamento: – Senhor, Senhor,
tantas almas longe de Ti! Fomenta na tua vida as ânsias de apostolado, para que
o conheçam..., e o amem..., e se sintam amados! (Forja,
27)
Que
respeito, que veneração, que carinho temos de sentir por uma só alma, ante a
realidade de que Deus a ama como algo seu! (Forja,
34)
Ante
a aparente esterilidade do apostolado, assaltam-te as cristas de uma onda de desalento,
que a tua fé repele com firmeza... Mas reparas que necessitas de mais fé,
humilde, viva e operativa.
–
Tu, que desejas a salvação das almas, grita como o pai daquele rapaz doente,
possesso: "Domine, adiuva
incredulitatem meam!" – Senhor, ajuda a minha incredulidade!
Não
duvides: o milagre repetir-se-á. (Forja,
257)
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
Cristo que passa
124
Sementeira de paz e de
alegria
Que fazer?
Dizia-vos que não procurei
descrever crises sociais ou políticas, derrocadas ou doenças culturais.
Centrado sobre a fé
cristã, tenho-me referindo ao mal no sentido preciso da ofensa a Deus.
O apostolado cristão não é
um programa político, nem uma alternativa cultural: significa a difusão do bem,
o contágio do desejo de amar, uma sementeira concreta de paz e de alegria.
Desse apostolado, sem
dúvida, derivarão benefícios espirituais para todos: mais justiça, mais
compreensão, mais respeito do homem pelo homem.
Há muitas almas à nossa
volta, e não temos o direito de sermos obstáculo para o seu bem eterno.
Estamos obrigados a ser
plenamente cristãos, a ser santos, a não defraudar Deus nem todas as pessoas
que esperam do cristão o exemplo, a doutrina.
O nosso apostolado tem de
basear-se na compreensão.
Insisto novamente: a
caridade, mais do que em dar, está em compreender.
Não vos escondo como
aprendi, na minha própria carne, o que custa não ser compreendido.
Esforcei-me sempre por
fazer-me compreender, mas há quem se empenhe em não me entender: eis outra
razão, prática e viva, para que eu deseje compreender a todos.
Mas não é um impulso
circunstancial que há-de obrigar-nos a ter esse coração amplo, universal,
católico.
O espírito de compreensão
é expressão da caridade cristã do bom filho de Deus: porque o Senhor quer que
estejamos presentes em todos os caminhos rectos da terra, para estender a
semente da fraternidade - não do joio -, da desculpa, do perdão, da caridade,
da paz.
Nunca vos sintais inimigos
de ninguém.
O cristão há-de mostrar-se
sempre disposto a conviver com todos, a dar a todos - pela maneira de lidar com
os outros - a possibilidade de se aproximarem de Cristo Jesus.
Há-de sacrificar-se
gostosamente por todos, sem distinções, sem dividir as almas em departamentos
estanques, sem lhes pôr etiquetas como se fossem mercadorias ou insectos
dissecados.
O cristão não pode
separar-se dos outros, porque a sua vida seria miserável e egoísta: deve
fazer-se tudo para todos, para salvar a todos.
Se vivêssemos assim, se
soubéssemos impregnar a nossa conduta com esta sementeira de generosidade, com
este desejo de convivência, de paz, fomentar-se-ia a legítima independência
pessoal dos homens, cada um assumiria a sua responsabilidade e responderia
pelos afazeres que lhe competem nos trabalhos temporais.
Além disso, o cristão
saberia defender, em primeiro lugar, a liberdade alheia, para poder depois
defender a sua própria; teria a caridade de aceitar os outros como são - porque
cada um, sem excepção, traz consigo misérias e comete erros -, ajudando-os com
a graça de Deus e com delicadeza humana a superar o mal, a arrancar o joio, a
fim de que todos possamos ajudar-nos mutuamente e conduzir com dignidade a
nossa condição de homens e de cristãos.
125
A vida futura
A tarefa apostólica que
Cristo atribuiu a todos os seus discípulos produz, portanto, resultados
concretos no âmbito social.
Não é admissível pensar
que, para se ser cristão, seja preciso voltar as costas ao mundo, ser um
derrotista da natureza humana. Tudo, até o mais pequeno dos acontecimentos
honestos, encerra um sentido humano e divino.
Cristo, perfeito homem,
não veio destruir o que é humano, mas enobrecê-lo, assumindo a nossa natureza
humana, excepto o pecado. Veio compartilhar todos os anseios do homem, menos a
triste aventura do mal.
O cristão deve
encontrar-se sempre disposto a santificar a sociedade a partir de dentro,
estando plenamente no mundo, mas não sendo do mundo naquilo que ele tem - não
por característica real, mas por defeito voluntário, pelo pecado - de negação
de Deus, de oposição à Sua amável Vontade salvífica.
A festa da Ascensão do
Senhor sugere-nos também outra realidade: o Cristo que nos anima a esta tarefa
no mundo espera-nos no Céu. Por outras palavras: a vida na terra, que amamos,
não é a definitiva: porque não temos aqui cidade permanente, mas andamos em
busca da futura cidade imutável.
Procuremos, no entanto,
não interpretar a Palavra de Deus nos limites de horizontes estreitos.
O Senhor não nos impele a
sermos infelizes enquanto caminhamos, esperando só a consolação no além. Deus
quer-nos felizes também aqui, embora anelando o cumprimento definitivo dessa outra
felicidade, que só Ele pode preencher completa e abundantemente.
Nesta terra, a
contemplação das realidades sobrenaturais, a acção da graça nas nossas almas, o
amor ao próximo como fruto saboroso do amor a Deus, supõem já uma antecipação
do Céu, um começo destinado a crescer dia a dia.
Nós, cristãos, não
suportamos uma vida dupla: mantemos uma unidade de vida, simples e forte, na
qual se fundamentam e compenetram todas ás nossas acções.
126
Cristo espera-nos.
Vivemos já como cidadãos
do céu sendo plenamente cidadãos da Terra, no meio de dificuldades, de
injustiças, de incompreensões, mas também no meio da alegria e da serenidade
que dá saber-se filho amado de Deus.
Perseveremos no serviço do
nosso Deus e veremos como aumenta em número e em santidade este exército
cristão de paz, este povo de corredenção.
Sejamos almas
contemplativas, com um diálogo constante, convivendo com o Senhor a toda a
hora: desde o primeiro pensamento do dia ao último da noite, pondo
continuamente o nosso coração em Jesus Cristo Senhor Nosso, chegando até junto
d'Ele por intermédio da Nossa Mãe Santa Maria e, por Ele, ao Pai e ao Espírito
Santo.
Se, apesar de tudo, a
subida de Jesus aos Céus nos deixa na alma um amargo rasto de tristeza,
acudamos a sua Mãe como fizeram os apóstolos: então, voltaram a Jerusalém... e
oravam unanimemente... com Maria, a Mãe de Jesus.
127
Os Actos dos Apóstolos, ao
narrarem-nos os acontecimentos daquele dia de Pentecostes em que o Espírito
Santo desceu em forma de línguas de fogo sobre os discípulos de Nosso Senhor,
levam-nos a assistir à grande manifestação do poder de Deus com que a Igreja
iniciou a sua caminhada por entre as nações.
A vitória que Cristo obtivera sobre a morte e
sobre o pecado - com a sua obediência, a sua imolação na Cruz e a sua
Ressurreição - revelou-se então em todo o seu esplendor divino.
Os discípulos, que já
tinham sido testemunhas da glória do Ressuscitado, experimentaram em si a força
do Espírito Santo: as suas inteligências e os seus corações abriram-se a uma
nova luz.
Tinham seguido Cristo e
recebido com fé a sua doutrina; mas nem sempre conseguiam penetrar totalmente
no sentido desta.
Era necessário que viesse
o Espírito de Verdade para lhes fazer compreender todas as coisas.
Sabiam que só em Jesus
podiam encontrar palavras de vida eterna e estavam dispostos a segui-Lo e a dar
a vida por Ele; mas eram fracos e, quando chegou a hora da provação, fugiram,
deixaram-nO só.
No dia de Pentecostes tudo
isso passou: o Espírito Santo, que é espírito de fortaleza, tornou-os firmes,
seguros, audazes.
A palavra dos Apóstolos
ressoa então, forte e vibrante, pelas ruas e praças de Jerusalém.
Os homens e as mulheres
vindos das mais diversas regiões, que naqueles dias povoam a cidade, escutam
assombrados.
Partos, medos e elamitas,
e os que habitam a Mesopotâmia, a Judeia e a Capadócia, o Ponto e a Ásia, a
Frígia e a Panfília, o Egipto e várias partes da Líbia que é vizinha de Cirene,
e os que vieram de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes,
todos os ouvimos falar, nas nossas próprias línguas, das maravilhas de Deus.
Estes prodígios, que se
realizam diante dos seus olhos, levam-nos a prestar atenção à pregação
apostólica.
O mesmo Espírito Santo,
que actua nos discípulos do Senhor, tocou-lhes também nos corações e
conduziu-os à Fé.
Conta-nos S. Lucas que,
depois de S. Pedro ter falado, proclamando a Ressurreição de Cristo, muitos dos
que o rodeavam se aproximaram, perguntando: que havemos de fazer, irmãos?
E o Apóstolo
respondeu-lhes: Fazei penitência, e cada um de vós seja baptizado em nome de
Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito
Santo.
E o texto sagrado termina
dizendo-nos que nesse dia se incorporaram na Igreja cerca de três mil pessoas.
A vinda solene do Espírito
Santo no dia de Pentecostes não foi um acontecimento isolado.
Quase não há uma página
dos Actos dos Apóstolos em que se não fale d'Ele e da acção pela qual guia,
dirige e anima a vida e as obras da primitiva comunidade cristã.
É Ele que inspira a pregação
de S. Pedro, que confirma na fé os discípulos, que sela com a sua presença o
chamamento dirigido aos gentios e, que envia Saulo e Barnabé para terras
distantes, a fim de abrirem novos caminhos à doutrina de Jesus.
Numa palavra, a sua
presença e a sua actuação dominam tudo.
128
O renascimento baptismal
Esta realidade profunda
que o texto da Sagrada Escritura nos dá a conhecer não é uma simples recordação
do passado, de uma espécie de idade de ouro da Igreja, perdida na História.
Por cima das misérias e
dos pecados de cada um de nós, continua a ser a realidade da Igreja de hoje e
da Igreja de todos os tempos.
Eu rogarei ao Pai -
anunciou o Senhor aos seus discípulos - e Ele vos dará outro Consolador, para
que fique convosco eternamente.
Jesus cumpriu as suas
promessas: ressuscitou, subiu aos Céus e, em união com o Eterno Pai, envia-nos
o Espírito Santo para nos santificar e nos dar a vida.
A força e o poder de Deus
iluminam a face da Terra.
O Espírito Santo continua
a assistir à Igreja de Cristo, para que ela seja - sempre e em tudo - sinal
erguido diante das nações, anunciando à Humanidade a benevolência e o amor de
Deus.
Por maiores que sejam as
nossas limitações, nós, homens, podemos olhar com confiança para os Céus e
sentir-nos cheios de alegria: Deus ama-nos e liberta-nos dos nossos pecados.
A presença e a acção do
Espírito Santo na Igreja são o penhor e a antecipação da felicidade eterna,
dessa alegria e dessa paz que Deus nos prepara.
Também nós, tal como
aqueles primeiros que se aproximaram de S. Pedro no dia de Pentecostes, fomos
baptizados.
No baptismo, o Nosso Pai, Deus, tomou posse
das nossas vidas, incorporou-nos na vida de Cristo e enviou-nos o Espírito
Santo.
O Senhor, diz-nos a
Sagrada Escritura, salvou-nos fazendo-nos renascer pelo baptismo, renovando-nos
pelo Espírito Santo, que Ele difundiu sobre nós abundantemente por Jesus
Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados pela sua graça, sejamos
herdeiros da vida eterna, segundo a esperança.
A experiência da nossa debilidade
e das nossas faltas, a desedificação que pode produzir o espectáculo doloroso
da pequenez ou mesmo mesquinhez de alguns que se chamam cristãos, o aparente
fracasso ou a desorientação de algumas iniciativas apostólicas, tudo isso - a
comprovação da realidade do pecado e das limitações humanas - pode constituir,
no entanto, uma provação para a nossa fé e fazer com que se insinuem em nós a
tentação e a dúvida: onde estão a força e o poder de Deus?
É o momento de reagirmos,
de pormos em prática da maneira mais pura e firme a nossa esperança e,
portanto, de procurarmos ser mais firme na nossa fidelidade.
(cont)
26/09/2018
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Simplicidade e modéstia.
Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.
Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.
Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.
Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Penso que
depender de Deus - para tudo - é a melhor coisa que pode acontecer ao
homem.
Sim,
no fim e ao cabo, é depender do supremo bem e se depender significa servir como
não Lhe agradecer - a Ele que de nada precisa - essa extraordinária
benesse que representa servi-Lo?
Por isso
mesmo não podemos regatear uma disponibilidade permanente expressa num
grito da alma de que já falámos:
Domine, quid me vis facere!
O que
faz o servo?
Serve,
claro!
Como?
O melhor que
pode e sabe tentando sempre ir ao encontro do seu Senhor e, por isso mesmo
devemos ter constantemente presente esse pedido, sincero, forte genuíno:
Domine, quid me vis facere... agora, neste preciso
momento!
Ontem, há
pouco, fiz a minha vontade, o que me apeteceu, mas, agora NÃO.
Quero
recomeçar!
Agora!
NUNC COEPI!
(AMA, reflexões)
Evangelho e comentário
Evangelho: Lc 9, 1-6
1
Tendo convocado os Doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demónios e
para curarem doenças. 2 Depois, enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar
os doentes, 3 e disse-lhes: «Nada leveis para o caminho: nem cajado, nem
alforge, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas. 4 Em qualquer casa em
que entrardes, ficai lá até ao vosso regresso. 5 Quanto aos que vos não receberem,
saí dessa cidade e sacudi o pó dos vossos pés, para servir de testemunho contra
eles.» 6 Eles puseram-se a caminho e foram de aldeia em aldeia, anunciando a
Boa-Nova e realizando curas por toda a parte.
Comentário:
O que é necessário para
fazer apostolado?
Qualidades, meios, autoridade?
Evidentemente que sim. Mas…
só?
Não! O é absolutamente
necessário é a convicção plena de que se actua por Jesus Cristo e em Seu Nome.
Da “nossa lavra” não temos
de pôr absolutamente nada, tudo consta na doutrina e ensinamentos do Senhor
contidos nos Evangelhos.
Qualidades para arrastar
pessoas, oratória, dom de palavra?
Não nos preocupemos com
isso, o Espírito Santo nos ensinará o que dizer e como dizer.
Mas, de facto, o mais
importante de tudo, o que melhor convence e atrai é o exemplo que damos, ou
seja, numa palavra, que as nossas acções correspondam ao que apregoamos.
(AMA,
comentário sobre Lc 9, 1-6, 26.09.2017)
Não esperes pela velhice para ser santo
Começa agora, seriamente, gozosamente,
alegremente, através das tuas obrigações, do teu trabalho, da vida
quotidiana...
Não esperes pela velhice para ser santo,
porque, além de ser um grande erro – insisto –, não sabes se chegará para ti. (Forja, 113)
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
Cristo que passa
121
Olhai: a Redenção, que
ficou consumada quando Jesus morreu na vergonha e na glória da Cruz, escândalo
para os judeus, loucura para os gentios, por vontade de Deus continuará a
fazer-se até que chegue a hora do Senhor.
Não é compatível viver de
acordo com o Coração de Jesus Cristo e não nos sentirmos enviados como Ele,
peccatores salvos facere, a salvar todos os pecadores, convencidos de que nós
mesmos precisamos de confiar cada dia mais na misericórdia de Deus.
Daí, o desejo veemente de
nos considerarmos corredentores com Cristo, de salvar com Ele todas as almas,
porque somos, queremos ser, ipse Christus, o próprio Jesus Cristo e Ele deu-se
a si mesmo em resgate de todos.
Temos uma grande tarefa à
nossa frente.
Não é possível a atitude
de ficarmos passivos porque o Senhor declarou expressamente: negociai até eu
vir.
Enquanto esperamos o
regresso do Senhor que voltará a tomar posse plena do seu Reino, não podemos
estar de braços cruzados.
A extensão do Reino de
Deus não é só tarefa oficial dos membros da Igreja que representam Cristo, por
d'Ele terem recebido os poderes sagrados.
Vos autem estis corpus
Christi, vós também sois Corpo de Cristo, ensina-nos o Apóstolo, com o mandato
concreto de negociar até ao fim.
Ainda está tanta coisa por
fazer!
Será que em vinte séculos
não se fez nada?
Em vinte séculos
trabalhou-se muito.
Não me parece, nem
objectivo nem honrado o afã de alguns em menosprezar a tarefa daqueles que nos
precederam.
Em vinte séculos
realizou-se um grande trabalho e, com frequência, foi muito bem realizado.
Outras vezes houve
desacertos, regressões, como também há agora retrocessos, medo, timidez, ao
mesmo tempo que não falta valentia, generosidade.
Mas a família humana
renova-se constantemente; em cada geração é preciso continuar com o empenho de
ajudar o homem a descobrir a grandeza da sua vocação de filho de Deus e é
necessário inculcar o mandamento do amor ao Criador e ao nosso próximo.
122
Cristo ensinou-nos, definitivamente,
o caminho desse amor a Deus: o apostolado é o amor de Deus, que transborda,
dando-se aos outros. A vida interior supõe crescimento na união com Cristo,
pelo Pão, e pela Palavra.
E o afã de apostolado é a
manifestação exacta, adequada, necessária à vida interior.
Quando se saboreia o amor
de Deus sente-se o peso das almas.
Não se pode dissociar a
vida interior do apostolado, como não é possível separar em Cristo o seu ser de
Deus-Homem e a sua função de Redentor.
O Verbo quis encarnar para
salvar os homens, para fazê-los com Ele uma só coisa.
Esta é a razão da sua
vinda ao mundo: por nós e pela nossa salvação, desceu do Céu, rezamos no Credo.
Para o cristão, o
apostolado resulta conatural; não é algo que se acrescente, que se justaponha,
alheio à sua actividade diária, à sua ocupação profissional.
Tenho-o dito sem cessar,
desde que o Senhor dispôs que surgisse o Opus Dei!
Trata-se de santificar o
trabalho vulgar, de santificar-se nessas ocupações e de santificar os outros
com o exercício da profissão, cada um no seu próprio estado.
O apostolado é como a
respiração do cristão: um filho de Deus não pode viver sem esse pulsar
espiritual.
A festa de hoje
recorda-nos que o zelo pelas almas é um mandato amoroso do Senhor, que, ao
subir para a sua glória, nos envia como testemunhas suas pelo mundo inteiro.
Grande é a nossa
responsabilidade, porque ser testemunha de Cristo significa, antes de mais
nada, procurarmos comportar-nos segundo a Sua doutrina, lutar para que a nossa
conduta faça recordar Jesus e evoque a sua figura amabilíssima. Precisamos de
conduzir-nos de tal maneira, que os outros ao ver-nos possam dizer: este é
cristão, porque não odeia, porque sabe compreender, porque não é fanático,
porque está acima dos instintos, porque é sacrificado, porque manifesta
sentimentos de paz, porque ama.
123
O trigo e o joio
Tracei-vos, com a doutrina
de Cristo, não com as minhas ideias, um caminho ideal para o cristão.
Concordais que é elevado,
sublime, atractivo. Mas talvez nos interroguemos: será possível viver assim na
sociedade de hoje?
É certo que o Senhor nos
chamou em momentos em que muito se fala de paz e não há paz: nem nas almas, nem
nas instituições, nem na vida social, nem entre os povos.
Fala-se continuamente de
igualdade e de democracia e abundam as castas: fechadas, impenetráveis.
Chamou-nos num tempo em
que se clama pela compreensão e a compreensão brilha pela sua ausência,
inclusivamente entre pessoas que agem de boa-fé e querem praticar a caridade,
porque - não esqueçais - a caridade, mais do que em dar, está em compreender.
Atravessamos uma época em
que os fanáticos e os intransigentes - incapazes de admitir as razões dos
outros - se põem a salvo, tachando de violentos e agressivos os que são as suas
vítimas.
Chamou-nos, enfim, quando
se ouve tagarelar muito sobre unidade e talvez seja difícil conceber que possa
tolerar-se maior desunião entre os próprios católicos, para não falar já dos
homens em geral.
Eu nunca faço
considerações políticas, porque esse não é o meu ofício. Para descrever
sacerdotalmente a situação do mundo actual, é suficiente que pensemos de novo
numa parábola do Senhor: a do trigo e do joio.
O reino dos céus é
semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo.
Porém, enquanto os
trabalhadores dormiam, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e
foi-se embora.
Está claro: o campo é
fértil e a semente é boa; o Senhor do campo lançou às mãos cheias a semente no
momento propicio e com arte consumada; além disso, preparou toda uma vigilância
para proteger a recente sementeira.
Se depois apareceu o joio,
é porque não houve correspondência, já que os homens - os cristãos
especialmente - adormeceram e permitiram que o inimigo se aproximasse.
Quando os servidores
irresponsáveis perguntam ao Senhor porque cresceu o joio no seu campo, a
explicação salta aos olhos: inimicus homo hoc fecit, foi o inimigo!
Nós, os cristãos, que
devíamos estar vigilantes para que as coisas boas, postas pelo Criador no
mundo, se desenvolvessem ao serviço da verdade e do bem, adormecemos - triste
preguiça, esse sono! -, enquanto o inimigo e todos os que o servem se moviam
sem descanso.
Bem vedes como cresceu o
joio: que sementeira tão abundante espalhada por todos os sítios!
Não tenho vocação de
profeta de desgraças.
Não desejo com as minhas
palavras apresentar-vos um panorama desolador, sem esperança.
Não pretendo queixar-me
destes tempos em que vivemos pela providência do Senhor.
Amamos esta nossa época,
porque é o âmbito em que temos de alcançar a nossa santificação pessoal.
Não admitimos nostalgias
ingénuas e estéreis; o mundo nunca esteve melhor.
Desde sempre, desde os
princípios da Igreja, quando mal se acabava de ouvir a pregação dos primeiros
doze, já surgiram violentas perseguições, começaram as heresias, propalou-se a
mentira e desencadeou-se o ódio.
Mas não é lógico negar que
o mal parece ter prosperado.
Dentro de todo este campo
de Deus, que é a Terra, herança de Cristo, irrompeu o joio: Não apenas joio,
mas abundância de joio!
Não podemos deixar
enganar-nos pelo mito do progresso perene e irreversível.
O progresso rectamente
ordenado é bom e Deus quere-o.
Contudo, tem-se mais em
conta o outro falso progresso que cega os olhos a tanta gente, porque com
frequência não percebe que a Humanidade, nalguns dos seus passos, volta atrás e
perde o que tinha conquistado antes.
O Senhor - repito -
deu-nos o mundo por herança.
Temos de ter a alma e a
inteligência despertas; temos de ser realistas, sem derrotismos.
Só uma consciência
cauterizada, só a insensibilidade produzida pela rotina, só o estouvamento
frívolo podem permitir que se contemple o mundo sem ver o mal, a ofensa a Deus,
o dano por vezes irreparável para as almas.
É preciso sermos
optimistas, mas com um optimismo que nasça da fé no poder de Deus - Deus não perde
batalhas - com um optimismo que não proceda da satisfação humana, duma
complacência néscia e presunçosa.
(cont)
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